ESCOLA DA DIVINA VONTADE - 41º SEMANA DE ESTUDOS

 PARTE 1PARTE 2

VOLUME 1 

 

(251) Agora, voltando Jesus, dizia-lhe: "Amado, meu Jesus, dá-me a dor dos meus pecados,
assim, os meus pecados consumidos pela dor, pelo arrependimento de te ter ofendido, podem ser
apagados da minha alma e também da tua memória, sim, dá-me tanta dor por quanto ousei
ofender-te. Mais bem faça que a dor supere isto, assim poderei me estreitar mais intimamente a Ti.
(252) Lembro-me que uma vez, enquanto eu estava dizendo isso, meu sempre benigno Jesus me
disse:

(253) "Já que tu desgosta tanto de ter me ofendido, eu quero que você se disponha a fazer você
sentir a dor de seus pecados, e assim veja como o pecado é feio, e que dor acerba meu coração
sofreu. Por isso dei junto Comigo: "Se passo o mar, no mar Tu estás, embora não te veja; piso a
terra e estás debaixo dos meus pés, pequei".
(254) Logo Jesus, em voz baixa, acrescentou quase chorando:
(255) "No entanto te amei, e ao mesmo tempo te conservei".
(256) Enquanto Jesus dizia isto e eu o repetia junto com Ele, fui surpreendida por tal dor pelas
ofensas feitas que caí rosto a terra, e Jesus desapareceu.

(257) Poucas foram as palavras, mas eu entendi tantas coisas que é impossível dizer tudo o que
compreendi. Nas primeiras palavras compreendi a imensidão, a grandeza, a presença de Deus em
cada coisa presente, sem que pudesse escapar d'Ele nem sequer a sombra do nosso pensamento,
compreendi também o meu nada em comparação com uma Majestade tão grande e santa. Na
palavra "pequei", compreendia a fealdade do pecado, a maldade, a ousadia que eu tinha tido ao
ofendê-lo. Agora, enquanto minha alma estava considerando isso, ao ouvir Jesus Cristo dizer: "E
ainda assim amei-te e ao mesmo tempo mantive-te". Meu coração foi tomado por tal dor que me
sentia morrer, porque compreendia o amor imenso que o Senhor me tinha no ato mesmo em que
eu procurava ofendê-lo, e mesmo matá-lo. ¡ Ah Senhor, como você tem sido bom para mim, e eu
sempre ingrata e tão ruim ainda!

(258) Lembro que cada vez que vinha era um alternar-se, ora pedia-lhe a dor dos meus pecados,
e ora a crucificação, e também outras coisas. Como uma manhã enquanto me encontrava em
meus acostumados sofrimentos, meu amado Jesus me transportou para fora de mim mesma e me
fez ver um homem que era assassinado a balas, e que assim que expirava ia ao inferno. ¡ Oh,
quanta pena dava a Jesus a perda daquela alma! Se todo o mundo soubesse quanto Jesus sofre
pela perda das almas, não digo por elas, mas pelo menos para poupar essa pena a nosso Senhor,
usariam todos os meios possíveis para não se perder eternamente. Agora, enquanto junto com
Jesus me encontrava no meio das balas, Jesus aproximou seus lábios ao meu ouvido e me disse:
(259) "Minha filha, queres tu oferecer-te vítima pela salvação desta alma e tomar sobre ti as penas
que merece por seus grandíssimos pecados?"

(260) Eu respondi: "Senhor, estou disposta, mas com o pacto de que o salves e lhe restituas a
vida". Quem pode dizer os sofrimentos que me chegaram? Foram tais e tantos que eu mesma não
sei como fiquei com vida. Agora, enquanto me encontrava neste estado de sofrimentos há mais de
uma hora, veio meu confessor para me chamar à obediência, e encontrando-me muito sofredor,
com dificuldade pude obedecer, por isso me perguntou a razão de tal estado, eu disse-lhe o fato
assim como o descrevi acima, dizendo-lhe o ponto da cidade onde me pareceu que tinha
acontecido. O confessor me disse que era certo o fato e que o davam por morto, mas depois se
soube que estava gravíssimo e que pouco a pouco se restabeleceu e vive ainda. Seja sempre
bendito o Senhor.

2-43
Junho 25, 1899

 Jesus fala da Fé.

(1) Esta manhã Jesus continua a fazer-se ver de vez em quando, participando-me um pouco de
seus sofrimentos e às vezes via o confessor com Ele, e como ele me havia dito que rezasse
por certas necessidades suas, Vendo-o juntamente com Nosso Senhor, comecei a rezar a
Jesus para que lhe concedesse o que Ele queria. Enquanto eu lhe rogava, Jesus, toda
bondade se dirigiu ao confessor e lhe disse:

(2) "Quero que a fé te inunde por toda parte, como aquelas barcas que são inundadas pelas
águas do mar, e como a fé sou Eu mesmo, sendo inundado por Mim, que tudo possuo, posso e
dou livremente a quem em Mim confia, sem que tu penses no que virá, e ao quando e o como e
o que farás, Eu mesmo, segundo as tuas necessidades me prestarei a socorrer-te".

(3) Depois ele adicionou: "Se te exercitares nesta fé, quase nadando nela, em recompensa te
infundirei no coração três alegrias espirituais: O primeiro, que penetrarás as coisas de Deus
com clareza e ao fazer coisas santas te sentirás inundado por uma alegria, por um gozo tal,
que te sentirás como empapado, e esta é a unção da minha graça.
(4) O segundo é um aborrecimento das coisas terrenas e sentirás em teu coração alegria pelas
coisas celestiais.

(5) O terceiro é um desapego total de tudo, e onde antes sentia inclinação, sentirá um
incômodo, como há tempos o estou infundindo em seu coração, e você já o está
experimentando. E por isso teu coração será inundado pela alegria que gozam as almas
totalmente desapegadas, que têm seu coração tão inundado de meu amor, que das coisas que
as rodeiam externamente não recebem nenhuma impressão".

3-43
Fevereiro 24, 1900

Luisa resiste à obediência.

(1) Esta manhã estava cheia de medo, acreditava que tudo era fantasia, ou seja, demônio que
queria me iludir. Então tudo o que via o desprezava e me desagradava: Via o confessor que punha
a intenção de que Jesus me renovasse as dores da crucificação, e eu tentava resistir. O bendito
Jesus no princípio me tolerava, mas como o confessor renovava a intenção, então Jesus me disse:
(2) "Minha filha, parece que desta vez faltaremos à obediência. Não sabes tu que a obediência
deve selar a alma, e que a obediência deve fazer a alma como suave cera, de modo que o
confessor possa dar-lhe a forma que queira?"

(3) Assim, não levando em conta minhas resistências me participou as dores da crucifixão, e eu,
não podendo resistir mais a tudo isso, porque não queria pelo temor de que não fosse Jesus, tive
que sucumbir sob o peso das dores. Seja sempre bendito e tudo seja para glorificá-lo em tudo e sempre.

3-44
Fevereiro 26, 1900

A Divina Vontade é felicidade de todos.

(1) Depois de ter passado alguns dias de privação, quando no máximo vinha alguma vez como
sombra e fugia, eu sentia tal pena que me desfazia em lágrimas, e o bendito Jesus tendo
compaixão de minha dor, veio e me via e me via, e depois me disse:

(2) "Minha filha, não temas, que não te deixo; agora, quando estiveres sem minha presença, não
quero que te desanimes, antes, de hoje em diante quando estiveres privada de Mim, quero que
tomes minha Vontade e que nela te deleites, Amando-me e glorificando-me nela e tendo a minha
vontade como se fosse a minha própria Pessoa. Fazendo isso, você me terá em suas próprias
mãos. Que coisa forma a bem-aventurança do Paraíso? Certamente minha Divindade. Agora, o
que formará a bem-aventurança de meus amados na terra?

Com certeza minha Vontade. Ela não te poderá fugir jamais, tê-la-á sempre em tua posse, e se tu permaneceres no círculo da minha
Vontade, ali sentirás as alegrias mais inefáveis e os prazeres mais puros. A alma, não saindo
jamais do círculo da minha Vontade, torna-se nobre, diviniza-se e todas as suas obras repercutem
no centro do Sol divino, assim como os raios do sol repercutem na superfície da terra, e nem um só
sai do centro que é Deus. A alma que faz minha vontade é a única nobre rainha que se nutre de
meu alento, porque seu alimento e sua bebida não as toma mais que de minha Vontade, e
nutrindo-se de minha Vontade toda santa, em suas veias correrá um sangue puríssimo, seu hálito
exalará um perfume que me recriará, porque será produzido pelo meu próprio hálito. Por isso não
quero outra coisa de ti, senão que formes tua bem-aventurança no giro da minha Vontade, sem sair
jamais, nem sequer por um breve instante".

(3) Enquanto dizia isto, em meu íntimo sentia uma inquietude e um temor, porque o falar de Jesus
indicava que não ia vir, e que eu devia aquietar-me em sua Vontade. Oh! Deus, que pena mortal!
Que aperto de coração! Mas Jesus sempre benigno adicionou:
(4) "Como posso deixá-la se você é vítima? Só deixarei de vir quando você deixar de ser vítima,
mas enquanto for vítima me sentirei sempre atraído a vir".
(5) Assim parece que fiquei tranquila; mas me sinto como circundada pela adorável Vontade de
Deus, de modo que não encontro nenhuma abertura pela qual sair. Espero que me queira sempre
neste cerco que me une toda a Deus.

4-47
Janeiro 9, 1901

Jesus quere-a unida a Ele como um raio ao sol, do qual recebe a vida, o calor e o esplendor.

(1) Esta manhã me sentia toda oprimida e esmagada, tanto que estava em busca de alívio; meu
único Bem me fez esperar longamente sua vinda, e ao vir me disse:
(2) "Minha filha, não tomei Eu sobre Mim por amor de ti tuas paixões, misérias e fraquezas? E tu
não desejarias tomar sobre ti as dos demais por amor meu?"

(3) Depois acrescentou: "O que quero é que você esteja sempre unida Comigo, como um raio de
sol que está sempre fixo no centro do sol, e que dele recebe a vida, o calor e o esplendor.
Suponhamos que um raio se possa separar do centro do sol, no que se converteria? Assim que
saísse perderia a vida, a luz e o calor, e voltaria às trevas reduzindo-se a nada. Tal é a alma,
enquanto está unida Comigo, no meu centro, pode-se dizer que é como um raio de sol que vive e
recebe luz do sol, caminha onde quer, em suma, está em tudo à disposição e à vontade do sol; se
depois se distrai de Mim, desune-se, fica toda em trevas, fria, e não sente em si aquele impulso
supremo de Vida Divina".
(4) Dito isto desapareceu.

6-42
Junho 6, 1904
Ânimo, fidelidade e suma atenção se necessita para seguir o que a Divindade obra em nós.

(1) Continuando meu habitual estado, por pouco tempo se fez ver desde dentro de meu interior,
primeiro Ele só e depois as Três Divinas Pessoas, mas todas em profundo silêncio, e eu
continuava ante sua presença com meu trabalho acostumado interior, e parecia que o Filho se unia
comigo, e eu não fazia outra coisa senão segui-lo, mas tudo era silêncio, e não se fazia outra coisa
neste silêncio que fundir-se com Deus, e todo o interior, afetos, batimentos, desejos, respiros,
converteram-se em profundas adorações à Majestade Suprema. Então, depois de ter estado um
pouco tempo neste estado, parecia que as Três falavam, mas formavam uma só voz, e me
disseram:

(2) "Filha querida nossa, ânimo, fidelidade e atenção soma ao seguir o que a Divindade obra em ti,
porque tudo o que fazes não o fazes tu, senão que não fazes outra coisa que dar tua alma por
habitação à Divindade. Acontece-te a ti como a um pobre que tendo um pequeno quartinho, o rei o
pede por habitação, e ela o dá e faz tudo o que quer o rei; então, habitando o rei aquele pequeno
quartinho, contém riquezas, nobreza, glória e todos os bens, mas de quem são? Do rei, e se o rei
quiser deixá-lo, à pobre o que lhe resta? Fica-lhe sempre sua pobreza".

7-46
Setembro 23, 1906
Como o agir por Cristo destrói a obra humana, e Jesus a faz ressurgir em obra divina.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, por pouco tempo veio o bendito Jesus, e me
abraçando me disse:
(2) "Minha amada filha, o agir por Cristo e em Cristo faz desaparecer a obra humana, porque,
operando em Cristo, e sendo Cristo fogo, consome a obra humana, e havendo-a consumido, o
seu fogo fá-la ressurgir em obra divina, por isso obra juntamente comigo, como se estivéssemos
juntos fazendo a mesma coisa; se sofreres, como se estivesses sofrendo junto Comigo; se
orares, se trabalhares, tudo em Mim e junto Comigo, e assim perderás em tudo as obras
humanas e as reencontrarás divinas. Oh, quantas riquezas imensas poderiam adquirir as
criaturas, e não as fazem suas!"

(3) Disse isto desapareceu e eu fiquei com um grande desejo de vê-lo de novo. Depois
encontrava-me fora de mim mesma e ia procurando-o por toda parte, e não o encontrando dizia:
"Ah Senhor, como és cruel com uma alma que é toda para Ti, e que não faz outra coisa que
sofrer contínuas mortes por amor teu! Olha, minha vontade te busca a Ti, e não te encontrando
morre de contínuo, porque não te encontra a Ti que és vida de meu querer; meus desejos
morrem de contínuo, porque desejando-te e não te encontrando não encontram sua vida, assim
que o respiro, os batimentos do coração, a memória, a inteligência, tudo, tudo, estão sofrendo
mortes cruéis, e Você não tem compaixão de mim". Enquanto me encontrava nisto voltei para
mim e encontrei-o em mim mesma, e como se quisesse pagar com a mesma moeda me dizia:
(4) "Olha, estou todo em ti e todo para ti".
(5) Parecia que tinha a coroa de espinhos, e apertando-a na cabeça saía sangue e dizia: "Este
sangue derramou-a por amor de ti".
(6) Fazia-me ver suas chagas e acrescentava: "Estas, todas para ti".
(7) Oh, como me sentia confusa vendo que meu amor confrontado com o seu não era outra coisa
que apenas uma sombra!

9-45
Setembro 9, 1910

Lamentos da alma por não poder evitar os castigos.

(1) Continuando meu habitual estado, o bendito Jesus não vinha e eu estava dizendo entre mim:
"Como Jesus mudou comigo, já não me quer como antes; antes de me pôr permanentemente na
cama, quando estava a cólera, Ele mesmo me pedia que se aceitasse os sofrimentos por alguns
dias faria cessar a cólera, e aceitando-o cessou o flagelo. Agora me tem continuamente na cama,
ouve-se da cólera, dos estragos que faz nas pobres gentes, e não me dá atenção. Já não quer
servir-se de mim". Enquanto dizia isto, faço por olhar em mim e vejo que Jesus estava com a
cabeça levantada, que me olhava, e todo enternecido me estava escutando, e quando viu que eu
percebia que me estava olhando disse:
(2) "Minha filha boa, como é fastidiosa, queres vencer pela força, não é verdade? Está bem, está
bem, não me incomode mais".
(3) E desapareceu.

+ + + +

9-46
Setembro 11, 1910

Jesus quer amor, verdade e retidão das almas.

Uma alma unida perfeitamente à Divina Vontade, faz vencer a Misericórdia sobre a Justiça.
(1) Continuando em meu habitual estado, parecia que o confessor tinha a intenção de me fazer
sofrer a crucificação. Depois de um pouco de espera, o bendito Jesus concorreu e me disse:
(2) "Minha filha, pelo mundo não posso mais, muito me movem à indignação, me arrancam pela
força os flagelos das mãos".

(3) E enquanto dizia isto, via uma forte chuva que danificava os vinhedos. Depois tendo rezado
pelo confessor, que parecia estar presente; queria pegar-lhe nas mãos para as fazer tocar por
Jesus, e parecia que Jesus o fazia, pedia-lhe que dissesse ao padre o que queria dele, e Jesus
disse-lhe:

(4) "Quero amor, verdade e retidão. O que torna o homem mais ao contrário de Mim é não estar
armado destas prerrogativas".
(5) E, enquanto dizia amor, parecia que lhe selava de amor todos os membros, o coração, a
inteligência. Oh, como é bom Jesus!
(6) Depois, havendo dito ao padre o que escrevi no dia 9, fiquei duvidosa e dizia entre mim:
"Quanto gostaria de não escrever estas coisas, se é verdade que Jesus suspende o castigo para
me contentar, ou se é minha fantasia.

(7) E Jesus me disse: "Minha filha, a Justiça e a Misericórdia estão em contínua luta, e são mais as
vitórias da Misericórdia do que as da Justiça. Agora, quando uma alma está perfeitamente unida
com minha Vontade, toma parte em minhas ações ad extra, e satisfazendo com seus sofrimentos,
a misericórdia alcança suas mais belas vitórias sobre a justiça, e como Eu me agrado em coroar
todos meus atributos com a misericórdia, até a mesma justiça, vendo-me importunado por esta
alma unida Comigo, para satisfazê-la cedo ante ela, pois ela cedeu todas suas coisas em minha
Vontade. Por isso, quando não quero ceder não venho, porque não me confio em poder resistir a
não ceder; então, qual é a sua dúvida?"

10-44
Dezembro 14, 1911

A palavra de Jesus é sol, nutre a mente e sacia o coração de amor.

(1) Continuo com os meus dias amargos mas resignada ao Querer de Deus. Meu sempre amável
Jesus, se se faz ver, é sempre afligido e temperamental, parece que não me quer prestar atenção.
Esta manhã, fazendo-se ver, punha dois brincos, tão brilhantes que pareciam dois sóis, e depois
disse-me:
(2) "Filha amada minha, para quem está toda atenta a ouvir-me, a minha palavra é sol que não só
alegra o ouvido, mas nutre a mente e sacia o coração de Mim e do meu amor. Ah!, não se quer
compreender que toda minha intenção é de tê-los todos ocupados em Mim, sem pôr cuidado em
outra coisa. Olhe aquela, apontando a uma pessoa, com esse modo que examina tudo, presta
atenção a tudo, impressiona-se de tudo, até dos excessos e também das coisas santas, não é
outra coisa que um viver fora de Mim, e a quem vive fora de Mim, por necessidade vem que se
sente muito a si mesma, acredita me fazer honra, mas é todo o contrário".

+ + + +

10-45
Dezembro 21, 1911

A Divina Vontade é Sol, e quem vive do Querer Divino se torna sol.

(1) Encontrando-me em meu estado habitual, por pouco tempo veio o bendito Jesus, e pondo-se
diante de mim me olhava toda, esses olhares me penetravam dentro e fora e eu ficava toda luz, e
quanto mais me olhava mais resplandecia, e através desta luz Ele olhava a todo o mundo, e depois
de me ter olhado fixamente disse-me:
(2) "Minha filha, minha Vontade é Sol, e quem vive do meu Querer se volta sol, e Eu, somente
através deste sol olho o mundo e derramo graças e benefícios para proveito de todos. Se não
houvesse este Sol de meu Querer em alguma alma, a terra se tornaria estranha para Mim e
romperia qualquer comunicação entre a terra e o Céu, assim que a alma que faz perfeitamente
minha Vontade, é como sol no mundo, com esta diferença, que o sol material faz bem, dá luz e faz
bem material; em troca o Sol de minha Vontade na alma consegue graças espirituais e temporais,
e dá luz às almas. Minha filha, que o que mais te interessa seja meu Querer, meu Querer seja sua
vida, seu tudo, também nas coisas mais santas, até em minha mesma privação. Tu certamente não
me darás este desgosto de te afastar, ainda por pouco, da minha Vontade, não é verdade?"
(3) Eu fiquei maravilhada e desapareceu. E penso entre mim o que significa esta conversa de
Jesus, ah! talvez me queira fazer alguma das suas, ou seja privar-me d‟Ele, ah, seja sempre
bendito e adorado seu Santíssimo Querer".

VIDEO 1

43. A conclusão da vida escondida.
10 de junho de 1944.

43.1Maria diz:
– Antes de entregar estes cadernos, Eu quero unir a eles a minha bênção.
Agora, basta que queiras fazer com um pouco de paciência; podereis ter
uma coleção completa da vida íntima do meu Jesus. Desde a Anunciação, até
o momento em que Ele sai de Nazaré para a pregação, tendes, não só os
ditados, mas também a ilustração dos fatos que acompanharam a vida
familiar de Jesus.
A infância, a meninice, a adolescência e a juventude do meu Filho têm
apenas uns breves traços no grande quadro de sua vida descrito pelos
Evangelhos. Neles Ele é o Mestre. Aqui é o Homem. É o Deus que se
humilha por amor do homem. 43.2E que também opera milagres, mesmo em seu
aniquilamento de uma vida comum. Ele opera em mim, que sinto a minha
alma levada à perfeição, em contato com o Filho que me cresce no ventre.
Opera na casa de Zacarias, santificando o Batista, ajudando Isabel em seu
trabalho, dando palavra e fé a Zacarias. Ele opera em José, abrindo-lhe o
espírito à luz de uma verdade, de tal modo excelsa, que por si mesmo não
podia compreender, embora fosse um justo. 43.3E, depois de mim, quem mais
foi beneficiado por esta chuva de divinos benefícios foi José.
Observa o caminho que ele percorre, um caminho espiritual, desde
quando vem para a minha casa, até o momento da fuga para o Egito. No
início, não era mais do que um homem justo do seu tempo. Depois, por fases
sucessivas, tornou-se o homem justo do tempo cristão. Adquire a fé no
Cristo, e se entrega a essa fé firme, que passa à esperança, desde aquela
frase dita no começo da viagem de Nazaré para Belém: “Como faremos?”,
frase em que ali estava todo o homem que se revela com os seus temores
humanos e as suas preocupações humanas. Na gruta, diante do nascimento,
diz: “Amanhã será melhor.” Jesus, que está para chegar, já o fortalece, com
esta esperança que, entre os dons de Deus, é um dos mais belos. E, dessa
esperança, quando o contato com Jesus o santifica, ele passa à ousadia.
Deixou-se sempre dirigir por mim, pelo respeito reverente que nutria por
mim. Agora é ele que dirige tanto as coisas materiais, como as superiores, e
decide como chefe da Família, quando é preciso decidir. Não só isso, mas
na hora penosa da fuga, depois que meses de união com o Filho de Deus o
saturaram de santidade, é ele quem conforta o meu penar, e me diz: “Ainda
que não tivéssemos mais nada, teríamos sempre tudo, porque teremos a Ele.”
43.4Seus milagres de graça, meu Jesus os opera nos pastores. O Anjo vai
até onde está o pastor, que um fugaz encontro comigo predispõe para a
Graça, e o leva até à Graça para que Esta o salve para sempre.
Ele os opera por onde passa, tanto no exílio, como quando volta à sua
pequena Nazaré. Porque, onde Ele estava, a santidade se expandia como o
óleo sobre um pano, como a fragrância das flores no ar, e quem por ela era
tocado, se não fosse um demônio, sentia grande desejo de santidade. Onde há
esse desejo, há raiz de vida eterna, porque quem quer ser bom, consegue a
bondade, e a bondade leva ao Reino de Deus.
43.5Vós agora tendes, apresentada em pontos, que refletem momentos
diversos, a santa Humanidade de meu Filho. Desde o seu nascimento, até à
sua morte. E, se o Pe. M. achar bom, pode fazer deles uma ordenada coleção
dos pontos, de modo a poder formar um conjunto sem lacunas. Isso se julgar
útil fazê-lo.
Teríamos podido dar tudo junto. Mas a Providência julgou ser bom fazer
assim para ti, ó minha alma! Em todos os ditados te demos os remédios para
as tuas feridas, que haveriam de ser-te infligidas. Demos com antecedência
para te preparar. Na hora do granizo, parece que nada serve de abrigo. Mas
não é assim. A tempestade faz aflorar a humanidade, que está adormecida e
sepultada debaixo das águas espirituais, mas traz à tona também as gemas de
uma doutrina sobrenatural, que caíram no vosso coração, e que estão
esperando justamente a hora da tempestade, para reaparecerem e dizer-vos:
“Aqui estamos nós também. Lembra-te de nós”.
Há, além disso, minha alma, uma razão de bondade, além de ser de
Providência. Como terias podido, no atual estado de enfraquecimento, ver e
ouvir certas visões e ditados? Estas coisas te teriam prostrado, até te
tornarem incapaz da tua missão de “porta-voz”. Por isso, porque em nós há
bondade nós os demos antes, evitando despedaçar teu coração com visões e
palavras por demais consoantes com o teu sofrimento, e por isso intensas até
ao espasmo. Não somos cruéis, Maria. Agimos sempre de modo que vós de
nós tenhais conforto, não angústia, nem aumento de dor. Basta-nos que vos
confieis a nós. Basta-nos que digas como José: “Se ainda tenho Jesus, tenho
tudo!”, para que venhamos com os dons celestes a consolar o vosso espírito.
43.6Não te prometo dons, nem consolações humanas. Eu te prometo as
mesmas consolações que teve José, as sobrenaturais. Porque é bom que
todos fiquem sabendo que os presentes dados pelos Magos, na usura que
aperta pela garganta um fugitivo, sumiram rapidamente, como um relâmpago,
com a compra de uma casinha e daquele mínimo de utensílios necessários
para a vida, daqueles alimentos que eram também necessários, que só
podiam vir daquela fonte, enquanto não encontrávamos trabalho.
Na comunidade hebraica sempre todos se ajudaram mutuamente. Mas a
comunidade reunida no Egito era quase toda composta de fugitivos
perseguidos e, por isso, pobres como nós, que tínhamos ido nos juntar a eles.
Um pouco daquela riqueza que queríamos manter para Jesus, para o nosso
Jesus adulto, preservada dos gastos da instalação no Egito, foi providencial
para a nossa volta e apenas suficiente para reorganizar nossa casa e a
oficina em Nazaré, ao nosso retorno. Porque os tempos mudam, mas a cobiça
humana é sempre a mesma, servindo-se da necessidade alheia para sugar a
sua parte de maneira odiosa.
Não. Termos Jesus conosco não serviu para trazer-nos bens materiais.
Muitos de vós pretendem isto, quando apenas se sentem um pouco unidos a
Jesus. Esquecem-se de que Ele disse : “Procurai as coisas do espírito.”
Tudo o mais é supérfluo. Deus provê também o alimento. Tanto aos homens
como os pássaros. Porque sabe que eles têm necessidade do alimento,
enquanto a carne for armadura em torno de vossa alma. Mas, pedi primeiro a
sua Graça. Pedi primeiro pelo vosso espírito. O resto vos será dado como
acréscimo.
Da união com Jesus, José teve, humanamente falando, angústias, fadigas,
perseguições, fome. Outra coisa não teve. Mas, visto que servia a Jesus
somente, tudo isso se transformou em paz espiritual, em sobrenatural alegria.
Eu queria trazer-vos ao ponto em que estava o meu esposo ao dizer: “Ainda
que chegássemos a não ter mais nada, teríamos sempre tudo, porque temos
Jesus.”
43.7Eu sei. O coração se despedaça. Eu sei, a mente se ofusca. Eu sei, a
vida se consome. Mas Maria!… És de Jesus? Queres ser de Jesus? Onde,
como morreu Jesus? Menina querida, estás chorando, mas persevera na
fortaleza. O martírio não consiste na forma de tormento, mas, sim na
constância com que o mártir o suporta. Por isso, é martírio tanto uma arma,
como um sofrimento moral, quando é suportado por um mesmo objetivo. Tu
estás suportando por amor ao meu Filho. O que fazes pelos irmãos é sempre
por amor de Jesus, que os quer salvos. Por isso, o teu sofrimento é
verdadeiro martírio. Persevera nele. Não queiras fazer isso por ti mesma.
Basta — porque a aflição é forte demais para que tu possas ter ainda tanta
força para guiar-te por ti mesma e dominar também a tua humanidade
impedindo-la de chorar — basta que deixes que a dor te torture, sem
rebelar-te. Basta que digas a Jesus: “Ajuda-me!”. Aquilo que não podes
fazer, Ele o fará por ti. Permanece Nele. Sempre Nele. Não queiras sair
Dele. Se não quiseres, não sais. Se a dor for tão forte, que te impeça de ver
onde estás, tu estarás sempre em Jesus.
Eu te abençôo. Diz comigo: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.”
Seja este sempre o teu grito. Até que, um dia, o digas no Céu. A graça do
Senhor esteja sempre contigo!

[71] disse, em: Mateus 6,33 (173.7); Lucas 12,31 (276.8).

 

 

CAPÍTULO 10

A VIRTUDE DA JUSTIÇA EM MARIA SANTÍSSIMA.

Definição e espécies

553. A grande virtude da justiça é a que mais serve à caridade de Deus e do
próximo, e assim, é a mais necessária para o convívio e relações humanas. E um hábito que inclina a vontade a dar a cada qual
o que lhe é devido. Tem por matéria e objeto a medida, ajuste ou direito que se devem
guardar para com o próximo e com Deus.
Sendo tantas as coisas e diversos os modos nos quais o homem pode observar ou transgredir esta virtude, sua matéria
vem a ser muito extensa e difusa. Diversas são as espécies desta virtude. Enquanto se
ordena ao bem público e comum, chama-se justiça legal, e porque pode dirigir as demais virtudes para este fim, chama-se
virtude geral, ainda que não participe da natureza das demais.
Quando porém, a matéria da justiça é coisa determinada, somente
referindo-se a pessoas particulares, para guardar o direito de cada uma, então se
chama justiça particular ou especial.

A justiça em Maria

Esta virtude com suas partes, gêneros e propriedades, foi guardada
pela Imperatriz do mundo em relação a todas as criaturas, sem comparação com
qualquer outra. Só Ela conheceu, com a maior clareza, compreendeu perfeitamente
o que a cada qual se devia.
Ainda que esta virtude não vise imediatamente as paixões naturais, como o
fazem a fortaleza e a temperança, conforme direi adiante, muitas vezes, porém, sucede
que por não estarem as mesmas paixões moderadas e corrigidas, concorrem para a
violação da justiça, como os que, por desordenada cobiça ou deleite, usurpam o alheio.
Visto que em Maria Santíssima não havia paixões desordenadas, nem ignorância para desconhecer o meio termo
onde se situa a justiça, satisfazia a todos, fazendo o justíssimo a cada um, e ensinando a agir assim aos que mereciam ouvir
suas palavras e doutrinas de vida.
Quanto à justiça legal, guardou a, cumprindo "as leis comuns, como na
Purificação e noutros mandamentos da Lei, ainda que estivesse isenta deles como
Rainha, sem a dívida do pecado.
Além disso, ninguém, fora de seu Filho Santíssimo, atendeu como esta Mãe
de Misericórdia ao bem público e comum dos mortais, dirigindo para este fim todas
as virtudes e atos, com os quais pôde merecer-lhes a divina misericórdia, e favorecer ao próximo com outros benefícios.

Modo pelo qual Maria Santíssima praticava * justiça distributiva 

555. As duas espécies de justiça, distributiva e comutativa, também
estiveram em Maria Santíssima em grau heróico. A justiça distributiva governa
os atos com os quais se distribuem as coisas comuns às pessoas particulares.
Esta equidade foi guardada por Sua Alteza em muitas coisas que, por sua vontade
e disposição, foram praticadas entre os fiéis da primitiva Igreja, como distribuir os
bens comuns para o sustento, e outras necessidades de pessoas particulares.
Ainda que nunca distribuísse por suas mãos dinheiro, porque jamais o tocava, era porém repartido por sua ordem ou
outras vezes, por seu conselho. Nestas coisas e noutras semelhantes, sempre observou suma equidade e justiça, segundo
a necessidade e condição de cada um. O mesmo fazia na distribuição dos
ofícios, dignidades ou ministérios, entre os discípulos e primeiros filhos do Evangelho, nas reuniões que para isso realizavam
A Mestra Sapientíssima tudo ordenava e dispunha com perfeita equidade, porque
tudo fazia com especial oração e ilustração divina, além da ciência e conhecimento
ordinário, que possuía de todos os indivíduos.
Por isto os Apóstolos recorriam a Ela nestes assuntos. Outras pessoas que
governavam lhe pediam conselho, e tudo quanto por Ela era dirigido,
se fazia e dispunha com inteira justiça, sem acepção de pessoas.

Maria não exercitou a justiça comutativa, mas a conheceu e ensinou

556. A justiça comutativa ensina guardar recíproca igualdade no dar e receber entre pessoas particulares, quer no
valor, quer na quantidade. Nesta espécie de justiça, a Rainha do céu exercitou-se
menos do que nas outras virtudes, porque nem comprava, nem vendia coisa alguma,
pessoalmente. Se era necessário comprar ou comutar alguma coisa, o fazia o patriarca
São José, quando era vivo; depois, São João Evangelista ou algum outro dos Apóstolos.
O Mestre de santidade que vinha destruir e extirpar a avareza, raiz de todos
os males (ITm 6,10), quis afastar de si e de sua Mãe Santíssima, os atos e ações no
quais costuma acender-se e alimentar-se o fogo da cobiça humana. Por isso, em sua
Providência divina, ordenou que, nem por sua mão, nem pela de sua Mãe Santíssima
se realizassem ações do comércio humano de comprar e vender, ainda que fossem
coisas necessárias para a conservação da vida natural.
Nem por isto deixava entretanto, a grande Rainha de ensinar quanto pertencia a esta virtude da justiça comutativa,
para a praticarem com perfeição os que no apostolado e na Igreja primitiva necessitavam dela usar.

Julgamento público e civil

557. A Justiça inclui outros atos exercitados com o próximo, como Q julgamento público, civil, ou particular. De seu
vício contrário falou o Senhor por São Mateus: não julgueis e não sereis julgados
(Mt 7,1). Por estes atos de julgamento dar se-á a cada um o que lhe é devido, na
medida do critério de quem julga; serão ações justas se se conformarem com a
razão, e injustiça, se dela discordarem.
Nossa soberana Rainha não exercitou o julgamento público e civil, ainda
que tivesse poder para ser juiz de todo o universo. Com seus retíssimos conselhos,
porém, durante o tempo de sua vida, e depois, por sua intercessão e méritos, cumpriu o que dela está escrito nos Provérbios
(Pr 8, 20, 16): Eu ando nos caminhos da justiça e por mim decretam os poderosos o que é justo.

Julgamento pessoal, vícios que lhe são contrários, Maria jamais os teve

558. O julgamento pessoal nunca pôde ser injusto no puríssimo coração
de Maria Santíssima. Jamais foi leviana nas
suspeitas, nem temerária nos juízos, nem teve dúvidas; mesmo que as tivesse, não
as interpretava com impiedade, pelo pior lado. Estes injustíssimos vícios são próprios e naturais nos filhos de Adão, dominados
pelas desordenadas paixões do ódio, inveja, rivalidade, malícia e outros vícios que os
tiraniza como a vis escravos.
Destas raízes tão corrompidas nascem as injustiças, as suspeitas do mal
com insuficientes indícios, os juízos temerários, e a interpretação do duvidoso pelo
pior. Cada qual atribui ao seu irmão a mesma falta que vê em si. Se com ódio ou inveja
se entristece pelo bem do próximo, alegrando-se com seu mal, levianamente dá crédito
ao que não devia, porque o deseja, sendo seu julgamento arrastado pela paixão.
De todos estes achaques do pecado esteve isenta nossa Rainha, pois nele
não tinha parte. Caridade, pureza, santidade e perfeito amor, era tudo quanto em seu
coração entrava ou saía; Nela estava a graça de toda a verdade, caminho e vida
(Eclo 24,25).
Com plenitude de ciência e santidade, nada duvidava nem suspeitava,
porque conhecia o íntimo de todos. Via-os com verdadeira luz e misericórdia, sem suspeitar mal de ninguém e sem atribuir culpa
a quem não tinha. Pelo contrário, antes remediava a muitos culpados, dando a
todos e a cada um, com equidade e justiça, o que lhe pertencia, estando sempre disposta, com benigno coração, para encher
todos os homens da doçura da graça e da virtude.

Outras virtudes referentes à justiça comutativa e distributiva

559. Nos dois gêneros de justiça comutativa e distributiva, encerram-se
muitas espécies de diferentes virtudes que não me detenho a referir, pois todas as que
convinham à Maria Santíssima, teve-as em hábitos e em ato, no grau mais elevado e excelente.
Existem, porém, outras virtudes que se reduzem à justiça, porque se exercitam com o próximo e participam, de algum
modo, das propriedades dessa virtude.
Não a satisfazem, porém, inteiramente, porque nunca chegamos a pagar adequadamente tudo quanto devemos.
Mesmo que pudéssemos pagá-lo, não é a dívida obrigação tão mesquinha, como a
julga o rigor da perfeita justiça comutativa ou distributiva. Sendo estas virtudes muitas e diferentes, não direi tudo o que contém,
mas, para não excluí-las completamente, direi algo em breve resumo, para se entender como as possuiu nossa soberana e mui excelsa Princesa.

 virtude da religião

"A palavra religião para o mundo é palavra ridícula, e parece que não vale nada, mas diante de mim cada palavra que pertence à religião é uma virtude de valor infinito, tanto, que me serve da palavra para propagar a fé em todo o universo, e quem nisto se exercita me serve de boca para manifestar às criaturas a minha Vontade".
(5) Enquanto dizia isto, compreendia muito bem que era Jesus, ao ouvir sua voz clara, que há tanto tempo não ouvia, sentia-me ressurgir da morte à vida, e estava esperando que terminasse de falar pois devia lhe dizer minhas extremas necessidades, mas o que, não apenas terminei de ouvir sua voz desapareceu, e eu fiquei desconsolada e aflita. Livro do Céu Vol. 4.148

560. Justa dívida é prestar culto e reverência aos que nos são superiores.
Segundo a grandeza da sua excelência e dignidade e os bens deles recebidos, será
maior ou menor a obrigação e culto que lhes devemos, ainda que nenhuma retribuição possa eqüivaler à nossa dívida e à
dignidade do doador. Para isto servem três virtudes, de acordo com três graus de
superioridade daqueles a quem devemos reverenciar.
A primeira é a virtude da religião pela qual damos a Deus o culto e reverência
que lhe devemos, não obstante sua grandeza lhes exceder infinitamente, e seus
dons não poderem ser retribuídos, com equivalente agradecimento e louvor. Entre
as virtudes morais, a religião é nobilíssima pelo seu objeto, o culto a Deus, e sua
matéria tão extensa, quantos são os modos e matérias pelos quais Deus pode ser diretamente louvado e reverenciado.
Compreendem-se nesta virtude os atos interiores de oração, contemplação
e devoção, com todas suas partes e condições, causas, efeitos, objetos e finalidades
Dos atos exteriores compreende-se aqui a adoração latria, suprema e devida somente
a Deus, com as espécies ou partes que a seguem: o sacrifício, as oblações, dízimos
votos, juramentos, louvores externos e vocais. Com todos estes atos, devidamente realizados, Deus é honrado e reverenciado pelas criaturas, enquanto pelos vícios opostos é muito ofendido.

Piedade, observância, latria (veneração, culto de adoração a Deus.), dulia (a honra e culto de veneração devotados aos santos) e obediência

561. Em segundo lugar vem a piedade, virtude com a qual reverenciamos os pais, a quem, depois de Deus,
devemos a existência e educação, e também aos que nisso participam, como os
parentes que nos sustentam e a pátria que nos governa. Esta virtude da piedade é tão
importante que, quando obrigatória, deve preferir-se aos atos de super-rogação da
virtude de religião. Assim ensinou Cristo, Senhor nosso, por São Mateus (Mt 15,3),
ao repreender os fariseus que, com pretexto de culto a Deus, ensinavam a faltar a
piedade para com os pais naturais.
Em terceiro lugar, vem a observância, virtude com a qual prestamos
honra e reverência aos que tem alguma dignidade superior e diferente da dos
pais e da pátria. Como espécie desta virtude, consideram os doutores a dulia
e a obediência. Dulia é a reverência aos que têm alguma participação na excelência e domínio do supremo Senhor, Deus,
a quem pertence o culto de adoração latria. Por isto honramos os santos com adoração ou reverência dulia,, como
também os dignatários superiores das quais nos consideramos súditos.

A obediência leva-nos a submeter nossa vontade à dos superiores,
desejando fazer a sua e não a nossa. Visto ser a própria liberdade tão estimável, por
isto a obediência é tão admirável e excelente entre todas as virtudes morais, porquanto
leva a criatura a oferecer, por amor de Deus, algo mais do que qualquer outra virtude.

Como Maria Santíssima possuiu essas virtudes

562. Estas virtudes de religião, piedade, e observância estiveram em Maria
Santíssima com tanta plenitude e perfeição, que nada lhes faltou de quanto poderia
ter uma pura criatura.
Que entendimento poderá compreender a honra, veneração e culto com
que esta Senhora servia seu Filho diletíssimo, conhecendo-o, adorando-o
como verdadeiro Deus e Homem, Criador, Redentor, Glorificador, Sumo, Infinito,
Imenso no ser, na bondade, e em todos os atributos? Entre todas as puras criaturas,
e mais que todas, foi Ela quem melhor o conheceu, e nesta medida, prestava a Deus
a devida reverência, tendo-a ensinado aos próprios serafins.
De tal sorte foi mestra nesta virtude que, somente o vê-la, despertava, induzia
e excitava com oculta força a que todos reverenciassem o supremo Senhor e Autor
do céu e da terra. Sem outra diligência, impelia muitos a louvarem a Deus. Sua
oração, contemplação, devoção e poder sempre atual de suas súplicas, todos os
anjos e santos conhecem com eterna admiração, sem contudo as poder explicar.
Todas as criaturas inteligentes devem a Ela ter suprido e reparado, não
somente o que nisso faltaram, mas ainda o que não poderiam fazer, nem merecer. Esta
Senhora apressou a salvação do mundo, pois se não estivesse nesta terra, o Verbo
não teria descido do seio do seu eterno Pai.
Ela ultrapassou os serafins, desde o primeiro instante, no contemplar, orar,
pedir e estar devotamente pronta para o serviço divino. Ofereceu sacrifícios,
oblações, décimas, tão agradáveis a Deus que, por parte do oferente, ninguém foi
mais aceito, depois de seu Filho Santíssimo.
Nos eternos louvores, hinos, cânticos e orações vocais que compôs,
excedeu a todos os patriarcas e profetas.
Se a Igreja militante conhecesse esses louvores, como os conhece a triunfante,
constituiriam singular admiração para o mundo.

Piedade e Observância

563. As virtudes da piedade e observância foram exercitadas por Maria
Santíssima, como quem melhor conhecia a heróica virtude de seus pais e o quanto
lhes devia. O mesmo fez com seus consangüíneos, enchendo-os de especiais graças,
como ao Batista, à sua mãe Santa Isabel e aos demais do colégio apostólico.
Se sua pátria não houvera desmerecido pela ingratidão e dureza dos judeus,
tê-la-ia tornado felicíssima. Não obstante, quanto a divina equidade permitiu, prodigalizou-lhe grandes benefícios e favores
espirituais e temporais.
Na reverência aos sacerdotes foi admirável, pois só Ela pôde e soube dar o devido valor à dignidade dos ungidos do
Senhor. Assim ensinou a todos, como também a reverência aos patriarcas, profetas e
santos e, depois deles, aos senhores civis de suprema autoridade.
Não omitiu nenhuma destas virtudes nos tempos e ocasiões oportunos.
Ensinou-as especialmente aos primeiros fiéis no início da Igreja evangélica. Obedecendo, não já a seu Filho Santíssimo em
presença visível, Esposo dessa Igreja, porém, aos ministros dela, foi para o mundo
exemplo de nova modalidade de obediência: porque, então, por especiais razões,
todas as criaturas é que deviam obediência, àquela que no mundo ficara como
Senhora e Rainha que deveria governá los.

Gratidão, veracidade, vindicação, liberalidade, amizade

564. Restam outras virtudes também relacionadas com a justiça, porque
com elas damos o que devemos aos outros por alguma dívida moral, que é honesta e
decente obrigação. São: a gratidão, veracidade, a vindicação, a liberalidade, a
amizade ou afabilidade. Pela gratidão procuramos, de algum modo, nos equiparar àqueles de quem recebemos benefícios.
Agradecemos-lhes segundo a qualidade do favor e o afeto com que foi feito o
principal do benefício, e também de acordo com o estado e condição do benfeitor.
A tudo isso, o agradecimento deve ser proporcionado, podendo demonstrar-se com diversos atos.
A veracidade inclina a respeitar a verdade, como é justo que se faça na vida
humana e convívio necessário entre os homens, excluindo toda mentira (que em
nenhum caso é lícita), qualquer enganosa simulação, hipocrisia, jactância e ironia.
Todos estes vícios opõem-se à verdade.
Se bem é possível, e mesmo conveniente cingir-se ao menos, quando falamos de
nossa própria excelência ou virtude, a fim de não ser molestos com excesso de jactância, contudo, nem em tal caso é justo fingir
com mentira, atribuindo-se vício que não se tenha.
A vindicação é virtude que ensina a reparar, com alguma pena, o dano feito
a nós ou ao próximo. Difícil é a prática desta virtude entre os mortais que, ordinariamente, são movidos por imoderada ira ou
ódio fraterno, com que se vem a faltar à caridade e justiça. Quando, porém, não se
visa o dano alheio, senão o bem particular ou público, esta virtude não é pequena. Foi
praticada por Cristo, nosso Senhor, quando expulsou do templo os que o profanavam
com irreverência (Jo 2,15). Elias e Eliseu pediram fogo do céu para castigar alguns
pecados (4Rs 1,20). Nos provérbios se diz (Pr 13,24): quem poupa a vara, quer mal a seu filho.
A liberalidade orienta a distribuição do dinheiro ou coisas semelhantes, evitando declinar para os vícios da avareza
ou da prodigalidade.
A amizade ou afabilidade consiste no decente e conveniente modo de convívio e trato com todos, sem litígios ou
adulação, vícios contrários a esta virtude.

Gratidão e piedade em Maria Santíssima

565. Nenhuma de todas estas virtudes (e se houveram outras atribuídas
à justiça) faltaram à Rainha do céu. Teve as todas em hábito e praticou-as com atos
perfeitíssimos, segundo as ocasiões que ocorriam. Mestra e Senhora de toda santidade, a muitas almas instruiu e esclareceu,
para exercitá-las com perfeição.
A virtude da gratidão a Deus, exercitou-a com os atos de religião e culto
que dissemos, porque este é o mais excelente modo de agradecer. Como a dignidade
de Maria Puríssima, e sua correspondente santidade, se elevou acima de todo o entendimento criado, assim agradeceu esta
eminente Senhora, proporcionando-se ao benefício, quanto era possível à pura criatura.
Outro tanto fez pela virtude da piedade, com seus pais e com sua pátria,
conforme fica dito. Aos demais que lhe faziam qualquer benefício, agradecia a
humilíssima Imperatriz, como se nada lhe fora devido. Quando, por justiça, tudo se
lhe devia, era Ela que o agradecia com suma graça e favor.
Somente Ela, porém, soube dignamente e conseguiu dar graças, tanto
pelos agravos e ofensas, como por grandes benefícios. Sua incomparável humildade nunca se ofendia com as injúrias e por
todas se considerava obrigada. Não esquecendo os benefícios, nunca suspendia o agradecimento.

A verdade e vindicação (reclamar ou exigir a restituição)  em Maria Santíssima

566. Sobre a verdade em Maria Senhora nossa, tudo quanto se poderia
dizer seria pouco, pois quem foi tão superior ao demônio, pai da mentira, não pôde
ser atingida por tão desprezível vício.
A regra pela qual se deve medir essa virtude em nossa Rainha, é sua caridade e singeleza columbina, que excluem
qualquer duplicidade e falácia no trato com as criaturas. Como se poderia achar culpa
e dolo na boca daquela Senhora que, com uma palavra de verdadeira humildade,
atraiu ao seu seio Aquele que é a verdade e santidade por essência?
Da virtude chamada vindicação tampouco faltaram à Maria Santíssima
muitos atos perfeitíssimos. Não somente a ensinou nas ocasiões em que foi necessária, no princípio da igreja evangélica,
mas também a exercitou pessoalmente, zelando a honra do Altíssimo.
Procurava converter muitos pecadores por meio da correção, como fez
com Judas muitas vezes, ou mandava às criaturas - pois todas lhe eram submissas
- castigar alguns pecados para o bem dos que, cometendo-os, mereceriam eterno
castigo. Ainda que nestes atos fosse mansa e suavíssima, nem por isso perdoava o
castigo, quando era meio eficaz de reparar o pecado. Era porém, com o demônio, que
mais exercitava a vingança para livrar de sua servidão o gênero humano.

A liberalidade e a afabilidade em Maria Santíssima

567. Das virtudes da liberalidade e afabilidade praticou também a soberana
Rainha atos excelentíssimos. Sua generosidade em dar e distribuir era de suprema
Imperatriz da criação, e de quem sabia dar a digna estima ao visível e ao invisível.
Coisa alguma das que pôde distribuir liberalmente, julgou-a mais sua que do
próximo. Jamais as negou a ninguém, nem esperou que, constrangidos, as pedisse,
quando pôde se adiantar a lhas oferecer.
As necessidades e misérias dos pobres que remediou, os benefícios que lhes fez,
as misericórdias que espalhou, ainda em coisas temporais, nem em imenso volume
se podem descrever.
Sua cordial afabilidade com todas as criaturas foi singular e admirável. Se não
a controlasse com rara prudência, todo o mundo a seguiria, atraído por seu dulcíssimo trato, porquanto sua mansidão e
suavidade, temperada com divina severidade e sabedoria, davam-lhe uns visos de criatura sobre-humana.
Dispôs o Altíssimo esta graça em sua Esposa com tal providência que, deixando algumas vezes aos que com Ela
tratavam vislumbrarem o sacramento do Rei Nela encerrado, logo corria o véu e o
escondia, para permitir os sacrifícios e impedir os aplausos dos homens.
Tudo era menos de quanto se lhe devia, nem os mortais compreendiam como
reverenciar, sem exceder ou faltar, à criatura, Mãe do Criador. Isto seria compreendido
quando chegasse o tempo dos filhos da Igreja serem ilustrados com a fé cristã e católica.

A epiquéia (justiça, equidade, moderação.)

568. Para o exercício mais perfeito e adequado desta importante virtude da
justiça, indicam-lhe os doutores outra parte chamada epiquéia. Por ela regem-se
alguns atos que saem das regras e leis comuns, porquanto estas não bastam para
prevenir todos os casos e circunstâncias ocotrentes, sendo necessário, em algumas
ocasiões, agir por razões superiores e extraordinárias.
Desta virtude teve necessidade, e usou a Rainha soberana em muitos sucessos de sua vida santíssima, antes e
depois da ascensão de seu Filho Unigênito aos céus. Especialmente depois, para estabelecer a primitiva Igreja, como em seu
lugar direi , se for servido ao Altíssimo.

DOUTRINA DA RAINHA DO CÉU.

Justiça e gratidão

569. Minha filha, sobre a extensa virtude da justiça, ainda que aprendeste
muito do apreço que merece, ignoras a maior parte, em conseqüência do estado da
vida mortal. As palavras são incapazes de traduzir o que a inteligência compreende.
Apesar disto, no estudo desta virtude terás copiosa exortação para as relações que
deves ter com as criaturas, e como exercitar o culto do Altíssimo. Advirto-te, caríssima, que a suprema majestade do Todo-
-poderoso, justamente se indigna da ofensa dos mortais, que se esquecem da
veneração, adoração e reverência a Ele devidas. Quando alguma lhe dão, é tão
grosseira, distraída e descortês, que mais merecem castigo do que recompensa.
Aos príncipes e magnatas do mundo, profundamente reverenciam; pedem-lhes mercês, solicitando-as com meios
e diligências estudadas. Quando recebem o que desejam agradecem-lhes, dispondo se a lhes ser reconhecido por toda a vida.
O supremo Senhor, infinito e sumo bem, no entanto, lhes dá o ser, vida e
movimento, conserva-os e sustenta-os; remiu-os e elevou-os à dignidade de filhos,
e lhes quer dar sua mesma glória. A esta majestade, por não a verem com os olhos
corporais, esquecem-na como se de suas mãos não lhes viessem todos os bens e
contentam-se, quando muito, numa fria lembrança e apressado agradecimento.
Nem falo ainda dos que ofendem ao justíssimo Governador do universo; dos
que iniquamente quebram toda a ordem da justiça com o próximo. Pervertem toda a
razão natural e fazem a seus irmãos o que não quereriam para si mesmos.

Culto a Deus e justiça com o próximo

570. Detesta, minha filha, tão execráveis vícios, e, quanto estiver em tuas
forças, repara por tuas obras o que esta má correspondência recusa ao Altissímo
que por tua profissão já estás dedicada ao culto divino, seja esta tua principal ocupação e prazer, assemelhando-te aos seres
angélicos, incessantes no temor e culto do Senhor. Reverencia as coisas divinas e sagradas, até os ornamentos e vasos que servem a este ministério.
No ofício divino, oração e missa, procura estar sempre concentrada no mistério celebrado. Pede com fé e recebe com humilde gratidão, a qual
também deves mostrar a todas as criaturas mesmo quando te ofenderem. Com todos
mostra-te afável, simples e sincera, sem fingimento, duplicidade, detração ou murmuração, nem julgues levianamente a teu próximo.
Para cumprires com esta obrigação de justiça. conserva sempre. na memória e desejo, o propósito de fazer a teu próximo
o que quererias fosse feito para ti. Acima de tudo, lembra-te o que meu Filho Santíssimo,
e eu à sua imitação. fizemos por todos os homens.




LOUVOR MATUTINO

Chegada, no entanto, a manhã, a manhã, antes de raiar o dia, à hora destinada ao cântico dos louvores divinos, em união  á minha dileta Mãe e a seu esposo José, adorei o Pai.  Tendo pedido seu auxílio para aquele exercício, começamos a louvá-lo. Parece que seria supérfluo pedir ajuda ao Pai para aquele exercício, visto que eu não sou sujeito a distrações, ou ao que impeça louvá-lo com toda a perfeição; igualmente minha Mãe, por ser isenta de culpa e José, por ser tão santo e perfeito. Todavia no princípio de cada ação, sempre unidos pedíamos ao Pai ajuda e favor. Eu naquele ato, não pedia só por mim, mas também por todos os meus irmãos e principalmente por aqueles que deixam de fazê-lo. Oferecia-o depois ao Pai em nome de todos, para que ficasse satisfeito em relação a todos. Fazia-o ainda, porque tendo vindo ao mundo para ensinar aos irmãos o modo com o qual devem se portar relativamente ao Pai e como viverem para agradar-lhe, e cumprir a sua vontade, quis em todas as  minhas obras deixar-lhes exemplo vivo e perfeito, e por isto, antes de cada obra preparava-me pedindo ao Pai o seu favor, embora não tivesse tal necessidade por estar unido inseparavelmente à pessoa do Verbo, Deus, em tudo igual ao Pai.

Fazia, porém, estes atos, por serem do gosto de meu Pai, e depois para satisfazer pela obrigação de meus irmãos e ensinar-Ihes a fazerem suplicas sem omiti-las, por mais que se julguem santos e perfeitos porque não existe alguém, por santo e perfeito que não tenha em todas as ações e operações, grande necessidade do auxilio e favor do Pai, especialmente nas coisas relativas ao culto, a fim de realiza-las conforme devem e são obrigados, e com a perfeição requerida pelo Pai. Terminados os louvores divinos, demos graças ao Pai. Em seguida, eu Ihos ofereci, como costumava fazer sempre, por parte de todos os meus irmãos, agradecendo-Ihe ainda em nome de todos e rogando desse-Ihes Iuz para conhecerem a grande graça que Ihes faz ao comprazer-se em ser louvado por eles, no intuito de que ofertem os louvores ao Pai e agradeçam-lhe pelos favores concedidos. Ao ver que muitos nisto falhariam, parecendo-lhes fazer ao Pai grande favor, enquanto, na verdade, o favor Ihes é feito a eles, agradecia em seu lugar, e pedia ao Pai iluminasse-os para que o conhecessem. Estes atos apraziam muito ao Pai, que me prometia dar a todos a Iuz por mim suplicada, como de fato o vai realizando. Ele a concede a cada um, embora não penetre na mente de muitos, porque estão mergulhados nas trevas, que impedem tal efeito, assim como as nuvens impedem que os raios do sol penetrem bem onde elas se estendem. Grande pesar sentia por causa destes espíritos tão obcecados. Por eles suplicava muito ao Pai se dignasse projetar-Ihes na mente as mais poderosas luzes, as quais, dissipando-Ihes a cegueira, produzissem efeitos divinos. Tanto pedi que obtinha o que almejava, se não para todos, ao menos para muitos. Delas eram privados os que não Ihes davam importância e não queriam prevalecer-se delas. Em todos os atos e súplicas ao Pai, em vista de obter favores e graças para os meus irmãos, embora alcançasse o que almejava e encontrasse o Pai disposto a conceder-me tudo, sempre restava algum pesar por ver a vontade perversa de alguns, que jamais se renderiam à graça divina, e sempre resistiriam as suas luzes, querendo permanecer na cegueira e na obstinação. Oh! quanto esses tais me traspassaram Coração! Meu Coração estava desejoso da salvação de todos e de que todos servissem e amassem o Pai como deviam. Vendo-me desenganado em relação a este desejo, por causa da dureza deles, sofria continua dor.

A BENÇÃO

Terminados todos esses atos, à hora da partida, genuflexo em terra, pedia benção a meu Pai. O mesmo fizeram a querida Mãe e José. Obtida a benção do Pai com toda a plenitude, supliquei-a também à minha querida Mãe e a São José. Apesar de relutantes, abençoaram-me com grande amor, cumprindo a vontade do Pai, que determinou fosse-Ihes eu submisso. Na ocasião da benção que deram, roguei ao Pai comunicasse-Ihes vivo desejo de que eu fosse por todos conhecido e honrado como Filho de Deus e por meu intermédio as divinas misericórdias se manifestassem ao mundo. Meu Pai, de fato, o fez e eles, ao dar-me a benção exprimiram-me seu vivo desejo, qual me foi muito agradável; muito mais do que a Jacó a benção de Isaac, seu pai, pois aquela tendia vantagem e esta tendia inteiramente somente a glória de meu Pai e ao bem de meus próprio irmãos. Quis esta benção de modo particular, porque devia começar pela primeira vez a ficar em público e a manifestar a obra do Pai. Quis realizá-lo com todas as circunstâncias requeridas, dando exemplo a todos aqueles que hão de manifestar ao mundo a palavra divina, de pedirem antes a benção a meu Pai. Procurem entender a divina vontade, fazendo além disso muitas orações prévias, em vista de obterem o favor divino. Alcançado esse, devem ainda obter a benção e o beneplácito dos superiores e daquele que os governa, a fim de que a palavra que hão de manifestar produza próprio efeito. Então fiz todos esses atos, não só por mim, mas por todos aqueles que nisto se empenhariam, e em suplência por todos os que omitiriam, impetrando-Ihes do Pai a graça necessária para assim agirem. Obtida a benção, abençoei a ambos, em nome do Pai, impetrando auxílio e graça para aquela viagem e fortaleza em sofrerem as tribulações preparadas para eles. Mostrei-me assim ser-Ihes afeiçoado, reconhecendo os serviços que deles recebia. Ofereci esta gratidão ao Pai, em desconto de muitas ingratidões dos filhos para com seus genitores. Depois que estes muito se afadigaram e esgotaram para criá-los, são pagos pelos mesmos com ingratidões e desprezos.

Sentia a este respeito muita pena e mais ainda porque desagradam muito a meu Pai, transgredindo o seu preceito. Por esta razão, oferecia-Ihe frequentemente a minha gratidão, obediência e submissão em desconto por eles. Com isso, o Pai muito se aplacava. Do contrario, teria castigado severamente ainda em vida a esses tais, porque com rigor de justiça reclama de todos os filhos a honra e o respeito aos progenitores, e a submissão a pessoa deles, principalmente quando não ordenam coisas opostas a vontade de meu Pai. Então, é certo que não são obrigados a obedecer, se eles ordenarem coisas contrárias a vontade divina e ofensivas a Ele. Vi então, como nesta questão se desviavam do mandamento divino tanto os pais como os filhos. Ao verificar tamanha desordem, tantos erros, e como neste ponto se caminha de modo tão diversa da ordem estabelecida por meu Pai, senti imenso pesar. Via todas essas desordens como uma corrente sem barragem, e muito me afligia por tanta confusão. Suplicava ao Pai, pedindo misericórdia e piedade para cada um. O Pai se demonstrava a respeito disso muito irado e prestes a castigá-los. Com novas súplicas e novas ofertas tanto fazia que se aplacava. Quantas graças, depois de vê-lo aplacado, obtinha para todos! Em seguida, via em muitos deles os efeitos pelos quais ansiava, e rendia graças depois ao Pai, também por parte de todos aqueles que aproveitariam suas misericórdias. Ao Pai agradaram muito meus agradecimentos. Aplacava-se e safisfazia-se.

A PARTIDA. ALEGRIAS

Havendo obtido do Pai quanto desejava e feito os costumeiros atos, unido à querida Mae e a São José, dirigi-me a Jerusalém para ir ao Templo. Andava no meio deles no caminho, ia no meio, para que cada um fruísse de minha presença e proximidade,  pois enquanto filho muito amado, não podiam suportar que me distanciasse deles. Ainda, porque aquele lugar competia-me qual Filho de Deus. Ocupando o meio, demonstrava que os dois se ocupavam de minha pessoa. Era muito grande o jubilo de seus corações ao ver-me entre eles. Prosseguia com majestade e simultaneamente com grande jovialidade e amor,  nesta viagem mais do que as outras,  pois deviam sofrer depois dor tão intensa por causa de minha perda. Não experimentavam tédio ou cansaço naquela caminhada por terem consigo aquele que os consolava plenamente. Eram levados mais pelas asas do amor do que pelos passos. Alegrava-me, também eu, em vista de seu consolo. O prazer deles era pleno, porque não sabiam o que devia se seguir, meu era misturado de dor, pela tribulação que em breve deviam suportar. Amando-os muito, assaz me afligia a sua tribulação. Prosseguíamos no entanto os três com grande alegria. Mas, eu alegrava-me muito porque ia ao Templo por uma finalidade muito mais nobre do que a deles,  no intuito de manifestar as misericórdias do Pai e tornar conhecida minha vinda ao mundo, enquanto eles iam só para cumprir a obrigação, adorar o Pai e oferecer-se a Ele.

Este fim, tinha-o também eu. Mas além desse, possuía ainda outra finalidade mais nobre, como já disse, e, portanto, motivo de maior alegria. Nesta caminhada, por conseguinte, oferecia ao Pai meu regozijo e as finalidades pelas quais ia ao Templo, em suplemento por aqueles que se dirigem, por finalidades tão diversas, aos templos que Ihe são dedicados, e onde tenho meu trono, com tamanha majestade. Via naquela viagem todos os meus irmãos e conhecia a maneira de cada um se portar, quando se dirigisse a casa de meu Pai para adora-lo. Vi todos os defeitos e as faltas que cometeriam pelo caminho. Vi terem fins muito diferentes daqueles que deveriam possuir. Vi a pouca devoção e compostura com os quais se encaminham para a casa de Deus. Senti grande confusão neste particular por causa deles. Em verdade, não ousava voltar-me ao Pai para pedir-Ihe perdão em nome de todos. Vi que muitas e muitos, ao invés de irem em minha companhia, levando-me no coração, iriam acompanhados dos inimigos infernais, e em vez de tencionarem oferecer-se ao Pai e adorá-lo, ofertar-se-iam ao inimigo, adorá-lo-iam, prestar-lhe-iam culto e lhe dariam satisfação. Apesar de toda a minha confusão, não deixei de voltar o olhar ao Pai e com todo o afeto suplicara e perdão, em favor de cada um em particular, segundo a necessidade de cada qual. Ofereci ao Pai, em nome de todos, os fins tão nobres que me propunha ao encaminhar-me para o Templo, o amor com o qual para lá me dirigia, a preparação que fizera antes de empreender a caminhada. Vendo que o Pai tinha muito gosto nestas minhas ofertas e nas minhas obras, tão perfeitas em tudo, pedi-Ihe se dignasse recebe-las em suplência das faltas de meus irmãos. O Pai amoroso aceitava-as com grande amor. Em verdade, demonstrava-se como Deus das misericórdias em tudo e por tudo. Agradecia-lhe, pois, essas ocasiões, nas quais patenteava sobretudo sua misericórdia. Agradecia-lhe pela misericórdia que usava e em seguida agradecia-lhe por me haver mandado ao mundo, onde podia dar-lhe plena satisfação pelas culpas de todo o gênero humano eu haver mandado ao mundo, onde podia depois de todo o gênero humano. De outra maneira, não teria existido quem por grande santo que fosse, pudesse dar ao Pai satisfação proporcional  à gravidade e a multidão inumerável  das culpas cometidas pelas criaturas em todas as ocasiões. Só um mérito infinito seria bastante para satisfazer por elas e aplacar Pai irado. Tao grande é o numero das culpas, e tamanha a sua deformidade e malícia, que frequentemente sentia-me repleto de confusão e não ousava apresentar-me ao Pai para pedir-Ihe perdão.

Fazia-o, contudo, reconhecendo meu merecimento infinito, por estar unido ao Verbo. Oferecendo ao Pai meu mérito e as minhas obras, dava-lhe satisfação superabundante, por ser, enquanto Verbo, Deus igual a Ele, e de merecimento infinito.  Feitas estas ofertas, pedia concedesse todos os meus irmãos verdadeiro sentimento de amor, na caminhada que fazem a seu Templo, e luzes particulares para conhecerem a maneira de se portarem; isto é, indo para lá com devidas disposições e reverência, sejam-Ihe agradáveis os passos que dão, e em consequência, sejam também premiados. O Pai é tão liberal para com seus servidores que não se premeia os passos dados por sua glória, mais até os respiros da criatura, ao agirem por sua glória. Senão, há de perecer um só cabelo de quem o serve, isto e, um só pensamento, muito menos respiro será debalde, não recompensado. O Pai atendeu-me nisto e vi naquele instante todas as graças, as luzes, os bons sentimentos que daria a cada um. Como eram em grande abundância, muito me regozijei e agradeci por parte de todos. Este regozijo, porém, foi muito amargurado, porque vi também que quase todos os meus irmãos abusariam de tanta graça e bem poucos seriam os que aproveitariam as luzes, inspirações e bons sentimentos que meu Pai Ihes comunicaria. Ao ver que a maioria deles tudo desprezaria e sem dar-Ihes importância alguma, teriam seguido antes as sugestões dos inimigos infernais, que com todo o seu poder nisto se empenham, para privarem meu Pai daquela glória e as criaturas de tantos bens, senti sumo desgosto, que me feria o Coração e voltei-me para o Pai, exclamando: "Pai amantíssimo, tende piedade de todas estas criaturas tão enganadas e assediadas por seus inimigos! Concedei-lhes maior graça, luzes mais potentes e sentimentos mais fortes! Recordai-vos de que são obra e produto de vossas mãos e assim por meu amor. tende piedade delas!" O querido Pai movia-se à compaixão e fazia-me ver as novas e maiores graças que Ihes concedia por meu amor e por minhas suplicas. Por isso, muito lhe agradecia, o engrandecia e louvava, considerando feito a mim mesmo o que Ele fazia a meus irmãos, uma vez que tudo fazia por amor, e por ter eu por isso rezado.


12-44
Abril 25, 1918

Jesus brinca com Luisa2
.

(1) Estava a dizer ao meu doce Jesus: "Vida minha, que má (cattiva) sou, mas embora seja má
(cattiva), sei que Tu me amas muito". E meu amado Jesus me disse:
(2) "Conquistadora (cattivella) minha, certamente que és cativante (cattiva), conquistaste
(cattivato) a minha Vontade. Se conquistaste (cattivavi) o meu amor, a minha potência, a minha
sabedoria, etc., conquistaste (cattivavi) parte de Mim, mas com conquistar (cattivare) a minha
Vontade, conquistaste (cattivato) toda a substância do meu Ser, que coroa todas as minhas
qualidades, por isso levaste-me a tudo Eu mesmo. Eis por que te falo freqüentemente não só de
minha Vontade, mas do viver em meu Querer, porque tendo conquistado-o (cattivato), quero
que conheça dele suas qualidades e o modo de como viver em meu Querer, para poder fazer
junto Comigo vida comum e inseparável, e revelar-te os segredos do meu Querer. Poderia ser
mais conquistadora (cattiva)?"
(3) E eu: "Meu Jesus, zomba de mim; eu quero te dizer que de verdade sou má (cattiva) e que
me ajude para poder me tornar boa".
(4) E Jesus: "Sim, sim".
(5) E desapareceu.

12-45
Maio 7, 1918

A Divina Vontade tritura o humano.

(1) Continuando meu estado habitual, meu doce Jesus me disse:

Para entender este capítulo, é necessário saber que em Italiano a palavra "cattiva" quer dizer má, cativante, ou
alguém que conquista algo ou alguém (fazer refém alguém). Por isso nosso Senhor joga com esta palavra à que
Luisa lhe dá o valor de "má"

(2) "Minha filha, se não me vês como de costume por alguns dias, não te aflijas, os males
aumentarão e Céu e terra se unirão para golpear o homem, e não quero te afligir com te fazer
ver tantos males".
(3) E eu: "Ah meu Jesus! a maior pena para mim é a tua privação, é morte sem morte, pena
indescritível e sem termo, Jesus, Jesus, o que dizes? Eu sem Ti? Sem vida? Espera Jesus, não
me digas mais".
(4) E Jesus acrescentou: "Minha filha, não te assustes, não te disse que não deva vir de todo,
senão que não será freqüentemente, e para não te preocupar te disse primeiro. Minha Vontade
suprirá a tudo, porque o humano em minha Vontade fica triturado, e Eu extraio a flor, o fruto, o
trabalho de meu Querer, e o ponho junto Comigo a fazer vida comum, e o humano como
bagaço fica separado e fica fora, por isso deixa que a máquina da minha Vontade te triture bem,
bem, para fazer que nada de humano fique em ti".

13-41
Dezembro 15, 1921

Somente os atos feitos no Divino Querer se restituem ao princípio onde a alma foi criada, 
e tomam vida no âmbito da eternidade.

(1) Encontrando-me em meu estado habitual, meu sempre amável Jesus ao vir me disse:
(2) "Minha filha, reordene-se em Mim, mas sabe como pode reordenar-se em Mim? Fundindo-te
inteiramente em meu Querer; mesmo o respiro, o batimento cardíaco, o ar que respiras, não
devem ser outra coisa que fusão em meu Querer, assim entra a ordem entre Criador e criatura
e esta retorna ao princípio de onde saiu. Todas as coisas estão em ordem, têm seu lugar de
honra, são perfeitas, quando não se afastam do princípio de onde saíram; separadas deste
princípio, tudo é desordem, desonra e imperfeição. Somente os atos feitos em meu Querer se
restituem no princípio onde a alma foi criada, e tomam vida no âmbito da eternidade, levando a
seu Criador as homenagens divinas, a glória de seu próprio Querer, todos os demais atos ficam
no baixo, esperando a última hora da vida para sofrer cada um seu juízo e a pena que merece,
porque não há ato feito fora de minha Vontade, mesmo bom, que possa dizer-se puro, somente
não ter por objeto a minha Vontade é lançar lodo sobre as obras mais belas, e além disso, com
só separar-se de seu principio merece uma pena. A Criação saiu sobre as asas de meu Querer,
e sobre as mesmas asas gostaria que retornasse a Mim, mas em vão a espero, eis por que
tudo é desordem e confusão. Por isso vem no meu Querer, para me dar em nome de todos a
reparação de tanta desordem".

14-45
Julho 24, 1922

Vínculos entre Jesus e todas as almas. Correspondência à Graça.

(1) Continuando o meu estado habitual, o meu sempre amável Jesus veio com uma majestade
e amor encantadores e fez-me ver todas as gerações, do primeiro ao último homem, cada um
dos quais estava vinculado e atado juntamente com o meu doce Jesus,e era tanta a união, que
parecia que Jesus se multiplicava para cada uma das criaturas, de modo que cada um tinha
tudo para si, e que Jesus dava a sua Vida para sofrer qualquer pena e morte que cada uma
devia sofrer, para poder dizer ao Pai Celestial: "Meu pai, em cada criatura terás outros tantos
Eu mesmo que te darão por cada uma o que cada uma te deve". Enquanto via isto, o meu doce
Jesus disse-me:
(2) "Minha filha, também tu queres aceitar o vínculo de cada ser, a fim de que entre Eu e tu não
haja nenhuma diferença?"
(3) Eu não sei como sentia como se o peso de todos se apoiasse sobre minhas costas, via
minha indignidade e debilidade, e sentia tal repugnância que me sentia aniquilar, tanto que o
bendito Jesus tendo compaixão de mim me tomou entre seus braços e me estreitou a seu
coração, fazendo-me pôr a boca na ferida que o atravessava dizendo-me:

(4) "Bebe minha filha o sangue que brota desta ferida para receber a força que te falta, ânimo,
não temas, Eu estarei contigo, dividiremos juntos todo o peso, o trabalho, as penas e as mortes,
por isso te digo, sê atenta e fiel, porque minha Graça quer correspondência, caso contrário, não
é preciso nada para descer. O que é preciso para abrir e fechar os olhos? Não se necessita
nada, porém que grande bem leva tê-los abertos, e que grande mal em tê-los fechados, com tê-
los abertos os olhos se enchem de luz, de sol; com esta luz a mão pode obrar, o pé caminhar
seguro e sem tropeçar, distingue os objetos, se são bons ou maus, reordena as coisas, lê,
escreve; agora, o que é preciso para perder todo este bem? Fechar os olhos, então a mão não
pode obrar, o pé não pode caminhar e se caminha está sujeito a tropeçar, não distingue mais os
objetos, se reduz à inabilidade. Tal é a correspondência, não é outra coisa que abrir os olhos da
alma, e assim que os abre se faz luz na mente, minha imagem se reflete em tudo o que vai
fazendo, me copiando fielmente, de maneira que não faz outra coisa que receber contínua luz
de Mim, tanto que transforma todo o seu ser em luz. Em troca, a incorrespondência lança a
alma nas trevas e a torna inativa".

16-49
Fevereiro 20, 1924

Se outras almas antes de Luisa tivessem vivido na Divina Vontade, Jesus teria feito uso de sua Potência para fazer transparecer fora o
modo sublime de viver em seu Querer. Viver no Divino Querer significa uma troca contínua de vontade humana e Divina.

(1) De tudo o que o meu doce Jesus me disse sobre o seu Santíssimo Querer, estava a pensar entre mim:
"Pode ser possível que não tenha havido antes uma alma que tenha vivido no Divino Querer,
e que eu seja a primeira? Quem sabe quantas outras houve antes de mim e em modo mais
perfeito e mais ativo que eu". E enquanto isso dizia, meu sempre amável Jesus Mexeu-se dentro
de mim e disse:
(2) "Minha filha, porque não queres reconhecer o dom, a graça, a tua missão de ter sido modo todo
especial e novo para viver no meu Querer? Se tivesse havido outras almas em minha Igreja antes
de você, sendo o viver em meu querer a coisa mais importante, a que mais me interessa e que tanto
me pressiona, já estariam os traços, as normas, os ensinamentos em minha Igreja de quem tivesse
tido a sorte de fazer vida em minha Vontade, já estariam os conhecimento, os incentivos, os efeitos,
os bens que contém este viver no meu Querer. Se tivesse havido outras manifestações já teria feito
Eu uso de minha potência, fazendo translúcir fora o modo sublime do viver em meu Querer;
em vista de minha grande complacência e ao me ver honrado pela alma com a glória de minha
mesma Vontade, teria posto em tais apuros para aquela alma, que não poderia ter resistido em
manifestar o que Eu queria, e assim como estão os ditos e os ensinamentos do viver resignado,
paciente, obediente, etc., estaria também isto de viver no meu Querer; seria verdadeiramente estranho
que a coisa que mais amo a devesse ter oculta; e mais, quanto mais você ama uma coisa,
mais você quer torná-la conhecida; Quanto mais complacência e glória me dá um modo de viver,
mais quero difundi-lo. Não é natureza do amor verdadeiro esconder o que pode fazer os outros felizes
e enriquecer. Se você soubesse como suspirava este tempo em que viria à luz minha pequena
recém-nascida em Minha vontade, para te fazer viver em meu Querer, e que cortejo de graça preparava
para obter o tentativa, você ficaria atordoada e me estaria mais agradecida e mais atenta.

Ah, você não sabe o que significa viver em meu Querer! Significa fazer-me retornar as puras alegrias
da finalidade da Criação, meus inocentes entretenimentos do por que criei o homem; significa
tirar-me toda a amargura que a pérfida vontade humana me deu quase ao nascer da Criação; significa
um intercâmbio contínuo de vontade humana e Divina, e a alma, temendo a sua, vive de a
minha, e esta Minha Vontade vai enchendo a alma de gozos, de amor e de bens infinitos. Oh, como
me sinto feliz ao poder dar o que quero a esta alma, porque minha Vontade contém amplitude
tal de poder receber tudo! Assim que entre Eu e ela não há mais divisões, senão estável união de
agir, de pensar, de amar, porque a minha Vontade a supre em tudo, por isso estamos em acordo
perfeito e em comunidade de bens. Tinha sido esta a finalidade da criação do homem, fazê-lo viver
como nosso filho e colocar em comum com ele nossos bens, a fim de que Ele fosse feliz em tudo e
Nós ficássemos satisfeitos por sua felicidade.

(3) Agora, viver no meu Querer é precisamente isto: é fazer-nos restituir a finalidade, os gozos e as
festas da Criação, e você diz que devia tê-lo escondido em minha Igreja, sem fazê-lo sair? Teria
movido Céu e terra, teria aquecido os ânimos por uma força irresistível para fazer conhecer o que
será cumprimento da Criação. Vês o quanto me interessa este viver em meu Querer, que põe o
selo a todas minhas obras para que todas estejam Completas? A ti talvez te pareça nada, ou que já
haja coisas semelhantes na minha Igreja, não, não, para Mim em vez disso é o cumprimento de
minhas obras, e como tal deve apreciá-lo e ser mais atenta em cumprir a missão que quero de ti".

17-47
Junho 11, 1925

O mal de não fazer a Divina Vontade é irreparável. Assim como a
Divina Vontade é o equilíbrio dos atributos de Deus, assim deveria ser o equilíbrio dos atributos do homem.

(1) Minha pobre mente me sentia submersa na Santíssima Vontade de Deus. ¡ Oh, como teria
querido que nem sequer um respiro, um batimento, um movimento fizesse eu fora do Querer
Supremo! Parecia-me que tudo o que se faz fora da Vontade de Deus nos faz perder nova beleza,
nova graça e luz, e nos põe como em desacordo com o nosso Criador, enquanto Jesus quer que
em tudo nos assemelhemos ao nosso Supremo Criador. E em que outro modo mais fácil podemos
nos assemelhar, que receber em nós a Vida contínua de sua Santíssima Vontade? Ela nos traz os
reflexos, os lineamentos de nosso Pai Celestial, nos mantém íntegra a finalidade da Criação, nos
circunda em modo de conservar-nos belos e santos tal como Deus nos criou, e nos dá aquilo
sempre novo de beleza, de luz, de amor jamais interrompido que só em Deus se encontra. Agora,
enquanto minha mente se perdia no Querer Eterno, meu doce Jesus, estreitando-me a Ele, com
voz audível me disse:.

(2) "Minha filha, não há nada que possa igualar o grande mal de não fazer minha Vontade, não há
bem que possa igualá-lo, não há virtude que possa lhe fazer frente, assim que o bem que se perde
com não fazer minha Vontade é irreparável, e só com voltar de novo nela pode encontrar remédio,
e serem restituídos os bens que a nossa Vontade tinha estabelecido dar à criatura. Em vão se
iludem as criaturas com fazer outras obras, virtudes, sacrifícios, pois se não são partos de minha
Vontade e feitos só para cumpri-la, não são reconhecidas por Mim; muito mais porque está
estabelecido o dar a graça, os auxílios, a luz, os bens e o justo prêmio a quem obra para cumprir
minha Vontade. Além disso, minha Vontade é eterna, não tem princípio nem terá fim, E quem pode
calcular um ato feito em minha Vontade, sem princípio e sem fim? Esse ato fica circundado, cheio
de bens sem fim; tal qual é a minha Vontade, tal faz o ato. Mas as virtudes, as obras e sacrifícios
sem a minha Vontade têm um princípio, como também um fim; que grande coisa de prêmio podem
receber coisas sujeitas a perecer?

Além disso, minha Vontade é o equilíbrio de meus atributos: Se
minha potência não tivesse esta Vontade Santa, manifestar-se-ia em tirania para com quem tanto
me ofende, ao contrário equilibrando minha potência, faz-me derramar graças onde deveria
derramar furor e destruição. Minha sabedoria, se não fosse por Minha Vontade que lhe dá vida
sempre nova, não manifestaria tanto arte e maestria em nossas obras. Nossa beleza seria
desbotada e sem atrativo se não fosse sustentada por esta Vontade eterna. A Misericórdia se
tornaria fraqueza se não estivesse equilibrada por minha Vontade, e assim por todo o resto de
nossos atributos. Agora, nossa Paterna Bondade tem tanto amor pelas criaturas, que tem
estabelecido o equilíbrio do homem em nossa Vontade; era justo que tendo saído este homem da
Vontade Suprema, ela se fizesse vida que mantivesse o equilíbrio a todo o obrar do homem,
dando-lhe a semelhança de seu Criador, assim que se devia ver nele tal dignidade, majestade,
ordem no agir, para reconhecê-lo como parto de seu Criador. Então, também pelo obrar se pode
ver se está o equilíbrio da minha Vontade, ou bem o da humana. Esta é a causa de tantas obras,
talvez até boas, mas que não se vê o equilíbrio, o regime, a ordem, porque falta a execução de
minha Vontade, e por isso em vez de se admirar são de lamentar, e em lugar de dar luz dão trevas.
“Se todo o bem vem de minha Vontade, sem Ela são bens aparentes, sem vida, e talvez até
venenosos, que envenenam a quem tomam parte".

19-41 Julho 26, 1926

Quatro graus que há no Supremo Querer.

(1) Continuo o meu habitual abandono no Supremo Querer, e meu amável Jesus ao vir me disse:.
(2) "Minha filha, a luz do sol não é gozada por todos na mesma medida, não por parte do sol,
porque minhas obras contendo o bem universal fazem o bem a todos, sem restrição alguma, mas
por parte das criaturas. Suponha que uma pessoa esteja em seu quarto, esta não goza toda a
vivacidade da luz, e se goza de uma luz fraca, não goza seu calor; em troca outra pessoa está fora
da cidade, esta goza mais luz, sente o calor do sol; o calor purifica, desinfecta o ar pútrido, e ao
gozar o ar purificado se revigora e se sente mais sã, assim que a segunda goza de mais os bens
que leva o sol à terra. Mas segue adiante, uma terceira pessoa vai se meter naquele ponto onde os
raios solares golpeiam com mais força a superfície da terra, esta se sente investida por seus raios,
se sente queimar pelo calor do sol, a vivacidade de sua luz é tanta, que enchendo o olho dela
dificilmente pode olhar a terra, parece como transfundida na mesma luz, mas como apóia os pés
sobre a terra, muito pouco sente dela, de si mesma, mas vive toda para o sol.

Veja que grande diferença há entre a primeira, a segunda e a terceira, mas segue adiante ainda, uma quarta
empreende o vôo nos raios solares, eleva-se até o centro de sua esfera, esta fica queimada pela
intensidade do calor que o sol contém em seu centro, a intensidade da luz a eclipsa totalmente de
modo que fica perdida, consumida no mesmo sol, esta quarta pessoa não pode olhar mais a terra,
nem pensar em si mesma, e se olhar, olhará luz, sentirá fogo, assim que para ela todas as coisas
terminaram, a luz e o calor substituíram-se a sua vida; que grande diferença entre a terceira e a
quarta! Mas toda esta diversidade não é por parte do sol, mas por parte das criaturas, dependendo
de como se exponham à luz do sol. Agora, o sol é a imagem de minha Vontade, que mais do que
sol, como dardos envia seus raios para converter aqueles que querem viver em seu Reino em luz e
amor. A imagem destas pessoas são os quatro graus de viver em minha Vontade: A primeira pode-
se dizer que não vive em seu Reino, senão somente à luz que de meu Reino expande a todos o

Sol de meu Querer, pode-se dizer que está fora de seus confins, e se goza de uma pouca luz é
pela natureza da luz que se expande onde quer que ela esteja; a natureza desta criatura, as suas
fraquezas e paixões, formam-na como um quarto ao seu redor e formam o ar infectado e pútrido, o
qual, ao respirá-lo, a faz viver enferma e sem vivacidade de força no fazer o bem, mas com tudo e
isto está resignada, suporta mais ou menos os encontros da vida, porque a luz da minha Vontade,
por quanto escassa seja, leva sempre o seu bem. A segunda é a imagem de quem entrou nos
primeiros passos dos confins do Reino do Supremo Querer, esta goza não só mais luz, mas goza
também o calor, portanto o ar que respira é puro, e respirá-lo se sente morrer as paixões, é
constante no bem, suporta as cruzes não só com paciência, mas com amor, mas como está nos
primeiros passos dos confins, olha a terra, sente o peso da natureza humana.

Ao contrário a terceira, sendo a imagem de quem se adentrou nos confins deste Reino, é tal e tanta a luz que lhe
faz esquecer tudo, não sente mais nada de si mesma, o bem, as virtudes, as cruzes, se mudam em
natureza; a luz a eclipsa, a transforma e apenas lhe deixa olhar de longe o que a ela não pertence
mais. A quarta é a mais feliz, porque é a imagem de quem não só vive em meu Reino, senão de
quem fez aquisição dele, esta sofre a consumação total no Sol Supremo de meu Querer, o eclipse
que lhe faz a luz é tão denso que ela mesma se torna luz e calor, não pode olhar outra coisa que
luz e fogo, e todas as coisas se convertem para ela em luz e amor. Assim, haverá uma diferença de
graus no reino da minha Vontade, de acordo com o qual as criaturas vão querer tomar de seus
bens, mas os primeiros graus serão empurrões e caminhos para chegar ao último. “Agora, para ti
que o deves fazer conhecer, é totalmente necessário que vivas no último grau".

20-44
Janeiro 1, 1927

A vontade da alma como presente de ano novo para o menino Jesus. Como toda sua vida foi símbolo e chamada da Vontade Divina.
Como o meio para apressar o Reino de sua Vontade são os conhecimentos.

(1) (Estava a meditar sobre o ano velho que chegava ao fim e sobre o novo que surgia)
(2) Meu estado continua no voo da luz do Querer Divino e rogava ao gracioso Menino que assim
como morria o ano velho, sem renascer mais, assim fizesse morrer minha vontade sem fazê-la
reviver mais, e que como presente de ano novo me desse sua Vontade assim como eu lhe fazia o
dom, como presente, da minha, para a pôr como escabelo aos seus ternos pezinhos, a fim de que
não tivesse outra vida senão a sua Vontade. Agora, enquanto isto e outras coisas dizia, meu doce
Jesus saiu de dentro de mim e me disse:

(3) "Filha do meu Querer, como amo, quero, desejo que teu querer tenha fim em ti. Oh! como
aceito seu presente de fim de ano, como me será agradável tê-la como suave banco a meus pés,
porque a vontade humana enquanto está na criatura, fora do seu centro que é Deus, é dura, mas
quando regressa ao seu centro de onde saiu e serve como banco aos pés do teu Menino Jesus,
torna-se branda e me serve para entreter, não é justo que sendo eu pequeno tenha uma diversão,
e no meio de tantas dores, privações e lágrimas tenha sua vontade que me faça sorrir? Agora, tu
deves saber que quem põe fim à sua vontade, regressa ao seu princípio, de onde saiu, e começa
nela a vida nova, a vida de luz, a vida perene da minha Vontade.

Olha, quando eu vim para a Terra eu quis dar muitos exemplos e semelhanças de como eu queria que a vontade humana terminasse:
Eu quis nascer à meia-noite para dividir a noite da vontade humana com o dia brilhante da minha, e
se bem que à meia noite a noite segue, não termina, mas é princípio de um novo dia, e meus anjos
para fazer honra a meu nascimento e para indicar a todos o dia de minha Vontade, encheram de
alegria e felicidade, de meia noite em diante, na abóbada dos céus, novas estrelas, novos sóis, até
fazer mudar a noite em dia, era a homenagem que os anjos davam à minha pequena Humanidade,
onde residia o pleno dia do Sol da minha Vontade Divina e a chamada à criatura ao pleno dia dela.
Pequeno ainda me submeti ao duríssimo corte da circuncisão, que me fez verter pela dor amargas
lágrimas, não só a Mim, mas também junto Comigo choraram minha Mãe e o amado São José; era
o corte que Eu queria dar à vontade humana, a fim de que naquele corte fizessem correr a Vontade
Divina para que não tivesse mais vida uma vontade dividida, mas sim só a minha, que tinha corrido
naquele corte a fim de que começasse novamente sua Vida.

Pequeno ainda quis fugir para o Egito, uma vontade tirana, iníqua, queria me assassinar, símbolo da vontade humana que quer matar a
minha, e Eu fugi para dizer a todos: „Fujam da vontade humana se não querem que seja
assassinada a minha.‟ Toda minha vida não foi outra coisa que a chamada da Vontade Divina na
humana. No Egito vivia como um estranho no meio daquele povo, símbolo da minha Vontade, que
a têm como estranha no meio deles, e símbolo de que quem quer viver em paz e unido com a
minha, deve viver como estranho à vontade humana, de outra maneira haverá sempre guerra entre
uma e a outra, são duas vontades irreconciliáveis. Depois de meu exílio voltei a minha pátria,
símbolo de minha Vontade que depois de seu longo exílio de séculos e séculos voltará a sua
amada pátria no meio de seus filhos para reinar, e à medida que Eu passava estas circunstâncias
em minha Vida, assim formava seu Reino em Mim e a chamava com orações incessantes, com
penas e lágrimas a vir a reinar no meio das criaturas. Regressei à minha pátria e vivi escondido e
desconhecido, oh! como isto simboliza a dor de minha Vontade, que enquanto vive no meio dos
povos, vive desconhecida e escondida, e Eu implorava com meu ocultamento que a Suprema
Vontade fosse conhecida, a fim de que recebesse a homenagem e a glória a Ela devidos. Não

houve coisa feita por Mim que não simbolizasse uma dor de Minha Vontade, a condição na qual as
criaturas a colocam e um chamado que Eu fazia para restituir-lhe seu Reino. E isto quero que seja
a tua vida, a chamada contínua do Reino da minha Vontade em meio às criaturas".
(4) Depois disto estava girando por toda a Criação para levar junto comigo o céu, as estrelas, o sol,
a lua, o mar, em suma, tudo, aos pés do menino Jesus para pedir todos juntos que a vinda deste
Reino de sua Vontade à terra chegasse logo, e no meu desejo lhe dizia: "Olha, não estou sozinha
em pedir-te, senão que te roga o céu com as vozes de todas as estrelas, o sol com a voz de sua
luz e de seu calor, o mar com seu murmúrio, todos te pedem que venha teu Querer a reinar sobre a
terra, como pode resistir e não ouvir tantas vozes implorando?

São vozes inocentes, vozes animadas por tua mesma Vontade que te pedem". Agora, enquanto dizia isto, o meu pequeno
Jesus saiu de dentro de mim para receber a homenagem de toda a Criação e ouvir a sua
linguagem muda, e estreitando-me a Si disse-me:

(5) "Minha filha, o meio mais fácil para apressar a vinda da minha Vontade à terra são os
conhecimentos d‟Ela. Os conhecimentos levam luz e calor à alma e formam nela o ato primeiro de
Deus, no qual a criatura encontra o primeiro ato para modelar o seu, se não encontra esse primeiro
ato, a criatura não tem virtude de formar seu primeiro ato, portanto faltariam os atos, as coisas de
primeira necessidade para formar este Reino. Olhe então o que significa um conhecimento a mais
sobre minha Vontade: Levando em si o ato primeiro de Deus, levará consigo uma força magnética,
um ímã potente para atrair as criaturas a repetir o ato primeiro de Deus; com sua luz levará o
desapontamento da vontade humana; com o seu calor amolecerá os corações mais duros para se
curvarem diante deste ato divino e se sentirão atraídos a querer modelar-se neste ato. Por isso,
quanto mais conhecimento manifesto sobre minha Vontade, tanto mais cedo se apressa o Reino do
Fiat Divino sobre a terra".

21-11
Março 31, 1927

Como a alma que vive no Querer Divino é seu triunfo. Ameaças de guerras. União de todas as raças.

(1) Sentia-me toda submersa e abandonada no Querer Divino e enquanto seguia meus atos nele,
meu doce Jesus movendo-se em meu interior me disse:
(2) "Minha filha, a alma que vive em minha Vontade Divina é o triunfo dela, enquanto a alma faz
seus atos em minha Vontade, faz sair dela sua virtude bilocadora, que sobrevoando em toda a
Criação distende sua Vida Divina. Assim que a alma que vive em minha Vontade me dá a ocasião
de situar minha Vida por quantos atos faz nela, e por isso não só é o triunfo de meu Querer, senão
que recebe mais honra desta alma que trabalha nele do que de toda a Criação, porque em cada
coisa criada, pôs Deus ao criá-las, onde a sombra de sua luz, onde as notas de seu amor, em
alguma outra a imagem de sua potência, em outras as flores de sua beleza, assim que cada coisa
criada tem uma coisa que pertence a seu Criador.

Em vez disso, na alma que vive no Fiat Divino põe-se todo Si mesmo, concentra
todo o seu Ser e situando nela preenche toda a Criação com os
atos que a alma faz em sua Vontade para receber dela amor, glória, adoração por cada coisa que
saiu de nossas mãos criadoras. Por isso quem vive nela se põe em relação com todas as coisas
criadas, e tomando a peito a honra de seu Criador, nessas mesmas relações que recebe, por cada
coisa criada, desde a menor à maior, envia a correspondência das relações de tudo o que fez seu
Criador, e por isso todas as comunicações estão abertas entre a alma e Deus, a criatura entra na
ordem divina e goza a perfeita harmonia com o Ser Supremo, e é por isso o verdadeiro triunfo de
minha Vontade, em vez disso, quem não vive nela vive com a vontade humana, e por isso todas as
comunicações estão fechadas com o Ser Supremo, tudo é desordem e desarmonia, suas relações
são com suas paixões e nas paixões gera seus atos, nada lhe interessam as notícias de seu
Criador, se arrasta pela terra mais que serpente e vive na desordem das coisas humanas, por isso
a alma que vive com seu querer humano é a desonra do meu e a derrota do Fiat Divino na obra da
Criação. Que dor minha filha! Que dor que o querer humano quer derrotar ao Querer de seu
Criador, que tanto a ama e que quer, em seu triunfo, o triunfo da mesma criatura".

(3) Depois lamentava com Jesus suas privações, como agora, talvez mais do que nunca, me faz
sofrer mais longamente sua distância, mas diz-me que me ama muito, quem sabe se não acabará
por me deixar completamente. Mas enquanto pensava isto, o meu doce Jesus moveu-se dentro de
mim rodeando-me da luz, fez-me ver naquela luz guerras e revoluções encarniçadas, civis e contra
os católicos; viam-se todas as raças a lutar e todos em ato de preparar-se para outras guerras, e
Jesus todo aflito me disse:

(4) "Minha filha, tu não sabes como o meu ardente coração quer correr com o amor para as
criaturas, e enquanto corre o rejeitam, mas correm junto a Mim com as ofensas mais brutais e com
os fingimentos mais horrendos. Portanto ao ver meu amor perseguido, sai minha justiça em campo
e defende a meu amor e com flagelos golpeia a aqueles que me perseguem e descobre os
fingimentos que fazem não só Comigo, mas entre elas se fazem as nações, porque, pelejando,
fazem saber que, em vez de se amarem, se odeiam ardentemente. Este século pode-se chamar o
século dos mais horríveis fingimentos, e isto em toda classe de pessoas, e por isso nunca se põem
de acordo entre elas, e enquanto aparentemente parece que se querem pôr de acordo, na
realidade vão maquinando novas guerras. O fingimento não traz jamais verdadeiro bem, nem na
ordem civil nem no religioso, ao mais alguma sombra de bem que foge. Eis por que razão a tão
decantada paz permanece em palavras e não em ações, transformando-a em preparativos para a
guerra. Como você já vê muitas raças se uniram para combater, umas por um pretexto e outras por
outro, outras se unirão, mas Eu me servirei das uniões destas raças, porque para que venha o
Reino da minha Divina Vontade é necessário que venha a união de todas as raças por meio de
outra guerra muito mais extensa que esta última, na qual a Itália tinha estado comprometida
financeiramente. Com a união destas raças os povos se conhecerão e depois da guerra será mais
fácil a difusão do Reino de minha Vontade. Por isso tenha paciência em suportar minha privação, é
o vazio que quer formar minha justiça para defender meu amor perseguido. Você reza e oferece
tudo para que o Reino do meu Fiat venha logo".

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