ESCOLA DA DIVINA VONTADE - 44° SEMANA DE ESTUDOS

 Parte 1

Parte 2

11-89 Março 7,1915

Castigos. Os filhos da Igreja serão seus mais ferozes inimigos.

(1) O pensamento dos flagelos e de que eu os pudesse fomentar por sair por mim do meu
estado, trespassava-me o coração. O confessor continuava sem estar bem, e eu rezava e
chorava, e não sabia decidir-me. O bendito Jesus vinha como relâmpago e fugia e me deixava
livre. Finalmente, movido a compaixão veio e me compadecendo e me acariciando me disse:

(2) "Minha filha, tua constância me vence. O amor e a oração me amarram e quase me fazem
guerra, por isso vim entreter-me um pouco contigo, não podendo resistir mais; pobre filha, não
chores, eis-me aqui todo para ti, paciência, ânimo, não te abatas. Se tu soubesses quanto sofro,
mas a ingratidão das criaturas a isto obriga-me, os pecados enormes, a incredulidade, o querer
quase desafiar-me, e tudo isto é o mínimo, se te dissesse da parte religiosa, quantos
sacrilégios! Quantas rebeliões! segurem-se.

Quantos que se fingem filhos meus e são meus mais encarniçados inimigos! Estes falsos filhos são usurpadores, interessados, incrédulos, seus corações são cloacas de vícios, e estes filhos serão os primeiros a desencadear a guerra contra a Igreja e buscarão matar a sua própria Mãe, oh, quantos já estão prontos para libertá-la! Por
agora a guerra é entre governos, nações, mas dentro de pouco farão guerra à Igreja, e seus maiores inimigos serão seus próprios filhos. Meu coração está dilacerado pela dor, mas apesar disso tolero que passe esta borrasca e que a face da terra, as igrejas, sejam lavadas pelo sangue daqueles mesmos que a sujaram e poluíram. Também tu junta-te à minha dor, reza e tem paciência enquanto vês passar esta tempestade".

(3) Mas quem pode dizer a minha dor? Sentia-me mais morta que viva. Seja sempre bendito
Jesus e seja feito sempre seu Santo Querer.

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11-90
Abril 3,1915

A Divina Vontade é como céu e sol da alma.

(1) Meu sempre amável Jesus continua a vir de vez em quando, mas sem mudar sua atitude de
ameaças e de flagelos, e se demora em vir, vem com um aspecto que dá piedade, cansado,
desfalecido, me atrai para Ele e me transforma Nele, logo entra em mim e se transforma em
mim, quer que eu beije uma a uma as suas chagas, que as adore e repare. E depois de se ter
feito aliviar a sua Santíssima Humanidade diz-me:
(2) "Minha filha, minha filha, é necessário que venha a ti de vez em quando para descansar, para
me fazer aliviar, para desabafar, de outra maneira o mundo o faria devorar pelo fogo".
(3) E sem me dar tempo para lhe dizer nada foge. Agora, esta manhã, encontrando-me em meu
habitual estado e demorando Ele em vir, pensava entre mim: "O que teria sido de mim nestas
privações do meu doce Jesus se não fosse pelo Santo Querer Divino? Quem me daria vida,
força, ajuda? Oh Santo Querer Divino, em Ti me encerro, em Ti me abandono, em Ti descanso!
Ah, todos me fogem, também o sofrer, e também o mesmo Jesus que parecia que não sabia
estar sem mim! Só Tu não me foges, ó Querer Santo, rogo-te que quando vires que as minhas
fracas forças não podem mais, mostra-me o meu doce Jesus que se esconde de mim e que Tu
possuis!" Oh Querer Santo, te adoro, te beijo, te agradeço, mas não seja cruel comigo!" E
enquanto assim pensava e rezava, senti-me investido por uma luz puríssima, e o Querer Santo
revelando-me a Jesus disse-me:

(4) "Minha filha, a alma sem a minha vontade teria sido como a terra se não tivesse nem céu,
nem estrelas, nem sol, nem lua; a terra por si só não é outra coisa que precipícios, montanhas,
águas, trevas, se a terra não tivesse um céu, um sol acima dela para iluminar ao homem o
caminho para lhe fazer conhecer os diversos perigos que a terra contem, o homem iria ao
encontro, agora de precipitar-se, agora de afogar-se, etc., mas o céu lhe está em cima,
especialmente o sol, O qual, em sua linguagem muda, diz ao homem:

"Olha, eu não tenho olhos, nem mãos, nem pés, mas sou a luz do teu olho, a ação da tua mão, a passagem do teu pé, e quando devo iluminar outras regiões, Deixo-te o brilho das estrelas e a claridade da lua para
continuar o meu ofício. Agora, tendo dado ao homem um céu para o bem da natureza, também à
alma, sendo esta mais nobre, dei-lhe o céu da minha Vontade, porque também a alma contém
precipícios, alturas e barrancos, quais são as paixões, as virtudes, as tendências e outras
coisas. Agora, se a alma se tirar de debaixo do céu de minha Vontade, não fará outra coisa que
precipitar-se de culpa em culpa, as paixões a afogarão e as alturas das virtudes se trocarão em
abismos. Assim como na terra sem o céu estaria tudo em desordem e infecundo, assim a alma
sem minha Vontade".

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11-91
Abril 24,1915
Como o que Jesus sofreu na coroa espinhos é incompreensível à mente criada. Muito
mais dolorosos que aqueles espinhos cravavam-se em sua mente todos os maus pensamentos das criaturas.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, estava pensando quanto sofreu o bendito Jesus ao
ser coroado de espinhos, e Jesus fazendo-se ver me disse:
(2) "Minha filha, as dores que sofri são incompreensíveis à mente criada; mas muito mais
dolorosas que aqueles espinhos cravavam-se em minha mente todos os pensamentos maus das
criaturas, de modo que de todos estes pensamentos das criaturas nenhum me escapava, todos
os sentia em Mim, assim que não só sentia os espinhos, mas também o horror das culpas que
aqueles espinhos cravavam em Mim".

(3) Então, procurei ver o amável Jesus, e via a sua santíssima cabeça circundada como uma
coroa de espinhos que lhe saíam de dentro. Todos os pensamentos das criaturas estavam em
Jesus, e de Jesus passavam a elas e delas a Jesus e nEle ficavam como concatenados juntos. ¡
Oh, como Jesus sofria! Depois acrescentou:
(4) "Minha filha, só as almas que vivem em minha Vontade podem dar-me verdadeiras
reparações e adoçar-me espinhos tão pungentes, porque vivendo em minha Vontade, minha
Vontade se encontra em todas partes, e elas encontrando-se em Mim e em todos, descem nas
criaturas e sobem a Mim e me trazem todas as reparações e me adoçam, e fazem mudar nas
mentes as trevas em luz".

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11-92
Maio 2,1915

Penas de Jesus pelos castigos.

(1) Meus dias são sempre mais amargos. Esta manhã meu doce Jesus veio em um estado tão sofredor que não se pode expressar, ao vê-lo tão sofredor, eu a qualquer custo teria querido dar- lhe um alívio, mas não sabendo o que fazer o tenho estreitado ao coração e aproximando-me a sua boca, com a minha procurava extrair parte de suas amarguras internas, mas o que? Por quanto força fazia ao chupar não saía nada, voltava a tentá-lo com mais esforços, mas tudo era inútil, Jesus chorava, eu chorava ao ver que em nada podia aliviar suas penas. ¡ Que suplício tão cruel! Jesus chorava porque queria fazer sair tudo, mas sua Justiça o impedia, eu chorava ao vê-
lo chorar e porque não podia ajudá-lo; são penas que faltam as palavras para expressá-las. E Jesus soluçando me disse:
(2) "Minha filha, os pecados arrancam de minhas mãos os flagelos, as guerras, Eu sou obrigado
a permiti-las, mas ao mesmo tempo choro e sofro com a criatura".
(3) Eu me sentia morrendo pela dor, e Jesus querendo me distrair acrescentou:
(4) "Minha filha, não se abata, também isto está em minha Vontade, porque unicamente as almas
que vivem em minha Vontade são as que podem fazer frente a minha Justiça, só aquelas que
vivem de meu Querer têm livre acesso para participar dos decretos divinos, e defender a favor
dos seus irmãos. Aqueles que habitam em minha Vontade são os que possuem todos os frutos
de minha Humanidade, porque minha Humanidade tinha seus limites, enquanto minha Vontade
não tem limites, e minha Humanidade vivia em minha Vontade, coberta por Ela, por dentro e por
fora. Agora, as almas que vivem em minha Vontade são as mais imediatas à minha humanidade,
e fazendo-a delas, porque a elas as dei, podem apresentar-se investidas dela, como outro Eu
mesmo diante da Divindade e desarmar a Justiça Divina e impetrar resgates de perdão para as
pervertidas criaturas. Elas, vivendo em Minha Vontade, vivem em Mim, e como Eu vivo em
todos, também elas vivem em todos e em favor de todos. Vivem livres no ar como sóis, e suas
orações, seus atos, as reparações e tudo o que fazem são como raios que descem delas em
favor de todos".

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11-93
Maio 18,1915

Castigos. Jesus terá cuidado das almas que vivem de seu Querer.

(1) Continuando meu pobre estado, minha pobre natureza me sentia sucumbir. Encontro-me em
estado de violência contínua, quero fazer violência ao meu amável Jesus, e Ele para não se
fazer violentar mais, esconde-se, e depois, quando vê que não estou em ato de lhe fazer
violência por seu ocultamento, de improviso se faz ver e rompe em pranto pelo que está sofrendo
e sofrerá a mísera humanidade. Outras vezes, com um sotaque comovente e quase suplicante
me diz:
(2) "Filha, não me violentes, já meu estado é violento por si só por causa dos graves males que
sofrem e sofrerão as criaturas, mas devo dar os direitos à Justiça".
(3) E enquanto diz isto chora, e eu choro junto com Ele, e muitas vezes parece que
transformando-se tudo em mim, chora por meio de meus olhos, por isso, em minha mente
passam todas as tragédias, as carnes humanas mutiladas, os rios de sangue, os povos
destruídos, as igrejas profanadas que Jesus me fez ver há tantos anos. Meu pobre coração está
dilacerado pela dor, agora me sinto contorcido pelos espasmos, agora gelar, e enquanto sofro
isto, ouço a voz de Jesus que diz:
(4) "Como me dói, como me dói!" E começa a chorar, mas quem pode dizer tudo?
(5) Agora, estando neste estado, meu doce Jesus para acalmar de algum modo meus temores
me disse:

(6) "Minha filha, ânimo, é certo que grande será a tragédia, mas saiba que terei cuidado das
almas e dos lugares onde haja almas que vivam em meu Querer. Assim como os reis da terra
têm seus cortes, seus armários onde estão seguros entre os perigos e os inimigos mais ferozes,
porque é tanta a força que têm, que os mesmos inimigos, enquanto destroem outros pontos,
aquele ponto não o olham por temor de ser derrotados, assim também Eu, Rei do Céu, tenho
meus armários, meus cortes sobre a terra, e são as almas que vivem de meu Querer onde Eu
vivo nelas, e a corte do Céu está concentrada em torno delas, e a força de minha Vontade as
tem ao seguro, tornando inofensivas as balas e rechaçando para trás os inimigos mais
ferozes. Minha filha, os mesmos bem-aventurados, por que estão seguros e são plenamente
felizes quando vêem que as criaturas sofrem e a terra está em chamas Precisamente porque
vivem de todo em minha Vontade. Então deves saber que Eu ponho nas mesmas condições dos
bem-aventurados as almas que na terra vivem de todo do meu Querer, por isso vive no meu
Querer e não temas de nada, mas quero que não só vivas na minha Vontade, mas que vivas
também no meio dos teus irmãos, entre Eu e eles nestes tempos de carnificina humana, e me
tenhas estreitado em Ti e defendido das ofensas que me mandam as criaturas, e te fazendo dom
da minha humanidade e do quanto sofri, enquanto me terás defendido, darás aos teus irmãos o
meu sangue, as minhas chagas, os espinhos, os meus méritos, para a sua salvação".

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11-94
Maio 25,1915
Os homens são obedientes aos governos que usam a força, mas não a Deus que usa o amor.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual, meu sempre amável Jesus, assim que se fez ver
me disse:
(2) "Minha filha, o flagelo é grande, mas apesar disso os povos não se estremecem, antes
permanecem quase indiferentes, como se deveriam assistir a representação de uma cena trágica
e não a uma realidade; em lugar de vir todos humilhados a meus pés a chorar e a implorar
piedade, perdão, estão mais atentos a ouvir o que acontece. ¡ Ah, minha filha, que grande é a
perfídia humana! Veja como são obedientes aos governos; sacerdotes, leigos, não pretendem
nada, não recusam nenhum sacrifício e devem estar dispostos a dar a própria vida; ah, só para
Mim não há obediência nem sacrifícios, e se alguma coisa fazem, são mais as pretensões e os
interesses, e isto porque os governos usam a força, mas Eu uso o amor; para as criaturas este
amor é desconhecido e diante dele estão indiferentes, como se Eu não merecesse nada delas".
(3) Mas, enquanto dizia, rompeu em pranto, que dor tão cruel ver chorar Jesus! Depois
continuou:
(4) "Mas o sangue e o fogo purificarão tudo e farão com que o homem se arrependa, mas quanto
mais tarde voltar, tanto mais sangue correrá e será tal a carnificina, que o homem jamais o teria
pensado".
(5) E enquanto isso dizia me fazia ver esta carnificina humana. Que dor viver nestes tempos,
mas seja sempre feito o Querer Divino.


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11-95
Junho 6,1915
Na Vontade de Deus tudo se reduz em amor para Deus e para o próximo.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, meu sempre amável Jesus enquanto se mantém
oculto, me quer toda atenta a Ele e para advogar continuamente por meus irmãos, e enquanto
rezava e chorava pela salvação dos pobres combatentes, Querendo estreitar-me com Jesus para
lhe suplicar de tal maneira que nenhum deles se perdesse, chegava a lhe dizer desatinos, e
Jesus, embora aflito, parecia que gozava por minhas insistências e como que cedia ao que eu
lhe pedia, mas um pensamento voou em minha mente: "Que eu deveria pensar mais na minha
própria salvação". E Jesus me disse:
(2) "Minha filha, enquanto pensava em ti produziu uma sensação humana, e a minha Vontade
toda Divina a notou. Em minha Vontade tudo se resolve em amor para Mim e para o próximo,
não há coisas próprias, porque contendo só minha Vontade, a alma contém para si todos os
bens possíveis, e se os contém, por que pedi-los? Não é justo que se preocupe em rezar por
quem não tem? Ah, se soubesse por que desgraças passará a mísera humanidade, seria mais
ativa em minha Vontade em favor dela".
(3) E enquanto dizia isto, fazia-me ouvir todos os males que os maçons estão tramando contra a
humanidade.

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11-96
Junho 17,1915

Tudo deve terminar na Vontade de Deus.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, estava me lamentando com Jesus, dizendo-lhe:
"Minha vida Jesus, tudo acabou, não me resta nada, senão ao máximo suas visitas como de
relâmpago, sua sombra. E Jesus interrompendo o meu discurso disse-me:
(2) "Minha filha, tudo deve terminar em minha Vontade, e quando a alma chegou a isto, fez tudo,
e se tivesse feito muito e não o tivesse encerrado em minha Vontade, pode-se dizer que teria
feito nada, porque de tudo o que termina em minha Vontade eu tenho conta, pois só nela está
como que empenhada a minha própria Vida, e é justo que como coisa minha Eu tenha conta até
das mais pequenas coisas e até dos mesmos “nada” porque em cada pequeno ato que a criatura
faz unida com a minha Vontade, sinto que primeiro o toma de Mim e logo obra, Então, no mais
pequeno ato, toda a minha Santidade, Minha Potência, Sabedoria, Amor e tudo o que eu sou, é
por isso que sinto nesse ato feito unido com minha Vontade repetir minha Vida, minhas obras,
minha palavra, meu pensamento e tudo mais. Então, se as tuas coisas acabaram no meu
Testamento, o que podes querer mais? Todas as coisas têm um só ponto final: O sol tem um só
ponto, que sua luz invada toda a terra; o agricultor semeia, peleja, trabalha a terra, sofre frio e
calor, mas tudo isso não é seu ponto final, não, mas seu ponto é o de recolher os frutos para
fazer deles seu alimento; e assim de tantas outras coisas, que são muitas, mas que se resolvem
dentro de um só ponto, e este é a vida do homem. Assim a alma tudo deve fazer terminar no
ponto só de minha Vontade, e Esta constituirá sua vida, e Eu dela farei meu alimento".
(3) Depois ele adicionou: "Eu e tu nestes tristes tempos passaremos um período muito doloroso,
as coisas piorarão mais, mas deves saber que se te tirar minha cruz de madeira, te dou a cruz de
minha Vontade, que não tem altura nem largura, senão que é interminável, cruz mais nobre não
poderia te dar, não é de madeira mas de luz, e nesta luz, ardente mais que qualquer fogo,
sofreremos juntos em cada criatura, em suas agonias e torturas, e buscaremos ser vida de
todas".

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11-97
Julho 9,1915
Quem em verdade faz a Divina Vontade, é posto nas mesmas condições da Humanidade de Jesus.

(1) Encontrando-me em meu estado habitual, me sentia muito mal e meu sempre amável Jesus,
movendo-se a compaixão de meu pobre estado, veio por pouco tempo e me beijou me disse:
(2) "Pobre filha, mas não temas, não te deixo nem posso te deixar, porque quem faz minha
Vontade é meu ímã que obra potentemente sobre Mim, e me atrai para si com tal violência, que
não posso resistir. Demasiado é necessário para me separar de quem faz a minha Vontade,
deveria separar-me de Mim mesmo, o que não é possível".
(3) Depois acrescentou:

"Filha, quem faz de verdade minha Vontade é posto nas mesmas
condições em que foi posta minha Humanidade. Eu era Homem e Deus, como Deus continha em
Mim todas as felicidades, bem-aventuranças, belezas e todos os bens que possuo. Minha
humanidade, por um lado, tomava parte de minha Divindade, e portanto era bem-aventurada,
feliz, sua visão beatífica não se separava jamais; por outro lado, tendo minha humanidade
tomado sobre ela a satisfação das criaturas diante da Divina Justiça, era atormentada pela visão
clara de todas as culpas, e devia tomá-las sobre Ela para satisfazê-las, sentia o horrível de cada
pecado com seu tormento especial, portanto, ao mesmo tempo sentia alegria e dor, sentia amor
por parte de minha Divindade, frieza por parte das criaturas; santidade por um lado, pecado por
outro, não havia coisa que me escapasse, nem mesmo a mais mínima das que as criaturas
faziam.
Agora, minha Humanidade não é capaz já de sofrer, por isso em quem faz minha
Vontade Eu vivo nela, e ela me serve de humanidade, por isso a alma sente por uma parte amor,
paz, firmeza no bem, fortaleza e demais; e por outra parte friezas, moléstias, cansaço,
etc. Então, se a alma está de todo em minha Vontade e toma todas essas coisas não como
coisas suas, mas como coisas que sofro Eu, não se abaterá, senão me compadecerá e terá
como uma honra que a faça participar de minhas penas, porque ela não é outra coisa que um
véu que me cobre, e não sentirá mais que as moléstias dos espinhos, do gelo, mas é em Mim,
em meu coração que serão cravadas".

46. Jesus tentado por Satanás no deserto.

Como se vencem as tentações.

24 de fevereiro de 1944. Quinta-feira depois das Cinzas.

46.1Vejo à minha esquerda, a solidão rochosa, que eu já vi, na visão do
batismo de Jesus no Jordão. Mas devo ter penetrado bastante nela, porque
não vejo inteiramente o belo rio, vagaroso e azul, nem a veia verde que o
acompanha em suas duas margens, como que alimentada por aquela artéria
de água. Aqui só se vê solidão, grandes pedras, uma terra de tal maneira
árida, que está reduzida a um pó amarelado que, de vez em quando o vento
levanta em pequenos redemoinhos, parecidos com o sopro de alguma boca
febril, de tão quente e seco. Eles incomodam, porque a sua poeira nos
penetra as narinas e a garganta. Há algumas pequenas moitas de espinheiros,
muito raras, que não se sabe como é que podem resistir, nessa desolação.
Parecem os últimos fios de cabelo numa cabeça calva. Acima, um céu,
impiedosamente azul; em baixo, o solo árido; ao redor, penhascos e silêncio.
Eis o que vejo como natureza.
46.2Encostado à uma grande pedra, que pela sua forma, feita para
cima e para baixo assim como tento desenhá-la, parece um princípio de
caverna, está Jesus, sentado sobre numa outra pedra, que foi arrastada para
dentro da caverna +. Protege-se assim do sol ardente.

Meu monitor interior me avisa que aquela pedra, sobre a qual o Senhor
está sentado, é também o seu genuflexório e o seu travesseiro, quando Ele
tira suas breves horas de repouso, envolto em seu manto, à luz das estrelas e
exposto ao ar frio da noite. De fato, a sacola está perto dele, a mesma que eu
o vi pegar, antes de partir de Nazaré. É tudo o que Ele tem. E, como está
dobrada e frouxa, compreendo que está vazia, sem aquele pouco alimento
que Maria havia posto nela.
Jesus está muito magro e pálido. Está sentado com os cotovelos
apoiados nos joelhos e os antebraços estendidos para a frente, com as mãos
unidas e os dedos entrelaçados. Ele está meditando. De vez em quando,
ergue o olhar, e o gira ao seu redor, olha para o sol alto, quase à pino, no céu
azul. De vez em quando, e especialmente depois de ter girado o olhar ao

redor e de tê-lo erguido em direção à luz solar, Ele fecha os olhos e se apóia
ao penhasco, que lhe serve de abrigo, como se estivesse sendo tomado por
uma vertigem.
46.3Vejo, então, aparecer a cara feia de Satanás. Não que ele se apresente
na forma com que nós costumamos figurá-lo com chifres, rabo, etc. Parece
um beduíno, envolto em sua veste e em seu grande manto, como um dominó
mascarado. Na cabeça tem um turbante, cujas extremidades brancas descem
como uma proteção sobre os ombros e ao longo dos lados do rosto. De modo
que deste aparece um pequeno triângulo muito moreno, de lábios finos e
sinuosos, de olhos muito pretos e encavados, cheios de brilhos magnéticos.
São duas pupilas que te perscrutam até o fundo do coração, mas nas quais
não lês nada, somente esta palavra: mistério. O oposto dos olhos de Jesus,
também estes magnéticos e fascinantes e que perscrutam os corações, mas
nos quais tu também podes ler que no seu coração há amor e bondade para
contigo. O olhar de Jesus é uma carícia para a alma. Enquanto que o olhar de
Satanás é como um duplo punhal que te perfura e te queima.
46.4Ele se aproxima de Jesus:
– Estás sozinho?
Jesus olha para ele, e não responde.
– Como vieste parar aqui? Estás perdido?
Jesus o olha novamente, e continua calado.
– Se eu tivesse água no odre, eu te daria. Mas eu também estou sem.
Meu cavalo morreu, e eu vou indo a pé até o vau do Jordão. Lá eu beberei, e
hei de encontrar alguém que me dê um pão. Eu sei o caminho. Vem comigo.
Eu te guiarei.
Jesus não levanta nem mesmo o olhar.
– Não respondes? Sabes que, se ficares aqui, morrerás? O vento está
começando a soprar. Vai vir uma tempestade. Vem comigo.
Jesus une as mãos em muda oração.
– Ah! Então, és Tu mesmo? Há tanto tempo que te procuro! Agora faz
tempo que te venho observando. Desde o momento em que foste batizado.
Estás chamando o Eterno? Ele está longe. Agora estás sobre a terra e em
meio aos homens. No meio dos homens, quem reina sou eu. Eu também tenho
dó de ti e te quero socorrer, porque és bom, e vieste sacrificar-te à toa. Os
homens te odiarão pela tua bondade. Eles só entendem, se lhes falares de
ouro, comida e sentidos. Sacrifício, dor, obediência, são para eles palavras
mortas mais do que esta terra, que está ao redor de nós. Eles são ainda mais

áridos do que esta poeira. Só a serpente pode esconder-se aqui, esperando a
hora de dar o bote; e o chacal, a hora de despedaçar sua vítima. Vem, vamos
embora. Não mereces sofrer por eles. Eu os conheço melhor do que Tu.
Satanás sentou-se de frente a Jesus e o examina com esse seu olhar‐
horrível, sorrindo com a sua boca de serpente. Jesus continua calado,
rezando mentalmente.
46.5 – Tu estás desconfiando de mim. Fazes mal. Eu sou a sabedoria da
terra. Posso ser teu mestre, para te ensinar a triunfar. Vê: o importante é
triunfar. Depois, quando nos impusermos e o mundo ficar fascinado, então o
levaremos para onde quisermos. Mas antes, é necessário fazer o que agrada
a eles. Ser como eles. Seduzi-los, fazendo-os crer que nós os admiramos e
os acompanhamos em seus pensamentos.
Tu és jovem e belo. Começa pela mulher. É sempre por ela que se deve
começar. Eu errei, induzindo a mulher à desobediência. Eu devia tê-la
aconselhado de outro modo. Eu teria feito dela um instrumento melhor, e
teria vencido a Deus. Eu fui apressado. Mas Tu! Vou te ensinar, porque
houve um dia em que eu olhei para Ti com um júbilo angelical, e um resto
daquele amor [81]ainda ficou, mas Tu, escuta-me, aproveita-te da minha
experiência! Arruma uma companheira. Porque o que não conseguires, ela
conseguirá. Tu és o novo Adão: deves ter a tua Eva.
Além disso, como podes compreender e curar as doenças da
sensualidade, se não sabes o que elas são? Não sabes que aí é que está o
ponto central do qual nasce a planta da cobiça e da prepotência? Para que é
que o homem quer reinar? Para que é que quer ser rico e poderoso? Para
possuir a mulher. Ela é como a cotovia. Ela precisa do brilho para ser
atraída. O ouro e o poder, são as duas faces do espelho que atraem as
mulheres e são as causas do mal no mundo. Olha bem: atrás de mil delitos de
diversas faces, há, pelo menos novecentos que têm suas raízes na fome da
posse da mulher, ou na vontade de uma mulher, que arde num desejo que o
homem ainda não conseguiu satisfazer ou não mais satisfaz. Se quiserdes
saber o que é a vida procura a mulher. Só depois, saberás cuidar e curar as
doenças da humanidade.
A mulher é bonita, como sabes! Não há nada de mais belo no mundo. O
homem tem o pensamento e a força. Mas, a mulher! O seu pensamento é um
perfume, seu contato é carícia de flores, sua graça é como um vinho que
desce, sua fraqueza é como uma meada de seda ou anel de cabelo de bebê
nas mãos do homem, sua carícia é uma força que se derrama sobre a nossa

inflamando-a. Acaba-se a dor, o cansaço, a aflição, quando nos colocamos
perto de uma mulher, pois ela, nos nossos braços, é como um feixe de flores.
46.6Mas, que tolo que eu sou! Tu estás com fome, e eu te falando da
mulher. O teu vigor está esgotado. É por isso que essa fragrância da terra,
essa flor da criação, esse fruto que dá e suscita o amor, te parece uma coisa
sem valor. Mas olha estas pedras, como são redondas e lisas, como são
douradas sob à luz do sol que desce. Não parecem pães? Tu, Filho de Deus,
só precisas dizer: “Eu quero”, para que elas se transformem em pães
cheirosos, como aqueles que as donas de casa tiram do forno para o jantar
de seus familiares. E estas acácias, tão secas, se Tu queres, não podem
encher-se de maçãs doces e de tâmaras com gosto de mel? Sacia-te, ó Filho
de Deus! Tu és o Senhor da terra. Ela se inclina para pôr-se aos teus pés,
matando a tua fome.
Não vês que empalideces e vacilas, só de ouvires falar em pão? Pobre
Jesus! Estás tão fraco, a ponto de não poderes mais tampouco fazer um
milagre? Queres que eu o faça por Ti? Não sou igual a ti. Mas alguma coisa
eu posso fazer. Ainda que por um ano eu fique privado das minhas forças, eu
as juntarei todas, pois eu te quero servir, porque Tu és bom e eu sempre me
lembro de que és o meu Deus, mesmo tendo eu desmerecido agora de poder
chamar-te assim. Ajuda-me com a tua oração para que eu possa....
– Cala-te! “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que vem
da boca de Deus.”
O demônio estremece de raiva. Range os dentes e fecha os punhos. Mas
ele se contém, e muda o ranger de dentes em um sorriso.
– Compreendo. Tu estás acima das necessidades da terra e tens aversão
a servir-te de mim. Bem que eu mereci isto. 46.7Mas, vem, então, e vê o que
está acontecendo na Casa de Deus. Vê como até os sacerdotes não se
recusam a fazer transações entre o espírito e a carne. Porque, afinal, eles são
homens, não são anjos. Faz um milagre espiritual. Eu te levo até o pináculo
do Templo, e Tu, transfigura-te em beleza lá em cima, depois, chama a
multidão de anjos, e diz a eles que façam de suas asas entrelaçadas, uma
esteira para os teus pés, e que Te levem para desceres no pátio principal.
Que todos Te vejam e se lembrem de que Deus existe. De vez em quando é
necessária uma manifestação, porque o homem tem uma memória muito
fraca, especialmente nas coisas espirituais. Bem sabes como os anjos se
sentirão felizes por poderem oferecer um apoio aos teus pés e uma escada
para desceres!

– Está escrito: “Não tentes ao Senhor teu Deus.”
– Compreendes que, mesmo com a tua aparição, não se mudariam as
coisas, e o Templo continuaria a ser um lugar de mercado e corrupção. A tua
divina sabedoria bem o sabe, como os corações dos ministros do Templo
são um ninho de víboras, que se dilaceram, contanto que consigam
prevalecer. Só podem ser dominados com força humana.
46.8Então, vem. Adora-me. Eu te darei a terra. Alexandre, Ciro, César,
todos os maiores dominadores do passado ou do presente serão semelhantes
a chefes de umas mesquinhas caravanas, se comparados a Ti, que terás sob o
teu cetro todos os reinos da terra. Com os reinos, terás todas as riquezas,
todas as belezas da terra, mulheres, cavalos, forças armadas e templos.
Poderás erguer em qualquer lugar o teu Sinal, quando serás o Rei dos reis e
Senhor do mundo. Então, serás obedecido e venerado pelo povo e pelo
sacerdócio. Todas as castas te honrarão e te servirão, porque serás o
Poderoso, o Único, o Senhor.
Adora-me, ainda que por um só momento! Tira-me esta sede que eu
tenho de ser adorado! Foi ela que me perdeu. Mas ela ficou em mim,
queimando-me. As chamas do inferno são como o ar fresco da manhã,
comparado a este ardor que me queima interiormente. Esta sede é o meu
inferno. Um momento, um momento só, ó Cristo, Tu que és bom! Um
momento de alegria para o eterno Atormentado! Deixa-me sentir o que quer
dizer ser deus, e eu serei teu devoto e servo obediente por toda a vida, para
todas as tuas obras. Um momento! Um só momento, e não te atormentarei
mais!
Satanás se põe de joelhos, suplicando.
46.9 Jesus, ao contrário, se levantou. Tendo-se tornado mais magro nestes
dias de jejum, parece ainda mais alto. Seu rosto está cheio de severidade e
poder. Seus olhos são duas safiras ardentes. Sua voz é como um trovão, que
se repercute na cavidade do penhasco, espanlhando-se sobre o pedregal e a
planície desolada, ao dizer:
– Vai-te, Satanás. Está escrito: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele
servirás!”
Satanás, com um urro de condenado e com um ódio indescritível,
levanta-se com ímpeto, tremendo, ao ver-se na sua furiosa e fumante figura.
Depois, desaparece, com um novo urro de maldição.
46.10 Jesus se assenta, cansado, apoiando atrás a cabeça no penhasco.
Parece estar exausto. Está suando. Mas os seres angélicos vêm soprar

levemente, com suas asas no mormaço da caverna, purificando-o e
refrescando-o. Jesus abre os olhos, e sorri. Eu não o vejo comer. Eu diria
que Ele se nutre do aroma do Paraíso, saindo revigorado.
O sol desaparece no poente. Jesus pega o alforje vazio e, acompanhado
pelos anjos que, suspensos acima de sua cabeça, produzem uma luz suave,
enquanto a noite cai rapidamente, se encaminha para o leste, ou melhor, para
o nordeste. Já retomou sua expressão habitual, o passo firme. Só resta, como
lembrança do seu longo jejum, um aspecto mais ascético no rosto magro e
pálido e nos olhos, arrebatados, numa alegria que não é desta terra.
46.11 Jesus diz:
– Ontem estavas sem a tua força, que é a minha vontade, e eras por isso
um ser semivivo. Eu fiz que teus membros repousassem e te fiz jejuar no
único jejum que é pesado para ti: aquele da minha palavra. Pobre Maria!
Tiveste uma Quarta-Feira de Cinzas. Em tudo sentiste o sabor da cinza, visto
que estavas sem o teu Mestre. Eu não me fazia ouvir. Mas Eu estava
presente.
Nesta manhã, já que a aflição é recíproca, Eu te murmurei em teu
cochilo: “Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, dá-nos a paz”, e
te fiz repetir isso muitas vezes, e outras tantas repeti para ti. Pensaste que Eu
ia falar sobre isto. Mas, primeiro foi o ponto que Eu já te mostrei, e que vou
comentar. Depois, hoje à tarde, te ensinarei sobre aquele outro assunto.
46.12Satanás, como viste, se apresenta sempre com uma aparência
benévola. Com um aspecto comum. Se as almas estiverem atentas, e
sobretudo em contatos espirituais com Deus, perceberão aquele aviso, que
as tornará cautelosas e prontas para combater as insídias do diabo. Mas, se
as almas estiverem desatentas ao divino, separadas por uma carnalidade que
as domina e ensurdece, não ajudadas pela oração que as une a Deus e
derrama sua força como por um canal no coração do homem, então
dificilmente elas notam a cilada escondida sob uma aparência inócua, caindo
nela. Livrar-se, depois, é muito difícil.
46.13Os dois caminhos mais comuns, tomados por Satanás para chegar às
almas, são a sensualidade e a gula. Ele começa sempre pela matéria.
Desmantelada e dominada esta, aí ele ataca a parte superior. Primeiro, o
moral: o pensamento com suas soberbas e cobiças; depois, o espírito,
tirando dele não só o amor — este já nem existe mais, quando o homem
substituiu o amor divino por outros amores humanos — mas também o temor

de Deus. É então que o homem se abandona de corpo e alma a Satanás,
contanto que chegue a gozar do que quer, e a gozar sempre mais.
46.14Como Eu me comportei, tu o viste. Silêncio e oração. Silêncio.
Porque, se Satanás faz seu trabalho de sedutor e vem ao redor de nós, é
preciso suportá-lo sem tolas impaciências e temores inúteis. Mas reagir com
altivez à sua presença e com oração à sua sedução.
É inútil discutir com satanás. Ele venceria, porque é forte em sua
dialética. Só Deus o vence. Por isso é preciso recorrer a Deus, que fale por
nós, através de nós. Mostrar a satanás aquele nome e aquele sinal, não tanto
escritos em papel ou gravados em madeira, quanto escritos e gravados no
coração. O meu Nome, o meu Sinal. Rebater a satanás, somente quando
insinua que ele é como Deus, usando a palavra de Deus
[82]
. Ele não suporta esta palavra.
46.15
Depois, passada a luta, vem a vitória, e os anjos servem e defendem
o vencedor do ódio de satanás. Eles o restauram com o orvalho celeste, com
a graça que tornam a derramar às mãos cheias no coração do filho fiel, com
a bênção que acaricia o espírito.
É preciso ter a vontade de vencer a satanás e fé em Deus e em sua ajuda.
Fé no poder da oração e na bondade do Senhor. Então, satanás não pode
fazer nenhum mal.
Vai em paz. Nesta tarde te alegrarei com o que ainda virá.
[81] júbilo e amor, referem-se aos anjos, espíritos puros, cuja criação e função (que exclui o privilégio, reservado ao homem, de
poder cooperar para a redenção, como se diz em 96.5) serão ilustrados em 266.11 e em nota a 428.4. Lúcifer, enquanto anjo
rebelde, teve na origem as prerrogativas angélicas. Da sua queda ou expulsão do Céu, que se entrevê em Isaías 14,12, a obra
Valtortiana trata pelo menos em: 17.3 -69.4 -96.2 -131.2 -244.6 -265.4 -317.4 -414.8 -448.2 -483.3 -486.4/5 -487.6/7 (culpa
dos anjos rebeldes sem esperança de redenção) -507.9 -515.3 -537.7. Em mérito do presente passo das tentações de Jesus,
assim anota Maria Valtorta sobre uma cópia dactilografada: O carácter serpentino de Lúcifer revela-se aqui em pleno. Cada
palavra é mentira e desejaria ser sedução. Apenas o dizer que nele há ainda um resto de amor, enquanto o ódio e apenas ódio,
para Deus e o homem, o impele para esta tentativa de arruinar e destruir o fruto da Incarnação. Tanto ódio que a sua malícia
se torna estupidez: a estupidez de pensar que se pode induzir a pecado Cristo. -Como Miguel é o nome do príncipe dos anjos
(nota em 376.10), assim Lucífer tornou-se, junto com Satanás e Belzebú (e semelhantes), um dos nomes dos príncipes dos
demónios; e em 243.9 vem identificado com a Serpente tentadora). Outros nomes demoníacos são “Mammona” (personificação
da riqueza material) e Leviatão (nota em 254.1).
[82] a palavra de Deus, que Jesus rebatendo Satanás, retirou de Deuteronómio 6,13.16; 8,3.

Parte 2

12-46
Maio 20, 1918

A vontade de Deus concentra tudo.

(1) Continuando meu habitual estado, estava dizendo a meu doce Jesus: "Como gostaria de ter
teus desejos, teu amor, teus afetos, teu coração, etc., para poder desejar, amar, etc., como Tu".
E meu sempre amável Jesus me disse:

(2) "Minha filha, Eu não tenho desejos, afetos, mas o todo está concentrado em minha Vontade,
minha Vontade é tudo em Mim. Deseja quem não pode, mas Eu tudo posso; gostaria de amar
quem não tem amor, mas em minha Vontade está a plenitude, a fonte do verdadeiro amor, e
sendo infinito, em um ato simples de minha Vontade possuo todos os bens, que transbordando
de meu Ser descem para bem de todos. Se Eu tivesse desejos seria infeliz, me faltaria alguma
coisa, mas Eu tudo possuo, por isso sou feliz e faço felizes a todos. Infinito significa poder tudo,
possuir tudo, fazer felizes a todos.

A criatura, porque é finita, não possui tudo, nem pode
abraçar tudo, eis por que contém desejos, ânsias, afetos, etc., que como tantos degraus pode
servir-se deles para subir ao Criador e tomar nele as qualidades divinas e encher-se tanto, até
transbordar para o bem dos outros. Se depois a alma se concentra toda ela em minha Vontade,
perdendo-se toda em meu Querer, então não copiará minhas qualidades, senão que de um só
gole me absorverá em si, e não terá mais nela desejos e afetos próprios, senão só a Vida de
meu Querer, que dominando-a toda, lhe fará desaparecer tudo e lhe fará reaparecer em toda
minha Vontade".

13-42
Dezembro 18, 1921

A paz é a primavera da alma.

(1) Sentia-me muito oprimida e angustiada pela privação do meu doce Jesus. Então, depois de
uma jornada de tristeza, já avançada a noite veio, e pondo seus braços ao meu pescoço me
disse:
(2) "Minha filha, o que há? Vejo em ti um humor, uma sombra que te tornam ao contrário de
Mim e quebram a corrente da bem-aventurança que entre Eu e tu quase sempre existiu. Tudo é
paz em Mim, por isso não suporto em ti nem sequer uma sombra que possa obscurecer tua
alma; a paz é a primavera da alma, todas as virtudes nascem, crescem e sorriem, como as
plantas e as flores, aos raios do sol primaveril, que dispõem toda a natureza a produzir o seu
fruto. Se não fosse pela primavera, que com seu sorriso encantador agita as plantas da
dormência do frio e veste a terra como de um manto florido, que chama a todos com seu doce
encanto para fazer-se olhar, a terra seria horrível e as plantas acabariam secando. Assim, a paz
é o sorriso divino que sacode a alma de toda dormência, que como primavera celestial sacode a
alma do frio das paixões, das fraquezas, das levezas, etc., e com seu sorriso faz surgir, mais
que campo florido, todas as flores e faz crescer todas as plantas, entre as quais o Agricultor
Celestial se digna passear e tomar deles os frutos para fazer deles seu alimento, assim que a
alma pacífica é meu jardim, no qual eu me recreio e me entretenho.

A paz é luz, e tudo o que a
alma pensa, fala e obra, é luz que emite e o inimigo não pode aproximar-se porque se sente
golpeado por esta luz, ferido e deslumbrado, e para não ficar cego está obrigado a fugir. A paz
é domínio, não só de si mesmo, mas dos demais, assim diante de uma alma pacífica ficam, ou
conquistados, ou confundidos e humilhados, por isso, ou se fazem dominar fazendo amigos, ou
se vão confundidos não podendo sustentar a dignidade, a imperturbabilidade, a doçura de uma
alma que possui a paz; até os mais perversos sentem o poder que essa alma contém. Por isso
me glorio tanto em fazer-me chamar Deus da paz, Príncipe da paz, e não há paz sem Mim, só
Eu a possuo e a dou a meus filhos como a filhos legítimos, os quais ficam vinculados como
herdeiros de todos meus bens.
(3) O mundo, as criaturas, não têm esta paz, e o que não se tem não se pode dar, no máximo
podem dar uma paz aparente, que por dentro os rasga, uma paz falsa, que contém dentro uma
bebida venenosa, e este veneno entorpece os remorsos da consciência e a conduz ao reino do
vício, por isso a verdadeira paz sou Eu, e quero te manter à sombra de minha paz, para fazer
que jamais esteja perturbada, e a sombra de minha paz, como luz deslumbrante, possa manter
longe de ti qualquer coisa, ou a qualquer que queira ensombrar a tua paz".

14-46
Julho 28, 1922
Semelhança da alma com Jesus, não só nas mortes de dor, mas também nas do amor.

(1) Sentia-me toda imersa em seu Santíssimo Querer, e meu doce Jesus ao vir me disse:
(2)"Minha filha, funde tua inteligência com a minha, a fim de que circule em todas as
inteligências das criaturas, e receba o vínculo de cada um dos pensamentos delas para
substituí-los com tantos outros pensamentos feitos em meu Querer, e eu receba a glória como
se todos os pensamentos fossem feitos de modo divino. Expanda seu querer no meu, nada
deve escapar que não fique presa na rede da tua e minha Vontade; meu Querer em Mim e meu
Querer em ti devem confundir-se juntos e ter os mesmos confins intermináveis, mas tenho
necessidade de que o teu querer se preste a estender no meu e não lhe escape nenhuma coisa
criada por Mim, a fim de que em todas as coisas escute o eco da Vontade Divina na vontade
humana, a fim de que aí gere a minha semelhança. Olha minha filha, Eu sofri dupla morte por
cada uma das criaturas, uma de amor e a outra de pena, porque ao criá-la criei um complexo
todo de amor, pelo qual não devia sair dela outra coisa que amor, tanto que meu amor e o seu
deviam estar em contínuas correntes, mas o homem não só não me amou, senão que ingrato
me ofendeu, e Eu devia refazer ao meu Divino Pai desta falta de amor, e devia aceitar uma
morte de amor por cada um, e outra de dor pelas ofensas".
(3) Mas enquanto dizia isto, via o meu doce Jesus todo uma chama, que o consumia e lhe dava
morte por cada um, aliás, via que cada pensamento, palavra, movimento, obra, passo, etc.,
eram tantas chamas que consumiam a Jesus e o vivificavam.
(4) Então Jesus acrescentou: "Não queres tu a minha semelhança? Não queres tu aceitar as
mortes de amor como aceitaste as mortes de dor?"

(5) E eu: "Ah! meu Jesus, eu não sei o que aconteceu comigo, sinto ainda grande repugnância
por ter aceitado as de dor, como poderia aceitar as de amor que me parecem mais duras? Eu
tremo só ao pensar, minha pobre natureza se aniquila mais, se desfaz. Ajuda-me, dá-me a força
porque sinto que não posso seguir adiante".

(6) E Jesus todo bondade e decidido acrescentou: "Pobre filha minha, coragem, não temas nem
queiras perturbar-te pela repugnância que sentes; aliás, para te tranquilizar digo-te que também
esta é uma semelhança minha. Deve saber que também minha Humanidade, por quanto santa,
desejosa ao máximo de sofrer, sentia esta repugnância, mas não era minha, eram todas as
repugnâncias das criaturas que sentiam em fazer o bem, em aceitar as penas que mereciam, e
eu devia sofrer estas penas que me torturavam não pouco, para dar-lhes a inclinação ao bem e
fazer-lhes mais doces as penas, tanto, que no jardim gritei ao Pai: Se é possível passe de Mim
este cálice". Acha que fui eu? Ah não! Enganas-te, Eu amava sofrer até a loucura, amava a
morte para dar vida a meus filhos, era o grito de toda a família humana que ressoava em minha
Humanidade, e Eu, gritando junto com eles para dar-lhes forças repeti três vezes: Se é
possível passe de Mim este cálice'. Eu falava em nome de todos, como se fossem coisa minha,
mas me sentia esmagado; assim que a repugnância que sentes não é tua, é o eco da minha, se
fosse tua me teria retirado, por isso minha filha, querendo gerar de Mim outra imagem minha,
Eu quero que você aceite, e eu mesmo quero imprimir em sua vontade expandida e consumida
na minha Vontade, estas minhas mortes de amor".

(7) E enquanto dizia isto, com a sua santa mão, imprimia-as para mim, e desapareceu. Seja
tudo para glória de Deus.

16-50
Fevereiro 22, 1924

Deus gozou as alegrias da Criação até que o homem pecou; logo As gozou quando veio à luz a Virgem Santíssima; depois quando veio o Verbo à terra, e as gozará quando as almas vivam no Querer Divino.

(1) Estava a pensar no que foi dito antes e dizia para mim: "Será possível que o Senhor bendito
depois de tantos séculos não tenha gozado das puras alegrias da Criação, e que espera viver no
Divino Querer para receber estas alegrias, esta glória e a finalidade para a qual tudo foi criado?"
Enquanto pensava nisto e outras coisas, meu doce Jesus se fez ver dentro de mim, e com uma luz
que me enviava para a inteligência, ele disse:

(2) "Minha filha, as alegrias puras da Criação, meus inocentes entretenimentos com a criatura eu
apreciei-os, mas a intervalos, não perenemente, e as coisas quando não são estáveis e contínuas
aumentam mais a dor e fazem desejar mais o gozo de novo, e qualquer sacrifício seria feito para
torná-los permanentes. Primeiro eu gostei das puras alegrias da Criação quando depois de criar
tudo, criei o homem, até que ele pecou. Entre ele e Nós havia sumo acordo, alegrias comuns,
inocentes entretenimentos; nossos braços estavam sempre abertos para abraçá-lo, para dar-lhe
novas alegrias, novas graças, e com o dar Nós nos divertíamos tanto, de formar para Nós e para
ele uma festa contínua; para Nós dar é gozar, é felicidade, é diversão; enquanto pecou e rompeu
sua vontade com a nossa tudo terminou, porque não estando mais nele a plenitude de nossa Vontade, faltava a corrente para poder dar e poder continuar a vida de felicidade de ambas as partes;
muito mais, pois faltando nele nossa Vontade, faltava-lhe a capacidade e a salvaguarda para poder
guardar os nossos dons.

(3) Em segundo lugar gozamos as puras alegrias da Criação quando depois de tantos séculos veio
à luz do dia a Virgem Imaculada. Tendo sido Ela preservada até da sombra da culpa e possuindo
toda a plenitude de nossa Vontade, não tendo havido entre Ela e Nós nem a sombra de ruptura entre a vontade dela e a nossa, nos foram restituídas as alegrias e nossos inocentes entretenimentos,
nos trouxe como em seu colo todas as festas da Criação, e Nós lhe demos tanto e nos divertíamos
tanto em dar-lhe, de enriquece-la a cada instante de novas graças, novos contentamentos, nova
beleza, de não poder contê-los mais. Mas a Imperatriz criatura não durou muito na terra, passou
para o Céu e não encontramos nenhuma outra criatura no submundo que perpetuasse nossos entretenimentos e nos trouxesse as alegrias da Criação.

(4) Em terceiro lugar, gozamos das alegrias da Criação quando Eu, Verbo Eterno, desci do céu e
tomei minha Humanidade. Ah! minha amada Mamãe com possuir a plenitude de minha Vontade
tinha aberto as correntes entre o céu e a terra, tinha posto tudo em festa, Céu e terra, e a Divindade estando em festa por amor de tão Santa Criatura me fez conceber em seu virginal seio, dando-
lhe a fecundidade divina para me fazer cumprir a grande obra da Redenção. Se não tivesse estado
esta Virgem excelsa que tomasse o primado em minha Vontade e que teria feito vida perfeita no
meu Querer, vivendo nele como se não tivesse vontade própria, e que com fazer isto pôs em corrente as alegrias da Criação e nossas festas, jamais o Verbo Eterno teria vindo à terra para cumprir a Redenção do gênero humano. Vê então como a coisa maior, mais importante, que mais satisfaz, que mais atrai a Deus, é o viver em meu Querer, e quem vive nele vence a Deus e faz dar de Deus dons tão grandes, de deixar estupefatos Céu e terra, e que por séculos e séculos não se haviam podido obtê-lo. Como minha Humanidade estando na terra e contendo a mesma Vida do Querer Supremo, isto é, que era inseparável de Mim, levava em modo completo à Divindade todas as
alegrias, a glória e a correspondência do amor de toda a Criação; e a Divindade foi tão feliz que me
deu o primado sobre tudo, o direito de julgar todas as pessoas. Oh, que bem obtiveram as criaturas
sabendo que um Irmão seu, que tanto as amava e tanto tinha sofrido para pô-las a salvo, devia ser
seu Juiz! A Divindade, ao ver em Eu encerrava toda a finalidade da Criação, como se se despojas-
se de tudo me concedeu todos os direitos sobre todas as criaturas. Mas minha humanidade passou
para o Céu e não ficou na terra quem perpetuasse o viver de todo no Querer Divino, e portanto,
elevando-se sobre tudo e todos em nossa Vontade, nos trouxesse as puras alegrias, e nos fizesse
continuar nossos inocentes entretenimentos com uma criatura terrestre, assim que nossas alegrias
foram interrompidas e nossos jogos despedaçados na face da terra".
(5) Então eu, ao ouvir isto, disse: "Meu Jesus, como pode ser isto que Tu dizes? É verdade que
nossa Mamãe passou ao Céu, e sua Humanidade também, mas não se levaram com Vós as alegrias,
para que possais continuar os vossos entretenimentos inocentes no Céu com seu Pai Celestial?"

(6) E Jesus: "As alegrias do Céu são nossas e ninguém nos pode tirar nem diminuir, em troca as
que nos vêm da terra estamos em ato de adquiri-las, e o jogo é formado precisamente no ato das
novas aquisições; entre a aquisição da vitória ou perda, vêm a formar-se as alegrias da aquisição,
ou se fica derrotada vêm formados as dores da derrota.
(7) Agora quanto a Nós, minha filha; quando Eu vim para a terra o homem estava tão entregue ao
mal e tão cheio de vontade humana, que o viver em meu Querer não encontrava lugar, e Eu em
minha Redenção o impetrei primeiro a graça da resignação a minha Vontade, porque no modo como se encontrava era incapaz de receber o maior dom do viver em meu Querer, e logo o impetrei a
maior graça, como coroa e cumprimento de todas as graças, viver em meu Querer, a fim de que
nossas puras alegrias da Criação e nossas diversões inocentes, tomar de volta o seu curso na face
da terra. Olha, passado cerca de vinte séculos desde que as verdadeiras, as plenas alegrias da
Criação foram interrompidas porque não encontramos capacidade suficiente, remoção total de vontade humana onde poder confiar as propriedades de nosso Querer. Agora, para fazer isso, tínhamos que escolher uma criatura que mais se aproximasse e se irmanasse com as humanas gerações, pois se eu pusesse como exemplo a minha Mãe, teriam se sentido muito distantes de Ela e
teriam dito:

Como não deveria viver no Querer Divino se foi a isenta de toda mancha, mesmo de
origem? 'Portanto, teriam levantado os ombros e não se teriam dado nem um pensamento, e se eu
colocar como exemplo a minha humanidade teria ficado ainda mais assustado e teriam dito: Era
Deus e Homem, e sendo a Vontade Divina sua vida própria, não é de maravilhar-se seu viver no
Querer Supremo'. Então, para fazer que em minha Igreja pudesse ter vida este viver em minha
Vontade, devia Eu fazer um degrau, descer mais ao baixo, escolher entre eles uma criatura, à qual
dotando-a das graças suficientes e fazendo-me caminho em sua alma, devia esvaziá-la de tudo,
fazendo-lhe compreender o grande mal de a vontade humana, de maneira que a aborrecesse tanto
de preferir a morte antes de fazer sua vontade, e depois, fazendo-lhe dom da minha Vontade Divina, e colocando-me em atitude de mestre eu lhe fizesse compreender toda a beleza, a potência, os
efeitos, o valor, o modo como devia viver na minha Vontade Eterna. Para fazer que pudesse viver
nela, estabeleci nela a lei de minha Vontade, tenho feito como em uma segunda Redenção, onde
estabeleci o evangelho, os Sacramentos, os ensinamentos, como vida principal para poder continuar a Redenção; se nada tivesse deixado, de onde se deviam afiançar? O que fazer? Assim tenho
feito de viver em meu Querer, quantos ensinamentos não te dei? Quantas vezes eu não te tenho
conduzido pela mão nos eternos voos de meu Querer, e sobrevoando você sobre todo o Criado
carregastes aos pés da Divindade as puras alegrias da Criação e nos temos entretido junto com
você? Agora, com ter escolhido uma criatura que aparentemente não tem grande disparidade com
elas, tomarão ânimo, e encontrando os ensinos, o modo e conhecendo o grande bem que há em
viver em meu Querer, o farão próprio, e assim as puras alegrias da Criação e nossos inocentes entretenimentos não estarão mais despedaçados na face da terra. E ainda que fosse uma só criatura
por geração que viva em nosso Querer, será sempre festa para nós, e nas festas se faz sempre
mais ostentação e é-se sempre mais generoso em dar.

" Oh quanto bens obterão à terra enquanto se diverte sobre sua face seu mesmo Criador!
Portanto minha querida filha, seja atenta a meus ensinamentos, porque se trata de me fazer
fundar uma lei não terrestre mas celeste, não lei de só
santidade, mas lei divina, lei que não fará mais distinguir os cidadãos terrestres dos celestes, lei de
amor que destruindo tudo o que pode impedir mesmo a sombra da união com o seu Criador, porá
em comum os seus bens, tirando-lhe todas as fraquezas, as misérias do pecado original. A lei de
minha Vontade porá tal força na alma, de servi-lo de doce charme, maneira de adormecer os males
da natureza e substituí-los com o doce charme dos bens divinos. Lembre-se quantas vezes você
me viu escrever no fundo da sua alma, era a nova lei do viver em meu Querer, na qual Eu me deleitava antes de escrevê-la para aumentar sua capacidade e depois me punha de mestre para te
explicar, quantas vezes não me viu taciturno, pensativo no fundo de sua alma? Era o grande trabalho de meu Querer que estava a formar-me, e tu, não me vendo a falar, lamentavas-te que eu
não te amava mais. ah, era precisamente então quando meu Querer, derramando-se em ti alargava tua capacidade, te confirmava Nele e te amava de mais. Por isso não queiras investigar nada do
que faço, senão Que certeza tenhas sempre em minha Vontade".

16-51
Fevereiro 24, 1924

Jesus quer estabelecer a Lei de sua Vontade. Efeitos mesmo de um único ato feito nela.

(1) Sentia-me imersa no Querer Divino e pensava entre mim: "Quem sabe quantas outras coisas de
sua Vontade dirá meu doce Jesus a outras almas, se a mim que sou tão indigna e incapaz disse-
me tanto, quem sabe quantas coisas mais sublimes dirá a outras, que são mais boas que eu". E
meu amável Jesus, movendo-se em meu interior me disse:

(2) "Minha filha, toda a lei e os bens da Redenção foram escritos por Mim e depositados no coração
de minha amada Mamãe. Era justo que, como foi Ela a primeira que viveu em meu Querer e
por isso me atraiu do Céu e me concebeu em seu seio, conhecesse todas as leis e fora depositária
de todos os bens da Redenção, e não adicionei nem uma vírgula a mais, e não porque fosse incapaz,
quando saindo à minha vida pública a manifestei às pessoas, aos apóstolos; e os mesmos
apóstolos e toda a Igreja nada acrescentaram do que eu disse e Eu fiz quando eu estava na terra.

Nenhum outro evangelho fez e nenhum outro sacramento Mas sempre gira em torno de tudo o que
Eu fiz e disse. Quem é chamado por primeiro é necessário que receba o fundo de todo o bem que
quero fazer à todas as gerações humanas; é verdade que a Igreja comentou o Evangelho, escreveu muito sobre tudo o que eu fiz e disse, mas nunca se afastou da minha fonte, da origem dos
meus ensinamentos. Assim será da minha vontade, porei em ti o fundo da lei eterna de meu Querer, o que é necessário para fazê-la compreender e os ensinamentos necessários, e sim a Igreja se

estenderá nas explicações e nos comentários, não se afastará jamais da origem, da fonte constituída por Mim,
e se alguém quiser afastar-se, ficará sem luz e na escuridão mais densa, e será obrigado, se quiser luz,
a retornar à fonte, isto é para meus ensinamentos".

(3) Quando ouvi isto, disse: "Meu doce amor, quando os reis estabelecem as leis chamam aos ministros
como testemunhas das leis que estabelecem para depositá-las em suas mãos, a fim de que
as publiquem e as façam observar pelos povos. Eu não sou ministro, é mais, sou tão pequena e
incapaz que não sou boa para nada".
(4) E Jesus acrescentou: "Eu não sou como os reis da terra que se entendem com os grandes, eu
prefiro entendê-los com os pequenos, porque são mais dóceis e nada se atribuem a eles, mas tudo
à minha bondade. No entanto, também Eu escolhi um ministro meu que te assista neste teu esta-
do, e por quanto me pediste que te libertasse de sua vinda diária, eu não prestei atenção em você,
e mesmo que você não estivesse mais sujeita a recair neste estado, Eu não vou permitir que você
perca a sua assistência. Era esta a causa pela qual era necessário que tivesse um ministro meu
que estivesse ao dia da lei de minha Vontade, e conhecendo meus ensinamentos fosse testemunha
e depositário de uma lei tão santa, e como fiel ministro meu publique na minha Igreja o grande
bem que quero fazer a Ela, com fazer conhecer a minha Vontade".

(5) Então fiquei tão imersa no Divino Querer, que me senti como se nadasse num mar imenso e
minha pobre mente se perdia, e onde tomava uma gota da Vontade Divina, e onde alguma outra, e
fluíam tanto os conhecimentos dela, que minha capacidade era impotente para os receber todos, e
entre mim dizia: "Como é grande, profundo, alto, imenso, santo tu Querer, oh Jesus meu! Tu queres pôr junto tudo o que a Ele pertence, e eu sendo pequena eu me afogo nele. Por isso, se você
quiser que eu entenda o que você quer me fazer entender, infrinja-o em mim pouco a pouco, assim
poderei manifestá-lo a quem Tu queres".

(6) E Jesus: "Minha filha, certamente que é imensa a minha Vontade, Ela contém toda inteira a
eternidade. Se você soubesse todo o bem que contém ainda uma só palavra sobre minha Vontade
e um único ato feito pela criatura Nela, você ficaria atordoada, nesse ato toma como em um punho
Céu e terra. Meu Querer é vida de tudo e corre por toda parte, e a criatura junto com meu querer
corre em cada afeto, em cada batida, em cada pensamento e em todo o resto que fazem as criaturas; corre em cada ato do Criador, em cada bem que faço, na luz que mando à inteligência, no per-
dão que concedo, no amor que envio, nas almas que dou fervor, nos bem-aventurados que beatifico, em tudo; não há bem que faço, nem ponto da eternidade em que não tenha seu pequeno lugarzinho. " Oh! como me é querida, como a sinto inseparável, é a verdadeira companheira fiel de minha Vontade, sem jamais deixá-la sozinha. Por isso corre em Ella e tocarás com a mão o que te digo".

(7) E enquanto isso dizia, lançava-me no mar imenso do seu Querer, e eu corria, corria, Mas quem
pode dizer tudo? Tocava tudo, corria em tudo, tocava com a mão o que Jesus me dizia, mas não
sei colocá-lo no papel; se Jesus quiser me dará mais capacidade, por isso por agora ponho ponto...

19-42
Julho 29, 1926
Tudo o que fazia Nosso Senhor, em virtude do Querer Divino investe toda a Criação. Quem porá de novo em festa toda a Criação?

(1) Estava fazendo minhas habituais voltas no Reino do Supremo Querer, e tendo chegado ao que
tinha feito o Divino Querer na Humanidade de Nosso Senhor, olhava suas lágrimas, seus suspiros,
seus gemidos, e tudo o que fazia, investidos pela luz de sua Vontade, Assim, seus raios estavam
enfeitados pelas lágrimas de Jesus, cheios de seus suspiros, revestidos por seus gemidos
doloridos e amorosos. E como a Criação está prenha e investida pelo Supremo Querer, seus raios
de luz investindo tudo, embelezavam todas as coisas criadas com suas lágrimas; todas as coisas
ficavam investidas por seus suspiros, por seu amor e todas gemiam junto com Jesus. Depois, o
doce Jesus saiu de dentro de mim, e apoiando sua cabeça sobre minha testa me disse:.
(2) "Minha filha, o primeiro homem ao pecar perdeu uma Vontade Divina, e por isso foi necessária
minha Humanidade unida ao Verbo Eterno, que devia sacrificar em tudo e por todo a vontade
humana de minha humanidade, para readquirir esta Vontade Divina, para dá-la de novo à criatura.
Assim que minha Humanidade não deu nem sequer um respiro de vida a sua vontade humana,
senão que a teve só para sacrificá-la e para pagar a liberdade que se tinha tomado o homem de
rejeitar com tanta ingratidão a esta Vontade Suprema, e perdendo-a faltaram-lhe todos seus bens,

A sua felicidade, o seu domínio, a sua santidade, tudo lhe caiu em desgraça. Se o homem tivesse
perdido uma coisa humana, dada a ele por Deus, um anjo, um santo a teria podido restituir, mas
como perdeu uma Vontade Divina, foi necessário um Homem e Deus que a pudesse restituir.
Agora, se tivesse vindo à terra somente para redimi-lo, teria bastado uma gota de meu sangue,
uma pequena pena para colocá-lo a salvo, mas como vim não só para salvá-lo, mas para restituir-
lhe minha Vontade perdida, quis descer esta Divina Vontade em todas minhas penas, nas minhas
lágrimas, em meus suspiros e gemidos, em tudo o que Eu fazia e sofria para readquirir de novo o
domínio em todos e sobre todos os atos humanos, e assim poder formar de novo seu Reino em
meio às criaturas. Então quando eu, quando criança, chorava, chorava, gemia, minha Vontade
Divina, mais do que raio solar, investia toda a Criação de minhas lágrimas, de meus gemidos e
suspiros, assim que as estrelas, o sol, o céu azul, o mar, a pequena flor, todos choravam, gemiam,
soluçavam e suspiravam, porque a Vontade Divina que estava em Mim era a mesma que reinava
em toda a Criação, e como conatural as estrelas choravam, o céu gemia, o sol soluçava, o mar
suspirava. A luz de minha Vontade levava meu eco em todas as coisas criadas, e repetindo meu
ato faziam companhia a seu Criador. Ahh! se você soubesse o assalto que recebia a Divina
Majestade ao ouvir meu pranto em toda a Criação, meus gemidos e suspiros.

Todas as coisas criadas, animadas por Minha Vontade, prostradas aos pés do trono divino o ensurdeciam com seus
gemidos, o atraíam com suas lágrimas, o moviam a piedade com seus suspiros e orações, e
minhas penas repercutindo-se nelas forçavam-no a ceder as chaves do Céu e imploravam de novo
o Reino da Vontade Divina sobre a terra. Meu Pai Celestial, compadecido e enternecido por sua
mesma Vontade que chorava, gemia, rogava e penava em todas suas obras, cedia as chaves e
dava de novo seu Reino, mas para estar seguro o colocava em minha Humanidade, a fim de que a
tempo oportuno o pudesse dar de novo à família humana. Eis a necessidade de que Eu obrasse e
descesse na ordem das ações humanas, porque minha Vontade Divina devia tomar seu domínio e
substituir a ordem de sua Vontade Divina em todos os atos das criaturas; vê então quanto me custa
este Reino, com quantas penas o resgatei, por isso o amo tanto e a qualquer custo o quero
estabelecer em meio às criaturas"..
(3) E eu: "Mas diz-me meu amor, se tudo o que Tu fizeste foi investido pela unidade da luz do
Supremo Querer, sendo uma esta Vontade não se pode desunir nem separar de seus atos, assim
que a Criação não está mais sozinha, tem a companhia de teus atos, de teu amor, de teus
gemidos; Portanto não há aquele silêncio de tumba que Você me disse a outra vez". E Jesus, todo
bondade acrescentou:.
(4) "Minha filha, tu deves saber que até enquanto minha humanidade esteve sobre a terra, como
também enquanto esteve a Soberana Rainha, na Criação não houve solidão nem silêncio
sepulcral, porque em virtude da luz da Vontade Divina, onde quer que esta se encontrava, como luz
se expandia, e difundindo-se em tudo se multiplicava em todas as coisas criadas, e onde quer que
se repetia o meu ato, porque uma era a Vontade. Tão certo é tudo isto, que a Criação deu sinais
sensíveis tanto em meu nascimento e muito mais em minha morte, até escurecer o sol e romper-se
as pedras, tremer a terra, como se todos chorassem a seu Criador, a seu Rei, choravam Aquele
que os havia tido em festa, que tinha rompido a sua solidão e o silêncio do túmulo, e sentindo todos
a amargura de tão dura privação, deram sinais de dor e de pranto e voltaram de novo ao luto da
solidão e do silêncio, porque partindo Eu da terra, não havia mais quem emitisse a voz na luz de
minha Vontade, que formando o eco voltava à Criação falante e obrante. Sucedia como aqueles
instrumentos de metal, que com arte encerram a voz de quem fala ou de quem canta, e o
instrumento fala, canta, chora, ri, mas isto acontece em virtude do eco da voz que falou, mas se tira
o engenho que produz aquele canto, o instrumento fica mudo. Muito mais do que Eu não vim à
terra pela Criação, mas vim pelo homem, e por isso tudo o que fiz, penas, orações, gemidos,
suspiros, deixei-os mais do que nova Criação para o bem das almas, porque tendo sido feito tudo o
que Eu fiz em virtude da minha potência criadora,

Está tudo em ordem para salvar o homem. Além disso, a Criação foi feita para o homem,
na qual ele devia ser o rei de todas as coisas criadas, mas
o homem ao subtrair-se da minha Vontade Divina perdeu o regime, o domínio, não podia formar
leis no Reino da Criação, como é costume de um rei quando possui um Reino, porque tendo
perdido a unidade da luz da minha Vontade, não soube mais reger, não tinha mais força de
domínio, suas leis não tinham valor; a Criação foi para ele como um povo que se revela ao rei e
dele forma sua chacota. Por isso minha humanidade foi rapidamente reconhecida por toda a
Criação como seu Rei, porque sentia em Mim a força da união de uma só Vontade; mas, partindo,
ficou de novo sem Rei e fechada em seu silêncio, esperando de novo a quem no Reino de minha
Vontade devia emitir sua voz para fazê-la ressoar nela. Mas você sabe quem é aquela que porá de
novo em festa toda a Criação, quem formará seu eco e a devolverá de novo falante? És tu filha
minha a que retomarás o domínio, o regime no Reino de minha Vontade, por isso sê atenta e teu
voo em meu Querer seja contínuo"..

19-43
Agosto 1, 1926

O segredo de Jesus. A força e o bem do seu segredo.

(1) Estava suspirando por meu doce bem, a Vida de minha vida, e não vindo pensava entre mim:
"Como é dura sua privação! "Ah! Jesus não me ama mais, e não só terminaram as carícias, os
beijos, suas grandes demonstrações de amor que com tanta abundância me dava antes, mas
também sua amável e arrombadora presença se faz sempre esperar". ¡ Oh Deus, que pena, que
martírio continuado, que vida sem vida, sem ar, sem descanso! Jesus meu, tenha piedade de mim,
de sua pequena exilada". Mas enquanto isso e outras coisas pensava, meu sempre amável Jesus
saiu de dentro de mim e apoiando seus braços sobre meu peito me disse:.

(2) "Minha filha, tu enganas-te dizendo que não te amo como antes, mas tu deves saber que os
meus beijos, carícias, demonstrações de amor que te fazia eram o desabafo do meu amor, que não
podendo contê-lo em meu interior, o demonstrava com tantos sinais amorosos, E como entre nós
não havia trabalho a fazer, divertia-me contigo com tantos sinais e estratagemas de amor, mas isto
servia para te preparar para o grande trabalho que entre tu e eu se devia desenvolver, e quando se
trabalha não há tempo para se divertir, mas com tudo e isto o amor não cessa, mas vem
centuplicado, reafirmado e selado. Agora minha filha, tendo-te mostrado o desafogo do meu amor
contido, quis passar a dar-te o que continha dentro de Mim, quis comunicar-te o grande segredo do
Reino da minha Vontade, dando-te os bens que ele contém. E quando se comunicam segredos
importantes, e sendo este o segredo mais importante de toda a história da Criação, se fazem a um
lado as diversões, beijos e carícias, muito mais que o trabalho do Reino do Supremo Querer é
exuberante e o maior que pode existir em toda a história do mundo.

Portanto, revelar-te o meu segredo supera todos os amores juntos, porque no segredo está a participação da própria vida, dos
próprios bens; no secreto há confiança, há esperança; e parece-te pouco que teu Jesus tenha
confiança em ti, e que tu sejas o objeto da minha esperança? Mas não de uma confiança e
esperança qualquer, senão a confiança de te confiar o Reino de meu Querer, a esperança que
ponha a salvo os direitos dele, que o faça conhecer. Agora, tendo-te confiado o segredo de minha
Vontade, que é a parte essencial da Vida Divina, e Eu não saberia te dar coisa maior que esta,
como dizes então que te amo menos que antes? Deve dizer antes que é o grande trabalho que se
requer de você e de Mim no Reino de minha Vontade. Tu deves saber que estou sempre ocupado
e todo atento a trabalhar em ti, agora ampliando tua capacidade, agora te ensino, muitas vezes
passo a trabalhar junto contigo, outras vezes te supro, em suma, estou sempre ocupado, e isto diz
que te amo sempre mais, mas com amor mais forte e substancioso"..

19-44
Agosto 4, 1926

Quem está na Divina Vontade, onde quer que se encontre
está seguro, porque nela há quatro planos.

(1) Os meus dias, as minhas horas estão sempre sob a opressão de duríssimas privações do meu
doce Jesus. Oh! como é doloroso passar da luz para as trevas, e enquanto se crê dever gozar da
luz, como relâmpago foge e fica mais escuro do que antes. Agora, enquanto me encontrava sob a
dura pena da privação da luz de meu doce Jesus, e sentindo que não podia mais, minha amada
Vida, meu sumo bem se moveu em meu interior, e eu sentindo-o lhe disse: "Jesus, como me
deixas! Sem Ti eu não sei onde me encontro". E Ele todo bondade me disse:.

(2) "Minha filha, como, não sabes onde te encontras? Não estás na minha Vontade? A casa da
minha vontade é grande; se não estiveres num andar, estarás noutro; porque ela contém quatro
planos; o primeiro é o subsolo da terra, isto é: o mar, a terra, as plantas, as flores, os montes, e
todo o resto que existe no submundo do universo; Onde quer que ela domine e governe, a sua
posição é sempre de Rainha e tudo está nas suas mãos. O segundo plano é o sol, as estrelas, as
esferas celestes. O terceiro é o céu azul. O quarto é a minha pátria e a dos santos. Em todos estes
planos minha Vontade é Rainha, ocupa o primeiro lugar de honra, assim que em qualquer destes
planos em que se encontre, está segura de que sempre estará em minha Vontade. Se você gira no
baixo do universo, a encontrará que te espera no mar, a fim de que se una com Ela para fazer o
que Ela faz, como desenvolve seu amor, sua glória, sua potência; te espera sobre os montes, no
baixo dos vales, nos prados floridos, Espera-te em todas as coisas a fim de que lhe faças
companhia para fazer que nada omitas, é mais, serás a repetidora de seus atos. Quando tiveres
girado pelo primeiro plano passa ao segundo, e a encontrarás que te espera com majestade no sol,
a fim de que sua luz, seu calor, te transformem, te façam perder teu ser e saiba amar e glorificar
como sabe amar e glorificar uma Vontade Divina. Por isso gira em nossa casa, nas obras de teu
Criador, porque onde quer que te espere a fim de que tu aprendas seus modos, repitas o que faz
minha Vontade em todas as coisas criadas, assim estarás segura de encontrar-te sempre no
Supremo Querer, e não só isto, mas vais encontrar-te sempre comigo, e se bem nem sempre me
vês, tu deves saber que sou inseparável da minha Vontade e das minhas obras, por isso estando
Ela em Mim, Eu estarei contigo e tu estarás Comigo"..

(3) Dito isto desapareceu como um relâmpago, e eu fiquei mais no escuro do que antes,
continuando meus atos no Supremo Querer, mas enquanto isso fazia lhe rogava que retornasse a
sua pequena filha dizendo: "Meu Jesus, te rogo em virtude de tua mesma Vontade, e como Ela se
encontra espalhada em toda a Criação, enchendo-a toda, por isso tua mesma Vontade te roga no
sol que retorne a tua pequena recém-nascida, te roga em cada estrela, Roga-te no céu azul que te
apresses a vir a quem não pode viver sem Ti, suplica-te no mar, em suas ondas fragorosas, em
seu doce murmúrio, que logo venhas a tua pequena exilada. Não escutas meu amor minha voz em
tua Vontade que ressoa em todas as coisas criadas, e toda a Criação roga, suplica, suspira, chora
por que regresses à pequena de tua Vontade? Como é que tantas vozes não te comovem? Como é
que tantos suspiros não te empurram, não te fazem embarcar no voo? Não sabes! Jesus que é a
tua vontade a que te roga, E se você não ouvir Ela ficaria por baixo? E eu acho que você não pode
fazer menos do que ouvi-la". Mas enquanto isto e outras coisas mais dizia, meu doce Jesus
moveu-se em meu interior, transformando-me toda nele e participando-me de suas amarguras, que
já eram demasiadas, ó Deus, quantas coisas tristes fazia ver, e seu coração era transpassado por
elas! Depois, como se quisesse aliviar me disse, fazendo-se ver com sua habitual caneta de luz na
mão:.
(4) "Minha filha, façamos tudo a um lado, falemos do reino do Supremo Querer que tanto me
interessa, não vês como estou sempre em ato de escrever no fundo de tua alma seus méritos, suas
leis celestiais, sua potência, seus prodígios divinos, sua beleza encantadora, suas alegrias infinitas,
a ordem e a harmonia perfeita que reina neste Reino do Fiat Divino? Primeiro faço os preparativos,
formo em ti todas as propriedades Dele e depois te falo, a fim de que sentindo em ti suas
propriedades, poderás ser a porta-voz de minha Vontade, o seu pregador, o seu telégrafo e o
trompete que com som ressonante chame a atenção das pessoas para ouvi-la. Os ensinamentos
que te dou sobre o Reino de meu Querer serão como tantos fios elétricos, que quando estão feitas
as justas comunicações, os preparativos necessários, basta um só fio para dar luz a cidades e a
províncias inteiras. A força da eletricidade, com uma rapidez mais que a do vento, dá luz a lugares
públicos e privados. Os ensinamentos sobre minha Vontade serão os fios, a força da eletricidade
será o mesmo Fiat, que com uma rapidez encantadora formará a luz que afastará a noite da
vontade humana, as trevas das paixões. Oh, como será bela a luz da minha vontade! Ao vê-la se
disporão os equipamentos nas almas para unir a elas os fios dos ensinamentos, para gozar e
receber a força da luz que contém a eletricidade de meu Querer Supremo. Queres ver como vai
acontecer? Olhe, Eu tomo um fio de meus ensinamentos amarrado a sua alma, e você emite sua
voz dentro do fio, diga, eu te amo', Eu te adoro', te bendigo', o que você quiser dizer, e fique atenta
a olhar"..
(5) Eu disse eu te amo e aquele te amo mudou em caracteres de luz, e a força elétrica do Supremo
Querer o multiplicava, De modo que aquele amor te amava' de luz percorria toda a abóbada dos
céus, fixava-se no sol, em cada estrela, penetrava nos Céus, fixava-se em cada um dos bem-
aventurados, formava sua coroa de luz aos pés do trono divino e entrava até no seio da Majestade
Suprema, em suma onde se encontrava a Divina Vontade, e por toda parte formava sua luz
elétrica. E Jesus, retomando a palavra, disse-me:.

(6) "Minha filha, viste que força tem a eletricidade do Fiat Supremo e como chega a todas as
partes? A eletricidade da terra se difunde no mais baixo, não tem a força de chegar até as estrelas,
mas a força de minha eletricidade se difunde no baixo, no alto, nos corações, onde quer que seja, e
quando se disponham os fios, com que rapidez encantadora fará seu caminho entre as criaturas"..

VIDA INTIMA ESTUDO 44
MISTICA CIDADE DE DEUS

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