ESCOLA DA DIVINA VONTADE - DÉCIMA TERCEIRA SEMANA DE ESTUDOS

 MEDITAÇÃO

VOLUME 1
(113) Uma noite, enquanto estávamos à mesa e eu neste estado de não poder abrir a boca, a família começou a inquietar-se, eu o sentia tanto que comecei a chorar, e para não ser vista me levantei e fui a outro quarto para seguir chorando, e pedia a Jesus Cristo e à Virgem Santíssima que me dessem ajuda e força para suportar essa prova, Mas enquanto fazia isto senti que começava a perder os sentidos. Meu Deus, que pena só de pensar que a família me veria, sendo que até então não o tinha advertido! Enquanto eu estava nisso, eu dizia: "Senhor, não deixe que me vejam". E eu tinha tanta vergonha de que me vissem, embora não sei dizer por que, e tratava por quanto mais podia me esconder em lugares onde não podia ser vista; quando era surpreendida inesperadamente por esse estado, de modo que não tinha tempo de me esconder ou ao menos de me ajoelhar, porque na posição em que me encontrava assim ficava, e poderiam dizer que estava rezando, então me descobriam. Enquanto perdia os sentidos, Nosso Senhor se fez ver no meio de muitos inimigos que lhe lançavam toda classe de insultos, especialmente o agarravam e pisavam-no sob os pés, blasfemavam-no, lhe puxavam os cabelos; Parecia-me que o meu bom Jesus queria fugir debaixo daqueles pés fétidos e ia à procura de uma mão amiga que o libertasse, mas não encontrava ninguém. Enquanto via isto, eu não fazia outra coisa senão chorar sobre as penas de meu Senhor, teria querido ir no meio desses inimigos, talvez poderia libertá-lo, mas não me atrevia e lhe dizia: "Senhor, faz-me participar em tuas penas. ¡¡ Ah, se pudesse aliviar-te e libertar-te!" Enquanto isto dizia, aqueles inimigos, como se como se tivessem entendido, vinham contra mim, mas tão enfurecidos que começaram a me golpear, a puxar-me os cabelos, a pisotear-me, eu tinha grande temor, sofria, sim, mas dentro de mim estava contente porque via que dava ao Senhor um pouco de trégua. Depois aqueles inimigos desapareciam e eu ficava sozinha com o meu Jesus.

Tentei compadecer me mas não me atrevia a dizer-lhe nada, e Ele rompendo o silêncio me disse:
(114) "Tudo o que tu viste é nada em comparação com as ofensas que continuamente me fazem, é tanta a sua cegueira, o entregar-se às coisas terrenas, que chegam a tornar-se não só cruéis inimigos meus, mas também deles mesmos, e como seus olhos estão fixos na lama, por isso chegam a desprezar o eterno. Quem me reparará por tanta ingratidão? Quem terá compaixão de tanta gente que me custa sangue e que vive quase sepultada na imundície das coisas terrenas?

Ah, vem e reza, chora junto Comigo por tantos cegos que são todos olhos para tudo o que sabe a terra, e desprezam e espezinham minhas graças debaixo de seus imundos pés, como se estas fossem lama. Ah, eleva-se sobre tudo o que é terra, aborrece e despreza tudo o que a Mim não pertence, não te importem as zombarias que recebes da família depois de me teres visto sofrer tanto, só te importas com a minha honra, as ofensas que continuamente me fazem e a perda de tantas almas. Ah, não me deixe sozinho no meio de tantas penas que me destroçam o coração, tudo o que você sofre agora é pouco em comparação com as penas que sofrerá, não te disse sempre que o que quero de você é a imitação de minha Vida? Olhe como você é de Mim, por isso coragem e não tenha medo".

2-15
Abril 21, 1899
Vê Jesus como uma criança quando está sozinho. Medo de que ele fosse alguém para fazer-lhe mal. Pergunta quem é, e diz-lhe que é o pobre dos pobres e que queria estar com ela.

(1) Esta manhã, estando no meu estado habitual, num momento me encontrei em mim mesma, mas sem poder me mover, quando de repente senti que alguém entrava em meu quarto, depois fechou de novo a porta e ouvi que se aproximava da minha cama. Em minha mente pensava que alguém tinha entrado furtivamente, sem que ninguém da família o tivesse visto e tinha penetrado até meu quarto. Quem sabe o que eu poderia fazer? Era tanto o medo que eu senti o sangue gelar nas veias e tremia toda. Oh, Deus! O que fazer? Dizia entre mim: "A família não o viu, eu sinto-me toda imóvel e não posso defender-me nem pedir ajuda; Jesus, Maria, Mãe minha, ajudai-me, São José, dizei-me deste perigo". Quando senti que subia à cama e se aninhava junto a mim, foi tanto o temor, que abri os olhos e lhe disse: "Dize-me, quem és tu?"
(2) Ele respondeu: "Eu sou o pobre dos pobres, não tenho onde estar; vim a ti para ver se me queres ter contigo em teu quarto, olha, sou tão pobre que nem sequer tenho vestidos, mas tu pensará em tudo".
(3) Eu o olhei bem, era um menino de cinco ou seis anos, sem vestidos, sem sapatos, mas sumamente belo e gracioso, em seguida lhe respondi: "Por mim com gosto te teria, mas o que dirá meu papai? Não sou uma pessoa livre que pode fazer o que quiser, tenho meus pais que o impedem. Vestir-te se posso fazê-lo com meus pobres trabalhos, farei qualquer sacrifício, mas ter-te comigo é impossível. Além disso, não tens pai, não tens mãe, não tens onde ficar?"
(4) Mas a criança amargamente respondeu: "Não tenho ninguém, ah, não me faças vaguear mais, deixa-me estar contigo!"
(5) Eu mesma não sabia o que fazer, como tê-lo. Um pensamento me passou pela mente:
"Quem sabe, talvez seja Jesus, ou será algum demônio para me perturbar?" Então disse-lhe de novo: "Mas dize-me a verdade, quem és tu?" E ele repetiu:
(6) "Eu sou o pobre dos pobres".
(7) Eu respondi: "Aprendeste a santificar-te?"
(8) "Sim". Respondeu.
(9) Pois então fá-lo, quero ver como o fazes.
(10) Ele perseguiu-se com o sinal da cruz.
(11) Eu acrescentei: "E a Ave Maria sabes dizer?"
(12) "Sim, mas se queres que a diga, vamos dizê-la juntos".
(13) Eu comecei a Ave Maria e Ele a dizia junto comigo, nesse momento uma luz puríssima se desprendeu de sua fronte adorável e conheci que o pobre dos pobres era Jesus. Num instante, com aquela luz que Jesus me enviava, fez-me perder de novo os sentidos e tirou-me de mim mesma. Eu estava toda confusa diante de Jesus, especialmente por tantas rejeições e rapidamente lhe disse:
(14) "Meu querido, perdoa-me, se te tivesse conhecido não te teria proibido a entrada. Além disso, porque não me disseste que eras tu? Tenho tantas coisas para te dizer, eu ter-te-ia dito, não teria perdido o meu tempo com tantas inutilidades e medos. Para te ter a Ti não tenho necessidade dos meus, posso ter-te livremente porque Tu não te deixas ver por nenhum". Mas enquanto dizia isto, Jesus desapareceu e assim acabou tudo, deixando-me uma pena por não lhe ter dito nada do que queria dizer-lhe.

3-13
Novembro 26, 1899
Complacência da Santíssima Trindade diante do sofrimento de Luísa.

(1) Encontrando-me no meio de grandes sofrimentos, meu amável Jesus veio e me pôs o braço por detrás do pescoço, em ato de me segurar. Agora, estando perto d'Ele comecei a fazer minhas habituais adorações a todos os seus santos membros, começando por sua sacratíssima cabeça.
No momento em que fazia isto, disse-me:
(2) "Amada minha, tenho sede, tira-me a sede com o teu amor, que não resisto mais".
(3) E tomando aspecto de menino pôs-se em meus braços e pôs-se a mamar, parecia que sentia um gosto grandíssimo e ficava tudo confortado e acalmava sua sede. Depois disto, querendo brincar comigo, com uma lança que tinha na mão me trespassava o coração de lado a lado. Eu sentia uma dor terrível, mas oh! como estava contente de sofrer, especialmente porque eram as mesmas mãos de meu só e único Bem as que me davam o sofrer, e o incitava a me rasgar principalmente, tanto era o gosto e a doçura que eu sentia. E Jesus bendito, para me satisfazer mais, arrancou-me o coração, tomando-o entre as suas mãos, e com essa mesma lança abriu-o pela metade e encontrou uma cruz resplandecente e macia, tomou-a entre as suas mãos agradando-se grandemente e disse-me:

(4) "Esta cruz foi produzida pelo amor e a pureza com que sofres, estou tão contente no modo com que tu sofres, que não só eu, mas eu chamo o Pai e o Espírito Santo para agradar Comigo".
(5) Num instante olhei e vi Três Pessoas que me circundando se deleitavam em olhar esta cruz, mas eu, lamentando-me com Eles disse:
(6) "Grande Deus, muito pouco é meu sofrer, não estou contente só com a cruz, senão que quero também os espinhos e os cravos, e se eu não o mereço, porque sou indigna e pecadora, Vós, certamente podeis dar-me as disposições para merecê-lo".
(7) E Jesus, enviando-me um raio de luz intelectual, fez-me perceber que queria que eu confessasse as minhas culpas. Senti-me aterrorizada ante as Três Divinas Pessoas, mas a Humanidade de Nosso Senhor me inspirava confiança, assim que dirigindo-me a Ele disse o "eu pecador", e depois comecei a fazer a confissão de minhas culpas. Agora, enquanto me encontrava toda imersa em minha miséria, uma voz saiu do meio deles que dizia:
(8) "Te perdoamos, e você, não peque mais".
(9) Eu esperava receber a absolvição de Nosso Senhor, mas nesse momento desapareceu. (10)

Pouco depois voltou crucificado e me participou as dores da cruz.

4-14
Setembro 30, 1900

Jesus pede-lhe para consolar a sua mãe aflita.

(1) Esta manhã meu dulcíssimo Jesus não vinha e tive que ter muita paciência em esperá-lo, cheguei até me esforçar em sair de meu habitual estado porque não tinha força para continuar nele. Jesus não vinha, o sofrer me parecia que havia fugido de mim, os sentidos me os sentia em mim mesma, não me restava mais que fazer um esforço para sair, mas enquanto isso fazia, o bendito Jesus veio e fez um cerco ao redor de minha cabeça com seus braços, e desde esse momento não me tenho sentido mais em mim mesma, e via Nosso Senhor muito indignado com o mundo e, querendo aplacá-lo, disse-me:
(2) "Por agora, não queiras cuidar de Mim, mas peço-te que te ocupes de minha Mãe, consola-a, porque está muito afligida pelos castigos mais pesados que estou prestes a derramar sobre a terra".
(3) Quem pode dizer o quanto aflita fiquei?

5-15
Junho 30, 1903

Beleza interior da alma.

(1) Encontrando-me fora de mim mesma, vi a Rainha Mãe, e prostrando-me aos seus pés, disse-lhe: "Minha Mãe, em que terrível estreiteza me encontro privada do único bem meu e da minha própria vida, sinto-me chegar aos extremos".
(2) E enquanto dizia isto chorava, e a Virgem Santíssima abrindo-se uma parte do coração, como se se abrisse uma custódia tomou o menino de dentro e me deu-o dizendo:
(3) "Minha filha, não chores, aqui está o teu bem, a tua vida, tu tudo, toma-o e tenha-o sempre contigo, e Enquanto o tiveres contigo, tem o teu olhar fixo em teu interior sobre Ele, não te preocupes se não te diz nada, ou se tu não sabes dizer nada, somente olha-o em teu interior, porque com olhá-lo compreenderás tudo, farás tudo, e satisfarás por todos; esta é a beleza da alma interior, que sem voz, sem instruções, como não há nada exterior que a atraia ou a inquiete, senão que toda sua atração, todos seus bens estão fechados no interior, facilmente, com o simples
olhar a Jesus tudo entende e toda obra. Deste modo caminharás até o cume do Calvário, e uma vez que tenhas chegado, não mais como menino o verás, senão Crucificado e tu ficará junto com Ele crucificada".
(4) Por isso parecia que com o menino nos braços e a Virgem Santíssima fazíamos o caminho do Calvário; enquanto se caminhava alguma vez encontrava alguém que me queria tirar Jesus, e chamava em ajuda à Rainha Mãe dizendo-lhe: "Minha mãe, ajuda-me, que querem tirar-me Jesus".
E Ela me respondia: "Não temas, teu empenho seja ter o olhar interior fixo sobre Ele, e isto tem tanta força, que todas as outras forças humanas e diabólicas ficarão debilitadas e derrotadas".
(5) Agora, enquanto caminhava encontramos um templo no qual se celebrava a santa missa, no momento de receber a comunhão eu voei com o menino nos braços ao altar para recebê-la, mas qual não foi minha surpresa, que enquanto Jesus Cristo entrou dentro de mim, Desapareceu dos meus braços, e pouco depois me encontrei em mim mesma.

6-15
Dezembro 28, 1903

Como todas as vidas estão em Cristo.

(1) Depois de haver esperado muito, assim que veio meu bendito Jesus, fazia-me ver muitas almas humanas em sua humanidade, e enquanto via me disse:
(2) "Minha filha, todas as vidas humanas estão em minha Humanidade no Céu como dentro de um claustro, e estando dentro de meu claustro, de Minha parte o regime de suas vidas, não só isto, senão que minha Humanidade sendo claustro, faz as vidas de cada alma; qual não é minha alegria quando as almas estão neste claustro, e o eco que sai da minha Humanidade combina-se com o eco de cada vida humana da terra; e qual é a minha amargura quando vejo que as almas não estão contentes e saem, e outras estão, mas forçadas e de má vontade, não se submetem às regras e ao regime de meu claustro, por isso os ecos não se combinam juntos".

7-15
Maio 6, 1906

Deus é alimento e vida da alma.

(1) Continuando meu habitual estado, veio o bendito Jesus com um pão na mão, como se me quisesse fortalecer, porque por suas contínuas privações me sinto tão mal, que parece que só um fio de vida me mantenha viva, e que debaixo deste fio ficaria incinerada e consumida.
Depois de me ter fortificado com aquele pão, disse-me:
(2) "Minha filha, assim como o pão material é alimento e vida do corpo, e não há partícula do corpo que não receba vida deste pão, assim Deus é alimento e vida da alma, e não deve haver partícula que não tome vida e alimento de Deus, isto é, animar a si mesmo somente Deus, como nutrir seus desejos em Deus, os afetos, as inclinações, o amor, fazê-los tomar vida e alimento em Deus, de modo que nenhum outro alimento lhe fosse agradável, somente Deus apenas, mas oh, quantos fazem que suas almas se alimentem de toda sorte de porcarias!"

(3) Dito isto desapareceu e encontrei-me dentro de uma igreja, e parecia que várias pessoas diziam: "Maldito, maldito! Como se quisessem amaldiçoar ao Senhor bendito, e também às mesmas criaturas. Eu não sei como compreendia todo o peso dessas maldições, como se significassem destruição de Deus e deles mesmos, e eu chorava amargamente por estas maldições. Depois via no altar um sacerdote que celebrava que, indo no meio daqueles que tinham proferido tais maldições, com voz solene e com autoridade, disse: "Maledicti, maledicti!"
Ele disse isso pelo menos por uma vintena de vezes ou mais, e enquanto dizia isso, parecia que milhares e milhares de pessoas caíam mortas, quem por revolução, quem por terremotos, quem no fogo e quem na água, e parecia-me que estes castigos eram precursores das próximas guerras. Eu chorava, e Ele, aproximando-se de mim, me disse:
(4) "Minha filha, não temas, a ti não te amaldiçoo, antes te digo: "Bendita mil e mil vezes!"
“Chora e reza por estes povos”.

8-16
Novembro 3, 1907

A alma na Divina Vontade deve comparecer a tudo.

(1) Esta manhã, encontrando-me no meu estado habitual, senti o meu amável Jesus mover-se dentro de mim, e repetia:
(2) "Vamos mais adiante".
(3) Eu ao ouvir isto me encolhi de ombros dizendo: "Senhor, por que diz vamos mais adiante? Mas
bem diga, irei mais adiante nos castigos, eu tenho medo de pôr nisto minha vontade".
(4) E Ele: "Minha filha, minha Vontade e a tua são uma, e se digo vamos mais adiante nos castigos, não digo o mesmo no bem que faço às criaturas, que é, oh! quanto mais do que Os castigos? e nos
muitos outros castigos que não mando, você não está unida Comigo? Então, quem está unido no bem, não deve estar unido nas mortificações? Entre Eu e você não deve haver divisões. Você não é outra coisa que aquela pequena erva que Deus se tem comprazido em dotar com uma maravilhosa virtude, e assim como à pequena erva da que não se conhece a virtude que contém pisa e nem sequer se olha, assim quem não conhece o dom que coloquei em ti e a virtude que contém minha erva, não só te pisa, senão que não compreende quanto me agrado Eu com dar valor às coisas menores".
(5) Depois disto parecia que apoiava a sua cabeça sobre a minha, e eu disse: "Ah, faz-me sentir os
teus espinhos!"
(6) E Ele: "Queres que te bata?"
(7) E eu: "Sim". Neste momento vi nas mãos de Jesus uma vara com bolas de fogo, e eu vendo o fogo: "Senhor, tenho medo do fogo, bate-me só com a vara".
(8) E Ele: "Não queres ser espancada, Eu vou-me embora".
(9) E desapareceu sem me dar tempo para lhe pedir que me batesse como a Ele lhe agradasse.
Oh! como fiquei pensativa e aflita, mas Ele que é tão bom me perdoará.

9-15
Outubro 4, 1909
O pensamento de si mesmo deve ser interrompido para fazer o que Jesus faz.

(1) Continuando meu estado de aflição e de perda de meu bendito Jesus, estava segundo meu costume toda ocupada em meu interior nas horas da Paixão, justo na hora em que Jesus carrega o pesado madeiro da cruz. Todo mundo me estava presente: Presente, passado e futuro, minha fantasia parecia ver todas as culpas de todas as gerações que pressionavam e quase esmagavam o benigno Jesus, assim que a cruz não era outra coisa que uma folha de palha, uma sombra de peso em comparação com o peso de todos os pecados; eu tentei me estreitar a Jesus e dizia:
"Olha minha vida, meu bem, estou eu em nome de todos eles. Vês quantas ondas de blasfêmias?
E eu, para te reparar, te abençoo por todos. Vês quantas ondas de amargura, de ódios, de desprezos, de ingratidão, de pouquíssimo amor? E eu quero adoçar-te por todos, amar-te por todos, agradecer-te, adorar-te, honrar-te por todos, mas os meus reparos são frios, mesquinhos, finitos; tu que és o ofendido és Infinito, por isso também os meus reparos, meu amor, quero torná-los infinitos, e para torná-los infinitos, imensos, intermináveis, me uno a Ti, com tua mesma Divindade, e mais, junto com o Pai e com o Espírito Santo e te bendigo com vossas bênçãos, te amo com vosso amor, te adoço com vossas mesmas doçuras, te honro, te adoro como fazeis entre as Divinas Pessoas". Mas quem pode dizer todos os desatinos que dizia? Não terminaria jamais se quisesse dizer tudo. Quando me encontro nas horas da Paixão, sinto que, juntamente com Jesus, também eu abracei a imensidão do seu agir, e por todos e por cada um glorifico a Deus, reparo, impetro por todos, e por isso é-me difícil dizer tudo. Então, enquanto fazia isso, o pensamento me disse: "Pensas nos pecados dos outros, e os teus? Pensa em ti, repara por ti". Por isso tentei pensar nos meus males, nas minhas grandes misérias, nas privações de Jesus, que são causa dos meus pecados, e distraindo-me das coisas habituais do meu interior chorava a minha grande desventura. Enquanto eu estava nisto, meu sempre amável Jesus se moveu em meu interior, e com voz sensível me disse.
(2) "Queres tu julgar-te? O obrar do teu interior não é teu, senão meu, tu não fazes outra coisa que seguir-me, o resto faço tudo por Mim. O pensamento de ti mesma deve ser tirado, não deves fazer outra coisa senão o que quero Eu, e Eu pensarei em teus males e em teus bens. Quem pode fazer-te melhor, tu ou eu?"

(3) E mostrava que se desgostava. Então pus-me a segui-lo, mas pouco depois, chegando a outro ponto do caminho do calvário, no qual mais do que nunca me internava nas diversas intenções de Jesus, o pensamento me disse: "Não só deves tirar o pensamento de santificar-te, mas também o de salvar-te, não vês que por ti mesma não és boa para nada? Em que te aproveitará fazer pelos demais?" Eu, dirigindo-me a Jesus, disse-lhe: "Meu Jesus, o teu sangue não é para mim, as tuas dores, a tua cruz? Tenho sido tão má que tendo pisado sob meus pés com minhas culpas, Tu talvez as tenhas esgotado para mim, ah, perdoa-me, mas se não queres perdoar-me deixa teu Querer e estarei contente, tua Vontade é tudo para mim; fiquei só sem Ti, e só Tu podes conhecer a perda que tive, não tenho ninguém, as criaturas sem Ti me aborrecem, sinto-me nesta prisão do meu corpo como escrava em correntes; pelo menos por piedade não me tires o teu Santo Querer".
E enquanto eu pensava isso eu me distraí de novo de meu interior, e Jesus me fez ouvir sua voz, alta, forte e imponente que dizia:
(4) "Não queres terminar com isso? Queres tu estragar a minha obra em ti?"
(5) E não sei, mas como se tivesse posto silêncio em minha mente tratei de segui-lo e de terminar com esses pensamentos.

10-13
Janeiro 17, 1911

Os governantes civis ouvirão Jesus mais do que os chefes eclesiásticos. As casas de reunião de sacerdotes serão chamadas casas do ressurgimento da fé.

(1) Continuando meu estado habitual, meu sempre amável Jesus veio, mas tão aflito e tão ardente de amor, que delirava e pedia um refrigério, e pondo seus braços ao meu pescoço me disse:
(2) "Minha filha, dai-me amor, este é o único refrigério para acalmar meus delírios de amor".

(3) Depois acrescentou: "Filha, o que escreveste com relação às reuniões dos sacerdotes, se me escutam, não é outra coisa que quase um processo que faço com eles, senão, como os chefes dos eclesiásticos não me escutarão, estando também eles atados pelos laços do interesse e sendo escravos das misérias humanas, quase lambendo-as, em vez de dominar sobre as misérias, ou seja, sobre o interesse, sobre o desejo de realeza e outros, as misérias os dominarão a eles, assim que ensurdecidos pelo que é humano não serei escutado nem compreendido, então me dirigirei aos chefes civis, que mais facilmente me prestarão atenção, os quais, entre para ver o sacerdote humilhado, e sendo estes talvez um pouco mais despojados que os mesmos eclesiásticos, minha voz será mais ouvida, e o que os eclesiásticos não querem fazer por amor, farei que o façam por necessidade e pela força, e farei que lhes seja retirado pelo governo o resíduo que lhes ficou".
(4) E eu: "Meu sumo e único bem, qual será o nome que se dará a estas casas e quais as regras?"

(5) E Ele: "O nome será: As casas do ressurgimento da fé‟. Com respeito às regras, podem servir-se das mesmas regras do oratório de São Filipe Néri".

(6) Depois acrescentou: "Diga ao padre B. que tu serás o órgão e ele o som para esta obra, e que se ele receber zombaria e for mal querido pelos interessados, os bons e os poucos verdadeiramente bons compreenderão a necessidade e a verdade que ele anuncia, e se farão um dever de consciência se agregarem à obra, e ademais, se recebe burlas terá a honra de se fazer mais semelhante a Mim".

11-15
Abril 10,1912
As almas que têm mais confiança são o desabafo e o entretenimento do Amor de Jesus.

(1) Continuando meu habitual estado, assim que veio o bendito Jesus me disse:
(2) "Minha filha, as almas que mais resplandecerão como cintilantes gemas na coroa de minha Misericórdia, são as almas que têm mais confiança, porque quanto mais confiança tem, tanto mais dão campo ao atributo de minha Misericórdia para derramar qualquer graça que essas almas queiram; em vez de quem não tem verdadeira confiança, ela mesma me encerra as graças dentro de Mim e permanece sempre pobre e desprovida, e meu Amor fica contido em Mim e sofro grandemente, e para não sofrer tanto e para poder mais livremente desabafar meu Amor, trato mais com as almas que têm confiança que com as outras, porque com estas posso desafogar meu Amor, posso jogar, posso tomar amorosos contrastes, porque não tenho que temer que se zangue, que se deixem levar pelo temor, Elas ficam mais atrevidas e em tudo encontram como me amar mais. Assim que as almas com confiança são o desabafo e o entretenimento do meu Amor, são as mais graciosas e as mais ricas".


MEDITAÇÃO
CAPITULO 11
NA CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS O SENHOR TEVE PRESENTE A CRISTO SENHOR NOSSO E SUA MÃE SANTÍSSIMA. ESCOLHEU E BENEFICIOU SEU POVO, E POR FIGURAS REPRESENTOU ESTES MISTÉRIOS.

Cristo e Maria, primeiras criaturas ideadas pelo Pai

134. No Capítulo VIII dos Provérbios (Pr 8,30) diz a Sabedoria, falando de si mesma, que na criação de todas as coisas se achou presente com o Altíssimo, compondo-as todas.

Eu disse acima que esta Sabedoria é o Verbo humanado que juntamente com sua Mãe Santíssima achava-se presente, quando Deus em sua mente divina determinava a criação do universo.
Naquele instante, estava não só o Filho com o Eterno Pai e o Espírito Santo na unidade da natureza divina, mas também a humanidade que havia de assumir, ocupando o primeiro lugar na criação prevista e ideada na mente divina do Pai. Com essa humanidade encontrava-se a de sua Mãe Santíssima de cujo puríssimo ventre a receberia.
Em Cristo e Maria estiveram previstas todas as demais obras e por causa deles, a nosso modo de falar, o Altíssimo sentiu-se mais empenhado a criar o restante das criaturas preparadas para o serviço do homem, do que o poderia desobrigar do gênero humano e até os anjos.

Cristo e Maria, tipos da semelhança com Deus

135. Contemplava o Altíssimo seu Filho Unigênito humanado e sua Mãe Santíssima, como os modelos plasmados com a grandeza de sua sabedoria e poder.
Eram os originais por onde seria copiada toda a linhagem humana. Deste modo, assemelhando-se a estas duas imagens da sua Divindade, todos os demais sairiam também semelhantes a Deus.
Criou, além disso, as coisas materiais, necessárias para a vida humana, com tal sabedoria, que muitas serviriam de símbolos para representar, de algum modo, aos dois principais objetos que principalmente Deus tinha em vista e a quem elas serviriam: Cristo e Maria.
Assim, formou os dois luminares do céu, sol e lua (Gn 1,16) que, separando a noite e o dia, se assemelhariam ao sol de justiça, Cristo e a sua Mãe Santíssima, formosa como a lua (Ct 6,9). Separam a luz e dia da graça, da noite das trevas do pecado. Com suas contínuas influências o sol ilumina a lua, e ambos a todas as criaturas, desde o firmamento com seus astros até as mais ínfimas em todo o universo.

O homem é criado para conhecer e amar a Deus

136. Criou as demais coisas, aumentando-Ihes a perfeição por considerar que haviam de servir a Cristo e Maria Santíssima, e por eles aos demais homens.
Antes de tirar a estes do nada, preparou-lhes deliciosa, abundante, segura e mais célebre mesa que a de Assuero (Est 1, 3).
Como os havia de criar para sua alegria e convidá-los às delícias de seu conhecimento e amor, cortês e generoso Senhor não quis que o convidado esperasse. Ser criado e achar-se sentado à mesa do divino  conhecimento e amor seria uma só coisa, não adiando o que tanto importava ao homem; o reconhecimento e louvor de seu Criador.

Criação de Adão e Eva semelhantes a Cristo e Maria

137. No sexto dia da criação (Gn1,27) formou e criou Adão na compleição física de 33 anos, idade em que Cristo havia de morrer, e tão parecido à sua humanidade santíssima, que no corpo era mínima a diferença, e a alma semelhante à sua quanto à natureza.
De Adão formou Eva, tão semelhante à Virgem que a reproduzia nas feições e em toda a pessoa. Contemplava o Senhor, com sumo agrado e benevolência, estes dois retratos dos originais que oportunamente criaria. Por causa destes lhes concedeu muitas bênçãos, como para se entreter com eles e seus descendentes, enquanto esperava o dia no qual havia de formar Cristo e Maria.

Inveja de Lúcifer pelos primeiros homens.

138. Todavia, o feliz estado no qual Deus criara os dois primeiros pais do gênero humano durou muito pouco. Contra eles logo se despertou a inveja da serpente que espreitava a sua criação, apesar de que Lúcifer não pudera ver a formação de Adão e Eva como vira todas as outras coisas no momento de serem criadas. Não quis o Senhor mostrar-lhe a criação do homem, tampouco a formação de Eva da costela, e só os viu quando apareceram juntos.
Quando o demônio viu a admirável compleição da natureza humana, superior a todas as demais criaturas; a beleza das almas e também dos corpos de Adão e Eva; conhecendo o paternal amor que lhes votava o Senhor e que os fizera donos e senhores de toda a criação com promessas de vida eterna, enfureceu-se a ira deste dragão.
Não há língua que possa explicar a violência com que se agitou aquela besta feroz. Incitado pela inveja desejou tirar-lhes a vida e, como um leão o teria feito, se não fosse detido por outra força superior.
Por este motivo, estudava e procurava modo para os rebelar contra o Altíssimo e derrubá-los da graça divina.

O demônio começa a observar Adão e Eva

139. Enganou-se Lúcifer porque, embora desde o princípio o Senhor lhe houvesse manifestado que o Verbo far-se ia homem no seio de Maria Santíssima, não lhe declarou onde e como.
Por esta razão, lhe ocultou a criação de Adão e a formação de Eva, para que logo começasse a sentir a ignorância do mistério da encarnação e sua época. Como o ódio do demônio visava principalmente Cristo e Maria, começou a suspeitar se, por acaso, Adão teria saído de Eva, sendo ela a mãe, e ele o Verbo humanado. Esta suspeita crescia no demônio por sentir a força divina que o impedia atentar contra a vida deles. Mas, por outro lado, conheceu os preceitos que Deus lhes impôs. Descobriu-os ouvindo Adão e Eva falarem sobre isso.
Pouco a pouco se lhe desfazia a duvida. Pôs-se a escutar as conversas dos dois pais, sondando sua natureza, começando logo, como faminto leão, a rodeá-los (Pd 5,8), procurando entrada pelas inclinações que percebia em cada um deles. Antes, porém, de se desenganar totalmente, sempre vacilava entre o ódio contra Cristo e Maria e o temor de ser por eles vencido.
Acima de tudo temia a vergonha de ser subjugado pela Rainha do céu, por ser ela pura criatura sem divindade.

Queda de Adão e Eva

140. Reparando, pois, no preceito que Adão e Eva receberam, armado com a mentira, entrou a tentá-los, começando com todo o esforço a contradizer a divina vontade. Não atacou primeiro o homem, e sim a mulher, porque viu que sua natureza era mais frágil e delicada e tinha certeza de que ela não era Cristo. Além disso alimentava contra ela extrema indignação, desde  o sinal que havia visto no céu, e a ameaça que Deus lhe fizera por meio daquela mulher.
Tudo isto o levou primeiro a acometer Eva e não Adão.
Antes de se mostrar, insuflou-lhe muitos pensamentos, vivas e desordenadas imaginações para encontrá-la perturbada e preparada. Como noutra parte já escrevi sobre isto, não me alongo aqui para dizer quão forte e cruelmente a tentou. Basta, agora, para meu intento, saber o que dizem as santas escrituras: que tomou a forma de serpente (Gn 3,1) e falou a Eva que com ele imprudentemente entabulou conversa. De ouvi-lo e responder-lhe passou a lhe dar crédito, e daqui a violar o preceito. Por fim, persuadiu o marido que o violasse, para dano seu e de todos, perdendo eles e nós o feliz estado no qual os havia posto o Altíssimo.

Deus não abandonou o homem pecador

141. Quando Lúcifer viu a queda dos dois, e que a formosura interior da graça e justiça original de suas almas transformara-se na fealdade do pecado, foi incrível o alvoroço e triunfo que celebrou com seus demônios.
Não tardou, porém, seu desapontamento, porque conheceu quão misericordioso, ao contrário do que desejava, mostrou-se o amor divino com os dois delinqüentes. Deu-lhes tempo para fazer penitência com esperança do perdão e de sua graça, para o que iam se dispondo com dor e arrependimento.
Entendeu Lúcifer que lhes era restituída a formosura da graça e amizade com Deus, e estes efeitos da contrição enfureceram novamente todo o inferno.
A sentença que Deus fulminou contra os réus aumentou seu desgosto, por verificar que se enganara. Acima de tudo, o atormentou ouvir a renovação daquela ameaça que lhe fôra feita no céu: a mulher te esmagará a cabeça (Gn 3,15).

Bons e maus

142. Multiplicaram-se os filhos de Eva depois do pecado, e este passou a servir de distinção entre bons e maus, escolhidos e réprobos; uns que seguem a Cristo nosso Redentor e Mestre; outros a Satanás. Os escolhidos seguem seu Chefe na fé, humildade, caridade, paciência e todas as virtudes; e para vencerem são assistidos, ajudados e aperfeiçoados pela divina graça e dons que lhes mereceu o mesmo Senhor e Reparador de todos.
Os réprobos, porém, sem receberem estes benefícios e favores de seu falso caudilho, nem esperar outro prêmio mais que a pena e confusão eterna do inferno, seguem-no por soberba e presunção, ambição, torpezas e maldades introduzidas pelo pai da mentira e autor do pecado.

Abel e Caim, Jerusalém e Babilônia

143. Não obstante, a inefável benignidade do Altíssimo lhes deu sua bênção, para com ela crescerem e se multiplicar a estirpe humana (Gn 4,3). Permitiu, porém, sua altíssima providência, que o primeiro parto de Eva herdasse as primícias do primeiro pecado no injusto Caim, e o segundo figurasse no inocente Abel, o reparador do pecado, Cristo Senhor nosso.
Assim, começou a revelá-lo na figura de sua pessoa e na imitação de seu espírito. No primeiro justo se inaugurou a lei de Cristo e sua doutrina, da qual todos os demais haviam de ser discípulos; padecendo pela justiça (Mt 10,21-22), odiados e oprimidos pelos pecadores e réprobos, seus próprios irmãos. Em Abel estrearam-se a paciência, humildade e mansidão. Em Caim, a inveja e todas as maldades que cometeu em proveito do justo que as padeceu, e em prejuízo de si mesmo que aparentemente triunfou.
Começou deste modo o drama que o mundo apresentaria em seu crescimento, formado pelas duas cidades: Jerusalém para os justos e Babilônia para os réprobos, cada qual com seu chefe e cabeça.

O primeiro e o segundo Adão

144. Quis também o Altíssimo que o primeiro Adão, no modo de sua criação, fosse figura do segundo. Antes de Adão, lhe preparou o povo de todas as criaturas, das quais o fez senhor e cabeça.
Antes de enviar seu Unigênito deixou passar muitos séculos, para que encontrasse na multiplicação do gênero humano, povo de quem havia de ser cabeça, mestre, e rei verdadeiro. Deste modo, não estaria um momento sem povo e súditos.
Esta é a ordem e harmonia maravilhosa com que tudo dispôs a Divina Providência, sendo posterior na execução o que fora anterior na intenção.

O povo escolhido

145. Adiantando-se os tempos, para o Verbo descer do seio do eterno Pai e vestir nossa mortalidade, escolheu, separou e preparou um povo nobilíssimo, tão admirável que nem antes nem depois houve outro. Nele formou uma linhagem ilustre e santa da qual o Verbo descenderia segundo a natureza humana. Não me detenho em referir esta genealogia (Mt 1; Lc 3) de Cristo Senhor Nosso por não ser necessário, tendo-a escrito os evangelistas. Digo apenas - louvando quanto posso ao Altíssimo - que em muitas ocasiões me foi mostrado o incomparável amor que teve a seu povo, os benefícios que lhe concedeu, os sacramentos e mistérios que nele encerrou, manifestados depois em sua santa Igreja. Jamais adormeceu nem dormitou, quem se constituiu por guarda de Israel (SI120, 4).

As riquezas espirituais do povo de Deus

146. Suscitou profetas e patriarcas santíssimos, que em figuras e profecias nos anunciassem de longe o que agora possuímos. Devemos venerá-los, conhecendo o apreço que eles fizeram da lei da graça, as ânsias e clamores com que a desejaram e pediram.
A este povo, Deus manifestou seu ser imutável por muitas revelações a nós legadas nas Escrituras, onde se encerram imensos mistérios, a cujo conhecimento devíamos chegar pela fé.
Todos foram cumpridos e confirmados pelo Verbo humanado, deixando-nos segura doutrina, e para sua Igreja, o alimento das Sagradas Escrituras.
Ainda que os profetas e justos daquele povo não puderam ver a Cristo, corporalmente, foi o Senhor liberalíssimo com eles, manifestando-se-lhes em profecias e movendo-Ihes os afetos para que pedissem sua vinda e a redenção de todo o gênero humano.
A consonância e harmonia de todas estas profecias, mistérios e desejos dos antigos Padres, eram para o Altíssimo música suavíssima a ressoar no seu íntimo.
Com ela - a nosso parecer - entretinha a espera e apressava o tempo para descer ao convívio dos homens.

O Gênesis

147. Para não me deter muito no que o Senhor me deu a conhecer sobre este assunto e para chegar ao que vou procurando - as preparações que fez este Senhor para enviar ao mundo o Verbo humanado e sua Mãe Santíssima - farei uma descrição sucinta, seguindo a ordem das divinas Escrituras.
O Gênesis contém o que respeita ao exórdio e criação do mundo para a linhagem humana; a divisão das terras e povos; o castigo c a restauração; a confusão das línguas e origem do povo escolhido; sua descida ao Egito e outros muitos e grandes mistérios declarados por Deus a Moisés. Por intermédio dele chegamos a conhecer o amor e justiça que, desde o princípio, Deus usou para trazer os homens ao seu conhecimento e serviço, e indicar o que havia determinado fazer no futuro.


FALO COISAS SÉRIAS INÉDITAS SOBRE A VIDA NA DIVINA VONTADE

Os MAGOS DELIBERAM VOLTAR.

Tendo os Reis, portanto, feito as adorações e ofertas, e instruídos por minha dileta Mãe, começaram a tratar entre si da volta aos próprios países. Afeiçoados a mim, não teriam querido mais deixar-me e estimavam grande sorte ter podido tratar comigo. Mas, já sabiam ser vontade do Pai que retornassem a seus países, a fim de transmitirem pelo exemplo a vida espiritual a muitos, e reduzirem a gentilidade ao conhecimento do verdadeiro Deus. Sendo os primeiros chamados à fé, deviam ser as pedras fundamentais de tão grande edifício que eu já tinha determinado edificar, querendo conduzir a gentilidade ao conhecimento do verdadeiro Deus. Decidiram partir e voltar ao próprio país. Não se resolviam a partir e tendo já os seus corações ficado presos de meu amor, não podiam apartar-se de mim sem grande pesar. Tive grande pena com a partida deles, vendo-os tão afeiçoados e muito me compadecia, e ainda com gestos infantis demonstrava-lhes o desprazer que sentia. Oferecia esta pena ao Pai e pedia-lhe pelo pesar experimentado e pela resignação à sua santa vontade, se dignasse dar igual força e virtude às almas que, para cumprir a sua vontade, se houvessem separado dos amigos mais caros, a fim de poderem fazê-lo prontamente e de bom grado, tornando-se-lhe agradáveis, com perfeito desprendimento de todas as criaturas. Tudo isso prometeu-me o Pai. Estando eu já ciente da malícia de Herodes, e sabendo do morticínio de tantos inocentes, por minha causa, pois ambicionava matar-me por temor de que eu o privasse do reino, supliquei ao Pai se dignasse fazer os Reis entenderem a maligna intenção do iníquo Herodes, a fim de que não efetuasse seu perverso desígnio para comigo. O Pai o fez, e por um anjo Reis que não voltassem para junto de Herodes, mas retornassem ao próprio país, como de fato o fizeram.

PARTIDA DOLOROSA

Tendo, pois, licença, os Reis, já santos, partiram, mas com que dor no coração! Oh! Quantas vezes voltaram os olhos lacrimejando para mim! Que enorme violência fizeram a si mesmos,  para  saírem da gruta por eles considerada e apreciada como verdadeiro paraíso.  Quantos suspiros emitiam seus corações inflamados de amor! Quanto recomendaram a mim e a minha Mãe! Como lhe ofertariam não só e reino, mas também a própria pessoa, em perpétua servidão, reconhecendo-a por sua verdadeira Rainha! Resolutos, por fim, partiram, acompanhados de minha graça e bênção celeste.

DOR DE JESUS

Tendo partido esses Reis, fiquei com minha dileta Mãe, muito consolado pela conversão deles e de toda a gentilidade que, no decurso do tempo devia seguir-se, por meio dos Reis e de meus Apóstolos. Entre tanta consolação, experimentei, esposa minha, grande amargura, que muito me afligia, a saber, por causa da crueldade de Herodes no morticínio que projetava de tantos pobres inocentes, no intuito de encontrar a minha pessoa e matar-me. Oh! Quanto me punha aflito, minha esposa, essa grande crueldade! Via que era odiado por um de meu povo e mortalmente odiado, apenas por ter nascido! Adiou o iníquo Herodes por algum tempo seu plano, esperando o retorno dos Reis; mas, vendo-se iludido, enfureceu-se. No entanto eu, esposa caríssima, sofria grande pena pela malignidade daquele coração duro. Oferecia a pena ao Pai e rogava-lhe removesse do coração de Herodes aquele cruel desígnio, mas o Pai nisto não me atendeu, e fez o mesmo que no Horto de Getsêmani. Disse-me que sua disposição era que me sujeitasse à ordem do iníquo Rei, e que com a fuga escaparia de suas péssimas ordens. Deveras, minha esposa, assim foi. Convinha-me fugir, como direi no devido lugar; no entanto, observai como o Pai atende a todos os pedidos para utilidade de meus irmãos, mas no referente a minha pessoa, muitas vezes mo negou e quis que sofresse de todos os modos perseguições e injúrias, ofensas, escárnios, ingratidões, desprezos, vilipêndios e toda espécie de ultrajes! Agradecia por isso a meu Pai e rogava-lhe fizesse meus seguidores julgarem as penas suaves e agradáveis na medida em que para mim se tornassem duras e ásperas. Fizesse-me provar toda a amargura, porque de bom grado sofria tudo para lhe obedecer  e por amor de meus irmãos. Sabia muito bem que, àqueles irmãos que sem seguir-me, convir-lhes-ia sofrer muito, porque assim trata o Pai aqueles que ama, com isto o Pai consentia em tornar suave o sofrimento. O Pai atendeu-me e de fato experimentei toda a aqueles que Ele ama para merecerem e serem grandes em seu reino, e comunicar-lhes amor e graça. E de fato, esposa minha, a um coração amante tornam-se muito suaves e gratas as penas•, e tudo isto em virtude de minhas orações; no entanto eu somente quis provar a amargura, sem uma gota de consolo, e quando sentia alguma consolação na minha infância, logo ela era amargurada por alguma tribulação e sofrimento.

JESUS DORME E VIGIA.

Havendo partido os Reis Magos, como fiquei com minha querida Mãe e com rosto bem jovial a fitei, enchendo-a de consolação. Pedindo-lhe algum alívio, deu-me seu puríssimo leite. Ao tomá-lo, fiz minhas costumeiras ofertas ao Pai, conforme referi acima. Cheia de consolação a querida Mãe, pelo alimento que me dera, eu, um tanto confortado, adormeci em seus braços. Dormia a humanidade, mas o espírito tratava com o Pai, -- porque jamais deixei de tratar com Ele — sem que o sono o impedisse. Neste mesmo tempo via aqueles santos Reis irem para seus países, muito tristes por se afastarem de mim. Via ainda as perturbações que sofreriam por voltarem por outro caminho, muito difícil, e quanto sofreriam por meu amor naquela viagem tão longa. Pedi ao Pai os assistisse com uma graça particular e jamais os abandonasse, corno de fato o fez; tiveram grande proteção e ainda a assistência de muitos anjos enviados por meu Pai; embora invisíveis aos Reis, estes, contudo, perceberam como os anjos foram muito benéficos. Jamais deixei de fitar os bons Reis com olhos de compaixão e amor, mas em particular naquela viagem fí-lo com maior atencão. Pedi ainda ao Pai que assim como eu tivera amor e compaixão por aqueles que sofriam por amor. Ele se compadecesse de todos aqueles que por meu amor houvessem suportado tormentos, ou houvessem sofrido contratempos, e tivessem empreendido viagens pela sua e minha glória; Ele se dignasse assistir a todos e dar a todos poderoso auxílio e graça e enviasse anjos em seu socorro. O Pai prometeu-me fazê-lo como na verdade o vai continuamente praticando em relação a todos aqueles que sofrem por seu amor e suportam fadigas e coisas semelhantes por sua glória, dando a todos a graça, ajudando-os e socorrendo-os por meio dos anjos, que em muitas ocasiões se tornam visíveis para liberar a criatura dos perigos e de muitas insídias que são tramadas pelos inimigos.

PENAS DE JESUS E DE MARIA

Despertando do sono, mostrei a minha Mãe, com rosto triste, que de fato estava pensando como estariam sujeitos a muitos sofrimentos os que tivessem querido honrar-me, seguindo-me os exemplos e achegando-se de perto. Tinha muita pena deles, e quis experimentar de antemão em mim mesmo todas as suas dores e aflições, a fim de que ninguém pudesse dizer: "Passo por uma tribulação pela qual meu Redentor não passou." Não, esposa caríssima, quis sentir tudo primeiramente em mim mesmo e com sentimento mais intenso do que aquele experimentado por eles em si mesmos, porque eu o senti inteiramente na alma, a parte mais nobre e sensível, e depois no decurso de minha pregacão, experimentei-o ainda em minha humanidade. Afligia-se muito minha querida Mãe ao ver-me assim triste e dolente, sem conhecer a causa, enquanto o mais das vezes eu lha escondia, para fazê-la sofrer mais e porque esta era a vontade do Pai; receiava provir dela tal perturbação e muito se afligia. Era, porém, muito assistida pela graça divina em suas penas, se não morreria de dor, porque sua maior pena era o temor de ter desagradado a mim, que considerava seu Deus, pois reconhecia em mim a divindade que me estava unida . Dava-me pesar ainda vê-la tão aflita e sentida pelo supracitado temor. Oferecia ao Pai minha pena e também a da querida Mãe e suplicava-lhe que, em virtude delas, se dignasse dar luz e graça às almas, por cuja culpa Ele fosse desprezado, afim de que conhecam e compreendam como é grave dar desgosto a um Deus tão bom, e sintam a dor que devem deveras sentir por mal tão grande; e embora a ofensa for leve, não obstante pode sempre se chamar grave porque contradiz á infinita sabedoria e traz desprazer a uma bondade infinita. Oh! minha esposa, quanto me afligia, mesmo por estas coisas que os homens

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PARTE 1

12-16
Julho 25, 1917

Jesus purifica a alma para admiti-la a viver em sua Vontade.

(1) Continuando o meu habitual estado lamentava-me com Jesus e ao mesmo tempo pedia-lhe que pusesse fim a tantos castigos, e Jesus disse-me:
(2) "Minha filha, lamentas-te? No entanto é nada ainda, virão os grandes castigos, a criatura se tornou insuportável, sob os castigos se rebela mais, e nem sequer quer reconhecer que é minha mão que castiga, não tenho outros meios que usar que exterminá-la, assim poderei tirar tantas vidas que espestam a terra e me matam a crescente geração, portanto não espere o fim por agora, senão sim outros males piores, não haverá parte da terra que não seja empapada de sangue".
(3) Eu, ouvindo isto, sentia-me dilacerar o coração, e Jesus, querendo consolar-me, disse-me:
(4) "Minha filha, vem em minha Vontade para fazer o que faço Eu, e em meu Querer poderás correr para o bem de todas as criaturas, e de dentro do sangue onde nadam poderás salvá-las com a potência de meu Querer, de modo que as trará lavadas por seu próprio sangue com o selo de minha Vontade".
(5) E eu: "Minha vida, sou tão má, como posso fazê-lo?"
(6) E Jesus: "Você deve saber que o ato mais nobre, mais sublime, maior, mais heróico, é fazer minha Vontade e agir em meu Querer, por isso, a este ato ao que nenhum outro poderá igualar,
Eu lhe dou alegria de todo meu amor e generosidade, e enquanto a alma se decide a fazê-lo, Eu, para lhe dar a honra de tê-la em meu Querer, no ato em que os dois quereres se encontram para fundir-se um no outro e fazer-se um só, se está manchada a purifico, e se os espinhos da natureza humana a envolvem, as destroço; se algum prego a traspassa, isto é, o pecado, Eu pulverizo-o, porque nada pode entrar de mal em minha Vontade; é mais, todos meus atributos a investem e lhe mudam a debilidade em fortaleza, a ignorância em sabedoria, a miséria em riqueza, e assim de todo o resto. Nos outros atos permanece sempre alguma coisa de si, mas nestes fica a alma despojada toda de si mesma, e Eu a encho toda de Mim".

13-14
Agosto 25, 1921
Quanto mais conhecimento se tem do Divino Querer, tanto mais valor adquirem os atos.

(1) Estava toda fundindo-me no Santo Querer Divino, e meu Jesus me disse:
(2) "Filha de meu Querer, quantas vezes mais te submerges em meu Querer, tanto mais se amplia o círculo de tua vontade na minha. É verdade que os atos feitos em meu Querer enchem tudo, como a luz do sol enche a terra, mas com o repetir os atos em meu Querer alarga-se a circunferência do mesmo sol, e a alma adquire maior intensidade de luz e de calor; e conforme repete seus atos em meu Querer, tantas vezes fica atada sua vontade à minha, e estes nós fazem correr tantos rios divinos sobre toda a terra, que impedem o livre curso à justiça".
(3) E eu: "Mas, ó meu Jesus, muitos flagelos enchem a terra, tanto de fazer estremecer".
(4) E Ele: "Ah, minha filha, no entanto pode-se dizer que ainda não é nada! E se não fosse por estes rios, por estes nós da vontade humana feitos na Vontade Divina, Eu olharia a terra como
se não me pertencesse mais, e então faria abrir redemoinhos por toda parte para engoli-la. Oh,como me pesa a terra!"
(5) Mas o dizia com tal amargura de fazer chorar as pedras. Depois acrescentou:
(6) "Cada vez que te falo de meu Querer e você adquire novos conhecimentos, tanto mais valor tem seu ato em meu Querer e mais riquezas imensas adquire. Acontece como com alguém que tem uma jóia e sabe que esta tem um valor de um centavo; ele é rico em um centavo. Agora,acontece que ele mostra sua jóia por um especialista, e ele lhe diz que sua jóia vale cinco mil liras; então ele já não possui um centavo, mas é rico em cinco mil liras. Depois de algum tempo tem ocasião de fazer ver sua jóia por outro perito mais experiente, e ele lhe assegura que sua jóia tem um valor de cem mil liras e que está disposto a comprá-la se é que a quer vender; agora é rico em cem mil liras.Depois de algum tempo tem ocasião de fazer ver sua jóia por outro perito mais experiente, e ele lhe assegura que sua jóia tem um valor de cem mil liras e que está disposto a comprá-la se é que a quer vender; agora é rico em cem mil liras. Conforme conhece o valor de sua jóia, assim se faz mais rico e sente maior amor e estima por sua jóia; a tem guardada com maior cuidado sabendo que é toda sua fortuna, enquanto antes a tinha como uma coisa de nada. Não obstante a jóia não mudou, ficou tal como era, a mudança foi feita nele com saber o valor que a jóia contém. Assim acontece da minha Vontade, como também das virtudes, segundo a alma compreende seu valor, adquire maior conhecimento sobre ela, assim vem a adquirir novos valores e novas riquezas em seus atos. Por isso, quanto mais souberes da minha Vontade, tanto mais o teu ato adquirirá o seu valor. Oh, se soubesse que mares de graças eu abro entre você e eu cada vez que te falo dos efeitos do meu Querer, morreria de felicidade e faria festa como se tivesse adquirido novos reinos para dominar!"

14-14
Março 18, 1922

A culpa acorrenta a alma e a impede de fazer o bem.

(1) Estava acompanhando meu doce Jesus em suas penas da Paixão, e Ele fazendo-se ver me  disse:
(2) "Minha filha, a culpa acorrenta a alma e a impede de fazer o bem: A mente sente a cadeia da culpa e fica impedida de compreender o bem, a vontade sente a cadeia que a ata e se sente entorpecida, e em lugar de querer o bem quer o mal, o desejo acorrentado sente que lhe cortam as asas para voar a Deus. ¡ Oh, como me dá compaixão ver o homem acorrentado por suas mesmas culpas! Eis porque a primeira pena que quis sofrer na Paixão foram as correntes, quis estar atado para libertar o homem de suas correntes. Aquelas correntes que Eu sofri tornaram-
se, assim que me tocaram, em cadeias de amor, as quais tocando o homem queimavam e rompiam as suas e o amarravam com minhas amorosas cadeias. Meu amor é obrante, não sabe estar se não obra, por isso para todos e para cada um preparei o que se necessita para reabilitá-lo, para curá-lo, para embelezar-lo de novo, tudo fiz a fim de que se se decidir encontre tudo preparado e a sua disposição, por isso tenho prontas as minhas cadeias para queimar as suas; os pedaços da minha carne para cobrir as suas chagas e adorná-lo de beleza; meu sangue para lhe dar novamente a vida; tudo o tenho pronto. Tenho em reserva para cada um o que se necessita, meu amor quer dar-se, quer obrar, sinto uma intranquilidade, uma força irresistível que não me dá paz se não dou, e sabe o que faço? Quando vejo que ninguém toma, concentro minhas correntes, os pedaços de minha carne, meu sangue, em quem os ama e me ama, e o cubro de beleza, envolvendo tudo com minhas correntes de amor, o centuplico a vida de graça, e assim meu amor se desafoga e se tranqüiliza".
(3) Mas enquanto isso dizia, eu via que suas correntes, os pedaços de sua carne, seu sangue, corriam sobre mim, e Ele se divertia aplicando-os sobre mim e envolvendo-me toda. Como é bom Jesus, seja sempre bendito! Depois voltou e acrescentou:

(4) "Minha filha, sinto a necessidade de que a criatura repouse em Mim e Eu nela, mas sabes quando a criatura repousa em Mim e Eu nela? Quando sua inteligência pensa em Mim e me compreende, ela repousa na inteligência de seu Criador, e a do Criador encontra seu repouso na mente criada; quando a vontade humana se une com a Vontade Divina, as duas vontades se abraçam e repousam juntas; Se o amor humano se eleva sobre todas as coisas criadas e ama só o seu Deus, que belo repouso encontram mutuamente Deus e a alma! Quem dá repouso, encontra-o, Eu faço de leito e a tenho no mais doce sono, estreitada entre meus braços, por isso vem e repousa em meu seio".

15-13
Abril 2, 1923
A Divina Vontade é germe de ressurreição à Graça, à santidade e à glória. Na Divina Vontade está o vazio do obrar humano no Divino. Os conhecimentos são os olhos da alma.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, meu sempre amável Jesus se fazia ver todo amável, majestoso e como envolto dentro de uma rede de luz, luz mandava de seus olhos, luz saía de sua boca, de cada palavra sua, de cada batimento, de cada movimento e passo, em suma, a sua humanidade era um abismo de luz. E Jesus olhando para mim uniu-me com esta luz dizendo-me:
(2) "Minha filha, quanta luz, quanta glória teve a minha humanidade na minha Ressurreição, porque no curso da minha Vida nesta terra não fiz outra coisa senão fechar em cada ato meu, em cada respiro, olhar, em tudo, à Vontade Suprema, e conforme a encerrava, Assim o Divino Querer me preparava a glória, a luz em minha Ressurreição, e contendo em Mim o mar imenso da luz de minha Vontade, não é maravilha que se olho, se falo, se me movo, saia tanta luz de Mim para poder dar luz a todos. Agora quero acorrentar-te e envolver-te nesta luz, para pôr em ti tantos germes de ressurreição por quantos atos vais fazendo em minha Vontade, Ela é a única que faz ressurgir a alma e o corpo à glória, Ela é germe de ressurreição à graça, germe de ressurreição à mais alta e perfeita santidade, germe de ressurreição à glória. Assim que conforme a alma faz seus atos em meu Querer, assim vai encadeando nova luz divina, porque meu Querer por natureza é luz, e quem nele vive tem virtude de transformar os pensamentos, as palavras, as obras e tudo o que faz, em luz".

(3) Depois estava eu a dizer ao meu doce Jesus: "Rezo no teu Querer, a fim de que a minha palavra, multiplicando-se nele, tenha por cada palavra de cada criatura uma palavra de oração, de louvor, de bênção, de amor, de reparação; gostaria que a minha voz se elevasse entre o Céu e a terra, absorver em si todas as vozes humanas para dá-las a Ti em homenagem e glória, de acordo com como Tu queres que a criatura se sirva da palavra". Agora, enquanto dizia isto, meu amável Jesus pôs sua boca perto da minha, e com seu fôlego, aspirando absorvia minha respiração, minha voz, meu respiro no seu, e pondo-o como em caminho em seu Querer percorria cada uma das palavras humanas, e mudava as palavras, As vozes, segundo o que eu tinha dito, e conforme as percorria assim se elevavam ao alto para fazer o ofício diante de Deus, em nome de todos, de todas as vozes humanas. Eu fiquei maravilhada, e lembrando-me que Jesus já não me fala tão freqüentemente do seu Querer, disse-lhe:

(4) "Diz-me meu amor, por que não me falas tão freqüentemente do teu Querer? Talvez eu não tenha estado atenta às tuas lições e fiel em pôr em prática os teus ensinamentos?"
(5) E Jesus: "Minha filha, em minha Vontade está o vazio do obrar humano no Divino, e este vazio deve ser preenchido por quem vive em meu Querer, quanto mais esteja atenta a viver em meu Querer, e em fazê-lo conhecer aos demais, tanto mais cedo será preenchido este vazio, de modo que meu Querer, vendo-se mover em Si ao querer humano, como regressando ao princípio de
onde saiu, sentir-se-á satisfeito e verá cumpridos seus anseios sobre a geração humana, ainda que fossem poucos ou mesmo um só, porque meu Querer com sua potência pode refazer-se de tudo, mesmo com um só se não encontra outros, mas é sempre uma vontade humana que deve vir na minha para preencher tudo o que os demais não fazem; isto me será tão agradável que rasgarei os Céus para fazer descer meu Querer e fazer conhecer o bem e os prodígios que contém. Cada entrada que faz de mais em meu Querer me incita a te dar novos conhecimentos sobre Ele, a te contar outros prodígios, porque quero que conheça o bem que faz para que o aprecie, e ame o possuí-lo, e Eu, vendo que o ama e o aprecia, te o dou em posse. O conhecimento é o olho da alma, a alma que não conhece está como cega àquele bem, àquelas verdades. Em minha Vontade não há almas cegas, aliás, cada conhecimento lhes dá um alcance maior de vista, por isso entra freqüentemente em meu Querer, alarga teus confins em minha Vontade, e Eu, assim que veja isto, voltarei a te dizer coisas mais surpreendentes de minha Vontade".

(6) Agora, enquanto isto dizia, giramos juntos um pouco pela terra, mas, oh espanto! Muitos queriam ferir o meu amado Jesus, que com facas, quem com espadas, e entre estes havia Bispos,
sacerdotes, religiosos, que o feriam até no coração, mas com tal fúria que dava horror. Oh! como sofria e se lançava em meus braços para ser defendido, eu o estreitava e lhe roguei que me desse parte de suas penas; Ele me contentou com traspassar-me o coração com tal veemência, de sentir todo o dia uma chaga profunda, e Jesus repetidamente voltava a me ferir. Então, na manhã seguinte, sentindo ainda forte a dor, o meu doce Jesus voltou dizendo-me:
(7) "Deixa-me ver o teu coração".
(8) E, enquanto o olhava, disse-me: "Queres que te cure para te aliviar da dor que sofres?"
(9) E eu: "Meu sumo bem, por que queres curar-me? Não sou digna de sofrer por Ti? Teu coração está todo ferido, e o meu, por comparação ao teu, ó! como é escasso o meu sofrer, melhor, se a Ti te agrada me dê mais penas". E Ele, estreitando-me totalmente a Si, continuou a trespassar-me o coração com mais dor, e deixou-me. \
(10) Seja tudo para sua glória.

16-14
Agosto 13, 1923

A Virgem foi o início, a origem, o germe do Fiat Voluntas Tua como no Céu assim na terra. Jesus sobre este germe de seu mesmo Querer que encontrou em sua Divina Mãe formou o grande plano da vontade humana na Vontade Divina. Agora, por meio de outra criatura, abrirá o campo deste plano às gerações.

(1) Sentia-me oprimida pela privação do meu doce Jesus, e pondo-me a rezar lhe pedia que não tardasse em vir a minha pobre alma, que não podia mais. Então com surpresa minha eu vi que estava apertado ao meu pescoço, me envolvendo com seus braços, e com seu rosto que tocava o meu, e com uma luz que queria infundir em minha mente; eu, como atraída o beijei, mas como se quisesse rejeitar a luz e dizia entre mim: "Eu não me importo de saber as coisas, O que quero é salvar minha alma, e Jesus só me basta para me salvar, todo o resto é nada". Então Jesus me tocou a testa, não pude resistir mais, e a luz entrava em mim e dizia:

(2) "Minha filha, quem é chamado a um ofício deve conhecer os segredos, a importância, os deveres, os bens, o fundador e tudo o que a esse ofício pertence. Saiba que uma simples criatura rompeu as relações que existiam entre a Vontade Divina e a criatura, esta ruptura destruiu os planos que a Divindade tinha na criação do homem; agora, outra simples criatura, embora dotada de tantas graças e privilégios, qual foi a Virgem, Rainha de todos, mas sempre pura criatura, foi-lhe dado o ofício de ter que retomar, cimentar e estabelecer relações com a Vontade do seu Criador para reparar a primeira ruptura de aquela primeira criatura; mulher a primeira, mulher a segunda.

Foi propriamente Ela, que com vincular seu querer ao nosso nos restituiu a honra, o decoro, a sujeição, os direitos da Criação; não foi uma só criatura que teve o início do mal e a que formou o
germe da ruína de todas as gerações? Assim, esta só Criatura Celestial teve o início do bem, com relacionar-se com a Vontade de seu Criador formou o germe daquele Fiat Eterno que devia ser a salvação, a santidade, o bem-estar de todos. Agora, esta Celestial Criatura, conforme crescia, assim crescia nela o germe daquele Fiat Eterno, que fazendo-se árvore, o Verbo Eterno sentiu-se arrebatado a repousar sob a sombra de seu Eterno Querer, e ficou concebido, formando a sua humanidade naquele seio virginal, no qual reinava como Rei dominante seu Supremo Querer. Veja então como todos os bens descendem de meu Supremo Querer, e todos os males saem em campo quando a criatura se subtrai da Vontade Divina. Então, se não tivesse encontrado uma criatura que tivesse por vida meu Querer, e que não se tivesse posto em relação comigo Com aqueles vínculos da Criação queridos por Mim, não teria querido nem poderia descer do Céu e tomar carne humana para salvar o homem, assim que minha Mamãe foi o início, a origem, o germe do "Fiat Voluntas Tua come in Cielo Così in terra"; porque uma criatura o tinha destruído, era justo que outra criatura tinha de o reedificar. E minha Humanidade, que jamais se separou de minha Divindade, sobre este germe de meu mesmo Querer que encontrei em minha Divina Mãe formei o grande plano da vontade humana na Divina Vontade; com minha vontade humana unida à Divina não houve ato humano que não pusesse em relação com o Querer Supremo; com o Querer Divino estava em dia de todos os actos de todas as gerações, com o querer humano ia reparando-os e os ligava com o Eterno Querer; não houve ato que me escapasse e que não fosse ordenado por Mim na luz puríssima da Suprema Vontade. A Redenção, poderia dizer que me custou pouco, teriam bastado minha vida externa, as penas de minha Paixão, meus exemplos, minha palavra, e a teria feito em muito pouco tempo; mas para formar o grande plano da vontade humana na Divina, para unir todas as relações e vínculos por ela quebrados, devia colocar todo meu interior, toda Minha vida escondida, todas as minhas dores íntimas, que são de mais duração e mais intensas que minhas penas externas, e que ainda não são conhecidas; basta dizer que não era só o perdão o que impele, a remissão das culpas, o refúgio, a salvação, a defesa nos graves perigos da vida do homem, como o impeli na minha Paixão, senão era o ressurgimento de todo o interior, devia fazer surgir esse Sol do Querer Eterno, que amarrando com força raptora todo o interior do homem, até as mais íntimas fibras, devia conduzi-lo ao seio de meu Pai Celestial como renascido em seu Eterno Querer. Oh! Como foi mais fácil conseguir-lhe a salvação do que reordenar lhe seu interior em meu Supremo Querer, e se isto não o tivesse feito, a Redenção não teria sido completa, nem teria sido obra digna de um Deus, nem teria ajustado nem ordenado todas as partidas do homem, nem restituído aquela santidade perdida por ter sido subtraída e rompeu as relações com a Divina Vontade. O plano já está feito, mas para fazê-lo conhecer era necessário que primeiro o homem soubesse que com minha Vida e Paixão podia obter o perdão e a salvação, para dispô-lo a fazer-lhe conhecer como lhe havia conseguido a coisa maior e mais importante, que é o ressurgimento de seu querer no meu, para restaurar lhe sua nobreza, as relações quebradas com minha Vontade, e com isto seu estado de origem.
(3) Agora minha filha, se a minha eterna sabedoria determinou que uma Celestial e a mais Santa de todas as criaturas preparará o germe do meu Santo Querer, no qual Eu formei o plano do ressurgimento do homem em minha Suprema Vontade, agora por meio de outra criatura, fazendo-a entrar nas eternas moradas de meu Querer e vinculando sua vontade com a minha, unindo-a a todos os meus atos faço ressurgir todo seu interior no Eterno Sol de meu Querer, e abro o campo deste plano às gerações, de maneira que quem quiser possa entrar nele para colocar-se em relação com a Vontade do seu Criador, e se até agora gozaram os bens da Redenção, agora passarão a gozar os frutos do Fiat Voluntas Tua come in Cielo Como na terra, aquela felicidade perdida, aquela dignidade e nobreza, aquela paz toda celestial que com fazer sua vontade o homem tinha feito desaparecer da face da terra. Graça maior não poderia fazer, porque com colocá-lo de volta em relação a minha Vontade, eu lhe restituo todos os bens com os quais o Deus o criou. Por isso seja atenta, porque se trata de abrir um grande campo de bens a todos os teus irmãos".

17-14
18 de setembro de 1924

Diferença entre viver na Vontade de Deus e fazer a Vontade de Deus. Para entender o que quer dizer viver na Divina Vontade deve-se dispor ao maior dos sacrifícios, que é o de não dar vida, mesmo nas coisas santas, à própria vontade.

(1) Estava pensativa acerca do que está escrito sobre o viver no Divino Querer, e pedia a Jesus que me desse mais luz para explicar-me melhor, e assim poder esclarecer mais a quem estou obrigada a fazê-lo este bendito viver na Divina Vontade, e meu doce Jesus me disse:.
(2) "Minha filha, não se quer entender. O viver em minha Vontade é reinar, o fazer minha Vontade é estar às minhas ordens; o primeiro é possuir, o segundo é receber minhas ordens e cumpri-las.
Viver em meu Querer é fazer sua minha Vontade como coisa própria, é dispor dela; fazer minha Vontade é tê-la em conta como Vontade de Deus, não como coisa própria, nem poder dispor dela como se quer. O viver em minha vontade é viver com uma só Vontade, a qual é a de Deus, a qual, sendo uma Vontade toda Santa, toda pura, toda paz, e sendo uma só Vontade a que reina, não há contrastes, tudo é paz; As paixões humanas tremem ante esta Suprema Vontade e querem evitá-la, não se atrevem a mover-se nem a opor-se, vendo que diante desta Santa Vontade tremem Céus e terra. Então o primeiro passo de viver no Querer Divino, o que faz? Colocar a ordem divina no fundo da alma, esvaziá-la do que é humano, de tendências, de paixões, de inclinações e de outras coisas. Ao contrário, fazer minha Vontade é viver com duas vontades, e quando dou as ordens de seguir a minha, a criatura sente o peso de sua vontade que lhe põe contrastes, e embora siga as ordens de minha Vontade com fidelidade, sente o peso da natureza rebelde, suas paixões e inclinações. E quantos santos, embora tenham chegado à perfeição mais alta, sentem esta sua vontade que lhes faz guerra, que os tem oprimidos, e muitos são obrigados a gritar: Quem me livrará deste corpo de morte? Isto é, desta minha vontade que quer dar morte ao bem que quero fazer? Viver na minha vontade é viver como filho, fazer a minha vontade é viver como servo. No primeiro, o que é do pai é do filho e muitas vezes fazem mais sacrifícios os servos que os filhos, a eles cabe expor-se aos serviços mais cansativos, mais humildes, ao frio, ao calor, a viajar a pé; com efeito, quanto não fizeram os meus santos para seguir as ordens da minha Vontade? Mas o filho está com seu pai, tem cuidado dele, alegra-o com seus beijos e com suas carícias, manda aos servos como se o fizesse seu pai; se sair, não vai a pé, mas viaja em carruagem; e se o filho possui tudo o que é do pai, aos servos não se dá outra coisa senão o pagamento pelo trabalho que fizeram, e ficam livres de servir ou não servir a seu patrão, e se não o servem não têm mais direito de receber nenhuma outra compensação. Pelo contrário, entre pai e filho, ninguém pode retirar estes direitos: que o filho possua os bens do pai. 'Nenhuma lei, nem celeste nem terrestre pode remover estes direitos, nem desvincular a filiação entre pai e filho. Minha filha, viver em minha Vontade é o viver que mais se aproxima ao dos bem-aventurados no Céu, e é tão distante de quem faz minha Vontade e está fielmente a minhas ordens, quanto é distante o Céu da terra, quanta distância há entre filho e servo, entre rei e súdito. Além disso, isto é um dom que quero fazer nestes tempos tão tristes, que não só façam minha Vontade mas que a possuam. Não sou Senhor e dono de dar o que quero, quando quero e a quem quero? Não é porventura livre um senhor dizer a um servo: Vive em minha casa, come, toma, ordena como outro eu? E para fazer com que ninguém lhe possa impedir a posse de seus bens, este servo é legitimado como filho e lhe dá o direito de possuir. Se isso pode fazer um rico, muito mais eu posso fazer. Este viver em meu Querer é o maior dom que quero dar às criaturas, minha bondade quer sempre mais desafogar em amor para com elas e tendo dado tudo a elas, e não tendo mais que lhes dar para fazer-me amar, quero fazer dom de minha Vontade, a fim de que possuindo-a, amem o grande bem que possuem.
(3) Não se surpreenda se vê que não compreendem, para entender deveriam dispor-se ao maior dos sacrifícios, qual é o de não dar vida, mesmo nas coisas santas à própria vontade, só então
sentiriam a posse da minha e tocariam com a mão o que significa viver em meu Querer. “Você seja atenta e não se aborreça das dificuldades que te colocam, e Eu pouco a pouco farei caminho para fazer compreender o viver em minha Vontade".

18-13
Novembro 12, 1925
Quem é chamado como cabeça de uma missão, deve conter todos os bens pertencentes àquela missão para comunicá-los aos demais. É costume da Sabedoria eterna estabelecer os atos da criatura para dar cumprimento ao bem que quer fazer nela.

(1) Estava fundindo-me segundo meu costume no Santo Querer Divino, e meu doce Jesus movendo-se em meu interior estreitou-me toda a Si e se pôs em atitude de me dar uma lição e de
me corrigir, e me disse:.
(2) "Minha filha, sê atenta em fazer teus atos em minha Vontade, tu deves saber que quem é chamado como cabeça de uma missão, quanto mais encerra o bem pertencente a essa missão, tanto mais poderá comunicar aos demais; esses bens serão como tantas sementes que emprestará aos demais, a fim de que quem tenha a fortuna de querer adquirir esses germes se torne possuidor da colheita dessas sementes. Isto aconteceu em Adão, que sendo o primeiro homem foi constituído chefe de todas as gerações, e sendo ele a cabeça se tornava necessário que possuísse os germes para poder dar aos outros o que é necessário para o desenvolvimento da vida humana; se, em seguida, estes germes foram aumentados, explicados, mais conhecidos de acordo com a boa vontade das gerações seguintes, pela capacidade e aplicação que fizeram sobre aqueles mesmos germes, mas Adão os tinha todos em si, e se pode dizer que tudo vem dele; assim que se pode dizer que ao ser criado por Deus foi dotado de todas as ciências; o que os demais aprendem com tantas fadigas, ele possuía-o como dom de maneira surpreendente; assim que possuía o conhecimento de todas as coisas desta terra, tinha a ciência de todas as plantas, de todas as ervas, e a virtude que cada uma delas continha; tinha a ciência de todas as espécies animais e de como devia usar deles; tinha a ciência da música, do canto, da escrita, da medicina, em suma, de tudo, e se as gerações possuem cada uma sua ciência especial, Adão possuía-as todas. Vê então que quem deve ser cabeça é necessário que encerre em si todo o bem que deve participar aos demais..
(3) Assim é de ti, minha filha, como te chamei como cabeça de uma missão especial, mais que a novo Adão, e não se trata das ciências humanas, mas da ciência das ciências, que é a minha
vontade, ciência toda do céu, quero que feches em ti todos os germes que a minha Vontade contém, e por quantos mais atos faças nela, e por quanto mais conhecimentos adquirires, tanto
mais raios de luz porás ao Sol da minha vontade, e assim, havendo maior plenitude de luz, mais se poderá difundir para bem das gerações, de modo que tocadas pela plenitude da luz, poderão
conhecer com mais clareza o bem que contém a minha Vontade, o que significa viver nela, e o grande bem com o qual ficam enriquecidas. Acontecerá como acontece com o sol, que como possui tanta plenitude de luz, pode com facilidade tomar como num punho a toda a terra, aquecê-la, iluminá-la e fecundá-la, de modo que todos podem conhecer, quem mais, quem menos, o bem que faz com levar a sua luz a todos, mas se o sol no alto de sua esfera fosse pobre de luz, não poderia a luz que desce ao baixo iluminar plenamente toda a terra, no máximo a uma pequena parte da terra que girasse mais próxima ao sol. E se ao sol que devia iluminar naturalmente à terra dei tal plenitude de luz para o bem de todas as gerações, muito mais quero encher de plenitude de luz o Sol da minha Vontade, que deve iluminar as almas, aquecê-las e nelas pôr a fecundidade do germe da Santidade Divina. Agora, assim como escolhi Adão como cabeça, assim como escolhi um ponto do céu onde fixar o centro do sol que devia iluminar a terra, assim te escolhi a ti como centro do Sol de minha Vontade, e deve ser tanta a plenitude da luz, que todos poderão gozar e ser investidos por esta luz, e fazê-la cada um como coisa própria, por isso são necessários teus atos completos em minha Vontade e os conhecimentos que Eu te vou manifestando, para formar a plenitude desta luz..
(4) É costume da Sabedoria Eterna estabelecer os atos da criatura para dar cumprimento ao bem que quer fazer a ela, isto aconteceu para que viesse à terra a Redenção do Verbo Eterno, se necessitou o curso de quatro mil anos, e para este intervalo de tempo estavam estabelecidos todos os atos que as criaturas deviam fazer para dispor-se a merecer o grande bem da Redenção, e todas as graças e conhecimentos que a Suprema Majestade devia dar para fazer conhecer o mesmo bem que devia levar o conteúdo do Verbo no meio delas. Eis por que dos patriarcas, dos
santos pais, dos profetas e de todos os bons do Antigo Testamento, os quais, com seus atos, deviam fazer o caminho, a escada para chegar ao cumprimento da Redenção desejada; mas isto não basta, por quanto bons e santos eram seus atos, estava o muro altíssimo do pecado original que mantinha a divisão entre eles e Deus. Eis por que foi necessária uma Virgem concebida sem mancha original, inocente, santa e enriquecida por Deus com todas as graças, a qual fez como seus todos os atos bons do curso dos quatro mil anos, cobriu-os com sua inocência, santidade e pureza, de modo que a Divindade via aqueles atos através dos atos desta inocente e santa Criatura, a qual não só abraçou todos os atos dos antigos, senão que Ela com os seus os superou a todos, e por isso obteve o descida do Verbo à terra. A todos os atos bons dos antigos, sucedeu- lhes como a quem tem muito ouro e prata, mas naqueles metais preciosos não está cunhada a imagem do rei que é o que dá o valor de moeda ao metal, e se bem por si mesmo contém valor, mas não se pode chamar valor de moeda que possa correr com direito no reino; mas suponha que esse ouro ou prata fossem adquiridos pelo rei, e dando-lhes forma de moeda cunhará sobre ela sua imagem, então esse ouro adquirirá o direito de moeda. Assim fez a Virgem, sobre aqueles atos cunhou sua inocência, sua santidade, o Querer Divino que Ela possuía íntegro, e os apresentou todos juntos à Divindade e obteve o Redentor desejado. Assim, Nossa Senhora completou todas as ações necessárias para fazer descer o Verbo à terra; mas não terminou aqui, para fazer com que o Redentor tivesse seu campo de ação na terra, e para fazer com que qualquer um que o quisesse pudesse servir-se desses atos como moedas para comprar-se o Céu, necessitava-se o selo da inocência, santidade e Querer Divino, necessitava-se o selo do obrar do mesmo Verbo para fazer subir o homem ao Céu. Se o selo da Virgem foi suficiente para me fazer descer no meio das criaturas, para fazer subir o homem era necessário o meu agir divino; e eis que por isso abracei e fiz meus todos aqueles atos, supliquei a todos, cumpri tudo e por todos pus o selo divino a todos os atos bons, desde o primeiro até o último homem que virá à terra, e este selo foi feito por Mim com penas inauditas e com o desembolso de meu sangue, e assim dei como Rei magnânimo a moeda a todos para comprar o Céu. Tudo isto estava estabelecido pela Sabedoria Incriada, e nem sequer um ato podia faltar de tudo isto para vir a cumprimento a Redenção..

(5) Agora minha filha, assim como foi da Redenção assim é da minha Vontade. Para fazê-la conhecer e fazê-la reinar como ato primeiro de vida na criatura necessita-se o cumprimento dos atos; também você, a exemplo de minha Celestial Mãe e do meu, deve em minha mesma Vontade abraçar todos os atos feitos no antigo testamento, os da Rainha do Céu, aqueles feitos por Mim, aqueles que se fazem e que se farão por todos os bons e santos até o último dos dias, e a todos porás teu selo de correspondência de amor, de bênção, de adoração, com a Santidade e Potência de minha Vontade, nada te deve escapar. Minha Vontade abraça tudo, também tu deves abraçar tudo e todos, e pôr neles no primeiro lugar de honra, sobre todos os atos das criaturas só minha Vontade. Ela será o teu selo, com o qual selarás a imagem da minha Vontade sobre todos os atos das criaturas. Por isso teu campo é vasto; quero ver-te correr em minha Vontade sobre todas as graças e prodígios que fiz no antigo testamento, para me dar tua correspondência de amor e de agradecimento; nos atos dos patriarcas e profetas para suprir seu amor; não há ato em que não te queira encontrar, não me sentiria satisfeito nem contente se não te encontrasse em todos os atos das criaturas que se fizeram e se farão, nem tu poderias dizer que completaste tudo em minha  Vontade, te faltaria alguma coisa do verdadeiro viver em meu Querer. Por isso, esteja atenta se queres que a plenitude da luz seja suficiente para poder iluminar com o Sol da minha Vontade todas as nações. Quem quiser dar luz a todos, deve abraçar a todos como num só abraço, com o fazer-se vida e suplemento de tudo e de todos. Não é talvez minha Vontade vida de tudo? E como esta vida vem correspondida com tantas amarguras? Não é necessário então quem corra em todos para adoçar estas amarguras com o substituir-se como ato de vida com minha mesma Vontade por cada ato da ingrata criatura?".

19-18
Maio 6, 1926

Os que vivem no Querer Divino são os primeiros diante de Deus, e formam sua coroa.

(1) Estava segundo meu costume Fundindo-me no Santo Querer Divino e pedia à Mãe Celestial que viesse junto comigo, que me desse sua mão, a fim de que guiada por Ela pudesse corresponder ao meu Deus por todo aquele amor, aquela adoração e glória que todos lhe devem.
Agora, enquanto dizia isto, o meu amado Jesus mexeu-se dentro de mim e disse-me:.
(2) "Minha filha, tu deves saber que os primeiros diante da Majestade Suprema são aqueles que viveram em meu Querer e que jamais saíram de minha Vontade. Minha mãe veio ao mundo depois de quatro mil anos, porém diante de Deus foi primeiro que Adão; seus atos, seu amor, estão na primeira ordem das criaturas, assim que seus atos estão primeiro que todos os atos das criaturas, porque Ela foi a mais próxima a Deus, ligada aos vínculos mais estreitos de santidade, de união e de semelhança, e com o viver em nosso Querer seus atos se tornavam inseparáveis dos nossos, e como são inseparáveis se tornam os atos mais próximos, como coisas conaturais a seu Criador. O primeiro e o depois em nossa Vontade não existem, mas tudo é como ato primeiro, por isso quem vive em minha Vontade, Mesmo que venha ao último, é sempre antes de todos. Assim não se olhará a época em que as almas sairão à luz do tempo, senão que se verá se a Vida de minha Vontade esteve nelas como centro de vida, reinante e dominante em todos seus atos, tal como rainha e domina no seio da Divindade, estas serão as primeiras, Seus atos feitos em nosso Querer se elevarão sobre todos os atos das outras criaturas, e todos ficarão para trás, por isso estas almas serão nossa coroa. Olha, enquanto você chamava minha mãe no meu Querer para me retribuir em amor, adoração e glória, meu Querer uniu vocês, e o amor, a glória, a adoração que fazia a Rainha Soberana se tornaram atos seus, e os seus se tornaram atos da minha mãe, A minha vontade tudo pôs em comum, e uns se tornaram inseparáveis dos outros, e eu ouvia em ti a voz de minha mãe, sentia seu amor, sua adoração, sua glória, e em minha Mãe ouvia tua voz que me amava, me adorava, me glorificava; como me sentia feliz, encontrar e sentir a mãe na filha e a filha na mãe.
Minha Vontade une a todos e a tudo, não seria verdadeiro viver em meu Querer, nem obrar de minha Vontade, se tudo o que a Ela pertence e todo o seu eterno agir não o concentra na alma que nela vive e onde tem o seu Reino e domínio. Se isto não fosse, o Reino de minha Vontade seria um Reino dividido, o que não pode ser, porque minha Vontade une tudo junto seu obrar e dele faz um só ato, e se diz que cria, redime, santifica e outras coisas, são os efeitos daquele só ato que jamais muda ação. “Por isso, quem vive em meu Querer sua origem é eterno, inseparável de seu Criador e de todos aqueles nos quais minha Vontade teve seu Reino e seu domínio"..

6-53 Março 2, 1924
As almas que fazem a Vontade de Deus farão o giro na sua luz e serão como as primeiras criadas por Deus.

Depois estava a fundir-me no eterno Divino Querer, pondo-me diante de todos para poder levar à Divina Majestade, como a primeira de todos, todos os atos das criaturas, a correspondência de todo, o amor delas. Mas enquanto fazia isto pensava para mim:

"Como pode ser que eu possa ir diante de todos se nasci depois de tantas gerações? No máximo eu deveria ficar no meio, entre as passadas e as futuras gerações que virão; é mais, por minha indignidade deveria me colocar no último e atrás de todos".
E meu amável Jesus movendo-se em meu interior me disse:
(4) "Minha filha, toda a Criação foi criada para que todos fizessem a minha Vontade. A vida das criaturas deviam correr em meu querer como corre o sangue nas veias, deviam viver nele como verdadeiros filhos meus, nada lhes devia ser estranho de tudo o que a Mim pertence, Eu devia ser seu terno e amoroso Pai, e eles deviam ser meus ternos e amorosos filhos.

Agora, como a finalidade da Criação foi esta, apesar de outras gerações terem sido antes, o que diz nada, serão postas depois, e minha Vontade porá primeiro aqueles que serão e que foram fiéis em manter íntegra a finalidade para a qual foram criados; estes, tenham vindo antes ou depois, ocuparão a primeira ordem ante a Divindade. Com ter mantido a finalidade da Criação, serão distintos entre todos e apontados como refulgentes gemas com a auréola de nossa Vontade, e todos lhes deixarão a passagem livre para que ocupem seu primeiro posto de honra. Não há do que maravilhar-se, também neste submundo acontece assim: Imagina um rei no meio de sua corte, de seus ministros, deputados, exércitos, mas chega seu filho, o pequeno príncipe, e apesar de que todos os demais sejam grandes, quem não lhe dá passo livre o pequeno príncipe para que tome seu posto de honra ao lado do rei, seu pai? Quem trata com o rei com essa familiaridade digna de um filho?
Quem gostaria de criticar esse rei e a esse filho, por que apesar de que este filho seja o menor de todos, se eleva sobre todos e toma seu lugar primeiro e legítimo junto ao rei seu pai? certo, nenhum; é mais, todos respeitariam o direito do pequeno principezinho desce mais abaixo ainda, imagina uma família, um filho nasceu primeiro, mas não quis se ocupar em fazer a vontade do pai, não tem quis estudar nem trabalhar; ficou como entontecido em seu lazer formando a dor do pai; depois vem à luz outro filho, e este, ainda que mais pequeno, faz a vontade do seu pai, estuda, torna-se um professor digno de ocupar os mais altos cargos. Agora, quem é o primeiro nessa família, quem recebe seu posto de honra junto ao pai? Não é acaso o que chegou ao último? Assim que minha filha, só aqueles que terão conservado neles a finalidade integral da Criação serão meus verdadeiros filhos legítimos; com fazer minha Vontade mantiveram neles o sangue puro de seu Pai Celestial, o qual lhes deu todas as diretrizes de sua semelhança, por isso será muito fácil reconhecê-los como nossos legítimos filhos. Nossa Vontade os conservará nobres, puros, frescos, todo amor por Aquele que os criou; e como filhos nossos que sempre estiveram em nossa Vontade e que jamais deram vida à sua, serão como os primeiros por Nós criados, que nos darão a glória, a honra da finalidade pela qual todas as coisas foram criadas. Por isso o mundo não pode terminar, esperamos a geração de nossos filhos, que vivendo em nosso Querer nos darão a glória de nossas obras; eles terão por vida só meu Querer; será tão natural em eles fazer a Divina Vontade, espontaneamente, sem esforço, como é natural o batimento cardíaco, o respiro, a circulação do sangue, assim que eles não a terão como lei, porque as leis são para os rebeldes, mas como vida, como honra, como princípio e como fim. Por isso minha filha, só te interessa minha Vontade e não queiras preocupar. te de outra coisa se queres que teu Jesus cumpra em ti e encerre em ti a finalidade de toda a Criação".

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