ESCOLA DA DIVINA VONTADE - NONA SEMANA DE ESTUDOS

 OUÇA A MEDITAÇÃO

Fonte de comparação de traduções: http://www.divinavoluntad.info/resto
Volume 1

Modo de triunfar nas provas  - Fonte> www.divinavontadenobrasil.com

(75) Continuando com o que havia começado, o sentia dentro de mim, o abraçava, o estreitava e lhe dizia: "Amado Bem, veja como nossa separação tem sido amarga".
E Ele me dizia:
(76) “É nada o que você passou, prepare-se para provas mais duras; por isso que eu vim, para dispor seu coração  fortalece-lo. Agora você vai me contar tudo o que passou, suas dúvidas e medos, todas as suas dificuldades para poder ensinar-lhe como se comportar na minha ausência ”.
(77) Então eu narrei minhas tristezas dizendo: "Senhor, olha, sem ti eu não tenho conseguido fazer nada de bom, fiz a meditação toda distraída, feia, tanto que não tinha espírito para oferecer a você.

Na comunhão, não pude passar horas inteiras como quando te sentia, me via sozinha, não tinha ninguém para me entender, me sentia vazia de tudo, a dor da sua ausência me fazia provar agonias mortais, minha natureza queria ser despachada em breve para fugir daquela dor, muito mais do que me pareceu que eu não estava fazendo nada além de perder tempo, e o medo que ao voltar Tu me castigarias por não ter sido fiel, então eu não sabia o que fazer. Além disso, a dor que Tu está sendo continuamente ofendido e que eu sem saber quando, como antes, me ensinava, fazer esses atos de reparação, essas visitas ao Santíssimo Sacramento pelas ofensas que Tu recebes. Então me diga, como devo fazer? ” E Ele, me instruindo benignamente, ele me dizia:
(78) 1o.- “Você tem feito mal por estar tão perturbada, não sabe que eu sou o Espírito de paz? E a primeira coisa que te recomendo é não perturbar a paz do coração; quando em oração não pode se recolher-te, não quero que você pense sobre isso ou aquilo, como é ou como não é, fazendo em ti mesma chamas de distração. Pelo contrário, quando você está nesse estado, a primeira coisa é que se humilhes, confessando-se merecedora dessas penas, pondo-se como humilde cordeiro nas mãos do carrasco, que enquanto o mata lhe lambe as mãos; então você, enquanto se vê espancada, abatida, sozinha, você se resignará às minhas santas disposições, me agradecerá de todo coração, beijarás a mão que te bate, reconhecendo-se indigna dessas dores, então você me
oferecerá aquelas amarguras, angústias e tédio, pedindo que eu aceite isso como sacrifício de louvor, de satisfação por sua culpa, de reparação pelas ofensas que Me fazem. Ao fazer isso, sua oração se elevará diante do meu trono como incenso perfumado, ferirá meu coração e atrairá novas graças e novos carismas para você; o demônio vendo-te humilde e resignada, toda abismada em seu nada, não terá forças para se aproximar. Eis que onde você pensou que estava perdendo, farás grandes aquisições.

(79) 2o.- Em relação à Comunhão, não quero que você lamente do que não sabe ser, deves saber que é uma sombra das dores que sofri no Getsêmani, como será quando eu te fizer participante dos flagelos, dos espinhos e dos cravos? O pensamento dos sofrimentos maiores te fará sofrer com mais animo as penalidades menores, portanto, quando na Comunhão você se encontrar sozinha, agonizante, pense que eu te quero um pouco em minha companhia na agonia de horto.
Portanto, fique junto a Mim, e faça uma comparação entre suas dores e as minhas. Olha você sozinha, privada de Mim, e Eu tambem só, abandonado pelos meus amigos mais fiéis que estão sonolentos, deixado sozinho até pelo meu Divino Pai, e também no meio de uma dor amarguissima, cercado por cobras, víboras e cães raivosos, que eram os pecados dos homens, e onde estavam também os seus, que fizeram a parte deles, o que me parecia que eles queriam me devorar vivo, meu coração sentiu tanta opressão como se estivesse sob uma prensa, tanto que
suei sangue vivo. Diga-me, quando você chegou a sofrer tanto? Então quando se encontre privada de Mim, aflita, vazia de todo consolo, cheio de tristeza, de labuta, de tristezas, vem junto a Mim, limpa-me esse sangue, oferece-me essas tristezas como alívio para minha agonia amarguissima. Ao fazer isso, você encontrará uma maneira de se distrair Comigo depois da Comunhão; não que você não sofra, porque a dor mais amarga que posso dar às minhas queridas almas é privando-as de Mim, mas você, pensando que com o seu sofrimento você me dá conforto, ficará satisfeita.
(80) 3o.- Em relação às visitas e atos de reparação, você deve saber que tudo o que fiz no decorrer de trinta e três anos, desde o nascimento até a morte, o continuo no sacramento do altar, por isso quero que me visite trinta e três vezes por dia, honrando todos meus anos e unindo-se Comigo ao Sacramento, com minhas mesmas intenções, isto é, de reparação, de adoração. Isso você fará em todos os momentos do dia: o primeiro pensamento de manhã imediatamente, volta diante do tabernáculo onde estou por seu amor e visite-me, o último pensamento da tarde, enquanto você dorme à noite, antes e depois de comer, ao começo de toda ação sua, andando, trabalhando ”.

(81) Enquanto assim me dizia, me sentia toda confusa, e sem saber se poderia alcançar faze-lo Eu disse a ele: "Senhor, peço que fique comigo até que eu tenha o hábito de fazê-lo, porque sei que contigo posso fazer tudo, mas sem ti o que posso fazer eu, miserável? E ele benignamente adicionava:
(82) “Sim, sim, eu vou te contentar, quando te faltei? Quero sua boa vontade e qualquer darei a você qualquer ajuda que desejar. "
(83) E assim fazia. Depois de algum tempo, às vezes com Ele, às vezes privado dele, um dia após a comunhão me senti mais intimamente unida a Ele, me fez várias perguntas, como: Se eu queria, se estava disposta a fazer o que Ele queria, até o sacrifício da vida por seu amor; e ele me dizia:
(84) “E você me diz o que quer, estas pronta para fazer o que Eu quero, também Eu farei o que que você quer ".

          

2-9
Mês de Abril, 1899

Como a humildade é a pequena planta. A humildade sem confiança é virtude falsa.

(1) Depois de ter passado alguns dias de privação e de lágrimas, eu me encontrava toda confusa e aniquilada em mim mesma, em meu interior ia dizendo continuamente: "Diz-me, ó meu Bem, por que te afastaste de mim, em que te ofendi que não te deixas ver mais, e se te mostras é quase ofuscado e em silêncio? Ah, não mais me faça esperar e esperar, que meu coração não pode mais!".

(2) Finalmente Jesus se mostrou um pouco mais claro, e vendo-me tão aniquilada me disse:
(3) "Se tu soubesses quanto me agrada a humildade! A humildade é a planta mais pequena que se pode encontrar, mas seus ramos são tão altos que chegam até o Céu, estão em torno de meu trono e penetram até dentro de meu coração. A pequena planta é a humildade, os ramos que produz esta planta é a confiança, assim que não se pode dar verdadeira humildade sem confiança. A humildade sem confiança é falsa virtude".

(4) Pelas palavras de meu Jesus se vê que meu coração não só estava aniquilado, mas também um pouco desanimado.

volume 3. - Novembro 19, 1899 Fonte: www.divinavontadenobrasil.com 

Males da soberba.

(1) Continua a vir meu adorável Jesus, e como minha mente, antes de que viesse estava pensando em certas coisas que me havia dito em anos passados, e que não recordo bem, Ele, como para me lembrar disse:
(2) "Minha filha, a soberba roe a graça. Nos corações dos soberbos não há outra coisa que um vazio todo cheio de fumaça, que produz a cegueira. A soberba não faz mais que fazer de si mesmo um ídolo, assim que a alma soberba não tem o seu Deus consigo; com o pecado procurou destruí-lo em seu coração, e levantando um altar nele, se põe em cima e se adora a si mesmo".

(3) Oh! Deus, que monstro abominável é este vício, a mim me parece que se a alma está atenta a não deixá-lo entrar nela, estará livre de todos os outros vícios, mas se por sua desventura se deixa dominar por ele, como é mãe monstruosa e má, lhe parirá todos seus filhos díscolos, os quais são os outros pecados. Ah Senhor, mantenha-a longe de mim!

volume 3-10  para comparação  fonte : http://www.divinavoluntad.info/resto

19 de novembro de 1899

Males do orgulho.

(1) Meu adorável Jesus continua vindo, e como minha mente, antes de Ele vir eu estava pensando em certas coisas que Ele havia me falado nos últimos anos, e que não me lembro bem, Ele, como se fosse lembrar de mim, me disse:

(2) “Minha filha, o orgulho rói a graça. No coração dos orgulhosos não há nada além de um vazio cheio de fumaça, que produz cegueira. O orgulho só se torna um ídolo, de modo que a alma orgulhosa não tem seu Deus consigo; com o pecado, ele procurou destruí-lo em seu coração e, levantando um altar sobre ele, ele se colocava nele e adorava a si mesmo.

(3) Oh! Deus, que monstro abominável é este vício, parece-me que se a alma tiver o cuidado de não o deixar entrar, ficará livre de todos os outros vícios, mas se pelo seu infortúnio se deixar dominar por ele , como é uma mãe monstruosa e má, ela dará à luz todos os seus filhos rebeldes, que são os outros pecados. Ah, Senhor, mantenha-a longe de mim!

4-9
Setembro 19, 1900

Obediência de pedir alívio nas penas a Jesus.

1) Duplicando-se sempre mais o espasmo da dor, teria querido escondê-lo e fazer que ninguém se desse conta, e teria querido mantê-lo em segredo, sem dizer ao confessor o que disse acima; mas era tão forte o espasmo que me pareceu impossível, e o confessor, usando a sua habitual arma da obediência, ordenou-me que lhe manifestasse tudo; então, depois de lhe ter manifestado todas as coisas, disse-me que por obediência devia pedir ao Senhor que me libertasse, de outra maneira cometeria pecado. Oh, que tipo de obediência é esta, é sempre ela que se atravessa em meus planos! Então, de má vontade aceitei esta nova obediência, mas apesar disto não tinha coração para rogar ao Senhor que me libertasse de um amigo tão querido, como o é a dor, muito mais que esperava sair do exílio desta vida. O bendito Jesus me tolerava, e ao vir me disse:

(2) "Tu sofres muito, queres que te liberte?"
(3) E eu, tendo-me esquecido um momento da obediência disse: "Não Senhor, não, não me libertes, quero ir; e além disso Tu sabes que não sei te amar, sou fria, não faço grandes coisas por Ti, ao menos te ofereço este sofrer para satisfazer ao que não sei fazer por amor teu".
(4) E Ele: "E Eu minha filha, infundirei tanto amor e tanta graça em ti, de modo que nenhum me possa amar e desejar como tu, não estás contente?" (5) "Sim, mas quero vir". Jesus desapareceu, e eu voltando em mim mesma me lembrei da obediência recebida, e tive que me acusar com o confessor, e me ordenou que absolutamente não queria que me fosse, e que o Senhor me libertasse. Que pena senti ao receber esta obediência! parece que quer tocar os extremos de minha paciência.

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4-10
Setembro

5-9
Maio 8, 1903
Quando o homem se dispõe ao bem, recebe o bem; e se se dispõe ao mal, o mal recebe.

(1) Continuando o meu amargo estado de privações, em que, no máximo, Jesus se deixava ver taciturno e por breves instantes. Esta manhã, empenhando-se o confessor em fazê-lo vir, perdendo os sentidos, por pouco e quase pela força se fazia ver e voltando-se para o confessor, disse-lhe com aspecto sério e aflito:
(2) "Que queres?"
(3) O pai parecia confuso e não sabia dizer nada, então eu disse: "Senhor, talvez seja o fato da missa que ele quer".
(4) E o Senhor acrescentou: "Prepara-te e a terás, e além disso tu tens a vítima, quanto mais próximo estiveres com o pensamento e com a intenção, tanto mais te sentirás forte e livre para poder fazer o que queres".
(5) Depois disse: "Senhor, por que não vens?" E Ele continuou:
(6) "Queres ouvir? Escuta".
(7) E naquele momento, ouviam-se tantos gritos de vozes de todas as partes do mundo que diziam:
"Morte ao Papa, destruição de religião, igrejas lançadas por terra, destruição de todo domínio, nada deve existir sobre nós" e tantas outras vozes satânicas que me parece inútil dizê-las. Então nosso Senhor acrescentou:
(8) "Minha filha, o homem, quando se dispõe ao bem, recebe o bem, e se se dispõe ao mal, o mal recebe. Todas estas vozes que escutas chegam ao meu trono, e não uma vez senão repetidas vezes, e minha justiça quando vê que o homem não só quer o mal, mas com dupla insistência o demanda, com justiça sou obrigado a concedê-lo para lhe fazer conhecer o mal que quer, porque só então se conhece verdadeiramente o mal, quando no mesmo mal se encontra. Eis a causa pela qual minha justiça vai buscando vazios para punir o homem, mas ainda não chegou o tempo de sua suspensão, ao mais algum dia por agora, para fazer que a justiça ponha sua mão um pouco sobre o homem, não podendo mais resistir ao peso de tanta atrocidade, e ao mesmo tempo fazer
abaixar a testa do homem muito ensoberbecida".

6-9
Dezembro 5, 1903

Como o santo desejo de receber a Jesus substitui o sacramento, fazendo com que a alma respire a Deus, e que Deus respire a alma.

(1) Não tendo podido receber a comunhão esta manhã, estava toda aflita, mas resignada, e pensava entre mim que se não tivesse sido porque me encontrava nesta posição de estar na cama, e se fosse vítima, certamente a teria podido receber, e dizia ao Senhor: "Olhe, o estado de vítima me submete ao sacrifício de privar-me de recebê-lo no sacramento, ao menos aceita o sacrifício de privar-me de Ti para te contentar, como um ato mais intenso de amor por Ti, porque ao menos o pensar que sua mesma privação atesta ainda mais meu amor por Ti, adoça a amargura de sua privação". E enquanto dizia isto, as lágrimas me desciam dos olhos, mas, ó bondade do meu bom Jesus, não apenas me adormeci, sem fazer-me esperar tanto e procurar segundo o habitual, veio de súbito e me pondo suas mãos no rosto, me acariciava e me dizia:

(2) "Minha filha, pobre filha, ânimo, minha privação estimula principalmente o desejo, e neste desejo incentivado, a alma respira a Deus, e Deus sentindo-se mais iluminado por este estimular da alma, respira a alma, e neste respirar-se mutuamente Deus e a alma, acende-se principalmente a sede do amor, e sendo o amor fogo, forma o purgatório da alma, e este purgatório de amor serve-lhe não de uma só comunhão ao dia, como permite a Igreja, mas de uma contínua comunhão, porque é contínuo o respiro, mas todas comunhões de puríssimo amor, só de espírito e não de corpo, E sendo o espírito mais perfeito, acontece que o amor é mais intenso. Assim recompenso Eu, não a quem não quer receber-me, senão a quem não pode receber-me, privando-se de Mim para me agradar a Mim".

7-9
Março 13, 1906

Se a alma não pode estar sem Jesus, é sinal que ela é necessária ao seu amor.

(1) Esta manhã, o bendito Jesus não vinha, e eu dizia entre mim: "Senhor, não vês como sinto que me falta a vida? Sinto tanta necessidade de Ti, que se Tu não vens sinto que se destrói meu ser, não me negues o que me é absolutamente necessário; Não te peço beijos, carícias, favores, mas só o que me é de necessidade". Enquanto dizia isto, encontrei-me toda absorvida nele, de tal maneira perdido todo o meu ser, que não podia fazer nem ver outra coisa que o que fazia e via Ele mesmo. Sentia-me feliz, feliz, todas as minhas potências adormecidas, como um que vai ao fundo do mar, onde tudo é água, e se faz por olhar, olha a água; se fala, a água lhe impede a palavra e lhe entra até as vísceras; se quer ouvir, só o murmúrio das águas lhe entra pelas orelhas, com esta diferença, que no mar há perigo de perder a vida, e não se sente nem ditosa nem feliz, ao contrário em Deus readquire  Vida Divina, a felicidade e bem-aventurança. Então o bendito Jesus me disse:

(2) "Minha filha, se tu não podes estar sem Mim, e tanto te sou necessário, é sinal de que tu és necessária ao meu amor, porque segundo um se torna necessário a outro, é sinal que aquele é necessário ao outro; por isso, se alguma vez parece que não devo vir e tu te cansas, e vejo a necessidade que tens de Mim, e conforme cresce em ti a necessidade, cresce também em Mim, e digo entre Mim: Vou a ela a tomar este alívio a meu Amor, e é por isso que depois de que te cansaste, Eu venho".

 

8-9
Agosto 6, 1907

Não vê outra coisa que castigos.

(1) Continuando meu estado habitual, eu estava fora de mim dentro de uma igreja, e eu parecia ver uma bela senhora com seus seios tão cheios de leite, que parecia que gostaria de lhe abrir a pele.
Depois, chamando-me, disse-me:
(2) "Minha filha, este é o estado da Igreja, está cheia de amarguras internas, e, juntamente com elas, está no ato de receber as amarguras externas. Sofre tu um pouco para atenuá-las em algo".
(3) E enquanto dizia isto, parecia que se abria os seios, e enchendo sua mão com leite me dava a beber; era amarguíssima e produzia tantos sofrimentos que eu mesma não sei dizê-lo. Nesse momento via que faziam revoluções, entravam nas igrejas, despojavam altares, os queimavam, atentavam contra sacerdotes, rompiam estátuas, e milhares de outros insultos e infâmias.
Enquanto faziam isso, o Senhor mandava outros castigos do Céu, muitos ficavam mortos ou feridos, parecia uma briga geral contra a Igreja, contra o governo e entre eles mesmos. Eu fiquei espantada e me encontrei em mim mesma, e continuava vendo a Rainha Mãe, junto com outros santos, que rogavam a Jesus Cristo que me fizesse sofrer, mas parecia que Ele não prestava atenção, e entravam em conflito, e irritado respondeu o bendito Jesus:
(4) "Não me incomodem, Acalmem-se, senão trago-a para mim".
(5) Mas apesar disso parece que eu sofri um pouco.
(6) Agora digo tudo junto, que em todos estes dias, encontrando-me em meu habitual estado, não vi outra coisa que revoluções e castigos. O bendito Jesus está quase sempre taciturno, e de vez em quando só me diz:
(7) "Minha filha, não me faças violência, de outra maneira te farei sair deste estado".
(8) E eu digo: "Minha vida e meu tudo, se quiser ser deixado livre para fazer o que quiser, leve-me, e depois poderá fazer o que quiser".
(9) Parece que nestes dias é preciso muita paciência para lidar com Jesus bendito.

9-9
Julho 14, 1909

Só Deus pode infundir paz na alma.

(1) Tenho passado amargamente com a privação do bendito Jesus; no máximo, faz-se ver como uma sombra ou um relâmpago, e às vezes também a fulguração parecia que fugia. Minha mente era perturbada pelo pensamento de que sendo Jesus tão bom, quão cruelmente me deixou, ah, talvez não fosse Ele que vinha, sua bondade não me teria feito isso! Quem sabe se não foi o demônio, ou minha fantasia, ou bem sonhos, mas no âmago da alma não queria saber disto, queria estar em paz, e parecia que se afastava de tudo, se adentrava sempre mais na Vontade de Deus, se escondia nela tomando um sono profundo no seu Santo Querer, e não há maneira de que desperte; parece que o bom Jesus a encerra tanto no seu Querer, que nem sequer deixa que se encontre a porta para poder tocar e fazer-lhe ouvir que Jesus a deixou, e ela dorme e se está em paz. A mente, não encontrando nenhuma resposta diz entre si: "Só eu devo me zangar? Também eu quero tranquilizar-me e fazer a Vontade de Deus; venha, que venha contanto que faça sua Santa Vontade". Este é meu estado presente.

(2) Agora, esta manhã pensando no que escrevi acima, o bom Jesus me disse:

(3) "Minha filha, se fossem fantasias, sonhos, demônios, não teriam tanta força de te fazer possuir a auréola da paz, e não por um dia, mas por vinte e cinco anos, nenhum poderia te fazer respirar essa aura de suave paz dentro e fora de ti, só Aquele que é toda paz, e que se um sopro de perturbação o pudesse surpreender, deixaria de ser Deus, ficaria ofuscada Sua Majestade, diminuída sua grandeza, débil sua potência, em suma, todo o Ser Divino receberia uma sacudida. Aquele que te possui e que você possui te resguarda, te defende continuamente de todo o fôlego de perturbação. Lembra-te que em todas as minhas visitas sempre te corrigi se havia em ti algum alento de perturbação, e de nenhuma outra coisa me desgostei tanto, como de não te ver em paz; e somente me fui quando te acalmei toda. A fantasia, o sono, muito menos o demônio, têm esta virtude, e muito menos podem infundir aos demais, por isso te tranquilize e não me seja ingrata".

10-9
Dezembro 25, 1910

Os sacerdotes apegaram-se às famílias, ao interesse, às coisas exteriores, etc., esta é a necessidade das casas de reunião de sacerdotes.

(1) Esta manhã o bendito Jesus se fazia ver pequeno, pequeno, mas tão gracioso e belo que me arrebatava em doce encanto, depois se tornava mais benévolo porque com suas pequenas mãozinhas pegava pequenos cravos e me cravava com uma maestria digna só de meu sempre amável Jesus, e depois enchia-me de beijos e de amor, e eu a Ele. Depois disto, parecia-me que estava na gruta do meu recém-nascido Jesus, e o meu pequeno Jesus disse-me:
(2) "Minha querida filha, quem veio visitar-me na gruta do meu nascimento? Os pastores foram os primeiros visitantes, os únicos que faziam um ir e vir e me ofereciam dons e coisas deles, e os primeiros que tiveram o conhecimento de minha vinda ao mundo, e por consequência os primeiros favorecidos cheios de minha graça. Eis por que escolho sempre pessoas pobres, ignorantes, desprezíveis, e delas faço portentos de graça, porque são sempre as mais dispostas, as mais dispostas a ouvir-me, a crer-me sem pôr tantas dificuldades, tantas cavilações, como o fazem as pessoas cultas. Depois vieram os magos, mas não se viu nenhum sacerdote, enquanto ele
deviam ser os primeiros a cortejar-me, porque eles sabiam mais do que todos os demais segundo as escrituras que estudavam, sabiam o tempo, o lugar, e era mais fácil vir visitar-me, mas nenhum, nenhum se moveu, é mais, enquanto eles apontaram para os magos, eles não se moveram, nem se incomodaram em dar um passo para ir em busca de minha vinda. Isto foi uma dor, para Mim amarguíssima, no meu nascimento, porque naqueles sacerdotes era tanto o apego às riquezas, ao interesse, às famílias e às coisas exteriores, que como resplendores lhes cegava a vista, lhes endurecia o coração e tornava estranha a inteligência para conhecer as verdades mais sagradas,
mais certas, e estavam tão preocupados nas coisas baixas da terra, que jamais teriam acreditado que um Deus pudesse vir à terra em tanta pobreza e em tanta humilhação, e não só em meu nascimento, mas também no curso de minha vida, quando fazia os milagres mais estridentes, nenhum me seguiu, mas bem planejaram minha morte e me assassinaram sobre a cruz. E Eu, depois de ter usado toda a minha arte para os atrair a Mim, os coloquei no esquecimento e escolhi pessoas pobres, ignorantes, como foram meus apóstolos e formei a minha Igreja, os segreguei das famílias, os libertei de qualquer vínculo de riquezas, enchi-os dos tesouros da minha graça e tornei-
os hábeis para a direção da minha Igreja e das almas. Agora, deves saber que esta dor ainda me dura, porque os sacerdotes destes tempos se irmanaram com os sacerdotes daqueles tempos, se deram a mão no apego às famílias, ao interesse, às coisas exteriores e pouco ou nada põem atenção ao interior, é mais, alguns se degradaram tanto, que chegaram a fazer entender aos mesmos leigos que não estão contentes de seu estado, abaixando sua dignidade até o ínfimo e abaixo dos mesmos leigos. Ah! minha filha, que prestígio pode ter sua palavra nas pessoas? Pelo contrário, os povos por sua causa vão descendo na fé e no abismo de piores males, caminham a tropeções e nas trevas, porque luz nos sacerdotes não veem mais. Esta é a necessidade das casas de reunião dos sacerdotes, a fim de que o sacerdote seja libertado das trevas de que é invadido, das famílias, do interesse e dos cuidados das coisas exteriores, possa dar luz de verdadeiras virtudes e os povos possam sair dos erros em que caíram. São tão necessárias estas reuniões, que cada vez que a Igreja chegou ao ínfimo, quase sempre este tem sido o meio para fazê-la ressurgir mais bela e majestosa".

(3) Quando ouvi isto, disse: "Meu sumo e único bem, doce vida minha, compadeço tua dor e queria adoçá-lo com meu amor, mas Tu sabes bem quem sou eu, como sou pobre, ignorante, má, e além disso, extremamente presa pela paixão de meu ocultamento, amo tanto que pudesse me esconder tanto em Ti, que ninguém possa crer que eu existo mais, e Tu em troca queres que fale destas coisas que tanto afligem teu amantíssimo coração e tão necessárias para a Igreja. Oh! meu Jesus, fala-me de amor, e vai em busca de outras almas boas e santas para falar destas coisas tão úteis para a Igreja". E o bom Jesus disse:

(4) "Minha filha, também eu amava o ocultamento, mas cada coisa tem seu tempo, quando a honra e a glória do Pai e o bem das almas o requereu, manifestei-me e fiz minha vida pública. Assim faço com as almas, às vezes as tenho escondidas, outras vezes as manifesto, e tu deves ser indiferente a tudo, querendo só o que Eu quero, é mais, te bendigo o coração, a boca, e falarei Eu em ti com minha mesma boca e com minha mesma dor".

(5) E assim me abençoou e desapareceu.

11-10
Março 8,1912

O que significa vítima.

(1) Esta manhã o Padre G. ofereceu-se vítima a Nosso Senhor, e eu estava pedindo e oferecendo-o para que o aceitasse, e meu amável Jesus me disse:
(2) "Minha filha, eu aceito de bom grado, diga-lhe que sua vida não será mais a sua,  mas a minha; aliás, escolho-o vítima da minha Vida oculta. Minha Vida oculta foi vítima de todo o interior do homem, assim que deu satisfação pelos pensamentos, desejos, tendências, afetos maus. Tudo o que o homem faz exteriormente, não é outra coisa que o desabafo de seu interior, e se tanto mal se vê no exterior, o que será do interior? Assim, muito me custou refazer o interior do homem, basta dizer que nisso empreguei a prolixidade de trinta anos; o meu pensamento, o
bater do meu coração, o respiro, os desejos, estavam sempre dedicados a correr para o pensamento, o bater do coração, o respiro, o desejo do homem para repará-los, para santificá-los e para dar satisfação por eles; é assim como o escolho a ele vítima para este ponto de minha Vida oculta, Então eu quero todo o seu interior unido Comigo e oferecido a Mim para me dar satisfação pelo interior malvado das outras criaturas; e muito a propósito o escolho para isto, pois sendo ele sacerdote conhece mais que os demais o interior das almas, a lama, a podridão que
há dentro delas, e por isso pode conhecer melhor quanto me custou este meu estado de vítima, no qual quero que tome parte, e não só ele, mas também os demais que ele conhece e trata.
Minha filha, diga-lhe que lhe faço uma grande graça aceitando-o como vítima, porque fazer-se vítima não é outra coisa que um segundo batismo, mas sim, mais que o batismo, porque se trata de ressurgir em minha própria Vida, e devendo a vítima viver Comigo e de Mim, me é necessário lavar de toda mancha, dando-lhe um novo batismo e reafirmá-la na graça para poder admiti-la a viver Comigo, assim que de agora em diante tudo o que ele faça não dirá que é coisa sua, senão minha, assim que se reza, se fala, se obra, dirá que são coisas minhas".

(3) Depois disto parecia que Jesus olhava em torno de mim, e lhe disse: "Que vês, ó! Jesus?
Não estamos sozinhos?"
(4) E Ele: "Não, há outras pessoas, eu as atraio em torno de você para tê-las mais estreitas Comigo".
(5) E eu: "Você as ama muito?"
(6) E Ele: "Sim, mas gostaria mais desenvoltas, mais confiantes, mais audazes e mais íntimas Comigo, sem nenhum pensamento delas mesmas, porque devem saber que as vítimas não são mais donas delas mesmas, de outra maneira anulam o estado de vítima".
(7) Então eu, tendo um pouco de tosse, disse-lhe: "Jesus, faz-me morrer de tuberculose, em breve, faz-me ir, leva-me contigo".

(8) E Jesus: "Não me faça ver que fica descontente, pois assim Eu sofro. Sim, vais morrer de tuberculose, mas ainda falta um pouco, e se não morreres de tuberculose corporal vais morrer de tuberculose. Ah! não saias da minha Vontade, porque a minha Vontade será o teu paraíso, antes o paraíso do meu Querer; por quantos dias estiverem na terra, outros tantos paraísos te darei no Céu".

ESCUTEM MUITO ISSO TUDO VARIAS VEZES

9. A morte de Joaquim e de Ana foi suave depois de uma vida de sábia fidelidade a Deus nas provações.

31 de agosto de 1944.

Jesus diz:

“Como um rápido crepúsculo de inverno, no qual o vento forte com neve acumula nuvens pelo céu, assim, a vida dos meus avós conheceu rapidamente o chegar da noite, depois que o sol deles se deteve, brilhando na sagrada cortina do Templo.

Mas, foi dito*: “A Sabedoria inspira vida aos seus filhos, toma sob a sua proteção os que a
procuram… Quem ama a sabedoria, ama a vida, e quem fica vigilante para adquiri-la, haverá de gozar de sua paz. Quem a possui, terá como herança a vida… Quem a serve, obedecerá ao Santo, sendo muito amado por Deus… Se crer nela, a terá por herança, confirmada pelos seus
descendentes, porque ela o acompanha nas provações. Antes de tudo, o escolhe, depois enviará sobre ele todos os temores, medos e provações, atormentando-o com o açoite de sua disciplina, para prová-lo em seus pensamentos e adquirir confiança nele. Depois lhe dará estabilidade, voltando a ele por um caminho reto e o fará contente. Ela lhe descobrirá os seus segredos, porá nele tesouros de ciência e de inteligência, que se manifestarão em obras de justiça.
Sim, tudo isso foi dito. Os livros sapienciais são aplicáveis a todos os homens que neles encontram um espelho para o seu comportamento e sua guia. Mas felizes aqueles que podem ser identificados entre os amantes espirituais da Sabedoria.

Eu me fiz rodear de sábios, que foram meus parentes mortais. Ana, Joaquim, José, Zacarias e ainda mais, Isabel, e depois o Batista. Acaso não são eles verdadeiros sábios? Não falo de minha mãe, na qual a Sabedoria fez sua morada.

Da juventude até o túmulo, a sabedoria tinha inspirado uma vida 9.3 agradável a Deus aos meus avós, protegendo-os do perigo de pecar, como uma tenda que protege da fúria dos elementos. O santo temor de Deus é base para a planta da sabedoria, a qual lança todos os seus ramos, até atingir, no seu vértice, o amor tranqüilo, na sua paz, o amor pacífico, na sua segurança, o amor seguro, na sua fidelidade, o amor fiel, na sua intensidade, enfim, o amor total, generoso e ativo dos santos.
“Quem ama a sabedoria, ama a vida, e terá a Vida como herança”*, diz o Eclesiástico. Isto está
ligado à minha Palavra: “Aquele que perder a vida por amor de Mim, salvá-la-á”. Porque não se
trata da pobre vida desta terra e, sim, da vida eterna; não se trata das alegrias de um momento,
mas das alegrias imortais.

Foi neste sentido que Joaquim e Ana amaram a sabedoria. E ela esteve com eles nas provações.
Quantas provações! Vós que, por não serdes completamente maus, desejaríeis não ter nunca que chorar e sofrer! Imaginem, estes justos quantas dessas provações tiveram, embora merecessem ter Maria por filha! A perseguição política que os expulsou da terra de Davi, empobrecendo-os grandemente. A tristeza de ver reduzir-se a nada os anos que iam passando, sem que uma flor lhes dissesse: “Eu serei a vossa continuação”. E, depois, o receio de tê-la conseguido já na idade em que não tinham nenhuma certeza de chegarem a vê-la mulher. Além disso, o dever que teriam de cumprir, de afastá-la de seus corações, para a colocarem sobre o altar de Deus. Ainda mais: tiveram que viver num silêncio bem mais pesado; depois de estarem já habituados com o arrulhar de sua pombinha, com o rumor de seus passinhos, os sorrisos e beijos de sua filhinha, ficaram agora esperando apenas, por entre recordações, a hora de Deus. E muitas outras coisas. Doenças, calamidades do tempo, prepotência dos poderosos, quantos duros golpes assestados contra o frágil castelo de sua modesta propriedade. E ainda não basta. O sofrimento da filha, que está longe deles, que vai ficar sozinha e pobre, apesar de todos os cuidados e sacrifícios, não tendo mais do que as sobras dos bens paternos. Como irá esta filha encontrar essas sobras, se ficarem por muitos anos sem serem cultivadas, imobilizadas, à sua espera? Temores, medo, provações e tentações. E fidelidade, fidelidade, fidelidade sempre, a Deus.

E a tentação mais forte: que não se lhes negasse o conforto de terem sua filha junto a eles
quando já estivessem bem idosos. Mas, os filhos são de Deus, antes de serem dos pais. E cada filho pode dizer isto que Eu disse * à minha mãe: “Não sabes que Eu devo tratar dos interesses do Pai do Céu?”

E cada mãe, cada pai deve aprender o que fazer, olhando Maria e José no Templo, ou Ana e
Joaquim na sua casa de Nazaré, cada vez mais despojada e mais triste, embora possua algo que não diminui nunca, crescendo sempre mais: a santidade de dois corações, a santidade de um casamento.
O que resta a Joaquim, já enfermo, e o que resta à sua sofredora esposa, nas longas e silenciosas tardes de velhos a caminho da morte? Os vestidinhos, as primeiras sandalinhas, os pobres brinquedos de sua pequenina, que agora está longe deles, e sempre as lembranças. E, com as lembranças, uma paz que lhes nasce no coração, quando cada um pode dizer: “Estou sofrendo, mas cumpri o meu dever de amor para com Deus”.

Estamos, pois, diante de uma alegria sobre humana, que brilha com uma luz celestial, desconhecida aos filhos do mundo, e que não perde o brilho ao cair, como pálpebra pesada sobre dois olhos moribundos, mas que, na sua última hora, resplende ainda mais, evidenciando verdades ocultas durante toda a vida, fechadas como borboletas em seus casulos, que só davam sinal de sua presença por movimentos suaves, enquanto que agora podem abrir suas asas douradas, mostrando as palavras que as adornam. A luz de suas vidas vai-se apagando no conhecimento de um futuro feliz para eles e para sua estirpe, com um louvor ao nome do Senhor sobre os lábios.

Assim foi a morte dos meus avós, justamente pela santa vida que tiveram. Por sua santidade
eles mereceram ser os primeiros guardiães da amada de Deus, e, somente quando um sol maior se mostrou no ocaso de suas vidas, eles entenderam claramente a graça que Deus lhes havia concedido.
Por sua santidade, Ana não passou pelos sofrimentos da mulher * que dá à luz, mas, sim, pelo
êxtase de quem trazia consigo aquela que é a sem culpa. Para os dois não houve aflições de agonia, mas uma languidez que foi-se desvanecendo, assim como docemente vai-se apagando uma estrela, à medida que o sol vem surgindo com a aurora. Eles não tiveram o conforto de ter-me consigo, Sabedoria Encarnada, como pôde José; no entanto, Eu era a invisível Presença que, inclinada sobre o travesseiro deles, fazendo-os adormecer em paz, na esperança do triunfo, lhes dizia sublimes palavras.
Há quem diga: “Por que não tiveram que sofrer para gerar, nem para morrer, sendo eles também filhos de Adão?”. Eu respondo: “O Batista foi pré-santificado só por ter chegado perto de Mim, quando estava no ventre de sua mãe, tendo sido ele também filho de Adão, concebido com o pecado original; não teria recebido nenhuma graça a santa mãe daquela que não teve mancha, preservada por Deus, por trazer o próprio Deus no seu espírito quase divino e no seu coração embrionário, sem nunca de Deus se separar, desde que foi pensada pelo Pai, concebida num ventre, tornando a possuir Deus plenamente no céu por uma eternidade gloriosa? E ainda respondo: “A reta consciência dá uma morte serena, e as orações dos santos vos alcançam tal morte”.

Joaquim e Ana deixaram atrás de si uma vida inteira vivida numa consciência reta, que surge então como plácido panorama, servindo-lhes de guia para o Céu. Eles tinham a santa, em oração pelos seus pais que estavam longe, diante do Tabernáculo de Deus, pais colocados por ela em segundo lugar depois de Deus, que é o Bem supremo, mas que eram amados, como a lei e o sentimento o exigiam, com um amor sobrenaturalmente perfeito”.


ouça muito importante

CAPITULO 7
COMO O ALTÍSSIMO DEU PRINCÍPIO ÀS SUAS OBRAS; CRIOU TODAS AS COISAS MATERIAI S PARA O HOMEM, E EST E E OS ANJOS PARA CONSTITUIR POVO DO QUAL O VERB O HUMANADO SERIA CABEÇA.

Deus causa primária de todas as coisas

80. Causa de todas as causas  foi Deus. Criador de tudo o que existe.
Quando, e como foi de sua vontade, com o poder de seu braço, deu princípio a todas as suas maravilhosas obras ad extra.
A ordem e princípio desta criação é referida por Moisés no I o capítulo do Gênesis, e tendo o Senhor me manifestado sua interpretação, direi aqui o conveniente, para nele encontrar as origens das obras e mistérios da Encarnação do Verbo e de nossa Redenção.

A criação

81. Literalmente, o capítulo I o do Gênesis é o seguinte:
“No princípio Deus criou o céu e a terra. A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do
abismo, e o Espírito de Deus movia-se sobre as águas. E Deus disse: Exista a luz. E a luz existiu. E Deus viu que a luz é boa; e separou a luz das trevas, e à Luz chamou dia…”

Neste primeiro dia, diz Moisés, no princípio, criou Deus o céu e a terra.
Este princípio é aquele no qual como saindo de seu ser imutável, o poderoso Deus começou a plasmar, fora de si próprio, as criaturas. Então, estas principiaram a possuir o ser em si mesmas, e Deus começou a recrear-se em
suas obras, adequadamente perfeitas.
Para que a ordem fosse também perfeitíssima, antes de criar seres intelectuais e racionais, formou o céu para os
anjos e homens, e a terra onde, antes, os mortais seriam viadores. Tão proporcionados a seus fins e tão perfeitos são estes lugares, que diz David (SI 18, 2):
Os céus publicam a glória de Deus, o firmamento e a terra anunciam as obras de suas mãos.
O céu com sua formosura manifesta a magnificência e a glória, porque nele está reservado o prêmio preparado
para os santos. O firmamento da terra anuncia que devem existir criaturas e homens que a habitem, e por ela elevem se a seu Criador.
Antes de criá-los quer o Altíssimo preparar-lhes o necessário à existência que lhes destinara; para que  de todos os modos, se sentissem obrigados a obedecer e amar seu Criador e benfeitor, e através de suas obras (Rm 1, 20) conhecessem seu admirável nome e infinitas perfeições.\

Dia e noite
82. Diz Moisés que a terra estava vazia (Gn 1,2), não referindo o mesmo do céu, porque neste Deus criou os anjos
no momento que o escritor descreve (Idem 3): Disse Deus: faça-se a luz e a luz foi feita. Fala não só da luz material
como também das luzes angélicas e intelectuais. Se não fez mais clara menção dos anjos, designando-os apenas sob esse nome, foi por causa da inclinação dos hebreus em facilmente atribuir divindade a qualquer coisa de menor apreço, que os espíritos angélicos.

Além disso, foi muito apropriada a metáfora da luz para representar a natureza angélica, e misticamente a luz da ciência e graça com que foram iluminados em sua criação. Juntamente com o céu empíreo, criou Deus a terra e em seu centro o inferno. Naquele instante em que foi criada, ficaram no meio deste globo, por divina disposição, extensas e profundas cavernas para inferno, limbo e purgatório. Ao mesmo tempo, no inferno foi criado fogo material e as demais coisas que agora ali servem de suplício aos condenados.

Logo separaria o Senhor a luz das trevas, chamando à luz dia (Gn 1, 5) e às trevas, noite. Não sucedeu isto só
entre a noite e o dia naturais, mas também entre os anjos bons e maus. Aos bons deu a luz eterna de sua visão,
chamando-a dia eterno, e aos maus chamou noite do pecado, sendo lançados nas eternas trevas do inferno.
Deste modo podemos entender quão unidas estiveram em Deus a misericordiosa liberalidade de Criador e a
retíssima justiça de Juiz.

Criação dos Anjos

83. Foram os anjos criados no céu empíreo, em graça, para com ela adquirirem méritos que precedessem à
recompensa da glória. Ainda que se encontravam no lugar dessa glória, não lhes fora dada a visão de Deus face a
face, até que a mereceram pela graça, os que se mostraram obedientes à vontade divina.

Deste modo, estes santos anjos, como os demais apóstatas, permaneceram muito pouco tempo no primeiro estado de viadores. Sua criação, estado de provação e término dele realizaram-se em três estâncias ou mórulas, separadas por algum intervalo, em três instantes.

No primeiro foram todos criados e adornados com graça e outros dons, formosíssimos e perfeitas criaturas A este instante seguiu-se a mórula n a qual a todos foi apresentada e ordenada a vontade de seu Criador e lei para
observarem. Reconhecendo-o por supremo Senhor, preencheriam o fim de sua criação. Nesta mórula, estância ou intervalo travou-se entre S. Miguel com seus anjos e o dragão seguido dos seus, aquela grande batalha descrita por São João no capítulo 12 do Apocalipse (Ap 12, 7)- Os bons anjos, perseverando na graça, mereceram a felicidade eterna e os desobedientes, insurgindo-se contra Deus, mereceram o castigo que sofrem.

Queda dos maus anjos, perseverança dos bons

84. Nessa segunda mórula, tudo poderia se ter passado muito depressa, de acordo com a natureza angélica e o
poder divino. Entendi, porém, que a piedade do Altíssimo deteve-se, e com alguma espera lhes mostrou o bem e o
mal, a verdade e a falsidade, o justo e o injusto, sua graça e amizade, a malícia do pecado e a inimizade de Deus, o prêmio e o castigo eterno, a perdição de Lúcifer e seus seguidores, o inferno com suas penas.

Viram eles todas essas coisas como são em si mesmas, com o conhecimento de sua tão superior e excelente
natureza, de maneira que, antes de perder a graça, viram claramente o lugar do castigo. Se não conheceram em igual medida o prêmio da glória, tiveram dela outra notícia e a promessa expressa do Senhor, com que o Altíssimo justificou sua causa agindo com suma eqüidade e retidão.

Não bastando toda esta bondade e justiça, para deter Lúcifer e seus sequazes obstinados, foram punidos e precipitados ao fundo das cavernas infernais, enquanto os bons viram-se confirmados na graça e glória eterna.
Aconteceu isto no terceiro instante, e verificou-se que realmente nenhuma criatura, fora de Deus, é impecável por
natureza, pois o anjo, possuindo-a tão excelente e adornada com tantos dons de ciência e graça, acabou pecando e se perdeu. Que fará a fragilidade humana, se o poder divino não a defender, e se ela O obrigar a desampará-la?\

O pecado de Lúcifer
85. Resta saber o que estou procurando: o que motivou o pecado de Lúcifer e seus confederados, e o que lhes serviu de ocasião para desobedecer e cair.
Nisto entendi que poderiam ter cometido muitos pecados secundum reatum ainda que não praticaram os atos
de todos. Dos que com sua depravada vontade cometeram, ficaram-lhes os hábitos para todos os maus atos, aos quais induzem os outros aprovando o pecado que por si mesmos não podem praticar.

Movido pelo mau afeto que então sentiu, incorreu Lúcifer em desordenadíssimo amor de si mesmo, ao se ver com maiores dons e formosura de natureza e graça que os demais anjos inferiores. Deteve-se demasiado nesse conhecimento, e a autocomplacência o embaraçou e enfraqueceu na gratidão que devia a Deus, como à fonte única de tudo o que recebera. Continuando a admirar a própria beleza e graça, acabou por se apropriar delas, amando-as como suas.

Este desordenado amor próprio, não somente o fez se exaltar com o que tinha recebido de outro ser superior, mas também o levou a invejar e cobiçar outros dons e excelências alheias que não possuía. Como não as pôde conseguir, concebeu mortal ódio e indignação contra Deus, que do nada o criara, e contra todas as criaturas.\

A soberba de Lúcifer sempre cresce 
86. Daqui se originaram sua desobediência, presunção, injustiça, infidelidade, blasfêmia, e ainda uma espécie de idolatria, desejando para si a adoração e reverência devida a Deus.

Blasfemou de sua divina grandeza e santidade, faltou à fé e lealdade que devia, pretendeu destruir todas as
criaturas, presumindo que poderia tudo isso e muito mais. Assim, sua soberba sempre cresce (SI 73, 23) e persiste,
ainda que sua arrogância seja maior que sua fortaleza (Is 16, 6), porque enquanto nesta não pode crescer, no pecado, um abismo atrai outro abismo (SI 14, 8).\

O primeiro anjo que pecou foi Lúcifer, como consta no cap. 14 de Isaías (v. 12), e induziu a outros segui-lo. Por
isso, chama-se príncipe dos demônios, não por natureza, que por ela não pode ter esse título, e sim pela culpa. Os que pecaram não foram somente de uma ordem e hierarquia, mas de todas caíram muitos.

O princípio da queda de Lúcifer

87. Procurarei, segundo me foi mostrado, qual a honra e excelência cobiçada e invejada pela soberba de Lúcifer.
Como nas obras de Deus há justiça (Sb 11, 21) peso e medida, antes que os anjos pudessem inclinar-se a diferentes objetivos, determinou sua providência manifestar-lhes, imediatamente depois de sua criação, o fim para o qual os havia criado de natureza tão elevada e excelente.
Receberam este conhecimento do seguinte modo: primeiro, tiveram inteligência muito expressa do ser de Deus,
uno em substância e trino em pessoas, recebendo ordem para O adorar e reverenciar como a seu Criador, supremo
Senhor, infinito no ser e atributos.
A este mandato submeteram-se e obedeceram todos, mas com alguma diferença: os anjos bons obedeceram por
amor e justiça, sujeitando-se de boa vontade, aceitando e crendo o que estava além de sua capacidade, e obedecendo com alegria. Lúcifer, porém, rendeu-se por lhe parecer impossível o contrário. Não agiu com caridade perfeita, pôs reservas na vontade e dúvida na verdade infalível do Senhor. Por este motivo o preceito se lhe tomou um tanto duro e difícil, não o cumpriu com inteiro amor e justiça, e desta maneira se indispôs para nela perseverar.
Ainda que esta tibieza e negligência em praticar estes primeiros atos com dificuldade não o privou da graça, daí começou sua má disposição, porque foi remisso no espírito e na virtude, cuja perfeição não preencheu como devia. A meu parecer, o efeito que esta remissão e dificuldade produziu em Lúcifer, foi semelhante à que produz na alma o pecado venial deliberado. Não afirmo que ele haja, nessa ocasião, pecado nem venial nem mortalmente, porque cumpriu o preceito divino; todavia, esse cumprimento foi remisso e imperfeito, mais coagido pela força da razão do que pelo amor e vontade de obedecer. Com isto se colocou no declive que dispõe à queda.

Os anjos e o Homem-Deus

88. Em segundo lugar, Deus manifestou aos anjos que criaria a natureza humana inferior à deles. Seriam criaturas
racionais para amar, temer e reverenciar a Deus como a seu autor e eterno bem.
A esta natureza humana favoreceria tanto, que a segunda pessoa da mesma Trindade Santíssima se faria homem, elevando a natureza humana à união hipostática e pessoa divina. Àquele suposto, ( Homem e Deus, deveriam os
anjos reconhecer por cabeça não só enquanto Deus, mas também enquanto homem.

Deveriam reverenciá-lo e adorá-lo, como seus servos, inferiores em dignidade e graças. Deu-lhes inteligência da conveniência, eqüidade, justiça e razão que nisto havia, porquanto, aos méritos previstos daquele Homem-Deus,
deviam a graça que possuíam e a glória que receberiam. Para a glorificação Dele haviam sido criados, e seriam criadas as demais criaturas, porque a todas seria superior. Todas quantas fossem capazes de conhecer e gozar de Deus, seriam membros daquela cabeça e formariam seu povo para reconhecê-lo e reverenciá-lo.
Tudo isto foi proposto e ordenado aos anjos.

Atitude dos bons e dos maus anjos

89. A este preceito, os santos anjos, obedientes e de plena boa vontade, submeteram-se com humilde e
amoroso afeto.
Lúcifer, ao contrário, resistiu com soberba e inveja, induzindo os anjos que eram seus sequazes a fazerem o
mesmo, como de fato fizeram, seguindo-o na desobediência ao divino mandato.

Persuadiu-os o mau príncipe de que ele seria sua cabeça, e formariam principado independente e separado de Cristo.
Tanta cegueira e tão desordenado afeto, pôde causar naquele anjo a inveja e soberba, que veio a se transformar na causa e contágio para tantos outros incorrerem no mesmo pecado.

Os anjos e a Mãe de Deus

90. Aqui ocorreu a grande batalha que S. João refere (Ap 12) haver-se travado no céu. Os santos anjos obedientes, com ardente zelo para defender a glória do Altíssimo e a honra do Verbo humanado previsto, pediram licença ao
Senhor para resistir e contradizer ao dragão, sendo-lhes concedida essa permissão.

Entrementes sucedeu outro mistério. Ao ser proposta a todos os anjos a obediência ao Verbo humanado, foi lhes apresentado o terceiro preceito:
superior a eles existiria também uma mulher, em cujas entranhas tomaria carne humana o Unigênito do Pai; esta
mulher, Rainha deles e das demais criaturas, nos dons da graça e glória se elevaria acima de todas, tanto angélicas
como humanas.

Os bons anjos, obedecendo a este preceito do Senhor, cresceram e se aperfeiçoaram na humildade, aceitando e
louvando o poder e os arcanos do Altíssimo. Lúcifer, porém, e seus confederados, a este preceito e mistério, se
exaltaram mais na soberba e presunção.

Com desordenado furor apeteceu para si a excelência de ser cabeça de todo o gênero humano, e das ordens
angélicas,e se isto deveria realizar-se mediante a união hipostática, fosse ele a recebê-la. \

Revolta de Lúcifer

91. Quanto a permanecer inferior à Mãe do Verbo humanado e Senhora nossa, opôs-se com horrendas blasfêmias, indignando-se contra o Autor de tão grandes maravilhas, e incitando os demais com estas palavras: – Injustos são
estes preceitos e injuriosos para minha grandeza. Essa natureza que tu, Senhor, olhas com tanto amor e pretendes beneficiar tanto, eu perseguirei e destruirei, empregando nisso todo o meu poder e diligência. E a esta Mulher, Mãe do Verbo, derrubarei do estado em que a prometes colocar, e em minhas mãos perecerão teus projetos.

Maria esmagará a cabeça de Lúcifer

92. Esta soberba arrogância irritou tanto ao Senhor, que humilhando a Lúcifer, disse: – Esta mulher que não quiseste respeitar, te esmagará a cabeça (Gn 3, 15) e por Ela serás vencido e aniquilado. E, se por tua soberba, entrar a morte no mundo (Sb 2, 24), pela humildade desta mulher entrará a vida e a salvação dos mortais. Os da natureza e semelhança destes dois (Cristo e Maria), gozarão do prêmio e coroa que tu e teus seguidores perderam.
A tudo isto replicava o dragão com indignada soberba, contradizendo o que entendia da divina vontade e de seus
decretos, e ameaçando a toda a linhagem humana.

Conheceram os bons anjos a justa indignação do Altíssimo contra Lúcifer e os demais apóstatas, e puseram-se a
pelejar contra eles com as armas do entendimento, razão e verdade.

Maria, representante da natureza humana pura \

93. Aqui operou o Altíssimo outro maravilhoso mistério; havendo manifestado por inteligência, a todos os anjos, o grande mistério da união hipostática, mostrou-lhes a Virgem Santíssima num sinal ou imagem, semelhante a nossas visões imaginárias, segundo o nosso modo de entender.
Deu-lhes a conhecer a natureza humana pura, representada nessa mulher perfeitíssima, em quem o braço poderoso do Altíssimo seria mais admirável que em todo o resto das criaturas, porque em
superior e eminente grau Nela depositava as graças e dons de sua destra.

Este sinal e visão da Rainha do céu e Mãe do Verbo humanado foi notório e claro a todos os anjos bons e maus. A sua vista, expandiram-se os bons em admiração e cânticos de louvor, e desde esse momento começaram a defender a honra do Homem-Deus e de sua Mãe Santíssima, armados de ardente zelo e do escudo inexpugnável daquele sinal.
O dragão e seus aliados, pelo contrário, conceberam implacável furor e sanha contra Cristo e sua Mãe Santíssima.
Sucedeu, então, tudo o que contém o capítulo 12 do Apocalipse, cuja interpretação, segundo me foi dada, escreverei a seguir.

MEDITAÇÃO

VISITA DOS PASTORES.

Estava deitado desta maneira. Meu Coração desejava a visita dos pastores para poder se deliciar com aquelas almas simples. E antes que estes se apressassem para a caverna onde eu estava, supliquei a meu Pai se dignasse conceder muita luz a suas almas simples, a fim de que pudessem conhecer o mistério divino e crer em mim, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Efetivamente, meu Pai o fez. E, porque aquelas almas eram bem dispostas, a graça divina causou grande impressão aos pastores. Afervorados vieram adorar-me, dando-me os seus corações. Tendo chegado à caverna, ficaram repletos de nova graça e júbilo de coração, de modo que, apenas me viram, prostraram-se por terra e com lágrimas de alegria adoraram-me e reconheceram-me pelo verdadeiro Messias, que lhes fora prometido. Mas, sendo simples, não compreendiam o mistério de minha pobreza e humilhação. O contentamento que experimentei nestas primeiras visitas foi grande, diletíssima esposa.

Embora fossem pessoas humildes, contudo senti muita consolação, e justamente me deleitavam estas almas retas e simples, nas quais muito me comprazia. Esta consolação, porém, foi assaz amargurada ao ver alguns desses incrédulos e infiéis que não só não acreditaram no que os outros lhes diziam, mas nem sequer quiseram aproximar-se da caverna, persistindo em sua dureza e obstinação. Esta dureza e infidelidade causaram-me tanta aflição que não podia deixar de derramar lágrimas ao ver os mesmos, favorecidos e convidados pelo anjo, se mostrarem tão obstinados, quando o exemplo de seus companheiros devia estimulá-los a prontificarem-se a adorar-me. A graça que meu Pai deu aos outros, concedeu-a também a estes, mas neles não produziu efeito por serem almas pecadoras, e não simples e retas como aquelas que acreditaram no convite e tiveram a sorte de reconhecer-me e adorar-me.

Ofereci, esposa caríssima, a meu Pai a pena que sofri vendo essas almas tão duras e obstinadas que desprezavam os convites do anjo, juntamente com a graça, e roguei-lhe se dignasse perdoar-lhes tamanha falta e dureza. Pedi-lhe ainda recebesse minhas lágrimas em desconto das ofensas e injúrias recebidas das almas ingratas que tanto resistem a seus chamados e doces convites. Quanto mais graça Ele lhes concede, tanto mais abusam delas e tornam-se indignas por sua dureza. Tendo chegado aqueles simples pastores à minha presença, enquanto me contemplavam com espanto e maravilhados, eu os olhava com amor, enchendo-lhes as almas de consolação. Pedi a meu Pai se dignasse consolar todas as almas que, dando fé a seus convites, aderissem a meu serviço e correspondessem à graça.

JESUS, BOM PASTOR.

Roguei-lhe ainda que, assim como quisera fossem dos pastores as primeiras visitas recebidas por ocasião de meu nascimento, assim lhe agradasse dar-me o nome de bom pastor. Como chefe de todos os pastores e o mais perfeito e santo, fosse por eles adorado e seguido, e todas as criaturas se tornassem ovelhinhas a mim confiadas. Ofereci-me para preencher o ofício de verdadeiro e bom pastor dessas ovelhinhas errantes e extraviadas, sem poupar fadigas e incomodidades, dando mesmo minha vida para salvá-las, fazendo quanto podia para conduzí-las todas ao meu redil, convidando-as, acariciando-as, procurando-as, chamando-as e libertando-as das fauces do lobo infernal. Só se perdessem as que, à força, quiserem fugir de mim, entregar-se espontaneamente ao lobo para serem devoradas.

A meu Pai muito aprouve este pedido e deu-me desde então o nome e o ofício de Bom Pastor. Comecei imediatamente a exercer tal ofício, se não em obras por me achar em idade inteiramente inábil, ao menos pelas orações e as súplicas, pedindo a meu Pai se dignasse por meio de seus convites e da graça, reconduzir a meu redil as ovelhas errantes; de fato, muitas acorreram. Somente ficaram sem atenderem ao convite e ao chamado aquelas que, empedernidas e enredadas na culpa, não corresponderam à divina graça. Pedi ao Pai naquele instante se dignasse dar muita graça e virtude às criaturas por Ele destinadas a serem na Igreja pastores e diretores de almas, a eles confiadas, a fim de exercerem o ofício com a caridade e retidão que eu lhes ensinaria, tomando conta das ovelhinhas a seu cuidado, sem poupar fadigas, nem privações, para apascentá-las e guardá-las no redil, — pois sou o chefe de todos os pastores — e, se necessário, dessem até a vida para conservar a grei a eles entregue. O Pai prometeu-me tudo e já o está realizando. Efetivamente, jamais deixa de dar graça e ajuda a todos os que exercem tal ofício. Somente àqueles que entram em meu redil, como mercenários, não concede a graça, porque não visam o fim de pastorear e guardar minha grei, mas impelem-nos a soberba, a vaidade e a ambição. Por isso, tornam-se indignos do auxílio divino, arruínam o redil que com tantos artifícios por si mesmos quiseram agarrar para guardar. Conquanto eu, esposa caríssima,' fosse ab aeterno já inteiramente ciente de tudo pela divindade que em mim havia, por estar o Verbo eterno unido à minha humanidade, não obstante tornaram-se me todos presentes e causavam-me pena incrível. Ao invés, antes que o Verbo estivesse unido à natureza humana, eu não era capaz de penas e embora enquanto Deus tudo soubesse, não podia ter desgosto por ser Deus inteiramente incapaz de qualquer pena e dor.

Vi naquele instante, como vos disse, todos os pastores que deviam ter a vigilância sobre minha grei. Vi os bons e os maus; vi, esposa caríssima, todos os mercenários que, não sendo pastores, mas lobos rapaces. não guardariam, mas dispersariam e maltratariam a grei. Oh! que aflição sofria meu Coração ao ver dispersas e maltratadas as ovelhas que eu, com tanta fadiga, viera procurar e que, mediante minha morte, conduziria ao redil! Ofereci essa aflição e dor ao Pai. Roguei-lhe que, em virtude dessa pena tão intensamente sofrida, se dignasse impedir a entrada de tais pessoas no redil, e que, se alguma vez permitisse que entrassem, em castigo das ovelhas que, dissolutas em demasia, se afastassem para longe do caminho reto em busca de pastos venenosos, ao menos fosse de seu agra. do dar força às ovelhas de sofrerem tal castigo em paga de seus erros, e ao pastor, a luz e a graça de se emendar. E, se este não usasse a graça, livrasse o rebanho de tal lobo, do modo que contribuísse para sua maior glória e a salvação da grei. Pedi-lhe ainda concedesse sempre nova graça e nova luz aos pastores que, bons e verdadeiros, governassem a grei, me imitassem e seguissem, conforme concedeu aos pastores que foram gruta, ao entrarem e demorarem nela, ficaram repletos de nova graça e de dons celestes.

PEDE O LEITE

Após a partida dos primeiros pastores da gruta para retornarem à guarda dos rebanhos, fiquei no presépio com minha Mãe e José, seu esposo. Comecei a sentir a necessidade de tomar o alimento de que, como homem, precisava para crescer. Sentia, esposa caríssima, esta necessidade e sofria. Minha querida Mãe não ousava, por humildade, oferecer-me o leite e esperava. ordem referente ao tempo em que eu de, queria ser alimentado. Além do frio, por causa da rígida estação, quis sofrer também isto, depois de meu nascimento, ísto é, a fome, e estando pronto o alimento, privei-me dele por algum tempo , para sentir esta necessidade. Ofereci este sofrimento ao meu Pai e rogava que, vir em virtude deste sofrimento, desse muita graça a quem se abstivesse de alimento, jejuando por amor de mim e para imitar-me, especialmente às almas inocentes, as quais desde os mais tenros anos, se encaminham para a virtude, a fim de poderem praticar à imitação de mim, com grande proveito, tão santo exercício, necessário à aquisição de outras virtudes.

Estando, pois, assim faminto e necessitado de alimento, falei ao corarão de minha dileta Mãe, a fim de que me desse o leite, fazendo sentir também a ela a necessidade de tomar algum alimento. Dei-lhe ainda a compreender como, sempre que tivesse necessidade de alimento, far-lhe-ia ter a mesma sensação, conforme entendera naquela hora, a fim de estar ciente de minha necessidade e da hora na qual devia dar-me seu leite virginal, embora as mais das vezes, querendo sofrer a falta de alimento, só lhe faria sentir a necessidade depois de ter sofrido muito. Doutro modo seu coração teria sofrido demais, visto que seu amor materno não comportava ver-me sofrer tanto nessa tenra idade. Sua dor teria sido grande demais ao ver-me sofrer e, tendo pronto o alívio, não poder mo dar. Muitas vezes, no entanto fí-la experimentar esta pena; às vezes, sentia necessidade, e recusava o leite para sofrer a pena, e fazia com que ela me fizesse companhia, a fim de ser em tudo minha perfeita imitadora.

TOMA O LEITE.

Ao entender minha querida Mãe minha necessidade de ser alimentado, com toda solicitude e amor apertou-me a seu peito amoroso e, sentindo o seio repleto de leite miraculoso, deu-me deste alimento. Que gosto senti eu, esposa caríssima, ao tomar esse leite virginal! Minha dileta Mãe soube-o bem e ao mesmo tempo ficou cheia de consolação e de alegria e de suavíssima saciedade; fiz-lhe provar a mesma consolação que eu experimentei ao alimentar-me com o leite dela. Mas esta consolação foi cheia de amargura tanto para mim como para minha dileta Mãe; porque, refletindo na bebida que me daria o povo hebreu para extinguir minha grande sede na hora de expirar, enchi-me de grande amargura e aflição por sua ingratidão e crueldade.

Esta aflição penetrou no coração de minha dileta Mãe e também ela ficou magoada. "Quão diferente", dizia-lhe, "ó querida Mãe, será a última bebida que receberei na cruz, desta que de vós recebo pela primeira vez!" Minha Mãe aflita sentia penetrar estas palavras em seu coração e experimentava indizível pena. Ofereci o gosto e a consolação ao Pai eterno e simultaneamente a pena e a amargura. Pedi-lhe se dignasse fazer as almas justas experimentarem a doçura e a suavidade de seu espírito. Em virtude da pena que sentia se dignasse dar às mesmas virtude e graça para poderem sofrer a amargura e o desgosto, os quais muitas vezes costumam preceder tal estado, e experimentarem tão suave doçura. Pedi-lhe ainda recebesse a amargura e o desgosto que sentia, em desconto da amargura que, por seu lado, lhe fazem sofrer as almas que Ele chama a tal estado e que, por culpa e negligência, não se aproximam, nem correspondem aos seus convites e a sua graça. Sua negligência é tão grande e desgosta tanto a meu Pai que, se fosse capaz de experimentar amar sofrer e pena, as suas seriam muito grandes.

AÇÃO DE GRAÇAS.

Após receber pela primeira vez o alimento do leite puríssimo de minha dileta Mãe, rendi graças a meu Pai pelo sustento que lhe aprouve dar-me de modo 'AO admirável e prodigioso, a saber, o leite puríssimo de uma virgem, minha Mãe. Agradeci-lhe também da parte de todas as criaturas as quais, neste mesmo momento, eram alimentarias, e especialmente pelas ingratas que depois de terem recebido o alimento dispensado pela Providência, não se lembram de agradecer-lhe devidamente. Sabendo que tal ingratidão desgostaria muito ao Pai, agradeci-lhe duplamente, pedindo-lhe se desse por satisfeito em lugar de cada urna delas, em virtude de meu agradecimento, porque doutro modo ter-se-iam tornado indignas de que a Providência costumeira do Pai continuasse a alimentá-Ias.'

Meu Pai deu-se por satisfeito, por ser meu agradecimento de tão grande mérito que satisfazia por todas as criaturas, e ainda excedia muito. Agradeci-lhe ainda em nome de todas as criaturas que, sendo da minha idade de então e portanto incapazes de render-lhe graças por estarem efetivamente privadas do uso da razão, recebem o alimento sem lhe dar as devidas graças. Embora escusáveis e dispensadas disto por sua incapacidade, não obstante meu Pai foi glorificado e recebeu a ação de graças também da parte delas, porque o fiz com todo amor e gratidão. Deveis saber, esposa caríssima, que eu, cada vez que a querida Mãe me aleitava, fazia estes atos de agradecimento por todos os meus irmãos, sem excluir nenhum. Quanto a meu Pai agradou tal ação de graças, podeis deduzi-lo das promessas que me fez, isto é, dar-se por satisfeito em relação a todos, mesmo os mais ingratos, prometendo-me jamais deixar, pela divina Providência, de subministrar a todos o alimento necessário :ao, sustento, embora fossem pecadores e ingratos. Efetivamente vedes como sua providência paterna o está realizando, sem excetuar os mais indignos e criminosos pecadores que se acham no mundo, e seus maiores inimigos, demonstrando-se, neste particular, para com todos, Paí amorosíssimo. Entendei, esposa caríssima, que fiz esses atos de agradecimento não apenas após tomar o alimento, mas também em tudo o mais, como antes e depois do repouso.

ORDEM DO DIA.

De manhã, antes de despontar o dia, minha humanidade, após algum repouso, tributava as devidas graças a meu Pai; agradecia-lhe ainda em nome de todos os meus irmãos por se ter dignado conservá-los naquela noite e livrá-los de todo mal e da morte repentina, fazendo todos chegarem à manhã sãos e salvos de todo mal. Depois de lhe ter dado graças por todos em geral, agradecia-lhe em particular por aqueles ingratos que após receberem dele o benefício de sua conservaçao, não se recordam de tributar-lhe as devidas graças, nem sequer elevam a mente ao céu com um bom pensamento e um ato de gratidão. Depois agradecia-lhe por parte das almas justas que se conservaram em estado de graça. Ainda pedia-lhe perdão em lugar das almas culpadas que o haviam ofendido, oferecendo-me eu mesmo à morte e paixão, a fim de ser a divina por todas as culpas. Sentia dor por justiça aplacada e receber satisfação isto e chorava amargamente. Oferecia minha dor se dignasse preservar a meu Paí a essas e em desconto das culpas delas. Depois rogava-lhe a todos de qualquer mal durante este dia, sobretudo leso fendê-lo. Pedi que ia-lhe ainda, em geral, e depois em particular, pelas alma negligentes se levantam do repouso e vão para suas ocupações e nem sequer fazem a meu Pai uma súplica de que se digne conservá-las e livrá-las de todo mal naquele dia. Meu Pai punha muita complacência nesses atos e recebia-os com amor incomparável, mostrando-se sempre pronto a fazer o que eu pedia, pois não podia negar-me coisa alguma pelo amor que me dedicava e pela complacência que em mim encontrava. Fazia o mesmo à noite antes de repousar. Pedia a meu Pai se dignasse livrar a todos de qualquer mal naquela noite, e sobretudo do pecado. Agradecia-lhe por se ter dignado preservar a todos de qualquer mal durante aquele dia; em particular pelos ingratos que não o fazem, tencionando suprir pela falta de todos. Pedia-lhe perdão por todas as ofensas recebidas naquele dia; via a todas, uma por uma, sentia intensa pena e ansiava por derramar logo o meu sangue, para satisfazer à justiça divina. Uma vez que não podia derramar o sangue, derramava lágrimas que tinham muito valor e eram muito agradáveis ao meu Pai.

Oh! esposa caríssima, quanto me doía ver as contínuas ofensas desenfreadas, feitas a meu Pai! Sentia, depois, grande mágoa quando o dia ia começar, pensando que, naquele dia o Pai seria ofendido por tais criaturas. O mesmo sucedia ao começar a noite, vendo o homem se servir das trevas, destinadas ao descanso, para ofender ao Pai com mais liberdade. Rogava-lhe que naquela noite se dignasse impedir de todos os modos aqueles que pretendiam ofendê-lo, a fim de que não o fizessem ao menos por impotência, visto que não queriam fazê-lo voluntariamente. Depois, à meia-noite, louvava, bendizia e agradecia por parte de todos. Como nesta hora bem poucos o louvam, porque a maioria está repousando ou até ofendendo-o, eu supria por todos através deste louvor. Rogava-lhe instantemente aplacar-se em relação a eles e pelas maiores ofensas. Dava-lhe satisfação em lugar de cada um, afligindo-me com maior ou menor intensidade, segundo a gravidade da culpa cometida. Deste modo continuei a agir durante todo o tempo de minha vida, em cada hora e em cada momento, agindo e merecendo por meus irmãos. E, vendo sua ingratidão para comigo, que tanto bem obtinha para eles, sentia dor cada vez mais aguda.


MEDITAÇÃO
12-11
Junho 7, 1917

A alma fica separada de Jesus quando faz entrar nela alguma coisa que não pertence a Ele

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, lamentava-me com meu doce Jesus de suas privações e lhe dizia: "Que amarga separação, separada de Ti tudo termina e me sinto a criatura mais infeliz que possa existir". E Jesus, interrompendo o meu discurso, disse-me:
(2) "Minha filha, que separação encontras? A alma fica separada de Mim quando faz entrar alguma coisa que não me pertence a Mim. Por isso, se eu entrar na alma e encontrar a sua vontade, os seus desejos, os seus afetos, os pensamentos, o coração, todo meu, eu a absorvo em mim, e vou fundindo com o fogo do meu amor a sua vontade com a minha, e delas faço uma só; fundo seus desejos com os meus, os afetos, os pensamentos com os meus, e quando de tudo formei um só líquido, como celestial orvalho o despejo sobre toda minha Humanidade, que, dividindo-se em tantas gotas de orvalho por quantas ofensas recebe, me beijam, me amam, me reparam, embalsamam minhas feridas irritadas. E como estou sempre em ato de fazer o bem a todos, este orvalho desce a bem de todas as criaturas. Mas se encontro na alma alguma coisa estranha, que não me pertence, então não posso fundir o seu no meu, porque somente o amor é o que tem virtude de fundir-se e fazer-se um só; as coisas similares são as que podem trocar-se, e que têm o mesmo valor, por isso, se na alma há ferro, espinhos, pedras, como se podem fundir? E então são as separações, a infelicidade. Então, se nada entrou em seu coração, como posso me separar?"

13-9
Julho 20, 1921

Semelhança entre a água e a Divina Vontade.

(1) Continuando meu habitual estado me sentia muito amarga e dizia entre mim: "Só seu Querer me fica, não tenho nada mais, tudo desapareceu". E meu doce Jesus movendo-se dentro de mim me disse:
(2) "Minha filha, minha Vontade é a única coisa que deve ficar para você, Ela é simbolizada pela água, que enquanto se vê abundante nos mares, nos rios, nos poços, no resto da terra se vê como se a água não estivesse, no entanto não há ponto da terra que não esteja impregnado pela água, não há edifícios nos quais a água não tenha sido o primeiro elemento para os edificar, não há alimento no qual a água não tenha o seu lugar primário, de outra maneira seria alimento árido que o homem nem sequer poderia deglutir.

É tal e tal a força que contém a água, que se tivesse o campo livre para sair do leito do mar, devastaria e abateria toda a terra. Mais que água é minha Vontade; é verdade que em certos pontos, épocas e circunstâncias tem estado como represa em vastíssimos mares, rios e poços, mas não há coisa, da maior à menor, na qual minha Vontade não corra e não tenha o posto primário, mas como escondida, como está escondida a água na terra, que embora não apareça, é ela que faz vegetar as plantas e dá a vida às raízes. Mas quando meu amor fizer despontar a era de minha Vontade, a nova era do máximo benefício sobre as criaturas, então transbordarão os mares, os rios de meu Querer, e pondo fora suas ondas gigantescas atropelarão tudo em meu Querer, mas não mais como escondido, mas suas ondas fragorosas se farão ver por todos e tocarão a todos, e quem quiser resistir à corrente estará em perigo de perder sua vida.
(3) Agora, tendo ficado só meu Querer, é como a água que tem seu lugar primário sobre todos os bens, e em todas as coisas, no Céu e na terra, e quando meu Querer sair de suas praias, seu querer fundido no meu terá seu primado. O que mais queres?"

14-9
Março 3, 1922

O Agricultor Celestial semeia sua palavra.

(1) Continuando meu estado habitual, meu doce Jesus veio, mas sem me dizer nada, todo taciturno e extremamente aflito, e eu disse:
(2) "O que tem Jesus que não fala? Você me é vida, sua palavra me é alimento, e eu não posso estar em jejum, sou muito débil e sinto a necessidade contínua do alimento para crescer e me manter forte".
(3) E Jesus todo a bondade me disse: "Minha filha, também Eu sinto a necessidade de um alimento, e depois de que te alimentei com minha palavra, essa mesma palavra mastigada por ti, havendo-se convertido em sangue, germina o alimento para Mim, e se tu não podes estar em jejum, tampouco Eu quero estar em jejum, Quero a correspondência da comida que te dei, e depois volto para te alimentar. Sinto muita fome, em breve, tire-me a fome".
(4) Eu fiquei confusa e não sabia o que lhe dar, porque nunca tive nada, mas Jesus com as suas duas mãos tomava o meu coração, o meu fôlego, os meus pensamentos, os afetos, os desejos, mudados em tantos globinhos de luz, e comia-os dizendo:
(5) "Isto é o fruto da minha palavra, é coisa minha, é justo que os coma".
(6) Então ele parecia estar tomando um pouco de repouso, e então ele adicionou".
(7) "Minha filha, agora convém que me ponha de novo ao trabalho, para trabalhar o terreno de sua alma, para poder semear a semente de minha palavra para alimentá-la. Eu faço como o camponês quando quer semear seu terreno, forma as valas, faz os sulcos e depois lança a semente neles, logo volta a cobrir de terra as valas e os sulcos onde tem jogado a semente, para tê-la defendida e dar-lhe tempo para fazê-la germinar, para recolher centuplicada para
fazer dela seu alimento, mas deve estar atento a não colocar muita terra, de outra maneira sufocaria sua semente e a faria morrer debaixo da terra e ele correria o risco de ficar em jejum.
Assim faço Eu, preparo as valas, formo os sulcos, ampliando a capacidade de sua inteligência para poder semear minha palavra divina, e assim poder formar o alimento para Mim e para ela, depois cubro as valas e os sulcos de terra, e esta terra é a humildade, o nada, o aniquilamento da alma, alguma pequena fraqueza ou miséria, isto é terra e é necessário que a tire dela, porque a Mim me falta esta terra e assim cubro tudo e espero com alegria minha colheita.
Queres saber o que acontece quando a minha semente fica cheia de terra? Quando a alma sente suas misérias, suas fraquezas, seu nada, e se aflige, pensa tanto nisto que perde o tempo e o inimigo se serve disso para jogá-la na turbação, na desconfiança e no abatimento; tudo isto é terra de mais sobre minha semente.  Oh, como minha semente se sente morrendo, como é difícil germinar sob esta terra! Muitas vezes essas almas cansam o Agricultor
Celestial e ele se retira. Oh! quantas dessas almas existem".

(8) E eu: "Meu amor, sou eu uma dessas?"

(9) E Ele: "Não, não, quem faz minha Vontade não está sujeito a poder formar terra para sufocar minha semente, aliás, muitas vezes não se encontra nem sequer a humildade, senão só seu nada que produz pouca terra, e apenas uma capa posso pôr sobre minha semente, e o Sol da minha Vontade a fecunda e logo germina, e Eu faço grandes colheitas e volto logo para lançar minha semente, e podes estar segura disto, não vês como volto continuamente a semear novas sementes de verdade em tua alma?"

(10) Agora, enquanto dizia isto, sobre o rosto de Jesus via-se uma tristeza, e tomando-me pela mão transportou-me para fora de mim mesma e fez-me ver deputados e ministros, todos transtornados e como se eles mesmos tivessem preparado um grande fogo, no qual ficavam envoltos nas chamas; viam-se os chefes sectários, que cansados de esperar, de amaldiçoar contra a Igreja, ou queriam ser deixados livres para iniciar lutas sangrentas contra Ela, ou se queriam retirar de governar, viam-lhes faltar o piso debaixo de seus pés, tanto por finanças como por outras coisas, e para não fazer o ridículo queriam retirar-se de governar o destino da nação, mas quem pode dizer tudo? E Jesus, todo sofredor disse:

(11) "Terríveis, terríveis são os preparativos, querem fazer tudo sem Mim, mas tudo servirá para confundi-los".

15-9
Março 12, 1923
Privação de Jesus e efeitos que produz. Como Jesus sofreu o afastamento da Divindade.

(1) Sentia-me a morrer de pena pela privação de meu doce Jesus, e se vem o faz como relâmpago que foge. Então, não podendo mais, e tendo ele compaixão de mim, saiu de dentro de mim, e eu, quando o vi, lhe disse: "Meu amor, que pena, me sinto morrer sem Ti, mas morrer sem morrer, que é a mais dura das mortes, eu não sei como a bondade de teu coração pode suportar me ver em estado de morte contínua, só por tua causa".\

(2) E Jesus: "Minha filha, coragem, não te abatas demasiado, não estás sozinha em sofrer esta pena, também Eu a sofri, como também minha querida Mãe, oh, quanto mais dura que a tua! Quantas vezes minha gemente Humanidade, se bem que era inseparável da Divindade, mas para dar lugar às expiações, às penas, sendo estas incapazes de tocá-la, Eu ficava só e a Divindade como afastada de Mim. ¡ Oh! como sentia esta privação, mas isto era necessário. Tu deves saber que quando a Divindade pôs fora a obra da Criação, pôs também fora toda a glória,
todos os bens e felicidade que cada uma das criaturas devia receber, não só nesta vida mas também na pátria celestial. Agora, toda a parte que correspondia às almas perdidas ficava suspensa, não tinha a quem dar-se, então Eu, devendo completar tudo e absorver tudo em Mim, expus-me a sofrer a privação que os mesmos condenados sofrem no inferno.

Oh, quanto me custou esta pena! Me custou pena de inferno e morte impiedosa, mas era necessário. Devendo absorver tudo em Mim, tudo o que saiu de Nós na Criação, toda a glória, todos os bens e felicidade, para os fazer sair de Mim de novo, para os pôr à disposição de todos os que quisessem tirar proveito deles, devia absorver todas as penas e a mesma privação de minha Divindade, agora, todos estes bens absorvidos em Mim de toda a obra da Criação, sendo Eu a cabeça da qual todo bem desce sobre todas as gerações, vou buscando almas que me assemelham nas penas, nas obras, para poder participar tanta glória e felicidade que minha Humanidade contém, mas nem todas as almas as querem aproveitar, nem todas estão vazias de si mesmas e das coisas daqui abaixo para poder fazer-me conhecer e depois subtrair-me, e nestes vazios delas mesmas e do conhecimento que adquiriram de Mim, formar esta pena de minha privação, e na privação que sofre venha absorver nela esta glória de minha Humanidade que outros rechaçam. Se eu não tivesse estado quase sempre contigo, tu não me terias conhecido nem amado, e esta dor da minha privação não o sentirias nem poderia formar-se em ti, e em ti faltaria a semente e o alimento desta dor.  Oh! quantas almas estão privadas de Mim, e talvez ainda estejam mortas, elas doem se se vêem privadas de um pequeno prazer, de uma bagatela qualquer, mas privadas de Mim não têm nenhuma dor e nem sequer um pensamento, assim que esta dor deveria consolar-te, porque te dá
o sinal seguro de que vim a ti e que me conheceste, e que teu Jesus quer pôr em ti a glória, os bens, a felicidade que os demais rejeitam".

16-9
Julho 27, 1923

Jesus faz o depósito dos bens, efeitos, prodígios, conhecimentos que contém sua Vontade numa criatura, para depois dá-los às demais.

(1) Esta manhã meu doce Jesus se fazia ver em modo maravilhoso, Ele estava de pé sobre meu coração, tinha posto duas hastes sobre as quais tinha formado um arco, e no meio havia afixado uma roda com duas cordas, uma à direita e outra à esquerda, e pendurada um balde; e Jesus com toda a pressa fazia descer o balde no meu coração, tirava-o cheio de água e derramava-a no mundo, tirava e derramava em modo tal de inundar a terra. Era deleitável ver a Jesus como afanar-se, jorrar suor pelo trabalho que fazia ao tirar tanta água. Então pensei entre mim: "Como é que sai tanta água do meu coração, se é tão Pequenino? E quando é que a pôs?" Então o bendito Jesus fazia-me compreender que todo esse aparato não era outra coisa que sua Vontade, que com tanta bondade havia operado em mim; a água que tirava eram todas as palavras e ensinamentos sobre sua adorável Vontade, que como em depósito tinha posto no meu coração, que mais do que água, querendo regar a Igreja para dar-lhe o conhecimento de sua Vontade, tirava-a para fazer que se cumpra como Ele quer. E depois disse-me:

2) "Minha filha, assim como fiz na Encarnação, em que primeiro depositei na minha querida Mamãe todos os bens que convinham para descer do Céu à terra, depois me encarnei e fiz o depósito de minha mesma Vida; e de minha Mamãe saiu este depósito como vida de todos, assim será da minha Vontade, é necessário que faça o depósito dos bens, efeitos, prodígios, conhecimento que contém, depois de feito o depósito em você, então se fará caminho e será dado às outras criaturas.
Por isso, olhe, tudo está preparado, o depósito está quase terminado, não resta outra coisa a não ser dispor aos primeiros para fazê-lo conhecer, a fim de que não fique sem o seu fruto".

17-9
Agosto 14, 1924

O obrado na Divina Vontade contém a potência criadora. O obrar de Jesus forma a coroa ao obrar das criaturas.

(1) Estava pensando entre mim: "Queria girar sempre em seu Querer Divino, queria ser como roda de relógio que gira sempre sem parar jamais". Mas enquanto isso eu pensava, meu doce Jesus se moveu dentro de mim e me disse:.
(2) "Minha filha, você quer sempre girar em meu Querer? Oh! com que vontades e com que amor quero que gires sempre em meu Querer, tua alma será a roda, minha Vontade te dará a corda para te fazer girar velozmente sem deter jamais, tua intenção será o ponto de partida de aonde queres ir, que caminho queres tomar, se ao passado ou bem no presente, ou queres deleitar-te nos caminhos futuros, à tua livre escolha, sempre me serás amada e me dará sumo deleite qualquer ponto de partida que tu tomes"..

(3) Depois acrescentou: "Filha amadíssima da minha Vontade, tudo o que se faz na minha Vontade contém a potência criadora. Olhe, tudo o que fez minha Humanidade estando na terra, como tudo foi feito na Vontade Suprema, tudo contém esta potência criadora, tanto, que assim como está um sol sempre em ato, sempre pleno de luz e de calor, sem diminuir jamais, nem crescer em seu pleno esplendor, tal como foi criado por Deus, assim tudo o que fiz, tudo está em ato, e como o sol é de todos e de cada um, assim o meu agir, enquanto é um de todos e de cada um, na verdade, meus pensamentos formam a coroa a cada inteligência criada, meus olhares, minhas palavras, minhas obras, meus passos, meus batimentos, minhas penas, formam a coroa dos olhares, das palavras,
das obras, das penas, etc., etc., das criaturas, poderia dizer que como coroa estão a guarda de tudo o que faz a criatura. Agora, se a criatura pensa em minha Vontade, a coroa de meus pensamentos se abre e fecha nos meus pensamentos, e tomando parte na potência criadora, fazem para Deus e para as criaturas o ofício de minha inteligência; assim se olhas, se falas, meus olhares, minhas palavras formam o posto para receber as tuas e formando uma só coroa fazem o ofício de meus olhares e de minhas palavras, e assim por diante. As almas que vivem em minha Vontade são minhas verdadeiras repetidoras, minhas inseparáveis imagens reproduzidas nelas e
absorvidas de novo em Mim, para fazer com que tudo o que fazem fique com o selo de que são obras minhas e continuem o meu mesmo ofício".

18-9
Outubro 24, 1925
A Divina Vontade é um ato só, imenso e eterno que contém tudo junto: Criação, Redenção, Santificação. Quem vive na Divina Vontade possui este ato sozinho e toma parte em todas as suas obras, formando um ato só com o seu Deus.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, sentia a meu doce Jesus mover-se em meu interior, em ato de estender-se em mim, como se me pusesse em agonia; eu ouvia seu estertor de agonizante e me sentia também eu agonizar junto com Ele. Depois de ter sofrido um pouco junto com Jesus me disse:

(2) "Minha filha, o pensar em minha Paixão, o compadecer-me em minhas penas me é muito grato, sinto que não estou só em minhas penas, senão que tenho junto Comigo a companhia da criatura, por causa da qual Eu sofro e a que amo tanto, e tendo-a junto Comigo o sofrer me faz mais doce. Como é duro o isolamento no sofrer! Quando me vejo sozinho não tenho a quem confiar minhas penas, nem a quem dar o fruto que minhas penas contêm, e por isso fico como afogado de penas e de amor, e por isso meu amor não podendo mais, venho a ti para sofrer em ti e tu sofres junto Comigo as penas de minha Paixão em ato, para repetir o que Eu fiz e sofri em minha Humanidade.
O repetir minha Paixão em ato na criatura difere de quem só pensa e compadece minhas penas; o primeiro é um ato de minha Vida que se põe em meu lugar para repetir minhas penas, e Eu sinto dar-me de novo os efeitos, o valor de uma Vida Divina; Em vez disso, pensar nas minhas mágoas e ter pena de mim, é apenas a companhia que sinto da criatura. Mas sabe você em quem posso repetir minhas penas em ato de minha Paixão? Em quem está como centro de vida minha Vontade.
Só minha Vontade é um ato único, que não tem sucessão de atos; este ato único está como fixado em um ponto que jamais se muda, este ponto é a eternidade, e enquanto é um ato só, é ato primeiro, ato interminável, porém sua circunferência é tão imensa que nada lhe pode escapar, abraça tudo e a todos com um só abraço, Então a Criação, a Redenção e a Santificação é um ato único para a Divindade, e somente porque é um ato só tem a potência de fazer seus todos os atos como se fossem um só. Agora, quem vive em minha Vontade possui este ato único, e não é maravilha que tome parte nas penas de minha Paixão como em ato; neste ato único encontra como em ato a seu Criador que cria a Criação, e ela, formando um ato só com seu Deus, cria junto com Ele, correndo como um só ato em todas as coisas criadas, e forma a glória da Criação a seu Criador; seu amor brilha sobre todas as coisas criadas, goza e toma prazer delas, as ama como suas coisas e de seu Deus. Naquele ato só ela tem uma nota que faz eco a todo o obrar divino, e diz em sua ênfase de amor: O que é teu é meu, e o que é meu é teu; sejam dados glória, Honra e amor ao meu Criador. Neste ato só encontra em ato a Redenção, a faz toda sua, sofre minhas penas como se fossem suas, corre em tudo o que Eu fiz, em minhas orações, em minhas obras, em minhas palavras, em tudo tem uma nota de reparação, de compaixão, de amor e de substituição à minha Vida'. Neste ato só encontra tudo, tudo o faz seu e por toda parte põe sua correspondência de amor, por isso viver em minha Vontade é o prodígio dos prodígios, é o encanto de Deus e de todo o Céu, porque vêem correr a pequenez da criatura em todas as coisas de seu Criador, e como raio solar unido a este ato só se difunde por toda parte e em todos. Por isso te recomendo que jamais, ainda que a custo de tua vida, saias deste ato só de minha Vontade, a fim
de que repita em ti como em ato, a Criação, Redenção e Santificação.

(3) Olhe, também a natureza contém a semelhança deste ato sozinho: Na atmosfera o sol tem um ato único, desde que foi criado por Deus faz sempre um ato só, sua luz, seu calor estão tão fundidos juntos que se tornam inseparáveis um do outro, e está sempre em ato, do alto, de mandar luz e calor, e enquanto do alto não sabe fazer outra coisa que um só ato, a circunferência de sua luz que desce ao baixo é tão grande, que abraça toda a terra, e com seu abraço produz inumeráveis efeitos, constitui-se vida e glória de todas as coisas criadas. Em virtude deste ato único tem virtude de encerrar em si cada planta, e fornece: a quem o desenvolvimento, a quem a maturação dos frutos, a quem a doçura, a quem o perfume, se pode dizer que toda a terra mendiga do sol a vida, e cada planta, mesmo o menor fio de grama implora do sol seu crescimento e cada fruto que devem produzir, mas o sol não muda jamais ação, se gloria de fazer sempre um ato só.
(4) Também a natureza humana contém a semelhança de um ato único, e esta é contida pelo bater do coração. Começa a vida humana com o bater do coração; este faz sempre um ato único, não sabe fazer outra coisa senão bater, mas a virtude deste bater, os efeitos, são inumeráveis sobre a vida humana: Conforme bate e a cada batimento faz circular o sangue nos membros, até nas partes extremas, e conforme bate dá força aos pés para andar, às mãos para trabalhar, à boca para falar, à mente para pensar; fornece o calor e a força a toda a pessoa, tudo depende do batimento cardíaco, assim é verdade, que se o batimento cardíaco é um pouco fraco perde-se a
energia, as vontades de agir; a inteligência diminui, enche-se de dores e chega um mal-estar geral;
e se cessa o batimento cardíaco cessa a vida. O poder de um único ato continuamente repetido é grande, muito mais o ato único de um Deus Eterno, que tem a virtude de fazer tudo com um único ato. Por isso nem o passado nem o futuro existem neste ato, e quem vive em minha Vontade se encontra já neste ato único, e assim como o coração faz sempre um batimento na natureza humana, que se constitui vida dela, assim minha Vontade no fundo da alma pulsa continuamente, mas com um batimento único, e à medida que bate lhe dá a beleza, a santidade, a força, o amor, a bondade, a sabedoria. Esta batida encerra Céu e terra, é como circulação de sangue, como circunferência de luz se encontra nos pontos mais altos e nas partes mais extremas. Onde este ato único, este bater da alma tem pleno vigor e reina completamente, é um prodígio continuado, é o prodígio que só um Deus sabe fazer e por isso se descobrem na alma novos céus, novos abismos de graças, verdades surpreendentes. Mas se lhe perguntarem, de onde tanto bem? “

Responderia unida com o sol, junto com o batimento humano e com o ato só do Deus eterno: Faço uma só coisa, faço sempre a Vontade de Deus e vivo nela, este é todo meu segredo e toda minha fortuna".
(5) Dito isto desapareceu, mas depois encontrei-me fora de mim mesma com o menino Jesus nos braços. Estava tão pálido e tremia todo, com os lábios lívidos, frio e tão abatido que dava piedade; parecia-me que se tinha refugiado em meus braços para ser defendido. Eu apertei-o no meu coração para aquecê-lo, pegava suas mãozinhas e seus pezinhos em minhas mãos, apertava-os para que não tremesse, beijava-o e voltava a beijá-lo, dizia-lhe que o amava muito, muito, e enquanto fazia isto ia recuperando sua cor, Parava de tremer, reagia tudo e se estreitava a mim.
Mas enquanto eu acreditava que ficaria sempre comigo, com surpresa vi que pouco a pouco descia de meus joelhos, eu gritei, puxando-o com o braço: "Jesus, aonde vais? Como, me deixa?".
(6) E Ele: "Devo ir".
(7) E eu: "Quando voltas?".
(8) E Jesus: "Daqui a três anos"..
(9) E tomou o caminho para se afastar. Mas quem pode dizer minha dor? Repetia entre mim, entre as lágrimas e chocada: "Daqui a três anos voltarei a vê-lo, ó Deus! Como farei?" Mas era tanto a dor que quase perdi o sentido e não compreendi mais nada; mas enquanto estava nisto, quando abri os olhos vi que Jesus havia dado a volta e subia por meu outro joelho, e pouco a pouco se aconchegava em meu regaço e com suas mãozinhas me acariciava, me beijava e me repetia:.
(10) "Acalma-te, acalma-te, que não te deixo".
(11) E conforme me dizia não te deixo, eu me sentia recobrar, dar-me novamente a vida, e me encontrei em mim mesma, mas com tal temor, que me sentia morrer.

19-9
Março 31, 1926

Quem vive na Vontade de Deus deve possuir o que a Ela pertence. A alma que vive na Divina Vontade,
deve fazer a Vontade de Deus como a faz Deus.

(1) Minha pobre mente se perdia no Divino Querer, e uma luz interminável invadia o pequeno cerco de minha inteligência, e enquanto esta luz me parecia como concentrada em minha mente, se expandia fora, enchia toda a atmosfera e penetrando até os Céus me parecia como concentrada na Divindade; mas quem pode dizer o que sentia e compreendia estando naquela luz? Sentia-se a plenitude da felicidade, nada podia penetrar naquela luz que pudesse obscurecer a alegria, a beleza, a força e a penetração dos segredos divinos, e o conhecimento dos segredos supremos.
Então meu sempre amável Jesus, enquanto eu nadava naquela luz me disse:.
(2) "Minha filha, esta luz, este lugar tão encantador que não conhece nem ocaso nem noite é minha Vontade, tudo está completo nela, felicidade, força, beleza, conhecimento do Ser Supremo, etc.
Esta luz interminável que é nossa Vontade, saiu do seio da Divindade como herança do homem, a mais bela herança que podíamos dar-lhe; Ela saiu do íntimo de nosso seio, levando Consigo parte de todos nossos bens para fazê-los herdar pela criatura, e formá-la toda bela e santa e à semelhança d'Aquele que a criou. Veja então minha filha o que significa fazer e viver em minha Vontade, não há bem que exista no Céu e na terra que Ela não possua, quero que você os conheça, de outra maneira como pode amá-los, possuí-los e te servir deles nas diversas circunstâncias se você não os conhece? Se não sabes que tens uma força divina à tua disposição, por nada te abaterias; se não sabes que possuis uma beleza divina, não terias o valor de estar Comigo ao familiar, sentir-te-ias diferente de Mim e não terias a audácia de me arrebatar que o Fiat venha reinar sobre a terra; se não soubesses que tudo o que criei é teu, não me amarias em todas as coisas e não terias a plenitude do verdadeiro amor; e assim de todas as outras coisas.

Se tu não conheces todos os bens que possui a minha Vontade, que não há coisa que não pertença a Ela e que tu deves possuir, suceder-te-ia como a um pobre que lhe fosse dado um milhão, mas sem lhe fazer conhecer que em sua pequena cova lhe foi posta aquela soma de dinheiro; pobrezinho, como não conhece o bem que possui, continua sua vida pobre, mal comendo, vestido andrajosamente e bebendo a goles as amarguras de sua pobreza; mas se em troca o conhece muda sua fortuna, muda sua cova em um palácio, se alimenta abundantemente, Veste-se com decência e bebe os doces goles de sua riqueza. Portanto, por quantos bens alguém pode possuir, se não os conhece, é como se não os tivesse; eis a causa de por que muitas vezes aumento a tua capacidade, e te dou outros conhecimentos sobre a minha Vontade, e te faço conhecer tudo o que a Ela pertence, para que não possuas apenas a minha Vontade, mas tudo o que lhe pertence. Por outro lado, meu
Supremo Querer para vir a reinar na alma quer encontrar seus bens, seus domínios, e a alma deve torná-los seus, para que, vindo a reinar nela, encontre os seus próprios domínios onde possa estender o seu regime, o seu comando, e se não encontrar Céu e Terra na alma, sobre que deve reinar? “

Eis a necessidade pela qual o meu Querer quer concentrar em ti todos os bens e tu deves conhecê-los, amá-los e possuí-los, a fim de que estando em ti possa encontrar o seu reino, dominá-lo e governá-lo".
(3) Depois estava pensando no que Jesus me havia dito, e mais que nunca via minha pequenez e dizia entre mim: "Como posso eu concentrar tudo o que o Querer Divino contém? Parece-me que quanto mais diz, menor me torno e mais incapaz me sinto, então, como pode ser isto?" E Jesus retornando adicionou:.

(4) "Minha filha, tu deves saber que minha Mãe Celestial pôde conceber a Mim, Verbo Eterno, em seu seio puríssimo, porque fez a Vontade de Deus como a fazia Deus. Todas as demais prerrogativas que possuía, como são, virgindade, concepção sem mancha original, santidade, mares de graça que possuía, não eram meios suficientes para poder conceber um Deus, porque todas estas prerrogativas não lhe davam nem a Imensidão, nem a onividência para poder conceber um Deus imenso que tudo vê, muito menos a fecundidade para poder concebê-lo; em suma, teria faltado o germe para a fecundidade divina.

Ao contrário, com possuir o Supremo Querer como vida própria, e com o fazer a Vontade de Deus como a fazia Deus, recebeu o germe da fecundidade divina, e com isso a Imensidão, a Onividência, e por isso em modo conatural pude me conceber nela, não me faltava nem a Imensidão, nem tudo o que a meu Ser pertence. Agora minha filha, também para você será como conatural a concentração de tudo o que a minha Vontade pertence se chegar a fazer a Divina Vontade como a faz o mesmo Deus.

A Vontade de Deus em ti e aquela que reina em Deus mesmo será uma só, que maravilha então se tudo o que é de Deus e que esta Vontade rege, conserva e domina, seja também teu? Pelo contrário, o que é necessário é que conheça o que a Ela pertence, a fim de que possa amar os bens que possui, e amando-os adquira o direito de posse. Este fazer a Vontade de Deus como a faz Deus, foi o ponto mais alto, mais substancioso, mais necessário para minha Mãe para obter o suspirado Redentor, todas as outras prerrogativas foram a parte superficial, a decência, o decoro que a Ela convinha. Assim é para ti, se queres obter o suspirado Fiat deves chegar a isto de fazer a Vontade de Deus como a faz Deus".

20-9
Outubro 12, 1926

O que significa ser filha primogênita da Vontade Divina. Jesus se sente atraído pela Vontade Divina a visitar a alma e a dispõe a tratar com Ele.

(1) Sentia-me imersa no mar da dor da privação de meu sumo Bem Jesus, e por quanto o chamava girando por céu e terra, não me era dado encontrar Aquele por quem tanto suspirava, e por isso as águas da dor crescendo sempre mais, me afogavam de penas e de dor, mas daquela dor que só Jesus pode dar e sabe dar a um pobre e pequeno coração que ama, e porque é pequeno não pode sustentar toda a imensidão das águas amargas da dor de sua privação, e por isso ficou sufocada e oprimida esperando Aquele que tanto anseio e suspiro. Então, enquanto me encontrava toda oprimida, o meu sempre amável Jesus fazia-se ver dentro de mim, no meio de uma nuvem de luz e
disse-me:
(2) "Filha primogênita da minha Vontade, por que estás tão oprimida? Se você pensa em sua grande fortuna sua opressão irá embora de você. Você sabe o que significa filha primogênita de minha Vontade? Significa primeira filha no amor de nosso Pai Celestial, e primeira de todos em ser amada; significa primeira filha da graça, da luz, primeira filha da glória, primeira filha possuidora das riquezas de seu Divino Pai, primeira filha da Criação. Como filha primogênita do Supremo Querer contém todos os vínculos, todas as relações, todos os direitos que convêm a uma filha primogênita: Vínculos de filiação, relações de comunicação com todas as disposições de seu Celestial Pai, direitos de posse de todos os seus bens. Mas isto não é tudo, sabe você o que significa primeira filha saída de minha Vontade? Significa não só ser primeira no amor e em todas as coisas do seu Criador, mas encerrar em si todo o amor e todos os bens dos outros filhos, de modo que se os outros possuirão cada um a sua parte, ela como primogênita possuirá tudo junto os bens dos outros, e isto com direito e com justiça, porque como primogênita, a minha Vontade a ela confiou tudo, tudo doou, por isso nela se encontra a origem de todas as coisas, a causa pela
qual foi criada a Criação, a finalidade pela qual saiu em campo a ação e o amor Divino. Causa primária de todo o agir de um Deus foi quem devia ser filha primogênita de nossa Vontade, portanto, dela, como consequência, derivam todos os bens, dela partem e a ela regressam. Olhe então como é afortunada, tu não podes compreender completamente o que significa ter a primazia no amor e em todas as coisas do teu Criador".

(3) Então, quando ouvi isto, disse-lhe: "Meu amor, que dizes? E, além disso, em que me aproveita tanta fortuna que Tu dizes quando me privas de Ti? Todos os bens me convertem em amarguras sem Ti, e além disso, já te disse tantas vezes, que só a Ti quero, porque Tu me bastas por tudo, e se tudo tivesse sem Ti, tudo me transforma em martírio e em dor indescritível. O amor, a graça, a luz, a Criação toda me falam de Ti, fazem-me conhecer quem és Tu, e não te encontrando dou em delírio, em ânsias mortais, por isso a primazia, a primogenitura, dá-las a quem queira, a mim não me interessam, se queres fazer-me feliz fica sozinho comigo e isto basta-me". E Jesus
acrescentou:

(4) "Minha filha, não devo bastar-te só Eu, nem quero que digas que todo o resto não te interessa, não, não, se não me basta a Mim dar-te só a Mim, senão que te dou também todas as minhas coisas, se me interessa a Mim que a primazia, que a filha primogênita sejas tu, deve interessar-te também a ti, e você não sabe que minha frequência é porque você é minha filha primogênita? Não sabes tu que Adão até que se manteve como filho primogênito de minha Vontade, e por consequência tinha a primazia sobre tudo, Eu o visitava frequentemente? Minha Vontade reinante nele lhe fornecia todos os modos necessários para entreter-se Comigo como filho que forma a consolação de seu Pai, assim que Eu falava com ele como a um filho, e ele Comigo como a seu Pai, mas assim que se subtraiu de minha Vontade perdeu a primazia, a primogenitura e junto com isso perdeu todos meus bens, já não sentia nele a força de sustentar minha presença, nem Eu me sentia atraído por uma força e Vontade Divina para ir a ele, por isso todos os seus vínculos comigo ficaram despedaçados, por direito já nada lhe tocava, e não pode mais me ver revelado, senão entre raios e eclipsado em minha luz, naquela luz de minha Vontade que ele tinha rejeitado. Agora,
você não sabe que a primazia que perdeu Adão como filho primogênito de minha Vontade passou a você, e que Eu devo encerrar em você todos os bens que devia encerrar nele se não se houvesse subtraído de minha Vontade?

Por isso te vejo como a primeira criatura que saiu de nossas mãos, porque quem vive em minha Vontade é sempre a primeira diante de seu Criador, e apesar de que no tempo tenha nascido depois, isto diz nada, em nosso Querer é sempre primeira quem não fez nenhuma saída de dentro d‟Ele. Olha então como tudo deve interessar-te, a minha
vinda é a força irresistível da minha Vontade que te atrai a Mim e te dispõe. Por isso quero suma gratidão por sua grande fortuna de ser a filha primogênita da minha Vontade".
(5) Eu não sabia o que responder, fiquei confusa e no íntimo da minha alma dizia: "Fiat, Fiat".

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