ESCOLA DA DIVINA VONTADE - SEGUNDA SEMANA DE ESTUDOS

 

E agora começo a Novena do Santo Natal. Aos dezessete anos, preparei-me para a festa do Santo Natal praticando diferentes atos de virtude e mortificação, honrando especialmente os nove meses que Jesus esteve no seio materno com nove horas de meditação por dia, referentes sempre ao mistério da Encarnação.

(9) 1o. - Como por exemplo, em uma hora me punha com o pensamento no paraíso e me imaginava à Santíssima Trindade: ao Pai que mandava o Filho à terra, ao Filho que prontamente obedecia ao Querer do Pai, e ao Espírito Santo que consentia nisso. Minha mente se confundia tanto ao contemplar um mistério tão grande, um amor tão recíproco, tão igual, tão forte entre eles e para com os homens; e na ingratidão destes, especialmente a minha; que nisto teria ficado não uma hora, mas todo o dia, mas uma voz interna me dizia:
(10) "Chega, vem e vê outros maiores excessos do meu Amor".


(11) 2o. - Então minha mente se punha no seio materno, e ficava estupefata ao considerar aquele Deus tão grande no Céu, e agora tão humilhado, diminuído, restringido, que quase não podia mover-se, nem sequer respirar. A voz interior dizia-me:
(12) "Vês quanto te amei? " Ah! Dá-me um lugar em teu coração, tira tudo o que não é meu, porque assim me dará mais facilidade para poder me mover e respirar".


(13) Meu coração se desfazia, lhe pedia perdão, prometia ser toda sua, me desabafava em pranto, sem embargo, digo-o para minha confusão, voltava a meus habituais defeitos. ¡ Oh! Jesus, quão bom foste com esta criatura miserável.


(14) E assim passava a segunda hora do dia, e depois, pouco a pouco o resto, que dizer tudo seria aborrecer. E isto fazia-o às vezes de joelhos e quando era impedida de fazê-lo pela família, fazia-o mesmo trabalhando, porque a voz interior não me dava nem trégua nem paz se não fizesse o que queria, assim que o trabalho não me era impedimento para fazer o que devia fazer. Assim passei os dias da novena, quando chegou a véspera me sentia mais que nunca acendida por um insólito fervor. Eu estava sozinha no quarto quando o menino Jesus me foi apresentado, todo bonito, sim, mas tiritando, em atitude de querer me abraçar, eu me levantei e corri para abraçá-lo, mas no momento em que o ia estreitar desapareceu, isto se repetiu três vezes. Fiquei tão comovida e acesa de amor, que não sei explicar; mas depois de algum tempo não o levei mais em conta, e não o disse a ninguém, de vez em quando caía nas habituais faltas. A voz interior não me deixou nunca mais, em cada coisa me repreendia, me corrigia, me animava, em uma palavra, o Senhor fez comigo como um bom pai com um filho que tende a desviar-se, e ele usa todas as diligências, os cuidados para mantê-lo no reto caminho, de modo de formar dele a sua honra, a sua glória, a sua coroa. Mas, ó! Senhor, muito ingrata te tenho sido.

Trecho 2 - Livro do Céu Vol. 1
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 "A fé é Deus".


(8) Mas estas duas palavras continham uma luz imensa, que é impossível explicá-las, mas como posso dizê-lo: Na palavra "fé" compreendia que a fé é o próprio Deus. Assim como o alimento material dá vida ao corpo para que não morra, assim a fé dá a vida à alma; sem a fé a alma está morta. A fé vivifica, a fé santifica, a fé espiritualiza o homem e o faz ter fixos os olhos num Ser Supremo, de modo que nada aprende das coisas aqui embaixo, e se as aprende, as aprende em Deus. Oh! A felicidade de uma alma que vive de fé, seu vôo é sempre para o Céu, em tudo o que lhe acontece se olha sempre em Deus e eis como na tribulação a fé a eleva em Deus e não se aflige, nem sequer um lamento, sabendo que não deve formar aqui a sua alegria, senão no Céu. Assim, se a alegria, a riqueza, os prazeres, a circundam, a fé a eleva em Deus e diz entre si: "Quanto mais feliz e mais rica serei no Céu!" Então, esses bens terrenos, ele se irrita, os despreza, e os coloca debaixo dos pés. Parece-me que a uma alma que vive de fé, acontece como a uma pessoa que possui milhões e milhões de moedas e até reinos inteiros, e outra pessoa quer oferecer-lhe um centavo. Agora, o que diria aquela? Não se indignaria, não o jogaria na cara? E acrescento: E se esse centavo estivesse todo enlameado, como são as coisas terrenas, e além disso, se lhe fosse dado só em empréstimo? Então ela diria: "Imensas riquezas gozo e possuo, e você se atreve a me oferecer este vil centavo tão
enlouquecido e por pouco tempo?" Eu creio que viraria em seguida o olhar e não aceitaria o dom. Assim faz a alma que vive de fé a respeito das coisas terrenas.

(9) Agora vamos outra vez à idéia do alimento: O corpo, tomando o alimento, não só se sustenta, mas participa da substância do alimento que se transforma no mesmo corpo. Agora assim a alma que vive de fé; como a fé é o próprio Deus, a alma vem a viver do mesmo Deus, e alimentando-se do mesmo Deus vem a participar da substância de Deus, e participando vem a assemelhar-se a Ele e a transformar-se com o mesmo Deus, Portanto, à alma que vive de fé acontece que santo é Deus, santa é a alma; potente Deus, potente a alma; sábio, forte, justo
Deus, sábio, forte, justa a alma, e assim de todos os demais atributos de Deus. Em suma, a alma torna-se um pequeno deus. Oh, a bem-aventurança desta alma na terra, para depois ser mais bem-aventurada no Céu!!

(10) Compreendi também que o que significam aquelas palavras que o Senhor diz às suas almas prediletas: "Eu te desposarei na fé". Que o Senhor neste místico matrimonio vem dotar as almas de suas mesmas virtudes. Parece-me como dois esposos que unindo suas propriedades, não se discernem mais as coisas de um e as do outro e ambos se fazem donos de tudo. Mas no nosso caso, a alma é pobre, todo o bem é por parte do Senhor que a torna
partícipe das suas substâncias. 

(11) Vida da alma é Deus, a fé é Deus e a alma possuindo a fé, vem a enxertar em si todas as outras virtudes, de maneira que a fé está como rei no coração e as demais virtudes estão ao seu redor, como súditas servindo à fé, assim que as mesmas virtudes, sem a fé, são virtudes que não têm vida.

(12) Parece-me que Deus em dois modos comunica a fé ao homem: a primeira é no santo batismo; a segunda é quando Deus bendito, depositando uma parte de sua substância na alma, lhe comunica a virtude de fazer milagres, como a de poder ressuscitar os mortos, curar os doentes, parar o sol e assim por diante. Oh, se o mundo tivesse fé, mudaria para um paraíso terrestre!.


(13) Oh! Quão alto e sublime é o vôo da alma que se exercita na fé. A mim parece-me que a alma, exercitando-se na fé, faz como aqueles tímidos passarinhos que temendo ser tomados presos pelos caçadores ou bem por qualquer outra insidia, fazem sua morada no topo das árvores, ou bem nas alturas, quando depois são obrigados a tomar o alimento descem, tomam o alimento e rapidamente voam a sua morada; e alguém, mais prudente, toma o alimento e nem sequer o come na terra, para estar mais seguro o leva ao topo das árvores e lá o come. Assim a alma que vive de fé é tão tímida das coisas terrenas, que por temor de ser assediada, nem sequer lhes dirige um olhar, sua morada está no alto, acima de todas as coisas da terra e especialmente nas chagas de Jesus Cristo, e desde dentro daquelas beatas moradas geme, chora, reza e sofre junto com seu Esposo Jesus sobre a condição e miséria em que se encontra o gênero humano. Enquanto ela vive naquelas moradas das chagas de Jesus, o Senhor dá-lhe uma parte das suas virtudes, e a alma sente em si aquelas virtudes como se fossem suas, mas contudo adverte que se bem as vê suas, o possuí-las é-lhe dado, que foram comunicadas pelo Senhor. Acontece como a uma pessoa que recebeu um dom que ela não possuía, agora o que faz? Toma-o e se faz dona dele, mas cada vez que o olha diz entre si:
"Isto é meu, mas me foi dado por essa pessoa". Assim faz a alma à qual o Senhor desprendendo de Si uma parte do seu Ser Divino, a muda em Si mesmo.

Fevereiro 28, 1899 volume 2

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3-3
Novembro 4, 1899

Efeitos diferentes entre a presença de Jesus e a do demônio.

(1) Como esta manhã o bendito Jesus não vinha, o demônio tratava de tomar seu aspecto e fazer-se ver, mas eu não advertindo os habituais efeitos, comecei a duvidar e persegui-me com a cruz, primeiro eu e depois a ele, e o demônio vendo-se perseguido tremia; Imediatamente o rejeitei de mim sem olhar para ele. Pouco depois veio meu amado Jesus, e temendo que fosse outra vez o espírito maligno, tratava de rechaçá-lo e invocar a ajuda de Jesus e da Rainha Mãe, mas Ele para assegurar-me que não era o demônio me disse:

(2) "Minha filha, para te assegurar se sou Eu, ou não sou Eu, tua atenção deve estar nos efeitos internos, se se movem a virtude ou a vício, já que como minha natureza é virtude, de nenhuma outra Eu faço herdeiros dos meus filhos, mais do que da virtude. Isto você pode compreender também na natureza humana, que sendo carne, acontece que se tem alguma chaga, a carne se muda em pus e se pode dizer que não é mais carne; assim minha natureza, se minimamente pudesse reter em si a sombra do vício, cessaria de ser aquele Deus que é, o que não pode acontecer jamais".

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4-18
Outubro 12, 1900

Os inimigos mais poderosos do homem são: o amor aos prazeres, às riquezas e às honras.

(1) Continua vindo meu adorável Jesus; esta manhã trazia uma densa da coroa de espinhos; a tirei pouco a pouco e a pus em minha cabeça, e disse: "Senhor, ajuda-me a cravá-la".

(2) E Ele: "Desta vez quero que tu mesma a crave, quero ver o que saber fazer, e como queres sofrer por amor a mim".
(3) Eu a cravei muito bem, muito mais que se tratava de lhe fazer ver até onde chegava meu amor de sofrer por Ele, tanto que Ele mesmo, todo enternecido e estreitando-me disse:


(4) "Basta, basta, que meu coração não resiste mais o verte sofrer".


(5) E me deixando muito sofrida, meu amado Jesus não fazia outra coisa senão ir e vir. Depois disto tomou o aspecto de crucificado e me participou suas penas, e me disse: 
(6) "Minha filha, os inimigos mais poderosos do homem são: o amor aos prazeres, às riquezas e às honras, que fazem infeliz ao homem, porque estes inimigos se introduzem até no coração e o roem continuamente, o amargam, o abatem, tanto, de fazer-lhe perder toda a felicidade, e eu sobre o Calvário derrotei estes três inimigos, e obtive graça para o homem de que pudesse vencê-los também ele, e restituí-lhe a felicidade perdida, mas o homem sempre ingrato rechaça minha graça e ama raivosamente estes inimigos, que colocam o coração humano em uma tortura contínua".
(7) Dito isto desapareceu e eu compreendia com tal clareza a verdade destas palavras, que sentia uma repugnância, um ódio para com estes inimigos.
(8) Seja sempre bendito o Senhor e tudo seja para sua glória. 

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5-2
Março 19, 1903

O verdadeiro amor é aquele que sofre por Deus, quer sofrer mais.

(1) Esta manhã via o confessor todo humilhado, e junto com o bendito Jesus e São José, o qual lhe disse: "Põe-te na obra e o Senhor está pronto a dar-te a graça que queres".
(2) Depois disto, vendo meu amado Jesus sofredor como no curso da Paixão lhe tenho disse:"Senhor, não sentiu cansaço ao sofrer tantas penas diferentes?"
(3) E Ele: "Não, antes um sofrimento acendia mais o coração para sofrer outro, estes são os modos do sofrer divino; não só, mas no sofrer e no agir não olha outra coisa que o fruto que dele recebe.


Eu, em minhas chagas e em meu sangue, via as nações salvas, o bem que recebiam as criaturas, e meu coração, antes de sentir fadigas, sentia alegria e ardente desejo de sofrer mais. Então, este é o sinal se o que se sofre é participação de minhas penas: se une sofrer e alegria de sofrer mais, e se em seu agir obra por Mim, se não olhar para o que faz, senão para a glória que dá a Deus e ao fruto que disto recebe.

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6-1
Novembro 1, 1903

Quando a alma faz todas as suas ações pelo único fim de amar a Jesus, caminha sempre de dia, para ela jamais é noite.

(1) Continuando meu estado habitual, me encontrei fora de mim mesma, e me via como um pequeno vapor, e eu ficava toda maravilhada ao me ver reduzida nessa forma. Enquanto eu estava nisto veio o meu adorável Jesus e disse-me:
(2) "Minha filha, a vida do homem é vapor, e assim como ao vapor é só o fogo que o faz caminhar, e à medida que o fogo é vivo e muito, assim corre mais veloz, e se é pouco caminha a passo lento, e se está apagado fica detido; assim a alma, se o fogo do amor de Deus é muito, pode-se dizer que voa sobre todas as coisas da terra, e sempre corre e voa a seu centro que é Deus; agora, se é pouco se pode dizer que caminha com dificuldade, arrastando-se e enlameando-se de tudo o que é terra; se está apagado fica parada, sem vida de Deus nela, como morta a tudo o que é divino.
Minha filha, quando a alma em todas suas ações não as faz por outra coisa senão com o único fim de me amar, e nenhuma outra recompensa quer de seu obrar mais que meu amor, caminha sempre de dia, jamais é noite para ela, mas bem caminha no mesmo sol, que quase como vapor a circunda para fazê-la caminhar nele, fazendo-lhe gozar toda a plenitude da luz, e não só isso, senão que suas mesmas ações servem de luz para o seu caminho e sempre adicionar nova luz".
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7-2
Fevereiro 9, 1906

A união de nossas ações com as de Jesus é garantia de salvação.

(1) Continuando meu habitual estado, vi a sombra do bendito Jesus, todo aflito e quase em ato de mandar castigos. Eu ao vê-lo disse: "No modo como está, quem poderá salvar-se, não só dos castigos, mas também da própria salvação?" E Ele, mudando aspecto disse: 
(2) "Minha filha, a união das obras humanas com as minhas é garantia para salvar-se, porque se duas pessoas trabalham num mesmo terreno, o trabalho naquele terreno é garantia de que ambas deverão colher; assim quem une suas obras com as minhas, é como se trabalhasse em meu terreno, portanto não deveria colher no meu reino? Talvez você deva trabalhar junto Comigo em meu terreno, e você deve colher em um reino estranho a Mim? Ah, certamente não!"

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8-1
Junho 23, 1907

O ato mais belo é o abandono na Vontade de Deus.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, o bendito Jesus não vinha, e eu estava pensando entre mim qual seria o ato mais belo e mais aceito a Nosso Senhor, que pudesse mais facilmente induzi-lo a vir: A dor das próprias culpas ou a resignação. Enquanto estava nisto, assim que veio me disse:

(2) "Filha, o ato mais belo e que mais me agrada é o abandono em minha Vontade, mas tanto, que não se recorde que existe o próprio ser, senão que tudo para ela seja o Divino Querer. Ainda que a dor das próprias culpas seja boa e louvável, mas não destrua o próprio ser; ao contrário, o abandonar-se todo em minha Vontade destrói o próprio ser e readquire o Ser Divino. Então, a alma ao abandonar-se em minha Vontade, me dá mais honra, porque me dá tudo o que Eu posso exigir da criatura, e venho readquirir em Mim o que de Mim havia saído, e a alma readquire o único que deveria readquirir, a Deus com todos os bens que o mesmo Deus possui, só que, até que a
alma está de todo na Vontade de Deus, readquire a Deus, e se sair da minha Vontade readquire seu próprio ser junto com todos os males da corrupta natureza".
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9-1
Março 10, 1909

O Pai só faz uma coisa com Jesus. Jesus dá-se continuamente às almas.

(1) Continuando o meu habitual estado, encontrei-me fora de mim mesma com o Menino Jesus nos braços, e eu disse-lhe: "Diz-me, meu querido, o que faz o Pai?"
(2) E Ele: "Faz uma só coisa Comigo; assim o que faz o Pai faço Eu".
(3) Então eu acrescentei: "E com os santos o que você faz?"

(4) E Ele: "dou-me continuamente, assim que Eu sou vida deles, gozo, felicidade, bem imenso, sem termo e sem limites. De Mim estão cheios, em Mim tudo encontram, Eu sou tudo para eles, e eles são todos para Mim".

(5) Eu, ao ouvir isto queria como me zangar e lhe disse: "Aos santos te dás continuamente, em troca de mim tão limitado, tão avaramente e em intervalos, até fazer-me passar parte do dia sem que venha, e às vezes demora tanto que me vem o temor de que nem sequer na noite virá, por isso eu vivo morrendo, mas da morte mais cruel e impiedosa, e sem embargo dizia que me amava muito".

(6) E Ele: "Minha filha, também a ti me dou continuamente, ora pessoalmente, ora com a Graça, ora com a luz, e em tantos outros modos. E além disso, quem te diz que não te amo tanto, tanto?" 
(7) Agora, enquanto estava nisto veio-me um pensamento, que perguntasse se era Vontade de Deus meu estado, pois isto era mais necessário do que o que lhe estava dizendo, e perguntei. E Ele, em vez de me responder, aproximou-se e pôs-me a língua na boca, e eu não pude falar mais, só chupava uma coisa que não sei dizer; e ao retirá-la mal pude dizer: "Senhor, volta logo, quem sabe quando virás".

(8) E Ele respondeu: "Esta noite virei de novo".
(9) E desapareceu.

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10-1
Novembro 9, 1910

Efeitos nocivos das obras santas feitas com finalidade humana.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual, estava a confiar ao meu bendito Jesus as tantas necessidades da Igreja, e Jesus disse-me:
(2) "Minha filha, as obras mais santas feitas com fins humanos, são como aqueles recipientes quebrados, que colocando-se dentro deles algum líquido, pouco a pouco escorre à terra, e se durante a necessidade vão tomar Daqueles recipientes, encontram-se vazios. Eis por que os filhos da minha Igreja se reduziram a tal estado, porque no seu agir tudo é com fins humanos, por isso nas necessidades, nos perigos, nas ofensas, se encontraram vazios de graça, e portanto, debilitados, exaustos e quase cegos pelo espírito humano dão-se aos excessos; oh! quanto
deveriam ter vigiado os chefes da Igreja para não me fazer ser motivo de chacota e quase a cobertura de suas indignas ações, é verdade que se faria muito escândalo se se julgassem e se castigassem, mas isso me seria de menor ofensa que os tantos sacrilégios que cometem. Ah! me é muito duro tolerá-los. Roga, roga minha filha, porque muitas coisas tristes estão por sair de dentro dos filhos da Igreja".
(3) E desapareceu.

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11-5
Fevereiro 18,1912

Como quem vive da vida de Jesus, pode dizer que sua vida acabou.


(1) Encontrando-me no meu estado habitual, meu sempre e todo amável Jesus veio e me disse:
(2) "Minha filha, tudo o que fazes por Mim, ainda um respiro, entra em Mim como penhor de teu amor por Mim, e Eu em correspondência te dou minhas prendas de amor, assim que a alma pode dizer: "Eu vivo das prendas que me dá meu amado Jesus".

(3) Depois acrescentou:
(4) "Filha amada minha, vivendo tu da minha Vida, pode-se dizer que a tua vida acabou, que não vives mais, assim não vivendo mais tu, senão Eu em ti, tudo o que te fazem, agradável ou desagradável, Eu o recebo como feito propriamente a Mim; E isto você pode entender porque diante disso que te fazem, agradável ou desagradável, você não sente nada, isto significa que deve ser outro quem sente esse gosto ou esse desgosto, e quem outro o pode sentir senão Eu que vivo em ti e que te amo tanto, tanto?"

Deo Gratias

Fiat!



VÍDEO MEDITAÇÃO

VÍDEO DO CAPÍTULO
2. Joaquim e Ana fazem um voto ao Senhor.


22 de agosto de 1944.

Vejo o interior de uma casa. Nela está sentada, junto a um tear, uma mulher de idade. Diria, ao vê-la com os cabelos antes pretos, agora grisalhos, e no rosto não enrugado mas já cheio daquela seriedade que vem com os anos, que ela possa ter entre cinqüenta e cinqüenta e cinco anos. Não mais.
Ao indicar estas idades femininas me baseio no rosto de minha mãe, cuja imagem tenho mais que nunca presente nestes dias que me lembram os seus últimos dias junto ao meu leito… Depois de amanhã fará um ano que não a vejo mais… Minha mãe tinha um rosto jovial, sob os cabelos precocemente embranquecidos. Aos cinqüenta anos eram brancos e pretos como no fim de sua vida.
Mas, exceto a maturidade do olhar, nada denunciava os seus anos. Por isso poderia errar também aodar às mulheres idosas um certo número de anos.

Esta que vejo tecer, em uma sala toda clara de luz, que penetra da porta escancarada sobre um grande pomar diria, um sitiozinho, porque se estende num sobe e desce, até uma encosta verde – é bonita em seus traços decididamente hebreus. Olhos negros e profundos que, não sei porquê, me lembram os de João Batista.

Mas este olhar sendo altivo como de uma rainha, é doce também. Como se sobre o seu coruscar semelhante ao de uma águia fosse estendido um tênue véu azul. Doce e apenas um pouco triste, como de quem pensa, e lamenta, as coisas perdidas. A tez é morena, mas não excessivamente. A boca, levemente grande, é bem desenhada, e está parada num gesto austero que porém não é duro.

O nariz é comprido e delicado, levemente inclinado para baixo. Um nariz aquilino que fica bem com aqueles olhos. É robusta, mas não gorda. Bem proporcionada e creio que alta, a julgar de como aparece sentada.

Parece-me que está tecendo uma cortina ou um tapete. As lançadeiras multicolores correm rápidas sobre a trama que é marrom escuro, e o que já está feito mostra um vago entrelaçamento de galões e rosáceas nos quais verde, amarelo, vermelho e azul profundo se cruzam e se fundem como em um mosaico. A mulher está vestida com uma roupa muito simples e escura. Um roxo-avermelhado que parece igual a alguns amores-perfeitos.

Levanta-se ao ouvir bater à porta. É alta realmente. Abre.
Uma mulher lhe pede:

– Ana, queres dar-me a tua ânfora? Eu a encherei para ti.
A mulher tem consigo um menininho travesso de cinco anos que se pendura imediatamente nos vestidos da nominada Ana, que o acaricia enquanto vai em um outro cômodo e retorna com uma bonita ânfora de cobre, que oferece à mulher dizendo:

Ana Mãe de Maria Ana

– Tu és sempre boa, com a velha Ana. Deus te recompense por isto e pelos filhos que tens e terás, tu bem-aventurada! Ana suspira.
A mulher a olha e não sabe o que dizer por aquele suspiro; para desviar a compaixão, que se compreende existe, diz:
– Eu te deixo Alfeu, se não te aborreces, assim posso andar mais depressa e te encherei muitas moringas e jarras.
Alfeu está bem alegre de ficar, e explica-se o motivo. Tendo ido embora a mãe, Ana o pega no colo e o leva ao pomar, o levanta até uma parreira de uvas loiras como topázio e diz:
– Come, come, que são gostosas – e o beija no rostinho sujo de suco de uva, que o menino arranca avidamente do cacho. Depois ri com gosto, e parece imediatamente mais jovem por causa dos dentes bonitos que aparecem e pela alegria que lhe cobre o rosto, anulando os anos, quando o menino diz:

– E agora o que me dás? – ele a olha com dois olhos grandes arre galados de um cinzento azul escuro. Ela ri e brinca inclinando-se sobre os joelhos, dizendo:
– O que me dás se te dou… se te dou… adivinha!
O menino, batendo as mãozinhas, diz todo risonho:
– Beijos, beijos te dou, Ana bonita, Ana boa, Ana mamãe!…
Ana, ouvindo dizer: “Ana mamãe”, dá um verdadeiro grito de afeto jubiloso e se abraça contra o pequenino, dizendo:
– Oh que alegria! Querido! Querido! Querido! – A cada “querido” um beijo desce sobre a pequena face rósea. E depois vão a uma estante, e vai tirando de um prato pãezinhos de mel.
– Fiz os pãezinhos para ti, beleza da pobre Ana, para ti que me queres bem. Mas, diz-me, quanto me queres bem?
E o menino, pensando naquilo que mais o impressionou, diz:
– Tanto quanto amo o Templo do Senhor.
Ana o beija ainda sobre os olhinhos espertos, sobre a boquinha vermelha, e o menino a toca de leve como um gatinho.
A mãe vai e vem com o cântaro cheio e ri sem dizer nada. Ela os deixa ao seu entusiasmo.

Entra do pomar um homem ancião, um pouco mais baixo que Ana, com uma cabeça de cabelos espessos todos brancos. Um rosto claro, de barba aparada, com dois olhos azuis como
turquezas entre cílios de um castanho claro quase loiro. Está vestido de marrom es curo.
Ana não o vê porque virou-se de costas à porta, e ele vem atrás dela dizendo: “E a mim nada?”.
Ana vira-se e diz:
– Oh Joaquim! Terminastes o teu trabalho?
Ao mesmo tempo, o pequeno Alfeu lhe abraça os joelhos dizendo:
– A ti também, a ti também!
Quando o ancião se inclina e o beija, o menino cinge-lhe o  pescoço despenteando-lhe a barba com as mãozinhas e com beijos.
Joaquim também tem o seu presente. Tira de trás das costas a mão esquerda e lhe oferece uma maçã tão bonita que parece de cerâmica. Rindo diz ao menino, que estende as mãozinhas avidamente:

Espera que a corto em fatias para ti. Assim não podes. É maior do que tu. Com um canivete que carrega à cintura, uma faca de poda dor, a corta em fatias, parecendo dar de comer a um passarinho no ninho, tal é o cuidado com que coloca os bocados na boquinha aberta que mastiga e mastiga.

– Mas olha só que olhos, Joaquim! Não parecem dois pedacinhos do mar da Galiléia, quando o vento da noite lança um véu de nuvem no céu?
Ana fala apoiando uma mão nas costas do marido e apoiando-se também levemente a si mesma, num gesto que revela um profundo amor de esposa, um amor intacto, depois de muitos anos de casa mento.

]Joaquim pai de Maria Joaquim

Joaquim a olha com amor e concorda dizendo:
– Maravilhosos! E aqueles caracoizinhos? Não têm a cor da palha que o sol secou? Olha: entre eles há uma mistura de ouro e cobre.

– Ah! Se tivéssemos tido um menino, teria querido assim, com estes olhos e estes cabelos…
Ana está inclinada, aliás, ajoelhada e com um grande suspiro, beija os dois grandes e belos olhos cinza-azulados.
Joaquim também suspira. Mas quer consolá-la. Coloca-lhe a mão sobre seus cabelos crespos e embranquecidos e lhe diz:
– Convém ainda esperar. Deus tudo pode. Enquanto se é vivo, o milagre pode acontecer, especialmente quando se ama e se é amado.
Joaquim frisa muito as últimas palavras.
Mas Ana calada, desalentada, está com a cabeça inclinada para não mostrar duas lágrimas que descem, e que somente o pequeno Alfeu vê; admirado e angustiado por ver a sua grande amiga chorar, como faz algumas vezes, levanta a mãozinha e enxuga aquele pranto.
– Não chores Ana! Somos felizes assim mesmo. Ao menos eu sou, porque tenho a ti.
– Eu também. Mas não te dei um filho… Penso que desagradei a Senhor, já que me secou as entranhas…

– Oh minha mulher! Em que tu, santa, queres ter-lhe desagrada do? Escuta. Vamos ainda uma vez ao Templo. Por este motivo. Não só pelos Tabernáculos. Façamos uma longa oração… Talvez te aconteça como com Sara… ou com Ana de Elcana. Muito esperaram, e se acreditavam reprovadas
por serem estéreis. Ao invés disso, nos céus de Deus, amadurecia um filho santo para elas. Sorri, minha esposa. O teu pranto me dói mais do que não ter prole… Levaremos Alfeu conosco e o faremos orar, ele que é inocente… Deus ouvirá a sua e a nossa oração, nos atendendo então”.

– Sim. Façamos um voto ao Senhor. Será seu o recém-nascido. Contanto que nos conceda… Oh! Ouvi-lo chamar-me “mamãe”!”.
E Alfeu, espectador admirado e inocente:

– Eu te chamo assim!
– Sim, querida alegria… mas tu tens a tua mamãe e eu… eu não tenho nenhuma criança… A visão termina aqui.
Entendo que iniciou o ciclo do nascimento de Maria. E estou muito contente, porque o desejava muito. Penso que também o senhor * ficará contente.
Antes que eu começasse a escrever, ouvi a Mãe dizer:
– Filha, escreve então sobre mim. Todo o teu desgosto será consolado.
Enquanto dizia isto, me pousava a mão sobre a cabeça em uma suave carícia. Depois veio a visão.
Mas a princípio, ou seja, enquanto não ouvi chamar a senhora de cinqüenta anos por nome, não havia compreendido estar diante da mãe da mãe e por isto da graça do seu nascimento.

Obs: desenhos retirados do Livro de Maria Valtorta - Publicado na Croácia

VÍDEO DA MEDITAÇÃO DESTA AULA

Capítulo 1 - Tomo 1 - Trechos
TODO O LIVRO EM AUDIO DA MISTICA CIDADE DE DEUS

A Mulher do Apocalipse

5. Neste momento vi riquíssimo véu encobrindo um tesouro, e minha vontade se excitava para afastá-lo e descobrir
o oculto mistério que a inteligência entrevia. A este meu desejo foi-me advertido: -Obedece, alma, ao que se te admoesta e manda; despe-te de ti mesma e então verás.

Propus emendar minha vida e vencer minhas inclinações, chorava e suspirava do íntimo da alma para me ser
manifestado aquele bem; e assim como ia propondo, também ia se levantando o véu que escondia meu tesouro. Quando se  afastou inteiramente, viram meus olhos interiores o que não saberei dizer, nem explicar com palavras.
Vi um grande e misterioso sinal no céu: uma mulher, uma senhora e formosíssima rainha coroada de estrelas,
vestida de sol, tendo a lua a seus pés (Ap 12,1).

Disseram-me os santos anjos: - Esta é aquela ditosa mulher que São João viu no Apocalipse, e onde estão
compendiados, depositados e selados os maravilhosos mistérios da Redenção.
Favoreceu tanto o Altíssimo e Todo-pode roso a esta criatura, que a nós seus espíritos causa admiração. Vê e considera suas excelências; escreve-as, que para isto e para teu proveito, te são manifestadas.

Conheci tantas maravilhas que sua abundância me emudece e a admiração me suspende. Julgo que, na vida mortal, todas as criaturas não seriam suficientes para conhecê-las. Adiante as irei expondo.
Exortação divina 6. Outro dia, em tempo de quietude e serenidade espiritual, no mesmo estado que já descrevi, ouvi a voz do Altíssimo que me dizia: - Esposa minha, quero que acabes de te resolver, que me procures solícita, que fervorosa me ames, e que tua vida seja mais angélica que humana, esquecendo tudo o que é terreno: quero
elevar-te do pó e do estéreo como pobre e necessitada (SI 112, 7). Ao ser elevada quero que te humilhes, e que teu nardo exale suave perfume (Ct 1,11), enquanto permaneces em minha presença; conhecendo tua fraqueza e misérias convence-te de que mereces a tribulação, e nela a tua profunda humilhação. Vê minha grandeza
e tua pequenez. Sou justo e santo, e com justiça te aflijo, usando de misericórdia, e não te castigando segundo mereces. Procura sobre este fundamento de humildade adquirir as demais virtudes, para cumprires minha vontade. Para te instruir, corrigir e repreender te dou por mestra minha Virgem Mãe. Ela te formará e guiará teus passos no
meu agrado e beneplácito.

Maria, escada de Jacó
7. Estava presente esta Rainha, quando o Altíssimo Senhor me disse aquelas palavras, e não se dedignou a divina
Primeiro Livro Princesa em aceitar o ofício que sua Majestade lhe dava.
Recebeu-o benignamente e disse-me: - Minha filha, quero que sejas minha discípula e companheira, e eu serei tua
mestra. Adverte, porém, que me hás de obedecer com coragem, e desde este dia não se há de perceber em ti vestígios de filha de Adão. Minha vida, as obras de minha peregrinação, as maravilhas que o poderoso braço do Altíssimo operou em mim, hão de ser teu espelho e modelo de tua vida.

Prostrei-me ante o real trono do Rei e Rainha do universo e ofereci-me para obedecer em tudo. Agradeci ao Altíssimo o benefício de me dar tal amparo e guia, tão acima de meus méritos. Renovei em suas mãos os votos de minha profissão, e me ofereci novamente para obedecer-lhe e cooperar com todas as forças na emenda de minha vida.
Disse-me o Senhor: - Presta atenção e olha. Assim o fiz, e vi uma escada de muitos degraus, belíssima e com grande número de anjos, uns que a assistiam e outros que desciam e subiam por ela.
Disse-me Sua Majestade: - Esta é aquela misteriosa escada de Jacó (Gn 28,12 -17) casa de Deus e porta do céu. Se te dispuseres e tua vida for tal que não mereça repreensão a meus olhos, subirás por ela até Mim.

Maria, caminho para Jesus

8. Esta promessa excitava meu desejo, afervorava minha vontade, arrebatava meu espírito, e com muitas lágrimas queixava-me de ser tão pesada para mim mesma (Jó 7, 20). Suspirava pelo fim de meu cativeiro, e por chegar onde não há óbice que possa impedir o amor.

Nestas ânsias passei alguns dias, procurando aperfeiçoar minha vida, fazendo nova confissão geral e corrigindo
algumas imperfeições; a visão da escada continuava, mas não entendia seu significado.
Fiz muitas promessas ao Senhor, propondo novamente afastar-me de todo o terrestre, conservando minha vontade livre para somente amá-lo, sem deixá-la inclinar-se a coisa alguma, ainda que fosse pequena e inocente; rejeitei e renunciei a tudo quanto é aparente e ilusório.

Passado alguns dias nestes sentimentos e disposição, o Altíssimo declarou-me ser aquela escada a vida da
Santíssima Virgem, suas virtudes e mistérios.
Disse-me Sua Majestade: - Quero, esposa minha, que subas por esta escada de Jacó, e entre por esta porta do céu, para conhecer meus atributos e contemplar minha divindade; sobe pois, e caminha por ela até mim. Estes anjos que a assistem e acompanham são os que eu dediquei para guarda e defesa desta cidade de Sião. Atende, medita estas virtudes e trabalha por imitá-las.

Pareceu-me subir por esta escada e ver a maior das maravilhas e o mais inefável prodígio do Senhor em pura criatura, a maior santidade e perfeição de virtudes que jamais criou o braço do Onipotente. No fim dá escada vi o Senhor dos senhores e a Rainha de toda a criação, e mandaram-me que, por estes magníficos sacramentos O glorificasse, louvasse, exaltasse, e escrevesse o que deles entendesse.

Deu-me o excelso e eminente Senhor nestas tábuas, melhores que as de Moisés, lei para meditar (SI 1, 2) e observar, escrita por seu poderoso dedo (Êx 31, 18). Inspirou minha vontade para, em sua presença, dirigir-me à puríssima Rainha, prometendo-lhe vencer a minha resistência e com seu auxílio escrever sua vida santíssima, tendo em vista três objetivos:

  • Primeiro, que se conheça a profunda reverência devida ao Deus eterno, e como as
    criaturas devem se humilhar, na medida em que Sua Majestade se lhes faz mais acessível. O efeito dos maiores favores e benefícios há de ser maior temor, reverência, solicitude e humildade.
  • Segundo, que o gênero humano esquecido de sua salvação, considere e conheça o que deve à sua Rainha e Mãe de piedade nas obras da redenção: o amor e reverência que Ela teve a Deus, e o que devemos ter a esta grande Senhora.
  • Terceiro, que o diretor de minha alma e todo o mundo, se for conveniente, conheçam minha pequenez, vileza, e má retribuição por tudo quanto recebo.

Oportunidade da obra 

9. A este meu desejo respondeu a Santíssima Virgem: - Minha filha, o mundo está muito necessitado desta doutrina, porque não sabe e não tem a devida reverência ao Senhor onipotente. Por causa desta ignorância a audácia dos mortais provoca a retidão de sua justiça que os aflige e castiga. Vi vem esquecidos de Deus,
mergulhados nas trevas, sem saber procurar a salvação nem encontrar a luz. Isto é resultado da falta de temor e reverência que deviam ter pelo Senhor.

Estes e outros avisos deram-me o Altíssimo e a Rainha, para manifestar-me sua vontade a respeito desta obra. Pareceu-me temeridade e pouco amor a mim mesma, não aceitar a doutrina e ensinamento que esta grande Senhora prometeu dar-me, na descrição da sua vida santíssima. Tampouco julguei conveniente adiar para outro tempo, porque o Altíssimo manifestou-me ser este o oportuno e conveniente.\

Sobre isto me disse estas palavras: - Minha filha, quando enviei meu Unigênito ao mundo, este se encontrava
no pior estado que havia tido desde o princípio, com exceção de alguns fiéis que me serviam.
A natureza humana é tão imperfeita que não se sujeitando a direção interior de minha luze prática dos  ensinamentos de meus ministros; não submetendo seu próprio ditame para seguir a Mim que sou caminho, verdade e vida (Jo 14, 6), guardando meus mandamentos e minha amizade, cairá logo em profundas trevas e inumeráveis misérias, de abismo em abismo, até obstinar-se no pecado.

Desde a criação e o pecado do primeiro homem até a lei que dei a Moisés, governaram-se pelas próprias inclinações, cometendo grandes erros e pecados (Rm 8, 13). Depois da lei os cometeram por desobedecê-la (Jo 7,19) e assim foram se afastando cada vez mais da verdade e luz, chegando ao maior esquecimento. Eu, com
paternal amor, enviei a salvação eterna (Ef 3, 4, 5) e o remédio para as incuráveis enfermidades da natureza humana. Com isto justifiquei a minha causa. Como, então, esperei o tempo no qual mais resplandecesse a misericórdia, quero agora fazer-lhes outra muito grande.

Este é o tempo oportuno para dela usar enquanto não chegar a minha hora, na qual o mundo se encontrará com tantas dívidas e processos, que conhecerão justo motivo de minha indignação. Nessa hora manifestarei minha ira, justiça, eqüidade e quão justificada está minha causa.
Chegou o tempo em que melhor se há de manifestar o atributo de minha misericórdia, e no qual desejo que meu
amor não fique inativo. Agora, quando o mundo chegou a tão infeliz época, depois que o Verbo se encarnou; quando os mortais se encontram mais descuidados do próprio bem e menos o procuram; quando
mais se aproxima o fim de sua transitória vida, o pôr-do-sol do tempo, e a noite da eternidade para os reprovados; quando aos justos nasce o eterno dia sem noite;

Quando a maioria dos mortais jazem nas trevas da ignorância e das culpas, oprimindo os justos e zombando dos filhos de Deus; quando minha lei santa e divina é desprezada pela iníqua matéria de estado tão odiosa como inimiga de minha providência; quando os maus menos merecem;

Olhando para os justos que vivem neste tempo propício para eles, quero abrir a todos uma porta para entrarem em minha misericórdia. Acendo-lhes um farol para iluminar as trevas de sua cegueira, dou-lhes um oportuno remédio se o quiserem usar para voltarem à minha graça. Felizes os que o encontrarem (Pr 3» 13 e s.) e bem-aventurados os que conhecerem seu valor. Ricos os que acharem este tesouro, felizes e muito sábios os que o explorarem reverentemente, para compreender seus mistérios.\

Quero que saibam quanto vale a intercessão daquela que foi remédio de suas culpas, dando em seu seio, vida mortal ao Imortal. Quero que lhes sirvam de espelho onde vejam suas ingratidões, as maravilhosas obras, que meu poderosobraço operou nesta criatura. Mostrar-lhes-ei muitas das que realizei com a Mãe do Verbo, até agora ocultas por meus altos juízos.

Oportunidade das revelações

10. Não os manifestei na primitiva Igreja, porque são mistérios tão magníficos que os fiéis teriam ficado a estudá-los
e contemplá-los, quando era mais necessário estabelecer a lei da graça e o Evangelho.
Ainda que ambas as coisas teriam sido compatíveis, a ignorância humana poderia ficar confusa, quando ainda estava tão no princípio a fé na Encarnação, Redenção e preceitos da nova lei evangélica.
Por isso, disse o Verbo humanado a seus discípulos na última ceia: "Muitas coisas teria para vos dizer, mas agora não estais preparados para recebê-las" (Jo 6,12). Na pessoa deles falou ao mundo inteiro que ainda não estava em condições de receber o conhecimento dos mistérios da Mãe, antes de estar estabelecida a graça e a fé em seu Filho.

Agora a necessidade é maior e ela me obriga mais do que o merecimento dos homens. Se me empenhassem reverenciando, crendo e conhecendo as maravilhas que em si encerra a Mãe de piedade, e se de coração solicitassem sua intercessão, o mundo poderia melhorar.
Não quero deixar de mostrar-lhes esta mística cidade de refúgio. Descreve-a delineando-a como conseguir tua limitação. Não quero que esta descrição de sua vida componha-se de opiniões e hipóteses, mas seja a verdade certa. Os que têm ouvidos para ouvir, (Mt 11,15) ouçam; os que têm sede (Ap 22,17) venham às águas
vivas e deixem as cisternas rachadas, os que desejam luz sigam-na até o fim - Palavra do Senhor Deus Onipotente.

11. Estas são as palavras que me disse o Altíssimo na ocasião que referi. Satisfazendo a obediência que assim me
ordena, explicarei no capítulo seguinte, para deixar esclarecido em todos os demais, o modo como recebo esta doutrina e luz; como contemplo o Senhor e as inteligências e misericórdias deste gênero me são comunicadas e descreverei adiante.

VIDA INTIMA MEDITAÇÃO SUPER IMPORTANTE

O QUE O FILHO DE DEUS PRATICOU EM SEU ÍNTIMO NO 
SEIO DE MARIA SANTÍSSIMA ATÉ O NASCIMENTO
ENCARNAÇÃO NO SEIO DE MARIA.

 

Quando foi criada a alma que devia animar o corpo passível e imortal, logo me uni a ela com união perfeitíssima, de modo que a alma conheceu a divindade com todos os seus atributos, conheceu a sua dignidade. Estando unida ao Verbo, adorou a Trindade e ainda submeteu-se aos decretos divinos, com todo conhecimento e plenitude das luzes e capacidade perfeita. Contentou-se com descer às vísceras da Virgem Maria e animar aquele corpúsculo que neste mesmo instante era formado no útero virginal por obra da terceira Pessoa, isto é, do Espírito.

OFERTA DO VERBO ENCARNADO.

Logo que fui unido à natureza humana, eu, o Verbo Encarnado, o Filho Unigênito do Pai, ofereci-me a meu Pai, e ofereci-me para padecer e sofrer tudo o que Ele tivesse ordenado e que fosse de seu agrado. Não queria servir-me de minha divindade para abster-me de padecer, visto que, sendo bem-aventurado, não era sujeito a padecimento ou dor alguma, mas somente para conservar aquela vida natural e humana que assumira e que não teria jamais podido conservar-se entre tantas penas, se minha própria divindade não fosse a ela unida.

PRIMEIRAS AFLIÇÕES DA ALMA DE JESUS

Quando minha alma unida ao Verbo desceu para habitar naquela estreiteza e animar aquele corpo, experimentei logo no primeiro instante toda aflição e tristeza que a uma pessoa de juízo perfeito e conhecimento causaria semelhante habitação e estreiteza. Estava, portanto, esposa caríssima, recluso como todas as outras crianças, que
estão privadas, então, do uso da razão. Mas eu, como Deus, tinha todo o conhecimento e minha alma experimentava aquelas angústias que costumam provocar semelhantes estreitezas.

PRIMEIRAS PULSAÇÕES DO CORAÇÃO DE JESUS.

Unido àquela humanidade, adorei imediatamente meu Pai eterno e agradeci-lhe o benefício feito ao gênero humano em dar-lhe a mim, seu Filho Unigênito em“prol da Redenção humana. Adorei-o e agradeci-lhe em nome de todas as
“criaturas racionais, das quais eu me declarei então irmão; protestei, desde “esse primeiro momento, que tudo o que eu fizesse e sofresse em cada instante de minha vida, tudo intencionava fazer e sofrer por meus irmãos e
*suprir assim sua carência e sua negligência.

Depois deste primeiro ato de adoração e ação de graças, pedi a meu eterno Pai uma graça particular para minha dileta Mãe, para que lhe fosse acrescido cada vez que eu respirasse, enquanto morava em suas  vísceras, um grau de graça afim de remunera-la ao cêntuplo, pois aquela respiração me era subministrada com o hálito do seu purísssimo coração, o Pai dignou-se satisfazer-me e  agradeci-lhe também de parte de minha Mãe, porque, como Deus que sou, minhas ações de graças tinham mais valor e eram mais agradáveis a meu Pai.

AFLIÇÕES E ALEGRIAS.

Sentia, oh minha filha, naquela estreiteza uma indizível angústia e ao mesmo tempo, um incomparável deleite, sabendo que estava fazendo a vontade de meu Pai e que habitava no seio de uma criatura que eu tanto amava, nã qual encontrei todas as minhas delícias.
Oferecia ao Pai a aflição que sofria naquela estreiteza em satisfação da liberdade que, contra seu querer, haveriam de tomar tantos irmãos meus. Sofria por tantos deles que seriam encarcerados, restringidos, angustiados por meu amor, e então prometia-lhes minha assistência e minha ajuda. — Oferecia ainda a aflição que sofria por estar encarcerado naquele lugar, ao meu Pai, em satisfação por tanta liberdade que tomam as criaturas de andar vagando pelo mundo, entregando-se a passeios e divertimentos ilícitos, que ofendem a meu Pai.
— Oferecia-a ainda por aquelas religiosas e religiosos, porque bem sabia que encontraria muitos, que, enfastiados pela clausura e estreiteza de suas regras, as abandonariam e até as vilipendiariam e muitos as transgrediriam, por fatos ou desejos, suspirando por aquela vã e perniciosa liberdade que uma vez desprezaram tanto, mas depois almejavam e reclamavam por relaxamento do espírito e fervor perdido. Rogava a meu Pai que, em virtude daquela minha aflição e angústia, se lhes mostrasse propício e pronto a perdoá-los, quando, reconhecendo o erro, quisessem voltar ao primeiro fervor e abraçar de novo a estreiteza da clausura e da observância regular.
— Ainda oferecia aquelas angústias e estreitezas por todos delinquentes que, punidos pela justiça por causa de suas faltas, estariam nos cárceres, presos, com estreiteza de recinto e em lugares escuros. Pedia-lhe que, em virtude dessas minhas estreitezas, concedesse a cada um deles muitas graças para poderem suportar com paciência esse castigo, em desconto de seus delitos. Meu Pai aceitou tudo e prometeu-me fazê-lo quando, da parte deles, não houvesse resistência às inspirações divinas, nem à sua santa graça e expusassem de seus corações obstinação e sentimento de vingança contra aqueles que os puniam.

VALOR INFINITO DE SUAS AFLIÇÕES

Tu, minha esposa, acreditarias que minha vida no seio de Maria tivesse pouco mérito e pouco valor, por que faltavam esses padecimentos cruéis que sofreria no decurso de minha Paixão. Não! Saiba, filha, que tinha tanto mérito e tanto valor uma só daquelas respirações angustiadas que eu tinha no útero virginal, que bastava para satisfazer pelas culpas, defeitos e faltas de todas as criaturas. E saiba que meu padecimento naquela estreiteza era tão grande que um só momento seria suficiente para resgatar mundos infinitos. Podes compreendê-lo, em parte, pensando que, sendo eu o Verbo eterno e Deus verdadeiro, não posso ser compreendido, nem abrangido; e sendo os próprios céus estreitos para habitação minha, reduzi-me a habitar, enquanto Deus e enquanto homem, em carne passível, no pequeno tugúrio de um ventre virginal, com toda a plenitude de conhecimento próprio de um Deus imortal e de um homem passível e mortal.

AFLIÇÕES DOS SENTIDOS.

Possuindo, portanto, o perfeito uso da razão, enquanto homem, experimentava em todos os meus sentidos uma indizível aflição por estar naquele lugar estreito, sendo obrigado a tê-los todos privados de movimento e extensão; assim, os olhos sempre fechados, os lábios em contínuo silêncio, as mãos e os pés sempre imóveis, sem movimento algum, e todo o corpo quase sempre na mesma posição.
Aflição da mais grave que possa sofrer jamais quem tem perfeito conhecimento. É verdade que meu Pai para outros acelerou o uso da razão no seio materno, como aconteceu com minha amada Mãe. Mas ela foi
isenta de sofrer a aflição que naquela estreiteza podiam sofrer seus sentidos. Não houve, no entanto, esta exceção para mim, porque meu Pai quis que eu sofresse todas as aflições que costuma causar à natureza humana
semelhante angústia e estreiteza.


VÍDEO DA MEDITAÇÃO
12-2
Março 18, 1917

Efeitos da fusão em Jesus.

(1) Estava rezando fundindo-me toda em Jesus, e queria em meu poder cada pensamento de Jesus para poder ter vida em cada pensamento de criatura, para poder reparar com o mesmo pensamento de Jesus, e assim por diante. E o meu doce Jesus disse-me:

(2) "Minha filha, minha humanidade sobre a terra não fazia outra coisa que unir cada pensamento de criatura com os meus, assim que cada pensamento de criatura se repercutia m minha mente, cada palavra em minha voz, cada batida em meu coração, cada ação em minhas mãos, cada passo em meus pés, e assim por diante; com isto dava ao Pai reparações divinas. Agora, tudo o que eu fiz na terra eu continuo no céu, e conforme as criaturas pensam,
os seus pensamentos derramam-se na minha mente; conforme elas olham, eu sinto os seus olhares nos meus, e passa entre Mim e elas como uma eletricidade contínua, como os membros estão em contínua comunicação com a cabeça, e digo ao Pai: "Meu Pai, não sou só Eu que te rogo, que reparo, que satisfaço, que te aplaco, senão que há outras criaturas que fazem em Mim o que faço Eu, mais bem suprem com seu sofrer a minha Humanidade, que
gloriosa é incapaz de sofrer".

3) A alma com fundir-se em Mim repete tudo o que fiz e continuo a fazer, mas qual será o contentamento destas almas que fizeram a sua vida em Mim, abraçando juntamente Comigo todas as criaturas, todas as reparações, quando estiverem comigo no Céu? Sua vida continuará em Mim, e conforme as criaturas pensarem ou me ofenderem com os pensamentos, estes pensamentos se repercutirão em sua mente e continuarão com as reparações que fizeram na terra; serão junto Comigo diante do trono divino, as sentinelas de honra, e conforme as criaturas e ofenderem na terra, elas farão as ações opostas no céu, vigiarão meu trono, terão seu posto de honra, serão as que mais me compreenderão, as mais gloriosas, sua glória estará toda fundida na minha e a minha na delas. Assim que a tua vida estiver toda fundida na minha, não faças nenhum ato que não o faças passar em Mim, e cada vez que te fundires em Mim, derramarei em ti nova graça e nova luz, e me farei vigilante sentinela do teu coração, para te manter afastada qualquer sombra de pecado, Te guardarei como a minha própria humanidade,
enviarei aos anjos que te façam coroa, a fim de que fique defendida de tudo e de todos".

13-2
Maio 21, 1921

Jesus encontra repouso nas almas que vivem em seu Querer.

1) Encontrando-me no meu estado habitual, o meu sempre amável Jesus fazia-se ver nos meus braços, em atitude de descansar, eu o estreitava ao coração dizendo-lhe: "Meu amor, dize-me uma palavra, por que te calas?"

(2) E Jesus: "Minha querida filha, é-me necessário o repouso depois de te ter falado tanto, quero em ti os primeiros efeitos das minhas palavras, tu trabalhas fazendo o que te ensinei e Eu repouso, e quando tiveres posto em prática os meus ensinamentos, Eu voltarei de novo para falar-te de coisas mais altas e sublimes, para poder encontrar em ti um repouso mais belo. E além disso, se não descanso nas almas que vivem em meu Querer, em quem poderia esperar
repouso? Só as almas que vivem em meu Querer são capazes de me dar repouso; viver em meu Querer me forma a permanência, os atos feitos em minha Vontade me formam o leito, os atos repetidos e a constância em repeti-los são os arrulhos, a música e o ópio para conciliar o sono. Mas enquanto durmo Eu te vigio, de modo que tua vontade não é outra coisa que o desabafo da minha, teus pensamentos o desabafo da minha Inteligência, tua palavra o desabafo da minha, teu coração o desabafo de meu coração; assim, se bem não me ouves falar, estás tão perdida em Mim que não queres, nem pensas, nem fazes senão o que quero e faço Eu. Por isso, mesmo que vivas no meu Querer, podes ter a certeza que tudo o que se desenvolve em ti, sou eu".

14-2
Fevereiro 9, 1922

O corpo dilacerado de Jesus é o verdadeiro retrato do homem que comete pecado. Jesus na flagelação fez-se arrancar a carne em pedaços, reduziu-se tudo a uma chaga para dar novamente a vida ao homem.

(1) Encontrando-me no meu habitual estado, estava seguindo as horas da Paixão e meu doce Jesus, enquanto o acompanhava no mistério de sua dolorosa flagelação, fazia-se ver todo descarnado, seu corpo nu não só de suas vestes, mas também de sua carne; Seus ossos podiam ser numerados um por um; seu aspecto era não só dilacerante mas horrível ao ser visto, tanto que infundia temor, espanto, reverência e amor ao mesmo tempo. Eu me sentia muda diante desta cena tão dilacerante, teria querido fazer não sei o que para aliviar a meu Jesus, mas não sabia fazer nada, a vista de suas penas me dava a morte, e Jesus todo
bondade me disse:
(2) "Querida filha minha, olhe-me bem para que conheça a fundo minhas penas. O meu corpo é o verdadeiro retrato do homem que comete pecado; o pecado o despoja da veste da minha graça, e eu, para lha dar de novo, me despojei das minhas vestes; o pecado deforma-o, e enquanto é a mais bela criatura que saiu de minhas mãos, torna-se a mais feia e dá asco e horror. Eu era o mais belo dos homens, e para dar de novo a beleza ao homem, posso dizer que minha Humanidade tomou a forma mais feia; olhe como estou horrível, fiz-me tirar a pele pelos açoites e fiquei irreconhecível. O pecado não só tira a beleza, senão que forma chagas profundas, putrefatas e gangrenosas que corroem as partes mais íntimas, consomem os humores vitais, assim que tudo o que o homem faz em estado de pecado são obras mortas, esqueléticas, o pecado lhe arranca a nobreza de sua origem, a luz de sua razão e se torna cego, e Eu para encher a profundidade de suas chagas me fiz arrancar a carne, me reduzi tudo a uma só chaga, e com derramar a rios meu sangue fiz correr os humores vitais em sua alma, para dar-lhe novamente a vida. ¡ Ah! Se não tivesse em Mim a fonte da vida de minha Divindade, Eu teria morrido desde o princípio de minha Paixão, porque a cada pena que me davam minha humanidade morria, mas ela me restituía a vida.

(3) Agora, minhas penas, meu sangue, minhas carnes arrancadas a pedaços estão sempre em ato de dar vida ao homem, mas o homem rechaça meu sangue para não receber a vida, pisoteia minhas carnes para ficar chagado, oh! Como eu sinto o peso da ingratidão".

(4) E lançando-se em meus braços quebrou em pranto. Eu o apertei a meu coração, mas Ele chorava fortemente, que dilaceramento ver chorar a Jesus! Teria querido sofrer qualquer pena para não fazê-lo chorar. Então eu o compadeci, beijei suas chagas, sequei suas lágrimas, e Ele como reconfortado acrescentou:

(5) "Você sabe como eu faço? como um pai que ama muito a seu filho, e este filho é cego, deformado, aleijado; e o pai que o ama até a loucura, o que faz? Tira os olhos, arranca as pernas, tira a pele e dá tudo ao filho e diz: estou mais contente em ficar cego, coxo, deformado, desde que te veja a ti, meu filho, que podes ver, que podes caminhar, que és belo". Oh, como está contente aquele pai porque vê seu filho olhar com seus olhos, caminhar com suas pernas e coberto com sua beleza! Mas qual seria a dor do pai se visse que seu filho, ingrato, lança de si os olhos, as pernas, a pele, e se contenta em permanecer feio como está? Assim sou Eu, em tudo pensei, mas eles, ingratos, formam minha mais acerbada dor".

15-3
Janeiro 16, 1923

Segunda desordem geral.

(1) Sentia-me muito afligida pela privação do meu doce Jesus e pensava entre mim: "Por que não vem? Quem sabe no que o ofendi que se esconde de mim?" E enquanto isso pensava, e quem sabe quantas outras coisas que não é necessário dizer, meu adorável Jesus se moveu em meu interior e me estreitando forte a seu coração santíssimo, com voz terna e cheia de compaixão me disse:

(2) " Minha filha, depois de tanto tempo que venho a ti deverias compreender por ti mesma a causa de meu ocultamento, mas não escondido fora de ti, senão em ti mesma".
(3) Depois, suspirando forte acrescentou: "Ai! é a segunda desordem geral que as nações estão preparando, e Eu estarei escondido em você, e como vigilante para ver o que fazem. Fiz de tudo para dissuadi-los, dei-lhes luz, graça, chamei-te de modo especial nos últimos meses para te fazer sofrer mais, para fazer que minha justiça, encontrando um dique em ti, e uma satisfação de mais em tuas penas, pudesse fazer descer mais livremente a luz, a graça, em suas mentes para
dissuadi-los desta segunda desordem, mas tudo foi em vão; e quanto mais uniam faziam, tanto mais fomentavam as discórdias, os ódios, as injustiças, tanto que obrigam os oprimidos a tomar as armas para defender-se; E eu, quando se trata de defender os oprimidos e a justiça, mesmo natural, devo comparecer. Muito mais, pois as nações aparentemente vencedoras venceram sobre as bases da mais pérfida injustiça; deveriam tê-lo compreendido elas mesmas e ser mais benignas com os oprimidos, em vez disso, eles são mais inexoráveis, querendo deles não só a humilhação, mas também a destruição. Que perfídia! ¡ Que perfídia mais que diabólica! Não estão ainda saciados de sangue, quantos pobres povos perecerão; me dói, mas a terra quer ser purgada; outras cidades serão destruídas; também Eu ceifarei muitas vidas com os flagelos que mandarei do Céu, e enquanto isto acontecerá Eu estarei em ti como oculto e como vigia".

(4) E me parecia que mais se escondia em mim. Eu me sentia imersa num mar de amargura por este falar de Jesus, depois me senti rodeada de pessoas que rezavam, e minha Mãe Celestial estendendo sua mão em meu interior, tomava um braço de Jesus e o puxava para fora, e lhe dizia:

(5) "Meu filho, vem no meio dos povos, não vês em que mar de tempestades estão prestes a ser lançados e que lhes custará um mar de sangue?"
(6) Mas por quanto o puxava, Jesus não quis sair, então virando-se para mim disse: (7) "Pede-lhe muito que as coisas sejam mais benignas".
(8) Eu me pus a pedir-lhe, e Ele agora punha seu ouvido no meu, e me fazia ouvir os movimentos dos povos, os rumores das armas; Agora me fazia ver várias raças de povos unidos juntos, quem preparado para desencadear guerras, e quem se estava preparando, por isso, estreitando-me forte ao meu Jesus lhe disse: "Aplaca-te meu amor, não vês quanta confusão de povos, quantas desordens? Se isto é nos preparativos, o que será na guerra?"

9) E Jesus: "Ah! minha filha, são eles mesmos que o querem, a perfídia do homem quer chegar aos excessos, e um quer lançar ao outro ao abismo, mas a união de diversas raças servirá depois para minha glória".

16-2
Julho 16, 1923

Jesus tudo fez e sofreu em Sua Vontade.

(1) Estava a pensar na Paixão do meu doce Jesus e sentia as suas dores ao meu lado, como se agora as estivesse Ele sofrendo, e olhando me disse:
(2) "Minha filha, Eu sofri tudo em minha Vontade, e à medida que sofria minhas penas abriam tantos caminhos em minha Vontade para chegar a cada criatura. Se não tivesse sofrido em minha Vontade, que envolve tudo, minhas penas não teriam chegado até você, nem até todos e cada um, teriam ficado com minha Humanidade; e mais, com havê-las sofrido em minha Vontade não somente abriam tantos caminhos para ir a todas as criaturas, mas abriam também tantos outros
para as fazer entrar nelas até Mim, e unir-se com essas penas e dar-me cada uma das penas que com suas ofensas deviam me dar em todo o curso dos séculos, e enquanto Eu estava sob a tempestade dos golpes. Por isso, não foram só aqueles que me flagelaram, senão as criaturas de todos os tempos, que teriam com suas ofensas convergido à bárbara flagelação, e assim em todas as demais penas minha Vontade me trazia a todos, nenhum faltava à chamada, todos me estavam presentes, nenhum faltou, por isso minhas penas foram oh, quanto mais duras, mais múltiplas que as que se viram! Então Se queres que o oferecimento de minhas dores, a tua compaixão e reparação, as tuas pequenas penas, não só cheguem até Mim, senão que façam os mesmos caminhos das minhas, faz que tudo entre em meu Querer, e todas as gerações receberão os efeitos. E não só minhas penas, mas também as minhas palavras, porque ditas na minha Vontade
chegavam a todos, como por exemplo quando Pilatos me perguntou se Eu era rei e Eu lhe respondi: Meu reino não é deste mundo, se deste mundo fora, milhões de legiões de anjos me defenderiam'.

E Pilatos ao me ver tão pobre, humilhado, desprezado, se surpreendeu e disse mais marcado: Como! Tu és rei? E eu Respondi com firmeza a ele e a todos os que se encontram em algum lugar: eu sou Rei, e vim ao mundo para ensinar a verdade, e a verdade é que não são os postos, os reinos, as dignidades, o direito de comando o que faz reinar o homem, o que o enobrece, o que o eleva sobre todos. E mais, estas coisas são escravidão, misérias, que o fazem servir a vis paixões, a homens injustos, cometendo também ele tantos atos de injustiça que o desnobrecem-no, atiram-no para a lama e atraem o ódio dos seus dependentes, assim que as riquezas são escravidão, os postos são espadas com as quais muitos ficam mortos ou feridos; o verdadeiro reinar é a virtude, o despojamento de tudo, o sacrificar-se por todos, o submeter-se a todos, e isto é o verdadeiro reinar que vincula a todos e se faz amar por todos, por isso o meu reino nunca terá fim, e o teu está próximo de perecer'. E estas palavras em minha Vontade as fazia chegar aos ouvidos de todos aqueles que se encontram em postos de autoridade, para fazê-los conhecer o grande perigo em que se encontram, e para colocar em guarda a quem aspira aos postos, às dignidades, ao comando".

17-2
Junho 14, 1924
Importância da ordem nestes escritos. Deus é ordem. A beleza da alma que opera no Querer Supremo.

(1) Esta manhã, quando me encontrava no meu estado habitual, não sei se foi sonho, via o meu confessor falecido e parecia-me que tomava alguma coisa torcida de dentro da minha mente, e a consertava e a endireitava. Perguntei-lhe porque fazia isso, e ele disse-me:

(2) "Vim para te dizer que sejas atenta à ordem, porque Deus é ordem, e basta uma frase, uma palavra do que te diz o Senhor que não esteja na ordem, e poderá suscitar dúvidas e dificuldades em quem possa ler o que escreves sobre sua adorável Vontade".

(3) Eu, ao ouvir isto, disse: "Acaso sabe você que escrevi coisas desordenadas até agora?".
(4) E o confessor: "Não, não, mas fica atenta para o futuro, faze com que as coisas que escreves sejam claras e simples como te dizem Jesus, e nada omitas, porque basta uma pequena frase, uma palavra que falte das que te diz Jesus, ou que a escrevas diversamente, para que falte a ordem; Porque essas palavras servirão para dar luz, para fazer compreender com mais clareza, e para ligar a ordem das verdades que o bom Jesus te manifesta. É fácil para voce omitir algumas
pequenas coisas, enquanto as coisas pequenas unem as grandes, e as grandes às pequenas, por isso seja atenta no futuro para que tudo esteja ordenado".

(5) Isto desapareceu e eu fiquei um pouco pensativa. Depois estava me abandonando toda no santo Querer Divino, e meu doce Jesus movendo-se em meu interior me disse:.
(6) "Minha filha, como é bonito ver uma alma operar em minha Vontade, ela submerge sua ação, seu pensamento, sua palavra em minha Vontade, é como uma esponja que impregna-se de todos os bens que o Querer Supremo contém, se vêem na alma tantos atos divinos que irradiam luz, e quase não se sabe distinguir se são atos do Criador ou da criatura, e como se impregnaram desta Vontade eterna, absorveram neles a potência, a luz e o modo do obrar da Majestade Eterna. Olha para ti como o meu Querer te fez bela; e não só isto, senão que em cada ato teu me encerra a Mim mesmo, porque encerrando o meu Querer, tudo encerras"..
(7) Eu olhei para mim, e! quanta luz saía, mas o que mais me impressionou e deu prazer foi ver meu Jesus encerrado em cada ato meu, sua Vontade o aprisionava em mim.

18-6
Outubro 10, 1925

Troca de Vontade entre Deus e a Santíssima Virgem e Luisa. A Santíssima Virgem repete à alma o que fez a seu Filho.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, minha pobre mente se encontrava em uma atmosfera altíssima, me parecia ver a Divindade e sobre um joelho do Pai Celestial a minha Rainha Mamãe morta, como se não tivesse vida; eu maravilhada pensava entre mim: "Minha mãe está morta, mas que morte feliz morrer sobre os joelhos do nosso Criador". Mas olhando melhor, via como se sua vontade estivesse separada do corpo, estava nas mãos do. Pai Divino. Eu admirada olhava mas não sabia explicar o que via, mas uma voz que saía do trono dizia:.

(2) "Esta é a escolhida entre todas as escolhidas, é a toda bela, é a única criatura que nos fez dom de sua vontade, e morta nos deixou sobre os joelhos, em nossas mãos, e Nós em correspondência lhe fizemos dom de nossa Vontade. Dom maior não podíamos fazer-lhe, porque com a aquisição desta Suprema Vontade teve poder de fazer descer o Verbo sobre a terra e de fazer formar a Redenção do gênero humano. Uma vontade humana não teria poder sobre Nós nem nenhum atrativo, em troca uma Vontade Divina dada por Nós mesmos a esta incomparável criatura nos venceu, nos conquistou, nos sequestrou, e não podendo resistir cedemos às suas instâncias de fazer descer o Verbo sobre a terra. Agora esperamos que venha você a morrer sobre o outro joelho, doando-nos sua vontade, e Nós, vendo-a morta em nossas mãos, como se não existisse mais para você, te faremos dom da nossa e por meio de ti, isto é, por meio desta nossa Vontade doada a ti, retornará a viver nosso Fiat sobre a terra. Estas duas vontades mortas sobre nossos joelhos serão o resgate de tantas vontades rebeldes, e as teremos como vestimentas preciosas que nos refarão dos tantos males de todas as demais criaturas, porque com nossa Vontade poderão nos satisfazer".

(3) A voz não se ouvia mais, e eu me encontrei sobre o outro joelho Paterno em ato de dar o último respiro ficando morta, mas nesse mesmo instante me encontrei em mim mesma, mas não sei dizer o que sentia em mim, só rogava de coração que não mais minha vontade entrasse em mim, mas que só a Divina tivesse vida em mim. ¡ Ah, só Ela é a portadora de todos os bens e a repetidora de Jesus nas almas, que fazendo eco ao Fiat da Criação abraça tudo e a todos como de um só golpe e corresponde a Deus pela obra da Criação, Redenção e Santificação! A Vontade Divina obrante em nós tudo pode fazer, é a verdadeira Rainha que reina e impera sobre tudo..
(4) Depois via a minha Mãe Celestial com o menino Jesus entre seus braços, que o beijava e o punha a seu peito para dar-lhe seu puríssimo leite, e eu lhe disse: "Minha mãe, e a mim nada me dás? " Ah! me permita ao menos que ponha meu te amo entre sua boca e a de Jesus enquanto se beijam, a fim de que em tudo o que façam corra junto meu pequeno te amo. E Ela me disse:.
(5) "Minha filha, põe também o teu pequeno te amo não só na boca, mas em todos os atos que correm entre Eu e meu Filho. Você deve saber que em tudo o que fazia para meu Filho, tinha a intenção de fazê-lo para as almas que deviam viver na Vontade Divina, porque estando nela estavam dispostas a receber todos aqueles atos que Eu fazia para com Jesus, e encontrava espaço suficiente para os depositar. Assim, se eu beijava meu Filho, beijava-as, porque as encontrava junto com Ele em sua Suprema Vontade. Eram elas as primeiras como alinhadas Nele, e meu amor materno me empurrava a fazê-las participar do que fazia a meu Filho. Graças grandes eram necessários para quem devia viver nesta Santa Vontade, e Eu punha à sua disposição todos os meus bens, meus agradecimentos, minhas dores, para sua ajuda, defesa, força, apoio, luz; e Eu me sentia feliz e honrada, com as honras maiores, de ter por filhos meus os filhos da Vontade do Pai Celestial, a qual também Eu possuía, e por isso os via também como partos meus. Aliás, deles se pode dizer o que se diz do meu Filho, que as primeiras gerações encontravam a salvação nos méritos do futuro Redentor. Assim estas almas em virtude da Vontade Divina obrante nelas, estas futuras filhas são aquelas que imploram incessantemente a salvação, as graças às futuras gerações; estão com Jesus e Jesus nelas, e repetem junto com Jesus o que contém Jesus. Por isso, se queres que te repita o que fiz a meu Filho, faz que te encontre sempre em sua Vontade, e Eu te darei magnanimamente meus favores".. .

19-2
Fevereiro 28, 1926

Cada vez que a alma se ocupa de si mesma, perde um ato na Vontade Divina. O que significa perder este ato.

(1) Continuava em meus acostumados temores, e meu sempre amável Jesus fazendo-se ver, todo bondade me disse:.
(2) "Minha filha, não perca tempo, porque cada vez que se ocupa de você é um ato que perde em minha Vontade, e se soubesse o que significa perder um só ato em minha Vontade: Você perde um ato divino, aquele ato que abraça tudo e todos e que contém todos os bens que há no Céu e na terra, muito mais que minha Vontade é um ato continuado que não se detém jamais em seu curso, nem pode te esperar quando por seus temores te detém, É a ti que convém segui-la em seu curso continuado, não a Ela esperar a ti a quando tu te puseres a caminho para segui-la. E não só você perde o tempo, senão que Eu, devendo apaziguar-te e tirar-te de teus temores para pôr-te em caminho em minha Vontade, obriga-me a ocupar-me de coisas que não pertencem ao Supremo Querer, teu mesmo anjo guardião que te está próximo fica em jejum, porque cada ato que fazes nela e conforme segues seu curso, é uma bem-aventurança acidental a mais que ele goza estando perto de ti, é um paraíso duplicado de alegria que tu lhe ofereces, de modo que se sente feliz de sua sorte por te ter sob sua custódia, e como as alegrias do Céu são comuns, teu anjo oferece a bem-aventurança acidental que recebeu de ti, seu paraíso duplicado, a toda a corte celestial, como fruto do Querer Divino de sua protegida, todos fazem festa e magnificam e louvam o poder, a santidade, a imensidão da minha Vontade. Por isso seja atenta, em meu Querer não se pode perder o tempo, há muito que fazer, convém que você siga o ato de um Deus não interrompido jamais".

(3) Dito isto desapareceu e eu fiquei pensativa ao ver o mal que eu fazia, e dizia para mim: "Como pode ser possível que com me colocar no Querer Divino, esquecendo todo o resto como se nada mais existisse para mim senão a eterna Vontade, eu tomei parte em tudo o que contém este amável Querer?" E Jesus retornando adicionou:.
(4) "Minha filha, quem nasceu em meu Querer, é justo que saiba os segredos que Ele contém, ademais a coisa em si mesma é facilíssima e como conatural: Suponha que passe a habitar em uma casa, ou por pouco tempo ou para sempre, na qual há uma bela música, um ar perfumado pelo qual se sente infundir uma nova vida; tu, certamente, não puseste aquela música nem aquele ar balsâmico, mas como tu te encontras naquela habitação, não tua, você vem a desfrutar tanto da música como do ar perfumado que regenera as forças a vida nova; acrescente que aquela habitação contém pinturas encantadoras, coisas belas que embelezam, jardins jamais vistos por você, com tanta variedade de plantas e flores que é impossível numerá-los todos; também há comidas deliciosas que jamais gostou, oh, como te recria, te deleitas e desfruta ao olhar tantas belezas, ao provar alimentos tão deliciosos! Mas de tudo isto nada é feito ou posto por ti, Mas tu
fazes parte de tudo só porque estás naquele quarto. Agora, se isto acontece na ordem natural, muito mais fácil pode acontecer na ordem sobrenatural de minha Vontade, a alma com o entrar nela forma um só ato com a Divina Vontade, e como conatural toma parte no que Ela faz e contém; muito mais que a alma para viver em minha Vontade, primeiro é despojada das vestes do velho Adão culpado, e é revestida pelas vestes do novo e santo Adão, sua vestidura é a luz da mesma
Vontade Suprema, na qual lhe vêm comunicados todos seus modos divinos, nobres e comunicativos a todos. Esta luz fá-lo perder as facções humanas e restitui-lhe a fisionomia do seu Criador. Que maravilha então em que tome parte em tudo o que possui o Divino Querer, sendo uma a Vida e uma a Vontade? Por isso seja atenta, te recomendo que me seja fiel e seu Jesus manterá a batuta de te fazer viver sempre em meu Querer, estarei em guarda a fim de que jamais possa sair Dele".

20-1
Setembro 17, 1926

Como cada coisa criada por Deus tem seu lugar, e quem sai da Vontade de Deus perde seu lugar. Importância do Reino do Fiat Divino.

(1) Meu Jesus, invoco o teu Santo Querer, a fim de que Ele mesmo venha a escrever sobre o papel as palavras mais penetrantes e eloquentes, com os vocábulos mais aptos a fazer-se compreender, de maneira a pintar com as cores mais belas, com a luz mais resplandecente, com as características mais atraentes o Reino do Fiat Supremo, de modo a infundir nas palavras que me fará escrever no papel, uma força magnética e um ímã potente que ninguém poderá resistir, para
fazer-se dominar por sua Santíssima Vontade. E Vós, Mãe minha, verdadeira Soberana Rainha do Fiat Supremo, não me deixeis sozinha, vinde guiar a minha mão, dai-me a chama do vosso coração materno, e enquanto escrevo, tende-me sob o vosso manto azul, a fim de que possa cumprir tudo o que o meu amado Jesus quiser de mim.
(2) Sentia-me toda investida pelo Querer Supremo, o qual me atraindo em sua luz imensa me fazia ver a ordem da Criação, como cada coisa estava em seu posto designado por seu Criador. Minha mente se perdia e ficava arrebatada ao ver a ordem, a harmonia, a magnificência, a beleza de toda a Criação, e meu doce Jesus que estava comigo me disse:

(3) "Minha filha, tudo o que saiu de nossas mãos criadoras, a cada coisa criada foi designado seu posto e seu ofício distinto, e todas estão em seu posto, louvando com louvores incessantes aquele Fiat Eterno que as domina, as conserva e lhes dá vida nova. Por isso, mantem-se sempre belas, íntegras, novas, é pelo movimento do Fiat Supremo dominante nelas. Também ao homem foi atribuído seu posto, seu ofício de soberano sobre todas as coisas criadas, com a diferença que enquanto todas as outras coisas criadas por Nós ficavam tal e como Deus as havia criado, sem jamais mudar-se, nem crescer, nem decrescer, ao contrário, a minha Vontade dando ao homem a supremacia sobre todas as obras das nossas mãos, e querendo desabafar com ele mais em amor, dava-lhe o ofício de crescer continuamente em beleza, em santidade, em sabedoria, em riqueza,  até elevá-lo à semelhança do seu Criador, mas sempre devia fazer-se dominar, guiar, para dar campo livre ao Fiat Supremo de formar sua Vida Divina nele, para poder formar este contínuo crescimento de bens e de beleza com a felicidade sem fim, porque sem minha Vontade dominante não pode haver nem crescimento, nem beleza, nem felicidade, nem ordem, nem harmonia. Minha Vontade, sendo Ela origem, dona, princípio de toda a obra da Criação, onde Ela existe tem virtude de conservar bela sua obra, tal e como a tirou, mas onde não existe falta a comunicação de seus humores vitais para conservar a obra fora de nossas mãos. Vê então que grande mal foi para o homem se subtrair de nossa Vontade? De modo que todas as coisas, mesmo as mais pequenas, têm seu lugar, pode-se dizer que estão em sua casa, ao seguro, ninguém as pode tocar, possuem
a abundância dos bens, porque esse Querer que corre nelas possui a fonte de todos os bens, estão todas na ordem, a harmonia e a paz de todas. Em troca o homem, ao subtrair-se de nosso Querer perdeu seu posto, ficou sem nossa casa, exposto aos perigos, todos o podem tocar para lhe fazer mal, os mesmos elementos são superiores a ele porque possuem uma Vontade Suprema, enquanto ele possui uma vontade humana degradada que não sabe dar-lhe outra coisa que misérias, debilidades e paixões, e, como perdeu o seu princípio, o seu posto, ficou sem ordem, desarmonizado com todos e não goza de paz nem sequer em si mesmo. Assim que se pode dizer que é o único ser errante em toda a Criação, que por direito nada lhe toca, porque Nós tudo damos a quem vive em nossa Vontade porque está em nossa casa, é uma de nossa família; as relações, os vínculos de filiação que possui com o viver n‟Ela dão-lhe o direito a todos os nossos bens; ao contrário, quem não vive da Vida d‟Ela, rompeu como de um só golpe todos os vínculos, todas as relações, por isso é tida por Nós como coisa que não nos pertence. Oh! se todos soubessem o que significa romper com nossa Vontade e em que abismo se precipitam, todos tremeriam de espanto e fariam concorrência para retornar ao Reino do Fiat Eterno para voltar a tomar seu lugar designado por Deus.

(4) Agora, minha filha, querendo dar de novo minha eterna bondade este meu Reino do Fiat Supremo, depois de havê-lo rejeitado tão ingratamente, não te parece que seja o dom maior que Eu possa fazer às gerações humanas? Mas para dá-lo devo formá-lo, constituí-lo, fazer conhecer de minha Vontade o que até agora não se conhece, e tais conhecimentos sobre Ela, que vençam aqueles que os conhecerão, para que amem, apreciem e desejem vir viver n‟Ele. Os conhecimentos serão as cadeias, mas eles mesmos, voluntariamente, não forçados, se farão atar; os conhecimentos serão as armas, as flechas conquistadoras que conquistarão os novos filhos do Fiat Supremo. Mas sabes o que é que estes conhecimentos possuem? Possuem a qualidade de mudar a natureza em virtude, em bem, na Vontade minha, de modo que os possuirão como propriedade sua".

(5) Então eu ao ouvir isto disse: "Meu amor, Jesus, se tanta virtude tem estes conhecimentos sobre tua adorável Vontade, por que não os manifestaste a Adão, a fim de que fazendo-os conhecer a seus descendentes, tivessem amado, apreciado muitíssimo um bem tão grande, e tivesse disposto os ânimos para quando Tu, Divino Reparador, decretasse dar-nos este grande dom do Reino do Fiat Supremo?" E Jesus retomando a palavra acrescentou:

(6) "Minha filha, Adão enquanto esteve no Éden Terreno e viveu no Reino do Supremo Querer, conheceu todos os conhecimentos, quanto a criatura é possível, do que pertencia ao Reino que possuía, mas assim que saiu dele sua inteligência se escureceu, perdeu a luz de seu Reino, e não encontrava as palavras adequadas para manifestar os conhecimentos que tinha adquirido sobre a Suprema Vontade, porque faltava nele o mesmo Querer Divino que lhe proporcionasse as palavras
necessárias para manifestar aos demais o que ele tinha conhecido. Isto por sua parte, e muito mais que cada vez que recordava sua subtração de minha Vontade, o sumo bem que tinha perdido, sentia tal intensidade de dor de o tornar calado, porque estava imerso na dor da perda de um Reino tão grande e pelos males irreparáveis causados por isso, e porque quanto Adão pudesse fazer, não lhe era dado reparar, mas necessitava-se daquele mesmo Deus que tinha ofendido para
pôr remédio. Por parte de seu Criador não tinha nenhuma ordem, e por isso não lhe dava capacidade suficiente para manifestá-lo, porque, em que aproveitaria manifestar um conhecimento quando não devia dar-lhes o bem que continha? Eu só faço conhecer um bem quando o quero dar.

Mas embora Adão não tenha falado muito sobre o Reino da Minha Vontade, ele ensinou muitas coisas importantes sobre o que lhe pertencia, tão verdade, que nos primeiros tempos da história do mundo, até Noé, as gerações não tiveram necessidade de leis, nem houve idolatrias (não diversidade de línguas), mas sim todos reconheciam um só Deus (uma só linguagem), porque tinham um alto conceito de minha Vontade. Ao contrário, quanto mais se afastaram d‟Ela, surgiram as idolatrias e pioraram em males, e por isso Deus viu a necessidade de dar suas leis como preservativo às gerações humanas. E por isso, quem faz minha Vontade não tem necessidade de leis, porque Ela é vida, é lei, e é tudo para o homem.

A importância do Reino do Fiat Supremo é grandíssima, e Eu o amo tanto, que estou fazendo mais que nova Criação e Redenção, porque na Criação apenas seis vezes foi pronunciado meu Fiat Onipotente para dispô-la e tirá-la toda ordenada; na Redenção falei, mas como não falei do Reino de meu Querer que contém infinitos conhecimentos e bens imensos, portanto não tinha uma grande quantidade de palavras que dizer, porque tudo o que ensinei era de natureza limitada, e com poucas palavras se fazia conhecer. Em troca para fazer conhecer minha Vontade, se necessita muito filha minha, sua história é longuíssima, encerra uma eternidade sem princípio e sem fim, por isso por quanto digo tenho sempre que dizer, e por isso estou dizendo, oh! quanto mais, pois sendo mais importante que tudo contém mais conhecimentos, mais luz, mais grandeza, mais prodígios, por isso são necessárias mais palavras. Muito mais, que por quanto mais faço conhecer, tanto mais alarga os confins do meu Reino para o dar aos filhos que o possuirão. Por isso cada coisa que manifesto de minha Vontade é uma nova criação que faço em meu Reino, para fazê-la gozar e possuir por aqueles que terão o bem de conhecê-lo. Por isso se requer de sua parte grande atenção em manifestá-las".

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