ESCOLA DA DIVINA VONTADE - SÉTIMA SEMANA DE ESTUDOS

 

Espírito de mortificação.
(42) Depois de algum tempo em que tentei exercitar-me nestas coisas, às vezes fazendo e às vezes caindo (se bem que vejo claro que ainda me falta este espírito de retidão e sempre fico mais confusa pensando em tanta ingratidão minha)Jesus falou comigo e me fez entender a necessidade do espírito de mortificação, (se bem me lembro que em todas estas coisas que me dizia, acrescentava-me sempre que tudo devia ser feito por amor seu, e que as virtudes mais belas, os sacrifícios maiores, tornavam-se insípidos se não tinham princípio no amor. A caridade, dizia-me, é uma virtude que dá vida e esplendor a todas as demais, de modo que sem ela todas estão mortas e meus olhos não sentem nenhum atrativo, e não têm nenhuma força sobre meu coração; esteja, pois, atenta e faz que tuas obras, mesmo as mínimas sejam investidas pela caridade, isto é, em Mim, comigo e por Mim). Agora vamos direto à mortificação.
(43) "Quero", dizia-me, "que em todas as tuas coisas, até às necessárias, sejam feitas com espírito de sacrifício. Olhe, suas obras não podem ser reconhecidas por Mim como minhas se não têm a marca da mortificação. Assim como a moeda não é reconhecida pelos povos se não contém em si mesma a imagem de seu rei, é desprezada e não tomada em conta, assim é de suas obras, se não têm o enxerto com minha cruz não podem ter nenhum valor. Olha, agora não se trata de destruir as criaturas, mas a ti mesma, de te fazer morrer para viver somente em Mim e de minha própria Vida.
É verdade que te custará mais do que o que fizeste, mas tem coragem, não temas, não o farás tu, senão Eu que operarei em ti".
(44) Então recebia outras luzes sobre a aniquilação de mim mesma e me dizia:
(45) "Você não é outra coisa que uma sombra, que enquanto você quer tomá-la você foge, você é nada".
(46) Eu me sentia tão aniquilada que teria querido me esconder nos mais profundos abismos, mas me via impossibilitada para fazê-lo, sentia tal vergonha que ficava muda. Enquanto estava neste reconhecimento do meu nada, Ele me dizia:
(47) "Põe-te junto a Mim, apoia-te no meu braço, Eu te sustentarei com as minhas mãos e tu receberás força. Você está cega, mas minha luz te servirá de guia. olha, eu vou estar na frente e você não fará outra coisa que olhar para mim para me imitar".
(48) Depois me dizia: "A primeira coisa que quero que mortifique é sua vontade, aquele "eu" deve ser destruído em você, quero que a tenha sacrificada como vítima ante Mim, para fazer que de sua vontade e da minha se forme uma só. Não estás contente?"
(49) Sim Senhor, mas dá-me a graça, porque vejo que por mim nada posso. E Ele continuava dizendo-me:
(50) "Sim, Eu mesmo te contradirei em tudo, e às vezes por meio das criaturas".
(51) E assim acontecia. Por exemplo: Se pela manhã eu acordasse e não me levantasse logo, a voz interior me dizia: "Tu descansas, e eu não tive outro leito que a cruz, a cruz, logo, logo, sem tanta satisfação".

(52) Se caminhava e minha vista se ia um pouco longe, logo me repreendia: "Não quero, tua vista não a afaste de ti além da distância de um passo a outro, para fazer que não tropeces".
(53) Se me encontrava no campo e via flores, árvores, dizia-me: "Eu tudo criei por amor teu, tu privas a tua vista deste contentamento por amor meu".
(54) Mesmo nas coisas mais inocentes e santas, como por exemplo os ornamentos dos altares, as procissões, dizia-me: "Não deves ter outro prazer senão em Mim sozinho".
(55) Se, enquanto trabalhava, estava sentada, me dizia: "Está muito cômoda, não se lembra que minha Vida foi um contínuo penar? E você? E você?".
(56) Logo, para agradá-lo me sentava na metade da cadeira e a outra metade a deixava vazia, e algumas vezes em brincadeira lhe dizia: "Olha, Senhor, a metade da cadeira está vazia, vem sentar-te junto a mim". Uma vez, senti-me tão feliz que nem sei dizer. Algumas vezes que estava trabalhando com lentidão e desbotada me dizia: "Logo, depressa, que o tempo que ganhará se apressando virá a passá-lo junto Comigo na oração.”

(57) Às vezes, Ele mesmo me dizia quanto trabalho eu deveria fazer. Pedia que ele viesse me ajudar. "Sim, sim", me respondia, "faremos isso juntos para que, depois que você terminar, ficaremos mais livres". E acontecia que em uma hora ou duas eu fazia o que tinha que fazer o dia todo, então ia orar e me dava tantas luzes e me dizia tantas coisas que levaria muito tempo para dizê-las. Lembro-me de que, enquanto trabalhava sozinha, via que não alcançava o fio para concluir o trabalho e que teria que ir com a família para busca-lo, então me dirigia a Ele e dizia: “De que serve, meu amado, ter me ajudado, porque agora vejo que preciso ir à família, e posso encontrar pessoas e elas me impedirão de voltar novamente, e então nossa conversa terminará. ”
"O que, o que", ele me dizia, "e você tem fé?" Sim. " Pois não tema, eu farei você terminar tudo." E assim sucedia, e logo eu me punha a rezar.
(58) Se fosse a hora do almoço e eu comesse algo agradável, me repreendia internamente dizendo: "Talvez você tenha esquecido que eu não tinha outro gosto além de sofrer por seu amor, e que você não deveria ter outro gosto além de se mortificar por meu amor? Deixe e coma o que não gosta ”. E eu imediatamente pegava e levava para a pessoa que ajudava no serviço, ou então dizia que não queria mais, e muitas vezes passava quase em jejum, mas quando ia a oração, recebia tanta força e sentia tanta saciedade que me sentia enjoada de tudo o mais.
(59) Outras vezes, para me contradizer, se eu não sentisse vontade de comer, ele me dizia:

"Quero que você coma pelo meu amor, e enquanto a comida se une ao corpo, peça-me para unir meu amor à sua alma e todas as coisas serão santificadas".
(60) Em uma palavra, sem ir mais longe, mesmo nas menores coisas tratava de fazer morrer minha vontade, para me fazer viver apenas para Ele. Permitia que até o confessor me contradissesse como por exemplo: Eu tinha um grande desejo de receber a comunhão e durante todo o dia e noite não fiz nada além de me preparar, meus olhos não podiam fechar-se para dormir devido aos batimentos cardíacos contínuos e eu disse a ele: "Senhor, apresse-se porque não posso ficar sem Ti, acelere as horas, faça surgir logo o sol porque não aguento mais, meu coração
desmaia ”. Ele próprio me fazia certos convites amorosos com os quais me sentia despedaçar o coração e me dizia; “Olha, eu estou só, não sinta pena de você não poder dormir, trata-se de fazer companhia a seu Deus, seu Esposo, seu Tudo, que é continuamente ofendido, ah! não me negues esse consolo, que mais tarde nas tuas aflições Eu não te deixarei ”. Enquanto eu estava com essas disposições, de manhã ia com o confessor e sem saber por quê, a primeira coisa que ele me dizia era: "Não quero que você receba a Comunhão". Digo a verdade, era tão amargo para mim que às vezes não fazia nada além de chorar, não me atrevia a dizer nada ao confessor, porque era isso
que Jesus queria que eu fizesse, caso contrário, ele me repreendia; mas ia ter com Ele e dizia minha tristeza: "Oh meu Bem, por isso a vigília que fizemos esta noite, que depois de tanto esperar e desejar, devia ficar privada de Ti? Sei bem que devo obedecer, mas diga-me posso estar sem Ti? Quem me dará a força? Ademais , qual o valor de ir a esta igreja sem levar-te comigo? Eu não sei que fazer, mas Tu podes remediar a tudo. Enquanto assim desabafava, sentia vir um fogo junto a mim, entrar uma chama no coração e o sentia dentro de mim, e em seguida me dizia: “Acalma-te, acalma-te, eis me aqui, estou já em seu coração. O que temes agora? No se aflija mais, Eu mesmo te quero enxugar as lágrimas, tens razão, tú não podia estar sem Mim, não é verdade?
(61) Então eu ficava tão aniquilada em mim mesma por isso, e eu lhe dizia se não tinha sido boa, Ele não teria colocado dessa maneira, e lhe pedia que ele não me deixasse mais, que sem Ele eu não queria ficar.

(62) Depois dessas coisas, um dia, após a Comunhão, sentia-o todo amor em mim, e que Ele me amava tanto, que ficava maravilhada, porque me via tão má, e sem corresponder, e dizia dentro de mim: "Pelo menos fora boa e lhe correspondera, tenho medo de que me deixe (esse medo de me deixar sempre tive e ainda tenho, e às vezes é muita a dor que sinto, que acho que a pena de morte seria menor, e se Ele próprio não vier a me acalmar, não sei como me dar paz) entretanto Ele quer estreitar-se mais intimamente a mim ”.

2-6
Março 19, 1899
Temores. Jesus a tranquiliza. O demônio pode falar de virtude, mas não pode infundi-la na alma.

(1) Esta manhã, enquanto Jesus se fazia ver, eu temia que não fosse verdadeiramente Jesus, mas o demônio que me quisesse enganar; depois que fiz os habituais protestos Jesus me disse:

(2) "Filha, não temas, não sou o demônio, e além disso, esse, se fala das virtudes é uma virtude pintada, não verdadeira virtude, nem tem poder para infundi-la na alma, senão somente de falar dela, e se alguma vez mostrar que quer fazer praticar um pouco de bem, não é perseverante e no mesmo ato em que a alma faz esse pouco bem, a alma está desenganada e agitada, só Eu tenho a potência de infundir-me no coração e de fazer praticar as virtudes e fazer sofrer com ânimo e tranqüilidade e com perseverança. Além disso, quando o demônio foi em busca de virtude? Sua busca são os vícios. Por isso não tema, fique tranquila".

3-10

11
Novembro 19, 1899

Males da soberba.

(1) Continua a vir meu adorável Jesus, e como minha mente, antes de que viesse estava pensando em certas coisas que me havia dito em anos passados, e que não recordo bem, Ele, como para me lembrar disse:
(2) "Minha filha, a soberba roe a graça. Nos corações dos soberbos não há outra coisa que um vazio todo cheio de fumaça, que produz a cegueira. A soberba não faz mais que fazer de si mesmo um ídolo, assim que a alma soberba não tem o seu Deus consigo; com o pecado procurou destruí- lo em seu coração, e levantando um altar nele, se põe em cima e se adora a si mesmo".

(3) Oh! Deus, que monstro abominável é este vício, a mim me parece que se a alma está atenta a não deixá-lo entrar nela, estará livre de todos os outros vícios, mas se por sua desventura se deixa dominar por ele, como é mãe monstruosa e má, lhe parirá todos seus filhos díscolos, os quais são os outros pecados. Ah Senhor, mantenha-a longe de mim!

4-11
Setembro 21, 1900

Força da obediência. A obediência deve ser tudo para ela.

(1) Quem pode dizer minha aflição ao ficar privada de meu amadíssimo amigo dor? Admirava, sim, o prodigioso império da santa obediência, como também a virtude que o Senhor tinha comunicado ao confessor, que com a obediência e com fazer-me o sinal da cruz me havia liberado de um mal que eu considerava grave, e que era suficiente para desfazer meu corpo; mas com tudo isto não podia fazer menos que sentir a pena de estar privada de uma dor tão boa, que apiedava e enternecia ao bendito Jesus, de modo que o fazia vir quase continuamente. Então, vindo Nosso Senhor, lamentei-me com Ele, dizendo: "Amado Bem meu, o que me fizeste? Libertaste-me pelo confessor, portanto perdi a esperança de deixar por agora a terra, e além disso para que tantos rodeios, podias Tu mesmo libertar-me, por que puseste o pai no meio? Ah! Talvez você não quis me desagradar diretamente, não é?"
(2) E Ele: "Ah, minha filha, como logo esqueceste que a obediência foi tudo para Mim; a obediência quero que seja tudo para ti! E também coloquei o pai no meio para que você o tenha em consideração como a mim mesma".
(3) Dito isto desapareceu deixando-me toda amargurada. Quantas sabe fazer a senhora obediência! , você precisa conhecê-la e ter a ver com ela por um longo tempo, não por pouco, para poder dizer realmente quem é ela, e bravo, bravo à senhora obediência, quanto mais se está em contato com ela mais se faz conhecer. Eu por mim, para dizer a verdade, admiro-te, sou obrigada também a amar-te; assim não posso fazer menos que não sentir-me zangada contigo especialmente quando me faz uma grande. Por isso te peço, oh amada obediência, ser mais indulgente, mais indulgente em fazer-me sofrer.

5-7
Abril 10, 1903

Como os homens não se rendem, Jesus fará ressoar a trombeta de novos e graves flagelos.

(1) Encontrando-me fora de mim mesma, via nosso Senhor com uma vara na mão que tocava as nações, e elas, sendo tocadas, se dispersavam e se revelavam, e o Senhor lhes disse:
(2) "Toquei-vos para vos reunirdes em Mim, e em vez de vos reunirdes revel e dispersais de Mim, por isso é necessário que Eu soe a trombeta".
(3) E enquanto dizia isto pôs-se a tocar a trombeta. E eu compreendia que o Senhor mandará algum castigo, e os homens em vez de humilhar-se tomarão ocasião para ofendê-lo e afastar-se, e o Senhor ao ver isto fará ressoar a trombeta de outros graves flagelos.

6-7
Novembro 24, 1903

Como cada palavra de Jesus são tantos elos de graça.

(1) Continuando o meu estado habitual, mal vi o bendito Jesus dentro de mim, e como se quisesse continuar a tirar-me as dúvidas disse-me:

(2) "Filha, Eu sou a verdade mesma, e jamais pode sair de Mim a falsidade, ou mais alguma coisa que o homem não compreende, e isto faço-o para fazer ver que se não se compreende bem a palavra, como se pode compreender em tudo o Criador? Mas no entanto a alma deve corresponder pondo em prática a minha palavra, porque cada palavra são tantos elos de graça que saem de Mim, dos quais faço dom à criatura, e se corresponde, estes elos os acorrenta aos outros já adquiridos; se não, os devolve a seu Criador, e não só isto, senão que Eu somente falo quando vejo a capacidade da criatura que pode receber esse dom, e correspondendo-me não só adquire tantos elos de graça, mas adquire também tantos elos de sabedoria divina, e se os vejo acorrentados com a correspondência, disponho-me a dar-lhe outros dons; mas se vejo meus dons rejeitados, retiro-me guardando silêncio".

7-7
Março 5, 1906

Jesus pede que o console. Vê um homem a suicidar-se.

(1) Continuando meu estado habitual, encontrei-me fora de mim mesma, junto com o menino Jesus todo aflito. Eu ao vê-lo tão aflito disse: "Meu querido, diz-me o que queres?
Por que está sofrendo? Para poder te aliviar". Então Ele se pôs com o rosto em terra e rezava para que eu pudesse interpretar Sua Vontade, mas eu não entendia nada;
Levantei-o da terra, beijei-o muitas vezes e disse: "Amado meu, não entendo que coisa queres, queres que sofra a crucificação?"
(2) E Ele: "Não".
(3) E ele pegou no meu braço na mão dele e desatou-me o punho da camisa, e eu vi isto e disse: "Queres que o meu braço seja descoberto? Sinto muita pena, mas por seu amor me submeto".
(4) Enquanto fazia isto, via um homem que, levado pelo desespero e pela auto-estima, se suicidava, e isto na nossa cidade. Então o menino me disse:
(5) "Não posso conter tanta amargura, receba sua parte".
(6) E derramou em minha boca um pouco de sua amargura. Eu corri até aquele homem para ajudá-lo a se arrepender do mal que tinha feito, os demônios pegavam aquela alma e a jogavam no fogo, a viravam e a viravam como se a estivessem assando. Eu por duas vezes a libertei, e me encontrei em mim mesma rogando ao Senhor que usasse sua misericórdia com aquela desventurada alma. O bendito Jesus regressou com a coroa de espinhos e tão encaixada na cabeça, que os espinhos pareciam que estavam até na boca, e me disse:
(7) "Ah! Minha filha, muitos não acreditam, que os espinhos penetraram até dentro da boca. É tão feio o pecado da soberba, que é veneno para a alma e o que a mata; assim como quem tem uma coisa atravessada na boca, e esta lhe impede que tome algum alimento para dar vida ao corpo; assim a soberba impede a Vida de Deus na alma; por
isso quis sofrer tanto pela soberba humana; e com tudo isso, a criatura chega a tanta soberba, que ébria de soberba perde o conhecimento de si mesma e chega a matar seu corpo e sua alma".

(8) Digo isto para obedecer: Que tendo dito ao pai o que está escrito acima, assegurou-me que esta manhã um homem se tinha suicidado".

8-8
Julho 19, 1907

Na Divina Vontade não entram nem aridez, nem tentações, nem defeitos.

(1) Tendo falado com uma pessoa sobre a Vontade de Deus, tinha-me escapado dizer-lhe que estando na Vontade de Deus e sentindo-se árida se encontraria também em paz. Depois, encontrando-me no meu estado habitual, o bendito Jesus corrigiu-me dizendo:

(2) "Minha filha, presta muita atenção quando falas de minha Vontade, porque minha Vontade é tão feliz, que forma nossa mesma bem-aventurança, e a vontade humana é tão infeliz, que se pudesse entrar em nossa destruiria nossa felicidade e nos faria guerra; por isso em minha Vontade não entram nem aridez, nem tentações, nem defeitos, nem inquietudes, nem frialdades, porque Minha Vontade é luz e contém todos os gostos possíveis; a vontade humana não é outra coisa que uma gotinha de trevas, toda cheia de desgostos. Assim, se a alma já está dentro de meu Querer, antes de entrar, ao contato com meu Querer a luz lhe dissipou a gotinha das trevas para poder tê-la em si, o calor derreteu o gelo e a aridez, os gostos divinos tiraram os desgostos, minha felicidade a
libertou de todas as infelicidades".

9-9
Julho 14, 1909

Só Deus pode infundir paz na alma.

(1) Tenho passado amargamente com a privação do bendito Jesus; no máximo, faz-se ver como uma sombra ou um relâmpago, e às vezes também a fulguração parecia que fugia. Minha mente era perturbada pelo pensamento de que sendo Jesus tão bom, quão cruelmente me deixou, ah, talvez não fosse Ele que vinha, sua bondade não me teria feito isso! Quem sabe se não foi o demônio, ou minha fantasia, ou bem sonhos, mas no âmago da alma não queria saber disto, queria estar em paz, e parecia que se afastava de tudo, se adentrava sempre mais na Vontade de Deus, se escondia nela tomando um sono profundo no seu Santo Querer, e não há maneira de que desperte; parece que o bom Jesus a encerra tanto no seu Querer, que nem sequer deixa que se encontre a porta para poder tocar e fazer-lhe ouvir que Jesus a deixou, e ela dorme e se está em paz. A mente, não encontrando nenhuma resposta diz entre si: "Só eu devo me zangar? Também eu quero tranquilizar-me e fazer a Vontade de Deus; venha, que venha contanto que faça sua Santa Vontade". Este é meu estado presente.
(2) Agora, esta manhã pensando no que escrevi acima, o bom Jesus me disse:
(3) "Minha filha, se fossem fantasias, sonhos, demônios, não teriam tanta força de te fazer possuir a auréola da paz, e não por um dia, mas por vinte e cinco anos, nenhum poderia te fazer respirar essa aura de suave paz dentro e fora de ti, só Aquele que é toda paz, e que se um sopro de perturbação o pudesse surpreender, deixaria de ser Deus, ficaria ofuscada Sua Majestade, diminuída sua grandeza, débil sua potência, em suma, todo o Ser Divino receberia uma sacudida.
Aquele que te possui e que você possui te resguarda, te defende continuamente de todo o fôlego de perturbação. Lembra-te que em todas as minhas visitas sempre te corrigi se havia em ti algum alento de perturbação, e de nenhuma outra coisa me desgostei tanto, como de não te ver em paz; e somente me fui quando te acalmei toda. A fantasia, o sono, muito menos o demônio, têm esta virtude, e muito menos podem infundir aos demais, por isso te tranquilize e não me seja ingrata".

10-7

Dezembro 22, 1910

Para poder realizar coisas grandes para Deus, é necessário destruir a estima própria, o respeito humano e a própria natureza.

(1) Continuando meu habitual estado, via diante de minha mente vários sacerdotes, e o bendito Jesus dizia:
(2) "Para ser hábil em fazer coisas grandes para Deus, é necessário destruir a estima própria, o respeito humano e a própria natureza, para reviver da Vida Divina e preocupar-se só com a estima de Nosso Senhor e do que corresponde à sua honra e glória; é necessário triturar, pulverizar o que concerne ao humano para poder viver de Deus; e eis que não vós, mas Deus em vós falará, trabalhará, e as almas e as obras a vós confiadas terão esplêndidos efeitos, e terão os frutos desejados por vós e por Mim, como a obra das reuniões dos sacerdotes que eu lhe disse antes, e um destes poderia ser hábil para promover e também realizar esta obra, mas um pouco de estima própria, de temor vão, de respeito humano torna-o inábil, e a graça quando encontra a alma circundada por estas baixezas, voa e não se detém e o sacerdote fica homem e age como homem, e tem no seu agir os efeitos que pode ter um homem, não já os efeitos que pode ter um sacerdote animado pelo Espírito de Jesus Cristo".

11-8
Fevereiro 28,1912

Sinais para saber se só se ama o Senhor.

(1) Esta manhã, ao ver o meu adorável Jesus, disse-lhe: "Oh! meu coração, vida minha e meu tudo, como se pode conhecer se se ama só a Ti, ou se ama outras coisas ou pessoas?"
(2) E Ele: "Minha filha, se a alma está toda cheia de Mim até a borda, até derramar-se fora, isto é, não pensa, não procura, não fala, não ama senão a Mim só, e todo o resto parece que não exista para ela, ou melhor, todo o resto a aborrece, a escória e o último lugar ao que não é Deus, como por exemplo, um pensamento, uma palavra, um ato para uma coisa necessária da vida natural, isto não é outra coisa que dar a escória à natureza, isto fizeram os santos, Fiz isso também Eu Comigo, com os apóstolos dando algumas disposições, onde se devia pernoitar, o
que comer, etc. então dar isto à natureza não prejudica nem o amor nem a santidade verdadeira, e isto é sinal de que me ama só a Mim.

Ao contrário, se a alma está misturada de várias coisas, agora pensa em Mim, agora em outra coisa; agora fala de Mim e depois fala longamente de outras coisas, e assim do resto, é sinal de que não me ama só a Mim e Eu não estou contente, enfim, se o último pensamento, a última palavra, um último ato não é só para Mim, é sinal de que não me ama, e se me dá alguma coisa não é mais que a escória que me dá, e entretanto isto é o que faz a maioria das criaturas. ¡ Ah minha filha! Os que me amam estão unidos Comigo como os ramos estão ligados ao tronco da árvore, pode haver separação, esquecimento, alimento diferente entre os ramos e o tronco? Uma é a vida, uma sua finalidade, de ambos os frutos; aliás, o tronco é a vida dos ramos, e os ramos são a glória do tronco, outros são a mesma coisa. Assim são Comigo as almas que me amam".



7. A pequena Maria com Ana e Joaquim.
Em seus lábios já está a Sabedoria do Filho.

29 de agosto de 1944.

Ainda vejo Ana. Desde ontem à tarde, que a estou vendo assim: ela está sentada no começo da sombra da parreira, atenta a um trabalho de costura. Está toda vestida de uma cor cinzento-areia, com um vestido muito simples e solto, talvez por causa do grande calor que deve estar fazendo.
No fim da parreira, podem ver-se os ceifadores, que estão cortando o feno. Mas ainda não deve ser o feno de maio, porque a uva já está para colorir-se de ouro e uma macieira grande já vem mostrando os seus frutos, entre as folhas escuras, que vão se tornando da cor de uma cera lustrosa, amarela e vermelha. Além disso, o campo de cereais é agora um restolho sobre o qual,
ondulam leves as chamazinhas das papoulas e se levantam, rígidas e serenas, as flores-de-lis, raiadas como uma estrela, e azuis como o céu do Oriente.

Da parreira sombria vem vindo, à frente, uma Maria pequenina, mas já andando ligeira e independente. Seu passo é curto, mas seguro, e suas sandalinhas já não tropeçam nas pequenas pedras. Tem já um esboço do seu doce passo, levemente ondulante, de pomba, e ela está parecendo mesmo uma pombinha em seu vestidinho de linho, que desce até os tornozelos, um vestidinho bem cômodo, franzido no pescoço por um cordãozinho azul celeste, e com manguinhas curtas, que deixam ver os antebraços rosados e gorduchos. Com os seus cabelinhos, que parecem de seda e de um loiro-mel, não muito encaracolados, mas formando ondas suaves, que terminam em um gracioso cacho; com seus olhinhos cor do céu, e o doce rostinho levemente rosado e sorridente, ela parece um pequeno anjo. Até o ventinho leve que lhe vai entrando pelas mangas largas, e enchendo seu vestido de linho e fazendo-o ficar mais saliente nas costas, tudo contribui para dar à menina o aspecto de um pequeno anjo, com as asas já entreabertas, e prontas para voar.

Nas mãozinhas ela leva papoulas, flores-de-lis e outras florzinhas, que crescem por entre os cereais, mas das quais eu não sei o nome. Ela vai indo e, ao chegar perto da mãe, dá uma corridinha, solta uma vozinha festiva, e como uma pequena rolinha, para o seu vôo contra os joelhos da mãe, que se abrem um pouco para recebê-la, enquanto que o trabalho, que estava sendo feito, é posto de lado, para acolhê-la sem que ela se machuque, e os braços estão estendidos para abraçá-la. Até aqui ontem à tarde, e hoje de manhã reapresenta-se e continua assim.

“Mamãe! Mamãe!”. A pequena rolinha branca está agora no ninho dos joelhos maternos, com seus pezinhos sobre a erva curta, o rostinho curvado sobre o colo materno, e não se vê nada mais, além do ouro pálido dos cabelinhos sobre a nuca delicada, que Ana se curva para beijar com amor.

Depois a pequena rola levanta a cabeça, e oferece as suas florzinhas.  Todas são entregues à mamãe e, para a oferta de cada flor, ela conta uma história que ela mesma inventou.
– Esta aqui, tão azul e grande, é uma estrela que desceu do céu para trazer o beijo do Senhor para a mamãe.

Aqui está: esta florzinha celeste, beija-a bem aí no coração, e perceberás que ela tem o sabor de Deus.
Agora, esta outra, que é de um azul mais pálido, como são os olhos do papai, tem gravado nas folhas que o Senhor quer muito bem ao papai, porque ele é bom.
E esta aqui, tão pequenina, a única pequena que eu achei (é um miosótis), é a que o Senhor fez para dizer a Maria que lhe quer bem.
Estas vermelhas, sabe a mamãe o que são? São os pedaços da veste do rei Davi, molhadas no sangue dos inimigos de Israel, e semeadas nos campos de luta e de vitória. Nasceram das fímbrias da heróica veste real, rasgada na luta pelo Senhor.
Mas esta aqui, tão branca e graciosa, que parece formada com sete taças de seda que olham para o céu, cheias de perfume, nasceu lá perto da fonte (foi papai que a apanhou entre os espinhos) -Foi feita com a veste de Salomão, quando, no mês em que sua netinha tinha nascido, há tantos anos (Oh! quantos, quantos anos antes) na pompa da alvura de suas vestes, Salomão caminhou pelo meio da *multidão de Israel, diante da Arca e do Tabernáculo, alegrando-se pela nuvem que voltou a circundar a glória do Senhor, cantando o cântico e a oração de sua alegria.

Eu quero ser sempre como esta flor, e, como o sábio rei, eu quero cantar, por toda a vida, cânticos e orações diante do Tabernáculo – e aí cessa de falar a pequena boca de Maria.
– Meu bem, como sabes estas coisas santas? Quem é que as diz a ti? O teu pai? – Não. Não sei quem é. Parece que eu as soube desde sempre. Mas talvez seja alguém que eu não vejo, e que as diz a mim, talvez um dos Anjos que Deus manda vir falar aos homens que são bons. Mamãe, me contas outras coisas?…

– Oh! Minha filha! Sobre que fato queres saber?
Maria fica pensando; séria e recolhida como estava, que bom teria sido que se tivesse feito o seu retrato naquela posição, para perpetuar aquela sua expressão. Sobre o rostinho infantil se refletem as sombras de seus pensamentos. Sorrisos e suspiros, raios de sol e sombras de nuvens, pensando na história de Israel. Depois ela escolhe:
– Conta-me aquela passagem de Gabriel falando a Daniel, na qual o Cristo foi prometido.

E ela fica escutando, de olhos fechados, repetindo devagar as palavras que a mãe vai dizendo, como para se lembrar melhor delas. Quando Ana termina, Maria lhe pergunta:
– Quanto falta ainda para o Emanuel chegar?
– Cerca de trinta anos, querida.
– Mas, quanto tempo ainda falta! Nesse tempo, eu estarei no Templo… Diz-me, se eu rezasse muito, muito, muito, dia e noite, noite e dia, e quisesse ser só de Deus durante toda a vida, só para este fim, o Eterno não me faria a graça de dar o Messias ao seu povo antes disso?
– Não sei, querida. O Profeta diz “setenta semanas”. Creio que a profecia não erra. Mas o Senhor é tão bom – Ana se apressou em acrescentar estas palavras, ao ver que se marejavam de lágrimas os cílios de ouro da sua menina – que eu creio que, se rezares muito, muito, muito, Ele te atenderá.
O sorriso volta ao rostinho, que está levemente erguido para a mãe, e um raiozinho de sol está passando por entre duas folhas da videira, fazendo brilhar as lágrimas do pranto, que já cessou, como se tivessem sido apenas gotinhas de orvalho pendentes de finos caules do musgo dos Alpes.
– Então, eu rezarei e me farei virgem para isso.
– Mas, sabes o que significa o que estás dizendo?
– Quer dizer não conhecer o amor de homem, mas só o de Deus. Quer dizer não ter outro pensamento, senão no Senhor. Quer dizer permanecer menina na carne, e anjo no coração. Quer dizer não ter olhos para outra coisa, mas só para olhar a Deus, ouvidos só para ouvi-lo, boca para louvá-lo, mãos para oferecer-lhe hóstias, pés velozes para segui-lo, coração e vida para doar a Ele.
– Bendita és tu! Mas, então, não terás filhos, tu, que gostas tanto das crianças, dos cordeirinhos e das pombinhas… Sabes de uma coisa? Um filho para uma mulher é como um cordeirinho branco e todo encaracolado, é como uma pequena pomba, com penas sedosas, boca cor-de-coral, que pode ser amado, beijado, e ouvi-lo dizer: “Mamãe! “

– Não importa. Eu serei de Deus. No Templo rezarei. E talvez um dia eu verei o Emanuel. A virgem, que vai ser a mãe dele, como diz o grande Profeta, já deve ter nascido, e já deve estar no Templo… Eu vou ser companheira dela… e sua serva… Oh! Sim! Se, por meio da luz de Deus, eu a puder conhecer, eu quereria ser serva dela, daquela Virgem bem-aventurada! E, depois, ela traria o Filho a mim, e me levaria ao seu Filho, e eu serviria a Ele também. Pensa nisto mamãe!… Eu, servindo ao Messias!!… – Maria está dominada por este pensamento, que a sublima e a aniquila, ao mesmo tempo. Com suas mãozinhas cruzadas sobre o pequeno peito, com a cabecinha um pouco inclinada para a frente, e tomada pela emoção, ela parece já uma reprodução infantil da “Anunciação” que eu vi. Ela * retoma o assunto:

– Mas será que o Rei de Israel, o Ungido de Deus, me permitirá que eu o sirva?
– Disso não tenhas dúvidas! Pois, não diz o rei Salomão: “Sessenta são as rainhas, oitenta as outras mulheres, e as pequeninas serão sem número”? Vê como no Palácio do Rei serão sem número as meninas virgens que servirão ao seu Senhor.

– Oh! Estás vendo agora como devo ser virgem? Eu devo. Se Ele por mãe quer uma virgem, isso é sinal de que ele ama a virgindade, sobre todas as coisas. Eu quero que me ame, como sua serva, pela minha virgindade, que me vai tornar um pouco semelhante à sua mãe querida… Isto eu quero… Queria também ser pecadora, muito pecadora, se eu não temesse ofender ao Senhor…Diz-me, mamãe: pode-se ser pecadora por amor de Deus?

– Mas, que é isso que estás dizendo, meu tesouro? Eu não te estou compreendendo.
– Eu quero dizer: pecar, para poder ser amada por Deus, que se torna nosso Salvador. Salva-se quem se perdeu. Não é verdade? Eu quereria ser salva pelo Salvador, para ter o seu olhar de amor. Por isso, queria pecar, mas não fazer pecado que desgoste a ele. Como é que ele pode salvar-me, se eu não me perco?

Ana fica atordoada. Não sabe mais o que dizer.
Mas o socorro vem de Joaquim, que acabou de chegar, caminhando sobre a grama. Por trás da sebe de arbustos baixos, ele tinha se aproximado, sem fazer barulho.
– Ele te salvou antes, porque sabe que tu o amas, e queres amar somente a Ele. Por isso tu já estás redimida, e podes ser virgem como quiseres – diz Joaquim.
– É verdade, meu pai? – Maria se abraça aos joelhos do pai e olha para ele com as claras estrelas, que são os seus olhos, semelhantes aos do pai, e tão felizes por esta esperança que ele lhe está dando.

– É verdade, pequeno amor. Olha. Eu vinha te trazendo este passarinho, que tinha acabado de dar o seu primeiro vôo perto da fonte. Eu teria podido abandoná-lo, mas suas asas e suas perninhas, ainda fracas, não tinham forças para levantá-lo e sustentá-lo em um novo vôo, nem para conservá-lo firme sobre as pedras cobertas de musgo escorregadio. Ele teria caído n’água. Mas eu não fiquei esperando que isso acontecesse. Peguei-o, e o trouxe para ti. Com ele farás o que quiseres.
O fato é que ele foi salvo, antes de cair no perigo. Pois foi isso mesmo que Deus fez contigo.

Agora, diz-me, Maria: achas que eu amei mais ao pássaro, salvando-o, antes dele cair no perigo, ou eu o teria amado mais, se o salvasse depois?
– Assim é que o amaste mais, pois não deixaste que ele se machucasse, caindo na água gelada.
– Deus te amou mais, porque te salvou, antes que tivesses pecado.
– Então, eu também o amarei inteiramente. De todo o coração. Passarinho lindo, eu sou como tu. O Senhor nos amou de modo igual, dando-nos a salvação. Agora eu vou te criar, e depois te deixarei ir embora. E tu cantarás no bosque, e eu no Templo os louvores de Deus, e nós diremos: “Envia, envia o teu Prometido aos que o estão esperando”. Oh! Meu papai! Quando me levarás ao Templo?
– Dentro em breve, minha pérola. Mas, não ficarás triste por ter que deixar o teu pai?
– Muito. Mas tu irás lá… e, além disso, se não se ficasse um pouco triste, que sacrifício haveria?
– E tu te lembrarás de nós?
– Sempre. Depois da oração para que venha o Emanuel, rezarei por vós. Que Deus vos dê alegria e uma longa vida… até o dia no qual Ele será Salvador. Depois, eu direi a Ele que vos tome consigo, e vos leve para a Jerusalém Celeste.
A visão termina para mim com Maria estreitada nos lagos do abraço paterno.

Jesus diz: 
“Já estou ouvindo os comentários dos doutores, em suas ironias maliciosas, dizendo: “Como é que pode uma menina, que não tem ainda nem três anos, falar coisas assim? Isso é um exagero”. E não refletem que me tornam monstruoso, alterando a minha infância, atribuindo-me atos de adulto.
A inteligência não se manifesta em todos do mesmo modo e na mesma idade. A Igreja marcou a idade de seis anos como a idade em que começa a responsabilidade das ações, porque essa é a idade na qual até um retardado é capaz de distinguir o bem do mal, pelo menos de modo rudimentar.

Mas há crianças que muito antes são capazes de discernir, entender e querer, usando de uma razão já suficientemente desenvolvida. A pequena Imelde Lambertini, Rosa de Viterbo, Nellie Organ, Nennolina, vos sirvam de base, ó doutores difíceis, para crerdes que minha mãe podia pensar e falar assim. Não citei mais do que quatro nomes por acaso, no meio de milhares de santas crianças que povoam o meu Paraíso, depois de terem raciocinado como adultos sobre a terra, umas com mais, outras com menos idade.

Qual é a razão? Um dom de Deus. Portanto, Deus o pode dar na medida que quiser, a quem
quiser e quando quiser. A razão é uma das coisas que mais vos tornam semelhantes a Deus, Espírito inteligente e raciocinante. A razão e a inteligência foram graças dadas por Deus ao homem no Paraíso terrestre. Quanto elas eram vivas, junto com a graça ainda intacta, operando no espírito de nossos dois Primeiros Pais!
*No livro de Jesus Bar Sirac está escrito: “Toda sabedoria vem do Senhor Deus, e sempre esteve com Ele, mesmo antes dos séculos”. Quanta sabedoria teriam, então, os homens, se tivessem permanecido filhos de Deus?

As lacunas em vossas inteligências são o fruto natural do vosso decaimento da graça e da honestidade. Perdendo a Graça, vós vos afastastes, por séculos, da Sabedoria. Como os meteoros, que se escondem atrás de uma nebulosidade de muitos quilômetros, a Sabedoria não chegou mais até vós com os seus nítidos fulgores, mas somente através de um nevoeiro, que as vossas prevaricações foram tornando cada vez mais graves.

Depois veio o Cristo, e vos deu a Graça, dom supremo do amor de Deus. Mas, vós sabeis guardar esta gema tão límpida e pura? Não. Quando não a destruis com a vossa vontade individual de pecado, a sujais com contínuas culpas menores, as vossas fraquezas, as vossas simpatias para com o vício, e também aquelas simpatias que não chegam ainda a ser verdadeiros casamentos com o vício septiforme, mas, são um enfraquecimento da luz da Graça e de sua atividade.

Depois, tivestes séculos e séculos de corrupções, para enfraquecer ainda mais a magnífica luz da inteligência que Deus havia dado aos Primeiros, corrupções que se repercutem como nocivas sobre o físico e sobre a mente.
Maria porém era não somente a Pura, a nova Eva, criada de novo para a alegria de Deus: era a super-Eva, a Obra-Prima do Altíssimo, a cheia de graça, a mãe do Verbo na mente de Deus.

“O Verbo é a Fonte da Sabedoria”, diz Jesus Ben Sirac no livro do Eclesiástico. O Filho, então, não terá posto a sua sabedoria sobre os lábios da própria mãe?
Se a um profeta foi-lhe purificada a boca com carvões ardentes, porque devia dizer aos homens as palavras que o Verbo, a Sabedoria, lhe confiava, não terá o Amor à sua esposa ainda menina, mas que um dia iria trazer em si a Palavra, a linguagem limpa e exaltada, não terá este Amor feito com que ela não falasse mais como menina, nem mais tarde, como mulher, mas somente e sempre como uma criatura celeste, unida à grande luz e sabedoria de Deus?

O milagre não está em uma inteligência superior, demonstrada por Maria em sua idade infantil, como depois aconteceu Comigo. Mas o milagre está em poder conter em si a Inteligência infinita, que nela habitava, dentro dos diques preparados para não assombrar as multidões e não despertar a atenção satânica.
Ainda voltarei a falar sobre este assunto, que reaparece sempre naquele “lembrar-se” de Deus, que é próprio dos Santos”.

CAPÍTULO 5
INTELIGÊNCIAS QUE ME DEU O ALTÍSSIMO SOBRE A SAGRADA ESCRITURA, EM CONFIRMAÇÃO DO CAPÍTULO PRECEDENTE.
Capítulo 8 dos Provérbios

52. Ainda que seja pó e cinza (Gn 18,17) falarei, Senhor, à tua grande Majestade, pois és o Deus das misericórdias.
Suplicarei à tua incompreensível grandeza que olhes de teu altíssimo trono a esta vilíssima e inútil criatura, e me sejas propício, continuando com tua luz a iluminar meu entendimento. Fala, Senhor, que tua serva ouve (lRs 3, 10).
Falou então o Altíssimo, emendador dos sábios (Sb 7,15) e remeteu-me ao capítulo oitavo dos Provérbios, dando-me inteligência do mistério nele contido. Primeiro foi-me declarada a letra,
simplesmente, como segue:
53. "O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, desde o princípio, antes que criasse coisa alguma.
Desde a eternidade fui constituída, e desde o princípio, antes que a terra fosse criada. Ainda não havia os abismos, e eu já estava concebida; ainda as fontes das águas não tinham brotado; ainda não se tinham assentado os montes sobre a sua pesada massa, antes de haver outeiros eu tinha já nascido. Ainda Ele não tinha criado a terra nem os rios, nem os eixos do mundo. Quando Ele preparava os céus, eu estava presente, quando por uma lei inviolável, encerrava os abismos dentro dos seus limites; quando firmava lá no alto a região etérea, e quando equilibrava as fontes das águas, quando circunscrevia ao mar o seu termo, e punha lei às águas, para que não passassem os seus limites; quando assentava os fundamentos da terra, eu estava com Ele,
regulando todas as coisas e cada dia me deleitava, brincando sobre o globo da terra e achando as minhas delícias em estar com os filhos dos homens " (Pr 8,22¬30).

Cristo e Maria pertencem só a Deus
54. Até aqui o trecho dos Provérbios, cuja inteligência recebi do Altíssimo. Primeiro entendi que trata das idéias ou decretos que Deus formou em sua mente divina antes de criar o mundo.
Em sentido literal fala da pessoa do Verbo humanado e de sua Mãe Santíssima.
No místico refere-se aos santos anjos e profetas porque antes de fazer decreto e formar idéias para criar o resto das criaturas materiais, teve-as para decretar a humanidade santíssima de Cristo e de sua Mãe puríssima. Isto significam as primeiras palavras que seguem:

55. "O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos." Em Deus não houve caminhos, nem deles necessitava a divindade. Abriu-os para nós, criaturas capazes de seu conhecimento, a fim de irmos a Ele para O conhecer e possuir.
Neste princípio, antes de idear qualquer outra coisa, e quando queria fazer sendas e abrir caminhos em sua mente divina, para comunicar sua divindade, decretou criar primeiro a humanidade do Verbo, que seria o caminho por onde os demais iriam ao Pai (Jo 14,6). Junto a este decreto esteve o da criação de sua Mãe Santíssima. Por ela sua divindade viria ao mundo e dela nasceria Deus e Homem.
Por isto diz: "Deus me possuiu" (v. 22). Possuiu a ambos: ao Filho, quanto à divindade porque era possessão e tesouro do Pai, sem dele se poder separar, visto serem com o Espírito Santo uma única substância e divindade. Possuiu-o, também, quanto à humanidade pela plenitude da graça e glória que lhe daria desde a criação e união hipostática.
Este decreto e possessão seria executado por meio da Mãe que conceberia c daria à luz ao Verbo feito homem, pois não determinou criá-lo do nada, nem de outra matéria seu corpo e alma.
Em conseqüência, seria possuidor daquela que lhe daria forma humana.
Assim possuiu-a e adjudicou-a para si naquele mesmo instante, querendo eficazmente que, quanto à graça, em nenhum tempo nem momento, tivesse direito c parte nela nem a linhagem humana nem qualquer outra.
Reservou esta propriedade somente para si. Foi tão unicamente sua como devia sê-lo para lhe dar forma humana de sua própria substância. Somente Ela chamá-lo-ia Filho, somente Ele chamá-la-ia Mãe e Mãe digna de ter a Deus por Filho, quando Ele se fizesse homem. Como em dignidade isto precedia a toda a criação, assim também precedeu na vontade e mente do supremo Criador. Por isto diz:

Cristo e Maria precederam toda a criação

56. Desde a eternidade fui constituída, e das coisas antigas, etc. (v. 23).
Nesta eternidade de Deus, que nós agora concebemos imaginando tempo interminável, quais eram as coisas antigas, se nada havia sido criado? Claro está que a Escritura se refere às três Pessoas divinas, únicas coisas antigas, pois tudo o mais que tem princípio é novo.
Desde a divindade sem princípio da indivídua Trindade, houve aquela ordenação, precedida apenas do antigo incriado, antes de ser imaginada a futura criação. Entre estes dois extremos houve o meio da união hipostática, que se realizaria através da Virgem Santíssima. Encarnação e Maria foram ordenadas imediatamente depois de Deus, antes de qualquer outra criatura. Foi esta a mais estupenda ordenação que jamais se fez, ou se fará.
A primeira e mais admirável imagem da mente divina, depois da geração eterna, foi a de Cristo e logo em seguida a de sua Mãe.

Cristo e Maria, princípio das obras de Deus
57. Que ordem em Deus pode ser esta, se nele a ordem é estar tudo junto, sem ser necessário que as coisas se sucedam entre si, nem para uma se aperfeiçoar aguardar a perfeição da outra? Tudo estava, está e estará sempre ordenadíssimo em sua eterna natureza. O que ordenou foi que a pessoa do Filho se humanasse, e desta humanidade deificada começasse a ordem da vontade divina na execução de seus decretos.

O Filho de Deus seria cabeça e protótipo de todos os demais homens e criaturas, a quem todos se referissem e subordinassem. Esta era a melhor ordem e disposição da harmonia das criaturas: haver um ser que fosse primeiro e superior, e a partir dele se ordenasse toda a natureza, em particular, a dos homens. Entre estes, a primeira era a Mãe do Homem-Deus, suprema pura criatura, a mais próxima de Cristo e, por Ele, da divindade.
Por esta ordem foram orientados os canais da fonte cristalina. Do trono da divina natureza correm, primeiro para a humanidade do Verbo (Ap 22, 1), e em seguida para sua Mãe Santíssima, no grau e modo possível à pura criatura, e conveniente à criatura Mãe do Criador.
O conveniente era que nela se estreassem todos os divinos atributos, sem lhe ser negado nenhum, e na medida de sua capacidade. Seria inferior somente a Cristo, e superior em incomparáveis graus de graça, a todo o resto das criaturas. Esta foi a ordem tão bem disposta pela Sabedoria: tudo começar por Cristo e sua Mãe.

Acrescenta o texto:

MARIA NA MENTE DIVINA

58. Antes que a terra fosse criada e que existissem os abismos eu já estava concebida (v. 24).
Esta terra foi a do primeiro Adão. Antes que sua formação fosse decretada na mente divina, e que existissem o abismo da idéias ad extra, já estavam, Cristo e sua Mãe, ideados e formados.
Chamam-se abismos porque entre o ser de Deus incriado e o das criaturas criadas a distância é infinita. Esta distância, a nosso modo de entender, surgiu quando as criaturas foram ideadas e formadas, e então apareceram também aqueles abismos de distância imensa.
Antes de tudo isso, já estava concebido o Verbo, não somente pela eterna geração do Pai, como também por estar decretada e concebida na mente divina, a sua geração temporal de mãe virgem e cheia de graça. Sem mãe, e tal mãe, esta geração temporal não poderia ser determinada com eficaz decreto.
Ali, portanto, naquela imensidade beatífica, foi concebida Maria Santíssima. Sua memória eterna foi gravada no peito divino, para jamais se apagar por todos os séculos e eternidades. O supremo Artífice imprimiu-a em sua própria mente, e seu amor dela tomou posse num incomparável amplexo.

Deus, antes de se comunicar
59. Ainda não haviam brotado as fontes das águas (v. 24) Ainda não haviam saído de sua origem e princípio, as imagens ou idéias das criaturas. Ainda não começara a jorrar, pelos canais da bondade e misericórdia, as fontes da Divindade, para a vontade divina operar a criação universal e comunicar seus atributos e perfeições.
Em relação ao restante do universo, ainda estavam as águas e mananciais represados e detidos no imenso pélago da Divindade. Em seu ser ainda não havia fontes nem correntes para se comunicar. E, antes de serem dirigidas aos homens, já estavam orientadas para a humanidade santíssima de Cristo e sua Virgem Mãe. E assim acrescenta:

Cristo e Maria, antes de todos os anjos e santos

60. Nem os montes se tinham assentado sobre a sua pesada massa (v. 25) Deus não havia ainda decretado a criação dos altos montes dos patriarcas, profetas, apóstolos, mártires e demais santos de maior perfeição. O decreto de tão grande resolução não se havia assentado com seu grave peso e eqüidade, no forte (Sb 8,1) e suave modo que Deus emprega para realizar seus desígnios e grandes obras.
Não somente era nascida antes dos montes, os grandes santos, mas também antes dos outeiros, as ordens dos santos anjos. Precedia-os na mente divina a Humanidade santíssima, unida
hipostaticamente ao Verbo divino, e a Mãe que a engendrou. Filho e Mãe existiram antes do que todas as hierarquias angélicas.
Se David disse no Salmo 8: "Senhor, quem é o homem, ou o filho do homem para dele te lembrares e o visitares? Fizeste-o pouco menor que os anjos, etc." (v.5)-deve-se entender que existe um homem que é Deus também, acima de todos os homens e anjos que lhe são inferiores e servos. Por ser Deus é um homem superno, e como tal existiu primeiro que todos na mente e vontade divina. Inseparavelmente unida a Ele, existiu também naquele mesmo princípio, uma mulher, virgem puríssima, sua Mãe, superior a todas as criaturas e delas rainha.

superno adjetivo  -mais alto, mais elevado; superior, supremo, soberano, muito elevado; altíssimo.
61. "Se o homem - continua o mesmo salmo (idem, v. 6) - foi coroado de honra e glória e constituído sobre todas as obras da mão do Senhor, deveu-o ao Homem Deus, sua cabeça, que mereceu esta coroa, tanto para eles como para os Anjos.

Se o salmo coloca o homem abaixo dos anjos, também acrescenta que ele foi posto acima de todas as obras de Deus. Assim, David tudo incluiu no dizer que os homens foram feitos pouco menores que os anjos. Ainda que inferiores pela natureza, um dentre eles, Cristo, é homem superior e constituído sobre os mesmos anjos. Esta superioridade provinha do ser da graça, não apenas da sua divindade, mas também de sua humanidade, por causa da graça que a união hipostática nela derramou, e que em seguida redundou em sua Mãe Santíssima.
Além de tudo isto, também alguns santos da natureza humana, por graça do mesmo Senhor humanado, podem alcançar grau e posição superior aos dos anjos.

Cristo e Maria idealizados por Deus
62. Fui engendrada ou nascida (v. 25), o que significa mais que concebida.
Ser concebida refere-se ao divino entendimento da beatíssima Trindade ao idear, e como que refletir, sobre as conveniências da encarnação. Ser nascida refere-se à sua vontade, que determinou no divino consistório a realização desta obra, executando, por assim dizer em si mesma, esta maravilha da união hipostática e da pessoa de Maria santíssima.
Por isso, neste capítulo diz primeiro que foi concebida e depois engendrada e nascida: porque antes foi ideada e em seguida decretada.
Cristo e Maria precedem qualquer ' previsão do pecado 63. Antes que a terra fosse criada, os rios e os eixos do mundo (v. 26). Neste trecho fala-se sobre duas terras. A primeira terra era a do campo damasceno, onde o homem foi criado. A segunda terra era o paraíso terreal, onde logo depois foi colocado (Gn 2, 8-15). Antes de formar esta segunda terra onde o homem pecou, foi determinada a criação da humanidade do Verbo e a matéria da qual se formaria a Virgem. Deus queria preservá-la antecipadamente, para não ter parte no pecado nem a ele ficar sujeita.
Os rios e os eixos do orbe são a igreja militante, e os tesouros de graças e dons que impetuosamente dimanariam do manancial da divindade. Seriam para todos em geral, e mais eficazes para os santos e escolhidos, que semelhantes a eixos movem-se em Deus, presos ao seu querer pelas virtudes da fé, esperança e caridade.

Vivendo entre os homens, sem se afastar dos eixos em que se apoiam, se sustentam e se governam, caminhando para o sumo Bem e último fim. São também significados aqui os sacramentos (Ef 5, 27) e a estrutura da Igreja: sua proteção, firmeza invencível, formosura e santidade sem mancha nem ruga. Tudo isto está figurado naquele orbe e correntes de graças. Antes que o
Altíssimo preparasse e ordenasse este orbe e corpo místico de quem Cristo, nosso Bem, seria cabeça, decretou a união do Verbo à natureza humana, e a criação de sua Mãe, por cujo meio e cooperação realizaria estas maravilhas no mundo.

Cristo e Maria, causas da glória

64. Quando preparava os céus, Eu estava presente (v. 27). Quando preparava o céu e recompensa que aos justos, filhos desta Igreja, daria depois de seu desterro, ali estava a humanidade unida ao Verbo, merecendo-lhes a graça, como cabeça, e com Ele sua Mãe Santíssima. Porque para eles fôra preparada a glória, dela receberiam a principal medida, e em seguida, seria para os demais santos.

Encarnação e Eucaristia
65. Quando com lei inviolável cercava os abismos dentro de seus limites (v. 27). Determinava cercar os abismos de sua divindade na pessoa do Filho, com lei certa e limites, de modo que nenhum vivente pudesse vê-lo nem contê-lo. Traçava o círculo e circunferência, onde ninguém pôde nem pode entrar, senão o Verbo, que a si, unicamente pode compreender, para apequenar-se (Fl 2, 7) encerrando a divindade na humanidade.
Depois enclausurando a divindade e a humanidade no seio de Maria Santíssima e no peito mesquinho do homem pecador e mortal, pela minúscula porção das espécies eucarísticas de pão e vinho.
Tudo isto significa aqueles abismos, circunferências, limite e lei que chama certa, pelo muito que significam e pela certeza do que parecia impossível: que a divindade se sujeitasse a leis, e se encerrasse em determinados limites. Tornou-o possível a sabedoria e poder do Senhor, escondendo-se em coisa finita.

Cristo e Maria, fontes da graça
66. Quando firmava os céus no alto e equilibrava as fontes das águas; quando circunscrevia ao mar o seu termo e punha lei às águas para que não passassem os seus limites (v. 28-29).
Aos justos chama céus, pela habitação que Deus neles estabelece mediante a graça. Por ela dá-lhes estabilidade e firmeza, eleva-os espiritualmente acima da terra, ainda enquanto são viadoras, conforme a capacidade de cada um. Depois, na Jerusalém celestial, lhes dará lugar e recompensa segundo seus merecimentos.
Para eles pesa e divide as fontes das águas, distribuindo a cada qual com justiça e medida, os dons da graça e da glória, as virtudes, auxílios e perfeições, de acordo com os desígnios de sua divina sabedoria.
Ao ser determinada esta divisão de águas, decretou-se dar à humanidade unida ao Verbo, todo o mar de dons e graças que da divindade lhe redundava, como Unigênito do Pai. Ainda que tudo aí era infinito, pôs a este mar o termo de sua humanidade, onde habita a plenitude da divindade (Cl 2,9). Por aquele termo esteve ela encoberta trinta e três anos, a fim de poder habitar com os homens (Mt 17,6) e não suceder a todos o mesmo que aconteceu aos três apóstolos no Tabor.
No mesmo instante em que todo esse mar e fontes de graças tocaram em Cristo Senhor nosso, como imediato à divindade, transbordaram em sua Mãe Santíssima, como imediata a seu Filho Unigênito. Sem Mãe e tal Mãe, não se disporiam com ordem e suma perfeição os dons de seu Filho. Faltaria este fundamento para a admirável harmonia da estrutura celestial e espiritual, e a distribuição das graças à Igreja militante e triunfante.

Tudo foi feito para o Verbo e sua Mãe
67. Quando assentava os fundamentos da terra, Eu estava com Ele regulando todas as coisas (v. 29).
As obras ad extra são comuns às três divinas pessoas que são um só Deus, uma só sabedoria e poder. Era pois, necessário, e inescusável que o Verbo pelo qual, segundo a divindade, foram feitas todas as coisas, (Jo 1, 3) estivesse com o Pai para fazê-las.

Entretanto aqui diz mais, porque também o Verbo humanado e sua Mãe Santíssima estavam já presentes na divina vontade. Assim como, pelo Verbo, enquanto Deus, foram feitas todas as coisas, assim também para Ele, em primeiro lugar, como para o mais nobre e digníssimo fim, foram criados os fundamentos da terra e tudo quanto nela se contém. E por isso diz:

As alegrias do Verbo
68. E cada dia me deleitava, brincando em sua presença em todo o tempo, brincando sobre o globo da terra (v. 30).
Alegrava-se o Verbo humanado todos os dias, porque conheceu todos os séculos de existência dos mortais, que comparados à eternidade, não são mais que um breve dia (SI 89, 4). Alegrava-se porque a seqüência da criação teria fim, e terminado o último diaos homens gozariam com toda a perfeição, da graça e coroa da glória. Deleitava-se como a contar os dias até aquele em que desceria à terra e vestiria carne humana.

Conhecia que os pensamentos e obras dos homens terrenos são como brinquedo, engano e ilusão. Via os justos que, apesar de fracos e limitados, eram aptos para que a eles fossem comunicadas e manifestadas sua glória e perfeições. Via seu ser imutável e a pequenez dos homens, e como havia de se tornar semelhante a eles.
Deleitava-se em suas próprias obras, particularmente nas que dispunha para sua Mãe Santíssima, de quem lhe era tão agradável tomar forma humana, fazendo-a digna de obra tão admirável.
Estes eram os dias em que se deleitava o Verbo humanado. E, porque, ao conceber e idear todas estas obras, e ao decreto eficaz da divina vontade seguia-se a execução, acrescentou o Verbo divino:

O deleite de servir
69. E minhas delícias são estar com os filhos dos homens (v. 31). Meu deleite é trabalhar por eles e beneficiá-los; minha alegria, morrer por eles. Meu contentamento, ser seu mestre e redentor;
minhas delícias, elevar do pó o pobre e unir-me com o humilde, (SI 112, 7; Fl 2,1,7,8) abaixando para isto minha divindade, cobrindo-a e escondendo-a sob a natureza humana.
Diminuir-se e humilhar-se, suspender a glória de seu corpo fazendo-se passível para lhes merecer a amizade de seu Pai, sendo mediador entre sua justíssima indignação e a malícia dos homens; ser modelo e chefe a quem possam imitar e seguir: - estas são as delícias do Verbo eterno humanado.

Inconsciência humana
70. Oh! bondade incompreensível e eterna, quão admirada e suspensa fico, vendo a imensidade de vosso ser imutável, comparado com a pequenez do Homem! E, entre extremos tão distantes, o vosso infinito amor pela criatura não só pequena, mas ainda ingrata!
Em que objeto tão baixo e vil pondes Senhor vossos olhos, e em que objeto tão nobre, podia e devia o homem pôr os olhos e os afetos, conhecendo tão grande mistério! Suspensa pela admiração e ternura de meu coração, lamento-me da infelicidade, trevas e cegueira dos mortais.
Não se dispõem para saber quão de longe começastes Senhor, a conhecê-los e preparar-lhes a verdadeira felicidade com tal cuidado e amor, como se a vossa consistisse na deles!

Onisciência divina

71. Ab initio o Senhor teve presentes em sua mente as criaturas e a disposição em que seriam criadas. Contou as e pesou-as com sua eqüidade e retidão. Como está escrito na Sabedoria
(7, 18s.) conheceu a ordem do universo antes de o criar. O princípio, meio e fim dos tempos, suas mudanças, curso dos anos, disposição das estrelas, energia dos elementos, natureza dos animais, ira das feras, força dos ventos, diferença das plantas, propriedade das raízes, pensamentos dos homens. Tudo pesou e contou (Sb 11, 21) e não somente isto, que literalmente se entende das criaturas materiais e racionais, mas ainda todas as outras, que misticamente são por elas representadas, às quais não me refiro agora por não pertencer ao meu assunto.


MEDITAÇÃO
PEDE GRAÇAS PARA A MÃE.

Tendo recebido a bênção paterna e ouvido o consentimento divino para a minha vinda ao mundo, supliquei ao Pai se dignasse dar alguma remuneração a muito dileta Mãe pelo agasalho tão grato que me dera em suas vísceras durante nove meses. Meu Pai condescendeu com todo amor e benignidade a este pedido e raptando minha Mãe num sublime êxtase, fê-la ver e contemplar a divindade com todas as perfeições, regendo-a com seu poder, a fim de que sua alma não se tornasse gloriosa e beata e fosse em seguida capaz de retornar ao uso dos próprios sentidos. Esta visão beatífica foi de um modo admirável e nela permaneceu a alma de minha Mãe cumulada de maior graça e perfeição. Disse ainda meu Pai que ela pedisse o que desejasse por ter-me abrigado a mim, seu dileto e único Filho!

Humilhando-se a Mãe com a mais profunda humildade, respondeu — que tudo o que nela havia, era dom dele; por isso não lhe era devida recompensa alguma; mas visto que a liberalidade divina se mostrava tão generosa e pródiga para com ela em suas graças, desejava tanta graça e virtude que pudesse imitar perfeitamente o Verbo humanado, seu Filho, e sofresse em sua pessoa todos os padecimentos que seu Filho teria de sofrer pela salvação do gênero humano, e que lhe desse virtude e constância para resistir com fortaleza a todos os golpes da espada que sabia dever traspassar-lhe a alma e o coração. Tudo isso aprouve à dileta Mãe e com humilde afeto agradeceu de novo ao Pai eterno a graça tão grande que lhe concedera ao dignar-se elegê-la para Mãe de seu Filho Unigênito. Agradeceu-lhe por tê-la favorecido, dando-lhe a graça de abrigá-lo em seu seio por nove meses, e por todas as graças a ela conferidas durante esse tempo. Ofereceu-se de novo e entregou-se inteiramente a ele, declarando querer em tudo cumprir o divino beneplácito. Pediu-lhe a graça de criar seu querido Filho com toda a perfeição exigida pelo dever, isto é, de não ocasionar-lhe jamais, ao criá-lo, mínimo desgosto ou sofrimento. Em tudo isto atendeu-a o Pai.

SONHO MISTERIOSO DE JOSÉ.

Ao mesmo tempo em que minha Mãe estava neste admirável êxtase, José foi ainda surpreendido por um sonho, sonho misterioso, quase uma elevação da mente a Deus, contemplando os divinos mistérios e máxime aquele da Encarnação. Pedira isto ainda a meu Pai para remunerá-lo de todas as fadigas por causa do sustento de minha Mãe e, em conseqüência, também do meu, e sobretudo as angústias sofridas nas dúvidas pela gravidez de Maria, sua esposa puríssima, e as incomodidades da viagem, a pena ao ver-se de todos rejeitado e forçado a refugiar-se naquela vil cabana. Meu Pai remunerou o santo homem conferindo a sua alma uma nova graça e dons celestes.

NASCIMENTO DE JESUS.

Enquanto minha Mãe estava fruindo da divindade e José das divinas doçuras e consolações celestes, vim à luz e /111 nasci de modo admirável, deixando minha Mãe, Virgem puríssima e enriquecida de graça.  Tendo saído do útero virginal antes que minha dileta Mãe e José voltassem a si, adorei meu Pai com genuflexão profunda, no chão agradeci e ofereci-me a ele inteiramente. Depois , comecei a chorar. Ao penetrar minha voz no coração de Maria, recobrou-se do sublime êxtase e tendo recebido a bênção paterna voltou a si e genuflexa adorou-me. José, seu esposo, fez o mesmo. A mente humana não é capaz de compreender tão grande alegria que experimentaram no coração e na alma, especialmente a alegria de minha querida Mãe que esperava com desejo tão grande meu nascimento no mundo. Quantos atos de adoração, de homenagem, de oferta, de submissão fez ela e com que espírito, amor e cordialidade! E eu tudo recebi e ofereci a meu Pai. Fitava-a com os olhos corporais, mas muito mais a amava com o Coração e me comprazia nela.

EXPIAÇÃO E LÁGRIMAS.

Encontrando-me, esposa caríssima, estendi-do totenddoi-do na terra, humilhado, aniquilado, de todos abandonado e privado socorro humano, senti grande aflição. Chorava por ternura ao ver-me em tanta miséria e pobreza, gélido de frio, pois sentia-o muito sensivelmente, tanto mais nessa idade. Tudo isso ofereci ao Pai, com lágrimas, em satisfação dos pecados de todo o gênero humano, e, em particular de todas as delicadezas com as quais meus irmãos tratam o próprio corpo, não podendo suportar incomodidade alguma ou penúria não só do necessário, mas ainda do supérfluo. Adorado o Pai eterno, depois que sai do útero virginal, ofereci-lhe as adorações que lhe são tão gratas, também por parte de meus irmãos, especialmente dos recém-nascidos, incapazes de adorá-lo por estarem privados do uso da razão. Agradeci-lhe da parte de todos, visto que, nesta idade, não são capazes de fazê-lo. Meu Pai aceitou tudo com agrado, por parte de todos foi adorado, recebeu agradecimento, foi honrado de tal sorte que se eles morressem antes de chegar ao uso da razão, ou mesmo no primeiro instante de nascidos, ou tendo atingido a idade em que podem amar, louvar, adorar, agradecer a Deus e não o fazem por negligência ou malícia, não obstante, meu Pai continua sendo glorificado pelos atos que fiz por eles, sem excetuar sequer um só. E aquela glória que eu lhe prestei no primeiro instante de meu nascimento por todos, embora posteriormente se rebelem contra Ele, não poderia mais ser-lhe roubada. Encontrando-me, pois, deitado no chão em tanta miséria, comecei esposa caríssima, a chorar inconsolável, todos os pecados de meus irmãos, que já via desonrarem e desgostarem a meu Pai e via que sobre mim de-viam descarregar-se todos os flagelos para aplicar a cólera e a ira paternas, juntamente excitadas pela malícia dos homens. Dizia ao Pai: p "Pai muito amado! Eis meu corpo que veio ao mundo para prestar à justiça divina todas as satisfações que quiser de mim! Portanto, descarregai sobre mim os flagelos de vosso furor contra os pecadores! Estou pronto a dar todas as satisfações que vossa justiça reclamar de mim, contanto que os pecadores se convertam e vivam! Morra entre sofrimentos, contanto que eles se tornem dignos de viver eternamente convosco no reino que vim agora conquistar-lhes! Atendei, oh Pai, estes meus pedidos, e estas ofertas com rescritos de graça! Fazei que todas as criaturas de boa vontade se convertam para vós e glorifiquem eternamente a vossa misericórdia!" Meu divino Pai comprazia-se muito nestas minhas ofertas e aceitava-as com grande prazer, prometendo-me quanto lhe pedia.

 

JESUS NOS BRAÇOS DE MARIA.

Deitado ainda assim por terra, falei ao coração de minha querida Mãe, dizendo-lhe: "Mãe caríssima, levantai da terra e recebei em vossos braços o Unigênito Filho de Deus e fruto bendito de vosso ventre! Olhai-me e guar-dai-me como penhor do amor de um Deus para com o homem! Segurai-me como arras da Redenção humana! O trio cruel que sofro vença o receio de tocar-me, proveniente de vossa humildade. Supere o vosso amor materno a reverência e a submissão devidas a um Deus humanado! Apertai-me a vosso seio e subministrai-me o primeiro calor, aquele togo que arde em vosso peito, que foi criado por meu Pai antes do fogo material e que há de ser o primeiro a esquentar-me! Cobri-me com aqueles pobres panos que vosso amor soube ajustar para meu serviço e segurai-me em vossos braços, porque estou impaciente por estar separado de vós!" Por estas palavras interiores, como a dileta Mãe se inflamou em desejos de receber-me em seus braços e quanto amor elas lhe causaram! até que, arrebatada por um e outro, venceu o temor e a reverência para comigo, seu Deus, tomou-me nos braços e apertou-me ao peito como Filho. Melhor me aqueceu o fogo participado do amor divino do que o calor natural. Com que amor e júbilo de coração minha querida Mãe me recebeu nos castos braços pode-se deduzir do grande amor que dedicava a mim, seu Filho, da luz superior pela qual me reconhecia como seu verdadeiro Deus e do desejo veemente que lhe ardia no peito de abraçar-me, como seu Esposo. Então me disse do modo mais digno e excelente as palavras da esposa sagrada: "Encontrei aquele que minha alma ama. Segurei-o, e não o largarei" (Cant. 3:4). Não quer dizer que me havia perdido, mas que, oculto em suas entranhas, não havia podido a seu bel prazer contemplar-me e abraçar-me. Oh, esposa caríssima, quantas e quantas finezas o amor materno inventou para comigo, seu querido e amado Filho! Eu correspondia ainda com meu afeto à dileta Mãe, se bem que não lhe tirei quase nunca aquela reserva que imprimi em seu espírito de olhar-me como seu Deus e esta servia-lhe de ajuda, a fim de que não exalasse a alma entre tantas doçuras e consolações, enquanto admirava em mim afabilidade, amor e condescendência incomparáveis, que a arrebatavam e a faziam enlanguescer de amor, mas contemplava ao mesmo tempo a gravidade, a majestade e a reserva própria de um Deus. Esta despertava-lhe reverência e temor e moderava o amor, para que este não a privasse da vida, como teria sucedido sem tal moderação. Ofereci, pois, ao Pai todos os atos e afetos de minha dileta Mãe para comigo e os meus para com ela, os quais, sendo de duas pessoas a Ele tão caras e agradáveis, oh, muito lhe apraziam! Dizia-lhe: "Recebei amado Pai, estes mútuos afetos e obséquios que trocamos entre nós para vossa honra e glória, em lugar da ingratidão e faltas de amor que meus irmãos têm para convosco, especialmente aquelas que, com tanto desgosto vosso, Pai amoroso, os filhos têm aos pais e os pais aos filhos, chegando até mesmo a se odiarem e demonstrarem ódio uns aos outros em vez de amor". Tudo o Pai aceitava com agrado.

MEDITAÇÃO DO ESTUDO

Padre Guido Mottinelli, RCJ, no programa "Você pode ser feliz!", exibido no dia 1º de junho na Rede Século 21, nos apresenta a relação que há entre Santo Aníbal Maria Di Francia e a Serva de Deus Luísa Piccarreta. Pe. Guido comenta sobre o processo de beatificação de Luísa Piccarreta (aberto em 1994) e os perigos da tradução indiscriminada de seus escritos.
Assista na íntegra:
https://youtu.be/FiyQac4FZp0
Parte 2: https://youtu.be/fW51jjI4ebI
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12-9
Maio 12, 1917

Quem duvida do amor de Jesus o entristece.

(1) Não havendo vindo meu sempre amável Jesus e estando muito afligida, enquanto rezava um pensamento voou em minha mente: "A ti não veio jamais o pensamento de que te poderias perder?" Verdadeiramente jamais penso nisto, e fiquei um pouco surpreendida, mas o bom Jesus que me vigia em tudo, logo se moveu em meu interior e me disse:

(2) "Minha filha, estas são verdadeiras estranhezas e que afligem muito ao meu amor. Se uma filha diz a seu pai, não sou sua filha, não me dará parte de sua herança, não quer me dar o alimento, não quer me ter em casa, e se aflige e por isso se lamenta, o que diria o pobre pai? Estranha, esta filha é louca e com todo o amor lhe diria: "Então me diga, se não é minha filha, de quem é filha? Você vive sob meu teto, come na mesma mesa, te visto com as moedas ganhas com meus suores, se está doente te assisto e procuro os meios para te curar, por que duvida então que é minha filha?" Com mais razão Eu diria a quem duvida de meu amor e temia perder-se: "Como! Dou-te a minha carne por alimento, vives em tudo o que é meu, se estás doente curo-te com os sacramentos, se estás manchada te lavo com o meu sangue, posso dizer que estou quase à tua disposição, e tu duvidas? Quer me entristecer? Ou me diga então, você ama a algum outro? Reconhece a outro ser por pai? Quem diz que não é minha filha?"

Mas se nada disto existe, por que queres afligir-te e entristecer-me, não bastam as amarguras que me dão os demais, queres também tu pôr penas no meu coração?"

13-7
Junho 28, 1921

As almas que vivem no Divino Querer, o que faz Deus fazem elas. O verdadeiro reinar é não estar excluído de nenhuma coisa criada por Deus.

(1) Estava me colocando toda no Divino Querer e meu doce Jesus me disse:

(2) "Minha filha, as almas que vivem em meu Querer são o reflexo de todos e de tudo, e como refletem em tudo, por conseqüência recebem o reflexo de todos, e como minha Vontade é vida de tudo, elas em meu Querer correm a dar vida a tudo, Assim que também as coisas inanimadas e os vegetais recebem seus reflexos, e elas recebem o reflexo de tudo o criado, harmonizam no meu Querer com todas as coisas criadas por Mim, no meu Querer dão a todos, são amigas e irmãs com todos, e recebem amor e glória de todos. Meu Querer as torna inseparáveis, e por isso o que faço Eu o fazem elas, meu Querer não sabe fazer coisas diferentes de Mim. O reino de minha Vontade é reinar, por isso todas elas são rainhas, mas o verdadeiro reinar é não estar excluído de nenhuma coisa criada por Mim".

14-7
Fevereiro 26, 1922

Jesus nos cobriu de beleza na Redenção.

(1) Estava pensando no grande bem que o bendito Jesus nos fez com nos redimir, e Ele todo bondade me disse:

(2) "Minha filha, Eu criei a criatura bela, nobre, de origem eterna e divina, plena de felicidade e digna de Mim; o pecado a derrubou desta altura e a fez cair até o fundo, tirou-lhe a nobreza a deformou e a tornou a criatura mais infeliz, sem poder crescer, porque o pecado o impedia de crescer e a cobria de chagas, que só de vê-la era horror. Agora, minha Redenção resgatou a criatura da culpa, e minha humanidade não fez outra coisa que, como uma terna mãe com seu recém-nascido, que não podendo tomar outro alimento, para dar a vida a seu bebê, se abre o seio, põe a seu peito a sua criança, e do seu sangue transformado em leite fornece-lhe o alimento para lhe dar a vida. Mais do que mãe minha humanidade se fez abrir em Si mesma, a golpes de chicote, tantos orifícios, quase como tantos seios que faziam sair rios de sangue para fazer que meus filhos, colando-se a eles pudessem chupar o alimento para receber a vida e desenvolver seu crescimento, e com as minhas chagas cobria a sua deformidade, tornando-os mais belos do que no princípio; e, se os criei, fiz-lhes céus altíssimos e nobres, na Redenção os adornei riscando-os com as estrelas brilhantíssimas de minhas chagas para cobrir sua feiúra e torná-los mais belos; em suas chagas e deformidade Eu punha os diamantes, as pérolas, os brilhantes de minhas penas, para esconder todos os seus males e vesti-los com tal magnificência de superar o estado de sua origem, por isso com razão a Igreja diz: ́ Feliz culpa', porque pela culpa veio a Redenção, e minha humanidade não só os alimentou com seu sangue, não só os vestiu com sua mesma Pessoa e os adornou com sua mesma beleza, senão que meus seios estão sempre cheios para alimentar a meus filhos. Qual não será a condenação daqueles que não querem se apegar a elas para receber a vida e crescer, e para serem cobertos em sua deformidade?"

15-6
Fevereiro 13, 1923

O bem que leva o ser fiel e atento.

(1) Sentia-me muito aflita, e meu doce Jesus fazendo-se ver me disse:
(2) "Minha filha, coragem, sê-me fiel e atenta, porque a fidelidade e a atenção produzem a igualdade dos humores na alma, e nela formam um só humor e estabelecem a perfeita paz, e esta a torna dominadora, de modo que faz o que quer e chega onde quer. Especialmente para quem vive em meu Querer acontece como ao sol, não se muda jamais, um é seu ato, fazer sair de sua esfera luz e calor; não faz hoje uma coisa e amanhã outra, é sempre fiel e constante em fazer a mesma coisa, mas enquanto seu ato é um, À medida que este ato desce e toca a superfície da terra, quantos atos diversos não acontecem?

Quase inumeráveis: Se encontra a flor fechada, com o beijo de sua luz e com o calor a abre, dá-lhe a cor e o perfume; se encontra o fruto imaturo, o amadurece e lhe dá a doçura; se encontra os campos verdes, os torna dourados; se encontra o ar sujo, com o beijo da sua luz o purifica; em suma, a todas as coisas dá o que é necessário para a sua existência nesta terra, e para poder produzir a utilidade que as coisas contêm, como está estabelecido por Deus. Assim, o sol com sua fidelidade e com fazer sempre a mesma coisa, é o cumprimento da Vontade Divina sobre todas as coisas criadas. ¡Oh! , se o sol não fosse sempre igual em dar sua luz, quantas oscilações, quantas desordens haveria sobre a terra? E o homem não poderia fazer nenhum cálculo nem sobre seus campos, nem sobre suas plantas e diria: Se o sol não me manda sua luz e seu calor, não sei quando devo colher, nem quando amadurecerão os frutos'. Assim acontece para a alma fiel e atenta, em minha Vontade um é seu ato, mas os efeitos são inumeráveis. Em troca se é inconstante e desatenta, nem ela nem Eu podemos fazer nenhum cálculo, nem fixar o bem que pode produzir".

15-6
Fevereiro 13, 1923

O bem que leva o ser fiel e atento.

(1) Sentia-me muito aflita, e meu doce Jesus fazendo-se ver me disse:
(2) "Minha filha, coragem, sê-me fiel e atenta, porque a fidelidade e a atenção produzem a igualdade dos humores na alma, e nela formam um só humor e estabelecem a perfeita paz, e esta a torna dominadora, de modo que faz o que quer e chega onde quer. Especialmente para quem vive em meu Querer acontece como ao sol, não se muda jamais, um é seu ato, fazer sair de sua esfera luz e calor; não faz hoje uma coisa e amanhã outra, é sempre fiel e constante em fazer a mesma coisa, mas enquanto seu ato é um, À medida que este ato desce e toca a superfície da terra, quantos atos diversos não acontecem?

Quase inumeráveis: Se encontra a flor fechada, com o beijo de sua luz e com o calor a abre, dá-lhe a cor e o perfume; se encontra o fruto imaturo, o amadurece e lhe dá a doçura; se encontra os campos verdes, os torna dourados; se encontra o ar sujo, com o beijo da sua luz o purifica; em suma, a todas as coisas dá o que é necessário para a sua existência nesta terra, e para poder produzir a utilidade que as coisas contêm, como está estabelecido por Deus. Assim, o sol com sua fidelidade e com fazer sempre a mesma coisa, é o
cumprimento da Vontade Divina sobre todas as coisas criadas. ¡Oh! , se o sol não fosse sempre igual em dar sua luz, quantas oscilações, quantas desordens haveria sobre a terra? E o homem não poderia fazer nenhum cálculo nem sobre seus campos, nem sobre suas plantas e diria: Se o sol não me manda sua luz e seu calor, não sei quando devo colher, nem quando amadurecerão os frutos'. Assim acontece para a alma fiel e atenta, em minha Vontade um é seu ato, mas os efeitos são inumeráveis. Em troca se é inconstante e desatenta, nem ela nem Eu podemos fazer nenhum cálculo, nem fixar o bem que pode produzir".

17-7
Julho 29, 1924

Os atos feitos na Divina Vontade formam um apoio de repouso a Jesus e à alma.

(1) Esta manhã, depois de muito esperar, meu sempre amável Jesus se fazia ver em meu interior, cansado e como se quisesse descansar, e estando em mim um certo apoio, estendia seus braços para abraçar-se a esse apoio, e recarregando sua cabeça repousava, mas não só repousava Ele, mas convidava-me a descansar junto com Ele. ¡ Como se estava bem, apoiada nesse apoio junto com Jesus, para tomar depois de tantas amarguras um pouco de repouso!. Então me disse:

(2) "Minha filha, quer saber que coisa é este apoio que tanto nos alivia e nos dá repouso? São todas as tuas ações feitas em Minha Vontade que formaram este apoio para Mim e para Ti, que é tão forte que pode sustentar o peso do Céu e da terra que em Mim contenho e me dou repouso. Só minha Vontade contém esta força e esta virtude tão grande. Os atos feitos em minha Vontade vinculam Céu e terra e encerram neles a potência divina para poder sustentar a um Deus".
(3) Então ao ouvir isto lhe disse: "Meu amor, porém, com todo este apoio que Tu dizes eu temo que Tu me deixes, que farei eu sem Ti? Tu sabes como sou miserável e boa para nada, por isso temo que deixando-me Tu, também a tua Vontade se aparte de mim"..

(4) E ele: "Minha filha, por que temes? Este temor é a tua vontade humana que gostaria de sair em campo para fazer um pouco de caminho; a minha Vontade exclui todo temor, porque não tem de que temer; aliás, é segura de Si e é irremovível. Deves saber que quando a alma decide fazer-se possuir por minha Vontade e vive nela, como minha Vontade está vinculada com todas as coisas criadas, não há coisa sobre a qual Ela não tenha seu domínio, assim a alma fica vinculada com todas as coisas criadas, e enquanto vai fazendo seus atos assim vão ficando escrita com caracteres indeléveis em todas as coisas criadas sua filiação com minha Vontade, sua morada, sua posse. Olha um pouco em todo o universo, no céu, nas estrelas, no sol, em tudo, e verás teu nome escrito com caracteres indeléveis, tua filiação com minha Vontade; portanto, como pode ser possível que esta Mãe Eterna e Divina deixe a sua querida filha, nascida dela e feita crescer com tanto amor? Por isso tira todo temor se não queres me amargurar".

(5) Enquanto dizia isto, olhei para o céu, para o sol e para todo o resto, e via escrito o meu nome com o título de filha da sua vontade. Seja tudo para glória de Deus e para confusão de minha pobre alma.

18-7
Outubro 17, 1925

A Sabedoria Eterna estabeleceu que o alimento da alma do homem seja a Vontade de Deus.

(1) Depois de dois dias de amargas privações de meu sumo bem Jesus, senti-o mover-se em meu interior, parecia-me ver que em meu interior estava sentado com sua cabeça apoiada em um de meus ombros e com sua boca dirigida para a minha em ato de fornecer-me as palavras. Eu o apertei e me pus a escutá-lo, abandonando-me toda nele. Então parecia que me dizia:.
(2) "Minha filha, minha Vontade é mais que alimento; o alimento dá força ao corpo, aquece-o, aumenta o sangue, reaviva a inteligência se está debilitada, dá força a todos os membros e empurra a criatura a novas obras e sacrifícios; em troca, uma que está em jejum, Não dando o alimento necessário a seu corpo é débil, fria, pobre de sangue, a inteligência debilitada, esgotada em todos os seus membros, o que a leva à tristeza e a empurra a não fazer nada, sem vontade de sacrificar-se em nada. Pobrezinha, sente-se faltar a vida em toda sua pessoa, tão é verdade, que quando uma enfermidade é mortal para uma criatura, abandona o alimento, e abandonando o alimento se dispõe à morte. Então, havendo estabelecido a Eterna Sabedoria que também a alma tivesse seu alimento, foi-lhe designado como alimento refinado a Vontade Suprema, assim que quem toma esse alimento é forte no obrar o bem, está como impregnado no amor a Deus, este alimento aumenta o sangue divino para formar o crescimento da Vida de Deus nela, como sol se reflete em sua inteligência para fazê-la conhecer seu Criador e formar-se a sua semelhança, Põe- lhe a força em toda a alma para pôr em vigor todas as virtudes e empurra-a a novos trabalhos e a sacrifícios inauditos. O alimento da Minha Vontade se dá a cada instante, a cada respiro, de noite, de dia, em cada coisa e quantas vezes se queira, não há que temer como com o alimento corporal, que se se toma em excesso faz mal e produz enfermidades, não, não, quanto mais se toma mais fortifica e tanto mais eleva a alma à semelhança do seu Criador, pode-se estar sempre com a boca aberta em ato de tomar este alimento celestial; tudo ao contrário para quem não toma este alimento da minha Vontade: Para quem não o toma de nenhuma maneira, pode-se dizer que se dispõe a morrer eternamente; para quem se alimenta dele raramente, é débil e inconstante no bem, é frio no amor, é pobre de sangue divino, de maneira que cresce como anêmica nele a Vida Divina; a luz em sua inteligência é tão escassa, que pouco ou nada conhece de seu Criador, e não conhecendo-o sua semelhança está tão distante dele, porque está distante o alimento de sua Vontade; está sem brio no agir o bem, porque não tem alimento suficiente, e agora ele perde a paciência, agora a caridade, agora o desapego de tudo, assim que as pobres virtudes vivem como estranguladas sem o alimento suficiente de minha Vontade. Ah! se se pudesse ver uma alma privada deste alimento celestial, seria de chorar, tantas são as misérias e as sujidades com que está coberta, porém é muito mais de compadecer se se vê uma criatura em jejum do alimento corporal, porque muitas vezes lhe faltam os meios para comprá-lo, ao contrário o alimento da minha Vontade se dá gratuitamente, portanto quem não o toma merece a condenação, e a condena se a forma ela mesma porque rejeita o alimento que lhe dava a vida".

(3) Depois disso ouvi que várias pessoas haviam sofrido conflitos, humilhações e outras coisas, e meu doce Jesus continuou falando:.

(4) "Minha filha, assim como quando o corpo contém sangue mau que infecta a boa é necessário aplicar lavagens, sangrias, punções para tirar o sangue mau, de outra maneira corre perigo de ficar paralisado por toda a vida, assim a alma à qual falta o contínuo alimento de minha Vontade, contém tantos humores maus, e é necessário aplicar-lhe lavados de humilhações para fazer sair o humor mau da própria estima, sangrias para fazer sair o humor infectado da vanglória do próprio eu, súbitas punções para fazer sair o sangue mau dos pequenos apegos que se vai formando no próprio coração para as pessoas às quais se aproxima ao fazer o bem, Caso contrário, esses humores cresceriam tanto que infectariam tudo o que fazem, de modo que ficariam paralisados no bem por toda a vida. As punções aproveitam sempre, são as sentinelas do coração, que mantêm puro o sangue, isto é, reta a intenção da alma no obrar o bem. Por isso, se todos obrassem o bem para cumprir somente minha Vontade, as punções não seriam necessárias, porque Ela é salvaguarda de todos os humores maus, assim que as punções são também penas de quem não
toma o alimento suficiente de minha Vontade"..

19-7
Março 19, 1926

A Santíssima Vontade eclipsa tudo, mesmo à própria Criação e Redenção, e sendo vida de tudo dará frutos maiores.

(1) Escrevo só para obedecer e cumprir a Vontade de Deus. Estava pensando entre mim: "Meu sempre amável Jesus me diz tantas vezes que eu devo ser cópia de minha Mãe Celestial, portanto abraçar tudo, suprir por todos para poder conseguir o suspirado Fiat, assim como a Soberana Rainha conseguiu o suspirado Redentor, mas como o posso fazer? Ela era santa, concebida sem a mancha de origem; mas eu sou uma das mais pequenas e pobres criaturas, concebida como todos os filhos de Adão, com o pecado original, cheia de misérias e fraquezas, como poderei então seguir os voos da Soberana Senhora no Querer Divino para conseguir o tão suspirado Fiat sobre a terra, que meu doce Jesus quer que reine?" Agora, enquanto eu pensava isso, meu doce Jesus saiu de dentro de mim e me apertando forte em seus braços me disse:.

(2) "Minha filha, minha Mãe foi concebida sem mancha original para poder conseguir o suspirado Redentor, porque era justo e decoroso que quem devia ser minha Mãe, nem sequer o germe da
culpa teria tido jamais existência nela, e devia ser a mais nobre, a mais santa de todas as criaturas, mas de uma nobreza divina e de uma santidade totalmente similar à do seu Criador, para poder encontrar nela tanta graça e capacidade, de poder conceber o Santo dos Santos, o Verbo Eterno.
Muitas vezes as criaturas fazem algo semelhante a isto, pois se devem conservar coisas preciosas e de grande valor, preparam ricos vasos de um valor equivalente às coisas preciosas que se
devem conservar neles, ao contrário se são coisas ordinárias e de pouco valor, se preparam vasos de gesso e de pouquíssimo valor, não se tem o cuidado de os ter à chave como ao recipiente de material riquíssimo, mas têm-nos expostos, assim que da preciosidade do vaso e do modo como se tem guardado, pode-se saber se as coisas que contém são preciosas e de grande valor; agora, devendo Eu receber seu sangue por ser concebido em seu seio, era justo que tanto a alma como seu corpo fossem puríssimos e enriquecidos de todas as graças, privilégios e prerrogativas possíveis e imagináveis que Deus pode dar e a criatura receber. Agora minha filha, se tudo isto foi na minha amada Mãe porque devia fazer descer o suspirado Redentor à terra, também a ti, havendo-te escolhido para o suspirado Fiat, suspirado pelo Céu e pela terra, suspirado com tanto amor e ânsias pela mesma Divindade, é mais, suspirado mais por Deus que pelos homens, devia dar-te tanta Graça para não pôr em uma alma e corpo corrupto os conhecimentos pertencentes a minha Vontade, e não só os conhecimentos senão sua própria Vida que devia formar e desenvolver em ti, portanto, fazendo uso de seu poder, se não te isentou da mancha de origem, com o seu poder abateu e se mantém firme sobre o germe, a fim de que não produzisse seus corruptos efeitos, assim que em ti a mancha de origem minha Vontade a tem esmagada e sem vida, isto era justo e necessário à nobreza, ao decoro e à Santidade da Suprema Vontade; se em ti houvesse efeitos não bons, minha Vontade encontraria as sombras, a névoa e não poderia expandir seus raios de verdade como o sol em seu pleno meio-dia, muito menos formar em ti o centro do desenvolvimento de sua Vida Divina, Porque ela é tão suave e santa que não sabe estar nem adaptar-se a viver junto com a mínima sombra do mal".

(3) Eu, ao ouvir isto, tremia, e disse: "Jesus, que dizes? Será possível tudo isto? Não obstante eu me sinto tão miserável e pequena que sinto a necessidade de Ti, de sua assistência, e de sua
presença para poder continuar vivendo, e tu sabes a que estado tão lamentável me reduzo quando me privas de Ti". E Jesus interrompeu-me acrescentou:.
(4) "Minha filha, não te admires, isto requer a Santidade do meu Querer, e como se trata da coisa maior que existe no Céu e na terra, trata-se de que se na Redenção vim salvar o homem, agora se trata de pôr a salvo minha Vontade nas criaturas, e, portanto, de fazer conhecer a finalidade da Criação, da Redenção, os bens que quer dar o meu Querer, a Vida que quer formar em cada
criatura, os direitos que a Ele convêm. Portanto, pôr a salvo uma Vontade Divina no meio das criaturas é a coisa maior, e minha Vontade conhecida e reinante superará os frutos da Criação e Redenção, será a coroa de minhas obras e o triunfo de nossas obras, e se minha Vontade não chegar a ser conhecida, amada e cumprida, nem a Criação nem a Redenção terão sua plena finalidade nem o fruto completo. A Criação, a Redenção, saíram de dentro de meu Fiat Onipotente, e para fazer que nossa glória seja completa e a criatura receba todos os efeitos e os bens que
contêm, tudo deve retornar em nossa Vontade".

(5) Agora, quem pode dizer como minha pobre mente nadava na imensidão do Querer eterno? O que compreendia? Mas o que mais me impressionava era que o Fiat devia superar o mesmo bem da Redenção, com o acréscimo de uma relutância terrível de manifestar o que está dito acima, pelo temor que a obediência me impusesse escrevê-lo. Oh! como teria querido calar-me, mas com o Fiat não se discute, porque de qualquer modo a vitória deve ser sempre sua. Depois meu doce Jesus, sempre benigno, voltando me disse:.

(6) "Minha filha, é necessário que o manifestes, não por ti, mas pelo decoro e santidade que convém ao meu Querer; acreditas tu que todo o trabalho que fiz dentro da tua alma por mais de quarenta anos foi só por ti, pelo bem que te amei e te amo? Ah, não, foi mais que tudo pelo decoro que lhe convinha a minha Vontade, para fazer que vindo Ela a reinar em ti encontrasse meu trabalho, minhas orações incessantes que a convidavam a vir, o trono de minhas obras, de minhas penas, onde pudesse dominar e formar sua morada, a luz de seu próprio conhecimento e assim pudesse encontrar em ti as honras e sua mesma glória divina! Por isso eram necessárias as tantas manifestações minhas acerca da Suprema Vontade, pela decência que lhe convém. Agora você deve saber que minha Vontade é maior e mais interminável que a mesma Redenção, e o que é maior leva sempre frutos e bens maiores. Minha Vontade é eterna, no tempo e na eternidade não teve princípio nem terá jamais fim, em troca a Redenção, ainda que seja eterna na mente divina, mas no tempo teve seu princípio e foi um produto da Eterna Vontade, Assim, não foi a Redenção que deu vida ao Divino Querer, mas foi o meu Querer que deu vida à Redenção, e o que tem o poder de dar vida, por natureza e por necessidade deve tornar-se mais frutuoso do que quem recebeu a vida. Mas isto não é tudo, na Criação, a Divindade tirou de Si as sombras de sua luz, as sombras de sua sabedoria, de sua potência, derramou todo seu Ser em tudo o que foi criado, assim que a Beleza, a harmonia, a ordem, o amor, a bondade de Deus que se vê em toda a Criação, são semelhanças divinas, sombras da Majestade Suprema; em troca minha Vontade, não nossa semelhança, nossa sombra, mas que Ela saiu fora no campo da Criação como vida de todas as coisas criadas, assim que Ela é vida, base, sustento, vivificação e conservação de tudo o que saiu de nossas mãos criadoras, por isso à Suprema Vontade tudo se deve, Minha própria Redenção, diante dela dobrou os joelhos para implorar que se constituísse vida de cada ato meu, de meu coração, de meu sofrer e até de meu fôlego, a fim de que pudesse fazer correr nas criaturas as ajudas vitais para salvá-las.

A minha Redenção pode ser chamada a árvore, cuja raiz é a Divina Vontade, e assim como esta raiz produziu o tronco, os ramos, as folhas, as flores de todos os bens que há na Igreja, assim também deve produzir o fruto de vida que contém a raiz desta árvore. E além disso, a Criação saiu de Nós com o único fim de que nossa Vontade fosse conhecida, amada mais que a mesma vida, e por isso se constituiu vida de tudo, a fim de que fosse cumprida; todas as outras coisas criadas por Nós, e até a mesma Redenção, foram dadas como ajudas para facilitar a nossa finalidade, portanto, se não obtivermos a nossa primeira finalidade, como podemos obter nossa glória completa e como a criatura poderia receber o bem estabelecido por nós? Além disso, a Criação, a Redenção e o Fiat Voluntas Tua como no Céu assim na terra, simbolizam a Trindade Sacrossanta, na qual as Divinas Pessoas são inseparáveis entre Elas, assim também estas são inseparáveis entre elas, uma da a mão à outra, uma ajuda à outra, mas o triunfo, a glória, é das três, e como nossa Vontade teve seu posto primário em todas nossas obras, por isso a Criação e a Redenção ficam eclipsadas e como perdidas na imensidão e interminabilidade da Suprema Vontade. Ela tudo envolve e tem as mesmas coisas feitas por Nós como seu trono onde reina e domina, portanto, se Ela é tudo, por que te maravilhas de que dará frutos maiores que as outras obras nossas? E o homem receberá aquela Vida que tem e não conhece, a qual a tem como comprimida, afogada, debilitada, e Ela geme, suspira, porque quer desenvolver sua Vida e não lhe é concedido; por isso, sê atenta, porque o conhecimento de minha Vontade sacudirá ao homem, e será como cimento à traça que produziu o pecado original à árvore das gerações humanas, e assim, reforçada a raiz, a criatura poderá fazer viver em si aquela Vida que com tanta ingratidão rejeitou".

20-7
Outubro 6, 1926

Martírio novo. Quem não faz a Vontade Divina trunca a Vida Divina nela. Privação dos escritos. Jesus consola-a fazendo-a ver tudo escrito no fundo da sua alma.

(1) Encontrava-me toda imersa na dor viva da privação do meu doce Jesus e dizia em mim: "Meu Jesus, como não tens compaixão desta tua pequena filha, que enquanto se sente privada de Ti se sente arrancar a vida; não é somente uma pena que sinto, que seria mais tolerável, mas sim é vida o que me sinto falta; sou pequena, sou débil, e se não por outra coisa, pelo menos pela minha pequenez extrema, devias ter compaixão por esta pobre menina que está quase sempre a sentir-se perdida e a retomar a vida para se sentir como se estivesse a morrer novamente. Meu Jesus, meu amor, que novo martírio é este? Martírio jamais sentido, morrer tantas e tantas vezes e jamais morrer, sentir falta da vida sem a doce esperança de tomar o voo para minha pátria celestial".
Enquanto isso eu pensava, meu sempre amável Jesus se moveu em meu interior e com sotaque terno me disse:
(2) "Pequena filha de meu Querer, ânimo, você tem razão que é vida o que sente falta, porque privando-se de Mim se sente falta, terminar a Vida de seu Jesus em você, e com razão você, pequenina como é, sente o duro martírio de que a vida termina em você. Mas você deve saber que minha Vontade é Vida, e cada vez que as criaturas não a fazem, a rechaçam, é uma Vida Divina que rechaçam e que destroem nelas, e te parece pouco a dor, o martírio contínuo do meu Querer ao sentir-se arrancado como por um golpe de um ferro assassino tantos atos de Vida que com tanta bondade quer fazer surgir nas criaturas? E em troca desta Vida Divina truncada nelas, fazem surgir a vida das paixões, do pecado, das trevas, das fraquezas. O não fazer minha Vontade é Vida Divina que perdem as criaturas, e por isso Ela reinante em ti, te faz sentir, ao privar-te de Mim, a dor de tantas Vidas Divinas que lhe cortam as criaturas, para reparar-se e refazer-se em ti todos estes atos de Vida que lhe fazem perder. Não sabes tu que para formar o Reino do Fiat Divino deve encontrar em ti tantos atos seus por quantos perdeu? E por isso a alternativa da minha presença e da minha ausência, para te dar ocasião de te fazer formar tantos atos de submissão à minha Vontade, para fazer reentrar em ti estes atos de Vida Divina que os demais rejeitaram. E além disso, não te lembras que te pedi quando te manifestei a tua missão sobre o Fiat Eterno, o sacrifício de sofrer tantas mortes por quantas criaturas saíam à luz do dia, por quantos haviam rejeitado a Vida de minha Vontade? Ah! minha filha, não fazer minha Vontade é Vida Divina que rejeitam as criaturas, não é como não praticar as virtudes, onde rejeitam as gemas, as pedras preciosas, os ornamentos, os vestidos, que não querendo-os se podem colocar de lado; em vez disso, rejeitar o meu Querer é rejeitar os meios para viver, destruir a fonte da vida, é o maior mal que pode existir, e por isso quem faz tanto mal não merece viver, mas bem merece morrer a todos os bens. Não queres então refazer a Minha Vontade de todas estas Vidas que lhe têm truncado as criaturas? E para fazer isto não é suficiente sofrer uma pena, e sim uma falta de Vida Divina, qual é a minha privação. Minha Vontade para formar seu Reino em ti, quer encontrar em ti todas as satisfações que as criaturas não lhe deram, todas as suas Vidas que devia fazer surgir nelas, de outra maneira seria um reino sem fundamento, sem lhe dar os direitos de justiça e sem as devidas reparações. Mas você deve saber que seu Jesus não vai deixá-lo por muito tempo, porque o sei também Eu, que você não pode viver sob a pressão de um martírio tão duro".

(3) Além disso, eu estava aflita porque, tendo vindo o Reverendo Padre, que deve ocupar-se da publicação dos escritos sobre a Santíssima Vontade de Deus, quis que lhe entregasse todos os
escritos sem me deixar nem sequer aqueles dos quais ele já tinha as cópias. Então o pensamento de que as coisas mais íntimas entre Jesus e eu estavam fora, e não podia nem voltar a ver o que Jesus tinha me dito sobre seu Santo Querer, me atormentava. E Jesus, voltando, disse-me:
(4) "Minha filha, por que tanta aflição? Tu deves saber que o que te fiz escrever no papel, o escrevi antes Eu mesmo no fundo de tua alma e depois te fiz passar ao papel, é mais, há mais coisas
escritas em ti que no papel, por isso quando você sentir a necessidade de voltar a ver o que se refere às verdades do Fiat Supremo, basta que dê uma olhada em seu interior e em seguida verá
novamente o que quer, e para que esteja segura do que te digo, olhe agora em sua alma e verá tudo em ordem o que te manifestei".
(5) Enquanto dizia eu olhei para dentro de mim e com um só olhar via tudo, via também o que Jesus me tinha dito e eu tinha omitido escrever, portanto dei graças ao meu amado Bem e resignei-
me, oferecendo todo o meu duro sacrifício a Ele, e pedindo-lhe que em compensação me desse a graça de que sua Vontade seja conhecida, amada e glorificada".

 

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