ESCOLA DA DIVINA VONTADE - TRIGÉSIMA SÉTIMA SEMANA DE ESTUDOS


LIVRO DO CÉU VOLUME 1

(241) Eu, entre o espanto e o contentamento de tê-lo encontrado, dizia-lhe: "Meu Jesus, como toda
esta manhã me fizeste girar e girar para te encontrar e estavas aqui? Podias ter-me dito, para não
me ter esforçado tanto doce Bem meu, amada Vida minha, olha como estou cansada, não tenho
mais forças, sinto-me desfalecer, ah, sustem me entre seus braços porque me sinto morrer. E
Jesus me tomava em seus braços e me fazia repousar, e enquanto repousava me sentia restituir
as forças perdidas.
(242) Outras vezes, neste encobrimento que Jesus fazia e eu que ia em busca Dele, quando se
fazia ouvir dentro de mim e que depois saía de dentro de mim não só Jesus, mas as Três Divinas
Pessoas, encontrava-as agora em forma de três crianças graciosas e sumamente belas, agora um
só corpo e três cabeças diferentes, mas de uma mesma semelhança, as três igualmente atraentes.
Quem pode dizer meu contentamento? Especialmente quando via os três meninos e que eu os
continha aos três entre meus braços, agora beijava a um, agora ao outro, e Eles me beijavam a
mim, agora um se apoiava em um ombro meu e outro no outro e um me ficava de frente, e
enquanto me gozava neles, com grande assombro fazia por olhar, e de três encontrava a um só.
(243) Outra coisa que me maravilhava quando me encontrava com estas três crianças era que o
mesmo pesava um que os três juntos. Tanto amor sentia eu por uma destas crianças como pelos
três, e os três me atraíam do mesmo modo.
(244) Para terminar a minha intervenção sobre estes discursos, tive de deixar passar algumas
coisas para seguir o fio da meada, mas agora estou pronto para as dizer.

2-39
Junho 20, 1899

Como tudo está no amor.

(1) Continua quase sempre o mesmo. Esta manhã, parece que Jesus quis aliviar-me um pouco,
depois de que por algum tempo fui em busca Dele. De longe vi um menino, e como um raio que
cai do céu vim, assim que cheguei o tomei em meus braços e me veio uma dúvida de que não
fora Jesus lhe disse:
(2) "Meu querido Teseu, me diga, quem é você?"
(3) E Ele: "Eu sou teu querido e amado Jesus".
(4) E eu a Ele: "Meu menino formoso, peço-te que tomes meu coração e o leves Contigo ao
Paraíso, pois junto com o coração irá minha alma".
(5) Parecia que Jesus tomou meu coração e o uniu de tal maneira ao seu, que se tornavam um
só. Depois abriu-se o Céu, parecendo que se preparava para uma festa grandíssima, no
mesmo momento desceu do Céu um jovem de formoso aspecto, todo cintilante de fogo e
chamas. Jesus disse para mim:
(6) "Amanhã é a festa do meu querido Luís, devo assistir".
(7) E eu: "Então deixa-me sozinha, como farei?"
(8) E Ele: "Também tu virás, olha como é belo Luís, mas o que foi mais nele, que o distinguiu na
terra, era o amor com que operava, tudo era amor nele, o amor ocupava-lhe o interior, o amor
circundava-o no exterior, assim que também o respiro se podia dizer que era amor, por isso
dele se diz que não sofreu jamais distração, porque o amor o inundava por todas as partes e
por este amor será inundado eternamente, como tu vês".
(9) E assim parecia que era tão grande o amor de São Luís, que podia incinerar todo o
mundo. Depois Jesus acrescentou:
(10) "Eu passeio sobre os montes mais altos e neles formo minha delícia".
(11) Eu não entendi o significado, e ele continuou dizendo:
(12) "Os montes mais altos são os santos que mais me amaram, e Eu faço deles minha delícia
quando estão sobre a terra e quando passam ao Céu, assim que o tudo está no amor".
(13) Depois disto pedi a Jesus que me abençoasse e àqueles que naquele momento via, e Ele
dando a bênção desapareceu.

3-39
Fevereiro 19, 1900

Ameaça de castigos.

(1) Esta manhã meu adorável Jesus veio e me transportou para fora de mim mesma, via muita
gente, toda em movimento, me parecia, mas não estou segura, como uma guerra, ou bem uma
revolução, e a Nosso Senhor não faziam mais que tecer coroas de espinhos, tanto que enquanto
eu estava toda atenta a tirar-lhe uma, outra mais dolorosa lhe punham. Ah, sim, parece que nosso
século será célebre pela soberba! A maior desventura é perder a cabeça, porque tendo perdido a
cabeça com o cérebro, todos os outros membros tornam-se inábeis, ou tornam-se inimigos de si
mesmos e dos demais, por isso acontece que a pessoa abre um caminho a todos os outros vícios.

(2) Meu paciente Jesus tolerava todas essas coroas de espinhos, e eu mal tinha tempo de tirando-
as, então se virou para essa gente e lhes disse:

(3) "Morrereis, que na guerra, que nas prisões e que em terremotos, poucos permanecereis. A
soberba formou o curso das ações de vossa vida, e a soberba vos dará a morte"
(4) Depois disto, o bendito Jesus tirou-me do meio daquela gente, e fazendo-se menino eu o levava
nos meus braços para o fazer repousar. Ele, pedindo-me um refrigério queria mamar de mim, eu,
temendo que fosse demônio o persegui várias vezes com a cruz, e depois lhe disse: "Se
verdadeiramente és Jesus, rezemos juntos a Ave Maria a nossa Rainha Mãe". E Jesus recitou a
primeira parte, e eu o Santa Maria. Depois, Ele mesmo quis dizer o Pai Nosso, oh! como era
comovente sua oração, enternecia tanto, que o coração parecia que se derretia. Depois
acrescentou:

(5) "Filha, minha vida a tive do coração, a diferença dos demais; eis uma razão por que sou todo
coração para as almas, e por que sou levado a querer o coração, e não tolero nele nem sequer
uma sombra do que não é meu. Então entre você e eu quero que tudo seja totalmente para Mim, e
o que você dará às criaturas não será outra coisa que o transbordamento de nosso amor".

4-42
Dezembro 26,1900

Continua na gruta

(1) Ao continuar a ver o Santo Menino, via a Rainha-Mãe de um lado e São José do outro, que
estavam a adorar profundamente o Infante divino. Estando todos atentos a Ele, parecia-me que a
contínua presença do Menino os tinha absortos em êxtase contínuo, e se trabalhassem era um
prodígio que o Senhor operava neles, de outra maneira teriam ficado imóveis, sem poder
externamente atender a seus deveres. Também eu fiz a minha adoração e encontrei-me em mim
mesma.

4-43
Dezembro 27, 1900

Deus não está sujeito a mudar-se, o demônio e a natureza humana freqüentemente se mudam

1) Esta manhã me encontrava com temor sobre meu estado, que não fosse o Senhor que operasse
em mim, com o agregado de que não se dignava vir; então, depois de muito esperar, assim que o
vi lhe expus meu temor e Ele me disse:
(2) "Minha filha, antes de tudo, para te pôr neste estado está o concurso de minha potência, e
depois, quem te teria dado a força, a paciência de estar por tão longo tempo neste estado dentro
de uma cama? A simples perseverança é um sinal certo de que a obra é minha, porque somente
Deus não está sujeito a mudar-se, mas o demônio e a natureza humana muito freqüentemente se
mudam, e o que hoje amam, amanhã aborrecem, e o que hoje aborrecem, amanhã amam e
encontram nisso sua satisfação".

6-38
Maio 1, 1904
O olho que se deleita só das coisas do Céu, tem a virtude de ver Jesus, e quem
se deleita das coisas da terra, tem a virtude de ver as coisas da terra.

(1) Encontrando-me no meu habitual estado, estava pensando em nosso Senhor, quando, tendo
chegado ao monte calvário, foi despido de tudo e amargurado com fel, e rogava-lhe, dizendo:
"Adorável Senhor meu, não vejo em Ti mais que uma veste de sangue adornada de chagas, e por
gosto e deleite amarguras de fel, por honra e glória confusões, opróbrios e Cruzes. Ah! não
permitas que depois de que Tu sofreste tanto, que eu não veja as coisas desta terra mais que
como esterco e lama, que não me tome outro prazer que em Ti só, e que toda minha honra não
seja outro que a cruz". E Ele fazendo-se ver me disse:

(2) "Minha filha, se você fizesse de maneira diferente perderia a pureza do olhar, porque fazendo-
se um véu à vista perderia o bem de me ver, porque o olho que se recria só das coisas do Céu tem
a virtude de me ver, e quem se recria das coisas da terra tem a virtude de ver as coisas da terra,
porque o olho, vendo-as diferentes do que são, vê-as e ama-as".

7-40
Setembro 2, 1906

Luisa quer fazer contas com Jesus, Ele diz que é sua pequena filha.

(1) Devia receber esta manhã a comunhão, estava preparada para fazer o dia de retiro, isto é,
preparar-me para a morte, e depois de recebida a comunhão ia dizer a Jesus bendito: "Façamos
agora as contas, para não deixá-las para o último momento da vida; eu mesma não sei como me
encontro, não faço nenhuma reflexão sobre mim mesma, e não refletindo não sei como estou, e
portanto não sinto nem temores, nem escrúpulos, nem agitações, enquanto eu vejo e ouço que
os outros, muito mais bons do que eu, e mesmo nas mesmas vidas dos santos que leio, todos
fazem reflexões sobre si mesmos, se são frios ou quentes, se tentados ou tranquilos, se
confessam bem ou mal, e quase todos estavam tímidos, agitados e escrupulosos. Mas toda a
minha atenção está em te amar, em te amar, e em não te ofender, o resto não o tomo em conta
para nada, parece que não tenho tempo de pensar em outra coisa, e se me esforço em fazê-lo
uma voz interna me sacode, me repreende e diz: "Quer perder tempo, preste atenção em fazer
suas coisas com Deus". Por isso eu mesma não sei em que estado me encontro, se fria, se
árida, se quente, e se alguém me pedisse contas eu não saberia dá-las, eu creio que erraria. Por
isso façamos agora as contas, a fim de que possa remediar a tudo". Depois de havê-lo rogado e
voltado a rogar me disse:

(2) Minha filha, Eu tenho-te sempre sobre meus joelhos, tão apertada que não te dou tempo de
pensar em ti mesma. Tenho-te como um pai pode ter seu filho pequeno sobre seus joelhos, que
agora lhe dá um beijo, agora uma carícia, agora lhe dá com suas mãos o alimento, agora, se o
pequeno filho inadvertidamente se suja, o mesmo pai o limpa. Mas se o pai está aflito, o pequeno
o consola, enxuga-lhe as lágrimas; se o pai está irritado, o pequeno o acalma; em suma, o pai é
a vida do pequeno, e este nenhum pensamento toma de si mesmo, nem se deve comer, nem se
se mancha, nem se deve vestir-se, nem sequer se deve dormir, porque o pai fazendo com seus
braços um berço o arrulha para fazê-lo dormir, e o faz dormir em seu próprio seio; e o pequeno é
todo o alívio e a vida do pai, enquanto os outros filhos grandes prestam atenção em arrumar a
casa, em lavar-se sozinhos, e em todos os demais afazeres. Assim faço Eu contigo, como a uma
filha pequena te tenho sobre meus joelhos, tão intimamente unida a Mim que não te deixo sentir
a ti mesma, e Eu penso e me ocupo de tudo, em limpar-te se estás manchada, em alimentar-te
se tens necessidade de alimento, em suma, tudo o prevejo desde antes, de modo que você
mesma não adverte suas necessidades, e com ter-te estreitada intimamente a Mim é uma graça
que te faço, porque assim te livra de muitos e muitos defeitos, enquanto que se tivesse o
pensamento de ti mesma, em quantos defeitos terias caído! Por isso pense em fazer seu ofício
para Mim, o de filha pequena, e não pense em nada mais".

9-41
Agosto 19, 1910

Jesus derrama suas amarguras. Temor de que fosse o demônio.

(1) Continuando em meu estado habitual, encontrei-me fora de mim mesma dentro de uma igreja, e
sobre o altar estava a Rainha Celestial e o menino Jesus que chorava. A Mãe celestial acenando-
me com os olhos, fazia-me compreender que tomasse o menino nos braços e fizesse quanto mais
pudesse para acalmá-lo. Aproximei-me e peguei-o nos meus braços, apertei-o e disse-lhe: "Meu
querido, o que tens? Desabafe comigo, não é o amor o paliativo, o entorpecimento a todos os
pesares? Não é o amor que faz esquecer tudo, o que adoça tudo, que põe paz em qualquer
controvérsia? Se choras é porque deve haver alguma coisa discordante entre teu amor e o das
criaturas, por isso nos amemos, dá-me teu amor e com teu mesmo amor te amarei". Mas quem
pode dizer todos os disparates que lhe disse?

Então parecia ter-se acalmado, mas não de todo, e desapareceu.

No dia seguinte de novo me encontrei fora de mim mesma, dentro de um jardim, e eu
ia fazendo a via enquanto fazia isto, encontrei Jesus nos braços. Tendo chegado à décima primeira
estação, não podendo suportar mais, o bendito Jesus deteve-me e, aproximando a sua boca à
minha, derramou uma coisa espessa e uma líquida; a líquida podia passar-me, mas a espessa não
me baixava, tanto que, quando Jesus tirou a sua boca da minha, a atirei por terra, e depois olhei
para Jesus e vi que da sua boca lhe escorria um líquido espesso e negro, negro; eu fiquei tão
assustada que lhe disse: "Parece-me que não és Jesus, Filho de Deus e de Maria, Mãe de Deus,
senão o demônio. É verdade que te amo, que te amo, mas é sempre a Jesus que quero, jamais ao
demônio, com ele não quero ter nada que fazer. Fico feliz em estar sem Jesus antes de ter algo a
ver com o demônio". E para estar mais segura, signifiquei Jesus com o sinal da cruz, e a mim
também. Então Jesus, para me tirar o espanto, retirou dentro de Si aquele líquido negro que eu não
queria ver, e me disse:
(2) "Minha filha, não sou demônio; isto que tu vês não é outra coisa que as grandes iniqüidades
que me fazem as criaturas, que não podendo mais contê-las, as derramarei sobre elas mesmas.
Derramei em ti, e tu não pudeste conter tudo e o tens derramado por terra; Eu continuarei
derramando-o sobre elas". .
(3) E enquanto dizia isto, fazia-me compreender que castigos fará chover do Céu; envolverá os
povos em luto, em lágrimas amargas e dilacerantes, e o pouco que derramou em mim evitará,
senão de todo, pelo menos em parte os castigos à minha cidade. Depois fazia ver grande
mortalidade de pessoas por epidemias, por terremotos e outros infortúnios. Quanta desolação,
quanta miséria!

10-40

Outubro 23, 1911

Devemos fazer com que a vida do nosso coração seja todo amor, porque Jesus quer tomar alimento de dentro do coração.

(1) Esta manhã o meu sempre amável Jesus veio, mas quem pode dizer quanto sofria. Parece que
sente em Si todas as penas das criaturas, e são tantas que busca alívio e consolo. Agora, depois
de tê-lo tido comigo em silêncio, eu para consolá-lo dizia-lhe as minhas loucuras de amor,
acrescentando beijos e carícias, assim parecia que se aliviasse e depois me disse:
(2) "Minha filha, faz que a vida de teu coração seja toda de amor, não faças que entre outra coisa,
porque Eu quero tomar alimento de dentro de teu coração, e se não encontro todo amor, para Mim
não será alimento saboroso. Quanto às outras partes de ti, poderás dar a cada uma o seu ofício,
isto é, à mente, à boca, aos pés, a todos os teus sentidos, a quem darás a adoração, a quem a
reparação, a quem os louvores, o agradecimento e todo o resto, mas do coração quero só amor".

11-37
Setembro 29,1912

A alma preferida de Jesus.

(1) Escrevo coisas passadas. Estava pensando entre mim: "O Senhor, a quem falou de sua
Paixão, a quem de seu coração, a quem da cruz e muitas outras coisas; eu gostaria de saber
quem foi a mais preferida de Jesus". E o meu amável Jesus, ao vir, disse-me:
(2) "Minha filha, sabes quem foi a mais preferida por Mim? A alma à qual manifestei os
prodígios, o poder do meu Santíssimo Querer. Todas as demais coisas são parte de Mim, ao
contrário minha Vontade é o centro e a vida, a reitora de tudo; assim que minha Vontade dirigiu a
Paixão, deu vida a meu coração, sublimou a cruz, minha Vontade abarca e compreende tudo,
aferra tudo e dá efeito a tudo, Assim, minha Vontade é mais do que tudo, conseqüentemente a
quem tenho falado de meu Querer, ela tem sido a preferida de todos e sobretudo. ¡ Quanto
deveria me agradecer por ter te admitido nos segredos do meu Querer! Muito mais, quem está
em minha Vontade é minha Paixão, é meu coração, é minha cruz, e é minha mesma Redenção,
não há coisas divisíveis entre Eu e ela, por isso toda em minha Vontade te quero se é que
queres tomar parte em todos meus bens".

 

39. Preparativos para a maioridade de Jesus e partida de Nazaré.
25 de novembro de 1944.
[…].
39.1Tive Dele uma promessa. Eu lhe dizia:
– Jesus, como eu eu gostaria de ver a cerimônia da tua maioridade!
Ele me disse:
– Será a primeira coisa que Eu te darei, logo que pudermos estar “nós”,
sem que se perturbe o mistério. Colocarás aquela cena depois da cena de
minha mãe, minha mestra e mestra de Judas e Tiago, que te fiz ver
recentemente (29-10). E a colocarás entre esta e a Disputa no Templo.
[…].
19 de dezembro de 1944.
39.2Vejo Maria inclinada sobre um alguidar, ou melhor, sobre uma bacia
de cerâmica, misturando alguma coisa que solta fumaça no ar frio e sereno
que enche o pomar de Nazaré.
Deve ser pleno inverno, porque, a não ser as oliveiras, todas as outras
plantas estão nuas, desprovidas de folhas. No alto, um céu muito limpo, e
também um belo sol. Mas não consegue amenizar o vento do Norte, que puxa
e faz bater uns nos outros os ramos despojados de folhas e ondular os
pequenos ramos verde-cinzentos das oliveiras.
Maria está vestida com uma pesada veste de um marrom quase preto e
amarrou na frente uma tela rústica, em lugar de um avental, para proteger sua
veste. Tira da tina o bastão com que estava mexendo um líquido, e vejo
caírem dele gotas de uma bonita cor avermelhada. Maria observa, molha um
dedo nas gotas que caem, experimenta se a cor está boa, passando-a na tela
que está sobre sua veste. Parece satisfeita.
Entra em casa, e sai com muitas meadas de uma lã muito branca.
Mergulha-as uma por uma na tina, com paciência e com habilidade.
39.3Enquanto ela faz isso, entra, vindo da oficina de José, sua cunhada
Maria, mulher de Alfeu. Elas se saúdam e começam a falar.
– Vai indo bem? –pergunta Maria de Alfeu.
– É o que espero.
– Aquela gentia
[65]
me garantiu que se trata da tinta e do modo de
prepará-la como fazem em Roma. Deu a mim só porque és tu que fizeste
esses trabalhos. Ela diz que nem em Roma há quem faça bordados como tu.
Deves ter sacrificado a vista, para fazê-los…
Maria sorri, e faz um movimento com a cabeça, como para dizer:
“Coisas sem importância!”
A cunhada olha, antes de entregar a Maria as últimas meadas de lã.
– Como foi que as fiaste? Parecem cabelos, de tão finos e iguais que
são! Fazes tudo tão bem… e, como és esperta! Estas últimas meadas ficarão
mais claras?
– Sim. São para a veste. O manto é mais escuro.
As duas mulheres trabalham juntas, na tina. Depois, tiram as meadas
com uma bela cor de púrpura, e correm rápidas para irem mergulhá-las na
água gelada que enche o tanque sob uma pequena fonte, que cai dando
notinhas de música, que parecem umas risadinhas baixas. Elas enxaguam, e
tornam a enxaguar, depois estendem sobre bambus as meadas e as prendem
de um ramo a outro das árvores.
– Com este vento, logo estarão secas –diz a cunhada.
– Vamos ver o José. Lá temos fogo. Deves estar gelada –diz a mãe de
Jesus–. Foste muito boa em ajudar-me. Acabei depressa e com menos
cansaço. Eu te agradeço.
– Oh! Maria! Que não faria eu por ti? Estar perto de ti, já é uma festa!
Além disso… é para Jesus todo este trabalho. E é tão querido o teu Filho!…
A mim me parece que fico sendo também a mãe dele, se eu te ajudar a
preparar a festa de sua maioridade.
As duas mulheres entram na oficina, cheia daquele cheiro de madeira
aplainada, cheiro próprio das oficinas de carpinteiro.
39.4Aqui a visão parou um pouco… para continuar no ato da partida de
Jesus para Jerusalém, aos seus doze anos Ele, muito bonito e crescido, parece ser um irmão mais novo de sua
jovem mãe. Já alcança os ombros dela, com sua cabeça loira, de cabelos
encaracolados, e cuja cabeleira, já não mais curta como era em seus
primeiros anos de vida, mas longa até abaixo das orelhas parece um pequeno
casquete de ouro todo recoberto de caracóis que brilham.
Está vestido de vermelho. Um belo vermelho de rubi claro. Uma longa
veste lhe desce até os tornozelos, deixando descobertos somente os pés
calçados de sandálias. A veste é solta, com mangas longas e largas. Perto do
pescoço, na base das mangas, na orla, está tecido um galão, cor sobre cor,
muito bonito.
(ao copiar a visão, aguardar o resto, que está no novo caderno).
20 de dezembro de 1944.
Vejo Jesus entrar com sua mamãe, na espécie de sala de jantar de
Nazaré.
Jesus é um belo jovenzinho de doze anos, alto, bem feito de corpo e
robusto, sem ser gordo. Parece mais adulto do que é, pela sua compleição.
Já está alto, tanto que atinge os ombros da mãe. Tem ainda o rosto redondo e
rosado do Jesus menino, rosto que, depois, com a idade juvenil e viril, se
emagrecerá, e se tornará de uma cor indefinida, a cor de certos delicados
alabastros, que lembram, de longe, o amarelo rosado.
Os olhos, também os olhos, são ainda de menino. Grandes, bem abertos
e com uma centelha de alegria, perdida no meio da seriedade com que
olham. Depois, eles não serão mais tão abertos… As pálpebras descerão até
a metade dos olhos, para encobrir o mal demasiado que está no mundo aos
olhos do Santo e Puro. Só nos momentos de milagres é que eles estarão bem
abertos e cintilantes, mais ainda do que agora… para expulsar os demônios e
a morte, para curar as doenças e os pecados. E não estarão mais, nem mesmo
com aquela centelha de alegria misturada com a seriedade… A morte e o
pecado lhe estarão cada vez mais presentes e próximos, e com eles o
conhecimento, também humano, da inutilidade do seu sacrifício, por causa da
má vontade do homem. Só os raríssimos momentos de alegria, por estar com
os remidos, e especialmente com os puros, meninos em sua maior parte,
farão brilhar de alegria estes olhos santos e bons.
Mas agora Ele está com sua mamãe, em sua casa, e diante Dele está
José, que lhe sorri com amor, e estão também os seus priminhos, que o
admiram, e a tia Maria de Alfeu, que o acaricia… Ele está feliz. O meu
Jesus tem necessidade de amor para ser feliz. Neste momento Ele tem amor.
Jesus está vestido com uma veste solta de lã vermelha, de tonalidade
rubi claro. Ela é macia, de textura perfeita, na sua compacta tenuidade. Junto
ao pescoço, na frente, por baixo das mangas longas e largas, e da veste, que
desce até o chão, deixando descobertos apenas os pés, que estão calçados
com sandálias novas e muito bem feitas — não as costumeiras solas, fixadas
ao pé por meio de tiras de couro — está um galão, não bordado, mas tecido
em cor mais escura sobre o vermelho rubi da veste. Deve ser obra da
mamãe, porque a cunhada a admira e elogia.

Os belos cabelos loiros já estão carregados de uma tonalidade bem
diferente de quando Ele era pequenino, agora com cintilações de cobre nas
volutas dos caracóis, que terminam abaixo das orelhas. Não são mais os
caracoizinhos curtos e leves da infância. Não são ainda os cabelos
ondulados e compridos até aos ombros, onde terminam em macias madeixas
aneladas na idade adulta. Mas já tendem mais para esta última na cor e na
forma.
39.5 – Eis aqui o nosso Filho –diz Maria, levantando a sua mão direita, na
qual está a mão esquerda de Jesus.
Parece que o está apresentando a todos e reconfirmando a paternidade
do Justo, que está sorrindo. E ela acrescenta:
– Abençoa-o, José, antes de Ele partir para Jerusalém. Não foi
necessária a bênção ritual, em sua idade de ir para a escola, primeiro passo
na vida. Mas agora que Ele vai ao Templo, para ser declarado maior de
idade, dá-lhe a bênção. E abençoa a mim também, junto com Ele. A tua
bênção… (Maria dá um soluço) O fortificará e me dará força, para me
desapegar um pouco mais Dele…
– Maria, Jesus será sempre teu. A fórmula não incidirá em nossos
mútuos relacionamentos. Nem eu vou disputá-lo contra ti, este Filho que nos
é tão caro. Ninguém como tu merece guiá-lo na vida, ó minha Santa.
Maria se inclina, pega a mão de José, e a beija. Ela é a esposa, oh! e
quão amorosa e respeitosa para com o seu consorte!
José acolhe aquele sinal de respeito e de amor com dignidade, mas
depois levanta aquela mão que foi beijada, e a coloca sobre a cabeça da
esposa, dizendo:
– Sim, eu te abençôo, ó Bendita, e a Jesus junto contigo. Vinde, minhas
únicas alegrias, minha honra e meu ideal.
José está solene. Com os braços estendidos, e as palmas das mãos
voltadas para o chão sobre as duas cabeças inclinadas, igualmente loiras e
santas, ele pronuncia a bênção:
– O Senhor vos guarde e vos abençoe. Tenha misericórdia de vós, e vos
dê a paz. O Senhor vos dê a sua bênção.

E depois diz:
– Agora vamos. A hora é propícia para a viagem.
39.6Maria apanha um manto grande, cor de romã, coloca sobre o corpo do
Filho, e, ao fazer isso, o acaricia!
Saem e fecham a porta. Põem-se a caminho. Outros peregrinos vão indo
na mesma direção. Ao saírem da cidade, as mulheres se separam dos
homens. Os meninos vão com quem preferirem. Jesus fica com a mãe.
Os peregrinos vão salmodiando pelos belos campos, nestes alegres dias
de primavera. Prados e searas frescas e frescas as ramagens das árvores,
que floriram, há pouco. Ouvem-se os cantos dos homens pelos campos e
pelas ruas e os dos pássaros nas árvores. Córregos límpidos servem de
espelho para as flores que estão às margens e cordeirinhos saltam ao lado de
suas mães. Há paz e alegria, sob o mais belo céu de abril.
A visão cessa assim.

 

 

 

[65] Aquela gentia, é certamente uma mulher romana, portanto pagã. O substantivo gentio, que encontraremos com
frequência, se contrapõe a judeu e designa, segundo a terminologia hebraica, a pertença à “gente” que não é o povo eleito de
Israel. À compreensão dos gentios, enquanto pagãos, Jesus deverá adaptar o ensinamento da verdade, como se diz na nota em
154.7, no texto de 272.5 e na nota em 406.10. E nos os pagãos Ele pode confiar mais do que nos judeus, como muitas vezes
realça, fornecendo uma base bíblica em 635.17. -Muitos episódios na obra de Valtorta mostram (especialmente no capítulo 155)
como os judeus se consideravam contaminados pelo contacto com os pagãos. Tal impureza legal tinha um fundamento em:
Jeremias 10,25; Izequiel 4,13; Oseia 9,3; e é confirmada em alguns passos neo-testamentários: João 18,28; Actos 10,28; 11,1-3;
21,27-28. Do paganismo real fala Jesus em 116.2 e em 121.7.


CAPITULO 7
A VIRTUDE DA ESPERANÇA NA VIRGEM, SENHORA NOSSA, E COMO A PRATICOU.

Definição da esperança

505. À virtude da esperança segue a fé, sendo esta ordenada, para aquela.
O Deus altíssimo infunde a luz da fé divina para, sem tardança, chegarmos ao conhecimento infalível da divindade, de seus
mistérios e promessas. Ao conhecê-lo por nosso último fim e felicidade, e sabendo
também os meios para a Ele chegar, podemos nos elevar em veemente desejo de o
possuir. Este desejo, seguido pelo esforço de alcançar o sumo bem, chama-se esperança, cujo hábito é infundido pelo batismo
em nossa vontade, que também se denomina apetite racional.
À esperança cabe apetecer a eterna felicidade, como a seu maior bem e interesse e também esforçar-se, com a divina graça, para consegui-la, vencendo as
dificuldades que nesta conquista se apresentam.

Esperança e presunção

506. A excelência da virtude da esperança mede-se pelo seu objeto que é
Deus, último e sumo bem nosso. Ainda que não o veja, e procure como ausente, sabe
que é possível e adquirível, graças aos merecimentos de Cristo e das obras de quem espera.
Os atos e operações desta virtude, regula-os a luz da fé divina, e da particular prudência com que aplicamos a
nós mesmos as promessas infalíveis do Senhor. Com esta regra, a esperança infusa
mantém-se no razoável meio termo, entre os extremos viciosos do desespero e da presunção.
Deste modo, o homem não se presumirá, vãmente, de alcançar a glória
eterna com suas próprias forças, ou sem praticar as obras para merecê-la. Tampouco,
fazendo-as, não tema nem desconfie que a alcançará, conforme o Senhor promete e assegura.
Esta certeza, geral e comum a todos, ensinada pela fé, aplica-se ao homem
que espera com prudência e com o reto juízo que faz de si mesmo, para nem desanimar nem desesperar.

Esperança e desespero

507. Daqui se entende que a desesperação pode proceder de não se
acreditar no que a fé promete, ou caso se acredite, de não aplicar a si mesmo a certeza
das promessas divinas, julgando erradamente que não as pode conseguir.
Entre estes dois perigos, a esperança se mantém segura: supõe e acredita
que Deus não negará a mim o que prometeu a todos; que a promessa não foi
absoluta, mas sob a condição que, de minha parte, trabalhe e procure merecê-la,
quanto me for possível com o auxílio de sua divina graça.
Deus fez o homem com capacidade para sua visão e glória eterna. Não era
conveniente que chegasse a tanta felicidade fazendo mau uso, pelo pecado, das
potências com que as haveria de gozar, mas sim usando delas de acordo com o fim
para o qual se destinam. Isto é realizado pela prática das virtudes, com as quais o
homem se dispõe para chegar ao gozo do sumo Bem, buscando-o desde esta vida
pelo conhecimento de Deus e seu amor.

Á esperança de Maria Santíssima

508. Esta virtude alcançou em Maria Santíssima o sumo grau de perfeição
possível em si, em seus efeitos, circunstâncias e condições, porque o esforço e desejo
de conseguir o fim último da visão e fruição divina, tiveram Nela maiores causas que
em todas as demais criaturas.
Além disso, esta fidelíssima e prudentíssima Senhora não criava óbices
aos seus efeitos, antes os produzia com a suma perfeição possível em pura criatura.
Tendo Sua Alteza o maior grau de fé infusa nas promessas do Senhor, correspondia Ihe proporcionalmente a maior esperança.
Além da fé, recebeu a visão beatífica na qual, por experiência, conheceu a infinita verdade e fidelidade do Altíssimo.
Ainda que não usasse da rança quando gozava da visão e Posse da divindade, depois que voltava  estado ordinário, a memória do sumo bem
que gozara, a impelia esperá-lo e deseja lo, quando ausente, com maior força e
anseio. Este desejo constituía um gênero de nova e singular esperança na Rainha das virtudes."

Causas da grandeza da fé e esperança de Nossa Senhora

509. A esperança de Maria Santíssima teve ainda outra causa, para ser
superior a de todos os fiéis juntos: o prêmio e glória - principal objeto da esperança -
desta soberana Rainha foram superiores a toda a glória dos anjos e santos; tendo o
Altíssimo lhe dado o conhecimento de tanta glória, concebeu a suma esperança e
afeto para desejá-la.
Para que chegasse ao supremo grau desta virtude, e tivesse esperança à
altura de tudo o que o poderoso braço de Deus queria nela operar, foi preparada com
a luz da suprema fé, com os hábitos, auxílios, dons proporcionados, e especial
influxo do Espírito Santo.
O mesmo que dissemos de sua esperança, em relação ao objeto principal
desta virtude, há de se entender dos outros objetos chamados secundários, porque os
benefícios, dons e mistérios que se operaram na Rainha do céu foram tão grandes
que mais não pôde lhe conceder o poderoso braço do Onipotente Deus.
Já que esta grande Senhora os havia de receber, mediante a fé e esperança
nas promessas divinas, devia proporcionar-se a estas virtudes para recebê-los. Por
esta razão era necessário que sua fé e esperança fossem as mais intensas e possíveis em pura criatura.

Por amor de Maria, Deus teria criado a esperança

510. Conforme se disse na virtude da fé, possuiu a Rainha do céu
conhecimento e fé explícita de todas as virtudes reveladas e de todos os mistérios
e obras do Altíssimo. Se aos atos de fé correspondiam os da esperança, quem
poderia entender, fora do mesmo Senhor, quantos e quais seriam os atos de esperança que fez esta Senhora das virtudes?
Conheceu todos os mistérios de sua própria glória e felicidade eterna e os
que, para Ela e para o resto da Igreja evangélica, seriam operados mediante os
méritos de seu Filho Santíssimo. Somente por Maria, sua Mãe, Deus teria criado esta
virtude e a daria, como a deu, a todo gênero humano, como já dissemos da virtude da fé

Maria, Mãe da esperança

511. Por esta razão, o Espírito Santo a chamou Mãe do amor formoso e da
santa esperança (Eclo 24,24). Como o dar carne ao Verbo Divino a tornou Mãe de
Cristo, assim o Espírito Santo a fez Mãe da esperança porque, por sua especial graça
e influência, Ela concebeu e fez nascer esta virtude para os fiéis da Igreja.
Ser Mãe da santa esperança foi como conseqüente e anexo a ser Mãe de
Jesus Cristo, nosso Senhor, pois conheceu que em seu Filho nos era dada toda
nossa segura esperança. Por estas concepções e partos, adquiriu a Rainha santíssima certo gênero de domínio e
autoridade sobre a graça e as promessas do Altíssimo, as quais seriam cumpridas pela morte de Cristo,
nosso Redentor, filho de Maria.
Tudo nos deu esta Senhora, quando, mediante sua livre vontade, concebeu
e deu à luz o Verbo humanado e, com Ele, todas nossas esperanças. Aqui se cumpriu exatamente aquilo que lhe disse o
Esposo: tuas emissões são paraíso (Ct 4,13), porque tudo quanto saiu desta Mãe da
graça foi para nós felicidade, paraíso e esperança certa de o conseguir.

Maria, Mãe da Igreja

512. Em Jesus Cristo, tinha a Igreja verdadeiro e celestial pai que a
engendrou e fundou, com seus merecimentos e trabalhos, a enriqueceu de
graças, exemplos e doutrinas, como era conseqüente à propriedade de Pai e autor
desta admirável obra.
Mas pareceu que convinha à perfeição da Igreja, dispor também de amorosa
e terna mãe que, com carinho, suavidade, maternal afeto e intercessão, criasse a seu
seio os filhos pequeninos (ICor 3, 2), e com delicada alimentação os sustentasse
quando, por sua pequenez, não pudessem tolerar o pão dos fortes e robustos.
Esta mãe doce foi Maria Santíssima que, desde o nascimento da primitiva Igreja, aos temos filhos da lei da
graça, começou como piedosa mãe a lhes proporcionar o suave leite da luz e doutrina. Até o fim do mundo continuará este
ofício, com os novos filhos que cada dia Cristo nosso Senhor gera pelos méritos
de seu sangue e pelos rogos da Mãe de misericórdia.
Por Ela nascem, por Ela são criados e alimentados. Ela é a doce Mãe, vida
e esperança nossa. É o modelo de nossa esperança, o exemplo para imitarmos, e por
sua intercessão e auxílio, conseguirmos a eterna felicidade, que seu Filho Santíssimo nos mereceu.

DOUTRINA DA SANTÍSSIMA VIRGEM

Efeitos da esperança
513. Minha filha, pelas virtudes da fé e esperança, semelhantes a duas asas
infatigáveis, meu espírito se elevava ao interminável e sumo bem, até descansar na
união de seu íntimo e perfeito amor. Enquanto este benefício não era contínuo
para o estado de viadora, o era o exercício da fé e esperança. Independentes da visão
e posse, logo as encontrava em minha mente e não interrompia mais seus atos.
Os efeitos que em mim produziam, o afeto, esforços e desejo que comunicavam ao meu espírito, para chegar à eterna
posse da fruição divina, o entendimento humano, com sua limitação, não pode entender adequadamente. Conhecê-lo-á em
Deus, para seu eterno louvor, quem merecer gozar de sua visão no céu.

Imitação da esperança de N. Senhora

514. Tu, caríssima, já que tanta luz recebeste sobre a excelência desta vi r
tude e dos atos que eu praticava, trabalha por me imitar continuamente, segundo as
forças que te der a divina graça. Relembra e medita sempre nas promessas do
Altíssimo. Pela certeza de sua verdade, que a fé te confere, eleva teu coração com
ardente desejo, anelando consegui-las.
Com esta firme esperança podes confiar que, pelos méritos de meu Filho
Santíssimo, chegarás a ser moradora da celestial pátria, e companheira dos que
nela, com imortal glória, contemplam a face do Altíssimo. Se, auxiliada por esta virtude, elevares teu coração acima da terra e
fixares tua mente no bem imutável que aspiras, todo o visível te será pesado e
molesto. Julga-lo-ás vil e desprezível, e nada poderás apetecer fora daquele
amabilíssimo e deleitável objeto de teus desejos. Em minha alma este ardor da
esperança foi fruto da fé e da experiência.
Nenhuma língua, nem palavra, podem explicar ou traduzir este ardor.

Infelicidade das almas sem esperança

515. Para ainda maior estímulo, considera e chora com íntima dor, a infelicidade de tantas almas, imagens de Deus,
capazes de sua glória, e por suas culpas sem a verdadeira esperança de O gozar.
Deveriam os filhos da santa Igreja fazer pausa em seus vãos pensamentos, para se
deterem a considerar e avaliar o benefício, de serem agraciados com a fé e esperança segura.
Sem merecer, foram separados das trevas e distinguidos por esta luz, que os
tirou da cegueira da infidelidade. Se pensassem em tudo isto, sem dúvida, se
envergonhariam de seu grosseiro esquecimento, e repreenderiam sua detestável ingratidão. Fiquem certos que os esperam
mais terríveis tormentos que aos infiéis. A Deus e aos santos são mais odiosos, por desprezarem o sangue que Cristo derramou,
e por cuja virtude lhes foram prodigalizados estes benefícios. Desprezam o fruto da verdade,
como se fossem fábulas, agitando-se a vida inteira, sem parar um só dia, e muitos nem uma hora,
para considerar suas obrigações e os perigos que correm. Chora, alma, este lamentável dano e, segundo tuas forças,
trabalha e suplica o remédio a meu Filho Santíssimo. Não duvides que qualquer
cuidado e esforço que empregues nesse sentido, será recompensado por Sua Majestade.



A MESA COMUM.

Concluído isto, chegava a hora de tomarmos algum alimento para a conservação da humanidade, a hora por nós determinada. la a querida Mãe preparar a mesa com pouco alimento e José as vezes ficava comigo. Abrindo inteiramente o coração, dizia-me quanto me amava e como desejava que eu estivesse provido do necessário. As vezes faltava também o alimento indispensável. Afligia-se muito por ver-me naquela idade tão necessitado, pois as vezes não tinha com que sustentar-me. O Pai o permitia para exercitar as virtudes de seu servo. Consolava-o na aflição com palavras amorosas e agradecidas por seu afeto. Inteiramente atento e solícito por minha subsistência. Quando se consolava, pedia-me que consolasse sua amada esposa, porque ela também estava aflita por ver-me tão pobre, uma vez que eles não tinham meios de sustentar-me. Quando havia alguma coisa para comermos, Íamos tomá-la, preparada pela querida Mae. Como de costume, eu dava a benção, e comíamos aquela parca refeição. No entanto, eu fazia os habituais atos e súplicas ao Pai por todos os meus irmãos, como disse em outra parte, e em seguida juntos rendíamos as devidas graças. Quando não havia o que comer, e José com sua esposa estava aflito, consolava-o de muitas maneiras. As vezes fazia com que preparassem a mesa; dada a benção, sentados todos os três, nada havia para quebrarmos o jejum. Fazia-Ihes, então, um Pequeno discurso sobre a mesa que Pai tem preparada no céu para aqueles que o servem e amam. Ficavam eles plenamente saciados, e com esta refeição consolava-os. Outras vezes, mandava a mesa, chamava parte a querida Mae e José, exortando-os a pedirem ao Pai que os provesse do alimento necessário à subsistência. Então, o pai mandava a comida por mãos angélicas ou nos provia através de alguma criatura, por vezes a esmola de uma pão. Então íamos nos refazer rendendo as devidas graças ao Pai. Esta provisão, porém, nos advinha, se era requerida por extrema necessidade e não havia outro recurso, o que era raro a uma vez que sempre, tanto a querida Mae como Jose trabalhava para ganhar o pão necessário a eles e a mim. Nestas situações tão precárias agradecíamos juntos ao Pai, pela ocasião de experimentarmos a indigência e acharmo-nos tão pobres.

Disto muito regozijava, por me ser essa virtude tão cara. Sem dúvida, esposa minha sofria muitas vezes, em idade tão tenra, fome e sede, e isto muito me alegrava, por ter ocasião de oferecer ao Pai aquele sofrimento em desconto por meus irmãos e principalmente por aqueles tão desordenados neste ponto que parecem estar no mundo apenas para satisfazer a gula. Aplicam-se inteiramente a procurar alimentos requintados e abundância iguarias. Quando, no entanto, me achava nesta situação de tamanha pobreza, apresentava as habituais preces e ofertas ao Pai, pedindo-lhe, conforme disse em outra parte, que provesse a todas as necessidades de meus irmãos pobres, desse-lhe resignação e confiança em sua caridade paterna, a qual não deixa de prover as necessidades de cada um e de todos em geral. Pedia-lhe muito se dignasse prover de modo particular e mesmo maravilhoso a todos aqueles que, sendo ricos de bens temporais, deles se despojam por seu amor, dão tudo ao próximo carente e retiram-se para levar vida inteiramente pobre a fim de me imitarem. Ao ver todos os seus sofrimentos e conhecer quanto careceriam da providência divina, pedia ao Pai, Ihes desse grande confiança nele, e simultaneamente os provesse do necessário. O Pai, com grande liberalidade, mo prometeu e ainda ter cuidado particular deles, sem jamais deixar faltar-Ihes o indispensável, e enriquece-los de grande mérito. Se algumas vezes Ihes dá motivo de desconfiar, deixando de provê-los imediatamente do necessário, fá-lo porque com isso adquirem maior mérito, permanecendo fortes e constantes na confiança nele, porque se difere, jamais deixa de fazer quanto prometeu, e cuida particularmente deles.

OS MENINOS E JESUS.

Prosseguia no já mencionado modo de viver, dia e noite, jamais descuidando por um só momento o exercício continuo de ofertas e suplicas ao Pai, em prol de meus irmãos. Estava na maioria dos casos retirado, quase desconhecido de todos, e tratando apenas com minha querida Mãe e José. Não obstante vinham as vezes os pequeninos de minha idade para estar comigo. Naquela idade, pela inocência que traz consigo, sentiam a alma atraída com violência a mim. Exercia uma atração admirável sobre as almas inocentes, que não podiam agir de outro modo senão avizinharem-se de mim. Como o âmbar atrai a palha, assim a minha pureza e inocência, de grande peso e valor, atraiam a si a inocência a criaturas, quais leves palhas. Acolhia-as de rosto alegre e levava e as a querida Mae para que também e as acariciasse. Depois, volvia-na ao Pai e pedia-Ihe desse a graça de conservarem a inocência e Pureza. Em seguida rezava que assim e como não só me alegrava a companhia e aqueles inocentes, mas os conduzia ainda a querida Mãe, na de qual fossem agradáveis também a ela, igualmente me desse a graça todas as pessoas inocentes e puras, não apenas Ihe fossem gratas a Ele, mas também aos outros e que a inocência tivesse essa prenda de ser por todos amada e tornar-se grata a qualquer um que com ela tratasse. Realmente  Pai prometeu-me fazê-lo. Na verdade, fá-lo de modo particular, pois os maiores pecadores tratam de bom grado com as pessoas puras e inocentes, as quais possuem o privilégio de serem amadas por Deus  pelas criaturas. Agradeci por isto a meu Pai, ainda por daqueles aos quais cabe tão bela  sorte e pensam em render as devidas graças ao Pai pelo que é inteiramente dom seu.

Nota:
O primeiro a observar esse fenômeno foi o filósofo e matemático Thales de Mileto (580-546 a.C.). Ele esfregou um pedaço de âmbar (uma pedra de coloração amarela que se origina da solidificação de resinas extraídas de árvores de madeira macia) com uma pele de animal, o âmbar adquiria a capacidade de atrair pedaços de palha e sementes de grama.

CONSOLA SAO JOSÉ.

Sendo, pois, eu assim menino de pouca idade, já auxiliava de certo modo a José no trabalho manual, e visto que, pela idade tenra, não era apto a trabalhar, prestava-lhe serviços e com isto dava-lhe não pequena ajuda no seu mister. Mas, o maior alívio era faze-lo fruir de minha companhia. Com isto ficava muito consolado e muito lhe era aliviada a fadiga. A respeito deste favor rogava ao Pai que desse igual auxílio a todos os meus irmãos, enquanto se afadigam e se preocupam em ganhar a própria subsistência; sua presença os consolasse e aliviasse-lhes o cansaço. Embora invisível, sua graça muito os conforta. O Pai não o omite, quando eles não o expulsam de si por uma vida má, porque então, embora Deus esteja presente, eles não experimentam a sua presença, uma vez que são inimigos dele, vivendo mal e conservando em si o pecado. E o único modo de manter Deus distante de si e de não experimentar a sua presença e a sua poderosa graça. Assim sucede a muitos. Sentia grande pesar por causa deste fato. Muito me empenhava por eles junto ao Pai.

A PRIMEIRA CRUZ. PRIMEIRO. TRABALHO DE JESUS.

Ao começar depois a trabalhar com José, o primeiro trabalho que fiz com as minhas mãos foi uma cruz, pequena, sim, mas muito semelhante aquela na qual devia morrer. Jose, atônito diante deste primeiro trabalho, não ousou perguntar-me o significado, sentindo todavia grande pena no seu íntimo. Queria que ele sofresse aquela tribulação para dar-Ihe merecimento, sem explicar-lhe o mistério, a fim de que a dor não o afligisse demais. Ter-se-lhe-ia tornado insuportável por causa do amor que me dedicava. Por este fato, supliquei ao Pai que usasse de semelhante caridade para com os de ânimo tímido. Ao fazer com que vejam ou experimentem a tribulação, não a façam apreender tal qual é, a fim de que a sua aflição não os surpreenda além do que as suas forcas são aptas a suportar. O Pai prometeu-me e na verdade não deixa de fazê-lo. Muitos veem e experimentam grandes tribulações e grandes cruzes; afligem-se, sim, mas não tanto quanto se afligiriam se o Pai não diminuísse certo conhecimento da gravidade e da qualidade de suas tribulações.

COM A CRUZ VAI AO ENCONTRO DA MAE.

Fui procurar a querida Mae com aquela cruz para que, aquela vista, se renovasse nela o mistério de minha Paixão e morte, de que já estava ciente e sempre permanecia-Ihe fixo no espirito e no coração, transpassando-a continuamente. Ao primeiro olhar aquela cruz, foi ferida de dor cruel, lembrando-se de repente daquela na qual eu deveria morrer. Fez, no auge da dor, a oferta ao Pai não só de mim, mas também de si mesma, prontificando-se também ela a morrer na cruz, se Ihe aprouvesse. Este oferecimento foi muito agradável ao Pai. Estava, porém, imóvel, sem poder articular palavra alguma, por causa da dor. Aproximando-me dela, saudei-a e lhe disse: "Eis, minha Mãe, onde terminarei minha vida, depois de haver sofrido inumeráveis penas". Ela, genuflexa, adorou a cruz, beijou-a e abraçou-a com suma resignação e depois, voltando-se para mim, disse: "Oh Filho amado, deverei ver-te cravado numa cruz, e esta alma, que por ti somente vive e respira, não se libertará dos laços do corpo devido à dor? ver-te-ei morrer, minha vida e permanecerei viva, sem morrer contigo, meu caro bem ? Ah, sim viva para penar mais e vivendo a sofrer as dores mais atrozes, que não são as de uma morte dolorosa!" la falhando a respiração da querida Mãe, e meu Pai a confortou, dando-Ihe uma coragem tão grande que de bom grado se prontificou a sofrer dores tão acerbas. Tendo-a ainda consolado um pouco, apartei-me dela e retirei-me a um lugar onde não pudesse me ver, para que não se afligisse mais, pois queria por-me sabre esta cruz para oferecer-me ao Pai. Naquele instante, contudo, em que estava com ela, ofereci ao Pai a vontade pronta e a resignação da Mãe querida e também a minha, e pedi-Ihe desse virtude semelhante a todos os meus irmãos a fim de que, ao verem quais serão as cruzes e tribulações que o Pai Ihes enviara, sejam fortes e animosos diante do sofrer, para imitar-me não só na vida, mas também na morte, e estejam prontos a morrer na cruz enviada por meu Pai.

JESUS NA CRUZ.

Havendo-me afastado da querida Mae, coloquei a cruz no chão, e genuflexo ao pé dela, beijei-a e depois deitei-me em cima como se estivesse nela pregado. Assim ofereci-me ao Pai pela primeira vez sob aquele aspecto e lhe disse: "Eis, Pai amantíssimo, o vosso Unigênito, por vos tão amado! Eis-me pronto a sofrer a morte dolorosa neste lenho! E se vos apraz, estou disposto a morrer agora mesmo. Contemplai-me com amor, uma vez que por vosso amor eu de bom grado aceito esta dolorosa e ignominiosa morte! E pois volvei vossos olhares amorosos para meus irmãos, e pelo amor que me dedicais, e pela satisfação que de mim recebeis, mostrai-vos aplacado e benigno para com eles! O Pai, se quereis mais de mim, estou pronto a sofrer mais. E certo que as férias infernais, assim como a raiva judaica, mais não sabiam inventar, porque se existissem no mundo em maior número, mais me seriam infligidas. Eu de boa vontade as sofreria, para dar satisfação vãs, dileto Pai, e pela salvação do gênero humano". Agradou sumamente ao Pai a minha oferta e olhando-me com amor e complacência, proferiu as palavras seguintes: "Tu es meu Filho bem-amado, em ti ponho minha afeição". Os numerosos anjos que me faziam corte adoraram-me naquela posição, e com rosto triste, mostravam pesar pelas dores que eu haveria de sofrer. O Pai mostrou-se plenamente satisfeito com minha oferta e, com amor sumo, olhando-me disse-me:  "Minha justiça fica plenamente satisfeita, enquanto tu, Filho amado, satisfizeste inteiramente a minha vontade e mais, pagando os débitos do gênero humano com satisfação infinita. Pede, portanto, tudo que quiseres em prol do gênero humano. Estou pronto a consolar-te, realizando abundantemente as teus postulados, e uma vez que fazes tudo o que espero de ti, estou pronto a dar-te tudo o que desejas de mim. Agradeci ao Pai tanto pela complacência como também pelas ofertas que me fez, e logo me prevaleci de sua liberalidade e pedi-lhe que se dignasse dar a todos os meus irmãos  particular, com a qual se sentissem estimulados a procurarem cumprir a vontade divina, por mais que lhes custasse tribulações, a fim de assim se tornarem dignos que o pai lhes conceda o que almejam.



12-39
Março 26, 1918

Obrando no Divino Querer, o humano fica como suspenso e obra e toma lugar a Vida Divina.

(1) Continuando meu habitual estado, tratava de fundir-me no Divino Querer, e meu doce Jesus
me disse:
(2) "Minha filha, cada vez que a alma entra em meu Querer e reza, obra, sofre, etc., tantas
novas belezas divinas adquire, assim que um ato de mais ou de menos feito em minha
Vontade, é uma beleza de mais ou de menos que a alma adquire, não só, mas em cada ato a
mais que faz em minha Vontade, toma uma força, uma sabedoria, um amor, uma santidade, e
outras coisas divinas a mais, e enquanto toma as qualidades divinas deixa as humanas, ao
invés de agir em meu Querer o humano fica como suspenso, e obra e toma lugar a Vida Divina,
e meu amor tem o desabafo de tomar atitude de obrar na criatura".

13-36
Novembro 26, 1921

Concentração da finalidade da Criação, Redenção e Glorificação.

(1) Estava pensando no que está escrito no dia 19 e dizia entre mim: "Como pode ser possível
que depois de minha Mãe possa ser eu o segundo apoio?" E meu doce Jesus, atraindo-me a
Ele dentro de uma luz imensa me disse:
(2) "Minha filha, por que duvida? Qual é o motivo?"
(3) E eu: "Minha grande miséria".
(4) E Ele: "Isto deixa-o de um lado; e além disso, se não te escolhia a ti, certamente devia
escolher outra da família humana, porque esta se rebelou à minha Vontade, e com o rebelar-se
me tirou a finalidade da glória e da honra que a Criação devia dar-me, portanto, outra da
mesma família humana, com ter uma contínua conexão com meu Querer, com viver mais com
minha Vontade que com a própria, abraçando tudo em meu Querer devia elevar-se sobretudo
para pôr aos pés de meu trono a glória, a honra, o amor que todos os demais não me deram.
(5) Única finalidade da Criação foi que todos cumprissem meu Querer; não foi que o homem
fizesse coisas grandes, mas sim, estas as vejo como um nada e com desprezo se não são
frutos de minha Vontade, por isso muitas obras em seu melhor momento se desfazem, porque a
Vida de minha Vontade não estava dentro. Então o homem, tendo quebrado sua vontade com a
minha, destruiu-me o mais belo, a finalidade para a qual o havia criado; ele se arruinou
completamente e me negou todos os direitos que me devia dar como a seu Criador. Mas
minhas obras carregam o selo do eterno, e minha infinita sabedoria e meu eterno amor não
podiam deixar a obra da Criação sem seus efeitos e os direitos que me correspondiam; eis aqui
o por que da Redenção. Quis expiar com tantas penas as culpas do homem, e com não fazer
jamais minha vontade senão sempre a da Divindade, e ainda nas coisas menores, como o
respirar, o olhar, o falar, etc.; minha Humanidade não se movia, nem tinha vida se não era
animada pela Vontade de meu Pai, teria me contentado em morrer milhares de vezes antes
de dar um respiro sem seu Querer, com isto amarrei de novo a vontade humana com a Divina, e
em minha pessoa, sendo Eu verdadeiro homem e verdadeiro Deus, dava ao meu Pai toda a
glória e os direitos que lhe correspondiam. Mas meu Querer e meu amor não querem estar
sozinhos em minhas obras, querem fazer outras imagens semelhantes a Mim, e tendo minha
Humanidade refeito a finalidade da Criação, vi pela ingratidão do homem, pôr em perigo a
finalidade da Redenção, e para muitos ficar quase arruinada, por isto para fazer que a
Redenção me desse glória completa e me desse todos os direitos que me deviam, tomei outra
criatura da família humana, a qual foi minha Mãe, cópia fiel de minha Vida, em quem minha
Vontade se conservava íntegra, e concentrei nela todos os frutos da Redenção, assim pus a
salvo a finalidade da Criação e Redenção, e minha Mãe, se nenhum tivesse aproveitado a
Redenção, me daria Ela tudo o que as criaturas me teriam dado.

(6) Agora venho a ti; Eu era verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, minha querida Mãe era
inocente e santa, e nosso amor nos levou além, queríamos outra criatura, que concebida como
todos os outros filhos dos homens tomasse o terceiro lugar a meu lado, - não estava contente
de que só eu e minha Mãe fôssemos íntegros com a Vontade Divina, queríamos os outros filhos
- que em nome de todos, vivendo em pleno acordo com nossa Vontade, nos dessem glória e
amor divino por todos, por isso te chamei "ab eterno", quando nada existia ainda aqui abaixo, e
assim como cortejava a minha querida Mãe, deleitando-me, acariciando-a e fazendo chover
sobre Ela a torrentes todos os bens da Divindade, assim te cortejava a ti, acariciava-te, e as
torrentes que choviam sobre minha Mãe te inundavam a ti, por quanto eras capaz de conter, e
te preparavam, te preveniam e embelezando te davam a graça de que minha Vontade fosse
íntegra em ti, e que não a tua, senão a minha, animasse ainda teus mais pequenos atos; em
cada ato teu corria minha Vida, meu Querer e todo meu amor. Que contentamento, quantas
alegrias não sentia Eu! Eis por que te chamo segundo apoio depois de minha Mãe, não sobre
você me apoiava, porque você era nada e não podia me apoiar, senão sobre minha Vontade
que você devia conter. Minha Vontade é vida, e quem a possui, possui a vida e pode sustentar
o autor da mesma vida. Então, assim como em Mim concentrei a finalidade da Criação, em
minha Mãe concentrei os frutos da Redenção, assim em ti concentrei a finalidade da glória,
como se em todos fosse íntegro meu Querer, e daqui virá a corte das outras criaturas. Não
terminarão as gerações se não obtiver meu intento".
(7) Então eu, surpreendida, disse: "Meu amor, é possível que a tua Vontade esteja íntegra em
mim, e que em toda a minha vida não tenha havido nenhuma ruptura entre a tua Vontade e a
minha? Parece que estás a brincar comigo". E Jesus com acento mais doce ainda:

(8) "Não, não brinco, é verdade que não houve ruptura, as mais leves lesões alguma vez, mas
meu amor como forte cimento reparou estas lesões e fez ainda mais forte a integridade. Eu
estava de guarda a cada ato seu, e rapidamente fazia correr meu Querer ao seu ponto de honra
em cada um deles, Eu sabia que muitas graças eram necessárias, devendo fazer o maior milagre
que existe no mundo, como é viver continuado em meu Querer, em que a alma deve
absorver a todo um Deus em seu ato para dá-lo de novo íntegro como o tem absorvido, e logo
absorvê-lo de novo, por isso supera o mesmo milagre da Eucaristia, onde os acidentes não têm
razão, nem vontade, nem desejos que possam opor-se à minha Vida Sacramental, assim que
nada põe a hóstia, todo o obrar é meu, se o quero faço, em troca para realizar o milagre de
viver em meu Querer, devo dobrar uma razão, uma vontade humana, um desejo, um amor
puramente livre, e quanto não é necessário? Por isso abundam almas que comungam e
participam no milagre da Eucaristia, porque para isso se sacrificam menos, mas devendo
sacrificar-se mais no fazer que se realize o milagre de que minha Vontade tenha vida nelas,
pouquíssimas são as que se dispõem".

14-40
Julho 6, 1922

Bênção de Jesus a sua Mãe. Quem vive na Divina Vontade é depositária da Vida Sacramental de Jesus.

(1) Estava pensando e acompanhando Jesus na hora da Paixão quando foi diante da Divina
Mãe pedir sua santa bênção, e meu dulcíssimo Jesus em meu íntimo me disse:
(2) "Minha filha, antes da minha Paixão quis abençoar a minha Mãe e ser abençoado por Ela,
mas não foi só à minha Mãe que abençoei, mas a todas as criaturas, não só animadas mas
também inanimadas; vi as criaturas débeis, cobertas de chagas, pobres, meu coração teve uma
batida de dor e de terna compaixão e disse: pobre humanidade, como está decaída, quero
abençoar-te a fim de que ressurjas de tua decadência; minha bênção imprima em ti o triplo selo
da potência, da sabedoria e do amor das Três Divinas Pessoas e te restitua a força, te cure e te
enriqueça, e para circundar-te de defesas abençoo todas as coisas criadas por Mim, a fim de
que as recebas abençoadas por Mim: abençoo a luz, o ar, a água, o fogo, o alimento, a fim de
que fique como abismada e coberta com minhas bênçãos, mas como você não as merecias,
por isso quis abençoar a minha Mamãe, servindo-me dela como canal para fazer chegar a você
minhas bênçãos". E assim como minha Mãe me correspondeu com suas bênçãos, assim quero
que as criaturas me correspondam com suas bênçãos; mas, ai de Mim! em vez de
correspondência de bênçãos, correspondem-me com ofensas e maldições, por isso minha filha,
entra em meu Querer, e pondo-te sobre todas as coisas criadas sela todas com as bênçãos que
todos me devem, e traz a meu sofredor e terno coração as bênçãos de todos".

(3) Depois de ter feito isto, como para me recompensar disse:

(4) "Minha amada filha, abençoo-te de modo especial, abençoo-te o coração, a mente, o
movimento, a palavra, o respiro, toda e tudo te abençoo".
(5) Depois disto continuei com as demais horas da Paixão, e enquanto seguia a ceia
eucarística, meu doce Jesus moveu-se em meu interior e com a ponta de seu dedo tocou forte
em meu interior, tanto que o ouvi com meus ouvidos e disse entre mim: "Que quererá Jesus que chama?" E Ele, chamando-me, disse-me:
(6) "Não bastava tocar para me fazer ouvir, mas também te chamar para ser ouvido. Escuta
minha filha, enquanto instituía a ceia Eucarística chamei a todos em torno de Mim, olhei todas
as gerações, do primeiro ao último homem, para dar a todos minha Vida Sacramental, e não
uma vez, mas tantas vezes por quantas vezes tem necessidade do alimento corporal. Eu queria
constituir-me como alimento da alma, mas me encontrei muito mal ao ver que esta minha Vida
Sacramental ficava rodeada por desprezos, por descuidos e mesmo por morte
impiedosa. Senti-me mal, senti todas as angústias da morte da minha Vida Sacramental tão
dolorosa e repetida; mas olhei melhor, fiz uso da potência do meu Querer e chamei em torno de
Mim as almas que teriam vivido no meu Querer, oh, como me sentia feliz!

Sentia-me cercado por estas almas às quais a potência de minha Vontade as tinha como abismadas, e que como
centro de sua vida estava meu Querer; vi nelas minha imensidão e me encontrei bem defendido
por todas, e a elas confiei minha Vida Sacramental, Eu a depositei nelas para que não só
cuidassem de mim mas que me correspondessem por cada hóstia Consagrada com uma vida
delas, e isto acontece como conatural, porque minha Vida Sacramental está animada por minha
Vontade eterna, e a vida destas almas tem como centro de vida meu Querer, então, quando a
minha Vida Sacramental é formada, meu Querer obrante em Mim obra nelas e Eu sinto sua vida
em minha Vida Sacramental, multiplicam-se Comigo em cada uma das hóstias, e Eu sinto que
me dão vida por vida. Oh! como eu exultei ao ver-te como a primeira, que de modo especial te
chamei a formar vida no meu Querer! Fiz em ti o meu primeiro depósito de todas as minhas
Vidas Sacramentais, confiei-te à potência e à imensidão do Querer Supremo, a fim de que te
tornassem capaz de receber este depósito, e desde então tu estavas presente a Mim e te
constituí depositária de minha Vida Sacramental, e em ti a todas as demais almas que viveriam
em meu Querer. Dei-te o primado sobre tudo, e com razão, porque o meu Querer não está
posto abaixo de ninguém, mesmo sobre os apóstolos, sobre os sacerdotes, porque, embora
eles me consagrem, não ficam vida junto de Mim, deixam-me sozinho, esquecido, não tendo
cuidado de Mim; em troca essas almas teriam sido vida em minha mesma Vida, inseparáveis de
Mim, por isso te amo tanto, é a mim mesmo querer que amo em ti".

16-46
Fevereiro 10, 1924

A doutrina sobre a Divina Vontade é a mais pura, a mais bela, pela qual será renovada a Igreja e transformada a face da terra. O abandono na Divina Vontade.

(1) Estava a pensar entre mim em tudo o que está escrito nestes últimos dias, e dizia: entre mim que não eram coisas nem necessárias nem sérias, e que podia não tê-las posto no papel, mas a obediência o quis e eu estava no dever de pronunciar o Fiat também nisto. Enquanto pensava nisto, o meu amado Jesus disse-me:

(2) "Minha filha, no entanto, tudo era necessário para fazer conhecer como se vive em meu Querer; não dizendo tudo, você faria faltar uma qualidade do modo como viver nele, e assim tanto não poderiam ter o pleno efeito de viver em minha Vontade, como por exemplo sobre o abandono de viver em meu Querer, se a alma não vivesse toda abandonada em minha Vontade, seria como uma pessoa que vivia num suntuoso palácio, e agora se debruça por uma janela, agora por um balcão, agora desce ao portão, assim que a pobrezinha pouco ou levemente passa por suas estancias, não tem interesse nem do regime, nem do trabalho que é necessário, nem dos bens que há, nem do
que pode tomar nem do que pode dar; quem sabe quantos bens há e ela não toma interesse, por isso não ama como deveria amar, nem tem a estima que merece aquele palácio. Agora, para a alma que vive em Minha Vontade e não está de todo abandonada nela, as reflexões próprias, os cuidados de si mesma, os temores, as perturbações, não são outra coisa que janelas, varandas, portões que se forma em minha Vontade, e que saindo frequentemente é obrigada a ver e sentir as misérias da vida humana, e como as misérias são sua propriedade, e as riquezas de minha Vontade são minhas, apega-se mais às misérias que às riquezas, então não tomará amor nem gostará o que significa viver em mim Querer; e tendo formado o portão, um dia ou outro irá viver na miserável favela de sua vontade. Veja então como é necessário o pleno abandono em Mim para viver em Minha Vontade; Ela não tem necessidade das misérias da vontade humana, a quer para que viva junto com Ela, bela como a fez sair de seu seio, sem o miserável traje que se tem formado no exílio da vida, de outra maneira haveria disparidade que daria dor à minha e infelicidade à vontade humana. Veja como é necessário fazer entender que é necessário o pleno abandono para viver em minha Vontade, e você diz que não era necessário escrever sobre isto; Eu tenho pena de você,
porque você não vê o que vejo Eu, você só vê o hoje, e em minha Omnividência vejo que estes escritos serão para minha Igreja como um novo sol que surgirá em meio Dela, e os homens atraídos por sua luz deslumbrante se aplicarão para transformar-se nesta luz e sair espiritualizados e divinizados, pelo que renovando-se a Igreja, transformarão a face da Terra.
(3) A doutrina sobre a minha Vontade é a mais pura, a mais bela, não sujeita à sombra de matéria ou de interesse, tanto na ordem sobrenatural como na ordem natural, por isso será a maneira de sol, o mais penetrante, o mais fecundo e o mais bem-vindo e acolhimento. E como é Luz, por si mesma se fará entender e se abrirá caminho; não estará sujeita a dúvidas, a suspeitas de erro, e se alguma palavra não se entenderá, será a demasiada luz que eclipsando a inteligência humana não poderão compreender toda a plenitude da verdade, mas não encontrarão uma palavra que não seja verdade, no máximo, não poderão de todo compreendê-la. Por isso, em vista do bem que vejo, te incito a que nada pare de escrever, um dito, um efeito, uma semelhança sobre minha Vontade, pode ser como um orvalho benéfico sobre as almas, como é benéfico o orvalho sobre as plantas depois de um dia de sol ardente, como uma chuva abundante depois de longos meses de seca.

Você não pode entender todo o bem, a luz, a força que há dentro de uma palavra, mas seu Jesus sabe, e sabe a quem deve servir e o bem que deve fazer".

(4) Agora, enquanto dizia, fez-me ver no meio da Igreja uma mesa, e todos os escritos sobre a Divina Vontade postos em cima, muitas pessoas veneráveis rodeavam essa mesa e saíam transformadas em luz e divinizadas, e conforme caminhavam comunicavam aquela luz a quem encontravam.

(5) E Jesus acrescentou: "Tu verás do Céu o grande bem, quando a Igreja receberá Este alimento Celestial, que fortificando-a, a fará ressurgir em seu pleno triunfo".

17-41
Maio 4, 1925

A missão da Divina Vontade refletirá a Santíssima Trindade na Terra, e fará com que o homem retorne à sua origem.

(1) Depois de ter escrito o que está acima, pus-me a fazer a adoração ao meu crucificado Jesus, Fundindo-me toda em sua Santíssima Vontade, e meu amado Jesus saiu de dentro de mim, e pondo o seu santíssimo rosto junto ao meu, todo ternura me disse:.
(2) "Minha filha, escreveste tudo sobre a missão da minha vontade?".
(3) E eu: "Sim, sim, escrevi tudo".
(4) E Ele de novo: "E se te disser que não escreveste tudo, aliás, a coisa mais essencial a deixaste, por isso volta a escrever e acrescenta: A missão da minha Vontade refletirá a Santíssima Trindade na terra; e como no céu estão o Pai, o Filho e o Espírito Santo, inseparáveis entre eles, mas distintos entre eles, que formam toda a bem-aventurança do Céu, assim na terra haverá três pessoas que, pela sua missão, serão distintas e inseparáveis entre elas: a Virgem com a sua Maternidade, que reflete a Paternidade do Pai Celestial e encerra sua potência para cumprir sua
missão de Mãe do Verbo Eterno e Corredentora do gênero humano; minha Humanidade para a missão de Redentor encerrou a Divindade, e o Verbo sem jamais se separar do Pai e do Espírito Santo para manifestar a minha Sabedoria celeste, acrescentando o vínculo de me fazer inseparável com a minha Mãe; tu, para a missão da minha Vontade, o Espírito Santo fará desabafar do seu amor manifestando-te os segredos, os prodígios do meu Querer, os bens que contém para fazer felizes aqueles que quererão conhecer quanto bem contém esta Vontade Suprema, para amá-la e fazê-la reinar entre eles, oferecendo suas almas para fazê-la habitar em seus próprios corações
para poder formar sua Vida neles, adicionando o vínculo da inseparabilidade entre você, a Mãe e o Verbo Eterno. Estas três missões são distintas e inseparáveis, e as primeiras duas prepararam as graças, a luz, o trabalho, e penas inauditas para a terceira missão de minha Vontade, para fundir-se ambas nela, sem deixar seu ofício para encontrar repouso, porque só a minha Vontade é repouso celestial. Estas missões não se repetem, porque é tal e tanta a exuberância da graça, da luz, do conhecimento, que todas as gerações humanas poderão ficar cheias, mas não poderão conter todo o bem que elas contêm. Estas missões estão simbolizadas no sol, que ao criá-lo enchi
de tanta luz e calor, de modo que todas as gerações humanas têm luz superabundante, e não tive em conta que no início da Criação, estando só Adão e Eva que deviam gozá-lo, poderia ter posto no sol uma luz que bastasse somente para eles dois, e conforme as gerações deviam crescer aumentar nova luz; não, não, o fiz cheio de luz como é ainda agora e será. Minhas obras, por decoro e honra de nosso poder, sabedoria e amor, são sempre feitas com a plenitude de todo bem que contêm, não sujeitas a crescer ou decrescer; assim fiz com o sol, concentrei nele toda a luz que devia servir até o último homem. E quantos bens o sol não faz à terra?

Quanta glória na sua luz muda não dá ao seu Criador? Posso dizer que me glorifica e me faz conhecer mais o sol em sua linguagem muda, pelos imensos bens que faz à terra, que todas as demais coisas juntas, e isto porque é pleno em sua luz e estável em seu curso. Quando olhei para o sol que, com tanta luz, só Adão e Eva gozavam, olhei também para todos os viventes, e vendo que essa luz devia servir a todos, a minha paterna bondade exultou de alegria e fui glorificado nas minhas obras. Assim fiz com minha Mãe, a enchi de tanta graça que pode dar graças a todos sem esgotar uma só; assim fiz com minha Humanidade, não há bem que não possua, encerre tudo, ainda à mesma Divindade, para dá-la a quem a queira; assim fiz contigo, encerrei em ti minha Vontade, e com ela encerrei-me a mim mesmo; encerrei em ti os seus conhecimentos, os seus segredos, a sua luz; enchi a tua alma até à borda, tanto que o que escreves não é outra coisa senão o desabafo do que contendes da minha vontade, e ainda que agora só te serve a ti, e algum raio de luz a alguma outra alma, Eu me contento, porque sendo luz, por si mesma, mais que segundo sol se fará caminho para iluminar as gerações humanas e levar o cumprimento de nossas obras, que nossa Vontade seja conhecida e amada e reine como vida nas criaturas. Esta foi a finalidade da Criação, este seu princípio, este será o meio e o fim. Por isso seja atenta, porque se trata de pôr a salvo essa Vontade Eterna que
com tanto amor quer habitar nas criaturas, mas quer ser conhecida, não quer estar como estranha, mas quer dar seus bens e fazer-se vida de cada um, mas quer seus direitos, O seu lugar de honra, quer que a vontade humana seja posta de lado, única inimiga sua e do homem. A missão da minha Vontade foi a finalidade da criação do homem. Minha Divindade não partiu do Céu, de seu trono, mas minha Vontade não só partiu, mas desceu em todas as coisas criadas e ali formou a sua Vida.
Mas enquanto todas as coisas me reconheceram, e Eu com majestade e decoro nelas habito, só o homem me rejeitou; mas Eu quero conquistá-lo e vencê-lo, e por isso minha missão não terminou, por isso te chamei, confiando-te minha mesma missão, a fim de que ponhas no colo de minha Vontade ao que me jogou, e tudo me retorne em meu Querer. Por isso não te admires por quantas coisas grandes e maravilhosas possa dizer-te para esta missão, por quantas graças possa fazer-te, porque não se trata de fazer um santo, de salvar as gerações, senão se trata de pôr a salvo uma Vontade Divina, que todos voltem ao princípio, à origem da qual todos saíram, e que a finalidade da
minha Vontade tenha o seu cumprimento"..

19-38
Julho 18, 1926

Por que o Nosso Senhor, ao vir à terra, não manifestou o Reino do seu Querer.

(1) Minha pobre mente estava pensando no que está escrito aqui em cima, e meu doce Jesus continuou sobre o mesmo argumento dizendo-me:.
(2) "Minha filha, olha então o por que ao vir à terra não dei o Reino de meu Querer nem o fiz conhecer, pois havia uma necessidade, quis submeter a uma nova prova à criatura, quis dar-lhe coisas menores daquelas que lhe dei na Criação, remédios e bens para curá-la, porque, criando-o, o homem não estava doente, mas são e santo, portanto podia muito bem viver no Reino do meu Querer, mas subtraindo-se do Querer Supremo adoeceu, e Eu vim à terra como médico celestial para ver se aceitava os remédios, os medicamentos para a sua doença, e depois de tê-lo
experimentado nisso, então lhe teria dado a surpresa de manifestar o Reino de minha Vontade, que em minha Humanidade tinha preparado para ele.

(3) Enganam-se aqueles que pensam que nossa suma bondade e sabedoria infinita teriam deixado ao homem só com os bens da Redenção, sem levantá-lo de novo ao estado primeiro criado por nós; se assim fosse, nossa Criação teria ficado sem sua finalidade e portanto sem seu pleno efeito, o que não pode ser nas obras de um Deus, no máximo faremos passar e girar os séculos, dando agora uma surpresa, agora uma outra, agora confiando-lhe um pequeno bem, agora outro maior; faremos como um pai que quer herdar a seus filhos, mas estes filhos muito têm desperdiçado os bens do pai, mas contudo e isto está decidido a herdar a propriedade a seus filhos, assim que
pensa em outra estratégia, não dá já a seus filhos as somas grandes senão pouco a pouco, peso a peso, e conforme vê que os filhos conservam o pouco assim vai aumentando as pequenas somas.
Com isto os filhos vêm a reconhecer o amor do pai e a apreciar os bens que lhes confia, o que não faziam antes quando tinham as somas grandes, isto serve para os reafirmar e para lhes ensinar a saber conservar os bens recebidos; então o pai, quando os formou, confirma sua decisão e dá suas propriedades a seus filhos. Agora, assim está fazendo a paterna bondade, na Criação pôs o homem na opulência dos bens, sem restrição alguma, mas somente porque quis prová-lo colocou uma só restrição, que a ele não teria custado grande coisa, mas com um ato de sua vontade contrária à minha desperdiçou todos estes bens, mas meu amor não se deteve, comecei, mais que
pai, a dar-lhe pouco a pouco, e primeiro a curá-lo. Com o pouco muitas vezes se usa mais atenção que quando se possuem as coisas grandes, porque se possuem grandes propriedades e se se esbanja, há sempre de onde tomar, mas se esbanja o pouco fica em jejum; mas a decisão de dar o Reino da minha Vontade ao homem não a mudei, o homem muda, Deus não se muda. Agora a coisa é mais fácil, porque os bens da Redenção fizeram o caminho, fizeram conhecer muitas surpresas do meu amor pelo homem, como os amei, não só com o Fiat mas com dar-lhe a minha própria Vida, se bem que meu Fiat me custe mais que minha própria humanidade, porque o Fiat é Divino, Imenso e Eterno, minha humanidade é humana, limitada e no tempo tem seu princípio, mas a mente humana não conhecendo a fundo o que significa o Fiat, seu valor, sua potência, e o que pode fazer, se deixam impressionar mais por tudo o que fiz e sofri ao vir redimi-los, sem saber que sob minhas penas e minha morte estava escondido meu Fiat, que dava vida a minhas penas.
Agora, se eu quisesse manifestar o Reino da minha Vontade, tanto quando vim à terra, como antes de que os bens da Redenção fossem conhecidos e em grande parte possuídos pelas criaturas, meus maiores santos teriam ficado atemorizados, todos teriam pensado e dito: Adam inocente e santo não soube viver, nem perseverou neste Reino de luz interminável e de santidade divina, como podemos nós fazê-lo? E tu, quantas vezes não te assustaste? E tremendo diante dos bens imensos e da santidade toda divina do Reino do Fiat Supremo querias retirar-te dizendo-me: Jesus, pensa em qualquer outra criatura, eu sou incapaz'. Não te espantou tanto o sofrer, ao contrário, muitas vezes me rogaste, incitando a que te fizesse sofrer, e por isso minha mais que paterna bondade, como a uma segunda mãe minha, à qual ocultei que ia conceber-me em seu seio, primeiro a preparei, a formei, para não fazê-la espantar, e quando chegou o tempo oportuno, no mesmo momento em que Eu devia conceber-me, então o fiz saber por meio do anjo, e se no primeiro momento tremeu e se conturbou, mas logo se serenou, porque estava habituada a viver junto com seu Deus, em meio a sua luz e diante de sua santidade. Assim te fiz, por tantos anos e anos te ocultei que queria formar em ti este Reino supremo, te preparei, te formei, me encerrei em ti, no fundo de tua alma para formá-lo, e quando tudo estava feito te manifestei o segredo, te falei de tua missão especial, pedi-te em modo formal se querias aceitar o viver em minha Vontade, e enquanto tu temias e tremias, Eu te alentava e te tranquilizava dizendo-te: Por que te perturbas?
Talvez não tenha vivido até agora junto Comigo no Reino de meu Querer? ' E você se acalmando tomava mais prática em viver nele e Eu me deleitava em ampliar sempre mais os confins de meu Reino, porque está estabelecido até onde a criatura deve tomar posse neste Reino, posto que são intermináveis seus confins, e a criatura é incapaz de poder abraçá-los todos, porque é limitada"..
(4) E eu: "Meu amor, não obstante meus temores não cessaram de todo, e às vezes me espanto tanto, que temo chegar a ser um segundo Adão".
(5) E Jesus: "Minha filha, não temas, tu tens mais ajuda que a que tinha Adão, tens a ajuda de um Deus Humanado e todas as suas obras e penas para tua defesa, para teu sustento, para teu cortejo, o que ele não tinha, por que então queres temer? Mas fica atenta à santidade que convém para viver neste Reino celestial, à tua felicidade e fortuna, pois vivendo nele te basta um olhar, ouvir uma só palavra minha para compreender seus bens, enquanto que quem está fora, se pode dizer que entendem só que existe o Reino de minha Vontade, mas do que está dentro, e o que se
necessita para fazê-lo compreender, apenas o alfabeto de minha Vontade podem entender"..

20-41
Dezembro 25, 1926

Como o Menino Jesus se fez ver apenas nascido a sua Mãe. Luz que exala o Menino, que dava a todos o anúncio e a saudação da sua chegada à terra. Diferença entre a gruta e a prisão da Paixão.

(1) Estava com ânsia esperando o menino Jesus, e depois de muitos suspiros finalmente veio
e lançando-se como um pequeno menino em meus braços me disse:
(2) "Minha filha, queres ver como me viu minha inseparável Mãe quando saí do seio materno? Olhe
para Mim e veja".
(3) Eu o olhei e o via pequeno menino, de uma inédita beleza, atraente; de toda sua pequena
humanidade, dos olhos, da boca, das mãos e dos pés saíam raios brilhantíssimos de luz que não
só envolviam a Ele, mas sim que se alongavam tanto de poder ferir cada coração de criatura, como
para lhes dar a primeira saudação de sua vinda à terra, o primeiro toque para chamar os corações,
para que lhe abrissem e lhes pedisse um albergue neles, aquele chamado era doce mas
penetrante, mas como era chamado de luz não fazia ruído, mas se fazia ouvir mais alto que
qualquer rumor. Assim, naquela noite, todos sentiam uma coisa incomum em seus corações, mas
pouquíssimos foram os que o abriram para dar-lhe um pequeno refúgio. E o terno infante, não
sentindo-se correspondido na saudação, nem abrindo os corações diante de seus repetidos
chamados, começou seu pranto com os lábios lívidos e trêmulos pelo frio, soluçava, gemia e
suspirava, mas enquanto a luz que saía d‟Ele fazia tudo isto com as criaturas, recebendo as
primeiras recusas, com sua Mãe Celestial, logo que saiu de seu seio, se lançou em seus braços
maternos para lhe dar o primeiro abraço, o primeiro beijo, e como seus pequenos braços não
conseguiam abraçá-la toda, a luz que saía de suas mãozinhas a cercou toda, de modo que Mãe e
Filho foram investidos pela mesma luz. Oh! como a Mãe Rainha correspondeu ao Filho com seu
abraço e beijo, de modo que ficaram tão estreitados juntos, que pareciam fundidos um no outro.
Com seu amor reparou a primeira rejeição recebida por Jesus por parte dos corações das criaturas,
e o amado e amoroso menino depositou no coração de sua Mãe seu primeiro ato de nascer, suas
graças, sua primeira dor, para fazer com que o que se via no Filho se pudesse ver em sua Mãe.

(4) Depois disto o gracioso menino veio em meus braços e me apertando forte, forte, sentia que Ele
entrava em mim e eu n‟Ele, e depois me disse:

(5) "Minha filha, te quis abraçar como abracei a minha amada Mamãe, a fim de que também você
recebesse meu primeiro ato de nascer e minha primeira dor, minhas lágrimas, meus ternos
gemidos, a fim de que se mova a compaixão de meu estado doloroso de meu nascimento. Se não
tivesse a minha Mãe na qual depositar todo o bem de meu nascimento e fixar n‟Ela a luz de minha
Divindade, que Eu, Verbo do Pai continha, não teria encontrado ninguém, nem onde depositar o
tesouro infinito de meu nascimento, nem onde fixar a luz de minha Divindade que de minha
pequena Humanidade transparecia. Por isso vê como é necessário que quando se decide pela
Majestade Suprema fazer um grande bem às criaturas, que pode servir como bem universal, que
escolhamos uma só para dar-lhe tanta Graça para poder receber em si todo aquele bem que
devem receber todos os demais, porque se os outros não recebem tudo ou em parte, nossa obra 
não fica suspensa e sem seu fruto, pois a alma escolhida recebe nela todo aquele bem, e nossa
obra recebe a correspondência do fruto, assim que minha Mãe foi não só a depositária de minha
Vida, mas de todos meus atos.

Por isso, em todos os meus atos, primeiro via se podia depositar
neles e depois os fazia, assim que n‟Ela depositei minhas lágrimas, meus gemidos, o frio e as
penas que sofri, e Ela fazia eco a todos meus atos e com incessantes agradecimentos recebia
tudo; havia uma competição entre Mãe e Filho, Eu a dar e Ela a receber. Nesta minha pequena
Humanidade ao fazer sua primeira entrada sobre a terra, minha Divindade quis transformar-se fora
dela para girar por toda parte e fazer a primeira visita sensível a toda a Criação, céus e terra, todos
receberam esta visita de seu Criador, fora do homem; jamais tinham recebido tanta honra e glória
como quando viram no meio deles o seu Rei, o seu Criador, todos se sentiam honrados porque
deviam servir àquele do qual tinham recebido a existência, por isso todos fizeram festa. Por isso
meu nascimento, por parte de minha Mãe e de toda a Criação, me foi de grande alegria e glória;
por parte das criaturas me foi de grande dor. Eis por que vim a ti, para me sentir repetir as alegrias
da minha Mãe e depositar em ti o fruto do meu nascimento".
(6) Depois disto estava pensando como era infeliz aquela gruta onde o menino Jesus havia
nascido, como estava exposta a todos os ventos, ao frio, de fazer tremer pelo frio, em vez de
homens havia bestas que lhe faziam companhia. Por isso pensava qual poderia ser mais infeliz e
dolorosa, a prisão da noite de sua Paixão ou a gruta de Belém. E a minha doce criança
acrescentou:

(7) "Minha filha, não se pode comparar a infelicidade da prisão da minha Paixão com a gruta de
Belém. Na gruta tinha a minha Mãe em alma e corpo estava junto Comigo, portanto tinha todas as
alegrias da minha amada Mãe e Ela tinha todas as alegrias de Mim, seu Filho, que formavam
nosso Paraíso. As alegrias de Mãe ao possuir o Filho são grandes, as alegrias de possuir uma Mãe
são maiores ainda; Eu encontrava tudo n‟Ela e Ela encontrava tudo em Mim; além disso estava
meu amado pai São José que me fazia de pai, e Eu sentia todas as alegrias que ele sentia por
minha causa. Em vez disso, na minha Paixão, todas as nossas alegrias foram interrompidas,
porque devíamos dar lugar à dor, e sentíamos entre Mãe e Filho a grande dor da próxima
separação, pelo menos sensível, que devia acontecer com minha morte. Na gruta as bestas me
reconheceram e honrando-me procuravam aquecer-me com seu fôlego, na prisão nem sequer os
homens me reconheceram e para insultar-me cobriram de escarros e de vergonha, por isso não há
comparação entre uma e a outra".

21-7
Março 16, 1927

Assim que Jesus foi concebido, formou o reatamento de seu Reino com as criaturas. Como na Divina Vontade estão os atos universais que são necessários para reivindicá-la.

(1) Estava pensando no Fiat Supremo e no modo como pode vir e ser realizado este Reino, e meu
amado Jesus movendo-se em meu interior me disse:
(2) "Minha filha, assim que teu Jesus foi concebido, retomei de novo o Reino de minha Vontade
Divina com as criaturas. Era necessário que Ela tomasse domínio absoluto em minha Humanidade
e tivesse sua Vida livre em todos meus atos, para poder estender seu Reino como queria em
minha Humanidade. Assim, tudo o que eu fazia: Obras, orações, respiro, batida e sofrimentos,
eram vínculos, retomados do Reino do meu Fiat com as criaturas. Eu representava o novo Adão,
que não só devia dar os remédios para salvá-los, mas devia refazer, restituir o que o velho Adão
perdeu; por isso me foi necessário tomar a natureza humana para poder fechar nela o que a
criatura tinha perdido, e por meio de mim dá-lo de novo.

Era de justiça que minha Vontade Divina tivesse uma natureza humana a sua disposição e que em nada se opusesse, para poder de novo estender seu Reino no meio das criaturas, muito mais que uma natureza humana lhe havia tirado seus direitos de reinar, por isso, era necessária outra que lhe restituísse os seus direitos. Portanto
minha vinda à terra não foi só pela Redenção, mas sim, a primeira finalidade foi para formar o Reino de minha Vontade em minha Humanidade, para dá-lo novamente às criaturas; se isto não fosse assim, a minha vinda sobre a terra seria uma obra incompleta, não digna de um Deus, que nada menos não teria podido restabelecer a obra da Criação, a ordem como saiu de nossas mãos criadoras, que em tudo devia reinar nossa Vontade. Agora, para que estes recomeços que formou minha Humanidade do meu Reino com as criaturas, pudessem ter validade, vida e ser conhecidos, era necessário que escolhesse uma criatura, que dando-lhe por ofício especial que fizesse
conhecer este Reino do meu Querer, vincular com ela todos estes recomeços que tinha formado a minha Vontade com a minha humanidade, dando-lhe capacidade de transmitir estes recomeços do meu Reino às outras criaturas. Por isso estou no fundo de tua alma mantendo a Vida do Fiat Supremo, para vincular estes recomeços e estender nela seu Reino, e te falo tanto dele como a nenhum outro até agora lhe falei, por tanto seja atenta, que se trata da coisa maior, qual é restabelecer a ordem da Criação entre o Criador e a criatura.

(3) Não só isto, mas era necessário que escolhesse primeiro uma criatura que vivesse no Fiat Divino para receber dela atos universais, porque minha Vontade é universal, se encontra por toda parte, não há criatura que não receba sua Vida. Agora, o homem com subtrair-se da minha Vontade rejeitou um bem universal, tirou a Deus a glória, a adoração, o amor universal; assim, para dar novamente este Reino, estes bens universais, quer por direito que primeiro uma criatura vivendo neste Fiat, se lhe comunique este ato universal, e conforme ama, adora, glorifica, reza, se constitui junto com seu mesmo Querer amor universal por todos, adoração e glória por cada criatura, e difundindo sua oração como se cada uma rezara, roga de modo universal que venha o Reino do Fiat Divino no meio das criaturas. Quando um bem é universal, são necessários atos universais para obtê-lo, e só em minha Vontade há esses atos. À medida que tu amas Nela, o teu amor estende-se onde quer que Ela se encontre, e a minha Vontade sente o teu amor em toda a parte, sente-se a seguir por toda a parte, portanto sente em ti o primeiro amor como tinha estabelecido que a criatura a amava no princípio da Criação; sente seu eco em seu amor que não sabe amar com amor pequeno e finito, senão com amor infinito e universal; sente o primeiro amor de Adão antes de pecar, que não fazia outra coisa que repetir o eco da Vontade de seu Criador, e sente-se atraída por estes atos universais que a seguem por toda parte para vir a reinar de novo no meio das criaturas; por isso te escolhi filha minha, e do meio de sua estirpe, não só para manifestar-te os conhecimentos, os bens, os prodígios deste Fiat, mas para fazer com que tu, vivendo Nele, com os teus atos universais, te inclines à minha Vontade para vir a reinar novamente como ao princípio da Criação no meio das criaturas.

Por isso a ti te é dado unir a todos, abraçar a todos, a fim de que encontrando a todos e tudo em ti, como tudo se encontra em minha Vontade, farás que se ponham de acordo, dar-se-ão o beijo de paz e meu Reino será restabelecido no meio das criaturas. Eis por que a necessidade dos conhecimentos, das maravilhas do meu Fiat Divino, para dispor as criaturas, para encorajá-las a desejar, a querer, a suspirar este Reino e os bens que há nele; e a necessidade de escolher primeiro uma criatura que vivendo nele, com os seus atos universais que eu mesmo forneci a Querer, que são atos divinos, consiga o Reino do meu Fiat às
criaturas. Eu faço como um rei cujo povo tem sido rebelde a suas leis, o rei usando de seu poder, a quem mete à prisão, a quem manda ao exílio, a quem lhe tira o direito de possuir, em suma, a todos dá o castigo que justamente merecem. Agora, com o longo andar do tempo o rei tem compaixão de seu povo, escolhe a um de seus ministros mais fiéis e abrindo seu coração dolorido diz: Quero confiar em você, escute, decidi te dar o mandato de que me chame aos pobres exilados, que liberte os prisioneiros, que restitua o direito de possuir os bens que lhes tirei, e se me forem fiéis lhes duplicarei seus bens, sua felicidade'. E lida longamente com este ministro de sua confiança, planejando tudo o que se deve fazer, muito mais que este ministro estava sempre junto ao rei, rogando por seu povo, que desse a todos graça de perdão e de reconciliação. Então, depois de ter planejado tudo em segredo, chamam os outros ministros dando ordem de que façam chegar  a boa notícia no meio de todo o povo, nas prisões, no exílio, de como o rei quer fazer a paz com eles, que quer que cada um volte ao seu posto e todos os bens que o rei lhes quer dar; e enquanto se espalham estas belas notícias, desejam, suspiram, se dispõem com seus atos a receber sua liberdade e o Reino perdido por eles; agora, enquanto se difundem as notícias, O fiel ministro está
sempre ao lado do rei, exortando-o com incessantes súplicas para que o povo receba o bem estabelecido entre eles. Precisamente isto é o que eu fiz Eu, porque o que se pode fazer entre dois, ao tu por tu, no segredo da dor e do amor de dois seres que se amam e que querem o mesmo bem, não se pode fazer entre muitos. Um segredo dor e amor de teu Jesus, unidos com a alma que escolho, têm tal poder: Eu de dar e ela de impetrar o que se quer; o segredo entre você e Eu amadureceu os tantos conhecimentos que te dei do Reino de meu Fiat Divino, fez ressurgir teus tantos atos nele; o segredo entre você e eu me fez desabafar minha dor tão grande e de tantos séculos nos quais minha Vontade, enquanto estava no meio das criaturas, era vida de cada ato delas, não a conheciam, a têm em estado de agonia contínua.

Minha filha, uma dor minha desafogada no segredo do coração de quem me ama, tem a virtude de mudar a justiça em misericórdia, e minhas amarguras se trocam em doçuras. Então, depois que confiei em você, planejando juntos tudo, chamei meus ministros dando-lhes ordem de fazer conhecer ao povo as belas notícias sobre meu Fiat Supremo, seus tantos conhecimentos, e como chamo a todos a que venham a meu Reino, que saiam da prisão, do exílio da sua vontade, que tomem posse dos bens perdidos, que não vivam mais infelizes e escravos da vontade humana, mas felizes e livres em minha Vontade Divina. E como este segredo teve virtude de nos dizer coração a coração as tantas manifestações maravilhosas do eterno Fiat, saindo fora este nosso grande segredo, fará tanto caminho no povo, que surpresos implorarão com suspiros que venha o meu Reino que porá fim a todos os seus males".

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