ESCOLA DA DIVINA VONTADE- VIGÉSIMA QUARTA SEMANA DE ESTUDOS

 MEDITAÇÃO

VOLUME 1

... Assim você aceita-te com o que te é dado, sem pedir nem isto nem aquilo, porque poderia ser um estorvo em tua mente e com santa indiferença, sem pensar se isso te faria bem ou mal te submeta à vontade dos demais".
(169) Isso me custou muito no princípio, especialmente pelas obediência que me dava o Confessor, não sei por que, mas queria que tomasse quinina, e tinha imposta a obediência de que cada vez que voltasse o estômago outras tantas devia voltar a tomar alimento. Agora, o quinino me estimulava o apetite e às vezes sentia muita fome, tomava o alimento e quando o tomava, e às vezes no mesmo momento de tomá-lo, pelos contínuos conatos de vômito estava obrigada a devolvê-lo, e permanecia com a mesma fome de antes. A palavra "pobre" que Jesus me havia dito não me deixava ousar pedir nada, e eu mesma tinha vergonha de pedir; pensava entre mim: "O que dirá a família, voltou o estômago e quer comer? Se me derem alguma coisa a tomo, se não, o Senhor se ocupará". Assim me passava contente de poder oferecer alguma coisa a meu amado Jesus. Isto não durou muito tempo, mas aproximadamente quatro meses. Um dia o Senhor me disse:
(170) "Pede ao confessor que te dê a obediência de não tomar quinina e de não te fazer tomar o
alimento tantas vezes, que Eu lhe darei luz".
(171) Depois veio o confessor e disse-lhe, e ele disse-me: "Para não mostrar singularidades, de
agora em diante quero que tomes o alimento uma só vez por dia, e suspendeu também a quinina".
Assim fiquei mais tranqüila e me passou a fome, mas o vômito não cessou, essa única vez que
tomava o alimento era obrigada a devolvê-lo, o Senhor às vezes me dizia que pedisse a obediência
de não comer, mas o confessor nunca me deu esta obediência, me dizia: "Não importa que
vomites, é outra mortificação".
(172) Eu então o dizia ao Senhor e Ele me dizia: "Quero que faça a petição, mas com santa
indiferença, quero que esteja ao que te diz a obediência".
(173) E assim continuei a fazê-lo. Quando passaram cerca de quarenta dias, que eu considerava
pelas palavras que me tinha dito o Senhor (por um certo tempo) e que eu assim tinha dito ao
confessor, os sofrimentos continuavam a surpreender-me diariamente e ele se via obrigado a vir
todos os dias, Então o confessor começou a me dar a obediência de não estar mais naquele
estado, e acrescentava que se caísse nos sofrimentos, ele não viria. Por minha parte me sentia
disposta a obedecer, especialmente minha natureza queria libertar-se daquele estar continuamente
na cama, que por quão belo fosse, era sempre cama, aquele ter que sujeitar-se a todos, mesm
nas coisas mais repugnantes e necessárias à natureza, e estar obrigada a dizer aos outros é um
verdadeiro sacrifício. Por isso a natureza fez seu ofício, toda se consolou ao sentir-se dar esta
obediência, minha alma estava disposta a obedecer ou a permanecer em cama se o Senhor assim
o queria, porque tinha começado a experimentar quão bom tinha sido o Senhor comigo e que a
verdadeira resignação sabe mudar a natureza às coisas e o amargo o converte em doce.

2-26
Maio 26, 1899

Luisa vê seu próprio nada. Jesus lhe ensina
sobre o desprezo de si mesmo.

(1) Esta manhã encontrava-me num tal aniquilamento de mim mesma, até me sentir odiosa e
arruinada, me parecia ser a mais abominável que se pudesse encontrar; me via como um
pequeno verme que se movia e se movia mas sempre ficava ali, na lama, sem poder dar um
passo.  Oh Deus, que miséria humana! No entanto, depois de tantas graças que você me deu,
eu sou tão ruim ainda. E meu bom Jesus, sempre benigno com esta miserável pecadora, veio e
me disse:
(2) "O desprezo de si mesma só é louvável quando está bem investido pelo espírito de fé, mas
quando não está investido pelo espírito de fé, em vez de te fazer bem poderá te prejudicar,
porque vendo-te tal como tu és, que não podes fazer nada de bem, desconfiarás,
permanecerás abatida, sem te encorajar a dar um passo no caminho do bem, mas apoiando-te
em Mim, isto é, investindo-te do espírito de fé, virás a conhecer e a desprezar-te a ti, e ao
mesmo tempo a conhecer-me a Mim, confiando totalmente em poder operar tudo com a minha
ajuda, e eis que fazendo desta maneira caminharás segundo a verdade".
(3) Quanto bem fez a minha alma este falar de Jesus, compreendi que devo entrar em meu
nada e conhecer quem sou eu, mas não devo deter-me ali, senão que em seguida, depois de
ter-me conhecido a mim mesma, devo voar ao mar imenso de Deus e aí deter-me a tomar
todas as graças que se necessitam para minha alma, de outra maneira a natureza fica
debilitada e o demônio buscará meios para lança-la na desconfiança.
(4) Seja sempre bendito o Senhor e sempre seja tudo para sua glória.

3-27
Janeiro 8, 1900

Mesmo os erros serão úteis.

(1) Estava a pensar entre mim: "Quem sabe quantas loucuras, quantos erros contêm estas coisas que escrevo". Entretanto senti que perdia os sentidos, e veio o bendito Jesus e me disse:
(2) "Minha filha, até os erros servirão, e isto para fazer saber que não há nenhum artifício por parte tua, nem que tu sejas algum doutor, porque se isto fosse, tu mesma terias advertido onde te equivocavas, e isto também fará resplandecer de mais que sou Eu quem te falo, se vêem as coisas com simplicidade; porém te asseguro que não encontrarão nem a sombra do vício, nem coisa que não fale de virtude, porque enquanto você escreve, Eu mesmo estou te guiando a mão; no máximo poderão encontrar algum erro à primeira vista, mas se o observam bem, aí encontrarão a verdade".

(3) Dito isto desapareceu, mas depois de algumas horas voltou e eu me sentia toda titubeante e pensativa acerca das palavras que me tinha dito, e Ele acrescentou:
(4) "Meu patrimônio é a firmeza e a estabilidade, não estou sujeito a nenhuma mudança, e a alma, quanto mais se aproxima de Mim e se adentra no caminho das virtudes, tanto mais se sente firme e estável no agir o bem, e quanto mais distante está de Mim, tanto mais estará sujeita a mudar-se e
a inclinar-se agora ao bem e agora ao mal".

4-26
Outubro 31, 1900

A medicina mais saudável e eficaz nos
momentos mais tristes da vida é a resignação.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual, senti-me fora de mim mesma, e encontrei a Rainha
Mãe; e, vendo-me, começou a falar da justiça, de como está prestes a descarregar-se com toda a
ira contra as nações; disse muitas coisas sobre isto, mas não tenho palavras para o expressar, e
enquanto estava aí via todo o céu cheio de pontas de espadas contra o mundo. Em seguida,
acrescentou:
(2) "Minha filha, tu, muitas vezes desarmaste a justiça divina, e te contentaste em receber sobre ti
seus golpes, agora que a vês no cúmulo do furor não te desanimes, senão sê animosa, com ânimo
cheio de santa fortaleza entra nessa justiça e dá-lhe, não tenhas temor de as espadas, do fogo e
de tudo o que possas encontrar; para obter este propósito, se te vires ferida, golpeada, queimada,
rejeitada, não retrocedas, senão que te seja de estímulo para prosseguir. Olha, para fazer isto vim
Eu em tua ajuda trazendo-te uma vestidura, com a qual, usando-a tua alma, adquirirás valor e
fortaleza para não temer nada".
(3) Dito isto, tirou do seu manto uma veste entrelaçada de ouro jaspeado de várias cores e vestiu a
minha alma; e deu-me o seu Filho, dizendo:
(4) "E eis que, como penhor do meu amor, te dou em custódia o meu amadíssimo Filho, para que o
guardes, o ames e o contentes em tudo; procure fazer as minhas vezes, para que encontrando em
ti toda a sua alegria, o desgosto que lhe dão os demais não lhe possa causar tanta pena.
(5) Quem pode dizer como fiquei feliz e fortificada ao ser vestida por essa vestidura, e com a
amorosa prenda entre meus braços? Felicidade maior certamente não poderia desejar. Então a
Rainha Mamãe desapareceu e eu fiquei com meu doce Jesus. Tendo girado um pouco pela terra, e
entre tantos encontros nos encontramos com uma alma em poder do desespero; tendo compaixão
dela nos aproximamos, e Jesus quis que eu lhe falasse para lhe fazer compreender o mal que
fazia, e com uma luz que o próprio Jesus me infundia lhe disse:
(6) "A medicina mais proveitosa e eficaz nas circunstâncias mais tristes da vida é a resignação. Ao
ficares desesperado, em vez de tomares o remédio, estás a tomar o veneno para matar a tua alma.
Não sabes tu que o remédio mais oportuno para todos os males, a coisa principal que nos faz
nobres, nos diviniza e nos assemelha a Nosso Senhor e tem virtude de converter em doçura as
mesmas amarguras, é a resignação? Que coisa foi a vida de Jesus sobre a terra senão um
continuar o Querer do Pai, e enquanto estava na terra estava unido com o Pai no Céu? Assim a
alma resignada, enquanto vive na terra, a alma e a sua vontade está unida com Deus no Céu.
Pode-se dar coisa mais querida e desejável que esta?"
(7) Aquela alma, como sacudida começou a se acalmar, e eu junto com Jesus nos retiramos. Seja
tudo para glória de Deus e seja sempre bendito.

5-25
Outubro 25, 1903

A alma em Graça apaixona a Deus.

(1) Chegando a hora de meu habitual estado, pensava entre mim, que se o Senhor não viesse,
deveria tentar me esforçar ao menos para ver se o conseguia. Então primeiro resultava, mas
depois veio meu adorável Jesus e me fazia ver que quando eu pensava em estar me, Ele se
aproximava e me acorrentava a Si, de modo que eu não podia; mas quando pensava em me tirar,
Ele se afastava e me deixava livre; de modo que podia fazê-lo, assim não me sabia decidir e dizia
entre mim: "Como gostaria de ver o confessor para lhe perguntar o que devo fazer". Então, pouco
depois vi o confessor junto com Nosso Senhor e rápido disse: "Diga-me, devo estar, sim ou não?"
E enquanto dizia isto, via no interior do confessor que tinha retirado a obediência que me tinha
dado no dia anterior, então decidi a estar, pensando entre mim que se fosse verdade que tinha
retirado a obediência, estava bem; mas se era minha fantasia que isto via, enquanto podia ser
falso, quando o confessor viesse então pensaria, podendo provar outro dia, e assim me tranquilizei.
Depois, continuando a fazer-se ver, o bendito Jesus disse-me:
(2) "Minha filha, a beleza da alma em graça é tanta, de apaixonar o mesmo Deus, os anjos e os
santos ficam assombrados ao ver este prodigioso portento, de uma alma ainda terrena possuída
pela graça, ante a fragrância do aroma celestial lhe correm em torno, e com grande prazer
encontram nela aquele mesmo Jesus que os beatifica no Céu, de modo que para eles é indiferente
tanto estar acima no Céu, como aqui abaixo junto a esta alma. Mas quem mantém e conserva este
portento, dando continuamente novas tintas de beleza à alma que vive em minha Vontade? Quem
remove qualquer ferrugem e imperfeição e lhe fornece o conhecimento do objeto que possui?
Minha Vontade. Quem consolida, estabelece e a faz ficar confirmada na graça? Minha Vontade. O
viver em meu Querer é todo o ponto da Santidade, e dá contínuo crescimento de graça. Mas quem
um dia faz a minha Vontade, e quem faz a sua, jamais ficará confirmado na graça, não faz outra

coisa que crescer e decrescer; e isto quanto mal acarreta à alma, de quanta alegria priva a Deus e
a si mesma. É imagem de quem hoje é rica e amanhã pobre, não ficará confirmada nem na riqueza
nem na pobreza, portanto não se pode saber onde irá terminar".

(3) Dito isso, ele desapareceu, e pouco depois veio o confessor e tendo dito o que escrevi,
assegurou-me que verdadeiramente tinha retirado a obediência que me tinha dado.

(4) Para obedecer ao confessor volto a dizer os outros significados que compreendi no dia 24 do
corrente: A mulher representava a Igreja que estando doente, não em si mesma mas em seus
membros, e embora abatida e ultrajada pelos inimigos, e doente em seus próprios membros,
jamais perde sua majestade e veneração; da cama onde se encontrava, compreendia que a Igreja
enquanto parece oprimida, enferma e impedida, também repousa com um repouso perpétuo e
eterno, e com paz e segurança no seio paterno de Deus, como um menino no seio de sua própria
mãe; o respaldo do leito que tocava o teto, compreendia que era a proteção divina que assiste
sempre a Igreja, e que tudo o que ela contém, tudo veio do Céu: Sacramentos, doutrina e tudo o
mais, tudo é celestial, santo e puro, de modo que entre o Céu e a Igreja há contínua comunicação,
jamais interrompida. Os poucos religiosos que prestavam cuidados, assistência à mulher,
compreendia que poucos são aqueles que a capa e espada defendem a Igreja, tendo como
próprios os males que recebe, a câmara onde estava, composta de pedras, representava a solidez
e firmeza e também a dureza da Igreja para não ceder a qualquer direito que lhe pertence. A
mulher moribunda que com intrepidez e coragem se faz golpear pelos inimigos, representava a
Igreja, que enquanto parece que morre, então ressurge mais intrépida, mas como? Com os
sofrimentos e o derramamento de sangue, verdadeiro espírito da Igreja, sempre pronta às
mortificações, como o esteve Jesus Cristo.

6-29
Abril 9, 1904

Basta um ato perfeito de resignação à Vontade Divina para ficar
purgado de todas as imperfeições nas quais a alma não tem posto nada do seu.

(1) Tendo recebido esta manhã a comunhão, estava pensando comigo: "Que dirá meu bendito
Jesus quando vier a minha alma? Dirá: "Como é feia esta alma, má, fria, abominável". Quão rápido
vai consumir as espécies para não estar em contato com esta alma tão feia, mas o que queres de
mim? Embora eu seja tão ruim, você ainda deve ter paciência para vir, porque de qualquer forma
você é necessário para mim, e eu não posso fazer outra coisa". Enquanto dizia isto, saiu de dentro

de mim e disse-me:
(2) "Minha filha, não queira te afligir por isto, não se requer nada para remediá-lo, basta um ato
perfeito de resignação à minha Vontade para poder ficar purgado de todas estas fealdades que
você diz, e Eu te direi o contrário do que pensa, te direi: "Como é bela, sinto o fogo do meu amor
em ti, e o perfume das minhas fragrâncias, em ti quero fazer a minha perfeita morada.”
(3) E desapareceu. Então, vindo o confessor, contei-lhe tudo, e ele me disse que não estava bem,
porque é a dor que purga a alma, e que a resignação não entrava nisto. Por isso, depois de ter
recebido a comunhão, disse: "Senhor, o padre disse-me que não está bem o que me disseste,
então, mostra-te melhor e faz-me conhecer a verdade". E Ele bondosamente adicionou:
(4) "Minha filha, quando se trata de pecado voluntário, então se requer a dor, mas quando se trata
de imperfeições, de fraquezas, de frialdades e outras coisas, e que a alma não tem posto nada do
seu, então basta um ato de perfeita resignação, e se tem necessidade também deste estado para
ficar purgado, porque a alma ao fazer este ato primeiro se encontra com a Vontade Divina que
purga a vontade humana e a embeleza com suas qualidades, e depois se funde comigo".

7-27
Julho 3, 1906

A Vontade de Deus é o paraíso da alma na terra, e a alma que faz a Vontade de Deus, forma o paraíso a Deus sobre a terra.

(1) Tendo recebido a comunhão, sentia-me toda unida e estreitada ao meu Deus Jesus, e
enquanto me estreitava, eu repousava nele, e Ele repousava em mim; e depois disse-me:
(2) "Amada minha, a alma que vive em minha Vontade repousa, porque a Vontade Divina faz
tudo por ela, e Eu, enquanto obra Obra por ela, ali encontro o mais belo repouso, assim que a
Vontade de Deus é repouso da alma e repouso de Deus na alma. E a alma, enquanto repousa
em minha Vontade, está sempre colada a minha boca, e dela absorve em si mesma a Vida
Divina, formando dela seu alimento contínuo. A Vontade de Deus é o paraíso da alma na terra, e
a alma que faz a Vontade de Deus vem a formar o paraíso a Deus sobre a terra.
(3) A Vontade de Deus é a única chave que abre os tesouros dos segredos divinos, e a alma
adquire tal familiaridade na casa de Deus, que domina como se fosse a dona".
(4) Quem pode dizer o que compreendia dessa Divina Vontade? Oh, Vontade de Deus, como és
admirável, amável, desejável, bela, basta dizer que encontrando-me em Ti, sinto-me perder
todas as minhas misérias, todos os meus males, e adquirir um novo ser com a plenitude de todos
os bens divinos!

8-26
Fevereiro 16, 1908

Como o sinal mais certo de que amamos o Senhor é a cruz.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual, estava pensando por que só a cruz nos faz conhecer
se verdadeiramente amamos o Senhor, sendo que há tantas outras coisas como as virtudes, a
oração, os sacramentos, que nos poderiam fazer conhecer se amamos o Senhor. Enquanto
pensava assim, o bendito Jesus veio e me disse:

(2) "Minha filha, é exatamente assim, só a cruz é a que faz conhecer se verdadeiramente se ama
Senhor, mas a cruz levada com paciência e resignação, porque onde há paciência e resignação
nas cruzes, há Vida Divina. Sendo a natureza tão relutante ao sofrer, se há paciência não pode ser
coisa natural, senão divina, e a alma não ama mais só com seu amor ao Senhor, senão unida com
o amor da Vida Divina, então, que dúvida pode ter se ama ou não, se chega a amá-lo com seu
mesmo amor? Enquanto que nas outras coisas, e também nos mesmos sacramentos, pode haver
quem ama, quem contém em si esta Vida Divina, mas não pode dar a certeza que dá a cruz, pode
ser, ou não pode ser, e isto por falta de disposições; se pode fazer muito bem a confissão, mas se
faltam as disposições não pode certamente dizer que ama e que recebeu em si esta Vida Divina;
outro recebe a comunhão, certamente recebe em si a Vida Divina, mas pode dizer que essa Vida
permanece nele somente se tinha as verdadeiras disposições, porque se vê que alguns recebem a
comunhão, confessam-se, e diante das ocasiões e circunstâncias não se vê neles a paciência da
Vida Divina, e se falta a paciência falta o amor, porque o amor só se conhece com o sacrifício, eis
as dúvidas; enquanto que a paciência, a resignação, são os frutos que só produz a Graça e o
amor".

9-26
Dezembro 22, 1909

O porquê dos estados de abandono nas almas santas antes de morrer.

(1) Tendo recebido a comunhão estava me lamentando com o bendito Jesus por suas privações,
pois se vem é quase sempre como relâmpago, ou bem todo silencioso. E Jesus me disse:

(2) "Minha filha, quase todas as almas às quais me comuniquei de modo extraordinário, permiti ao
fim da vida estes estados de abandono, e isto não só para outros fins meus, senão para ficar
honrado e justificado em toda minha conduta, porque muitos dizem: "Com certeza estas almas
deveriam chegar a um ponto tão alto de santidade e amá-lo tanto, com tantos favores, com tantas
graças e carismas, deveriam ser muito ingratas se não tivessem chegado a isso. Se os tivéssemos
recebido, também nós também nós teríamos chegado, e até mais alto que elas".
E eu, para justificar a minha conduta, lhes manifestarei os abandonos, as privações em que pus estas almas,
que é um purgatório vivo para elas, e também mostrarei a sua fidelidade, o heroísmo das suas
virtudes, e como é mais fácil e tolerável sofrer a pobreza sem conhecer as riquezas, do que nascer
rico, habituar-se a viver rico e depois perder as riquezas e viver pobre; muito mais do que as
riquezas sobrenaturais não são como as materiais, que servem o corpo, e no máximo se difundem
para o exterior; as sobrenaturais penetram até na medula, nas fibras mais íntimas, na parte mais
nobre da Inteligência, basta dizer que é mais que martírio. Eu mesmo me apiedo tanto, que quase
me despedaça o coração de ternura, e sou obrigado a senti-lo despedaçar-me tão freqüentemente
que não posso resistir, e também para dar-lhes a força para poder cumprir sua consumação. Todos
os anjos e santos têm o olhar fixo sobre elas e vigiam-nas para não as deixarem sucumbir,
sabendo o cruel martírio que sofrem. Minha filha, coragem, tu tens razão, mas deves saber que
tudo é amor em Mim".

(3) E enquanto isto dizia, parecia que mais se afastava. Eu me sentia consumir até a mesma
natureza e me resolver no nada. Aquelas sementes de fortaleza que me parecia sentir, de luz, de
conhecimento, tudo se resolvia no nada; eu me sentia morrer, e no entanto viva. Enquanto estava
nisto Jesus voltou, e parecia que me tomando nos braços segurava o meu nada e me dizia:
(4) "Olha minha filha, como ao desfazer-se a pequena semente de sua fortaleza, a força de sua luz,
o pequeno conhecimento que tem de Mim, e todos seus outros pequenos dotes, entram em seu
lugar minha fortaleza, minha luz, minha sabedoria, minha beleza e todos meus demais dotes a
preencher este teu nada. Não esta feliz?
(5) E eu disse-lhe: "Escuta Jesus, se continuares assim perderás o gosto de me ter na terra". E
repeti-o várias vezes. E Jesus, não querendo ouvir o que eu dizia, respondeu-me:
(6) "Escuta, minha filha, eu nunca perderei o teu gosto, se estiver na terra, terei em terra o gosto;
se te levar ao Céu, terei o teu gosto no Céu. Sabe mais quem perderá o gosto? Seu confessor".

10-24
Junho 21, 1911

Não há santidade se a alma não morre em Jesus.

(1) Estava a pensar na Mãe Celestial, quando tinha o meu sempre amável Jesus morto nos seus
braços, no que fazia e como se ocupava de Jesus. E uma luz acompanhada de uma voz dentro de
mim dizia:
(2) "Minha filha, o amor operava potentemente na minha Mãe. O amor consumia-a toda em Mim,
nas minhas chagas, no meu sangue, na minha própria morte e fazia-a morrer no meu amor; e o
meu amor, consumindo o amor e toda a minha Mãe, fazia-a ressurgir de amor novo, ou seja, toda
do meu amor. Assim que seu amor a fazia morrer, meu amor a fazia ressurgir a uma vida nova toda
em Mim, de uma maior santidade e toda divina. Assim, não há santidade se a alma não morre em
Mim; não há verdadeira vida se não se consome toda em meu amor".

10-27
Setembro 6, 1911

Quem presta atenção a si mesmo cresce emagrecido.

(1) Continua quase sempre a mesma coisa, ou seja, com privações amarguíssimas e com silêncio
de Jesus; na melhor das hipóteses, faz-se ver e diz-me coisas repetidas, por isso não as escrevo.
Recordo que quando eu emito algum lamento por meu estado, me diz em meu interior:
(2) "Minha filha, paciência, te comporte como uma valente, como uma heroína, ânimo, por agora
deixe-me castigar e depois virei como antes".
(3) Recordo também que estando pensativa fortalecida de meu estado me disse:
(4) "Minha filha, quem quer prestar atenção às dificuldades, às dúvidas, a si mesmo, é como
aquelas pessoas exigentes que têm nojo de tudo, e em lugar de pensar em alimentar-se pensam
nas asquerosidades, embora não as houvesse, e por tanto crescem emagrecidas, cadavéricas e
assim morrem; assim é das almas que de tudo ficam pensativas, crescem emagrecidas e assim
morrem".
(5) Ela disse-me outra coisa, mas não me lembro bem. Então esta manhã, encontrando-me fora de
mim mesma, encontrei o menino Jesus nos meus braços, que chorava forte, forte, porque ouvia
dizer que o queriam expulsar da Itália. Tomamos o caminho para a França, e não o queriam
receber, e meu sempre amável Jesus, chorando dizia:
(6) "Todos me jogam, nenhum me quer, e Eu, obrigado por eles mesmos os flagelarei".
(7) Enquanto estava nisto via ruas cheias de pedras, de fogo, com grande dano de cidades.
(8) "Viste? Retiremo-nos, minha filha, retiremo-nos".
(9) E assim nos retiramos na minha cama e desapareceu. Depois de outros dias, rogando-lhe que
se acalmasse, pelos tantos flagelos que se ouvem, me disse:
(10) "Minha filha, tratam-me como a um cão, e Eu os farei matar-se entre eles como cães".
(11) Oh! Deus, que espanto. Apresse-se oh Senhor, apresse-se!

11-25
Julho 4,1912

A Divina Vontade deve ser o sepulcro da alma.

(1) Esta manhã, depois da comunhão, estava a dizer ao meu sempre amável Jesus: "A que
estou reduzida, parece que tudo me foge, sofrimentos, virtudes, tudo!"

(2) Então Jesus: "Minha filha, o que tens? Queres perder tempo? Queres sair do teu nada? Põe-
te no teu lugar, no teu nada, para que o Todo possa ter o seu lugar em ti. Tens que saber que
toda tu deves morrer em minha Vontade, o sofrer, as virtudes, tudo; meu Querer deve ser o
túmulo da alma e assim como no túmulo a natureza se consome até em realidade desaparecer,
e dessa mesma consumação ressurgirá a vida mais bela e nova, assim a alma sepultada em
minha Vontade como dentro de uma tumba, morrerá ao sofrer, a suas virtudes, a seus bens
espirituais e ressurgirá em tudo à Vida Divina.

(3) Ah! minha filha, parece que queres imitar os mundanos que são levados ao que está no
tempo e termina, e ao que é eterno não o tomam em conta. Amada minha, por que não queres
aprender a viver só do meu Querer? Por que não queres viver só da vida do Céu, mesmo
estando na terra? Meu Querer é o Amor, o que não morre jamais, assim que para ti o sepulcro
deve ser minha Vontade, a lápide que te deve encerrar, lapidar, sem te dar a esperança de sair é
o amor. E além disso, cada pensamento que se refere a si mesmo, mesmo sobre as mesmas
virtudes, é sempre um ganhar para si mesmo e fugir da Vida Divina; em troca, se a alma pensa
só em Mim, me vê só a Mim, toma nela a Vida Divina, e tomando a Vida Divina foge a humana e
toma todos os bens possíveis. Será que nos entendemos?"

25 -Apresentação do Batista e purificação de Isabel no Templo.- Partida de Maria com José que
percebe o estado de Maria.

■ Zacarias, Isabel, Maria (esta com o pequeno João nos braços) e Samuel (com um cordeiro e uma cesta com a pomba) estão saindo de uma confortável carroça, à qual está amarrado o burro de Maria. Desembarcam em frente à pousada de costume, que deve ser a parada de todos os peregrinos que vêm ao Templo, para deixar seus cavalos. Maria chama o homenzinho, que é o dono, e pergunta se chegou um nazareno na véspera ou nas primeiras horas da manhã. “Ninguém, mulher” responde o velho. Maria fica surpresa, mas não pergunta mais. Ele diz a Samuel para encontrar um lugar para o burro. A seguir, encontra Zacarias e Isabel e conta-lhes o atraso de José: “Alguma coisa deve tê-lo impedido. Mas sem dúvida ele virá hoje ”.

■ Ele pega o filho que deu a Isabel e os dois vão ao Templo. Os guardas recebem Zacarias com honras, e os demais padres o saúdam e o cumprimentam.
Zacarias, hoje, com suas vestes sacerdotais e a alegria de ser pai, é majestoso. Ele parece um patriarca. Eu imagino que ele se parece com Abraão quando ele iria oferecer Isaque ao Senhor ( 1). Vejo a cerimônia da apresentação do novo israelita e a da purificação da mãe. É ainda mais pomposo do que o de Maria, porque os padres fazem uma grande festa para o filho de um sacerdote. Eles se aglomeram e correm para cercar o pequeno grupo de mulheres e o recém-nascido.

■ Outras pessoas também se aproximaram com curiosidade e ouço seus comentários. Como Maria
carrega a criança nos braços e vão para o lugar de costume, as pessoas acreditam que seja a mãe. Mas uma mulher diz: “Não pode ser. Você não pode ver que está na fita? A criança tem poucos dias e já está inchada ”. Outra diz: 
“Sim … mas ela só pode ser a mãe. O outro é velho. Será um parente. Ela não pode ser mãe nessa idade ”. A mulher diz: “Vamos segui-los e veremos quem tem razão.”

■ O espanto se torna grande quando eles vêem que quem realiza o rito de purificação é Isabel,
que oferece seu cordeiro que ruge como holocausto e sua pomba pelo pecado. “A mãe
é aquela. Vestidos? “. “Não!”. “Sim!”. Os incrédulos continuam fazendo comentários, tanto que o grupo de sacerdotes presentes no rito é obrigado a emitir um “Chsss!” imperativo. As pessoas ficam quietas por alguns momentos, mas sussurram muito mais alto Quando Isabel, radiante e orgulhosa, leva seu filho, ela entra no Templo para apresentá-lo ao Senhor. “É realmente ela.” “A mãe é quem oferece.” “Que milagre será esse?” “O que poderia ser aquela criança que Deus deu em idade tão tarde para aquela mulher?” “Do que é um sinal?” Quem chega ofegante diz: “Você não sabe?
Ele é filho do sacerdote Zacarias, da linhagem de Arão, aquele que ficou mudo quando ofereceu o incenso no Santuário ”. “Mistério, mistério! E agora fale de novo! O nascimento de seu filho desencadeou sua língua ”. “Qual era o espírito que falava com ele e tornava sua língua inútil para o acostumar a guardar silêncio sobre os segredos de Deus?” “Mistério! Que verdade saberá o Zacarias? “Será que seu filho é o Messias esperado por Israel?” “Ele nasceu na Judéia, não em Belém, não era de uma virgem. Não pode ser o Messias. “Assim, quem será?”. A resposta fica nos silêncios de Deus e das pessoas com sua curiosidade. A cerimônia acabou. Os padres estão celebrando agora. O mesmo que a mãe e o filho. A única a quem o olhar é menos dirigido é Maria; 
Além disso, é mesmo evitado com certo desprezo ao ver o seu estado ( dois).

■ Os parabéns acabam. Todos voltam para realizar o retorno. Maria volta à pousada para ver se José já chegou. Não chegou. Maria está desapontada e pensativa. Isabel e Zacarias se preocupam com ela. “Podemos ficar até as 12, mas depois temos que sair para chegar em casa antes da primeira vigília … ainda é muito jovem para passar mais tempo à noite.” E Maria com calma, mas com tristeza: “Vou ficar no pátio do Templo. Eu irei para a casa dos meus professores. Não sei. Eu farei qualquer coisa. ” Zacarías intervém com uma ideia que é aceita como uma boa solução: “Vamos para a casa dos familiares de Zebedeo. O José, sem dúvida, irá procurá-lo lá e se não foi, será fácil encontrar alguém que o acompanhe à Galiléia, porque naquela casa há sempre um vaivém contínuo de pescadores de Genesaré ”. em cuja casa José e Maria pararam há cerca de quatro meses. As horas passam
rápido e José não aparece. Maria supera seu aborrecimento embalando o pequeno; mas ela parece
preocupada. Como que para esconder sua condição, ele nunca tirou a capa, apesar do intenso calor que fazia todos suarem.
* José observa o estado de Maria, mas não diz nada.-

■ Finalmente, batidas fortes na porta anunciam José. O rosto de Maria se acalma e brilha. José a saúda, porque ela é a primeira a encontrá-lo e ela por sua vez o cumprimentou com reverência. “A bênção de Deus está com você, Maria.” “E sobre você, José. Louvado seja o Senhor por ter vindo! Olha, o Zacarias e a Isabel já iam sair, para chegar à casa deles antes de escurecer ”. Joseph: “Sua mensagem chegou a Nazaré quando eu estava em Caná para algum trabalho. Eu descobri antes de ontem à tarde.
Eu estou indo agora. Mas, embora andasse sem parar, cheguei tarde, porque o meu burro tinha perdido uma ferradura. Me perdoe”. Virgem: “Perdoe-me por ter estado tanto tempo longe de Nazaré. A verdade é que ficaram tão felizes por me terem consigo, que pensei em lhes dar esta satisfação até agora ”. Joseph: “Você fez bem, mulher.
Cadê a criança? “. Eles entram na sala onde Isabel está cuidando de Juan, antes de sair. José parabeniza os pais pela força da criança, que foi separada do peito para mostrá-la a José, e que grita e dá pontapés como se estivessem esfolando-o. Todos riem de seus protestos. Os parentes de Zebedeu, que vieram trazendo frutas frescas e leite e pão para todos e uma grande bacia de peixes, também riem e participam da conversa.

■ Maria fala muito pouco. Ela está calma e silenciosa, sentada em seu cantinho, com as mãos nos joelhos sob a capa. Mesmo quando ele bebe seu copo de leite e come um cacho de uvas douradas com um pouco de pão, ele fala pouco e se move pouco. Ela olha para José, triste e ao mesmo tempo perscrutando. Ele olha para ela também. Depois de alguns minutos, Inclinando-se sobre o ombro, ela pergunta: “Você está cansado ou alguma coisa dói? Você está pálido e triste. Virgem: “Sinto muito por me separar do pequeno Juan. Eu te amo. Recém nascido, segurei-o perto do coração
… ”. José não pergunta mais.

■ Chegou a hora da partida de Zacarias. O carro pára na porta, todos vão até ele. Os dois primos se abraçam com amor. Maria beija e beija o menino novamente antes de devolvê-lo à mãe, que já está sentada no carro. Depois se despede de Zacarias e pede sua bênção. Ao se ajoelhar diante do sacerdote, o manto escorrega de seus ombros e sob a luz intensa do sol de verão as formas podem ser vistas. Não sei se o José reparou neles na altura, ao se despedir de Isabel. O carro parte.

■ José e Maria entram na casa novamente. Ela
retorna para ocupar seu canto semi-escuro. José lhe diz: “Se você não se importa de viajar à noite, gostaria que partíssemos ao pôr do sol. O calor, durante o dia, é forte; a noite, pelo contrário, será fresco e sereno.
Eu digo isso por você. Estar ao sol não me incomoda nem um pouco. Mas você…”. Virgem: “Como quiser, José. Também acho que é conveniente caminhar à noite ”. José diz: “A casa está em ordem. Também o pequeno jardim. Você verá que lindas flores! Você chegará a tempo quando eles começarem a florescer. A macieira, a figueira, a videira estão carregadas de frutos como nunca antes, e eu tive que colocar adereços na romã, que está carregada de frutos maduros como nunca se viram nesta época. E depois a oliveira …
Terá azeite em abundância. Lançou tantas flores que parece um milagre, e nenhuma flor se perdeu. Já são pequenas azeitonas. Quando madura, a árvore parece estar carregada de pérolas negras. Em Nazaré não há jardim mais bonito que o seu. Até mesmo seus parentes se admiram. Alfeu diz que isso é um prodígio ”. Virgem: “Suas preocupações fizeram isso.”
Joseph:“Oh não! Eu sou um homem pobre O que eu realmente fiz? Cuida um pouco das árvores, põe um pouco d’água nas flores … sabe? Fiz para você uma fonte no fundo do jardim, perto da gruta, e construí um lago. Portanto, você não terá que sair para buscar água. Eu o trouxe daquela nascente que fica acima do olival de Matias. É limpo e suficiente. Eu te enviei um pequeno riacho. Construí uma sarjeta bem fechada e agora a água vem cantando como uma harpa. Doeu que você teve que ir para a fonte da cidade e voltar carregado com jarros cheios de água. ” Virgem: “Obrigado Jose. Você é bom!”. Os dois maridos estão calados agora, como se estivessem cansados. José acena com a cabeça sonolento. Maria ora.

■ A noite está chegando. Os anfitriões insistem que, antes de partirem, voltem
a comer. José realmente pega pão e peixe. Maria só fruta e leite. Então a marcha começa. Eles sobem em seus burros. José colocou o baú de Maria no seu, como fazia antes, e antes que ela suba, verifique se a proteção está segura. Vejo que José observa Maria enquanto ela sobe na cobertura, mas ela não diz uma palavra. A jornada começa quando as primeiras estrelas começam a bater no céu. Eles correm, talvez, para alcançar os portões da cidade antes de fecharem. Quando eles saem de Jerusalém e pegam a estrada principal para a Galiléia, as estrelas já fervilham no céu sereno e o campo dorme envolto em silêncio. Você só pode ouvir o canto do rouxinol, como também pode ouvir o andar dos dois burros na estrada queimada do verão ( 3). ( Escrito em 5 e 6 de abril de 1944).
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1 Nota : Cf. Gen. 22,1-18. dois Nota : Cf. Lev. 12,2. 3 Nota : Quanto à permanência de Maria na casa de Isabel, parece que o Escritor afirma que
ela tinha 80 dias: 40 dias antes do nascimento do Batista e 40 dias após seu nascimento.

.– A Paixão de Jose

* ” Se José fosse menos santo, Deus não teria concedido a ele suas luzes “.-

■ Diz a Virgem Maria: “Meu José também teve sua paixão ( 1), Tudo começou em Jerusalém, quando ele percebeu minha condição. E durou vários dias, tanto para ele quanto para mim. Não foi, espiritualmente, pouco doloroso. E só porque meu marido era um homem justo, ele permaneceu por dentro de uma forma tão digna e silenciosa que passou séculos sendo pouco notado. Oh nossa primeira paixão! Quem pode descrever a sua intensidade íntima e silenciosa e a minha dor ao constatar que a ajuda que esperava ainda não me tinha chegado do céu, para revelar o Mistério a José? Percebi que o estava ignorando, vendo-o tão respeitoso comigo como sempre. Se ele soubesse que eu carrego a Palavra de Deus em meu ventre, ele teria adorado a Palavra encerrada em meu ventre com atos somente dignos de Deus. Sim, Joseph teria realizado esses atos, e eu não teria me recusado a recebê-los, não por mim, mas por Aquele que carregava em mim, da mesma forma que a Arca da Aliança carregava as pedras da Lei e os vasos de maná.

■ Quem pode descrever minha batalha contra o desânimo que tentou me vencer para me persuadir de que esperei em vão no Senhor? Oh, acho que foi
a raiva de Satanás! Senti a dúvida crescer nas minhas costas e senti como ele estendeu suas garras geladas para aprisionar meu coração e interromper sua oração. A dúvida … tão perigosa e letal para o coração. Letal porque é o primeiro micróbio da doença mortal que leva o nome de “desespero”, contra o qual se deve reagir com todas as forças, para que a alma não se perca, nem Deus se perca.

■ Quem pode escrever com precisão a dor de Joseph, seus pensamentos, a turbulência de sua alma? Como um pequeno barco no meio de uma tempestade, ele se viu no centro de um redemoinho de ideias opostas, em um redemoinho de reflexos, um mais comovente e mais doloroso do que os outros. Ele era um homem aparentemente traído por sua esposa. Ele viu seu bom nome e a estima que o mundo tinha por ele desmoronar; por causa dela ele já estava apontado com o dedo e tinha pena de seu povo Nazaré. Eu vi que seu afeto, a estima que ele tinha por mim foram abalados pela evidência do fato.

■ Neste ponto, sua santidade brilha mais alto do que a minha. Disto testemunho com o afeto de uma
esposa, porque quero que ameis o meu José, este homem sábio e prudente, este homem paciente e bom, que não está desvinculado do mistério da Redenção, mas antes muito unido a ele, porque por este mistério ele sofreu indizivelmente, salvando o Salvador com seu sacrifício e sua santidade. Se eu fosse menos santo, teria agido com humanidade, denunciando-me como adúltera para que o filho do meu pecado fosse apedrejado e morresse comigo. Se ele fosse menos santo, Deus não teria concedido a ele suas luzes como guias em tal prova. Mas Joseph era um santo. Seu espírito puro vivia em Deus, e ele tinha uma grande e forte caridade, e pela caridade salvou o Salvador, tanto quando não me acusou perante os anciãos, como quando, obedientemente deixando tudo, salvou Jesus no Egito.

■ Embora em pequeno número, os três dias da paixão de José Eles eram de uma intensidade tremenda; assim como a minha, esta minha primeira paixão. Com efeito, compreendi o seu sofrimento e não pude aliviá-lo de forma alguma por obediência ao mandamento de Deus que me disse: “Cala-te!” E quando chegamos a Nazaré e eu o vi partir, depois de uma despedida lacônica, cabisbaixo e como se envelhecesse, e me ver de tarde como fazia, garanto-vos, filhos, que meu coração chorou lágrimas de sangue. Trancado em minha casa, sozinho, na casa onde tudo me lembrava José, unido a mim com
uma castidade irrepreensível, tive que suportar o desânimo e as insinuações de Satanás, e esperar, esperar, esperar. 
Ore, ore, ore. E perdoar, perdoar, perdoar a desconfiança de José, seu movimento interior de pura agitação.

■ Filhos: é preciso esperar, orar, perdoe para que Deus intervenha em nosso favor. Você também vive sua paixão, que mereceu por causa de seus defeitos. Eu te ensino a superá-lo e transformá-lo em alegria. Espere sem medir. Ore com confiança. Perdoe ser perdoado. O perdão de Deus será a paz que você deseja. (Escrito em 5 e 6 de abril de 1944).

MEDITAÇÃO

Maria, luz para as criaturas



301. "E as nações caminharão à sua luz" (v. 24).
Se Cristo, Senhor nosso, chamou aos doutores e santos, luzes acesas (Mt 5, 34) sobre o candelabro da Igreja para a  iluminarem; se o esplendor da luz derramada pelos patriarcas, profetas, apóstolos, mártires e doutores, encheram a Igreja católica de tanta claridade que ela parece um céu com muitos sóis e luas - que se poderá dizer de Maria Santíssima, cuja luz e esplendor excede incomparavelmente, a todos os mestres e doutores da Igreja, e ainda aos mesmos anjos do céu?
Se os mortais tivessem olhos abertos para ver estas luzes de Maria Santíssima, Ela só bastaria para iluminar a todo o homem que vem a este mundo e encaminhá-lo pelas sendas retas da eternidade. E porque todos os que chegaram ao conhecimento de Deus, foi caminhando com a luz desta santa cidade, diz S. João: "As nações caminharão à sua luz. A isto segue-se também:

Maria conduz os chefes e governantes

302. "E os reis da (erra lhe trarão a sua glória e a sua honra" v. 24)
Felicíssimos serão os reis e governantes que, pessoalmente e por seus estados, trabalharem com desvelo para cumprir esta profecia. Todos assim deveriam fazer.
Bem-aventurados os que assim procederem, devotando-se com íntimo afeto à Maria Santíssima; empregando a vida, honra, riquezas e grandezas de seu poder e estados na defesa desta cidade de Deus;
em estender sua glória pelo mundo, e enaltecer seu nome na santa Igreja, contra a louca ousadia dos infiéis e hereges.
Com íntimo sentimento, admiro me que os príncipes católicos não se esforcem por empenhar esta Senhora, invocando-a nos perigos - que para os príncipes são maiores - e para nela encontrar
refúgio, proteção, intercessora e advogada.
Se os perigos são grandes para os reis e potentados, lembrem-se que não é menor sua obrigação de serem agradecidos.
Diz a sagrada Escritura que, por esta Rainha reinam os reis (Pr 8,15-16), mandam os príncipes, os grandes e poderosos administram a justiça. Ama aos que a amam, e os que a glorificam conseguirão a vida eterna, porque agindo por Ela não pecarão (Eclo 14,31).

Maria, protetora da Igreja e extirpadora das heresias

303. Não quero esconder a luz que muitas vezes me tem sido dada, e em particular agora, para que a manifeste.
Tenho entendido, no Senhor, que todas as aflições da Igreja católica e os trabalhos que padece o povo cristão, sempre se reparam por meio da intercessão de Maria Santíssima.
Em nosso atribulado século, quando a soberba dos hereges tanto se levanta contra Deus; quando sua Igreja está tão chorosa e aflita, com tão lamentáveis misérias, só há um único remédio: voltarem-se os reinos e reis católicos à Mãe da graça e misericórdia, Maria Santíssima.
Empenhem-na com algum singular serviço no aumento de sua devoção e glória em toda a terra, para que se inclinem para nós e nos acolha com misericórdia.
Em primeiro lugar, alcance graça de seu Filho Santíssimo para se reformarem os vícios tão escandalosos, que o inimigo semeou no povo cristão.
Em seguida, por sua intercessão, aplaque a ira do Senhor que tão justamente os castiga e ameaça com maiores açoites e desgraças. Da reforma e emenda de nossos pecados, seguir-se-á a vitória contra os infiéis e extirpação das falsas seitas que oprimem a santa Igreja, pois Maria Santíssima é o cutelo que as degola e as extermina do mundo inteiro.

Conseqüências de não recorrer à Maria

304. Atualmente, o mundo experimentou o dano deste esquecimento. Se os príncipes católicos não alcançam êxito no governo de seus reinos, na conservação e aumento da fé católica, no combate de seus inimigos, nas guerras contra os infiéis, tudo sucede porque não atinam com este norte para se guiarem. Não visaram Maria como princípio e fim imediato de suas obras e pensamentos esquecidos que esta Rainha anda pelos caminhos da jutiça para ensiná-la, desejando levá-los por ela e enriquecer aos que a amam (Pr 8,20).

Exortação aos chefes religiosos e civis

305. Ó Príncipe e Cabeça da santa Igreja católica, ó Prelados, também chamados príncipes dela!

- Lançai vossa coroa e monarquia aos pés desta Rainha do céu e da terra;
procurai a Restauradora da humanidade, recorrei a quem, com o poder divino, está acima de todo o poder dos homens e do inferno; voltai vossos afetos àquela que tem em suas mãos as chaves da vontade e tesouros do Altíssimo; levai vossa honra e glória a esta santa cidade de Deus (Ap 21,24) que a deseja, não por precisar aumentar a dela, mas para melhorar e aumentar a
vossa.
- Oferecei-lhe com vossa piedade católica, e de todo o coração, algum grande e agradável obséquio, a cuja recompensa estão ligados infinitos bens: a conversão dos gentios, a vitória contra os hereges e pagãos, a paz e a tranqüilidade da Igreja, nova luz e auxílios para melhorar os costumes, e vos fazer grande e glorioso rei, nesta e na outra vida.

Se à firmeza e zelo da fé que, sem merecer, recebeste da destra do Onipotente, acrescentasses o santo temor de Deus exigido pela profissão desta fé, com que fostes distinguidos dentre todas
as nações do orbe!
- Oh! se para conseguir este fim e cúmulo de tuas felicidades, todos teus moradores se enchessem de ardente fervor na devoção de Maria Santíssima! Como resplandeceria tua glória, como serias iluminada, amparada e defendida por esta Rainha! Teus reis católicos seriam enriquecidos pelos tesouros do alto, e por ti a suave lei do evangelho seria propagada por todas as nações.
- Lembra que esta grande Princesa honra aos que a honram, enriquece aos que a procuram, glorifica aos que a exaltam, e defende aos que nela esperam.
- E para exercitar contigo estes ofícios de singular mãe e usar de novas misericórdias, asseguro que espera e deseja que a empenhes, suplicando seu maternal amor.

- Lembra-te, porém, que Deus de ninguém tem necessidade (SI 15, 2) e é poderoso para das pedras fazer filhos de Abrão (Lc 3, 8). Se te tomas indigna de tantos bens, reservará esta glória para quem lhe aprouver e menos a desmerecer.

Glorificar a imaculada Conceição

307. - Para saberes qual o serviço que atualmente muito agradará esta Rainha e Senhora de todos, entre os muitos que te inspirar a devoção e piedade, trabalha pelo mistério de sua Imaculada
Conceição. Considera como ele se encontra em toda a Igreja, e o que falta para assegurar com firmeza^ os fundamentos desta cidade de Deus - Ninguém julgue esta advertência como de mulher fraca e ignorante, ou nascida de particular devoção e amor ao estado que professo, sob o nome e religião de Maria sem pecado original. Para mim basta minha crença e a luz que nesta
História tenho recebido. Não é para mim esta exortação, nem a daria só por meu juízo e parecer. Obedeço ao Senhor que faz os mudos falarem e torna eloqüentes a língua das criancinhas (Sb 10, 21).
- E quem se admirar desta liberal misericórdia, advirta o que desta Senhora diz mais o Evangelista:

Ilimitada a bondade de Maria.

308. "Suas portas não estarão fechadas durante o dia e ali não há noite" (v. 25).
As portas da misericórdia de Maria Santíssima, nunca estiveram nem estão fechadas. Desde o primeiro instante de sua existência, ao ser concebida, não houve noite de culpa, como nos demais santos, que fechasse as portas desta cidade de Deus.
Como num lugar onde as portas estão sempre abertas, saem e entram livremente todos os que querem, em qualquer tempo e hora: assim, a nenhum dos mortais está vedado que entre livremente ao comércio da Divindade, pelas portas da misericórdia de Maria puríssima.
Ali se derramam os tesouros do céu sem limitação de tempo, lugar, idade e sexo. Desde sua fundação todos têm podido entrar, pois para isto a construiu o Altíssimo com tantas portas abertas à
plena luz.
Desde sua puríssima conceição, começaram a sair por estas portas misericórdias e benefícios para toda a linhagem humana.
Contudo, apesar de tantas portas abertas para distribuir as riquezas da Divindade, a cidade está plenamente segura dos inimigos. Assim, acrescenta o texto:

A pureza de Maria

309. "Não entrará nela coisa alguma contaminada, ou quem pratique abominação ou mentira, mas somente aqueles que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro" (v. 27).

Tornando a recordar o privilégio da imunidade desta cidade de Deus. Maria, termina o Evangelista este capítulo, garantindo-nos que nela jamais entrou coisa manchada, porque lhe foram dados
corpo e alma imaculados.
Isso não poderia ser dito se houvesse contraído o pecado original, mesmo se depois não entrassem as manchas dos pecados atuais.
Tudo o que entrou nesta cidade santa, foi o que estava escrito na vida do Cordeiro. Foi formada pelo padrão de seu Filho Santíssimo, e de ninguém mais foram suas virtudes copiadas, ainda as
mais pequenas, se Nela pôde haver alguma coisa pequena.
E cidade de refúgio para os mortais, mas sob a condição de nela não entrar quem comete abominação e mentira.
Nem por isto desistam os manchados e pecadores filhos de Adão, de se dirigirem às portas desta cidade santa de Deus. Se chegarem arrependidos e humilhados em busca da limpeza da graça,
só a acharão nas portas desta Rainha e em nenhuma outra.
Ela é limpa, pura, opulenta, e acima de tudo Mãe de misericórdia, doce, amável e poderosa para enriquecer nossa pobreza, e limpar as máculas de todas as nossas culpas.

DOUTRINA QUE ME DEU A RAINHA DO CÉU SOBRE ESTES CAPÍTULOS.

Correspondência à graça

310. Minha filha, os mistérios destes capítulos encerram grande ensinamento e luz, mesmo que tenhas deixado de dizer muitas coisas. Mas de tudo o que entendeste e escreveste, trabalha
por tirar proveito (2Cor 6,1), e não recebas em vão a luz da graça. Em resumo, o que desejo de ti é que te lembres: apesar de seres concebida em pecado, descendente da terra e com inclinações terrenas, nem por isso desanimes no combate contra as paixões até vencê-las, e com elas a teus inimigos. Auxiliada com a força da graça do Altíssimo, podes elevar-te sobre ti mesma e vir a ser descendente do céu, donde procede a graça.
Para o conseguir deves habitar nas alturas, conservando a mente fixa no conhecimento do Ser imutável de Deus e suas perfeições, sem consentir que qualquer coisa, ainda necessária, afaste daí tua atenção. Com a contínua memória e visão interior da grandeza de Deus, estarás disposta para tudo o mais. Praticarás o mais perfeito das virtudes e serás idônea para receber o influxo e dons do Espírito Santo, e chegar ao estreito vínculo da amizade e comunicação com o Senhor.
Esta é a sua santa vontade como muitas vezes te manifestou, e para não faltares a ela trabalha em mortificar a parte inferior da natureza, onde vivem as funestas inclinações e paixões. Morre a tudo o que é da terra, sacrifica diante do Altíssimo todos os teus apetites sensitivos, e em nenhum satisfaças, nem sigas tua vontade, sem permissão da obediência.
Não deixes o segredo do teu interior onde serás iluminada pela lâmpada do Cordeiro. Prepara-te para entrar no leito nupcial de teu esposo, e deixa-te adornar como o fará a destra do Todo-poderoso, se com Ele colaborares e não ofereceres impedimento.
Purifica tua alma com muitos atos de contrição por tê-lo ofendido, e com ardentíssimo amor louva-o e glorifica-o.
Procura-o e não sossegues até achares aquele que tua alma deseja, e encontrando o não o largues (Ct 3,2-4).
Quero que vivas na peregrinação da terra ao modo dos que a terminaram, contemplando sem cessar o objeto que os toma gloriosos. Este há de ser o alvo de tua vida: com a luz da fé e a claridade de Deus onipotente a encher e iluminar teu espírito, continuamente o ames, adores e reverencies. Não tentes alcançar isso por ti mesma, mas submete tua vontade e entrega-te toda
ao ensinamento de teu Esposo, ao meu e à obediência com a qual hás de conferir tudo.

Oração da filha

311. Rainha e Senhora de toda a criação, a quem pertenço e desejo pertencer por toda a eternidade, louvando a onipotência do Altíssimo que tanto vos quis engrandecer. Já que sois tão feliz e
poderosa junto de Sua Alteza, suplico vos, Senhora minha, olheis com misericórdia a esta vossa pobre e mísera serva. Com os dons que o Senhor colocou em vossas mãos para distribuir aos
necessitados, socorrei minha vileza, enriquecei minha pobreza.
- Como Senhora, compeli-me até que eficazmente eu queira e faça o mais perfeito, e ache graça aos olhos de vosso Filho Santíssimo. Conquistai para vós mesma a glória de erguer do pó a mais inútil criatura (SI 30, 16).
Em vossas mãos entrego minha sorte. Desejai-a, Senhora e Rainha, pois vosso querer é santo e poderoso pelos méritos de vosso Filho, e pela palavra da beatíssima Trindade empenhada em receber todas as vossas súplicas e vontades sem negar nenhuma. Não posso obrigar-vos porque sou indigna, mas apresento-vos, Senhora minha, vossa mesma santidade e clemência.



AS VISITAS.

Estando eu, portanto, com este modo de viver retirado e em tontos padecimentos, minha querida Mãe, empregando algum tempo do dia no trabalho manual para ganhar o pão e José igualmente exercendo seu oficio, começamos a relacionar-nos com algumas pessoas que, tocadas de mera compaixão e atraídas pelas gentis maneiras de minha querida Mãe e mele ainda pela amabilidade de meu aspecto, formosura e graça de meu rosto. vinham algumas vezes procurar minha Mãe querida e conversar Por breve tempo com ela, para ouvirem-na falar. Na verdade, sua palestra arrebatava o coração de todos os que o ouviam. Quanto a mim, cativava-os por certo afeto sobrenatural e santo. Vinham às vezes os pequeninos, almas inocentes, e multo me comprazia em vê-los. Ficavam encantados atração admirável. De fato, causava grande impressão nos corações puros e Inocentes. Multo me aprazia vê-los vir a mim com aquele afeto e simplicidade pueril.

MARIA ENSINA

A Mãe dileta aproveitava a ocasião para tornar conhecido o Deus verdadeiro a alguns daquela nação, embora por natureza fossem ferozes e esquivos ao bem; tanta era a graça e o modo com que os recebia a Mãe querida que não podiam resistir e contradizer a quanto ela lhes ensinara. Minha Mãe desempenhava frequentemente esta tarefa, conforme ordenado por mim, por vontade de meu Pai. Fazia-o de tal modo que em breve tempo, tornou-se aquela casa uma escola de virtude. Quanto me aprazia ver aquelas almas inteiramente atentas, dadas a crer nas verdades eternas, e ao conhecimento do verdadeiro Deus. Oferecia esta minha consolação ao Pai e se dignasse inserir em seu peito novas inspirações, luzes, graças, para receberem a doutrina celeste.

E suplicava-lhe se dignasse insinuar ao  coração de meus irmãos sentimentos semelhantes ao de minha querida mãe,  para a salvação de seu próximo, a fim de que se dispusessem a fazer conhecido o verdadeiro Deus àquelas almas, ignorantes e cegas privadas de luz e de fé.

Havia algum tempo que estava ali habitando e no mesmo teor de vida referido. Só era concedido para o nosso serviço uma Pequena tábua onde eu me deitava para repousar, outra para minha Mãe e outra para José, e poucas coisas necessárias para vivermos como  pobres forasteiros. À minha querida Mãe traziam muitas coisas de presente os que eram instruídos por ela; e eram-lhe muito afeiçoados! Mas a Mãe amada tudo recusava e só aceitava aquilo que julgava muito necessário para minha pessoa, ou para José seu esposo.

Embora essas visitas a minha Querida Mãe fossem muito raras, no entanto tornaram-se mais frequentes, e eram para minha mãe certa incomodidade  e sujeição, porque seu desejo era estar só para atender à contemplação divina  e tratar comigo,  sendo eu o seu único objeto amado, onde seu coração encontrava todas as delícias imagináveis. Coisa semelhante me acontecia, alegrando-me estar a sós com ela, e ouvir os afetos amorosos de seu coração inflamado. Na verdade seus admiráveis atrativos e raras virtudes, haviam-me roubado o coração, Tamanho era o gosto de estar a só com ela, e com ela conversar que nisto encontrava todas as minas delícias.

Não obstante privávamo-nos frequentemente dessa consolação, preferindo voluntariamente sofrer, senão pela ausência, ao menos pela privação de conversarmos a sós, e principalmente em seu coração, onde eu me fazia ouvir com palavras amorosas e ela igualmente correspondia-me com grande amor e graça, de modo que cada vez ficava mais preso à sua amada convivência.

Mas, devendo ela tratar com algumas daquelas pessoas e instruí-las no conhecimento do verdadeiro Deus, privava-se do trabalho particular comigo, como também eu renunciava àquela consolação. Oferecia essa minha e sua privação ao Pai, e pedia-lhe que em, virtude dessa mortificação e privação da convivência, feitas para cumprir a sua vontade, se dignasse inspirar sentimento e desapego semelhantes a meus irmãos, mesmos nas coisas mais santas, para atender à salvação do próximo, instrui-lo e atraí-lo ao caminho reto da virtude; porque há muitos que podendo fazê-lo, não o fazem, para atenderem apenas ao que respeita à própria satisfação e ao gosto espiritual, sem cuidarem de fazer o que é de maior glória para meu Pai, a saber, a salvação das almas.

Assim como eu deixei a minha glória e o seio do Pai, para vir à terra salvar os homens, e na terra privei-me muitas vezes de tratar com minha mãe querida, para atender à conquista das almas, assim eles não devem desdenhar abandonar o que apreciam no exercício da contemplação e outros exercícios espirituais para proveito próprio, a fim de cuidarem da salvação do próximo, instruindo-o, ensinando-lhes a Lei divina, e orientando-o para a virtude. Na verdade, á grandioso alguém privar-se do próprio sossego e consolo espiritual, que se encontra na solidão e no retiro pelo trato familiar com meu Pai! Mas, o pensamento de dar-lhe maior prazer, faz com que  alguém se prive voluntariamente da própria consolação o faça e se prive, não chegará jamais a privar-se tanto quanto me privei eu e minha Mãe dileta; porque ninguém pode jamais chegar a gostar tanto quanto eu gostava de tratar com ela e ela comigo. Apesar de jamais estarem os nossos corações separados um do outro, não obstante ela, mera criatura, não podia ter a satisfação de tratar atentamente comigo, quando se empregava em semelhante obra de caridade para com o próximo. Fruía, então, de outro prazer, o de atrair as almas ao conhecimento do Deus verdadeiro e retirá-las da escravidão do demónio: no entanto, era-lhe bem mais agradável estar comigo.

Tendo eu obtido do Pai a graça suplicada para a salvação de meus Irmãos, necessitados de ensinamento, ofereci-lhe depois esta privação minha e a da querida Mãe e o pronto desapego, meu e dela, de tal consolo, para suprir a omissão dos que, apegados a si próprios e aos gostos espirituais, não sabem privar-se deles por amor a meu Pai e para cumprirem a sua divina vontade. Estes, portanto, merecem ficar privados de um e de outro, em castigo da excessiva afeição a certas coisas, se bem que santas. Por isso, fazia aquela oferta a meu Pai para suprir esta relutância á vontade divina e o apego às próprias consolações, a fim de que meu Pai não os castigasse com a privação de suas graças, como de fato merecem. O Pai ficava um tanto aplacado com minhas ofertas, e prometia-me retardar o castigo e dar-lhes novas impulsos, inspirações mais poderosas e nova graça. Via que muitos disto se serviriam, e corresponderiam à vontade divina, fazendo tudo o que meu Pai deles esperava. Isto trazia-me grande consolo e agradecia ao Pai a graça conferida àquelas almas. Por elas implorava nova graça e favores, e em particular o dom da perseverança.

PALAVRAS EFICAZES DE MARIA.

Em tal exercício, segundo este modo de viver, era grande meu conforto ver que aquelas almas aprendiam as verdades eternas e ficavam iluminadas. Orava ao Pai se dignasse dar tanta virtude, graça e eficácia às palavras de minha querida Mãe que todos os que a ouvissem ficassem persuadidos da verdade por ela ensinada. Ele o fazia, porque tal era sua graça ao falar e tão poderosa a eficácia de suas palavras que ficava quem a ouvia uma vez não só instruído e persuadido de quanto lhe ensinava, mas ainda muito se lhe afeiçoava. Alcançava grande êxito naquele lugar a Mãe querida, e como Mestra divina fazia com que muitos ficassem persuadidos da verdade. E conquanto fossem breves as suas palavras, tinham tanta eficácia que se imprimiam na mente de quem a ouvia. Por isso, muitos presenteavam à querida Mãe, tanto pelo bem que lhes fazia, como ainda pelo amor que lhe dedicavam. Ela, porém, tudo recusava, e só às vezes aceitava quanto lhe era muito necessário para a manutenção de sua pessoa e de José. Fazia-o quando se achava sem trabalho, e tanto ela como José não tinham com que manter-se. Eu olhava com olhos benignos e amorosos aos que vinham, e eram tão potentes os meus olhares que lhes penetravam o coração. Apesar de serem gente bárbara e de coração duro, comoviam-se muito ao ver-me tão benigno e amoroso para com eles. A este respeito, porém, havia orado ao Pai, a fim de que aquelas almas se rendessem e se dispusessem a crer nele.

A POBREZA DE JESUS

Estando, pois, naquela pequena casinha a viver em pobreza, se bem que pudesse obter algum alivio e viver com maior comodidade, jamais quis fazê-lo, de modo que os que me viam ficassem edificados, e pela força de meu exemplo aprendessem melhor a verdade ensinada por minha Mãe e ainda por jamais ter aceitado presente, preferindo viver pobre e sofrer mesmo quanto ao necessário. Oferecia este meu sofrimento voluntário ao Pai, e a forma de vida que mantinha com minha Mãe, para dar àquela gente exemplo da prática daquilo que lhes ensinava minha querida Mãe e pedia-lhe se dignasse insinuar sentimento semelhante ao coração de todos aqueles que se empenhavam neste exercício de ensinar a vida perfeita, quer dizer, que pratiquem com toda a perfeição o que transmitem aos outros, pois do contrário, são freqüentemente vãs as suas fadigas, uma vez que exemplo é mais eficaz do que a palavra. Ainda eu via que muitos se dariam a este exercício, mas não obteriam fruto algum, por divergirem do ensinamento às obras concretas. Por isto, fazia muitas súplicas a meu Pai que lhes inspirasse agirem de acordo com o que ensinam, a fim de poderem recolher o ambicionado fruto de seus ensinamentos, a conversão das almas e o mérito próprio. Ao Pai agradavam estas minhas preces e ofertas e prometia-me fazer tudo aquilo que lhe pedia, como de fato não omite. Mas é tão grande em alguns o amor próprio e a solicitude das preocupações temporais que pouco ouvido dão ás inspirações e impulsos da graça, e atribuem importância maior a seu bem estar do que ao bem das almas. Não se preocupam por gastarem em vão com exortações e provas, porque vivem a seu modo. Que pesar sentia por esta cegueira de meus irmãos! Realmente, como apresentava ardentes súplicas a este respeito a meu Pai, para muitos adiantavam. pois, dando ouvidos às inspirações divinas, põem-se a agir verdadeiramente com toda a perfeição, e por isso seus ensinamentos alcançam o pretendido fruto, a saber, a conversão das almas e a glória de meu Pai. Mas, como são poucos os que assim agem! Em conseqüência, mínimo é o fruto que se vê de tantas doutrinas e ensinamentos. Um coração repleto do espírito de meu Pai obtém o fruto ambicionado, porque age conforme os ensinamentos divinos. Mas um coração repleto do espírito do mundo, pouco ou nenhum fruto retira de suas palavras, porque vive conforme os ditames dos sentidos e do mundo.

TRATA COM O PAI A RESPEITO DA SALVAÇÃO DOS IRMÃOS

Naquele tempo, pois, que vivi no Egito, continuei os habituais exercícios com meu Pai, isto é, a todo instante de minha vida bendizia-o, agradecia-lhe por parte de todos os meus irmãos. Pedia-lhe se dignasse iluminar aquela nação onde eu morava, a fim de que, tendo estado entre eles a verdadeira luz, não permanecessem cegos e sepultados na própria ignorância; que eles se prevalecessem da graça especial que havia empregado para com eles. ao mandar-me habitar aqui, a mim, seu Filho unigênito. O Pai não deixava de atender às súplicas, enviando àquelas almas infiéis as divinas inspirações, Muitas delas se convertiam e abraçavam a verdadeira fé, e eu dava graças ao Pai e suplicava-lhe continuasse a conceder graças àquele povo.


PARTE 1
12-25
Novembro 2, 1917

Lamentos de Jesus. Ameaças de castigos para a Itália.

(1) Continuando meu habitual estado, entre privações, penas e amarguras, especialmente por
tantos males que se ouvem, e pela entrada dos estrangeiros na Itália, rogava ao bom Jesus que
detivesse os inimigos e lhe dizia: "Era esta talvez a inundação que Tu dizias em dias
passados?" e o bom Jesus, vindo me disse:

(2) "Minha filha, esta era a inundação que te dizia, e a invasão continuará avançando, os
estrangeiros continuarão invadindo a Itália, muito mereceram. Eu tinha escolhido a Itália como
uma segunda Jerusalém; ela, por correspondência, ignorou as minhas leis, negou-me os
direitos que me correspondiam; ah! posso dizer que não se comporta mais como homem, senão
como besta e nem mesmo sob o pesado flagelo da guerra me reconheceu e quer seguir adiante
como meu inimigo. Justamente se tem merecido a derrota e a continuarei humilhando até o pó".
(3) E eu interrompendo-o: "Jesus, que dizes? ¡ Pobre pátria minha, como você será dilacerada!
Jesus, piedade, detenha a corrente dos estrangeiros!"

(4) E Jesus: "Minha filha, com grande dor devo permitir que os estrangeiros avancem; tu porque
não amas as almas tanto como Eu desejaria a vitória, mas se a Itália vencer será a ruína para
as almas, sua soberba chegaria a tanto que arruinaria o pouco avanço de bem que há na
nação, e seria dado como exemplo aos povos como nação que sabe fazer as coisas sem Deus.
¡ Ah, minha filha, os flagelos continuarão, os países serão devastados, os despojarei de tudo, o
pobre e o rico serão uma só coisa. Não quiseram conhecer as minhas leis; da terra se fizeram
um deus para cada um, e eu, despojando-os, lhes farei conhecer o que é a terra; com o fogo a
purificarei, porque é tanta a peste que exala, que não posso tolerá-la; muitos ficarão sepultados
no fogo, e assim tornarei judiciosa a terra. É necessário, o requer a salvação das almas; já te
havia dito há muito tempo destes flagelos, e agora o tempo chegou, mas não de todo ainda,
outros males virão. Emendarei a terra, emendarei a terra".
(5) E eu: "Meu Jesus, acalma-te, basta por agora".
(6) E Ele: "Ah, não! Você reza e eu farei o inimigo menos cruel."

13-24
Outubro 16, 1921

Assim que Jesus foi concebido, fez renascer todas as criaturas n'Ele.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, meu sempre amável Jesus me fazia ver como de
dentro de sua Santíssima Humanidade saíam todas as criaturas, e toda ternura me disse:

(2) "Minha filha, olha o grande prodígio da encarnação, assim que fui concebido e se formou
minha humanidade, assim fazia renascer todas as criaturas em Mim, assim que em minha
Humanidade, enquanto renasciam em Mim, sentia todos seus atos distintos: Na mente continha
cada pensamento de criatura, bons e maus, os bons confirmava-os no bem, rodeava-os com a
minha graça, investia-os com a minha luz, a fim de que, renascendo da santidade da minha
mente, fossem dignos partos da minha inteligência; os maus os reparava, fazia a penitência que
lhes correspondia, Multiplicava os meus pensamentos ao infinito para dar ao Pai a glória por
cada pensamento das criaturas. Em meus olhares, em minhas palavras, em minhas mãos, em
meus pés e até em meu coração, continha os olhares, as palavras, as obras, os passos, os
corações de cada um, e renascendo em Mim tudo ficava confirmado na santidade de minha
humanidade, tudo reparado, e por cada ofensa sofri uma pena especial.
E, tendo feito renascer todos em Mim, carreguei-os em Mim todo o tempo da minha vida, e sabes quando os tive?
Os pari sobre a cruz, no leito de minhas acerbos dores, entre espasmos atrozes, no último suspiro
de minha Vida, e assim como morri, assim renasciam todos a nova vida, todos selados e
marcados com todo o obrar de minha humanidade; e não contente com tê-los feito renascer, a
cada um dava tudo o que Eu tinha feito para tê-los defendidos e seguros. Vês a santidade que o
homem contém? A santidade da minha humanidade, jamais teria podido dar à luz filhos
indignos e ao contrário de Mim, por isso amo tanto o homem, porque é parto meu, mas o
homem é sempre ingrato e chega a não conhecer o Pai que o pariu com tanto amor e dor".

(3) Depois disto tudo se fazia ver em chamas, e Jesus ficou queimado e consumido naquelas
chamas, e não se via mais, não se via outra coisa que fogo, mas depois se via renascer de
novo, e depois ficava outra vez consumido no fogo. Então acrescentou:

(4) "Minha filha, Eu ardo, o amor me consome, é tanto o amor, as chamas que me queimam,
que morro de amor por cada criatura. Não foi só pelas penas pelo que morri, senão que as
mortes de amor são contínuas, não obstante não há quem me dê seu amor por refrigério".

14-24
Abril 21, 1922

Efeitos da oração feita na Santíssima Vontade de Deus.

(1) Tudo o que escrevi e escrevi é somente para obedecer, e muito mais por temor de que meu
Jesus, desgostoso, pudesse encontrar pretexto para me privar d'Ele, só Ele sabe quanto me
custa. Agora, passei um dia sem Jesus, apenas alguma sombra sua, oh! Deus, que pena, e
dizia entre mim: "Como tão depressa faltou à sua palavra de não me deixar! Oh! Santa Vontade
Eterna, traz-me o meu sumo bem, o meu tudo". E era tanta a pena que sentia, que me sentia
consumir pela dor, mas neste estado tratava de fundir-me em seu Santo Querer. Enquanto
estava nisto veio, fazendo-se ver que chorava amargamente, com o coração partido em muitos
pedaços, eu ao vê-lo chorar pus a um lado a minha raiva e abraçando-o e secando-lhe as
lágrimas lhe disse: "Que tens Jesus que choras? Diz-me, o que te fizeram?"

(2) E Ele: "Ah! minha filha, querem desafiar-me, é um horrível desafio que me estão a preparar,
e isto pelos chefes; é tanto a minha dor que me sinto destroçado em pedaços o meu coração. ¡
Ah! como é justo que a minha justiça se descarregue contra as criaturas, por isso venha junto
Comigo no meu Querer, fiquemo-nos entre o Céu e a terra e adoremos juntos a Majestade
Suprema, abençoemo-la e prestemos-lhe homenagem por todos, a fim de que Céu e Terra
possam encher-se de adorações, homenagens e bênçãos e todos possam receber os efeitos".

(3) Então passei uma manhã rezando junto com Jesus em seu Querer, mas, oh
surpresa! Enquanto rezávamos, uma era a palavra, mas o Querer Divino a difundia sobre todas
as coisas criadas e em todas ficava sua marca; a levava ao empírico e todos os bem-
aventurados não só recebiam a marca, senão lhes era causa de nova bem-aventurança; descia
no subsolo da terra e até ao Purgatório, e todos recebiam os efeitos, mas quem pode dizer
como se rezava com Jesus, e todos os efeitos que produzia? Então, depois de ter rezado
juntos, disse-me:

(4) "Minha filha, viste o que significa rezar no meu Querer? Como não há ponto em que meu
Querer não exista, Ele circula em tudo e em todos, é vida, ator e expectador de tudo; assim os
atos feitos em meu Querer se tornam vida, ator e expectador de tudo, até da mesma alegria,
bem-aventurança e felicidade dos santos, levam por toda parte a luz, o ar balsâmico e celestial
que faz sair alegrias e felicidade, por isso não saia jamais de meu Querer, Céu e terra te
esperam para receber nova alegria e novo esplendor".

15-25
Maio 25, 1923
A Divina Vontade legitima as almas como filhas de Deus. Tudo foi criado para elas.

(1) Sentia-me como imersa no Querer Eterno e meu sempre amável Jesus, atraindo-me para Ele
me transportou para fora de mim mesma, fazendo-me ver céu e terra, e enquanto isso me fazia ver
me disse:

(2) " Filha querida de nossa Suprema Vontade, olhe toda esta máquina do universo, o céu, o sol, os
mares, e todo o resto, foi criado por Nós para fazer um dom, mas sabe a quem? A quem teria feito
a nossa vontade. Tudo a eles foi doado como a nossos filhos legítimos, isto o fazíamos por decoro
de nossas obras, não depositando-as nem dando-as em dom a gente estranha, nem a filhos
ilegítimos que não teriam compreendido os grandes bens que há nelas, nem apreciada a grandeza
e santidade de nossas obras, aliás, as teriam desperdiçado e desprezado; ao contrário, dando-as
em dom a nossos filhos legítimos, como em cada coisa criada há um amor distinto e um bem
especial para aquele a quem está dirigido o dom, nossa Vontade habitante neles e formando neles
vida própria, lhes teria feito compreender todos estes amores, distintos um do outro, que estão em
tudo o criado e todas as especialidades dos bens, portanto nos teriam dado a correspondência por
cada amor distinto, glória, honra, por todos os bens dados a eles; nossa Vontade, que com um Fiat
os tinha criado e que conhecia todos os seus segredos, habitante em nossos filhos legítimos, com
outro Fiat lhes teria revelado nossos segredos que estão em todas as coisas criadas, e nos faria
dar amor por amor; as harmonias, as comunicações se alternariam entre eles e Nós.
E, se aqueles que não fazem a nossa vontade parecem gozar e tomar parte, mas os dons não são deles, mas é
por causa indireta, como usurpadores e como filhos ilegítimos, muito mais do que não estando a
minha vontade habitante neles, nada ou pouquíssimo entendem do meu amor que tudo o que é
criado os leva, nem dos grandes bens que em tudo há; aliás, muitos nem sequer sabem quem
criou tantas coisas. Verdadeiros estrangeiros, que enquanto vivem das coisas que me pertencem,
nem sequer me querem reconhecer.

(3) Então, como a verdadeiro Filho legítimo foi entregue por meu Pai Celestial este grande dom de
todo o universo, a minha Humanidade, na qual não houve coisa pela que não o correspondesse,
dom por dom, amor por amor; depois veio minha Celestial Mãe, que tão bem soube corresponder
ao seu Criador, e depois vieram os filhos da minha Vontade, aos quais Ela devia legitimar por seus
próprios filhos.

Por isso tudo o criado exulta de alegria, faz festa e sorri quando fazendo-te sair de ti
mesma, junto Comigo reconhecem a filha legítima da Vontade Suprema, sua dona, todas quiseram
correr ao teu colo e ao teu redor, não só para fazer festa mas para ser apreciadas, defendidas e
tidas em conta como dom do seu Criador, e todas em concorrência querem dar-te cada um amor
distinto e o dom que contém cada coisa criada: Quem te quer dar o dom da beleza do teu Criador,
e o amor que contém o belo; quem o dom da potência, e o amor que contém o poder; quem o dom
da sabedoria, quem o da bondade, quem o da santidade, quem o da luz, quem o da pureza, e os
vários amores que contém a sabedoria, a bondade, a santidade, a luz, a pureza, etc. Assim que
minha Vontade abate todas as barreiras que há entre a alma e Deus, a põe em harmonia entre o
Céu e a terra, lhe revela todos os segredos que há em toda a Criação, e a torna depositária de
todos os dons de Deus".

16-25
Outubro 20, 1923

A alma é o campo onde Jesus trabalha, semeia e colhe.

(1) Sentia-me toda aniquilada em mim mesma, suas privações me lançam na mais profunda hu-
milhação; sem Jesus, o interior de minha alma sinto-o devastado, todo o bem me parece que decli-
na e morre, meu Jesus, como é dura a tua privação! Oh! como me sangra o coração ao ver em
mim todo morrer, porque Aquele que é vida e que só Ele pode dar vida, não está comigo. Então,
enquanto eu estava neste estado, meu dulcíssimo Jesus tendo saido de dentro de mim, e apoiando
sua mão sobre meu coração, e apertando-o forte Ele disse para mim:

(2) "Minha filha, por que te afliges tanto? Abandona-te em Mim e deixa-me fazer, e quando te pa-
reça que tudo declina e morre, teu Jesus fará ressurgir tudo, porém mais belo e mais fecundo.
Você deve saber que a alma é meu campo onde eu trabalho, semeio e colho, mas meu campo
predilecto é a alma que vive em minha Vontade, neste campo meu trabalho é deleitável, não me sujei ao
semear, porque minha Vontade a converteu em campo de luz, seu terreno é virgem, puro e celestial,
e Eu me divirto muito ao semear nele pequenas luzes, quase como um orvalho que forma o Sol
de minha Vontade. "
Oh! como é bonito ver este campo da alma toda coberto de tantas gotas de
luz, que pouco a pouco, à medida que crescem, formarão tantos sóis, a vista é encantadora, todo o
Céu é arrebatado por sua vista e estão todos atentos a ver o Celestial Agricultor que com tanta
mestria cultiva este campo e que possui uma semente tão nobre de convertê-la em sol. Agora min-
ha filha, este campo é meu e faço dele o que quero, e quando estes sóis estão formados Eu os
colho e os levo ao Céu como a mais bela conquista de minha Vontade, e volto de novo ao trabalho
de meu campo e revolvo tudo, portanto Ponho tudo em desordem, e a pequena filha de meu Querer
sente que tudo termina, que tudo morre. Os sóis tão fulgurantes de luz os vê substituir pelas
pequenas centelhas de luz que vou semeando e acredita que tudo perece; como você se engana! ,
é a nova colheita que se deve preparar, e como eu quero torná-la mais bonita do que a primeira e
aumentá-la mais para poder duplicar a minha colheita, o trabalho à primeira vista parece mais
cansado e a alma sofre de mais, mas essas penas são como terreno arado, que fazem aprofundar
mais a semente para fazê-la germinar mais segura, mais fecunda e bela.
Não vês tu um campo quando se tem colhido como ele é magro e pobre? Mas deixe-o crescer novamente e você vai vê-
lo mais florescente do que antes, por isso deixa-me fazer, e tu com viver no meu Querer estarás
junto Comigo no trabalho, semearemos juntos as pequenas centelhas de luz, faremos competição
para ver quem semeia mais e assim nos divertiremos ao semear, ou no descanso, mas sempre juntos.
Eu sei, eu sei, eu sei qual é o teu maior medo, que eu te deixe; não, não, não Deixo-te, quem
vive em meu Querer é inseparável de Mim".

(3) E eu: "Meu Jesus, Tu costumavas dizer-me que quando não vinhas era porque querias castigar
às pessoas, e agora não é por isso que não vens, mas por outra coisa".

(4) E Jesus como que suspirando: "Virão, virão os castigos, ah, se soubesses!"
(5) Dito isto desapareceu.

17-24
Dezembro 1, 1924

A Divina Vontade rejeitada pelas criaturas sente a morte do bem que quer fazer.

(1) Sentia-me extremamente amarga, e enquanto rezava, chorava a minha dura sorte de estar
privada d'Aquele que forma toda a minha vida. Meu estado é irremediável, ninguém se move a
piedade de mim, tudo é justiça, e além disso, quem se quererá mover a piedade de mim, se Aquele
que é a fonte da piedade me nega? Agora, enquanto eu chorava e rezava, senti-me segurando as
mãos nas mãos de Jesus, e elevando-me ao alto disse:.

(2) "Venham todos a ver um espetáculo tão grande e jamais visto nem no Céu nem na terra:. Uma
alma morrendo continuamente por puro amor meu".

(3) Ao falar de Jesus se abriram os Céus e toda a hierarquia celeste me olhava, também eu me
olhava e via minha pobre alma murcha e morrendo como uma flor que está por murchar sobre seu
caule, mas enquanto morria, uma secreta virtude me dava vida; ah! Talvez seja a justiça punitiva de
Deus que justamente me castiga. Oh, meu Deus, meu Jesus, tenha piedade de mim, piedade de
uma pobre moribunda! É a sorte mais dura que me toca entre todos os mortais: morrer sem poder
morrer! Depois, meu doce Jesus quase por toda a noite me teve em seus braços para me dar força
e me ajudar em minha agonia. Eu acreditava que finalmente tinha compaixão de mim e me levava
com Ele, mas em vão. Depois que me reanimou um pouco, me deixou dizendo:.

(4) "Minha filha, minha Vontade está recebendo contínuas mortes por parte das criaturas, Ela é
vida, e como vida quer dar a vida da luz, mas a criatura rejeita esta luz, e de fato, não recebendo-a,
Esta luz morre para a criatura e a minha Vontade sente a pena de morte que a criatura deu a esta
luz. Minha Vontade quer fazer conhecer os méritos, as virtudes que contém e a criatura rechaça
este conhecimento com os méritos e as virtudes que contém, e minha Vontade para a criatura
morre a este conhecimento e aos méritos e às virtudes que contém meu Querer, e minha Vontade
sente a pena da morte que a criatura deu às virtudes e méritos de meu Querer; e assim se quer dar
amor e não é recebido, sente a morte dada ao amor; se quer dar a santidade, a graça, sente dar-se
pela criatura a morte à santidade e à graça que quer dar, assim é contínua a morte que sente ao
bem que quer dar. E além disso, você não sente em você a morte contínua que sofre minha
Vontade? Vivendo tu n'Ela estais obrigada, como por natureza, a participar nestas mortes sofridas
pela Minha Vontade, e a viver num estado de contínua agonia".

(5) Ao ouvir isto, disse: "Jesus, meu amor, não me parece que assim seja, é a tua privação que me
mata, que me tira a vida sem me fazer morrer".
(6) E Jesus: "Minha privação, por um lado, minha Vontade, por outro, que tendo-te absorvida nela,
faz-te partícipe de suas penas. Minha filha, no verdadeiro viver em meu Querer não há pena que
minha Vontade receba das criaturas, que não faça partícipe a alma que vive nela".

18-26
Fevereiro 21, 1926
Cada manifestação sobre a Divina Vontade é um parto Dela, e cada ato feito nela é água que
forma para engrandecer o mar da Vontade Eterna em torno da alma.

(1) Sentia-me toda imersa no Santo Querer Divino, um ar celestial e divino me circundava, e uma
luz inacessível me fazia presentes, como em ato, todos os atos do Querer Supremo, os quais
encontrando em mim o mesmo Querer, me davam seu beijo e seu amor, e eu lhes dava novamente
meu beijo e imprimia meu amo em cada ato do Querer Eterno. Parecia-me que todos queriam ser
reconhecidos por mim para ter minha correspondência, acordo perfeito e possessão recíproca.
Agora, enquanto me encontrava neste estado, meu doce Jesus saiu de dentro de mim, e com suas
mãos divinas me amarrava naquela luz, de modo que nada mais via que a Jesus, sua Vontade e
tudo o que Ela fazia; como me sentia feliz, quantas alegrias inexprimíveis sentia.
O próprio Jesus estava todo em festa e estava tão contente por me ver toda para o seu Querer e no seu Querer,
que parecia que esquecia tudo para se ocupar só da sua Vontade, a fim de que fosse completa em
mim, e triunfando sobre tudo pudesse ter a finalidade para a qual todas as coisas foram criadas.
Depois me disse:.

(2) "Minha filha, pequena recém nascida da minha Vontade, tu deves saber que quem nasceu na
minha Vontade pode ser também mãe, dando à luz muitos filhos ao meu Supremo Querer. Para ser
mãe é necessário ter matéria suficiente no interior, para poder formar com seu sangue, com sua
carne e com os alimentos contínuos o parto que se quer dar a luz. Se não há germe e matéria
suficiente, é inútil esperar ser mãe. Agora em ti, tendo nascido no meu Querer, está o germe da
fecundidade, como também está a matéria suficientíssima de todas as manifestações que te fiz
acerca do meu Querer, cada conhecimento que te dei, pode-se dizer que pode dar à luz um filho à
minha Vontade; seus atos contínuos em meu Querer são alimentos abundantes para formá-los
primeiro em ti a estes filhos do Céu, e depois tirá-los fora como triunfo, honra, glória e coroa de
minha Vontade e perene alegria da mãe que os pariu.

Veja então o que significa uma manifestação de mais, é um parto de mais que faz minha Vontade, é uma Vida Divina que sai para bem das
criaturas, é um debilitar as forças da vontade humana para constituir nela a força da Vontade
Divina. Como deves então estar atenta a não perder nada, mesmo das mais pequenas
manifestações que te faço, porque virias a tirar-me a honra de ter um filho a mais, que pode narrar
a todos um bem a mais sobre a minha Vontade para dá-lo às criaturas, e então poder amá-la de
mais e fazer-se subjugar pela potência do meu Supremo Querer".

(3) Então, não sei como me sentia o acostumado temor que pudesse sair minimamente da
Santíssima Vontade, e meu sempre amável Jesus voltou de novo e todo amor me disse:.

(4)"Minha filha, por que temes? Escuta, quando te esforças e te afliges por temor de sair de meu
Querer, Eu me rio e me divirto, porque sei que é tanta a água do mar de minha Vontade que te
circunda, que não encontrarias os confins para sair dele; onde quer que queiras dirigir teus passos,
à direita ou à esquerda, para frente ou para trás, caminharias, sim, mas sempre na água do mar da
minha Vontade, e esta água foste tu mesma a formar com os tantos atos que fizeste nela, porque
sendo a minha Vontade interminável, fazendo suas ações Nela, você viria a formar em torno de
você um mar do qual não pode sair.
Então, cada ato que você faz vem para formar uma nova água
para ampliar a maior parte do mar da Suprema Vontade dentro e fora de você. Seus mesmos
temores de sair da origem onde nasceu, são ondas que formas, que agitando te aprofundam mais
no abismo do mar do meu Querer. Por isso Eu não te faço nenhuma reprovação, porque sei onde
estás e como estás; e mais bem chamo a tua atenção a viver em paz no meu Querer, ou faço-te
uma surpresa com dizer-te outras coisas mais surpreendentes sobre o Eterno Querer, de modo que
surpreendida esqueças tudo, também os teus temores, e em paz navegues o mar da minha
Vontade, E eu, divino piloto me deleito em guiar aquela que vive e é toda para o nosso Supremo
Querer".
(5) Seja tudo para glória de Deus e para confusão minha, que sou a mais miserável das criaturas.

19-26
Junho 6, 1926

Jesus quer o nosso elo em tudo o que fez. Assim como Deus estabeleceu a época e o tempo da Redenção, assim é para o Reino
de sua Vontade. A Redenção é meio e ajuda para o homem, a Vontade Divina é princípio e fim do homem.

(1) Estava segundo meu costume fazendo minhas ações na Vontade Suprema, e tratava de
encontrar tudo o que fez meu Jesus, minha Mãe Celestial, a Criação e todas as criaturas, agora
enquanto isso fazia, o meu doce Jesus ajudava-me a fazer-me presente todos os seus atos que eu
omitia procurar, não tendo a capacidade para isso, e Jesus todo bondade me fazia presente o seu
ato dizendo-me:
(2) "Minha filha, em minha Vontade todos meus atos estão presentes, como alinhados entre eles.
Olhe, aqui estão todos os atos de minha infância, estão minhas lágrimas, meus gemidos, está
também quando pequeno menino, passando pelos campos pegava as flores, vem pôr seu te amo'
sobre as flores que tomo e sobre minhas mãos que se estendem para tomá-las, naquelas flores era
a ti a quem olhava, era a ti a quem tomava como pequena flor da minha Vontade, não queres tu
então fazer-me companhia em todos os meus atos infantis com o teu amor e com entreter-te
Comigo nestes atos inocentes? Depois está quando de pequeno menino, cansado de chorar pelas
almas tomava um brevíssimo sono, mas antes de fechar os olhos queria-te a ti para reconciliar o
sono, queria ver-te beijar minhas lágrimas ao imprimir teu „te amo' em cada lágrima, e com o
arrulho de seu „te amo' faça-me fechar os olhos ao sono, mas enquanto durmo não me deixe
sozinho, mas espere-me que acorde, a fim de que igual que ao fechar meus olhos ao sono, assim
ao abri-los desperte-me em seu „te amo'..
(3) Minha filha, estava estabelecido para quem devia viver em meu Querer que fosse inseparável
de Mim, e apesar de que você então não existia, minha Vontade te fazia presente e me dava tua
companhia, tuas ações, teu 'amo-te'; e você sabe o que significa um „te amo' em minha Vontade?
Aquele amor que te amo encerra uma felicidade eterna, um amor divino, e para a minha infância
era o suficiente para me fazer feliz e para formar em torno de mim um mar de alegria, o suficiente
para me fazer pôr de lado todas as amarguras que me davam as criaturas. Se você não seguir
todos meus atos haverá um vazio de seus atos em minha Vontade, e Eu ficarei isolado sem sua
companhia, quero sua ligação a tudo o que fiz, porque sendo uma a Vontade que nos une, por
conseqüência um deve ser o ato.

Mas siga-me ainda, olhe-me aqui, quando em minha infância de
dois ou três anos Eu me afastava de minha Mãe, e de joelhos com os bracinhos abertos em forma
de cruz rogava a meu Celestial Pai para que tivesse piedade do gênero humano, e em meus
bracinhos abertos abraçava todas as gerações; minha posição era dilaceradora, tão pequena, de
joelhos com os bracinhos abertos, chorar, rogar, minha Mamãe não teria podido resistir me ver, seu
amor materno que tanto me amava a teria feito sucumbir, por isso vêem você que não tem o amor
de minha Mamãe, vem a me segurar os bracinhos, a enxugar-me as lágrimas, põe um te amo'
sobre aquele terreno onde apoiava meus pequenos joelhos, a fim de que não me seja tão duro, e
depois atira-te em meus bracinhos a fim de que te ofereça a meu Celestial Pai como filha de minha
Vontade. Desde então eu te chamava, e quando me via sozinho, abandonado por todos, Eu dizia
entre Mim: Se todos me deixarem, a recém nascida da minha Vontade não me deixará jamais
sozinho'. “Porque o isolamento me é muito duro, e por isso meus atos esperam aos teus, e tua
companhia"..

(4) Mas quem pode dizer tudo o que meu doce Jesus me fazia presente de todos os atos de sua
Vida? Se eu quisesse dizê-los todos me estenderiam demasiado, deveria preencher volumes
inteiros, por isso melhor aqui ponho ponto....

(5) Depois disso eu estava dizendo ao meu amável Jesus: "Meu amor, se você ama tanto que sua
Santíssima Vontade seja conhecida e que reine com seu pleno domínio no meio das criaturas, por
que quando você veio para a terra, unido à tua Mãe Celestial, que assim como obteve ao suspirado
Redentor assim podia obter o suspirado Fiat, não formaste unido à Redenção o cumprimento da
tua Santíssima Vontade? A vossa presença visível teria ajudado, facilitando de modo admirável o
reino da Suprema Vontade sobre a terra; ao contrário, fazê-lo por meio desta pobre, mesquinha e
incapaz criatura, parece-me como se não devesse ter toda a glória e o total triunfo". E o meu doce
Jesus, movendo-se dentro de mim, disse-me:.

(6) "Minha filha, tudo estava estabelecido, a época e o tempo, tanto da Redenção como aquele de
fazer conhecer minha Vontade na terra a fim de que reinasse nela. Estava estabelecido que minha
Redenção devia servir como meio de ajuda, Ela não tinha sido o princípio do homem, senão que
surgiu como meio depois que o homem se afastou de seu princípio; em troca minha Vontade foi o
princípio do homem e o fim no qual deve fechar-se; todas as coisas têm seu princípio em minha
Vontade e tudo deve retornar nela, e se não todas no tempo, na eternidade nenhum lhe poderá
fugir, por isso, também por esta razão, o primado é sempre de minha Vontade. Para formar a
Redenção Eu tinha necessidade de uma Mãe Virgem, concebida sem a sombra da mancha
original, porque devendo tomar carne humana, era decoroso para Mim, Verbo Eterno, que não
tomasse um sangue infectado para formar a minha Santíssima Humanidade.

Agora, para fazer conhecer minha Vontade, para que reinasse, não era necessário que Eu fizesse uma segunda mãe
segundo a ordem natural, mas sim uma segunda mãe na ordem da graça, porque para fazer que
reine minha Vontade não tenho necessidade de outra Humanidade, mas de dar tal conhecimento
dela, que atraídos por seus prodígios, por sua beleza e santidade e pelo bem grandíssimo que vem
à criatura, possam com todo amor submeter-se a seu domínio, e por isso, escolhendo-te para a
missão de meu Querer, Segundo a ordem natural te tomei da estirpe comum, mas pelo decoro de
minha Vontade, segundo a ordem da graça, devia te elevar tanto, de não ficar em tua alma
nenhuma sombra contaminada pela qual minha Vontade pudesse sentir relutância de reinar em ti.
Assim como se necessitava o sangue puro da Imaculada Virgem para formar a minha Humanidade,
para poder redimir o homem, assim se necessitava a pureza, o candor, a santidade, a beleza de
sua alma para poder formar em você a Vida de minha Vontade. E assim como ao formar minha
Humanidade no seio de minha Mãe, esta Humanidade se deu a todos, entende-se aqueles que me
querem, como meio de salvação, de luz, de santidade, assim esta Vida de minha Vontade formada
em você se dará a todos para fazer-se conhecer e tomar seu domínio. Se tivesse querido libertar-te
da mancha de origem, como a minha Celestial Mãe, para fazer com que a minha Vontade tomasse
vida em ti, ninguém teria pensado que o meu Querer reinasse neles, teriam dito:

É preciso ser uma segunda Mãe de Jesus, ter seus privilégios para fazer reinar a Vida da Vontade Suprema em nós'.
Ao contrário, sabendo que és da estirpe deles, concebida como eles, querendo-o, poderão também
eles, ajudando-se com o seu bom querer, conhecer a Vontade Suprema, o que devem fazer para
fazê-la reinar neles, o bem que lhes vem, a felicidade terrestre e celeste preparada de maneira
diferente para aqueles que farão reinar a minha Vontade. Minha Redenção devia servir para plantar
a árvore de minha Vontade, que regada com meu sangue, cultivada e trabalhada com meus suores
e penas inauditas, apresentada com os Sacramentos, devia primeiro fazer desenvolver a árvore,
depois florescer, e ao final fazer amadurecer os frutos celestiais de minha Vontade. Mas para fazer
amadurecer esses frutos preciosos não bastava o curso dos meus trinta e três anos, nem as
criaturas estavam preparadas, dispostas a tomar um alimento tão delicado que dava todo o Céu.
Por isso me contentei em plantar a árvore, deixando todos os meios possíveis para fazê-lo crescer
belo e gigantesco, e a tempo oportuno, quando os frutos estão por amadurecer, a fim de que sejam
cortados, escolhi-te a ti de modo todo especial para te fazer conhecer o bem que contém, e como
quero levantar de novo a criatura à sua origem, e que pondo de lado a sua vontade, causa pela
qual desceu do seu estado feliz, comerá destes frutos preciosos, os quais lhe darão tanto gosto,
que servirão para tirar toda a infecção das paixões e do próprio querer, e restituir o domínio a
minha Vontade. “Ela, abraçando tudo dentro de um só abraço, unirá tudo junto, Criação, Redenção
e cumprimento do fim pelo qual todas as coisas foram criadas, isto é, que minha Vontade seja
conhecida, amada e cumprida como no Céu assim na terra".

(7) E eu: "Jesus, meu amor, quanto mais dizes, tanto mais sinto o peso da minha pequenez, e temo
que possa servir de obstáculo ao reino da tua Vontade sobre a terra. ¡ Oh, se tu e a minha mãe o
tivessem feito diretamente estando na terra, o teu Querer teria tido o seu pleno efeito!" E Jesus
interrompeu-me acrescentando:.

(8) "Minha filha, o nosso trabalho foi plenamente cumprido, tu fica atenta a cumprir o teu. Este é o
seu trabalho, muito mais do que Eu e a Rainha Soberana somos intangíveis das penas, estamos
em estado de impassibilidade e de glória completa, e por isso as penas não podem ter mais o que
fazer conosco; você em troca tem as penas em sua ajuda para impelir o Fiat Supremo, novos
conhecimentos, novas graças, e Eu apesar de que estou no Céu, Estarei escondido em ti para
formar o Reino à minha vontade. Minha potência é sempre a mesma, e mesmo estando no Céu
posso fazer o que teria feito estando visível sobre a terra; quando Eu quero e a criatura se presta
dando tudo em poder do meu Querer, Eu invisto-a e faço-a fazer o que deveria fazer Eu mesmo.
Por isso seja atenta e preste atenção ao seu trabalho"..

20-25
Novembro 16, 1926

Cada ato de vontade humana é um véu que impede conhecer a Vontade Divina. Seu zelo.
Como faz todos os ofícios para servir à alma. Ameaças de guerra e punições.

(1) Continua o meu habitual estado no abandono do Fiat Supremo, mas ao mesmo tempo chamo
Aquele que forma toda a minha felicidade, a minha vida, o meu tudo. E Jesus, movendo-se dentro
de mim, disse-me:
(2) "Minha filha, quanto mais se abandonar em meu Supremo Querer, tanto mais você adentra em
seus caminhos, mais conhecimento adquire e mais posse toma dos bens que há na Divina
Vontade, porque n‟Ela sempre há o que conhecer e tomar. Sendo a herança primária dada por
Deus à criatura e possuindo meu Querer bens eternos, tem a tarefa de sempre dar a quem vive
nesta herança, e só então está contente e se põe em atividade de ofício quando encontra a criatura
dentro dos confins de seu Querer, e dando-se em festa dá coisas novas à sua herdeira, assim, a
alma que vive n‟Ela é a festa da minha Vontade, e ao contrário, quem vive fora d‟Ela é a sua dor,
porque a põe na impotência de poder dar, de exercer o seu ofício e de cumprir a sua tarefa.

Muito mais que cada ato de vontade humana é um véu que a alma se põe diante da vista, que lhe
impede ver com clareza minha Vontade e os bens que há n‟Ela, e como a maior parte das criaturas
vivem continuamente de sua vontade, são tantos os véus que se formam, que ficam quase cegas
para conhecer e ver minha Vontade, sua predileta herança que devia fazê-las felizes no tempo e na
eternidade. Oh, se as criaturas pudessem compreender o grande mal da vontade humana e o
grande bem da minha, desprezariam tanto a sua que dariam a vida para fazer a minha!

(3) A vontade humana torna o homem escravo, o faz ter necessidade de tudo, sente-se
continuamente faltar a força, a luz, a sua existência está sempre em perigo, e o que obtém é por
meio de orações e fadigosamente, então o homem que vive de sua vontade é o verdadeiro
mendigo. Em troca quem vive da minha não tem necessidade de nada, tem tudo à sua disposição,
minha Vontade lhe dá o domínio de si mesmo, portanto é dono da força, da luz, mas não da força e
luz humanas, mas das divinas, sua existência está sempre seguro e sendo dono pode tomar o que
quiser, não tem necessidade de pedir para ter, tão é verdade, que para Adão, antes de subtrair-se
de minha Vontade a petição não existia, a necessidade faz nascer a petição, se de nada tinha
necessidade, não tinha nem o que pedir nem o que implorar, assim que ele amava, louvava,
adorava a seu Criador, a petição não tinha lugar no Éden terreno; a petição veio, teve vida depois
do pecado como necessidade extrema do coração do homem; quem pede significa que tem
necessidade e como espera, pede para obter.

Mas quem vive em minha Vontade vive na opulência dos bens de seu Criador como dono, e se necessidade e desejo sente, vendo-se entre tantos bens
é de querer dar aos demais sua felicidade e os bens de sua grande fortuna, verdadeira imagem de
seu Criador que lhe deu tanto, sem nenhuma restrição, gostaria de imitá-lo dando aos outros o que
possui. Oh! como é belo o céu da alma que vive em minha Vontade, é o céu sem tempestades,
sem nuvens, sem chuva, porque a água que tira a sede, que fecunda e que lhe dá o crescimento e
a semelhança daquele que a criou é a minha Vontade, é tanto o seu zelo de que a alma não tome
nada, senão d‟Ela, que faz todos os ofícios; se ela quer beber, faz água, que enquanto a refresca
lhe apaga qualquer sede, para fazer que sua única sede seja sua Vontade; se sente fome se faz
alimento, que enquanto a sacia lhe tira o apetite de todos os demais alimentos; se a alma quer ser
bela, se faz pincel dando-lhe pinceladas de tal beleza, que a minha própria Vontade é levada por
uma beleza tão inédita impressa por Ela mesma na criatura, deve poder dizer a todo o Céu:

Vede como é bela, é a flor, é o perfume, é o corante do meu Querer que a fez tão bela.‟ Em suma, dá-lhe
a sua força, a sua luz, a sua santidade, tudo para poder dizer: 'É uma obra toda do meu Querer,
por isso quero que nada lhe falte, que me assemelhe e me possua.‟ Olha para ti mesma para ver o
que a minha Vontade fez, os teus atos investidos pela sua luz como mudaram a terra da tua alma,
tudo é luz que desponta em ti e que se volta para ferir Aquela que a investiu, por isso a maior
afronta que me fazem as criaturas é não fazer a minha Vontade".

(4) Depois disto me transportou para fora de mim mesma fazendo-me ver o grande mal das
gerações humanas, e continuando a sua fala acrescentou:

(5) "Minha filha, olha quanto mal produziu a vontade humana, se cegaram tanto que estão
preparando guerras e revoluções encarniçadas, agora não será só a Europa, mas também se
unirão outras raças, o círculo será mais extenso, outras regiões do mundo tomarão parte. Quanto
mal faz a vontade humana, o cega, o torna miserável e o faz homicida de si mesmo! Mas eu me
servirei disto para os meus altíssimos fins, e a reunião de tantas raças servirá para facilitar as
comunicações das verdades, a fim de que se disponham para o Reino do Fiat Supremo.

Assim que os castigos passados não são outra coisa que os prelúdios daqueles que virão, quantas outras
cidades serão destruídas, quantas nações sepultadas nas ruínas, quantos lugares precipitados e
enterrados no abismo, os elementos tomarão a defesa de seu Criador. Minha justiça não pode
mais, minha Vontade quer triunfar e gostaria de triunfar por via de amor para estabelecer seu
Reino, mas o homem não quer vir ao encontro deste amor, portanto é necessário usar a justiça".

(6) E enquanto dizia isto, fazia-me ver um braseiro grandíssimo de fogo que saía da terra e quem
se encontrava perto era coberto por esse fogo e desaparecia. Eu fiquei assustada e peço e espero
que meu amado Bem lhe acalme.

32-16
Junho 29, 1933

Na Divina Vontade não há interrupções; Ela se faz repetidora da Vida Divina. Trabalho que
lhe vem confiado. Deus se adapta à pequenez humana.

(1) Meu voo no Querer Divino continua, sinto que se não continuasse me faltaria a vida para viver,
o alimento para me tirar a fome, a luz para ver, os pés para caminhar, ai de mim! ficaria
imobilizada, envolta numa noite profunda, perderia a via e ficaria a meio caminho. Meu Deus, meu
Jesus, Mãe Santa, levai-me, e quando me virem em perigo de deter-me, vinde em minha ajuda,
dai-me a mão a fim de que não me detenha, ou então levai-me ao Céu, onde não há estes perigos
de interrupções, e eu possa dar-me a glória de dizer: "Jamais me detive, e por isso nunca me faltou
nem alimento, nem luz, nem Aquele que, enquanto me conduzia, com seu doce dizer me instruía e
me arrebatava". Mas enquanto minha mente estava abismada na Divina Vontade, meu sábio
mestre Jesus, me surpreendendo com sua breve visita me disse:

(2) "Minha filha bendita, quem vive em minha Divina Vontade sente a necessidade de não
interromper jamais seu caminho, não há perigo de deter-se, nem na terra nem no Céu, porque
sendo Ela eterna, seus caminhos e seus passos são intermináveis, e quem vive nela recebe em
natureza o bem de poder caminhar sempre. Deter-se em minha Vontade seria fazer faltar um ato
de vida a nossa Vida Divina que vai formando em sua alma, porque você deve saber que quem
vive em minha Vontade Divina chega a tanto, e pode tanto, até repetir nossa Vida Divina; nosso
Fiat da tudo o que é necessário à criatura que vive n’Ela, que com os seus atos se faz a repetidora
da própria Vida de Deus, e se tu soubesses o que significa repetir a nossa Vida, a glória, a honra, o
amor que nos dá, o bem que faz descer sobre todas as gerações; é incalculável o que faz, e só
nossa Vontade tem esta potência, de fazer este prodígio tão grande, que a ninguem lhe é dado, de
fazer-se repetidora de nossa mesma Vida Divina na criatura".

(3) Então eu ao ouvir isto disse: "Meu amor, o que diz? Como é que se pode chegar a tanto?
Parece-me que chega ao incrível". E Jesus interrompeu-me acrescentando:
(4) Minha filha, não te admires, tudo é possível à minha Vontade, mesmo repetir a nossa Vida. Tu
deves saber que nosso Ente Supremo, em sua natureza tem virtude de poder repetir-se quantas
vezes quiser, como em efeito repetimos nossa Vida Divina inteira por cada indivíduo, por cada
coisa criada, onde quer que, em cada lugar e por toda parte, nossa imensidão nos leva, nossa
potência nos forma, e de nossa Vida única que possuímos, repete, biloca, multiplica tantas Vidas
Divinas nossas, que só quem não a quer não a toma, de outra maneira o que se diz: ‘Onde está
Deus? No Céu, na terra e em todo lugar', ficaria em palavras, mas não nos atos. Agora, quem vive
em nossa Vontade, com seus atos se faz concorrente de nossa Vida, que continuamente se repete
por amor das criaturas, e por isso nos sentimos repetir nossa Vida por sua pequenez, e oh! o
contentamento, a felicidade que sentimos, e como nosso amor encontra seu alívio, sua
correspondência, ao sentir sua mesma Vida repetida por sua amada criatura, e em sua ênfase de
amor e de alegria indizível que sentimos, dizemos: ‘Tudo lhe demos e tudo nos deu, não podia darnos
mais, porque sentimos que por onde quer que nos leve nossa imensidão, ela aparece por toda
parte, não há ponto em que não se faz sentir, e oh! Como é doce e agradável ouvi-la por toda parte
em nossa Vida que possui, ‘me encanta, te amo, te adoro, te agradeço, te bendigo'. Assim que o
trabalho que confiamos a quem vive em nosso Querer, é de repetir nossa mesma Vida Divina, por
isso seja atenta e seu caminho seja contínuo".
(5) Depois disto continuava pensando na Divina Vontade, e meu sempre amável Jesus
acrescentou:
(6) "Minha filha, se tu soubesses as doces e agradáveis surpresas que nos faz a criatura em nossa
Vontade, ela é pequena, e encontrando-se em nosso Fiat se encontra circundada por uma
imensidão que não tem fim, por uma potência que não tem limites, por um amor que não só a
envolve toda, senão que se sente que ela mesma não é outra coisa que amor, nossa beleza a
investe e fica arrebatada. Assim que a pequena move o pezinho e olha a imensidão que a
circunda, e enquanto move o passo quer tomar quem sabe quanto de nossa imensidão, mas o que,
não consegue tomar mais que poucas gotinhas de nossa potência, amor e nossa beleza, as quais,
embora gotas, bastam para enchê-la tanto, até transbordar fora, até formar-se em torno de rios de
amor, de potência e de beleza nossa, e a pequena se esforça, cansa-se por querer tomar de mais,
mas não pode, porque lhe falta o espaço onde poder fechar o que quer tomar, e nosso Ente
Supremo a faz fazer, é mais, gozamos de seus esforços e de seus cuidados, nos deleitamos, lhe
sorrimos, e a pequena nos olha pedindo ajuda, porque sente a necessidade de se estender de
mais em nossa imensidão, poder e amor, mas sabe por que? Quer dar-nos a mais, quer o prazer
de nos dizer: ‘Os meus esforços, os meus cuidados são, porque quero dizer-vos que vos amo
demais, oh! como ficaria contente se pudesse possuir todo o vosso amor para poder dizer-vos:
Amo-vos tanto quanto me amaste'. Esta pequena com seus esforços, com seus cuidados, com seu
dizer, nos fere, nos arrebata, nos acorrenta, e então sabe o que fazemos?

Tomamos a pequena e nos adaptamos a ela, com um prodígio de nossa onipotência fazemos correr nossa imensidão,
nossa potência, santidade, amor, beleza, bondade, de modo que nosso Ser Divino fica dentro e
fora dela, inseparável dela, e se vê que tudo é seu, e a pequena em sua ênfase de amor nos diz:
‘Como estou contente e feliz, posso dizer-lhes que vossa imensidão é vossa e minha, e amo-vos
com amor imenso, com amor potente, a meu amor não lhe falta nada, nem vossa santidade, nem
vossa bondade, nem vossa beleza que tudo arrebata, vence e obtém'. Não contentar a pequenez
humana em nossa Vontade nos resulta impossível, e como por sua pequenez não pode adaptar-se
a Nós, Deus adapta-se a ela, e nos resulta fácil, porque não há elementos estranhos a Nós, senão
que tudo é nosso, no máximo será pequena, mas isto não importa, será mais nossa a fazê-la
quanto mais bela pudermos. Em troca quem não vive em nossa Vontade Divina, há tantos
elementos estranhos a Nós em sua pequenez humana: vontade, desejos, afetos, pensamentos que
não são nossos, e se pode dizer que ela deveria adaptar-se a Nós com o tirar o que não é nosso,
de outra maneira não poderá compreender nossa Vontade, muito menos poderá elevar-se e entrar
em suas esferas celestiais, e portanto ficará vazia de Deus, cheia de misérias nas angústias da
vida humana. Quantas vidas se encontrarão sem crescimento de Vida Divina porque não fizeram
minha Vontade, nem se ocuparam em compreender o que significa viver dela, e o grande bem que
podem receber. Por isso serão tantos ignorantes e analfabetas de seu Criador".

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