ESCOLA DA DIVINA VONTADE - VIGÉSIMA PRIMEIRA SEMANA DE ESTUDOS

 

Diferentes modos de falar de Jesus.



(150) Mas antes de continuar, por ordem do confessor atual devo manifestar os vários modos com os quais o Senhor me falou: Parece-me que os modos com os quais Deus me fala sejam quatro, mas estes quatro modos de falar de Jesus são muito diferentes das inspirações.

(151) 1.- O primeiro modo é quando a alma sai fora de si. Mas antes quero explicar o melhor que possa, sair de mim mesma. Isto acontece de dois modos: O primeiro é instantâneo, quase como relâmpago, e é tão repentino que me parece que o corpo se eleva um pouco da cama, para seguir a alma, mas depois fica na cama e a mim parece que o corpo fica morto, e a alma em vez disso segue a Jesus caminhando por todo o universo, a terra, o ar, os mares, os montes, o purgatório e o Céu, onde muitas vezes me fez ver o lugar onde eu estarei depois de morta.

(152) O outro modo de sair a alma é mais tranqüilo, parece que o corpo se adormece insensivelmente e fica como petrificado ante a presença de Jesus Cristo, mas a alma permanece com o corpo, e este não sente nada das coisas externas, ainda que se transtornasse todo o universo, mesmo que me queimassem e me reduzissem em pedaços.

(153) Estes dois modos tão diferentes de sair fora de mim mesma, eu os notei sensivelmente, porque no primeiro modo, devendo eu obedecer ao confessor que vinha a me despertar, o vi desde o lugar onde me conduzia Jesus; isto é, desde os confins da terra, ou do ar, ou dos montes, ou do mar, ou do purgatório, ou mesmo do mesmo Paraíso, parecia-me que não tinha tempo de voltar para que o confessor encontrasse minha alma no corpo, e poder obedecer, e como me encontrava com a alma tão longe, Eu me agia toda, me angustiava e me afligia pensando que não teria tempo de voltar ao corpo para que o confessor me encontrasse, e portanto não ter tempo de obedecer, mas devo confessar que sempre me encontrei a tempo, e me parecia que a alma entrasse no corpo antes que o confessor começasse a me dar a obediência de despertar.

(154) E mais, digo a verdade, muitas vezes eu via de longe o confessor que vinha, mas para não deixar Jesus, parecia que não pensava em confessor que vinha e então o próprio Jesus me apressava a voltar com a alma ao corpo para poder obedecer ao confessor, e então eu sentia uma grande repugnância, por deixar a Jesus, mas a obediência vencia, e deixando a Jesus, Ele mesmo, ou me beijava ou me abraçava ou fazia outra coisa para despedir-se de mim. E eu deixando ao meu amado Jesus dizia: "Vou com o confessor, mas Tu, meu bom Jesus, volta logo que o confessor se vá".

2-23
Maio 16, 1899

Jesus fala da cruz e lamenta-se das almas devotas.

 

(1) Jesus continuou por outros dias manifestando-se do mesmo modo, não querendo separar-se de mim. Parecia que aquele pouco de sofrimento que tinha derramado em mim o atraía tanto, que não sabia estar sem mim. Esta manhã derramou outro pouco de amargura da sua boca na minha e depois disse-me:

(2) "A cruz dispõe a alma à paciência. A Cruz abre o Céu e une o Céu e a Terra, isto é, Deus e a alma. A virtude da cruz é potente e quando entra em uma alma tem a virtude de remover a ferrugem de todas as coisas terrenas, não só isso, senão que dá o tédio, o fastio, o desprezo das coisas da terra, e em troca lhe dá o sabor, o agrado das coisas celestiais, mas por poucos é reconhecida a virtude da cruz, por isso a desprezam".

(3) Quem pode dizer quantas coisas compreendi da cruz enquanto Jesus falava? O falar de Jesus não é como o nosso, que tanto se entende por quanto se diz, mas uma só palavra deixa uma luz imensa, que ruminando bem poderia fazer estar ocupado todo o dia em profundíssima meditação. É por isso que, se eu quisesse dizer tudo, me prolongaria demasiado e faltaria o tempo para o fazer. Depois de um pouco Jesus voltou de novo, mas um pouco mais aflito. Eu rapidamente lhe perguntei a causa, e Jesus me fez ver muitas almas devotas e me disse:

(4) "Minha filha, o que olho em uma alma é quando se despoja da própria vontade, então minha Vontade a investe, a diviniza e a faz toda minha. Olha um pouco para estas almas, dizem-se devotas enquanto as coisas vão à sua maneira, depois uma pequena coisa, se não forem longas as suas confissões, se o confessor não as satisfaz, perdem a paz e algumas chegam a não querer fazer mais nada. Isto diz que não é minha Vontade que predomina, mas a delas. Então acredite em mim, minha filha, você errou o caminho, porque quando eu vejo que você realmente quer me amar, eu tenho tantas maneiras de dar a minha Graça".

(5) Quão triste era ver Jesus sofrer por este tipo de gente. Procurei compadecer-Lhe por quanto pude e assim terminou.

3-21
Dezembro 27,1889

A caridade deve ser como um manto que deve cobrir as ações

 

(1) Jesus continua a fazer-se parecer como sombra e como raio. Enquanto me encontrava num mar de amargura pela sua ausência, num instante fez-se ver-me dizendo:

(2) "A caridade deve ser como um manto que deve cobrir todas as tuas ações, de modo que tudo deve resplandecer de perfeita caridade. O que significa esse desgosto quando não sofres? Que a tua caridade não é perfeita, porque o sofrer por amor meu e o não sofrer por meu amor, sem a tua vontade, tudo é o mesmo".

(3) E desapareceu deixando-me mais amarga do que antes, querendo tocar uma nota muito delicada para mim, e que Ele mesmo me infundiu. Então depois de ter derramado amargas lágrimas em meu estado miserável, e pela ausência de meu adorável Jesus, Ele voltou e me disse:
4) Com as almas justas me porto com justiça, antes as recompenso duplamente por sua justiça, favorecendo-as com as graças maiores e falando-lhes com palavras justas e de santidade".

(5) No entanto, eu estava tão confusa e má, que não me atrevia a dizer uma só palavra, aliás, continuava a derramar lágrimas sobre a minha miséria. E Jesus, querendo dar-me confiança colocou sua mão sob a minha cabeça para levantá-la, porque eu não a sustentava, e acrescentou:

(6) "Não temas, Eu sou o escudo dos atribulados".
(7) E desapareceu.

4-23
Outubro 22, 1900

Dúvidas de Luisa sobre as coisas que lhe acontecem, ela quer saber se são de Deus ou do demônio. A obediência não tem razão humana, sua razão é divina.

 

(1) Esta manhã me encontrava toda oprimida e com temor de que não fosse Jesus bendito que operava em mim, mas o demônio, mas apesar disso não sabia conter-me em buscá-lo e desejá-lo, e assim que se dignou vir me disse:
(2) "O que é que garante que o sol nasce senão a luz que põe em fuga as trevas noturnas e o calor que expande na mesma luz? Se se dissesse que o sol nasceu, e no entanto parece mais densa a escuridão da noite e não se sente nenhum calor, o que dirias tu? Que não é sol verdadeiro o que saiu, senão falso, porque não se vêem os efeitos do sol. Agora, se a minha visão te afasta das trevas e te mostra a luz da verdade, fazendo-te sentir o calor da minha graça, por que queres cansar-te o cérebro pensando que não sou Eu quem obra em ti?"

(3) Acrescento porque assim o quer a obediência, que no outro dia estava pensando que se de verdade acontecem tantos castigos que escrevi nestes cadernos, quem terá coração de ser espectador?

E o bendito Senhor claramente me fez compreender que alguns se realizarão enquanto ainda estiver sobre esta terra, outros depois de minha morte, e alguns outros serão diminuídos em parte. Então fiquei um pouco mais aliviada por pensar que não era a minha vez de ver todos. Aqui está satisfeita a senhora obediência, que começou a franzir a testa, a dar lamentos e a repreender; parece que esta bendita senhora não quer em nenhum modo adaptar-se à razão humana, não quer ocupar-se de nenhuma circunstância, mas parece que não tem razão, e na verdade é um martírio ter que ver com alguém que não tem razão, porque para poder estar um pouco bem é necessário perder a própria razão, porque a senhorita vai se gabando:

"Eu não tenho nenhuma razão humana, por isso não sei adaptar-me à maneira humana, minha razão é divina, e quem quiser viver em paz Comigo é absolutamente necessário que perca a sua, para fazer aquisição da minha". Assim é como raciocina a senhorita, o que se pode dizer? É melhor calar-se, porque ao direito ou ao contrário sempre quer a razão, e se gloria de negá-la sempre.

5-22
Outubro 16, 1903

A Divina Vontade é luz, e quem a faz se nutre de luz.

 

(1) Encontrando-me em meu habitual estado me sentia toda cheia de pecados e de amarguras, então se fez como um flash de luz em meu interior, e apenas vi a meu adorável Jesus, porém ante sua presença os pecados desapareceram, e eu temo tenho dito: "Meu Senhor, como é que diante da tua presença, com a qual eu devo conhecer mais os meus pecados, acontece o contrário?

(2) E Ele: "Minha filha, minha presença é mar que não tem confins, e quem se encontra em minha presença é como uma gotinha, que seja negra ou branca, em meu mar se perde, como você pode reconhecer mais? Além disso, meu toque divino purga tudo, e o preto o faz branco, como você teme então? Além disso minha Vontade é luz, e você, fazendo sempre minha Vontade te nutres de luz, convertendo-se tuas mortificações, privações e sofrimentos em alimento de luz para a alma, porque só o alimento substancioso e que dá verdadeira vida é minha Vontade.

E você não sabe que com este contínuo nutrir-se de luz, ainda quando a alma contrai qualquer defeito, a purga continuamente?".
(3) Dito isto, ele desapareceu.

6-24
Março 5, 1904
A cruz serve de intimação, advogado e juiz à alma, para tomar posse do reino eterno.

 

(1) Esta manhã sentindo-me muito sofredora, com a adição de sua privação, depois de ter esperado muito, apenas por poucos instantes veio e me disse:

(2) "Minha filha, os sofrimentos, as cruzes, são como tantos citatórios que Eu envio às almas, se a alma aceita estes convocatórios, ou que anunciem à alma que deve pagar alguma dívida, ou que sejam um aviso para que faça alguma aquisição para a vida eterna, se a alma me responde com a resignação a minha Vontade, com o agradecimento, com a adoração a minhas santas disposições, imediatamente nos pomos de acordo, e a alma evitará muitos inconvenientes, como ser convocada novamente, colocar advogados, fazer julgamento e sofrer a condenação do juiz.

Com apenas responder ao encontro com a resignação e com o agradecimento suprirá a tudo isto, porque a cruz lhe será intimatório, advogado e juiz, sem necessitar de outra coisa para tomar posse do reino eterno. Mas se não aceita estas intimações, pense você mesma, em quantos abismos de desgraças, de problemas se mete a alma, e qual será o rigor do juiz ao condená-la por não ter aceitado à cruz por juiz, a qual é muito mais moderada, mais compassiva, mais inclinada a enriquecê-la em vez de julgá-la, mais atenta a embelezá-la do que a condená-la".

7-23
Junho 23, 1906

A obediência a faz continuar vivendo no mundo como vítima.

 

(1) Continuando a sentir-me mal havia dito ao confessor o que escrevi antes, calando algumas coisas que correspondem à mesma coisa, parte pela debilidade extrema que sentia, não tendo forças para falar, e parte por temor de que a obediência pudesse me colocar alguma armadilha.
Oh! Deus Santo, que temor, só Deus sabe como vivo, vivo morrendo continuamente, e meu único consolo seria morrer para reencontrar minha vida em Deus, mas a obediência a quer fazer de cruel verdugo, quer me ter morrendo continuamente e não a viver para sempre em Deus. Oh obediência, como você é terrível e forte! Então o confessor disse-me que eu não permitia e que eu deveria dizer ao Senhor que a obediência não queria. Que pena amarga! Depois, encontrando-me no meu estado habitual, via o Nosso Senhor, e o confessor que lhe pedia que não me fizesse morrer. Eu, temendo que lhe fizesse caso, chorava, e o Senhor disse:

(2) "Filha, acalma-te, não me aflijas com o teu pranto, Eu tenho toda a razão em te trazer, porque quero castigar o mundo, e só por ti e por teus sofrimentos me sinto como que atado. O confessor também tem razão em querer-te ter na terra, porque, pobre mundo, pobre Corato, no estado em que se encontra, que será dele se nenhum o protege?

E também por ele mesmo, porque estando tu, algumas vezes Eu me sirvo dele por meio teu, alguma vez diretamente dizendo alguma coisa que lhe concerne, e alguma vez indiretamente para chamá-lo, quando para estimulá-lo, e quando para dissuadi-lo de fazer alguma coisa que não me agrade; Então, chamando-te a Mim, me servirei dos sofrimentos. Mas, ânimo, que como estão as coisas Eu me sinto mais inclinado a te contentar que ao confessor, e Eu mesmo saberei mudar sua vontade".

(3) Logo me encontrei em mim mesma, não pensava escrever isto porque não me parecia necessário dizê-lo, pois vendo o confessor junto com Nosso Senhor me parecia que já sabia tudo.

8-21
Janeiro 23, 1908

Jesus jamais vai à alma inutilmente. O contemporizar dá tempo e lugar aos inimigos para mover batalha.

 

(1) Vindo M., disse-me que nestas vindas de Nosso Senhor eu não merecia nada, e que só merecia quando praticava as virtudes; e também me pediu que rezasse por certas necessidades suas. Depois, no decorrer do dia estive pensativa pelo que tinha ouvido, e para tirar de cima este pensamento dizia entre mim:
(2) "Adorável bem meu, Você sabe que eu nunca prestei atenção aos méritos, mas apenas para amá-lo, parece-me que eu gostaria de fazer uma serva em sua casa se eu me ocupasse na aquisição de méritos; mas não, não quero ser serva, senão filha, antes Tu meu amado e eu a tua".

(3) Mas apesar disso o pensamento voltava freqüentemente. Agora, encontrando-me no meu estado habitual, meu bendito Jesus veio e me disse:

(4) "Minha filha, M. não te disse a verdade, porque quando vou a uma alma, jamais vou inutilmente, senão que sempre lhe levo algum benefício, agora lhe falo das virtudes, ora a corrijo, ora lhe comunico minha beleza, de modo que todas as outras coisas lhe parecem feias, e tantas outras coisas, e ainda que não dissesse nada, certamente que o amor se desenrola de mais na alma, e por quanto mais me ama, mais venho Eu a amar, e os méritos do amor são tão grandes, nobres e divinos, que comparados aos outros méritos se pode dizer: Aqueles de chumbo, e estes de ouro puro. E além disso, ele veio, e certamente que não veio como uma estátua, tratou de te dizer alguma palavra, de te fazer algum benefício, ainda que como criatura, e Eu, que sou Criador, farei coisas inúteis?"

(5) Neste momento lembrei-me das necessidades que me tinha dito M., e rogava a Nosso Senhor que o atendesse. Então me parecia vê-lo com um vestido prateado, e da cabeça descia um véu negro que lhe cobria parte dos olhos, e este véu parecia que se estendesse também a outra pessoa que estava atrás dele. Eu não entendia nada disto e o bendito Jesus me disse:

(6) "O vestido prateado que vê é sua pureza no agir, e o véu negro é porque mistura do humano, e isto de humano que mistura é como véu que cobrindo a luz da verdade que lhe resplandece na mente, o faz agir algumas vezes com temor, ou bem para contentar a algum outro, e não segundo a verdade que minha Graça lhe faz resplandecer em sua mente".

(7) E eu: "Senhor, escutai-o e concede-lhe o que me disse, pois é coisa que concerne tanto a tua Glória".

(8) E Ele: "O contemporizar, a uma alma indecisa, dá tempo e lugar aos inimigos de fazer-lhe a guerra; enquanto não dando tempo e mostrando-se resolvido e irremovível se fecham as portas para os inimigos, e tem-se o bem de não se expor nem sequer à disputa, assim que se quer chegar logo ao fim, estes são os meios, e Eu estarei com Ele e sairá vitorioso; e depois, os mesmos que agora lhe são contrários lhe serão mais favoráveis e o admirarão mais ao ver que destruiu suas considerações humanas".

9-23
Novembro 16, 1909

O pecado é a única desordem na alma.

 

(1) Depois de ter passado dias amargos de privação, tendo recebido a comunhão me lamentava com Jesus bendito dizendo-lhe: "Parece que na verdade me queres deixar de tudo, mas ao menos diz-me, queres que saia deste estado? Quem sabe que desordem há em mim que te afastaste, diz-me, que de coração te prometo que serei mais boa".

(2) E Jesus: "Minha filha, não te assustes, quando te faço perder os sentidos esteja pacífica, quando não, esteja mais pacífica, sem perder tempo, e conforme te aconteçam as coisas toma-as todas de minhas mãos; não posso te suspender algum dia? Quanto à desordem eu teria dito, e, você sabe quem coloca a desordem na alma? Só o pecado, ainda mínimo. Oh! como a deforma, a descolore, a debilita, mas os estados de ânimo, as privações, não lhe fazem nenhum mal. Por isso está atenta a não me ofender ainda minimamente, e não tenha medo de que haja desordem em sua alma".

(3) E eu: "Mas Senhor, alguma coisa deve haver de mal em mim, antes não fazias outra coisa que um ir e vir, e cada vez que vinhas me participavas cruzes, cravos, espinhos; mas quando a natureza se tinha acostumado, tanto que se tornava como conatural e lhe era mais fácil sofrer do que não sofrer, te retiras; como é possível que não haja em mim alguma coisa grave?" E Jesus benignamente me disse:

(4) "Escuta minha filha, Eu devia dispor tua alma para te fazer chegar a este ponto de te fazer feliz com o sofrimento e fazer com ele meu trabalho, e por isso devia provar-te, surpreender-te, carregar-te de sofrimentos, para fazer que tua natureza ressurgisse a vida nova; então este trabalho já o fiz, e ficou em ti permanente, às vezes mais, às vezes menos a participação de minhas penas. Agora, tendo feito este trabalho, estou me divertindo, não queres que eu descanse?

Olhe, não queira se preocupar, deixe Jesus fazer que te ama tanto, e Eu sei quando é necessário meu trabalho em você, e quando devo descansar de meu trabalho".

10-21
Maio 19, 1911

A confiança arrebata Jesus. Ele quer que a alma se esqueça de si mesma e se ocupe só d’Ele.

 

(1) Continuando meu habitual estado, meu sempre amável Jesus se fazia ver todo aflito, e eu estava junto a Ele para compadecê-lo, amá-lo, abraçá-lo e consolá-lo com toda a plenitude da confiança, e meu doce Jesus me disse:
(2) "Minha filha, tu és o meu contentamento, assim me agrada, que a alma se esqueça de si mesma, de suas misérias, que se ocupe só de Mim, de minhas aflições, de minhas amarguras, de meu amor, e que com toda confiança se esteja junto a Mim. Esta confiança me arrebata o coração e me inunda de muita alegria, porque como a alma se esquece de si por Mim, assim Eu esqueço tudo por ela e a faço uma só coisa para Mim, e chego não só a dar-lhe, mas a fazer-lhe tomar o que quer. Ao contrário a alma que não esquece tudo por Mim, mesmo suas misérias e se quer estar ao redor de Mim com todo respeito, com temor e sem a confiança que me arrebata o coração, e como se quisesse estar com temerosa compostura Comigo e toda reservada, a este tal nada lhe dou e nada pode tomar, porque falta a chave da confiança, da liberdade, da simplicidade, coisas todas necessárias, para Mim para dar, e para ela para tomar; portanto, com as misérias vem e com as misérias fica".

11-22
Junho 2,1912

Só as coisas estranhas a Jesus nos podem separar dele.

 

(1) Continuando meu habitual estado me lamentava com Jesus de suas privações, e Ele me disse:
(2) "Minha filha, quando na alma não há nada estranho a Mim ou que não me pertença, não pode haver separação entre Eu e a alma; melhor te digo que se não há nenhum pensamento, afeto, desejo, palpitar de coração que não sejam meus, Eu tenho a alma Comigo no Céu, Ou fico com ela na Terra. Somente isto pode me dividir da alma, se há coisas estranhas a Mim, e se isto não o adverte em você, por que teme que me separe de você?"



22- Os dias transcorridos em Hebron. Os frutos da caridade de Maria para com Isabel..

 

■ Parece que é de manhã. Vejo Maria costurando, sentada na sala do andar térreo. Isabel entra e sai cuidando do serviço doméstico. Cada vez que entra, aproxima-se para acariciar a cabeça loira de Maria, ainda mais loura agora pelo contraste com as paredes bastante escuras e sob os raios do sol forte que entram pela porta aberta que dá para o jardim. . Isabel se inclina para olhar a obra de Maria – é o bordado que ela fazia em Nazaré – e elogia sua beleza.

A Virgem diz: “Eu também tenho fios para tecer.” Isabel: “Para o seu filho?”

Virgem: “Não. Já tinha quando ainda não pensava … “. Maria não adiciona mais. Mas eu entendo: “… quando ainda não pensava que seria a Mãe de Deus ”.

Isabel: “Mas agora você vai usá-lo com Ele. É lindo! Bem! Sabe, tem que colocar tecidos muito delicados nas crianças ”.

Virgem: “Eu sei”. Isabel: “Eu tinha começado … comecei tarde, porque queria ter certeza de que não era um engano do Maligno; embora … eu senti tanta alegria em mim que, não, não poderia vir de Satanás. Então … eu sofri muito. Estou velho, Maria, por me encontrar neste estado. Eu sofri muito. Você não sofre ? ”.

Virgem: “Não. Nunca estive melhor do que agora ”.

Isabel: “Oh, entendi! Você … não há mancha em você, se Deus a escolheu para ser sua Mãe, e por isso você não está sujeita aos sofrimentos de Eva. O Fruto concebido em seu ventre é Santo”.

Virgem: “Me parece como se eu tivesse uma asa em meu coração e não um peso. Parece-me que tinha todas as flores, e todos os passarinhos que cantam na primavera, e todo o mel e todo o sol … Oh, que feliz! ”.

■ Isabel: “Abençoada você é! Eu também, desde que te vi, parei de sentir peso, cansaço e dores. Sinto-me nova, jovem, livre das misérias da minha carne feminina. Meu filho, depois que se emocionou ao ouvir sua voz, ainda está alegre. Parece-me que o tenho dentro de um berço vivo e o vejo dormindo satisfeito e feliz, respirando como um passarinho sob as asas da mãe … Agora sim  vou começar a  trabalhar. Não vou sentir mais o peso. Eu vejo pouco, mas … ”.

Virgem: “Não se preocupe Isabel, eu cuidarei da fiação e da tecelagem para você e seu filho. Sou rápida e vejo muito bem ”.

Isabel: “Mas você deve pensar no seu …”.

Virgem: “Oh, eu tenho tempo! … Primeiro me preocupo com você porque você está prestes a ter o seu filho, e depois pensarei no meu Jesus.”

■ Quando Maria diz esse nome, quão doce é sua voz, quão expressivo seu rosto, como uma lágrima de felicidade aparece em suas pupilas e como o sorriso aparece ao olhar para o céu azul brilhante. Na verdade, é algo impossível de descrever. Parece que o êxtase a levou embora por um único ditado: “Jesus”.

Isabel diz: “Que nome lindo! O Nome do Filho de Deus, nosso Salvador! ”.

* “O que meu Filho terá que fazer para salvar o mundo? Isaías, de que altitude ele fala? “.-

■ A Virgem exclama: “Oh, Isabel!” E fica triste. Ela pega as mãos de seu primo que as tinha cruzado sobre sua barriga inchada: “Diga-me, quando eu cheguei, você estava investido com o Espírito do Senhor e você profetizou o que o mundo não sabe. Diga-me, o que meu filho terá que fazer para Salvar o mundo? Os profetas … Oh, os profetas que falam do Salvador! Isaías … você se lembra de Isaías? « Ele é o homem de dores. Com suas feridas fomos curados. Ele foi coberto de feridas e golpes pelos nossos crimes … O Senhor quis esgotar sobre Ele todos os sofrimentos … Depois de sua sentença ele foi colocado no alto … ». De que altitude você está falando?… Ele é chamado de o Cordeiro e eu fico pensando... Penso no cordeiro pascal, o cordeiro de Moisés, e relaciono isso à serpente que Moisés levantou na cruz. Isabel … Isabel …! O que eles farão com meu filho? O que ele deve sofrer para salvar o mundo? Maria chora.

■ Isabel a consola. “Não chore, Maria. Ele é seu Filho, mas também é o Filho de Deus. Deus vai pensar Nele e em você, que é sua mãe. E se muitos forem cruéis com Ele, muitos outros O amarão. Muitos! … para todo o sempre. O mundo contemplará o teu Filho e, junto com Ele, te abençoará, que és a Fonte da redenção. A sorte do seu filho! Proclamado Rei de toda a criação. Pense nisso, Maria. Rei por ter resgatado toda a criação; como tal, ele será seu Rei universal. E também na terra, com o tempo, será amado ”.
* “Meu filho precederá o seu e o amará. O anjo contou a Zacarias. . Zacarias escreveu isso para mim, Ah! Que dor que eu sinto por ver mudo o meu Zacarias! Mas espero que quando o menino nascer, o pai ficará livre do seu castigo. Reza, tu que és a sede do poder de Deus e a causa da alegria do mundo. Para obter isso, ofereço, como posso, o meu filho: porque ele é do Senhor, e Ele emprestou à sua serva para dar-lhe a alegria de ser chamada ¨mãe¨. Para dar testemunho de tudo o que Deus fez. Quero que ele se chame ¨João¨. Pois, não é uma graça o meu menino? E, não foi Deus que me deu essa graça?

- Virgem: Deus te fará essa graça, estou certa disso. Eu rezarei...contigo...
Isabel diz chorando: “Sofro tanto ao vê-lo mudo! … Quando ele escreve, porque não pode falar comigo, é como se mares e montanhas estivessem entre mim e meus Zacarias. Depois de tantos anos quando ele disse palavras doces para mim, agora não há nada além de silêncio em sua boca. Especialmente agora, quando seria tão bom falar sobre o que vai acontecer. Abstenho-me mesmo de falar para não ver que ele se esforça com gestos para me responder. O que eu chorei! Como eu gostaria que você tivesse vindo! Os habitantes da cidade assistem, fofocam, criticam. O mundo é assim. Quando você sente dor ou alegria, precisa de alguém que possa compreender, não criticar. Agora é como se tudo na vida estivesse melhor. Sinto a alegria em mim porque você está comigo; Sinto que em breve minha prova será aprovada e que em breve minha felicidade estará completa. Vai ser assim, não é? Eu me resignei com tudo. Se Deus perdoasse meu marido! Para poder ouvi-lo orar novamente!

■ Maria a acaricia e consola e sugere, para distraí-la, ir um pouco ao jardim ensolarado. Elas vão para debaixo de uma parreira bem cuidada, perto de uma pequena torre rústica, na qual há pombos que fazem seus ninhos nos buracos. Maria joga comida para os pombos, e ri porque eles se jogaram sobre ela com muito barulho. Suas palpitações formam círculos iridescentes ao redor dela. Empoleiram-se em sua cabeça, ombros, braços, mãos, estendendo seus bicos rosados para arrancar as espinhas de suas mãos, bicando graciosamente os lábios rosados da Virgem e seus dentes, que brilham com o sol. Maria tira o trigo dourado de uma sacola e ri muito com esse apetite deles.

Isabel diz: “Como eles te amam! Já faz uns dias que está conosco e eles te amam mais do que a mim, que sempre cuidei deles ”.

■ A caminhada continua até chegar a um recinto fechado no fundo do jardim, onde estão cerca de vinte cabras com seus filhos.
A Virgem pergunta a um menino pastor de quem se aproxima: “Você voltou do pasto?”
Pastor: “Sim, porque meu pai me disse: ‘Vá para casa, porque em breve vai chover, e há algumas ovelhas para dar à luz. Certifique-se de que eles tenham grama seca e uma cama de palha preparada. ”
É ele quem vem aí ”. E ele aponta para além da floresta, de onde se ouve um balido trêmulo. Maria acaricia uma ovelha que se esfrega nela, loira como uma criança. E Ela e Isabel bebem o leite recém-ordenhado que o pastor lhes oferece. As ovelhas chegam conduzidas por um pastor peludo como um urso. Deve ser bom porque carrega nas costas uma ovelha que dá um tiro de dor. Ele o abaixa com cuidado. Ela diz: “Ela está prestes a dar à luz um cordeiro.
Ele só conseguia andar com dificuldade. Eu coloquei em meus ombros. Tive que correr para chegar a tempo ”. E o menino pastor conduz as ovelhas, que mancam de dor, até o aprisco. Maria sentou-se em uma pedra e está brincando com as cabras e cordeiros, oferecendo flores de trevo para suas trombetas rosa. Um garoto preto e branco põe os cascos nas costas e cheira o cabelo. “Não é pão” diz Maria sorrindo. “Amanhã vou trazer um pedaço para você. Agora seja bom, bom ”. Isabel, agora tranquila, ri.
(Escrito em 2 de abril de 1944).

Maria fala sobre seu filho.
* Maria arde de desejo de ser mãe. “Meu filho! Meu Jesus! Como vai ser? ”.-

■ Vejo que Maria está tecendo rápido, muito rápido, embaixo da treliça, onde crescem as uvas. Deve ter passado um tempo, porque as maçãs estão começando a ficar vermelhas e as abelhas esvoaçam sobre os figos maduros. Isabel está muito gorda e anda muito devagar. Maria olha para ela com cuidado e amor. Maria também, ao se levantar para pegar o fuso que caiu um pouco longe, parece mais redonda na cintura e a expressão em seu rosto mudou. É mais maduro. Antes era de menina, agora de mulher. As mulheres entram em casa porque a noite se aproxima. As lâmpadas estão acesas na sala. Maria tece, enquanto o jantar está sendo preparado. Isabel, apontando para o tear, pergunta:
“Cansa-te alguma vez?”
Virgem: “Não. Eu te garanto”. Isabel: “Esse calor me mata. Não voltei a sentir dores, mas agora o peso é demais para os meus pobres rins ”. Virgem: “Tenha coragem. Logo você estará livre. E como você vai se sentir feliz!

■Eu não vejo a hora de ser Mãe! Meu filho! Meu Jesus! Como será?”.

Isabel: “Linda, como você, Maria.”

Virgem: “Oh não! Mais bonito! Ele é Deus. Eu seu servo. Mas queria dizer: será loiro ou castanho? Seus olhos serão como o céu sereno ou como os de um cervo da montanha? Eu o imagino mais lindo que um querubim, com cabelos cacheados e da cor do ouro, com olhos da cor do nosso Mar da Galiléia quando as estrelas começam a aparecer no horizonte do céu, uma boquinha vermelha como o corte de uma romã que apenas abriu para amadurecer ao sol; suas bochechas, olhe, rosadas como esta rosa pálida; duas mãozinhas que, por mais pequeninas e lindas que sejam, caberiam na corola de um lírio; dois pezinhos que cabem na palma da minha mão, mais delicados e macios que uma pétala de flor. Olha, eu coloco, na ideia que fiz Dele, todas as belezas que a terra me sugere. Eu já ouço sua voz. Quando ele chorar, será – porque chora de fome ou de sono, meu filhinho, e sempre será uma grande dor para sua mamãe, que não poderá, oh! Você não conseguirá ouvi-lo chorar sem sentir que está trespassando seu coração -, quando ele chorar, sua voz será como aquele balido que agora ouvimos, de um cordeiro que passa algumas horas procurando a mãe de sua mãe e o calor da lã de sua mãe para dormir. No riso, naquele riso que vai encher meu coração de céu, apaixonado por minha Criatura – posso estar apaixonado por Ele, porque Ele é meu Deus, e amá-lo com amor de amante não é contrariar minha virgindade consagrada – no riso, sua voz será como aquele alegre arrulhar de uma pomba, feliz por ter comido, satisfeita por estar em seu ninho. Eu penso nele dando seus primeiros passos … um passarinho pulando no meio de um jardim florido. O jardim será o coração de sua mamãe, que ela estará sob seus pés rosados com todo o seu amor para não tropeçar em algo que poderia lhe causar
dor. Quanto vou amar meu filhinho! Meu filho! O José também vai adorar! ”.

■ Isabel: “Você deveria contar ao José!” Maria muda um pouco de cor e suspira:
“Vou ter que te contar … Queria que o céu te dissesse, porque para mim é muito difícil …”.
Isabel: “Você quer que eu diga a ele? Nós o enviamos para dizer-lhe que venha para a circuncisão de João … ”.

Virgem: “Não. Olhe, deixei que Deus lhe diga e diga que seu feliz destino é ser o nutridor do Filho de Deus. Ele vai fazer isso. O Espírito me disse naquela noite:

“Cala-te. Deixa-me a tarefa de te justificar ». E isso vai acontecer. Deus nunca mente. É um grande teste, mas com a ajuda do Eterno será superado. Da minha boca, ninguém – além de ti, a
quem o Espírito te revelou – deve saber o que a benevolência do Senhor fez ao seu servo ”. Isabel: “Não disse a Zacarias que ele ficaria muito feliz. Ele acredita que você é uma mãe de maneira natural.

Virgem: “Sim, eu sei. E então eu queria por prudência. Os segredos de Deus são sagrados. O anjo do Senhor não revelou a Zacarias minha maternidade divina. Eu poderia ter feito, se Deus quisesse, porque Deus sabia que se aproximava o tempo de sua Palavra se encarnar em mim. Mas ele escondeu essa luz de alegria de Zacarias, que não aceitava, por achar impossível, que na sua idade você pudesse ter um filho. Eu me adaptei à vontade de Deus e, você vê, você ouviu o segredo que vive em mim, e ele não percebeu nada. Até a parede dele a incredulidade perante o poder de Deus será separada das luzes sobrenaturais. Isabel suspira. E cale-se.

■  Zacarias apresenta alguns pergaminhos para Maria. É hora de orar antes do jantar. Maria ora em voz alta em vez de Zacarias. Em seguida, eles se sentam à mesa. Isabel, olhando para o marido mudo, diz: “Quando você não estiver mais conosco, como vamos sentir falta de você não ter quem reze em nosso lugar!” Virgem: “Então você vai rezar, Zacarías balança a cabeça e escreve: “Nunca mais poderei orar pelos outros. Eu me tornei indigno desde que duvidei de Deus.

Virgem: “Zacarias, você vai voltar a orar. Deus perdoa “. O velho enxuga uma lágrima e suspira.

■ Depois do jantar, Maria retorna ao tear. Isabel diz: “Chega. Você está ficando muito cansada ”.
Virgem: “A hora está próxima, Isabel. Quero fazer do seu filho um jogo digno do predecessor da linha do Rei de Davi. ”
Zacarias escreve: “De quem Ele nascerá? E onde?”. A Virgem responde: “Onde os profetas previram e de quem o Eterno escolhe. Tudo o que nosso Senhor Altíssimo faz é bem feito ”.
Zacarias escreve: “Então, em Belém! Na Judéia. Mulher, iremos adorá-lo.
Você também irá com o José para Belém ”. E Maria, curvando a cabeça sobre o tear: ”
Eu irei.” A visão cessa dessa maneira. (Escrito em 2 de abril de 1944).

“Isabel, mulher de fé intrépida e entrega confiante à vontade de Deus, merecia conhecer o mistério. A Prudência impediu-me de revelar a verdade ao Zacarías ”.
* ” Certifiquem-se, filhos, que Deus vem ao encontro dos generosos com os meios de seu poder e bondade. ”

■ A Virgem Maria diz: ” O primeiro ato de caridade para com os outros deve ser exercido com os outros. Não veja isso como um jogo de palavras. A caridade é para com Deus e para com os outros. A caridade para com o próximo também inclui a caridade para conosco. Mas, se nos amamos mais do que os outros, não somos mais caridosos. Somos egoístas. Mesmo nas coisas lícitas, devemos ser tão santos que sempre demos prioridade às necessidades do próximo.

■ Tende a certeza, filhos, que Deus completa a deficiência do generoso, vem ao encontro do generoso, com a sua força e bondade. Essa segurança me levou a ir a Hebron para ajudar minha parente em sua condição atual. Pois bem, este detalhe meu da ajuda humana, Deus, que sempre dá sem medida como dá, deu-lhe um presente inesperado de ajuda sobrenatural.
Fui ajudar no casamento, dar ajuda material; Deus santificou minha reta intenção ao fazer, da mesma forma, santificar o fruto do ventre de Isabel, e anular, por meio dessa santificação – pela qual o Batista foi pré-santificado – os sofrimentos físicos de Isabel que concebeu em uma idade incomum ” .

■ “Isabel, mulher de fé intrépida e abandono confiante à vontade de Deus, tornou-se digna de compreender o mistério que se encerrou em mim. O Espírito falou com ela através da vibração de seu filho em seu ventre. O Batista proferiu seu primeiro discurso como Anunciador da Palavra através dos véus e paredes de veias e carne que o separavam de sua santa mãe, e que ao mesmo tempo a uniam. Não escondi a minha condição de Mãe do Senhor desta mulher, que era digna de sabê-lo e para quem a Luz se manifestou. Escondê-lo seria negar a Deus o louvor que era justo dar a ele, o sentimento de louvor que ele carregava em mim e que, não podendo manifestar ninguém, eu o manifestei na grama, nas flores, nas estrelas, no sol, nos canoros os pássaros, as ovelhas mansas, a água tagarelando e a luz dourada que me beijava descendo do céu. Mas, orar a dois juntos é mais doce do que orar sozinho.

■ Eu gostaria que o mundo inteiro conhecesse meu destino; não por minha causa, mas porque todos se juntaram a mim no louvor ao meu Senhor. A prudência me impediu de revelar a verdade a Zacarias. Isso significaria ir além da obra de Deus, e embora fosse verdade que eu era sua esposa e mãe, sempre fui sua serva e não deveria – porque ele me amou além da medida – tentar substitua-o e não cumpra a sua palavra. Isabel, que era santa, entendeu e guardou o segredo, porque quem é santo é sempre humilde e submisso ”.
O dom de Deus deve sempre nos tornar melhores. Quanto mais recebemos, mais devemos dar. Quando Deus nos destinou, Maria, a sermos vítimas de sua honra, oh, como é doce ser triturado no moinho, como o trigo, para fazer da nossa dor o pão que consolida os fracos e os torna capazes de alcançar o céu!

■ Mais é um sinal de que Ele está em nós e conosco, e quanto mais Ele está em nós e conosco, mais devemos nos esforçar para alcançar sua perfeição. Isso explica porque eu, adiando meu trabalho, trabalhei para Isabel. Não tenho medo de não ter tempo. Deus é dono do tempo e provê as necessidades daqueles que esperam por Ele, mesmo nas coisas comuns. O egoísmo não acelera: ele retarda; a caridade não demora: acelera. Tenha isso em mente.

■ Quanta paz há na casa de Isabel! Se não me tivesse ocorrido a memória do José e o pensamento, sim, o pensamento, aquele pensamento de que o meu Filho era o Redentor do mundo, teria sido feliz. Mas a cruz já estendia sua sombra sobre minha vida, e como um eco fúnebre, parecia ouvir as vozes dos Profetas … Meu nome era Maria. Amargura sempre se misturou com a doçura que Deus derramou em meu coração, amargura que foi crescendo cada vez mais, até a morte de meu Filho. E, no entanto, quando Deus nos designa, Maria, para sermos vítimas de sua honra, oh, como é doce ser moído no moinho, como o trigo, para fazer da nossa dor o pão que fortalece os fracos e os torna capazes de alcançar o Céu! É o suficiente. Você está cansado e se sente feliz. Descanse com minha benção ”.

(Escrito em 2 de abril de 1944)



CAPITULO 18
PROSSEGUE O MISTÉRIO DA CONCEIÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA COM A SEGUNDA PARTE DO CAPÍTULO 21 DO APOCALIPSE.

265. Prosseguindo o capítulo 21, 9-18 do Apocalipse, assim diz o texto:
"E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das sete últimas pragas e falou comigo, dizendo: Vem, e eu te mostrarei a noiva e esposa do Cordeiro. E transportou-me em espírito a
um grande e alto monte, e mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, a qual tinha a claridade de Deus, e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosa, a uma pedra de jaspe, transparente como cristal. E tinha um muro grande e alto com doze portas, e nas portas, doze anjos, e uns nomes escritos que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Três portas ao oriente, e três portas ao setentrião e três portas ao meio dia e três portas ao ocidente.

E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. E o que falava comigo tinha uma cana de ouro de medir, para medir a cidade e as suas
portas e o muro. E a cidade era quadrangular e tão comprida como larga, e mediu a cidade com a cana até doze mil estádios, e o seu comprimento, e a sua também o seu muro até cento e quarenta e quatro côvados, medida de homem, que era a do anjo. E o muro era construído de pedra de jaspe: e a mesma cidade era de ouro puro, semelhante a vidro límpido'*.

Castigo das ofensas feitas à Mãe de Deus

266. Os anjos referidos pelo escritor sagrado, são sete dos que assistem especialmente ao trono de Deus, e a quem o Senhor deu o encargo e poder para castigar certos pecados dos homens. Esta vingança da ira do Onipotente (Ap 15,1) acontecerá nos últimos séculos do mundo.

Castigo tão novo que nem antes nem depois na vida terrestre se verá outro maior.
Estes mistérios são muito secretos e como não recebo luz de todos, nem pertencem a esta História, não convém alongar-me nisto, e assim passo ao que pretendo.
0 anjo que falou a S. João é aquele por meio do qual Deus vingará, em particular, com tremendo castigo, as injúrias feitas à sua Mãe Santíssima. Tendo-a desprezado com louca ousadia, provocaram a indignação da onipotência divina.

Está a Santíssima Trindade empenhada em honrar e enaltecer esta Rainha do céu, acima de todas as criaturas humanas e angélicas, e em ostentá-la ao mundo por espelho da Divindade e medianeira única dos mortais.
Por este motivo, Deus tomará especialmente por sua conta, vingar as heresias, erros, blasfêmias e qualquer desacato cometido contra Ela. Não quiseram glorificá-lo, conhecê-lo e adorá-lo neste
seu tabernáculo e não se aproveitaram de tão incomparável misericórdia.
Profetizados estão, na santa Igreja, estes castigos. Ainda que os enigmas do Apocalipse encubram seu rigor, ai dos infelizes sobre quem eles caírem. Ai de mim que ofendi a Deus, tão forte e poderoso para punir. Fico atônita só com o conhecimento e a ameaça de tal calamidade.

A esposa do Cordeiro

267. Disse o Anjo ao Evangelista:
Vem e te mostrarei a esposa, mulher do Cordeiro (v. 9). A cidade santa de Jerusalém que lhe foi mostrada é a mulher, esposa do Cordeiro. Significando esta metáfora Maria Santíssima, aquém S. João via como mãe e esposa do Cordeiro, o Cristo, porquanto a Rainha exerceu divinamente ambos os ofícios. Foi esposa da Divindade, única (Ct 6,8) e singular, pela fé e amor com que se contraiu este desposório. Foi mãe do mesmo Senhor humanado, dando lhe sua substância e carne mortal, criando-o e sustentando-o na forma humana que dela recebeu.
Para ver e compreender tão soberanos mistérios, o espírito do Evangelista foi elevado a um alto monte de santidade e luz. Sem ultrapassar a si mesmo, e elevar-se acima da humana fraqueza, não os poderia entender. Pela mesma razão, não os entendemos nós, homens imperfeitos e terrenos.

Assim arrebatado diz: Mostrou-me a cidade santa de Jerusalém que descia do céu (v. 10) construída não na terra, onde era estrangeira e peregrina, mas no céu. Lá não pôde ser fabricada com materiais comuns de pura terra, ainda que desta haja sido tomada a sua natureza. Esta mística cidade foi conduzida ao céu para lá ser construída ao modo celestial, angélico e até divino, semelhante à Divindade.

A Cidade de Deus

268. Por esse motivo acrescenta que tinha a claridade de Deus (v. 11). Teve a alma de Maria Santíssima tanta participação na Divindade e em seus atributos e perfeições, que se fosse possível vê-la em seu próprio ser, pareceria iluminada com a claridade eterna do mesmo Deus. Grandes e gloriosas coisas estão ditas (SI 86, 3) na Igreja Católica, desta cidade de Deus e da claridade que recebeu do Senhor. No entanto, tudo é pouco, insuficientes todos os termos humanos para explicá-lo. Em vista de sua incapacidade, o entendimento criado só pode dizer que Maria Santíssima teve um não sei quê de Divindade. Assim, confessa a substância da verdade, a ao mesmo tempo, a ignorância para explicar o que declara por verdadeiro. Construída no céu,
somente o Artífice que a edificou conhecerá a grandeza, parentesco e afinidade que com Ela contraiu, assemelhando as perfeições que lhe deu às mesmas contidas em sua infinita Divindade.

Maria, criatura divinizada

269. Sua luz era semelhante a uma pedra preciosa, como pedra de jaspe transparente como cristal (v. 11).
Não é difícil entender que se pareça com o jaspe, com o cristal e com Deus mesmo tempo. Embora tão dessemelhantes entre si, da comparação entre o jaspe e o cristal, compreenderemos um
pouco sua semelhança com Deus. O jaspe encerra muitas cores, reflexos e variedades de sombras, enquanto o cristal é claríssimo, puro e uniforme. Combinados formam singular e formoso conjunto.
Em sua formação recebeu Maria Santíssima a variedade de virtudes e perfeições com as quais Deus compôs e teceu sua alma, toda semelhante a um cristal puríssimo. Sem sombras nem átomo de culpa, de sua claridade e pureza emite raios e reflexos de Divindade. Como o cristal, banhado pelo sol, parece encerrá-lo dentro de si e reproduz seus resplendores. Entretanto, este cristalino jaspe tem sombras, porque é filha de Adão e pura criatura.
Tudo quanto tem do resplendor do sol da divindade, é participação dela. Ainda que o pareça, não é o sol divino por natureza, mas por participação e comunicação da graça. É criatura, formada pela mão de Deus, mas para ser Mãe sua.

270. Tinha a cidade um grande e alto muro com doze portas (v. 12).
Os mistérios encerrados no muro e portas desta mística cidade de Maria Santíssima, são tão grandes e ocultos que com dificuldade eu, mulher ignorante e rude, poderei explicar por palavras o que me foi dado a entender. Di-lo-ei como for possível.
No primeiro instante da conceição de Maria Santíssima, quando a Divindade se lhe manifesto por aquela visão e modo que acima disse, então, ao nosso modo de entender, a beatíssima Trindade renovou os antigos decretos de criá-la e engrandecê-la. Estabeleceu um acordo e contrato com esta Senhora, embora sem Ela o saber por enquanto. Foi como se as três divinas Pessoas conferissem entre si deste modo:

Maria, dispenseira das graças

271. A dignidade que damos a esta pura criatura, de Esposa nossa e Mãe do Verbo, é devido e condigno constituí-la Rainha e Senhora de toda a criação. Além das riquezas e dons de nossa divindade com que a dotamos, é justo dar-lhe autoridade, para pessoalmente dispor de nossas misericórdias infinitas. Poderá distribuir e comunicar, à sua vontade, as graças e favores que os mortais necessitarem, principalmente aos que, como filhos devotos seus, a invocarem.
- Assim, poderá enriquecer aos pobres, socorrer aos pecadores, aperfeiçoar os justos e ser universal amparo de todos. Todas as criaturas deverão reconhecê-la por Rainha e superiora, depositária de nossos infinitos bens, com faculdade de os poder distribuir. Para isto lhe entregaremos as chaves de nosso coração e vontade, e no que se referir às criaturas, será em tudo executora de nosso beneplácito.
Dar-lhe-emos, além disso, domínio e poder sobre o dragão, nosso inimigo e todos seus aliados, os demônios, para que temam sua presença e seu nome, cuja virtude os aniquilará. Todos os mortais que se acolherem a esta cidade de refúgio, aí encontrem abrigo certo e seguro, sem temerem os demônios e suas ciladas.



O QUE O FILHO DE DEUS PRATICOU EM SEU INTIMO AO ENTRAR NO EGITO E EM TODO O TEMPO  QUE LÁ PERMANECEU

OS DEMÔNIOS ABALADOS. A ADORAÇÃO.

Tínhamos chegado à porta da cidade e rendido as diversas graças ao Pai; todos os demônios que lá eram adorados, já se haviam abalado. Sentiam sobre si certo poder que os violentava e saírem cios simulacros: mas não sabiam donde isto procedia, pois estava também para eles oculto o mistério divino, Já meu Pai operava aquilo que eu lhe havia suplicado. Entrei, portanto. na cidade, e o ídolo que se encontrava numa famosa árvore, desfez-se em pedaços miúdos e a árvore inclinou os seus ramos em ato de humildade, para adorar-me e reconhecer-me por seu Criador e verdadeiro Filho de Deus. Agradeci ao Pai aquilo que se dignara operar e dei-lhe graças também por parte do povo que então não conhecia o benefício que lhe tinha feito; ao contrário, considerava suma desgraça aquilo que lhe havia ocorrido. Disse-me o Pai, no instante em que se inclinou aquela criatura irracional para adorar-me:

"Recebei, meu dileto Filho, a homenagem desta criatura irracional, em sinal da homenagem que haveis de receber de multas criaturas humanas, por amor das quais vos humanastes. - E eu aceitei com muita alegria aquela adoração, apesar de proveniente de criatura irracional, sabendo que era um sinal e um penhor daquilo que devia receber das criaturas humanas: em tudo isto comprazia-me muito, pela glória de meu Pai e a salvação delas. Podeis imaginar quanto me manifestei grato ao Pai dileto. pelo que me havia dito e com qual finura de afeto lhe agradeci e pedi-lhe por todos, especialmente por aqueles que devem receber o lume da santa Fé.

OS SANTOS EXILADOS DESPREZADOS.

Ocorreram estes prodígios ã minha entrada no Egito, pelo que o povo todo se abalou e julgava enorme desgraça o que na verdade era grande misericórdia e graça do Pai. Minha querida Mãe e seu esposo José foram reconhecidos como gente de nação diferente; começaram muitos a ter-lhes raiva, de modo que receberam numerosos impropérios e maus tratos. Sentia, esposa minha, grande compaixão por aquela gente tão cega e miserável. Oferecia todos os maus tratos e as injúrias ao Pai, e pedia se dignasse dar-lhes luz e graça para reconhecerem o seu erro e ter piedade daquelas almas enganadas pelo demônio. Pedi-lhe ainda que assim como eu sofrera tantos insultos e ofensas da parte daquele povo, por Ele tão beneficiado, e em vez de agradecimentos, pelo beneficio só recebia ultrajes. Ele se dignasse perdoar, por minha causa, as afrontas que de meus irmãos havia de receber, quando lhes concedesse algum beneficio ou graça particular, que eles estimavam muitas vezes desgraça, devido a sua cegueira. Eles desconhecem os benefícios divinos, e em vez de agradecer-lhe par eles. ofendem-no e aceitam mesmos contra seu benfeitor. Eis uma das maiores injúrias doa irmãos Ingratos ao Pai. Como Isto, verdadeiramente. lhe desagrada muito pedia lhe Ingratos com maior ardor, que os perdoasse. Oferecia-lhe todas as afrontas por mim recebidas, para que a divina Majestade se aplacasse e se mostrasse fácil quanto ao perdão imerecido mas por mim impetrado. Mostrou-se o Pai muito aplacado por minhas súplicas e inclinado ao perdão.

Minhas ofertas lhe eram excessivamente gratas. Tão grande era o amor Com o qual escutava minhas súplicas que não havia o que eu lhe pedisse e Ele com toda a benignidade não me concedesse, embora da parte de meus irmãos tudo fosse imerecido. Pedi-lhe ainda se dignasse dar virtude e graça a todos aqueles que, beneficiando o próximo por seu amor, dele recebem depois, por recompensa, ingratidões, insultos e injúrias. O Pai benigno prometeu-me fazê-lo, com toda liberalidade. Mais ainda, prometeu. me querer Ele mesmo ser o remunerador do que fizessem por seu amor e quanto menor for a gratidão e a remuneração que eles receberem das criaturas beneficiadas. tanto maior e superabundante será a gratidão e a remuneração que do Pai hão de receber. Obtido tudo isto para os meus irmãos, rendi-lhe, em nome de todos, as devidas graças e, por parte dos ingratos, pedi-lhe perdão.

Foi muito agradável ao Pai o ofício que desempenhava em seu nome, e recebia-a como se fosse precisamente feito par eles, Por isso crescia seu amor para com eles, o que muito me alegrava; suplicava-lhe que concedesse semelhante prazer também a todos os meus irmãos, quando perceberem que alguns são amados por Ele e beneficiados, a fim de não penetrar em seu meio a paixão da inveja, mas cada um, com amor fraterno, se alegre com o bem do outro. Coisa, aliás, muito difícil entre os homens dominados pela paixão, que só pretendem todo o bem para si e não suportam a exaltação do próximo. O Pai me prometeu dar a todos a graça suficiente para vencer a mencionada paixão, e a sua particular assistência àqueles que se utilizassem da graça referida. Quem nisto se deixa dominar pela paixão, não quer se servir da graça que lhe dá meu Pai, mas quer seguir a própria paixão, e por isso, superado e vencido, fica privado do mérito, escravo da paixão e a ela sujeito. É indigno do nome de irmão meu. pois quer agir de modo diferente daquele pelo qual agi e não se serve da graça que lhe impetrei de meu dileto Pai; indigno igualmente do nome de filho de Deus, verdadeiro filho do diabo, a seguir e secundar a paixão da inveja, da qual o diabo é pai, como de todos os outros vicias e paixões desordenadas,

CONSOLAÇÕES E PENAS POR SEUS IRMÃOS

Sentia muita consolação por aqueles — distintamente vistos — que se serviriam tão bem da graça e superariam a paixão contrária à virtude; por isto louvava o Pai e agradecia-lhe em seu nome. Sentia também enorme pesar por aqueles que não queriam utilizar a graça, mas preferiam seguir a sua paixão indigna; eram em grande número. Ficava, porém, muito amargurado. vendo a pouca importância dada pelos irmãos à graça, que eu com tantas súplicas e também insistência impetrara de meu Pai, e Ele com tanto amor e benignidade lhes distribuía. Muitas vezes desafogava minha pena diante do dileto Pai. Dizia-lhe freqüentemente;

"Pai, justo e misericordioso inteiramente amor, todo caridade! Tu vês a ingratidão e a obstinação de meus irmãos! Suplico-te, pois, perdoá-los, porque não sabem o que fazem Não te conhecem, e portanto não te estimam e não te amam. Eu bem sei quem és Tu. meu amado Pai, e por isso consumo-me de amor e arde-me o Coração pelo zelo de rua honra Tu já vês. Pai amoroso. quanto laço e desejo trabalhar para que seja honrado e glorificado o teu Nome. Vês meu anelo de que cada um te honre. glorifique e exalte, que um por um te ame e sirva com toda perfeição. Ah. Pai benigno, consola-me! fazendo de modo que todas as criaturas te conheçam conforme és. se sujeitem de boa vontade a teu império, e vivam todas obedientes a ti. Não quero a minha glória, mas a tua, Deus verdadeiro, onipotente, imenso, incompreensível. Inenarrável. Eis o teu filho unigénito! Está pronto e sujeito a teu querer. Fazei de mim o que quiseres. Mas consola-me, Pai amantíssimo! A consolação desejada consiste apenas em que selas conhecido, amado, servido, adorado por todas as criaturas com a maior perfeição possível. E isto não por outro fim senão porque tu o mereces. Desejo que todas as criaturas se salvem, a fim de que venham a dar-te glória e por elas sejas amado por toda a eternidade. Abraço, neste intuito. de bom grado. a vida assim dificultosa e abjecta para que se cumpra a tua vontade qual ela é; cada um se santifique por meio de tua graça. e siga os meus exemplos. Pai dileto, atende a esta minha súplica com rescrito de graça e consola-me!' O Pai muito se comprazia nestas súplicas e para consolar-me fazia-me ver o número dos eleitos, e depois dizia-me com grande amor: 'Tu és o meu Filho bem amado, no qual ponho minha afeição e Pelo qual sou perfeitamente amado e obedecido.' Consolava-me muito. esposa minha. ouvir meu Pai. e ver o número das almas justas.

Mas, enquanto estava fruindo desta consolação, achava-se diante de mim o número muito grande das almas miseráveis, réprobas  e assim se amargurava a consolação porque. como já disse em outros lugares, eu jamais tive enquanto vivi  sobre a terra consolação alguma que não fosse acompanhada de grande amargura, de modo que muitas vezes ela terminava  em lágrimas amaríssimas de dor. Isto procedia do fato de ver o grande número das almas que se condenariam e que seriam vãs para elas tantas súplicas, fadigas e sofrimentos meus. Embora de posse de remédio tão poderoso para salvarem-se, não lhe dariam importância  e voluntariamente se precipitariam no abismo de todo mal, de toda pena e miséria. Oh! quanto me cruciava e quanto me amargurava este pensamento. Não só me arrancava as lágrimas dos olhos. mas era suficiente para amargurar-me a doçura ao ouvir as palavras amorosas de meu Pai.  Se  alguém se compraz ao receber, retribuídos os afetos de quem ama, muito mais experimenta pesar ao ver ofendida ultrajada e desonrada a pessoa amada.  Ora, assim eu tinha grande consolo ao ouvir as palavras tão amorosas de meu dileto Pai, muito mais, porém, experimentava depois pena e tormento vendo-o ofendido, ultrajado. desonrado e ser tratado desta maneira pelo número das almas infelizes e obstinadas, que se condenariam eternamente. que odiariam para sempre meu Pai. Seriam outrossim por Ele odiadas, e se tornariam incapazes de receber ainda sua graça e retornar a sua amizade.

É MAL RECEBIDO.

Tendo entrado na cidade onde devia morar, via-me tão maltratado por aquela gente cruel, em vez de ser recebido com alguma cortesia — não porque fosse o Filho de Deus, pois disto não tinham conhecimento algum, mas por compaixão natural de mim e de minha quem, um, verdadeiramente, esposa minha, era uma maravilha ver a gentileza de minha humanidade e o aspecto amável de minha querida Mãe.


Página abaixo continuação deste texto:

Tomo 2 Vida Intima de Ns Senhor Jesus Cristo_compressed-4   

continuação

 

Verdadeiramente o Pai com grande amor e benignidade vai realizando tudo aquilo a  respeito do que orei a Ele  e prometeu-me a saber, que poderiam meus irmãos ser meus verdadeiros imitadores , pelo que compete ao meu Pai amoroso, mas eles mesmos são os que não querem dar ouvidos às inspirações divinas e rejeitam a graça divina que com tamanha facilidade entraria em suas almas, se vivessem mais esquecidos de si mesmos e das coisas do mundo, e se aplicassem todos ao amor e ao serviço do Pai. com vontade resoluta de cumprir em tudo sua santíssima vontade. Mas, fazem justamente o oposto e por isto quase todos vão declinando do bem, e praticam o mal com tanta facilidade que apenas disto se apercebem. Quanta aflição sentia no intimo por este particular e quanto orava ao Pai! de modo que, para consolar-me, muitas vezes Ele fazia me ver corno, por meio de sua potente graça, muitos de meus irmãos se portariam na verdade conforme eu desejava e pedia. Esta visão trazia algum consolo a minha alma, mas não pleno, porque meu desejo se estendia para todos, e aquela multidão que eu via falhar, era causa de ser muito tênue o consola, e imenso o pesar.


parte 1
12-22
Outubro 8, 1917
Tudo o que foi feito por Jesus é eterno. As almas que amam a Jesus o suprem.

(1) Continuando meu habitual estado, meu amável Jesus assim que veio, estando eu com muitas penas, me disse:
(2) "Minha filha, o que foi feito por Mim, tudo é eterno, assim que minha Humanidade sofredora não devia ser para um tempo, senão até que o mundo seja mundo, e como minha Humanidade no Céu não é já capaz de sofrer, me sirvo da humanidade das criaturas, fazendo-as participar de minhas penas para continuar minha Humanidade na terra; e isto com justiça, porque estando Eu na terra incorporei em Mim todas as humanidades das criaturas para as pôr a salvo e fazer tudo para elas; agora estando no Céu difundo nelas esta minha humanidade, especialmente em quem me ama, difundo minhas penas e tudo o que fez minha Humanidade para o bem das almas extraviadas, para dizer ao Pai: "Minha Humanidade está no Céu, mas também na terra, nas almas que me amam e sofrem". Por isso minha satisfação para com o Pai é sempre completa, minhas penas estão sempre em ação, porque as almas que me amam me suprem por isso consola-te quando sofres, porque recebes a honra de me substituir".

13-22
Outubro 9, 1921

A vontade no homem é o que mais se assemelha ao seu Criador. A vontade humana é o depósito de todo o obrar do homem.

(1) Estava pensando no momento em que meu doce Jesus tomava a última ceia com seus discípulos, e meu amável Jesus dentro de mim me disse:
(2) "Minha filha, enquanto jantava com meus discípulos, não era só a eles que tinha ao meu redor, mas a toda a família humana, uma por uma as tinha junto a mim, as conheci todas, as chamei por seu nome; também te chamei a ti e te dei o posto de honra entre João e Eu e te constituí pequena secretária de meu Querer, e enquanto dividia o cordeiro oferecendo-o a meus apóstolos, o dava a todos e a cada um. Aquele cordeiro desmantelado, assado, cortado em pedaços, falava de Mim, era o símbolo de minha Vida e de como devia me reduzir por amor de todos, e Eu quis dá-lo a todos como alimento refinado que representava minha Paixão, porque tudo o que fiz, Disse e sofri, meu amor o converteu em alimento do homem, mas você sabe por que chamei a todos e dei o cordeiro a todos? Porque também Eu queria o alimento deles, cada coisa que fizessem queria que fosse alimento para Mim, queria o alimento de seu amor, de suas obras, de suas palavras, de tudo".

(3) E eu: "Meu amor, como pode o nosso agir tornar-se alimento para Ti?"
(4) E Jesus: "Não é só de pão que se pode viver, mas de tudo aquilo a que minha Vontade dá a virtude de poder fazer viver, e se o pão alimenta o homem é porque Eu o quero. Agora, o que a criatura dispõe com sua vontade me formar com seu obrar, essa forma toma seu obrar, se de seu obrar quer me formar o alimento, me forma o alimento; se de seu obrar quer me formar amor, me dá o amor; se reparação, me forma a reparação; e se em sua vontade me quiser ofender, com seu agir me forma a faca para me ferir, e talvez até mesmo para me matar".

(5) Depois ele adicionou: "A vontade no homem é o que mais o assemelha a seu Criador, na vontade humana pus parte de minha imensidão e de minha Potência, e dando-lhe o posto de honra a constituí rainha de todo o homem e depositária de todo seu obrar. Assim como as criaturas têm caixas para conservar suas coisas para tê-las guardadas, assim a alma tem sua vontade para conservar e guardar tudo o que pensa, o que diz e o que obra, nem sequer um pensamento perderá. O que não pode fazer com o olho, com a boca, com as obras, pode fazer com a vontade; num instante pode querer mil bens ou mil males, a vontade faz voar o pensamento ao Céu, nas partes mais longínquas e até nos abismos; A criatura pode ser impedida de trabalhar, de ver, de falar, mas tudo isso pode ser feito na vontade, e tudo o que faz e quer forma um ato e o deixa em depósito em seu próprio querer; e como a vontade pode ser estendida, quantos bens e quantos males não pode conter? Por isso, entre tudo quero o querer do homem, porque se tenho isto, a fortaleza está vencida".

14-21
Abril 12, 1922

O pecado rompe a corrente do amor, e abre a corrente da justiça.

(1) Encontrando-me em meu estado habitual, meu doce Jesus fazia-se ver todo aflito, quase em ato de dar curso à justiça, mas como forçado pelas mesmas criaturas. Eu lhe pedi que diminuísse os castigos e Ele me disse:
(2) "Minha filha, entre Criador e criatura não há outra coisa que correntes de amor, o pecado rompe esta corrente e abre a corrente da justiça; minha justiça defende os direitos de meu amor ultrajado, de meu amor despedaçado entre Criador e criatura, e fazendo-se caminho entre elas gostaria de reunir este amor despedaçado. ¡ Ah! Se o homem não pecasse, minha justiça não teria o que fazer com a criatura, conforme começa a culpa, assim a justiça se põe em caminho, crês tu que Eu quereria castigar o homem? Não, não, dói-me mais, é difícil tocá-lo, mas é ele mesmo que me força e me induz a castigá-lo. Você reza para que o homem se arrependa, assim a justiça reunindo rapidamente a corrente do amor, poderá retirar-se".

15-22
Maio 8, 1923

Só a Divina Vontade põe em segurança todas as graças do Céu.

(1) Encontrando-me em meu habitual estado, encontrei-me fora de mim mesma, me parecia que percorria um caminho muito longo, onde encontrava muita gente: quem davam horror ao vê-los,
quem pareciam demônios encarnados, pouquíssimos os bons. O caminho era tão longo que não terminava jamais, e eu cansada queria voltar em mim mesma, mas uma pessoa próxima a mim me impedia dizendo-me:
(2) "Vá em frente, caminhe, você deve chegar ao início, e para chegar a isso você deve passar todas as gerações, você deve tê-los todos sob o seu olhar para levá-los ao seu Criador. Teu princípio é Deus, e tu deves chegar àquele ponto da eternidade quando o Eterno criava o homem, para receber todos os vínculos da Criação e retomar todas as harmonias que podem existir entre Criador e criatura".
(3) Depois, uma força suprema me fazia seguir adiante, e era obrigada a ver os males da terra e os que virão, desgraçadamente estremecedores. Então, depois disto encontrei o meu doce Jesus, e eu, cansada, deitei-me em seus braços dizendo:
(4) " Meu amor, que caminho tão longo tive de percorrer, parece-me que há séculos que não te via e que não encontrava Aquele que forma a minha vida".
(5) E Jesus todo amor: "Ah, sim minha filha! Ergue-te em meus braços, vem ao teu princípio de onde saíste, também Eu te esperava com ânsia para receber de ti, em meu Querer, tudo o que a Criação me deve, e para dar-te a ti em meu próprio Querer tudo o que devo dar a toda Criação. Só a minha Vontade pode pôr em segurança e guardar com zelo todos os bens que quero dar à criatura, fora da minha Vontade os meus bens estão sempre em perigo e mal guardados, em troca nela, Eu abundo e dou a uma o que deveria dar a todas, por isso quero vincular em ti a Criação toda, quero pôr-te no ponto primeiro da criação do homem; é meu costume tratar ao tu com uma só criatura o que quero dar-lhe e o que quero dela, e depois dela fazer passar os bens aos demais.
Ah! minha filha, Eu havia criado o homem como uma flor que devia crescer, colorir-se, perfumar-se em minha própria Divindade, mas com subtrair-se de minha Vontade aconteceu-lhe como a uma flor que se arranca de uma planta, enquanto está na planta a flor é bela, vivaz na sua cor, odor no seu perfume; arrancada da planta murcha, descolora-se, transforma-se em feia e chega a dar um mau cheiro. Que sorte foi a sua e que dor para Mim, que com tanto amor queria fazer crescer esta flor em minha Divindade para me deleitar e recrear-me com ela. Agora esta flor arrancada, com minha Onipotência quero fazê-la brotar transplantando-a de novo no seio de minha Divindade, mas quero uma alma que queira viver no seio de meu Querer, ela será a semente que se prestará a Mim, e minha Vontade fará todo o resto, Assim retornarão minhas delícias da Criação, me recriarei com esta mística flor e me refarei da Criação".

16-23
Outubro 4, 1923
Para que a Divina Vontade se torne vida da alma, esta deve fazer desaparecer a própria vontade, e seu querer não deve existir mais.

(1) Sentia-me destruída pela dor da sua privação, com o triste pensamento de que Jesus não tinha vindo mais. " Oh! como é doloroso pensar que não deveria ver mais Aquele que forma toda minha vida, minha felicidade, todo meu bem. Enquanto estava nisto, meu doce Jesus se moveu Dentro de mim, ele disse:

(2) "Minha filha, como posso deixar-te se na tua alma está aprisionada a minha vontade, e dando vida a todos os seus atos desenvolve sua Vida como em seu próprio centro? Então, em um ponto da terra já está minha Vida. " Ah! se não estivesse esta Vida minha sobre a terra, minha justiça se desafogaria com tal furor de aniquila-la".

(3) Quando ouvi isto, disse: "Meu Jesus, a tua Vontade está em todo o lado, não há ponto onde não se encontre, e você diz que está aprisionada em mim?"

(4) E Jesus: "Certamente que está em toda parte com a sua vastidão, com a sua omnividência e com o seu poder, e qual rainha tudo domina a Si submete, não deixando escapar ninguém do seu império, mas como Vida, na qual a criatura forma a sua, para desenvolver a sua na Vida de minha Vontade e formar uma Vida da Divina Vontade sobre a terra, não existe.

Para muitos minha Vontade, não fazendo-a, é como se não existisse, acontece como se alguém tivesse água em seu própria estadia e não a bebe, o fogo e não se aproximou para aquecer, o pão e não come, com tudo e que tenha consigo estes elementos que podem dar vida ao homem, não tomando-os pode morrer de sede, de frio e de fome; outros tomam-nos muito raramente e são fracos e doentes, outros todos os dias, e estes são saudáveis e robustos, assim que tudo está, quando se possui um bem, em se a vontade humana o quer tomar e o modo como o quer tomar, e à medida que vai usando-o assim vai recebendo os efeitos. Assim é da minha Vontade, para fazer-se vida da alma ela deve fazer desaparecer a própria vontade na minha, seu querer não deve existir mais, minha Vontade deve entrar em todos seus atos como ato primeiro, a qual se dará à alma, agora como água para tirar a sede com suas águas divinas e celestiais; agora como fogo, não só para aquecê-la mas para destruir nela tudo o que é humano, e reedificar nela a Vida de Minha Vontade; e agora como alimento para alimentá-la e torná-la forte e robusta. Oh! como é difícil encontrar uma criatura que ceda todos os seus direitos para dar só a meu Querer o direito de reinar; quase todos querem reservar alguma coisa do próprio querer, e por isso minha Vontade, não reinando completamente nelas, não pode formar sua Vida em todas as criaturas".

17-21
Outubro 30, 1924

Os anjos são anjos porque foram conservados no ato primeiro em que foram criados, e do conhecer o mais ou menos da Suprema Vontade, vêm constituídos os diversos coros dos anjos. As penas do amor são as mais amargas, as mais cruéis, mais dolorosas que as penas da mesma Paixão.

(1) Sinto que não posso confiar à caneta meus dolorosos segredos, nem expressar no papel o que sinto em meu martirizado coração. Ah! Sim, não há martírio que se possa comparar ao martírio da privação do meu doce Jesus. O mártir é ferido e morto no corpo, ao contrário o martírio de sua privação fere a alma, a lacera em suas mais íntimas fibras, e o que é pior, a mata sem fazê-la morrer para golpeá-la continuamente sobre a bigorna de ferro da dor e do amor. E enquanto passo adiante das penas que sinto em meu interior, pois são coisas que não posso dizer, queria, como uma das mais pobres mendicantes, pedir de esmola a todos, aos anjos, aos santos, a minha Rainha Mãe, à Criação toda, uma palavra, uma pequena oração por mim diante de Jesus, a fim de que rogado por todos se possa mover a compaixão da pequena filha de seu Querer e fazê-la voltar do duro exílio no qual me encontro..
(2) Então eu estava pensando entre mim sobre o que tinha acontecido em minha mente, ou seja, que em vez de Jesus me parecia como se tivesse meu anjo junto, e dizia entre mim: "E por que o anjo e não Jesus?" Naquele momento eu senti mover dentro de mim Jesus e ele me disse:.
(3) "Minha filha, queres saber porque são anjos, por que se mantiveram belos e puros como saíram de minhas mãos? Porque sempre se mantiveram firmes no ato primeiro no qual foram criados, portanto, estando naquele ato primeiro de sua existência, estão no ato único de minha Vontade, que não conhecendo sucessão de atos não se muda, nem cresce nem decresce, e contém em si todos os bens possíveis e imagináveis; e os anjos, conservando-se no ato único de minha Vontade, no qual os fiz sair à luz, se mantêm imutáveis, belos e puros, nada perderam de sua primeira existência, e toda sua felicidade é se manter voluntariamente no ato único de minha Vontade. Tudo encontram no círculo de meu Querer, não querem fazer-se felizes senão o que lhes fornece minha Vontade. Mas você sabe por que há diferentes coros de anjos, um superior a outro? Estão aqueles mais próximos ao meu Trono, você sabe por quê? Porque a minha vontade, a quem manifestou um só ato da minha vontade, e a quem por dois, a quem por três, a quem por sete, e em cada coisa do ato que a minha vontade manifestava de mais se tornavam superiores aos demais, e se tornavam mais capazes e mais dignos de estar perto do meu trono. Portanto, quanto mais minha Vontade se manifesta, e nela se conservam, tanto mais ficam elevados, embelezados, felizes e superiores aos demais. Olha então como tudo está na minha Vontade e no saber conservar-se, sem jamais sair, naquela mesma Vontade da qual saíram; e do conhecer o mais e o menos da minha Suprema Vontade, vêm constituídos os diversos coros dos anjos, suas distintas belezas, os vários ofícios, a hierarquia Celestial.

Se você soubesse o que significa conhecer minha Vontade a mais, fazer um ato demais nela, conservar-se, obrar nessa minha Vontade conhecida, onde vem constituída, o ofício, a beleza, a superioridade de cada criatura, oh! como apreciarias mais os diversos conhecimentos que te manifestei sobre a minha Vontade. Um conhecimento de mais sobre minha Vontade eleva a alma a tal altura sublime, que os mesmos anjos ficam estupefatos e arrebatados, e me confessam incessantemente: o Santo, o Santo, o Santo. Minha Vontade manifesta-se e chama do nada as coisas, e forma os seres, manifesta-se e embeleza-se, manifesta-se e eleva-se mais alto, manifesta-se e engrandece-se mais a Vida Divina na criatura, manifesta-se e nelas forma os portentos novos e nunca conhecidos. Assim, pelas tantas coisas que te manifestei de minha Vontade, podes compreender o que quero fazer de ti e como te amo, e como tua vida deve ser uma cadeia de atos contínuos feitos em minha Vontade. Se a criatura, como o anjo, não saísse jamais do ato primeiro no qual minha Vontade a fez sair à luz, que ordem, que portentos não se deveriam ver sobre a terra? “Por isso minha filha, não saias jamais de teu princípio, no qual minha Vontade te criou e teu ato primeiro seja sempre minha Vontade".

(4) Depois disto, com o pensamento, pus-me junto ao meu Jesus no jardim do Getsêmani, e pedia-lhe que me fizesse penetrar naquele amor com que tanto me amou, e o meu Jesus, movendo-se de novo no fundo do meu íntimo disse-me:.
(5) "Minha filha, entra no meu amor, não saias jamais, corre junto a ele, ou detém-te em meu mesmo amor para compreender bem quanto amei a criatura, tudo é amor em Mim para com ela. A
Divindade ao criar esta criatura se propôs amá-la sempre, assim que em cada coisa de dentro e fora dela, devia correr para ela com um contínuo e incessante novo ato de amor. Portanto posso
dizer que em cada pensamento, olhar, palavra, respiro, batida, e em todo o resto da criatura, corre um ato de amor eterno. Mas se a Divindade se propôs amá-la sempre e em cada coisa a esta
criatura, era porque queria receber em cada coisa a correspondência do novo e incessante amor da criatura, queria dar amor para receber amor, queria amar para ser amada. Mas não foi assim! A criatura não só não quis manter o compasso do amor, nem responder ao eco do amor do seu Criador, mas rejeitou este amor, ignorou-o e ofendeu-o. Diante desta afronta a Divindade não se
deteve, mas continuou seu novo e incessante amor pela criatura, e como a criatura não o recebia, ficavam cheios Céus e terra esperando a quem devia tomar este amor para ter nela a correspondência, porque Deus, quando decide e propõe, todos os acontecimentos em contrário não o mudam, mas permanece imutável na sua imutabilidade.

Eis por que passando a outro excesso de amor, vim Eu, Verbo do Pai, à terra, e tomando uma Humanidade, recolhi em Mim todo este amor que enchia Céu e terra para corresponder à Divindade com tanto amor por quanto tinha dado e devia dar às criaturas, e me constituí amor de cada pensamento, de cada olhar, de cada palavra, batida, movimento e passo de cada criatura. Por isso minha Humanidade foi trabalhada até em sua mais pequena fibra pelas mãos do eterno amor de meu Pai Celestial, para dar-me capacidade de poder encerrar todo o amor que a Divindade queria dar às criaturas, para lhe dar o amor de todas e me constituir amor de cada um dos atos de criatura.

Assim que cada pensamento teu está coroado por meus incessantes atos de amor; não há coisa em ti ou fora de ti que não esteja circundada por meus repetidos atos de amor, por isso minha Humanidade neste horto geme, se afana, agoniza, se sente triturada sob o peso de tanto amor, porque amo e não sou correspondido. As mágoas do amor são as mais amargas, as mais cruéis, são penas sem piedade, mais dolorosas que minha própria Paixão. Oh! se me amassem, o peso de tanto amor se tornaria leve, porque o amor correspondido fica apagado e satisfeito no amor mesmo de quem ama, mas não correspondido chega à loucura, delira e se sente correspondido com um ato de morte por aquele amor que dele saiu. Veja então como foi muito mais amarga e dolorosa a Paixão do meu amor, porque se na minha Paixão foi uma só morte que me deram, em troca na Paixão do amor, tantas mortes me fizeram sofrer por quantos atos de amor saíram de Mim e não fui por eles correspondido. “Por isso vem tu, minha filha, a corresponder-me a tanto amor, em minha Vontade encontrarás como em ato todo este amor, Faça-o teu e constitui-te, junto Comigo, amor de cada ato de criatura, para me corresponder pelo amor de todos".

18-23
Fevereiro 7, 1926
A Divina Vontade reinante na alma a eleva sobretudo, a põe em sua origem, e a alma amando com o amor de Deus, ama todas as coisas com o seu mesmo amor, e é constituída possuidora e rainha de tudo o que foi criado.

(1) Estava segundo meu costume Fundindo-me no Santo Querer Divino, e tomando o eterno te amo de meu doce Jesus, e fazendo meu, girava por toda a Criação para imprimi-lo sobre cada
coisa, a fim de que tudo e todos tivessem uma só nota, um só som, uma só harmonia: "Te amo, te amo, te amo por mim e por todos, até meu Criador que tanto me amou". meu amável Jesus saiu de dentro de mim, e me apertando ao seu coração, toda ternura me disse:.
(2) "Minha filha, como é belo o te amo de quem vive em minha Vontade, sinto o eco do meu junto com o seu sobre todas as coisas criadas, por isso sinto a correspondência do amor da criatura por tudo o que fiz, e além disso, amar significa possuir o que se ama, ou querer possuir a coisa amada; assim que tu amas a Criação toda porque é minha, e Eu te faço amá-la porque quero fazê-la tua.
Teu repetido te amo para Mim sobre cada coisa criada, é o caminho e o direito de posse para possuí-la. A Criação toda ao sentir-se amada, reconhece a sua dona, por isso faz festa ao sentir-se
repetir sobre ela teu amo; o amor faz reconhecer o que é seu, e se dão só àqueles por quem são amadas, e minha Vontade reinante na alma é a confirmação de que o que é meu é seu. Agora,
quando uma coisa é possuída entre duas pessoas, se necessita sumo acordo, a uma não pode fazer sem a outra, e eis a necessidade de sua inseparável união, das contínuas comunicações
sobre o que há que fazer com o que possuem. ¡Oh! como a minha Vontade reinante na alma a eleva acima de tudo, e amando com o amor de um Deus sabe amar todas as coisas com o seu
mesmo amor, e é constituída possuidora e rainha de tudo o que foi criado..
(3) Minha filha, neste estado feliz criei o homem, minha Vontade devia suprir a tudo o que faltava nele, e elevá-lo à semelhança de seu Criador. E é precisamente esta a minha visão sobre ti, fazer-te voltar à origem como criamos o homem, por isso não quero divisão alguma entre Eu e tu, nem que o que é meu não seja teu; mas para dar-te os direitos quero que reconheças o que é meu, a fim de que amando tudo e correndo em todas as coisas teu te amo, toda a Criação te reconheça; ouvirão em ti o eco do princípio da criação do homem, e fazendo-se felizes ambicionaram fazer-se possuir por ti.

(4) Eu te faço como um rei, que desprezado por seus povos, ofendido, esquecido, estes povos não estão mais sob o regime das leis do rei, e se alguma lei observam, é a força que se impõe sobre eles, não o amor; assim o pobre rei é obrigado a viver em seu palácio, isolado, sem o amor, a sujeição e o avassalamento de sua vontade sobre os povos; mas entre tantos, ele adverte que um só se mantém íntegro em fazer-se submeter em tudo e por tudo pela vontade do rei, é mais, repara, chora pela vontade rebelde de todo o povo, e gostaria de refazer o rei fazendo-se ato por cada criatura, para que encontre nele tudo o que deveria encontrar em todo o resto da cidade.
Então o rei sente amar a este, tem-no sempre ante seus olhos para ver se é constante e não por um dia, senão por um período de vida, porque só a constância é sobre o que o rei pode confiar e
estar seguro do que quer fazer da criatura. Sacrificar-se, fazer o bem um dia, é coisa fácil para a criatura, mas sacrificar-se e fazer o bem toda a vida, oh, como é difícil! E se isso acontecer, é uma virtude divina obrante na criatura.

Então, quando o rei se sente seguro daquele, chama-o a si no seu palácio, dá-lhe tudo o que deveria dar a todo o povo, e pondo de lado todos os demais faz sair dele a nova geração do seu povo eleito, Os quais não terão outra ambição senão viver somente da vontade do rei, todos subjugados a ele, como tantos partos de suas entranhas. Não te parece minha filha, que é precisamente isto que estou a fazer por ti? Esse contínuo te chamar em minha Vontade, a fim de que não a tua viva em ti mas na minha; aquele querer de ti, que sobre todas as coisas criadas e desde o primeiro até o último homem que virá, encontre a nota de teu amo, de tua adoração a teu Criador, de tua reparação por cada ofensa, não diz claramente que quero tudo para te dar tudo, e que elevando-te sobretudo quero que regresse em ti minha Vontade íntegra, bela, triunfante, como saiu de Nós no princípio da Criação? Minha Vontade foi o ato primeiro da criatura, a criatura teve seu ato primeiro em minha Vontade, e por isso quer fazer seu curso de vida nela, e se bem foi sufocada no início de seu nascimento na criatura, mas não ficou extinta, e por isso espera seu campo de vida nela; Não queres ser o primeiro campinho dela? “Por isso seja atenta, quando quiser fazer alguma coisa não a faça jamais por você mesma, senão me peça que a faça minha Vontade em você, porque a mesma coisa, se a faz você soa mal, da de humano, em troca se a faz minha Vontade soa bem, harmoniza com o Céu, é sustentada por uma graça e poder divinas, é o Criador que opera na criatura, seu perfume é divino, e elevando-se abraça a todos com um só abraço, de modo que todos sentem o bem do agir do Criador na criatura".

19-23
Maio 23, 1926

O Querer Divino é germe de vida, e onde entra produz a vida, a Santidade assim como a Virgem teve seu tempo, quem deve conseguir O Fiat Supremo tem o seu tempo.

(1) Estava a acompanhar o meu doce Jesus na sua dolorosa agonia no jardim, especialmente quando se descarregou sobre a sua Santíssima Humanidade todo o peso das nossas culpas, até
lhe fazer verter vivo sangue Oh! como teria querido aliviá-lo de penas tão dilacerantes. E enquanto o compadecia me disse:.
(2) "Minha filha, minha Vontade tem o poder de dar morte e de dar vida, e como minha Humanidade não conhecia outra vida, senão a Vida de minha Vontade Divina, conforme as culpas
se punham sobre Mim, assim Ela me fazia sentir uma morte distinta por cada culpa. Minha Humanidade gemia sob a pena da morte real que me dava minha Suprema Vontade, mas esta vontade Divina, sobre aquela mesma morte que me dava fazia ressurgir a nova vida de graça às criaturas, assim sem importar quão má e terrível seja a criatura, se tem a sorte de fazer entrar nela um ato de minha Vontade, ainda que seja no mesmo ponto da morte, sendo Ela Vida, lança o germe da vida na alma, assim que possuindo este germe de vida, há muito por que esperar a salvação da alma, porque a potência de minha Vontade terá cuidado que este seu ato de vida que entrou na alma não pereça e se possa converter em morte, porque minha Vontade tem o poder de dar morte, Mas ela e todos os seus atos são intangíveis e não sujeitos a nenhuma morte. Agora, se um único ato de minha Vontade contém o germe da vida, qual não será a fortuna de quem não um só ato, mas continuados atos de minha Vontade abraça em sua alma? Ela não recebe apenas o  germe, mas a plenitude da vida e põe em segurança a sua santidade".
(3) Depois minha pobre mente se perdia no Santo Querer Divino fazendo nele meus acostumados atos, me parecia que tudo era meu, e conforme girava por todas as coisas criadas para imprimir por toda parte meu "amo-te", minha adoração, minha glória a meu Criador, assim adquiria novos conhecimentos de quanto Deus tem feito pela criatura e quanto nos tem amado; a Vontade Suprema parecia que se deleitava em fazer conhecer as novas surpresas de seu amor, a fim de que pudesse seguir seus atos para me dar o direito de possuir o que saiu de sua Vontade criadora, e minha pequenez se perdia em seus imensos bens. Enquanto eu estava nisto, o meu doce Jesus saiu de dentro de mim e disse-me:.

(4) "Minha filha, quando minha Mãe Rainha veio à luz do dia, todos estavam voltados para Ela, e como se tivessem um só olhar, todas as pupilas olhavam Aquela que devia enxugar seu pranto
com levar-lhes a Vida do suspirado Redentor, toda a Criação estava concentrada nela, Sentindo-se honrada de obedecer a suas ordens; a mesma Divindade era toda para Ela e toda atenta a Ela, para prepará-la e formar nela, com graças surpreendentes, o espaço onde o Verbo Eterno devia descer para tomar carne humana. Portanto, se em Nós não houvesse a virtude de que enquanto trabalhamos, tratamos com algum, falamos, enquanto damos a uma não omitimos às outras, todos nos teriam dito: Deixa-nos a todos nós de um lado, pensa nesta Virgem, dá, concentra tudo nela, a fim de que faça vir Aquele no qual estão postas nossas esperanças, nossa vida e todo nosso bem'.

Por isso se pode chamar aquele tempo em que veio à luz do dia a Soberana Rainha, o tempo de minha Mamãe. Agora, minha filha, se pode chamar seu tempo, todos estão voltados para você,
escuto a voz de todos como se fosse uma só, que me rogam, me apressam a que minha Vontade readquira seus direitos divinos absolutos sobre ti, a fim de que adquirindo seu total domínio, possa verter em ti toda a plenitude dos bens que tinha estabelecido dar se a criatura não se houvesse subtraído de sua Vontade.
Assim que todo o Céu, a Celestial Mãe, os anjos e santos, todos estão voltados para ti pelo triunfo de minha Vontade, porque sua glória no Céu não será completa se minha Vontade não chegar a ter seu completo triunfo sobre a terra, tudo foi criado para o cumprimento total da Suprema Vontade, e até que Céu e terra não retornem neste anel do Eterno Querer, sentem-se como a metade de suas obras, de sua alegria e bem-aventurança, porque não tendo encontrado o Divino Querer seu pleno cumprimento na Criação, não pode dar o que tinha estabelecido dar, isto é, a plenitude de seus bens, de seus efeitos, alegrias e felicidade que contém.

Eis por que todos suspiram, minha mesma Vontade é toda para ti e toda atenta a ti, não te nega nada de graças, de luz e o que se necessita para formar em ti o maior dos prodígios, como é o seu cumprimento e o seu total triunfo. Que crês tu que seja mais prodígio: que uma pequena luz fique encerrada no sol, ou que o sol fique encerrado na pequena luz?".
(5) E eu: "Certamente que seria mais prodigioso que a pequena luz se fechasse nela ao sol, antes me parece impossível que isto possa acontecer".
(6) E Jesus: "O que é impossível para a criatura é possível para Deus. A pequena luz é a alma e minha Vontade é o sol, agora, Ela deve dar tanto à pequena luz, para poder formar dela um cerco e que minha Vontade fique encerrada neste cerco, e como a natureza da luz é de estender seus raios em qualquer lugar, enquanto triunfa neste cerco, estenderá seus raios divinos para dar a todos a Vida de minha Vontade, este é o prodígio dos prodígios que todo o Céu suspira. Por isso dá amplo campo à minha Vontade, não te oponhas em nada, a fim de que o que foi estabelecido por Deus na obra da Criação tenha seu cumprimento".

20-22
Novembro 6, 1926

Quando tiver cumprido sua manifestação, promete levá-la ao Céu. Os novos apóstolos do Fiat. Como quem vive no Fiat concentra em si o céu, o sol e tudo. Para entender a Divina Vontade se necessitam graças grandes e não pequenas luzes.

(1) Sentia-me toda oprimida sob o peso da privação do meu doce Jesus. Oh, como suspirava a Pátria Celestial, onde não mais o perderei de vista, não estarei mais submetida ao duro martírio de sentir-me morrer e não morrer! Agora, enquanto me encontrava cansada e sem forças para esperar, minha doce vida, meu amado Bem, meu doce Jesus se moveu em meu interior, mas todo
aflito porque parecia que estava mandando açoites sobre a terra, e para não me dar mais pena não queria fazer-me vê-los, mas pelo modo de ver eu entendia os flagelos que estava mandando, e suspirando me disse:
(2) "Minha filha, ânimo, deixa-me que termine de te manifestar o que é necessário em relação ao Reino da minha Vontade, a fim de que nada falte para poder formá-lo no meio da família humana, e depois de ter cumprido tudo, em seguida te trarei a nossa Pátria. Você acredita que tem que ver o pleno triunfo do Eterno Fiat para vir ao Céu? Seu pleno triunfo o verá do Céu. De ti sucederá o que aconteceu de Mim para o Reino da Redenção, fiz tudo o que se necessitava, formei o fundamento, dei as leis, os conselhos que se necessitavam, instituí os Sacramentos, deixei o Evangelho como norma de sua vida, sofri penas inéditas, até a morte, mas pouco ou quase nada vi estando na terra dos frutos, do desenvolvimento da Redenção.

Depois de ter feito tudo e não ter mais o que fazer, confiei tudo aos apóstolos, a fim de que fossem eles os anunciadores do Reino da Redenção, para que saíssem os frutos de meus trabalhos que fiz para este Reino. Assim acontecerá para o Reino do Fiat Supremo, juntos o faremos filha minha, tuas penas, teus grandes sacrifícios, tuas incessantes orações para que venha logo meu Reino e minhas manifestações sobre Ele, os unirei todos Comigo e formarei os fundamentos, e, quando tudo estiver concluído, confiarei o meu Reino aos meus ministros, para que, como segundos apóstolos do Reino da Minha Vontade, sejam anunciadores. Você acredita que seja por acaso a vinda do Padre Di Francia e que mostra tanto interesse, e que levou a sério a publicação do que se refere a minha Vontade? Não, não, o preparei Eu, é um ato providencial da Suprema Vontade que o quer como primeiro apóstolo do Fiat Divino e anunciador d‟Ele, e como é fundador de uma obra é mais fácil que se aproxime de bispos, sacerdotes e pessoas e também em seu mesmo instituto para anunciar o Reino de minha Vontade, e por isso o assisto tanto e lhe dou luz especial, porque para entender minha Vontade se necessitam graças grandes e não pequenas luzes, mas um sol, para compreender uma Vontade Divina, Santa e Eterna, e grande disposição por parte de quem lhe vem confiado este ofício. E além disso, também a vinda diária do sacerdote eu a preparei, para que encontrasse rapidamente os primeiros apóstolos do Fiat do meu reino, a fim de que pudessem anunciar o que diz respeito ao meu Eterno Querer. Por isso deixe-me primeiro completá-lo, a fim de que depois de cumprido o possa confiar aos novos apóstolos da minha Vontade, e você possa ir ao Céu para ver desde lá de cima os frutos do suspirado Reino do Eterno Fiat".

(3) Depois fiquei fazendo meus acostumados atos no Querer Supremo e pensava em mim: "Minha pobre mente gira pelo mar, pelo sol, pelo céu, por toda parte para seguir os atos que faz a adorável Vontade na Criação, mas terminando de girar encontro-me sempre no baixo do meu duro exílio.

Oh! quanto gostaria de ficar pelo menos no céu azul para fazer o ofício de uma estrela ao meu Criador, mas eu desapareceria do meio das estrelas, porque não sou nem bela, nem luz como as
estrelas, e por isso todas me jogariam precipitando-me no baixo do meu longo exílio". Mas enquanto pensava assim, o meu doce Jesus moveu-se dentro de mim e disse-me:

(4) "Minha filha, quem vive na minha Vontade vive na unidade do seu Criador, que tem tudo em Si, tem em sua unidade toda a Criação e assim como tem a Criação assim tem em sua unidade a alma que vive no Eterno Fiat, e esta unidade lhe leva todos os reflexos de seu Criador e sua unidade com toda a Criação, de modo que se vê na alma a imagem viva Daquele que a criou, que
mantendo a sua unidade com todos, a tem aos reflexos de todas as coisas criadas por Ele, e estes reflexos formam no fundo da alma o mar, o sol, o céu e as estrelas e todas as variedades
encantadoras da natureza, assim que a alma que vive em minha Vontade, posta no azul céu formaria o mais belo ornamento a essa abóbada azul, de fazer maravilhar céu e terra, teria tudo em
si a seu Criador, um céu, um sol, um mar todo próprio, não lhe faltaria nem a terra toda florida, o canto doce dos pássaros, portador da alegria e da música harmoniosa do seu Criador, porque cada coisa criada contém uma nota divina. Por isso em vez de precipitar-te desejariam ter-te no meio delas, porque entre os tantos prodígios que tem meu Querer, tem a potência de pintar na alma todas nossas obras e de concentrar nela todos seus atos, não está contente se não vê na alma sua beleza, se você não encontrar seu eco, sua alegria e todo Si mesmo".

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