ESCOLA DA DIVINA VONTADE - VIGÉSIMA SEGUNDA SEMANA DE ESTUDOS

 

MEDITAÇÃO

Diferentes modos de falar de Jesus.

(155) Estes são os dois modos pelos quais a alma parecia sair do corpo, e nestes dois modos de sair a alma, Deus me fala. Este modo de falar, Ele mesmo o chama falar intelectual. Tentarei explicar: A alma que sai do corpo e se encontra diante de Jesus, não tem necessidade de palavras para entender o que o Senhor lhe quer dizer, nem a alma tem necessidade de falar para se fazer entender, senão que tudo é por meio do intelecto, Que bem nos entendemos quando nos encontramos juntos! De uma luz que de Jesus me vem à inteligência, sinto imprimir em mim tudo o que meu Jesus quer que eu entenda. Este modo é muito alto e sublime, tanto que a natureza dificilmente sabe explicá-lo com palavras, apenas pode dizer alguma ideia, este modo em que Jesus se faz entender é rapidíssimo, num simples instante se aprendem muitas mais coisas sublimes que lendo livros inteiros. ¡ Oh, que mestre engenhoso é Jesus, que num simples instante ensina muitas coisas, enquanto que qualquer outro necessitaria anos inteiros, se é que o consegue, porque o mestre terreno não tem poder para poder atrair a vontade do discípulo, nem de lhe poder infundir na mente sem esforços nem fadigas o que lhe quer ensinar, mas com Jesus não é assim, tanta é sua doçura, a amabilidade de seu trato, a suavidade de seu falar, e ademais é tão belo, que a alma apenas o vê se sente tão atraída, que às vezes é tanta a velocidade com que corre ao lado de Jesus, que quase sem adverti-lo se encontra transformada no objeto amado, de modo que a alma não sabe discernir mais seu ser terreno, tanto fica identificada com o Ser Divino. Quem pode dizer o que a alma experimenta neste estado? Precisaria do próprio Jesus, ou de uma alma separada perfeitamente do corpo, porque a alma encontrando-se outra vez circundada pelos muros deste corpo, e perdendo essa luz que antes a tinha abismada, muito perde e fica obscurecida, de tal modo que se quisesse dizer algo, o diria grosseiramente. Para dar uma ideia digo que me imagino a um cego de nascimento, que nunca teve o bem de ver o que há no universo inteiro, e que por poucos minutos tivesse o bem de abrir os olhos à luz, e pudesse ver tudo o que contém o mundo: o sol, o céu, o mar, As tantas cidades, as tantas máquinas, as variedades das flores e as tantas outras coisas que há no mundo, e depois daqueles poucos minutos de luz, voltei à cegueira de antes. Poderia ele dizer claramente tudo o que viu? Somente poderia fazer um esboço, dizer alguma coisa confusamente. Isto é uma semelhança do que acontece quando a alma se encontra separada, e depois no corpo, não sei se digo desatinos; assim como a esse pobre cego ficaria a pena da perda da vista, assim a alma, vive gemendo e quase em um estado violento, porque a alma se sente violentada sempre para com o sumo Bem, é tanta a atração que Jesus deixa na alma de Si, que a alma gostaria de estar sempre abstraída em seu Deus, mas isto não pode ser, e por isso se vive como se vivesse no purgatório. Acrescento que a alma não tem nada do seu neste estado, tudo é operação feita pelo Senhor.

(156) Agora tentarei explicar o segundo modo que Jesus tem para falar, e é que a alma encontrando-se fora de si mesma vê a pessoa de Jesus Cristo, como por exemplo de criança, ou crucificado, ou em qualquer outro aspecto, e a alma vê que o Senhor com sua boca pronuncia as palavras e a alma com sua boca responde, às vezes acontece que a alma se põe a conversar com Jesus como fariam dois íntimos esposos. Se bem que o falar de Jesus é pouquíssimo, apenas quatro ou cinco palavras e às vezes até mesmo uma só, raríssimas vezes se estende mais, mas nesse ´pouquíssimo falar, ah, quanta luz põe na alma! Parece-me ver à primeira vista um pequeno riacho, mas vendo bem, em vez de um riacho se vê um vasto mar, assim é uma só palavra dita por Jesus, é tanta a imensidão da luz que fica na alma, que ruminando muito bem descobre tantas coisas sublimes e proveitosas a sua alma, que fica assombrada.

(157) Eu acredito que se se juntassem todos os sábios, ficariam todos confundidos e mudos Diante de uma só palavra de Jesus. Agora, este modo é mais acessível à natureza humana, e facilmente se sabe manifestar, porque a alma entrando em si mesma leva consigo o que tem ouvido da boca de Nosso Senhor e o comunica ao corpo; não é tão fácil quando é por meio do intelecto. Eu considero que Jesus tem este modo de falar para adaptar-se à natureza humana, não que tenha necessidade da palavra para fazer-se entender, senão porque deste modo a alma mais facilmente compreende e pode manifestá-lo ao confessor. Em suma, Jesus faz como um mestre doutíssimo, sábio, inteligente, que possui em grau eminentíssimo todas as ciências e que ninguém pode igualá-lo, mas como se encontra entre discípulos que ainda não aprenderam as primeiras letras do alfabeto, retendo todos os outros conhecimentos em si, ensina aos discípulos apenas o a, b, c, etc. Oh, como é bom Jesus! , se adapta aos doutos e fala-lhes de modo altíssimo, de modo que para entendê-lo devem estudar muito bem o que lhes diz, adapta-se aos ignorantes e finge-se também Ele ignorante, e fala em modo baixo, de maneira que ninguém pode ficar em jejum das lições deste Divino Mestre.

(158) O terceiro modo com que Jesus me fala é quando falando à alma participa de sua própria substância. Parece-me como quando o Senhor criou o mundo, com uma só palavra foram criadas as coisas, assim, sendo sua palavra criadora, no ato mesmo em que diz a palavra, cria na alma aquela mesma coisa que diz, como por exemplo, Jesus diz à alma: Veja como são belas as coisas, enquanto seus olhos possam percorrer a terra ou o céu, jamais encontrarão beleza similar a Mim". Neste falar de Jesus, a alma sente entrar nela um algo divino e fica muito atraída para esta beleza, e ao mesmo tempo perde o atrativo de todas as outras coisas, por quão belas e preciosas fossem não lhe causam nenhuma impressão, o que lhe fica fixo e quase transmutado em si é a beleza de Jesus, nisso pensa, dessa beleza se sente investida, e fica tão apaixonada, que se o Senhor não fizesse outro milagre se lhe partiria o coração, e de puro amor por esta beleza de Jesus expiraria a alma para voar ao Céu a gozar desta beleza de Jesus. Eu mesma não sei se digo desatinos.

(159) Para explicar melhor este falar substancial de Jesus digo outra coisa, Jesus diz: "Olha como sou puro, também em ti quero pureza em tudo". Nestas palavras a alma sente entrar em si uma pureza divina, esta pureza se transforma nela mesma e chega a viver como se não tivesse mais corpo, e assim das outras virtudes. ¡ Oh, como é desejável falar de Jesus! Eu daria tudo o que está sobre a terra, se fosse a dona de tudo, contanto que tivesse uma só destas palavras de Jesus.

(160) O quarto modo em que Jesus me fala é quando me encontro em mim mesma, isto é no estado natural, e este falar é também de dois modos: O primeiro é quando me encontrando em mim mesma, recolhida, no interior do coração, sem articulação de voz ou sons ao ouvido do corpo, Jesus internamente fala. O segundo é como nós fazemos, e isso acontece às vezes, mesmo estando distraída ou falando com outras pessoas. Mas uma só destas palavras basta para me recolher se estou distraída, ou para dar-me a paz se estou turbada, para me consolar se estou afligida.

 

2-24

Maio 19, 1899

A humildade dá a certeza dos favores celestiais.

(1) Esta manhã tive receio de que não fosse Jesus, mas o demónio que me queria enganar. Então Jesus veio e, vendo-me com este temor, disse-me:

(2) "A humildade é a certeza dos favores celestiais. A humildade veste a alma de tal segurança, que as astúcias do inimigo não penetram dentro. A humildade põe a salvo todas as graças celestiais, tanto, que onde vejo a humildade faço correr abundantemente qualquer tipo de favores celestiais. Por isso não queira preocupar-se por isto, senão com olho simples olhe sempre em seu interior se está investida pela bela humildade, e de todo o resto não se preocupe".

(3) Depois fez-me ver muitas pessoas religiosas, e entre elas, sacerdotes, também de santa vida, mas por quanto bons fossem, não havia neles esse espírito de simplicidade para crer nas tantas graças e nos tantos diversos modos que o Senhor tem com as almas. E Jesus me disse:

(4) "Eu me comunico aos humildes e aos simples porque logo crêem em minhas graças e as têm em grande estima, ainda que sejam ignorantes e pobres; mas com estes outros que você vê Eu sou muito relutante, porque o primeiro passo que aproxima a alma a Mim é o crer; então acontece que estes, com toda a sua ciência, doutrina e até santidade, nunca provam um raio de luz celestial, isto é, caminham pelo caminho natural e jamais chegam a tocar nem sequer por um momento o que é sobrenatural. Esta é também a causa de por que no curso de minha vida mortal não houve nem sequer um douto, um sacerdote, um poderoso em meu seguimento, senão todos ignorantes e de baixa condição, porque quanto mais humildes e simples, são também mais fáceis a fazer grandes sacrifícios por Mim".

3-22

Dezembro 30, 1899

Efeitos da humilhação e da mortificação.

(1) Esta manhã assim que vi o meu adorável Jesus, e como a obediência me tinha dito que rezasse por uma pessoa, por isso assim que Jesus veio, confiei-lhe, e Ele disse-me:

(2) "A humilhação não só deve ser aceita, mas também amá-la, tanto como para mastigá-la como um alimento, e como quando um alimento é amargo, quanto mais se mastiga tanto mais se sente a amargura, assim a humilhação bem mastigada faz nascer a mortificação, e estes são dois meios potentíssimos, isto é, a humilhação e a mortificação, para superar certos obstáculos e obter as graças que são necessárias. E enquanto parecem daninhos à natureza humana, como o alimento amargo parece querer causar mais mal que bem, assim a humilhação e a mortificação, mas não. Quando o ferro é mais atingido sobre a bigorna, tanto mais lança faíscas de fogo e fica puro, assim a alma, quanto mais é humilhada e golpeada sob a bigorna da mortificação, tanto mais lança faíscas de fogo celestial, e fica purgada se verdadeiramente quer caminhar a via do bem; mas se é falsa acontece todo o contrário".

4-24

Outubro 23, 1900

O verdadeiro amor nunca está sozinho.

(1) Esta manhã, tendo recebido a comunhão, meu adorável Jesus me fazia ver o confessor que punha a intenção de me fazer sofrer a crucificação; minha pobre natureza sentia repugnância, não porque não quisesse sofrer, senão por outras razões que não é necessário descrevê-las aqui, Mas Jesus, como lamentando-se de mim dizia ao pai:

(2) "Não quer submeter-se".

(3) Eu me enterneci ante o lamento, o padre renovou a ordem e me submeti. Depois de ter sofrido um pouco, como via o pai presente, o Senhor disse:

(4) "Amada minha, eis o símbolo da Santíssima Trindade: Eu, o Pai e tu. Meu amor desde "ab eterno" jamais esteve sozinho, senão sempre unido em perfeita e recíproca união com As Divinas Pessoas, porque o verdadeiro amor jamais está sozinho, senão que produz outros amores e goza o ser amado pelos amores que ele mesmo produziu, e se está só, ou não é da natureza do amor divino, ou bem está só aparentemente. Se soubesses quanto me agrado e me agrada poder continuar nas criaturas aquele amor que desde "ab eterno" reinava e reina ainda agora na Santíssima Trindade. Eis por que digo que quero o consentimento da intenção do confessor unido comigo, para poder continuar mais perfeitamente este amor que simboliza a Trindade Sacrossanta".

5-23 Outubro

18, 1903

O pecado é um ato oposto da vontade humana à Divina. O verdadeiro amor é viver na vontade do amado.

(1) Continuando o meu habitual estado, por breves instantes vi o meu adorável Jesus, e disse-me:

(2) "Minha filha, sabes tu que coisa forma o pecado? Um ato oposto da vontade humana à Divina. Imagine dois amigos que estão em contradição, se a coisa é leve você diz que não é perfeita e leal sua amizade, embora fossem coisas pequenas; como amar-se e contradizer-se? O verdadeiro amor é viver na vontade do outro, inclusive à custa de sacrifício; mas se a coisa é grave, não só não são amigos, mas ferozes inimigos. Tal é o pecado. Opor-se ao Querer Divino é o mesmo que fazer-se inimigo de Deus, ainda que seja em coisas pequenas, é sempre a criatura que se põe em contradição com o Criador".

6-25

Março 12, 1904

Ameaça de guerras. Toda a Europa está sobre os ombros de Luisa.

(1) Estando doente Luisa, ordenei-lhe que ela ditasse, e não podendo desobedecer tem ditado quanto segue, com grande repugnância.

(2) Tendo-me lamentado com nosso Senhor de que sentindo-me sofredora, no entanto não me levava ao Céu, o bendito Jesus me disse:

(3) "Minha filha, ânimo no sofrimento, não quero que te abatas por não te ver ainda levada ao Céu. Saiba que toda a Europa está sobre os seus ombros, e o sucesso bom ou mau para a Europa depende do seu sofrimento. Se você é forte e constante no sofrimento, as coisas serão mais suportáveis; se você não é forte e constante no sofrer, ou bem Eu te levo ao Céu, serão tão graves que estará a ameaça de ser invadida e governada pelos estrangeiros".

(4) E mais, acrescentou que: "Se você permanecer na terra e sofrer muito com desejo e constância, tudo o que acontecerá de castigos na Europa servirá para que venha o triunfo da Igreja. E se, apesar de tudo isto, a Europa não o aproveitar e permanecer obstinada no pecado, os seus sofrimentos servirão de preparativo para a sua morte, sem que a Europa o aproveite". Sac. Gennaro Di Gennaro.

7-24

Junho 24, 1906

Continua suspirando o Céu.

(1) Dizendo ao confessor o que disse acima, ficou inquieto porque queria, absolutamente, que eu me opusesse ao Senhor, que a obediência não queria; porque eu me sentia mais mal, o pensamento de tantas privações do bendito Jesus que me tinham queimado tanto e voltado a queimar ao vivo, fazia-me ansiar pelo Céu. Minha pobre humanidade a sentia viva e ia resmungando contra a obediência. A minha pobre alma sentia-me como se estivesse sob uma prensa e não sabia o que decidir. Enquanto estava nisto veio Nosso Senhor com um arco de luz entre suas mãos, e saiu uma foice também de luz e tocava o arco que Jesus tinha entre suas mãos, e o arco tocado ficou absorvido em Cristo, e desapareceu sem me dar tempo de dizer o que a obediência queria. Eu compreendia que o arco era minha alma e a foice a morte.

8-22

Fevereiro 6, 1908

Sinais para saber se a alma está em Graça.

(1) Encontrando-me no meu estado habitual, assim que veio o bendito Jesus me disse:

(2) "Minha filha, para saber se a alma está na minha Graça, o sinal é que quando se comunica minha Graça, a alma se encontra pronta para seguir o que a Graça quer, de modo que a Graça que estava antes no interior e a que se comunica depois, se dão a mão reciprocamente e unidas com a vontade da alma se colocam em atitude de agir. Mas se não se encontra pronta e disposta, há muito que duvidar. A Graça é simbolizada pela corrente elétrica, que acende apenas aquelas coisas em que se fizeram os preparativos para receber a corrente elétrica, mas onde não há esses preparativos, ou então se rompeu algum fio ou consumido, apesar de estar a corrente, a luz não pode se comunicar".

(3) E desapareceu

9-24

Novembro 20, 1909

Ótica humana e óptica divina da cruz.

(1) Estando em meu habitual estado, assim que veio meu doce Jesus me disse:

(2) "Minha filha, quem toma a cruz sob a ótica humana a encontra enlameada, e portanto mais pesada e amarga; ao contrário, quem toma a cruz segundo a ótica divina a encontra cheia de luz, ligeira e doce, porque a ótica humana está privada de graça, de força e de luz, e por isso sente a arrogância de dizer: Por que aquele me fez esta ofensa? Por que este me deu este desgosto, esta calúnia? E a alma se enche de indignação, de ira, de vingança, e a cruz fica enlameada, obscurecida, e torna-se pesada e amarga. Ao contrário, a ótica divina está cheia de graça, de força e de luz, e por isso não se sente a ousadia de dizer: "Senhor, por que me fizeste isto?" Antes humilha-se, resigna-se, e a cruz torna-se leve e leva-lhe luz e doçura".

10-22

Maio 24, 1911

O que Deus é por natureza, a alma é por graça.

(1) Estava pensando na incompreensível grandeza e sabedoria divina, que ao nos dar seus bens Ele não diminui em nada, mas parece que Ele ao dar adquire a glória que lhe dá a criatura por ter recebido os bens do Senhor. E o bendito Jesus ao vir me disse:

(2) "Minha filha, também tu possuis este dote, não no corpo, mas na alma, comunicada a ti pela minha bondade; com efeito, procurando infundir nas almas o bem, a virtude, o amor, a paciência, a doçura, tu não diminuis no mais mínimo, antes com infundi-los nos outros, se você vê que eles aproveitam, você desfruta por isso uma complacência maior. Então, o que tu és por graça na alma, Eu o sou por natureza, e não só dos bens de virtude, mas de todos os bens possíveis, naturais, espirituais e de qualquer gênero".

11-23

Junho 9,1912

Para a alma que faz a Divina Vontade e vive do Querer Divino não há mortes.

(1) Sentindo-me um pouco sofredor estava dizendo a meu sempre amável Jesus: "Quando me levarás Contigo?¡ Ah, logo Jesus, faça que a morte me tire esta vida e me reúna Contigo no Céu!"

(2) E Jesus: "Minha filha, para a alma que faz minha Vontade e vive em meu Querer não há nem existem mortes. A morte está para quem não faz a minha vontade, porque deve morrer a tantas coisas: a si mesmo, às paixões, à terra; mas quem faz a minha vontade não tem a que coisa morrer, já está habituado a viver do Céu, não é outra coisa que deixar seus trapos, como um que deixasse os vestidos de pobre para vestir-se com as vestes de rei para deixar o exílio e chegar à pátria, porque a alma que faz minha Vontade não está sujeita à morte, não tem juízo, sua vida é eterna, O que a morte devia fazer, o amor o fez antecipadamente, e o meu Querer reordenou tudo em Mim, de maneira que não tenho do que julgá-la. Por isso esteja em minha Vontade, e quando menos pensar te encontrarás em minha Vontade no Céu".


MEDITAÇÃO

O nascimento de João Batista

“Os tesouros de Deus estão abertos para aqueles que acreditam nEle e em sua bondade ilimitada” .-

■ María e Isabel conversam.

Isabel diz: “Maria, eu tenho fé. Mas se eu morrer … não deixe Zacarias imediatamente. Sei que você pensa em sua casa, mas fique um pouco para ajudar meu marido nos primeiros dias de dor.

Virgem: “Eu ficarei, para me parabenizar pela sua alegria e a dele. Vou embora quando você se sentir forte e aliviada. Fique calma, Isabel. Tudo sairá bem. Em sua casa não faltará nada enquanto durar sua dor. Zacarías será cuidado pelo servo mais amoroso, e suas flores e suas pombas receberão o cuidado que lhes dispensou, e você encontrará ao mesmo tempo animadas e
belas para recebê-la com ternura, sua patroa, quando retornar. Vamos para casa agora, porque vejo que você está mais pálida … ”.

Isabel: “Sim, parece-me que volto a sentir dores. Talvez tenha chegado a hora. Maria reza por mim ”. Virgem: “Vou ajudá-la com minhas orações até que seu transe se transforme em alegria.”

■ E as duas mulheres entram na casa lentamente. Isabel vai para seus aposentos. Maria, hábil e clarividente, dá ordens e prepara tudo o que for necessário. Conforta Zacarías que está muito preocupado. Na casa que esta noite desperta e onde se ouvem estranhas vozes de mulheres chamadas a ajudar, Maria permanece vigilante como um farol numa noite de tempestade. A casa toda gira em
torno da Maria, que, doce e sorridente, tudo cuida; e ora. Quando ela não é chamado para algo, se retira para orar. É na sala onde costumam se reunir para refeições e trabalho. Com Ela está Zacarías, que anda preocupado. Eles oraram juntos. Maria continua orando. E agora que o velho cansado se sentou em uma poltrona perto da mesa, e o sono continua, Ela ainda ora. Ora mais intensamente, de joelhos, com os braços levantados, quando os gritos da parturiente forem mais altos. Sara entra e acena para ela. Maria vai descalça para o jardim.

Sara diz: “A senhoria liga para ela”.

Virgem: “Estou indo”, e ela vai para fora da casa, sobe as escadas … ela parece um anjo branco vagando em uma noite tranquila cheia de estrelas.

■ Entra onde está Isabel, que exclama: “Oh, Maria! Quanta dor! Não aguento mais, Maria. Quanta dor você tem que suportar para ser mãe!

Maria a acaricia com amor e a beija. “Maria, Maria! Deixa eu colocar as mãos na sua barriga! ”. Maria pega aquelas duas mãos ásperas e inchadas, coloca-as na barriga já ligeiramente saliente e segura-as com força com as suas mãozinhas macias e graciosas.

E agora, que as duas estão sozinhas, Maria fala baixinho e diz:

“Aqui está Jesus, ouvindo você e vendo você. Confie, Isabel. Seu santo coração bate mais forte porque agora Ele está intervindo em seu nome. Sinto que lateja como se estivesse em minhas mãos. Eu entendo as palavras que meu filho me diz com as batidas do coração. Agora ele está me dizendo:

“Diga à mulher para não ter medo. Um pouco mais de dor, e então, quando o sol nascer, entre as rosas que esperam aquele raio da manhã para se abrir, sua casa terá a rosa mais bonita, e será João, meu Precursor ”.

Isabel também pousa o rosto no ventre de Maria e chora silenciosamente. Maria fica assim por um tempo, porque parece que a dor de Isabel está diminuindo. Ela diz a todos para ficarem calmos. Ela permanece branca e bela sob a luz fraca de uma lamparina a óleo, como um anjo perto de alguém que está sofrendo. Ora. Eu a vejo mover seus lábios, mas mesmo que eu não os veja, eu entenderia que ora por causa da expressão de êxtase em seu rosto. O tempo passa. A dor volta para agarrar Isabel.

■ Maria a beija novamente e vai embora. Ela desce rapidamente ao luar e corre para ver se Zacarías
ainda dorme. Sim, ele ainda dorme, mas em seu sonho ele geme. Maria sente compaixão por ele. Ora novamente. E quando Zacarías acorda, tonto, Maria o pega pela mão e o encoraja.

“Quando amanhecer, em breve, a criança vai nascer. Tudo sairá bem”.

Zacarías balança a cabeça tristemente, aponta para a sua boca muda. Eu gostaria de dizer muitas coisas, mas não posso. Maria percebe isso e diz:

“O Senhor tornará a sua alegria perfeita. Coloque toda a sua confiança nele. Espere de todo o coração. Ame com toda a sua alma. O Altíssimo vai ouvi-lo, mais do que você poderia esperar. Ele quer essa sua fé, total, como uma purificação de sua desconfiança do passado. Diga em seu coração comigo: «Eu acredito». Diga isso a cada batida. Os tesouros de Deus estão abertos a quem crê n’Ele e na sua bondade sem limites ”.

■ A luz começa a penetrar pela porta entreaberta. Maria abre. O amanhecer tornou a terra encharcada de orvalho toda branca. Há um cheiro forte de terra úmida, de grama verde, e se ouvem os primeiros pios dos pássaros que são chamados de galho em galho. Zacarías e María saem pela porta. Eles estão pálidos da noite em que acordaram e a luz do amanhecer os torna ainda mais pálidos. Maria calça as sandálias e vai até o pé da escada, escutando para ver se escuta alguma coisa. Nada aconteceu. Maria vai para um quarto e volta com leite quente. Ela dá para Zacarias beber. Em seguida, vai até os pombos, volta e entra na mesma sala. Talvez seja a cozinha. Inspeciona tudo. Ela parece tão ágil e serena que parece que dormiu o melhor dos sonhos. Zacarías anda nervosamente de um lado para o outro no jardim enquanto Maria olha para ele com pena. Em seguida, ela entra novamente na mesma sala e, ajoelhada ao lado de seu tear, ora intensamente, pois os gritos da parturiente são mais altos. Ela se abaixa para implorar ao Eterno. Zacarías volta, entra e assim a vê prostrada; o pobre velho chora. Maria se levanta e o pega pela mão. Ela é muito mais jovem que ele, mas parece ser a mãe daquele homem desolado e derrama seus consolos sobre ele.

■ Ficam assim, lado a lado, sob este sol que pinta o ar da manhã com cores. Assim, o anúncio
feliz chega aos seus ouvidos:

“Ele já nasceu! Já nasceu! É um menino! Oh feliz pai! Um garotinho como uma rosa, bonito como um sol, forte e saudável como sua mãe. Alegra-te pai a quem o Senhor abençoou, para que possas oferecer-lhe um filho no seu templo. Glória a Deus que concedeu um herdeiro a esta casa! Bênção para você e para o filho que nasceu! Que os seus descendentes perpetuem o teu nome para todo o sempre, por todas as gerações, e sejam sempre fiéis ao convênio do Senhor Eterno ”.

■ Maria, chorando de alegria, bendiz ao Senhor. Então os dois acolhem o menino, que foi trazido ao pai para abençoá-lo. Zacarías não vai aonde Isabel está; pega o menino que grita com todos os seus pequenos pulmões. Mas ele não vai onde sua esposa está. María vai, carregando com amor o menino, que ficou calado enquanto María o tomou nos braços.

A comadre que vai atrás dela percebe esse fato.
“Mulher”, diz ela a Isabel, “o teu filho calou-se assim que Maria o pegou. Veja como ele dorme tranquilo; e Deus sabe como ele é inquieto e forte! Olha, agora parece um pichoncito! ”. Maria coloca o menino ao lado da mãe e acaricia Isabel, arrumando os cabelos grisalhos, e diz em voz baixa:

A rosa nasce e você vive. Zacarias é feliz ”.

Isabel pergunta: “Ele fala?”

Virgem: “Ainda não. Mas confie no Senhor. Descanse agora. Eu estou contigo”.

(Escrito em 3 de abril de 1944).

 Todo o sofrimento se acalma para quem pousa a cabeça no colo de Maria.

“Só eu, sem mácula e sem união conjugal, estava livre de dar à luz com dor. Tristeza e dor são
frutos da culpa. Eu, que era a Irrepreensível, também tinha que conhecer a dor e a tristeza porque era
a Corredentora ”.

■ A Virgem Maria diz:

“Se a minha presença santificou o Batista, não cancelou a condenação de Isabel por Eva: “Você dará à luz seus filhos com dor.” Só eu, sem mancha e sem união conjugal, estava livre de dar à luz com dor. Tristeza e dor são frutos da culpa. Eu, que era a Irrepreensível, tinha que conhecer também a dor e a tristeza, porque fui Corredentora. Mas não senti a dor do parto. Não. Este sofrimento eu não experimentei. E, no entanto, acredite em mim, filha, não houve e não haverá uma dor de parto semelhante a minha de Mártir de uma Maternidade espiritual realizada no leito mais duro: o meu na cruz, ao pé da forca do Filho que estava morrendo. E que mãe há que é obrigada a dar à luz assim? Que mãe há que se vê obrigada a misturar a tortura de rasgar as entranhas, que se partem do estertor da morte do Filho moribundo, com a tortura de sentir as entranhas se retorcerem enquanto tem que superar o horror de ter que dizer: «Eu te amo. Vinde a Mim que sou tua Mãe » aos algozes daquele Filho nascido do amor mais sublime que o Céu jamais viu, o amor de Deus com uma Virgem, o beijo do Fogo, o abraço da Luz que se fez Carne e o do ventre de uma mulher feita o Tabernáculo de Deus? Isabel disse: “Quanta dor ser mãe!” Muita. Mas nada em relação à minha”.
” Eu sou a eterna Portadora de Jesus … A bem-aventurança de estar no Céu não apaga a memória de
meus filhos que sofrem na Terra. Todo o céu reza para que o céu O amor é“.-

■ Virgem: “Ele também disse:” Deixe-me colocar minhas mãos em seu peito! ” Oh, se em seus
sofrimentos você sempre me pedisse isso. Eu sou o eterno Portador de Jesus. Está no meu seio, como o senhor o viu ano passado, como uma Hóstia na Custódia. Quem vem a mim o encontra. Quem se apoia em mim, o toca. Quem se volta para mim fala com Ele. Eu sou Seu vestido. Ele é minha alma. Muito mais unido agora do que quando ele esteve dentro de mim por nove meses. Quem quer que venha até mim e descanse a cabeça no meu colo, toda dor fica entorpecida, toda esperança floresce e todos os tipos de graças fluem. Eu rezo por você. Lembre se.

■ A felicidade de estar no Céu, vivendo nos raios de luz de Deus, não apaga a memória de meus filhos que sofrem na Terra. Todo o Céu ora, porque o Céu ama. O céu é a caridade que vive, e a caridade tem piedade de você. Mesmo que fosse só eu, seria, minha, oração suficiente em favor das necessidades daqueles que esperam em Deus. Porque eu nunca paro de orar por todos vocês; santos e iníquos, para dar alegria aos santos e aos iníquos o arrependimento que salva.
Venham, venham, filhos da minha dor. Espero ao pé da cruz para distribuir graças a você ”.

(Escrito em 3 de abril de 1944).


MEDITAÇÃO

CAPITULO 18

PROSSEGUE O MISTÉRIO DA CONCEIÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA COM A SEGUNDA PARTE DO CAPÍTULO 21 DO APOCALIPSE.

 

Maria, refúgio dos homens

  1. Sem revelar à alma de Maria Santíssima tudo quanto este decreto ou promessa continha, mandou-lhe o Senhor, naquele primeiro instante, que orasse afetuosamente por todas as almas. Que solicitasse sua eterna salvação, especialmente daqueles que durante a vida a Ela recorressem. Concedeu-lhe a Santíssima Trindade que naquele justíssimo tribunal, nada lhe seria negado. Mandou-lhe que subjugasse o demônio e, com o império e virtude que lhe comunicaria o braço do Onipotente, o afastasse das almas. Mas não lhe deu a entender que seria Mãe do Verbo, razão de lhe ser concedido este favor e os demais nele compreendidos. Ao dizer S. João que a cidade tinha um grande e alto muro, entendeu este benefício feito por Deus à sua Mãe, constituindo-a sagrado refúgio, amparo e defesa de todos os homens. Nela tudo encontrariam, como cidade fortificada e segura muralha contra os inimigos. Poderosa Rainha e Senhora da criação, dispenseira dos tesouros do céu e da graça, a Ela recorreriam todos os filhos de Adão. Disse ainda, que era muito alto este muro, porque o poder de Maria puríssima para vencer o demônio e elevar as almas à graça é o mais próximo do poder de Deus. Tão guarnecida e segura é esta cidade, para si e para os que nela procuram proteção que, fora de Deus, todas as forças criadas não poderiam tomá-la, nem sequer escalar os seus muros.

Os doze anjos, ministros de Maria

  1. 0 muro da cidade santa tinha doze portas (v. 12). Além de sua entrada ser franca para todos os povos e gerações, sem excluir nenhum, todos são convidados a entrar. Ninguém, se o quiser, fica privado da graça, dons e glórias que o Altíssimo lhes quer conceder, por meio desta Rainha e Mãe de misericórdia. E nas doze portas, doze anjos. Estes doze príncipes são os que acima citei e faziam parte dos mil designados para a guarda da Mãe do Verbo encarnado. Além de assistirem à Rainha, o ministério destes doze anjos foi servi-la, particularmente, em inspirar e defender as almas que devotamente a chamarem em seu socorro e se distinguirem em sua veneração e amor. Por isto, diz o Evangelista que os viu nas portas desta cidade, ministros e agentes que auxiliam, inspiram e convidam os mortais a entrarem na eterna felicidade pelas portas da piedade de Maria Santíssima. Muitas vezes Ela os envia, com inspirações e graças, para livrar de perigos corporais ou espirituais aos devotos que a invocam. Os doze anjos, protetores dos devotos de Maria.
  2. Tinham uns nomes inscritos que são as doze tribos dos filhos de Israel. Recebem os santos anjos nomes relativos ao ofício e ministério para os quais são enviados ao mundo. Estes doze príncipes assistiam à Rainha do céu, particularmente, na salvação dos homens. Como todos os escolhidos são figurados pelas doze tribos de Israel. Por esta razão, diz o Evangelista, aqueles anjos traziam os nomes das doze tribos, como se fosse um anjo para cada tribo. Guardariam e protegeriam os que, em todos os tempos e nações, entrariam na celeste Jerusalém por estas portas da intercessão de Maria Santíssima.

Maria co-redentora e dispenseira das graças

  1. Admirando-me desta grandeza de Maria puríssima e de que Ela fosse medianeira e porta para todos os predestinados, foi-me dado a entender que este privilégio corresponde ao seu ofício de Mãe de Cristo e dos homens. Pelo fato de haver dado com seu puríssimo sangue e substância, corpo humano no qual seu Filho Santíssimo sofresse e redimisse os homens, de certo modo ela morreu e padeceu em Cristo, em consequência dessa identificação de carne e sangue. Além disso, acompanhou-o em sua paixão e morte e, com divina humildade e fortaleza, a quis sofrer no modo que lhe foi possível. Assim como cooperou na paixão e deu a seu Filho com que padecer pelo  gênero humano, também o Senhor a fez participante da dignidade de Redentora e entregou-lhe os méritos e frutos da Redenção, para deles ser a única dispensadora aos redimidos. Oh! admirável tesoureira e depositária de Deus! Que seguras estão em tuas divinas e liberais mãos, as riquezas da destra do Onipotente! "Tinha esta cidade três portas ao oriente, três portas ao setentrião, três portas ao meio-dia e três portas ao ocidente " (v. 13). Três portas para cada parte do mundo. Por estas três portas, introduz os mortais para receberem tudo quanto o céu e a terra possuem: Aquele que deu ser a tudo o que existe, as três divinas pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo. Cada uma delas deseja que Maria solicite, livremente, os tesouros divinos para os mortais. Ainda que seja um só Deus, cada uma das pessoas dá entrada franca a esta puríssima Rainha. No tribunal do Ser imutável da Santíssima Trindade, lhe é concedido interceder, pedir, e tirar tesouros para dá-los aos devotos de todo o mundo que a invocam. Nenhum dos mortais de qualquer lugar, tempo e nação em toda a terra, tem desculpa de não entrar, pois em todas as direções há, não uma, e sim três portas. Se entrar numa cidade por uma porta aberta e franca é tão fácil, quem não entra, não é por falta de porta, mas porque não quer entrar nem se pôr a salvo. Que dirão aqui os infiéis, hereges e pagãos? Que dirão os maus cristãos e obstinados pecadores? Se os tesouros do céu estão nas mãos de nossa Mãe e Senhora, se Ela nos chama e solicita por meio de seus anjos, se é porta e muitas portas do céu, como são tantos os que ficam de fora e tão poucos os que por elas entram?

Maria, sustentáculo da Igreja

  1. E o muro desta cidade tinha doze fundamentos e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro" (v. 14). Os inabaláveis e sólidos fundamentos sobre os quais Deus edificou a cidade santa de Maria sua Mãe, foram todas as virtudes sob especial direção do Espírito Santo. O número doze com os doze nomes dos apóstolos, significa que foi fundada sobre a mais alta santidade, que vem a ser a dos apóstolos, os maiores entre todos os santos. Assim diz Davi (SI 86, 2) que os fundamentos da cidade de Deus foram postos sobre os montes santos. Outra razão é porque a santidade de Maria e sua sabedoria foi o apoio e segurança dos apóstolos, depois da morte de Cristo e sua subida ao céu. Sempre fôra sua Mestra e modelo, mas naquela ocasião, Ela só foi o maior sustentáculo da primitiva Igreja. Por haver sido destinada para este ministério com as devidas graças e virtudes, desde sua imaculada conceição, por isto diz a Escritura que seus fundamentos eram doze.

A grandeza de Maria foi medida pela de Cristo

  1. E aquele que falava comigo tinha uma medida de cana de ouro, e mediu a cidade com esta cana até doze mil estádios (v. 15,16,17). Nesta medida encerrou o Evangelista grandes mistérios sobre a dignidade, graças, dons e méritos da Mãe de Deus. Ainda que a mediram com grande medida, na dignidade e benefícios que o Altíssimo lhe concedeu; a medida ajustou-se perfeitamente ao que era medido. O comprimento foi igual à largura, sem que Nela houvesse falta, excesso ou desproporção; foi igual e proporcional em todos os lados. Nisto não me detenho agora, remetendo-me ao que direi em todo o decurso da história de sua vida. Somente advirto que esta dimensão pela qual se calculou a dignidade, méritos e graça de Mari a Santíssima foi a humanidade de seu Filho unida ao Verbo divino.

Proporção entre Cristo e Maria

  1. A medida era uma cana. símbolo da fragilidade da natureza humana, e de ouro, figura da divindade do Verbo. A dignidade de Cristo, Deus e homem verdadeiro, os dons da natureza humana unida à divina pessoa com os merecimentos que adquiriu, foram o padrão empregado pelo Senhor para dotar sua Mãe Santíssima. Foi Ele quem a mediu consigo mesmo, e ao ser assim medida, Ela pareceu ficar igual, na proporção e altura de sua dignidade de Mãe. Na longitude de seus dons e graças, e na latitude de seus méritos foi igual, sem falta nem desproporção. É verdade que não pôde medir-se com seu Filho Santíssimo, com igualdade absoluta e matemática. Cristo, Senhor nosso, era homem e Deus verdadeiro, enquanto Ela era pura criatura, pelo que, a medida a excedia infinitamente. Todavia, Maria Santíssima teve certa igualdade de proporção com seu Filho. Assim como a Ele nada faltou do que lhe competia como Filho verdadeiro de Deus, assim a Ela nada faltou, do que lhe era devido como a Mãe verdadeira do mesmo Deus. Deste modo, Ela como Mãe, e Cristo como Filho, tiveram igual proporção na dignidade, graças, dons e merecimentos. Nenhuma graça criada teve Cristo, que também não estivesse, na devida proporção, em sua Mãe puríssima.

A medida dos predestinados

  1. Mediu a cidade com a cana até doze mil estádios (v. 16)" Esta medida de estádios com a uai foi medida Maria puríssima em sua conceição, e o número de doze mil encerram altíssimos mistérios. 0 Evangelista chamou estádios, a medida perfeita com que se mede a alteza da santidade dos predestinados. Esta grandeza depende dos dons de graça e glória que Deus, em sua mente e eterno decreto, dispôs comunicar-lhes por meio de seu Filho humanado. Tudo foi contado e determinado pela sua infinita equidade e misericórdia. Por estes estádios são medidos todos os escolhidos, suas virtudes e méritos. Infelicíssimo aquele que não chegar a atingir esta medida, nem se ajustar com ela, quando o Senhor o medir! O número doze mil inclui todos os predestinados e escolhidos. Estão reunidos sob as doze cabeças destes milhares, os doze apóstolos, príncipes da Igreja Católica, assim como no capítulo VII do Apocalipse (v. 4) estão simbolizados pelas doze tribos de Israel. Todos os eleitos deveriam abraçar a doutrina que os apóstolos do Cordeiro ensinaram, como acima também disse na explicação deste capítulo.

Maria ultrapassa toda a criação reunida

  1. De tudo isto se deduz a grandeza desta cidade de Deus, Maria Santíssima. Se a cada estádio damos pelo menos 125 passos, imensa pareceria uma cidade que tivesse doze mil estádios Ao ser medida Maria, Senhora nossa, pelos estádios com que Deus mede aos predestinados, da altura, comprimento e largura, de todos reunidos nada sobrou. A todos juntos igualou quem era Mãe do mesmo Deus, Rainha e Senhora de todos, e só nela pôde caber mais do que no resto de toda a criação.

Firmeza das virtudes de Maria

  1. "Mediu seu muro até cento e quarenta e quatro côvados com medida de homem que é de anjo" (v. 17). Esta dimensão do muro da cidade de Deus, não foi do comprimento mas da altura. Sendo os estádios do quadrilátero da cidade doze mil por doze mil, iguais em todos os lados, era forçoso que o muro fosse um pouco maior, principalmente na superfície externa, para poder encerrar dentro de si toda a cidade. Enquanto a medida de cento e quarenta e quatro covados quaisquer que fossem, seria pequena para muros de tão extensa cidade, era bastante proporcionada para a altura destes muros que constituíam segura defesa para quem lá habitasse. Esta altura representa a segurança que em Maria Santíssima encontram todos os dons e graças, tanto os de santidade como os de dignidade, nela depositados pelo Altíssimo. Para dar a entendê-lo, diz que a altura era de cento e quarenta e quatro côvados, número divisível, compreendendo três muros: grande, médio e pequeno, correspondentes às ações da Rainha em matéria maior, mediana e menor. Não que nela houvesse coisa pequena, mas porque sendo atos de matérias diferentes, também sua importância o era. Uns atos eram milagrosos e sobrenaturais, outros eram de virtudes teologais, quer interiores, quer exteriores. A todas as ações deu tanta plenitude de perfeição que, nem pelas grandes deixou as pequenas de obrigação, nem por estas faltou às superiores. Realizou-as com tão suprema santidade e agrado do Senhor, que se elevou à medida de seu Filho santíssimo, assim nos dons naturais como nos sobrenaturais. Esta foi a medida do homem-Deus, o Anjo do grande conselho, superior a todos os homens e anjos, excedidos, na devida proporção, por Mãe e Filho. Prossegue o Evangelista:

A humildade velava a grandeza de Maria

  1. "E o muro era construído de pedra de jaspe'* (v. 18). Os muros de uma cidade são os primeiros a serem vistos por quem a vê. A variedade dos reflexos, cores e sombras que contém o jaspe, material dos muros desta cidade de Deus, Maria Santíssima, significa a inefável humildade que acompanhava e encobria todas as graças e excelências desta grande Rainha. Sendo digna Mãe de seu Criador, isenta de toda mácula de pecado e imperfeição, apareceu aos homens sob a sombra da lei comum dos demais filhos de Adão, sujeita às exigências e penalidades da vida natural, como em seus lugares direi. Contudo, este jaspe e estas sombras, reais nas outras mulheres, Nela eram apenas aparentes e serviam à cidade de inexpugnável defesa. Por dentro era de puríssimo ouro, semelhante a um vidro limpidíssimo. Isto exprime que tanto na formação de Maria Santíssima, como depois no decurso de sua vida inocentíssima, jamais houve mácula (Ct 4,7) que obscurecesse sua cristalina pureza. A mancha ou sombra, ainda que seja de um átomo, que caísse no vidro ao ser fabricado, nunca mais desapareceria. Seria sempre uma sombra em sua transparência, claridade e pureza. Da mesma forma, se Maria Santíssima em sua conceição houvera contraído a mancha ou sombra do pecado original, este sempre seria notado, e com esse defeito não poderia ser vidro puro e limpidíssimo. Tampouco seria ouro puro, pois sua santidade teria tido a liga do pecado original a diminuir seus quilates. Pelo contrário, foi de ouro e vidro esta cidade, porque puríssima e semelhante à Divindade.
  2. MEDITAÇÃO

    ENCONTRARAM UM VIL TUGÚRIO

    Havendo rodado muita, pois, para encontrar algum asilo, por fim encontramos um lugar muito vil. Ali ninguém havia habitado por ser tão mal acondicionado e incapaz de dar conforto a quem quisesse lá estar com as comodidades indispensáveis. Esta foi, portanto, esposa minha, a habitação que tive naquele pais, e ainda a muita custo. Ali entramos e como se fosse um palácio fornecido de todo o conforto, demos graças ao Pai. Tanto eu como a dileta Mão e o Fidelíssimo José, com lágrimas de júbilo, prostrados por terra, demos louvores e ações de graças ao Pai, porque se dignava daquela maneira rea­lizar o desejo de meu Coração, corno também o da minha Mãe e de José. embora eles sentissem algum pesar, por temor de ver a minha pessoa em tantos padecimentos. Mas eu. que desejava sofrer de todas os modos, em pobreza, em abjeção, e falta do necessário, muito me regozijava por estar reduzido assim, e embora experimentasse alguma amargura por minha di­leta Mãe a por José. alegrava-me contudo pela mérito grande que con­quistavam, vendo-os tão resignados às disposições de meu Pai e seguirem com tanta prontidão a sua vontade. Tendo louvado e agradecido ao Pai por aquele pequeno asilo com o qual se dignara prover-me, agradeci-lhe também por parte de meus irmãos que se achavam aro semelhantes ocor­rências e, vendo-se consolados e providos pela liberalidade de meu dileto Pai, não se recordam de usar para com Ele ato algum de gratidão, dando-lhe graças. Ofereci-lhe ainda o ato tão heroico que havia praticado, porque sendo verdadeiro Filho de Deus e por isso absoluto Senhor do universo, contentei-me com habitação tão vil e pobre. E pedi-lhe se dignasse rece­ber tal ato em suplência por aqueles que não se contentam jamais, e como se fossem donos de toda a criação, tudo querem para seu serviço e como­didade, sem aceitarem sofrer o que significa pobreza e falta do supérfluo. Vendo que disto era atacada a maior parte de meus irmãos com solicitude maior duplicava as ofertas ao Pai, e cada vez mais me mostrava contente e feliz com aquela grande pobreza. humilhação e abjeção, a fim de que o Pai ficasse satisfeito, como deveras ficava com amor inefável contemplava minha humanidade no meio de tantas tribulações, e vendo-a contente e conformada com a sua vontade, muito se alegrava e nisto se comprazia. Rendidas as devidas graças e feitos alguns atos de adoração ao Pai dileto. Unidos aos de minha Mãe e de José estávamos muito alegres. achando-nos em tamanha pobreza e carentes, de fato, de qualquer socorro humano.

    Tomo 2 Vida Intima de Ns Senhor Jesus Cristo_105 a 110


    MEDITAÇÃO 1
    12-23

    Outubro 20, 1917

    Como a alma pode fazer-se hóstia por amor de Jesus.

    (1) Tendo recebido a meu Jesus, estava pensando como poderia devolver amor por amor, e me era impossível o poder restringir-me, diminuir-me, como faz Jesus na hóstia por amor meu; isto não está em meu poder, como está no de Jesus. E meu amado Jesus me disse:

    (2) "Minha filha, se não podes restringir-te toda tu dentro do breve giro de uma hóstia por amor meu, podes muito bem restringir-te toda tu na minha Vontade, para poder formar a hóstia de ti na minha Vontade. Cada ato que fizeres em minha Vontade me formarás uma hóstia, e Eu me alimentarei de ti como tu de Mim. Que coisa forma a hóstia? Minha Vida nela. O que é o meu Testamento? Não é toda a minha Vida? Assim também tu podes fazer-te hóstia por amor meu; por quanto mais atos fizeres em minha Vontade, tantas hóstias de mais formarás para restituir-me amor por amor".

     

    13-23

    Outubro 13, 1921

    Todas as palavras de Jesus são fontes que levam e brotam para a Vida eterna.

    (1) Estava oprimida ao pensar que sou obrigada a dizer e a escrever ainda as menores coisas que o bom Jesus me diz, e ao vir me disse:

    (2) "Minha filha, cada vez que Eu te falo tento abrir uma força em teu coração, porque todas minhas palavras são fontes que levam e brotam à vida eterna, mas para formar-se estas fontes em teu coração, tu deves colocar também do teu, isto é, deves mastigá-las muito bem para poder colocá-las em teu coração e abrir nele a fonte; pensando-as e repensar-las tu formas a mastigação; com dizê-las a quem tem autoridade sobre ti e sendo assegurado que é minha palavra, tu sem dúvida a passas e abres a fonte para ti, e conforme as ocasiões de tuas necessidades, te serve dela e bebe a grandes goles na fonte de minha verdade; com escrevê-las abres os canais que podem servir a qualquer que queira tirar-se a sede para não deixá-lo morrer de sede. Agora, com não as dizer você não as pensa, e ao não as mastigar não pode passar, por isso corre perigo de que a fonte não se forme e que a água não brote, e quando tiver necessidade daquela água, a primeira a sofrer a sede será você, e se não escrever, não abrindo os canais, de quantos bens não privarás os outros?

    (3) Agora, enquanto escrevia pensava entre mim: "Faz algum tempo que meu doce Jesus não me fala de sua Santíssima Vontade, mas de outras verdades; eu me sinto mais levada a escrever sobre seu Santíssimo Querer, sinto mais gosto e sinto como se fosse exclusivamente minha, e seu Querer me basta para tudo". E meu sempre benigno Jesus ao vir me disse:

    (4) "Minha filha, não deves te maravilhar se sentir mais gosto e te sentes mais levada a escrever sobre meu Querer, porque ouvir, dizer, escrever sobre meu Querer é a coisa mais sublime que possa existir no Céu e na terra, é o que mais me glorifica e toma todos os bens juntos e toda a santidade de um só golpe, em troca as outras verdades encerram cada uma seu bem distinto, bebem-se de gole em gole, sobem degrau por degrau, adaptam-se ao modo humano, ao contrário minha Vontade, é a alma que se adapta ao modo divino, não são goles que se bebem, mas mares; não degraus que se sobem, mas voos que num abrir e fechar de olhos tomam o Céu, Oh minha vontade, minha vontade! Só ao ouvi-la de ti me traz tanta alegria e doçura, e sentindo-me circundado por minha Vontade que contém a criatura, como por outra imensidão minha, sinto tanto gosto que me faz esquecer o mal das outras criaturas, por isso deves saber que grandes coisas te manifestei da minha Vontade, mas que ainda não as mastigaste bem e não as digeriste, de modo a tomar toda a substância para formar o sangue da tua alma. Quando tiveres formado toda a substância, voltarei de novo e te manifestarei outras coisas mais sublimes de minha Vontade, e enquanto espero que as digais bem, te terei ocupada com outras verdades que me pertencem, para que se as criaturas não se querem servir do mar, do sol de minha Vontade para vir a Mim, se possam servir das forças, dos canais para vir a Mim e tomar para seu bem as coisas que me pertencem"

     

    14-22 Abril 13, 1922

    A alma que vive no Querer Divino vive no seio da Santíssima Trindade.

    (1) Estava a rezar as minhas habituais orações, e o meu sempre amável Jesus, surpreendendo-me por detrás, chamou-me pelo nome, dizendo-me:

    (2) "Luísa, Filha do meu Querer, queres tu viver sempre no meu Querer?"

    (3) E eu: "Sim, ó Jesus".

    (4) E Ele: "Mas realmente é verdade que queres viver na minha vontade?"

    (5) E eu: "Na verdade é Meu Amor, não saberia nem me adaptaria a viver de outra vontade".

    (6) E de novo Jesus: "Mas dizes-o firmemente?"

    (7) Então, sentindo-me confusa e quase temendo acrescentei: "Minha vida, Jesus, Tu me fazes temer com estas perguntas, Expõe-te melhor, firmemente o digo, mas sempre ajudada por Ti e na força de tua Vontade, que envolvendo-me toda não poderia fazer menos que viver em teu Querer".

    (8) E Ele, dando um suspiro de alívio disse: "Como estou contente de tua tripla afirmação, não temas, não são outra coisa que garantias, reafirmações e confirmações para selar em ti o triplo selo do Querer das Três Divinas Pessoas. Você deve saber que quem vive em minha Vontade deve elevar-se ao alto, mas tão alto, de viver no seio da Trindade Sacrossanta; sua vida e a nossa deve ser uma só, portanto é necessário, é decoroso que saiba onde está, com quem estás, e te uniformes em tudo o que fazemos Nós, e que não forçada, mas voluntariamente, com amor e com pleno conhecimento vivas em nosso seio. Agora, você sabe qual é a nossa Vida Divina? Nós nos divertimos muito em fazer sair de Nós novas imagens de Nós mesmos; estamos em ato contínuo de formar imagens nossas, tanto que Céu e terra estão cheios de nossas imagens, as sombras destas correm por toda parte: Imagem nossa é o sol, e a sua luz é a sombra da nossa que cobre toda a terra; a nossa imagem é o céu que se estende por toda a parte, e que leva a sombra da nossa Imensidão; imagem nossa é o homem, que leva em si nossa potência, sabedoria e amor, assim que Nós não fazemos outra coisa que produzir contínuas imagens nossas que nos assemelham. Agora, quem deve viver em nosso Querer, vivendo em nosso seio deve junto Conosco formar tantas outras cópias de Nós mesmos, deve estar junto conosco em nosso trabalho, deve fazer sair de si cópias nossas, enchendo delas toda a terra e o Céu. Agora, ao criar o primeiro homem, o formamos com nossas mãos, e infundindo-lhe o alento, lhe demos a vida; assim, tendo feito o primeiro, todos os outros têm origem e são cópias dele, nossa potência, correndo em todas as gerações, repete as cópias. Agora, constituindo-te filha primogênita de nosso Querer, é necessário que vivas Conosco para formar a primeira cópia da alma que vive em nosso Querer, de modo que, conforme vivas em Nós, mesmo que recebas a nossa atitude e aprendas com o nosso poder a agir à nossa maneira, e quando tivermos feito de ti a primeira cópia da alma que vive no nosso Querer, então virão as outras cópias.

    (9) O caminho de nosso Querer é longuíssimo, abarca a eternidade, e enquanto parece que se percorreu o caminho, fica muito por fazer e por receber de Nós para aprender nossos modos e formar a primeira cópia da alma que vive em nosso Querer. É a maior obra que devemos fazer, por isso muito devemos te dar e muito convém te dispor para te fazer receber. Eis a razão de minhas repetidas perguntas, é para dispor-te, para ampliar e elevar-te para cumprir meus desígnios. Isto me é tão importante, que deixaria tudo a um lado com tal de alcançar minha finalidade. Por isso seja atenta e fiel".

     

    15-23 Maio 18, 1923

    Como é difícil encontrar uma alma que queira sofrer. Carrascos de almas que há na Igreja.

    (1) Sentia-me muito afligida e quase privada do meu doce Jesus; que duro martírio é a sua privação! Martírio sem esperança de tomar o Céu por assalto como o tomam os mártires, o que torna doce todo seu sofrer; em troca sua privação é martírio que desune, que queima, que fere e que abre um abismo de separação entre a alma e Deus, que em vez de adoçar o sofrer, o amarga, o amarre, de modo que enquanto se sente morrer, a mesma morte foge longe, ó Deus, que pena! Agora, enquanto me encontrava no imenso abismo da privação do meu Jesus, assim que se moveu em meu interior lhe disse: "Ah! meu Jesus, já não me amas". E ele, não me dando ouvidos, fazia-se parecer todo aflito, como se tivesse na mão uma coisa negra que estava prestes a atirá-la sobre as criaturas, depois me tomava o coração entre suas mãos, me apertava fortemente, me o traspassava, e meu coração esperava com ânsia suas penas como refrigério e bálsamo às penas sofridas por sua privação. ¡¡ Oh, como temia que deixasse de me fazer sofrer e me jogasse de novo no abismo de sua separação! Então, depois disto, disse-me:

    (2) "Minha filha, eu não presto atenção às palavras, mas aos atos, acreditas tu que é fácil encontrar uma alma que de verdade queira sofrer? ¡Oh, como é difícil! De palavra há quem queira sofrer, mas nos fatos fogem quando uma dor as oprime ou outras penas as rodeiam, oh! como queriam libertar-se, e Eu permaneço sempre o Jesus isolado nas penas, e é por isso que quando encontro uma alma que não foge do sofrimento e quer fazer-me companhia nas minhas penas, é mais, espera e espera que lhe dê o pão da dor, Isto me dá o delírio do amor e me faz chegar a fazer loucuras e a ser tão magnânimo com esta alma, de fazer ficar estupefatos Céu e Terra. Achas tu que era algo indiferente ao meu coração, que tanto ama, que enquanto estavas privada de Mim me esperavas, não para outra coisa senão para que te levasse as minhas angústias?"

    (3) Enquanto dizia isto, fez-me ouvir que passava o Santíssimo pela rua e me deu um aperto mais forte ao coração, e eu:

    (4) "Meu Jesus, que se passa? Para onde vais e quem te leva?"

    (5) E Ele, todo triste: "Vou a um enfermo, levado por um carrasco de almas".

    (6) E eu espantada: "Jesus, que dizes? Como, os teus ministros carrascos de almas?"

    (7) E Ele: "E quantos carrascos de almas há em minha Igreja: Estão os carrascos apegados aos interesses, que fazem carnificina de almas, porque com seu exemplo em lugar de fazer desapegadas às almas de tudo o que é terra, as interessam de mais; estão os imoderados, que em lugar de purificar as almas as desfiguram; estão os carrascos dos passatempos, dedicados aos prazeres, aos passeios e demais, que em lugar de fazer coletadas às almas e de infundir-lhes o amor à oração e ao retiro, as distraiam; todas estas são carnificinas de almas. ¡ Quanta dor meu coração sente ao ver que aqueles mesmos que deviam ajudar e santificar as almas, são a causa de sua ruína!"

     

    16-24

    Outubro 16, 1923

    Para que a Divina Vontade desça à terra, é necessário que a vontade humana suba ao Céu, e para subir ao Céu é necessário Esvaziá-la de tudo o que é humano.

    (1) A dor da privação do meu Jesus concentra-se mais no meu pobre coração. Que longas noites sem Ele, sem Jesus me parecem noites eternas, sem estrelas e sem sol, só me resta se amável Querer onde me abandono e encontro meu repouso nas densas trevas que me circundam. E Jesus, Jesus, vem ao meu coração dilacerado, pois não posso mais sem Ti! Então, enquanto nadava no mar imenso da dor de sua privação, meu Jesus movendo-se dentro de mim, e segurando as minhas mãos nas suas ele apertou-as fortemente ao seu coração e disse-me:

    (2) "Minha filha, para descer a minha Vontade à terra, é necessário que a tua vontade suba ao Céu, e para subir ao Céu e viver na pátria celestial é necessário esvaziá-la de tudo o que é humano, de tudo o que não é santo, puro e reto. Nada entra no Céu a fazer vida comum com Nós, se não é tudo divinizado e transformado tudo em Nós; nem minha Vontade Divina pode descer à terra e desenvolver sua Vida como em seu próprio centro, se não encontrar a vontade humana vazia de tudo, para enchê-la de todos os bens que meu Querer contém. Ela não será outra coisa que um véu sutilíssimo que me servirá para me cobrir e habitar dentro, quase como hóstia consagrada, na qual eu formo a minha vida, faço todo o bem que quero, rezo, sofro, gozo, e a hóstia não se opõe, deixa-me livre, seu ofício é prestar-se a ter-me escondido e em silêncio aderir a conservar a minha Vida Sacramental.

    (3) Este é o ponto onde estamos, seu querer entrar no Céu, e o meu a descer à terra; por isso o seu não deve ter mais vida, não deve ter razão de existir. Isto aconteceu a minha humanidade, que enquanto tinha uma vontade humana, esta estava toda atenta a dar vida a a Vontade Divina, jamais se arbitrou por si só, nem sequer respirar por si só, senão que mesmo o Eu dava e tomava na Vontade Divina, e por isso o Querer Eterno reinou em mim Humanidade como no Céu assim na terra, nela fez sua Vida terrestre, e minha vontade humana, sacrificada toda à Divina, impeliu que a tempo oportuno descesse à terra para viver no meio das criaturas como vive no Céu. Não queres tu dar o primeiro lugar na terra à minha vontade?"

    (4) Agora, enquanto dizia isto, parecia-me encontrar-me no Céu, e como que a partir de um ponto só via todas as gerações, e eu, prostrando-me ante a Majestade Suprema tomava seu mútuo amor, sua adoração perfeita, a santidade sempre uma de sua Vontade, e as oferecia em nome de todos como correspondência do amor, da adoração e da submissão e união que cada criatura deveria ter com seu Criador. Queria unir Céu e Terra, Criador e criatura, a fim de que se abraçassem e se dessem o beijo da união de suas vontades. Então meu Jesus tem adicionado:

    (5) "Esta é a tua tarefa, viver entre nós e fazer teu tudo o que é nosso e dá-lo a nós por todos os teus irmãos; então nós, atraídos pelo que é nosso, podemos ficar vinculados com as gerações humanas e lhes dar de novo o beijo supremo da união da sua vontade com a nossa, beijo que lhe demos na Criação".

     

    17-22

    Novembro 23, 1924

    Deus ao criar o homem, para lhe conservar a vida formou em torno dele o ar do corpo e o ar da alma: O ar natural para o corpo, o ar da minha vontade para a alma.

    (1) Continuo meu estado de privação de Jesus e de amarguras intensas para minha pobre alma, e se de escapada se faz ver em meu interior, é todo taciturno e pensativo, mas apesar de seu silêncio eu fico contente, pensando que não me deixou e que sua habitação em mim ainda continua. E enquanto minha pobre alma está para sucumbir, sua visita me dá um gole de vida, que como chuva benéfica me faz reverdecer, mas, para fazer o que? Para voltar de novo a sucumbir e sentir-me morrer; assim que estou sempre entre a vida e a morte. Então, enquanto nadava no mar imenso da dor de havê-lo perdido, meu doce Jesus se moveu em meu interior, e fazendo-se ver em ato de rezar, eu me uni com Ele na oração e logo me disse:

    (2) "Minha filha, Eu, ao criar o homem, para conservar-lhe a vida formei em torno dele o ar do corpo e o ar da alma: O ar natural para o corpo, o ar da minha Vontade para a alma'. Você acredita que o ar natural, só porque é ar tem virtude de dar a respiração ao homem, a força, o alimento, a frescura, a vida vegetativa a toda a natureza? Então, apesar de não ser visto tem tudo em um punho e constitui-se vida de todo ser criado, e por isso todos sentem a necessidade do ar, e ele por toda parte faz seu curso, de noite, de dia, penetra no batimento do coração, na circulação do sangue e por toda parte; Mas sabe por que tem tanta virtude? Porque no ar está toda a substância dos bens que produz, e foram postos por Deus no ar a força alimentadora, respiratória, vegetativa, e ele contém como tantas sementes de todo o bem que encerra. Agora, se necessitava um ar para a conservação de toda a natureza, necessitava-se também um ar para a conservação da alma, e minha bondade não quis confiar nem formar outro ar para a alma, senão que minha mesma Vontade se quis constituir ar para a alma, mas que a minha própria Vontade quis constituir ar para a alma, e assim toda aquela substância dos bens que Ela contém, pudesse, como ar que invisivelmente tudo invade, penetrar no fundo da alma e levar-lhe o alimento divino, a vegetação e todos os bens, a virtude que respira tudo o que é Céu, a força invencível, a fecundidade de todas as virtudes. Deveria haver uma competição, o corpo em respirar o ar natural, e a alma em respirar o ar de minha Vontade, no entanto, é de chorar! Se os homens sentem que lhes falta o ar natural, se o procuram, se caminham em altas montanhas manifestam com dor a falta do ar, em troca do ar de minha Vontade não têm nem um pensamento nem uma dor, e embora sejam obrigados a estar como que imersos no ar da minha Vontade, as criaturas não amando este ar balsâmico e santificante, não podem pôr na alma os bens que contém, e é obrigada a estar nela sacrificada, sem poder desenvolver a vida que minha Vontade contém. Por isso minha filha, te recomendo, se queres que minha Vontade cumpra em ti seus desígnios, que respire sempre o ar de minha Vontade, a fim de que à medida que o respires floresça em ti a Vida Divina e te conduza à verdadeira finalidade para a qual foste criada".

     

    18-24

    Fevereiro 11, 1926

    A vontade humana é a traça que rói todos os bens e a chave que abre todos os males. Cada ato de vontade humana não unida com a de Deus, forma um abismo de distância entre o Criador e a criatura.

    (1) Estava pensando entre mim: "Por que tanto temor em mim, tanto de sentir falta da vida, se jamais for, não fizesse em tudo e por toda a Santíssima Vontade de Deus? O único pensamento me destrói, o que será se chegar a me subtrair ainda por um só instante da Vontade Suprema e adorável de meu Criador?" Enquanto pensava isto, o meu amável Jesus saiu de dentro de mim, e tomando as minhas mãos entre as suas as beijou com um amor indescritível, depois as apertou ao seu peito, forte, e toda ternura me disse:.

    (2) "Minha filha, como é bela minha Vontade obrante em tuas mãos, teus movimentos são feridas para Mim, mas feridas divinas, porque saem do fundo de minha Vontade dominante, obrante e triunfante em ti, então me sinto ferido como por outro Eu mesmo. Com justa razão temes se por um só instante saísses da Vontade Suprema, oh! como descerias no baixo, quase te reduzirias do estado de Adão inocente ao estado de Adão culpado, e como Adão tinha sido criado como cabeça de todas as gerações, a sua vontade subtraída do seu Criador formou a traça na raiz da árvore de todas as gerações, por isso todos sentem as ruínas que formou a traça da vontade humana desde o princípio da criação do homem. Cada ato de vontade humana não conectada com a de Deus forma um abismo de distância entre o Criador e a criatura, portanto, distância de santidade, de beleza, de nobreza, de luz, de ciência, etc. Então Adão não fez outra coisa com subtrair-se da Divina Vontade, que pôr-se à distância do seu Criador, esta distância o enfraqueceu, o empobreceu, desequilibrou tudo e levou o desequilíbrio a todas as gerações, porque quando o mal está na raiz, toda a árvore está obrigada a sentir os efeitos malignos, os humores nocivos que há na raiz. Então minha filha, tendo-te chamado a ti como primeira e chefe da missão da minha Vontade, esta minha Vontade deve pôr em ti o equilíbrio entre tu e o Criador, e portanto tirar a distância que há entre a vontade humana e a Divina, para poder formar em ti a raiz da árvore sem humores maus, fazendo correr nele só o humor vital da minha Vontade, a fim de que a árvore não seja prejudicada na vegetação, no desenvolvimento e na preciosidade dos seus frutos. Agora, se você quisesse fazer um ato de sua vontade não conectada com a minha, viria a formar a mariposa à missão que te confiei, e como um segundo Adão arruinaria a raiz da árvore de minha Vontade que quero formar em você, e prejudicarias a todos aqueles que quererão enxertar-se a esta árvore, porque não encontrariam toda a plenitude de minha Vontade em quem dela teve o princípio. Por isso sou Eu que ponho este temor em tua alma a fim de que minha Vontade seja sempre dominante em ti, e todas as manifestações que te fiz estejam sempre em vegetação para formar raízes, tronco, ramos, flores e frutos divinos sem a sombra de tua vontade humana. “Assim regressarás à tua origem no seio de teu Criador toda bela, crescida e formada com a plenitude da Vontade Suprema, e a Divindade, satisfeita em ti da obra da criação do homem, fará sair de ti e da missão a ti confiada seu povo eleito do Fiat Voluntas Tua como no Céu assim na terra, por isso sê atenta minha filha, e não queiras arruinar a obra de minha Vontade em ti; Amo-a tanto e custa-me tanto, que usarei todo o meu zelo infinito e estarei Eu mesmo a guarda da minha Vontade, a fim de que a tua jamais tenha vida".

    (3) Eu fiquei surpreendida e compreendia com clareza o que significa um ato de vontade humana em comparação de um ato de Vontade Divina, e como a alma com o fazer a sua perde a fisionomia de seu Criador, e despojando-se da beleza com a qual foi criada veste-se de míseros trapos, arrasta-se com dificuldade no bem, adquire a semelhança diabólica, nutre-se com alimentos porcos. Meu Jesus, dai a graça a todos de jamais fazer a própria vontade, o que é chamar a vida todas as paixões. Então, quase tremendo tratava de me abismar mais dentro na Suprema Vontade, e chamava a minha Mãe Celestial em minha ajuda, a fim de que junto comigo pudéssemos, em nome de todos adorar à Vontade Suprema por todas as vontades humanas opostas a Ela. Agora, enquanto fazia isso, o Céu se abriu e meu Jesus saiu de dentro de mim tudo em festa e me disse:.

    (4) "Filha de meu Querer, você deve saber que quando reina íntegra minha Vontade na alma, tudo o que a alma faz é o desenvolvimento da Vida de minha Eterna Vontade nela, assim que não foi você quem chamou a minha Divina Mãe, senão minha mesma Vontade que a chamou, e sentindo-se chamada por uma Vontade Divina, que sempre foi íntegra e triunfante nela, advertiu súbito que uma da família celestial a chamava na terra, e disse a todo o Céu: Vamos, vamos, é uma de nossa família que nos chama a cumprir os deveres da família à qual pertencemos'. E aqui, olhe para todos em torno de nós, a Virgem, os santos, os anjos, para fazer seu ato de adoração que você quer fazer, e a Divindade para recebê-lo. Minha Vontade tem tal poder que encerra tudo e faz com que todos façam a mesma coisa, como se fosse um só ato. Por isso a grande diferença que há entre quem faz reinar a minha Vontade nela e entre quem vive do próprio eu. Na primeira está uma Vontade Divina que reza, que obra, que pensa, que olha, que sofre; a cada movimento seu move Céu e terra e une tudo junto, de maneira que todos sentem a potência da Divina Vontade obrante na criatura, descobrem nela a nobreza, a semelhança, a filiação de seu Criador, e como filha da família celestial todos a protegem, a assistem, a defendem e a suspiram junto com eles na pátria celestial. O contrário para quem vive da própria vontade, ela é a chave do inferno, das misérias, da inconstância; onde ela abre, não sabe abrir outra coisa senão onde está o mal, e se acaso faz algum bem, é aparente, porque dentro está a mariposa do próprio querer que rói tudo. Por isso, ainda que te custe a vida, não saias jamais, jamais de minha Vontade".

     

    19-24

    Maio 27, 1926

    O Querer Divino envolve tudo e todos na unidade de sua luz. Como toda a Criação possui a unidade, e quem deve viver no Querer Divino possui esta unidade.

    (1) Estava fazendo meus atos habituais no Querer Supremo, e uma luz inacessível envolvia meu pequeno ser, e fazendo-me como presentes todas as obras de meu Criador, eu tinha um "te amo" por cada coisa criada, um movimento por cada movimento, uma adoração e um agradecimento de reconhecimento por toda a Criação; no entanto compreendia que era a mesma luz que me fornecia aquele te amo por cada coisa, aquele movimento, aquela adoração, eu só estava em poder da luz e ela me engrandecia, Eu encolhia e fazia da minha pequenez o que eu queria. Agora, enquanto me encontrava neste estado, eu estava dolorida porque não via a meu doce Jesus e pensava entre mim: "Jesus me deixou, e nesta bendita luz eu não sei para onde voltar meus passos para encontrá-lo, porque não se vê nem onde começa nem onde termina; ó luz santa, faz-me encontrar Aquele que é toda minha vida, meu sumo Bem"! Mas enquanto eu desabafava com a dor da privação de Jesus, todo bondade saiu de dentro de mim, e todo ternura me disse:.

    (2) "Minha filha, por que temes? Eu não te deixo, mas sim o Querer Supremo que me eclipsa em ti. A luz de minha Vontade é interminável, infinita, não se encontram seus confins, nem onde começa nem onde termina, em troca minha Humanidade tem seus confins, seus limites, e por isso sendo minha Humanidade menor que minha Eterna Vontade, Eu fico envolvido nela e como eclipsado, e enquanto estou contigo dou o campo de ação a meu Querer e gozo de seu obrar divino na pequenez de tua alma, e preparo uma nova lição que te dar para te fazer conhecer sempre mais as maravilhas de meu Supremo Querer; por isso quando nades nele está segura de que estou contigo, Mas faço contigo o que tu fazes, e para lhe dar todo o campo de ação Eu estou em ti como escondido, para gozar-me seus frutos. Agora, tu deves saber filha minha que a verdadeira luz é inseparável; olha, também o sol que está na atmosfera tem esta prerrogativa e possui a unidade da luz, tem tão compactada à luz em sua esfera, que não perde nem um átomo, e apesar de descer ao baixo enchendo de luz toda a terra, a luz não se divide jamais, é tão compacta em si mesma, unida, inseparável, que jamais perde nada de sua luz solar, tão é verdade, que expande seus raios todos juntos fazendo fugir por todas as partes da terra às trevas, e ao retirar sua luz retira todos seus raios, não deixando nem sequer as pegadas de seus átomos. Se a luz do sol fosse divisível, há muito tempo teria se empobrecido de luz e não teria mais a força para iluminar toda a terra, e se poderia dizer: apague luz dividida, terra desolada'. Assim o sol pode cantar vitória e possui toda a sua força e todos os seus efeitos na unidade da sua luz, e se a terra recebe tantos admiráveis e inumeráveis efeitos, de poder chamar-se ao sol vida da terra, tudo isto acontece pela unidade da luz que possui, que há tantos séculos não perdeu nem sequer um átomo de luz dos quais Deus lhe confiou, e por isso é sempre triunfante, majestoso e fixo, sempre estável em louvar na sua luz o triunfo e a glória da luz eterna do seu Criador. Agora minha filha, o sol é o símbolo de meu Eterno Querer, e se este símbolo possui a unidade da luz, muito mais minha Vontade que não é símbolo, mas a realidade da luz, e o sol pode ser chamado a sombra da luz inacessível da minha Vontade. Você viu sua imensidão, e que não só se vê um globo de luz como no sol, mas uma vastidão imensa, a qual o olho humano não pode chegar a ver nem onde começa nem onde termina, porém toda esta interminabilidade de luz é um ato só do Eterno Querer. Está tão compacta toda esta luz incriada, que se torna inseparável, indivisível, assim, mais do que sol possui a unidade eterna, na qual vem fundado o triunfo de Deus e de todas as nossas obras. Agora, este triunfo da unidade do Supremo Querer, o centro de sua sede, de seu trono, é o centro da Trindade Sacrossanta, deste centro divino partem seus raios fulgidíssimos e investem toda a pátria celestial, e todos os santos e anjos estão investidos pela unidade do meu Querer, e todos recebem os efeitos inumeráveis, que arrebatando-os todos a si, forma deles uma só unidade com a unidade suprema da minha Vontade; estes raios investem toda a Criação e formam a sua unidade com a alma que vive na minha Vontade. Olhe, a unidade desta luz de minha Vontade que está no centro das Três Divinas Pessoas, está já fixada em você, Então uma é a luz e o ato, uma é a Vontade. Agora, enquanto fazes teus atos nesta unidade, estão já incorporados àquele ato só do centro das Três Divinas Pessoas, e a Divindade está já contigo para fazer o que tu fazes; a Mãe Celestial, os santos e anjos e toda a Criação, Todos em coro repetem seu ato e sentem os efeitos da Vontade Suprema. “Olha, escuta o prodígio nunca visto daquele ato só que enche Céu e terra, e que a mesma Trindade, unindo-se com a criatura, se põe como primeiro ato do ato da criatura".

    (3) Enquanto eu estava nisto, eu via a luz eterna fixada em mim, e ouvia o coro de todo o Céu e de toda a Criação em sua linguagem muda, mas quem pode dizer tudo, e o que compreendia da unidade da luz do Supremo Querer? E Jesus adicionou:.

    (4) "Minha filha, cada ato para ser bom e santo, seu princípio deve vir de Deus, e eis que a alma que vive em meu Querer, na unidade desta luz, sua adoração, seu amor, seu movimento e tudo o que possa fazer começa na Trindade Divina, Assim que recebe o princípio de seus atos do próprio Deus, e eis que sua adoração, seu amor, seu movimento, é a mesma adoração que têm entre elas as Três Divinas Pessoas, e o mesmo amor recíproco que reina entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo; seu movimento é aquele movimento eterno que jamais cessa e que dá movimento a todos. A unidade desta luz põe tudo em comum, e o que faz Deus faz a alma, e o que faz a alma faz Deus, Deus por virtude própria, a alma em virtude da unidade da luz que a envolve; por isso o prodígio do viver em meu Querer é o prodígio de Deus mesmo, é prodígio primário, todos os outros prodígios, todas as outras obras, mesmo boas e santas, ficam eclipsadas, desaparecem diante dos atos feitos na unidade desta luz. Imagine o sol, que na unidade de sua luz expande seus raios invadindo toda a terra, e às criaturas que pusessem de frente à fulgurante luz do sol todas as luzes que há no baixo da terra, luz elétrica, luzes privadas, por quantas quisessem pôr sua luz ficaria mesquinha diante do sol, quase como se não existissem, e nenhum se serviria de todas aquelas luzes para dar luz a seu passo para caminhar, à mão para trabalhar, ao olho para ver, mas todos se serviriam do sol e todas aquelas luzes ficariam ociosas, sem fazer bem a nenhum. Assim são todas as outras obras que não são feitas na unidade da luz de meu Querer, são as pequenas luzes diante do grande sol, que quase não se lhes presta atenção; porém aquelas luzes que estando o sol não servem para nada e não fazem nenhum bem, desaparecido o sol adquirem seu pequeno valor e fazem seu pequeno bem, são luz nas trevas da noite, servem ao obrar do homem, mas jamais são sol, nem podem fazer o grande bem que pode fazer o sol. O fim da Criação era, que tendo saído todas as coisas de dentro da unidade desta luz do Fiat Supremo, todas deviam ficar na unidade d‟Ele, só a criatura não quis conhecer esta finalidade e saiu da unidade da luz do sol de meu Querer, e reduziu-se a mendigar os efeitos desta luz, quase como terra que mendiga do sol a vegetação e o desenvolvimento da semente que esconde em seu seio. Que dor minha filha, que dor, de rei reduzir-se a mendigo e mendigar de quem devia estar a seu serviço!".

    (5) Jesus todo aflito e sofredor fez silêncio, e eu compreendia toda a dor que o atravessava, sentia em mim sua dor que me penetrava até nas mais íntimas fibras de minha alma, mas eu queria a qualquer custo aliviar a Jesus, e retornei a meus acostumados atos na unidade de seu Querer, sabendo que Ele passa facilmente da dor à alegria quando minha pequenez se submerge na luz inacessível de Sua Vontade. Então Jesus amou junto comigo e o amor acalmou sua dor e retomou a palavra:.

    (6) "Minha filha, já que te estou a crescer no meu Querer, ah! , não queiras dar-me jamais esta dor tão penetrante de sair da unidade da luz do Fiat Supremo, promete-me, jura-me que serás sempre a recém nascida da minha Vontade"..

    (7) E eu: "Meu amor, consola-te, eu prometo, eu juro, e Tu deves prometer-me de me ter sempre em teus braços e abismada em teu Querer, não deves deixar-me jamais se queres que eu seja sempre, sempre a pequena filha de tua Vontade, pois eu tremo e temo de mim mesma, muito mais, pois quanto mais falas deste Querer Supremo, tanto mais sinto que não sou boa para nada, e a nulidade do meu nada se faz sentir mais". E Jesus suspirando acrescentou:.

    (8) "Minha filha, este sentir de mais teu nada não se opõe ao viver em meu Querer, É mais um dever seu. Todas as minhas obras estão formadas sobre o nada, e por isso o Tudo pode fazer o que quiser. Se o sol tivesse razão e lhe perguntasse: Que fazes de bom? Quais são os teus efeitos? Quanta luz e calor contém? Responderia: Eu não faço nada, só sei que a luz que Deus me deu está investida do Querer Supremo, e faço o que quiser, me estendo onde quiser e produzo os efeitos que quiser, e enquanto faço tanto, eu fico sempre nada e tudo o faz o Querer Divino em mim'. E assim como todas as minhas obras, toda a sua glória é ficar em nada, para dar todo o campo à minha vontade, para a fazer trabalhar. Só o homem quis fazer sem a Vontade de seu Criador, quis fazer agir seu nada, crendo-se bom a qualquer coisa; e o Todo, sentindo-se posposto pelo nada saiu do homem, que se reduziu de superior a todos, a estar por debaixo de todos, por isso faz que teu nada esteja sempre em poder de meu Querer se queres que a unidade de sua luz trabalhe em ti e chame a nova vida a finalidade da Criação".

     

    20-23

    Novembro 10, 1926

    Quem vive no Querer Divino encerra em si toda a Criação e é o refletor do seu Criador. Dois efeitos do pecado.

    (1) Meus dias se alternam sempre entre as privações e as breves visitas de meu doce Jesus, e muitas vezes são como relâmpago que foge, e enquanto foge fico com o prego transpassado de, quando voltará? E suspirando chamo-o: "Meu Jesus, vem, regressa à tua pequena exilada e regressa de uma vez por todas, regressa para me levar ao Céu, não me deixes mais no meu longo exílio porque não posso mais". Mas quando o chamava, em vão eram as minhas chamadas. Então, abandonando-me no Santo Querer Divino fazia quanto mais podia meus acostumados atos, girando por toda a Criação, e meu doce Jesus movendo-se a compaixão de minha pobre alma, que não podia mais, tirou um braço de dentro de meu interior e todo piedade me disse:

    (2) "Minha filha, coragem, não pares, o teu voo no meu Eterno Querer seja contínuo. Tu deves saber que minha Vontade em todas as coisas criadas faz seu ofício contínuo, e em cada coisa seu ato é distinto, não faz no céu o que faz no sol, nem no sol o que faz no mar, minha Vontade tem em cada coisa seu ato especial, e se bem minha Vontade é uma, seus atos são inumeráveis. Agora, a alma que vive n‟Ela vem para encerrar em si todos os atos que faz em toda a Criação, assim deve fazer o que Ela faz no céu, no sol, no mar, etc., tudo deve fechar nela para fazer que a alma siga todos seus atos, e não só isso, mas para ter o ato de correspondência da criatura. Então, se seu ato não for contínuo minha Vontade não te espera, segue seu curso, mas em ti deixa o vazio de seus atos, e entre você e Ela fica uma certa distância e dessemelhança.

    (3) Agora, tu deves saber o grande bem que encerras ao fechar em ti tudo o que faz minha Vontade na Criação, enquanto tu segues seus atos recebe o reflexo do céu e se forma e se estende em ti o céu, recebe o reflexo do sol e se forma em ti o sol, recebe o reflexo do mar e forma-se em ti o mar, recebe-se o reflexo do vento, da flor, de toda a natureza, em suma de tudo e, oh! como se eleva do fundo da tua alma o céu que protege, o sol que ilumina, aquece e fecunda, o mar que inunda e que forma as ondas de amor, de misericórdia, de graça e de fortaleza a favor de todos, o vento que purifica e leva a chuva sobre as almas incendiadas pelas paixões, a flor da adoração perpétua ao teu Criador, por isso é o prodígio dos prodígios. Viver no meu Querer é o verdadeiro triunfo do Fiat Supremo, porque a alma se torna o refletor do seu Criador e de todas as nossas obras, porque a nossa Vontade só triunfa completamente quando põe na alma o que Ela Volume pode e sabe fazer, quer ver não só Aquele que a criou, mas a todas as suas obras, não está contente se lhe falta ainda a mais mínima coisa que a Ela pertence; as almas do Fiat Supremo serão nossas obras, não incompletas mas completas, serão os novos prodígios, jamais vistos nem conhecidos, nem pela terra nem pelo Céu; qual não será o encanto, a surpresa dos mesmos bemaventurados quando virem entrar em sua Pátria Celestial a primeira filha do Fiat Divino? Qual não será sua alegria, sua glória, ao ver que leva consigo seu Criador com todas as suas obras, isto é, o céu, o sol, o mar, toda a terra florida com suas variadas belezas? Reconhecerão nela a obra completa da Eterna Vontade, porque só Ela sabe fazer estes prodígios e estas obras completas".

    (4) Depois continuava meu abandono no Eterno Fiat para receber seus reflexos, e meu doce Jesus acrescentou:

    (5) "Minha filha, minha Mãe Celestial foi a primeira que ocupou o primeiro lugar no Céu como Filha do Querer Supremo, e como foi a primeira tem em torno dela o lugar para todos os filhos do Fiat Supremo. Então, em torno da Rainha do Céu, vemos tantos lugares vazios, que não podem ser ocupados por outros, mas por suas cópias, e como foi Ela a primeira da geração de minha Vontade, o Reino do Fiat também será chamado de Reino de Nossa Senhora. Oh! como se reconhecerá nestes nossos filhos a soberania sobre toda a Criação, porque eles em virtude da minha Vontade gozarão vínculos indissolúveis com todas as coisas criadas, estarão em contínuas relações de comunicações com elas, serão os verdadeiros filhos nos quais o Eterno Criador se sentirá honrado e glorificado de tê-los por filhos, porque reconhecerá neles, sua Vontade Divina trabalhadora, que tem reproduzido suas verdadeiras imagens".

    (6) Depois disto pensava: "Meu primeiro pai Adão, antes de pecar possuía todos estes vínculos e relações de comunicação com toda a Criação, porque possuindo ele íntegra a Vontade Suprema, era como conatural sentir em si todas as comunicações onde quer que Ela agisse; agora, ao subtrair-se deste Querer tão santo, não sentiu o rasgo que fazia em toda a Criação, o rompimento de todas as comunicações e todos os vínculos quebrados como de um só golpe por ele? Se eu só pensar em pensar se devo ou não fazer um ato, e só com titubear sinto que o céu treme, que o sol se retira, que toda a Criação se sacode e está em ato de me deixar sozinha, tanto que eu mesma tremo junto com eles, e espantada, súbito, sem duvidar faço o que devo fazer. Como pôde fazê-lo? Não sentiu este rasgo tão cruel e doloroso?" E Jesus, movendo-se dentro de mim, disse-me:

    (7) "Minha filha, Adão sentiu este rasgo tão doloroso, e, apesar de tudo, caiu no labirinto da sua vontade que não lhe deu mais paz, nem a ele nem aos seus descendentes; como de um só golpe toda a Criação se retirou dele, retirando-se a felicidade, a paz, a força, a soberania, tudo, ficou só em si mesmo, pobre Adão, quanto lhe custou subtrair-se de minha Vontade! Ao só sentir-se isolado, não mais cortejado por toda a Criação, sentia tal espanto e horror, que chegou a ser o homem medroso, temia tudo e até minhas mesmas obras, e com razão, pois se diz: „Quem não está Comigo está contra Mim.‟ Não estando ele mais ligado a elas, por justiça se deviam colocar contra ele. Pobre Adão, há que compadecê-lo muito, ele não tinha nenhum exemplo de outro que tivesse caído e do grande mal que lhe tivesse acontecido, para que pudesse estar atento a não cair, ele não tinha nenhuma ideia do mal, porque, minha filha, o mal, o pecado, a queda de outro tem dois efeitos: Para quem é mau e quer cair, serve como exemplo, como ajuda, como incentivo para precipitar-se no abismo do mal; para quem é bom e não quer cair, serve como antídoto, como freio, como ajuda e como defesa para não cair, porque vendo o grande mal, a desventura de outro, serve de exemplo para não cair e para não seguir esse mesmo caminho, para não se encontrar naquela mesma desventura, assim que o mal de outros faz estar atentos e ser cautelosos, por isso a queda de Adão é para ti de grande ajuda, de lição, de chamada, enquanto ele não tinha nenhuma lição do mal, porque o mal então não existia".

     

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